quinta-feira, 18 de outubro de 2018

O Tarot: Arcanos Maiores - VI - Os Enamorados

outubro 18, 2018 0 Comentários
VI - Os Enamorados

Nome do Arcano: Os Enamorados
Número: VI
Descrição: No baralho de Rider-Waite os Enamorados são representados por um homem e uma mulher nus debaixo do Arcanjo (Rafael). Ambos estão num jardim florido e, atrás da mulher, está uma macieira com uma cobra. Atrás do homem está uma árvore de chamas (com doze chamas). A mulher está a olhar para o anjo enquanto o homem está a olhar para ela. No fundo encontra-se uma montanha vulcânica. *
Símbologia: O Arcanjo Rafael, no topo da carta, representa a cura emocional e física e abençoa o homem e a mulher, recordando-os da sua conexão e união com o Divino. O jardim fértil onde se encontram é semelhante ao Jardim do Éden, recordando-nos o mito de Adão e Eva. Por detrás da mulher, na macieira, encontra-se uma cobra e estes dois símbolos representam a tentação dos prazeres sexuais que podem distrair alguém do divino. A árvore de chamas, atrás do homem, representa paixão (a principal preocupação do homem) e, as dozes chamas, representam os signos do zodíaco e a eternidade. Também a forma como cada um está a olhar para o outro tem significado: O homem para a mulher e a mulher para o anjo representam o caminho do consciente para o inconsciente e para o superconsciente, ou seja, do físico para o emocional e para o espiritual. Por fim, a montanha no fundo representa a explosão de desejo que acontece quando os dois se encontram.

Significado:

  • Posição Normal
Primordialmente a carta dos Enamorados representa relações e ligações sinceras e honestas. A aparência da carta mostra que é uma relação sincera e de confiança, representada na nudez das personagens, onde existe abertura para diálogo e vulnerabilidade. Por norma esta carta representa relações amorosas, porém, poderá também ser símbolo de uma relação de amizade ou de família, o foco da carta, é o fluir de amor e confiança. A nível individual esta carta simboliza o estabelecimento de uma crença e orientação pessoal. É altura de escolher caminhos e decidir qual a filosofia de vida a seguir. Aliás os Enamorados ensinam-nos a tomar as decisões e as nossas escolhas com base no amor (amor próprio, amor familiar, amor ao próximo, etc.). Basear as escolhas no amor traz para a vida harmonia e equilíbrio. 
  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta dos Enamorados representa a falta de harmonia com o que está em nosso redor, principalmente com as pessoas que nos são próximas. As relações amorosas ou familiares podem estar a passar por um mau pedaço e a falta de comunicação é um dos principais factores. Este é um momento de escolhas, e este Arcano simboliza exactamente isso. É necessário reavaliar as relações e entender o que nos motiva a estabelecer as mesmas e se vale a pena ou não, se a vibração existe ou não. E, no caso de não existir, é necessário de deixar ir, pelo bem de todos e por respeito a nós próprios. Esta carta pode representar também falta de amor e respeito próprio e levar-nos a meditar sobre o assunto: Até que ponto é que nos respeitamos a nós mesmos? Também conflitos interiores podem ser simbolizados por esta carta, sendo que ela apela a uma necessidade de focar e estruturar os nossos pensamentos e valores pessoais. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Análise Literária: "You Are Magical" de Tess Whitehurst

setembro 13, 2018 0 Comentários
Título: You Are Magical
Autor(es): Tess Whitehurst
Pontuação
Descrição: Desde que era criança que ouve a antiga e fascinante canção do seu poder espiritual inerente. Quando cresceu nunca descartou a ideia de que há poder na ponta dos seus dedos - poder que pode usar para criar o seu mundo de acordo com seus desejos. Sempre sentiu isso porque você é mágico. Com dezenas de feitiços para todas as finalidades, "You Are Magical" mostra como abraçar a sua espiritualidade e criar mudanças positivas em si mesmo e no mundo. Descobrirá o legado da sua magia, como ela é exclusivamente sua e exatamente quais ingredientes e etapas você precisa para criar uma vida realmente magnífica. Este guia prático e profundamente inspirador capacita você a se tornar a pessoa que você nasceu para ser: um agente mágico de mudança que está conectado com a natureza, o cosmos e Tudo O Que É.
Onde ComprarAmazon | Book Depository
Crítica:

"Além do mais, você sente um poder pulsante e presença emanando do mundo natural. Ele fala com você - não necessariamente através de palavras, mas através da beleza de uma borboleta, a fragrância da chuva fresca em terra seca, o som dos ventos nas árvores, a vasta extensão de estrelas cintilantes ou o momento em que o sol brilha através da chuva. para transmitir um arco-íris."

Este livro é uma leitura muito leve e fácil, sendo que a escrita é bastante simples e acessível. A autora fala de vários tópicos com um foco principal em "Magia". A "Magia" em que a autora é foca é, maioritariamente, a Lei da Atração e do poder de mudar as coisas na nossa vida. Gostei bastante da forma como a autora descreve as sensações e sentimentos e mostra que a magia está em todo o lado, não apenas em rituais específicos. Gostei também da forma como a autora se refere à Magia e como a Magia se manifesta na nossa vida. Ela usa uma excelente analogia que é a de um vestido: O vestido por si só não nos faz mais bonitas mas faz-nos SENTIR mais bonitas. E é exactamente o que acontece com os instrumentos mágicos: Eles não fazem a magia mas AJUDAM na Magia, como orientadores, marcadores e auxiliares à visualização.

Pessoalmente achei que a autora misturou um pouco as culturas demais, porém, esta é apenas a opinião com base na minha prática dado que não me sinto confortável em contactar com divindades de panteões diferentes nos mesmos rituais. Porém sei que muitos são adeptos, por isso, deixo aqui a indicação que a autora fala de várias culturas e divindades, porém, não estabelece separação entre os mesmos, deixando isso ao critério do leitor.

A maioria das práticas descritas no livro são bastante simples e tipo de rituais práticos para o dia-a-dia e magia quotidiana: Como conectar com a Natureza e as energias em redor, chakras, astrologia, compilação de feitiços para diversos propósitos (a segunda parte do livro é totalmente dedicada a uma listagem de diversos feitiços e rituais para vários objectivos). O livro é bastante orientado para a prática Wicca, principalmente na forma como são apresentadas as Divindades de um ponto de vista duoteísta. Outro aspecto do livro que não gostei foi o facto de a autora recorrer muito a Anjos e entidades Celestiais que, para mim pessoalmente, são mais associadas ao panteão judaico-cristão e com as quais não me identifico dentro do Paganismo. Como tal, fica o aviso para os leitores que possam gostar (ou não) deste detalhe.

Outro ponto do livro que eu não gostei nada foi que, a certa altura, a autora fala "De onde pensa que os seus antepassados vieram e quais as suas espiritualidades? Se não souber, tente adivinhar". Isto para mim é simplesmente surreal. Existem diversos métodos de trabalhar com os ancestrais, de investigar as nossas raízes mágicas e ligações a quem veio antes de nós. Não precisamos de "inventar" ou "adivinhar". A Magia não é algo para ser adivinhado, é preciso saber o que se está a fazer e porque razão o estamos a fazer. Uma coisa é intuição. Outra coisa é adivinhar. Há que saber distinguir ambos e garantir que o trabalho realizado está a ser feito correctamente e não apenas por um capricho ou "porque sim".

A autora fala também de um ponto que achei interessante que é os "Desejos do Ego" e os "Desejos Autênticos", ou seja a diferença entre querer AQUELE emprego ou querer um BOM emprego e a forma como este tipo de desejos podem ter os resultados opostos do que realmente queremos.

O livro, no geral, não está mau porém existiram dois pontos que não gostei (tirando um ou outro detalhe referido anteriormente, porém, como indiquei esses são apenas em comparação com a minha prática pessoal):

A certa altura no livro é referido sobre um "ritual de auto-iniciação". Este livro NÃO é base suficiente para alguém se iniciar (Até porque a autora nem refere em que é que a pessoa se vai iniciar e apenas indica que é no "caminho mágico" sendo que a Magia em si não requer uma iniciação, apenas caminhos estruturados e iniciáticos é que requerem esse ritual específico e nas condições estipuladas de cada tradição). O termo de auto-iniciação acho que é péssimo. A autora poderia ter escolhido algo como "dedicação" em que um praticante se dedicada a estudar Magia ou o caminho. Este livro, de todo, não serve como manual para uma iniciação sendo que apenas refere os básicos dos básicos e de uma forma bastante superficial.

O outro detalhe que a autora refere, e este deixou-me bastante revoltada e afectou bastante a minha opinião e nota do livro, é que a autora refere "Regressão a Vidas Passadas" e refere que a mesma pode ser feita com base em apenas uma simples meditação e, passo a citar, "sem precisar de gastar dinheiro em profissionais". Ora se há profissionais em determinadas áreas é porque eles são precisos! A regressão a vidas passadas é perigosa e deve ser sempre efetuada junto de um profissional credenciado ou experiente. Imaginem o seguinte cenário: Estão sozinhos no vosso quarto e decidem fazer uma meditação com regressão a vidas passadas (já para não falar que isto requer um nível de meditação bastante profundo!) e têm sucesso. Mas... Não têm forma de controlar qual o momento da vida passada que vão ver. Imaginem que vêm-se a ser queimados na fogueira. Ou torturados. Ou a cometer suicídio. Ou qualquer outro momento traumático. Estão a imaginar o choque? O pânico? E o dano que isso pode fazer psicologicamente e emocionalmente? É por isso que há profissionais para garantir que o acesso às nossas memórias antigas é feito de forma cuidada e responsável, evitando assim traumas. Não é algo para ser tratado de forma leviana. Por favor: Tenham cuidado com este aspecto!

Tirando estes dois pontos em particular o livro é bastante acessível e não é muito mau. A forma como a autora se expressa é fácil de compreender, porém, devido a estes pontos anteriores não consigo dar uma nota superior a 3 Estrelas.

[Recebi uma ARC/Cópia Avançada em troca de uma crítica/análise honesta]

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Elementais: Salamandras/Fogo

setembro 10, 2018 0 Comentários

Hoje vamos falar dos Elementais do elemento Fogo, as Salamandras. Tal como falámos anteriormente cada um dos elementos tem espíritos elementais associados sendo que, no caso do elemento Fogo, os espíritos elementais são as Salamandras.

Estes são dos elementais mais complicados de estabelecer a ligação e cujo contacto deve ser mais cuidado. Tal como o fogo são elementais imprevisíveis e bastante intensos, sendo que há que ter uma forma diferente de lidar com os mesmos. Chatear ou ofender uma Salamandra pode ter resultados catastróficos, dependendo da gravidade do que foi feito. Por norma este é dos elementais com que se aconselha ser dos últimos a estabelecer contacto (supondo que o objectivo é estabelecer com todos) dado que requer algum domínio próprio e paciência.

O contacto com as Salamandras, para além dos motivos indicados acima, é também complicado dado que, como elementais do Fogo, tudo aquilo de que se aproximam é reduzido a cinzas e queimado. Assim sendo o seu contacto tem de ser feito de forma cuidada, dado que as Salamandras são a própria alma da chama e o que causa o arder, o crepitar e o consumir do fogo.

À semelhança dos restantes elementais, as Salamandras possuem características típicas ao seu elemento. São representados como estando presente em todas as chamas e, muitas vezes, são vísiveis nas chamas dos incêndios ou das lareiras. Aliás há imensas imagens na Internet de "figuras" em chamas de velas, incêndios, lareiras e outros em que estamos a olhar, em alguns casos, para representações dos elementais.

Apesar da semelhança do nome Salamandras a um animal que existe na Natureza não deveremos confudir os dois. As salamandras enquanto elementais são assim chamadas pela sua associação aos movimentos serpentinos das chamas que ficaram associado aos ânfibios e ao mexer das suas caudas.

Tal como os restantes grupos de elementais, as Salamandras encontram o seu Rei na entidade de Djinn, um espírito do fogo intenso e severo. Este é considerado um dos Reis Elementais mais respeitado e severo e não deverá, nunca, ser chamado em vão.

As suas funções estão intimamente ligadas ao subsolo e à ligação do fogo dentro do Planeta Terra: a lava, os vulcões, o calor do interior da Terra, etc. Estão ligadas à manutenção do equílibrio dos Vulcões e, quando na necessidade, de causar as suas erupções. Estão também presentes em todas as chamas e locais de calor. O trabalho com os elementais do Fogo, tal como o trabalho com o próprio elemento, é desenvolvido acima de tudo no interior e na mente, através do trabalho com a força de vontade, disciplina e impulso da vida.

Já estabeleceram contacto com as Salamandras? Já conheciam? Como foram as vossas experiências? 


quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Bruxaria & Ansiedade

setembro 06, 2018 0 Comentários

Hoje venho falar de um tópico que me é bastante pessoal e que, quanto mais vejo as comunidades em meu redor, vejo que é um tópico que não é só meu, mas de todos. A ansiedade é um dos maiores problemas da nossa actualidade sendo que uma grande percentagem da população, nos mais variados países, sofre de crises de ansiedade ou pânico (por vezes acompanhadas por depressões ou semelhante) ou de outros tipos de ansiedade como ansiedade social. É algo que afecta todos os tipos de pessoas: magras, gordas, baixas, altas, ricas, pobres, cristãs, pagãs, budistas, etc. Hoje planeio abordar a forma como nós, Bruxas e Bruxos, podemos utilizar da nossa Magia para ajudar na nossa ansiedade e, ao mesmo tempo, como fazer com que a nossa ansiedade não nos impeça de dar passos em frente ou de seguir o nosso caminho como pretendemos.  

Vou contar-vos um pouco da minha história: Eu comecei a sofrer de ansiedade na minha pré-adolescência. Devido a bullying na escola e outros problemas com que estava na altura comecei a desenvolver ansiedade, tendo passado também por uma depressão. Eventualmente consegui, felizmente, sair da depressão porém a ansiedade tornou-se uma constante companheira. Com 16 anos comecei a frequentar uma psicóloga que me ajudou com diversos exercícios de meditação e de concentração para ajudar a controlar a ansiedade que, à época, tinha atingido proporções gigantescas limitando-me seriamente no meu dia-a-dia (não conseguia andar nos corredores da escola, não conseguia andar em ruas movimentadas, não conseguia falar publicamente, etc.). Estes métodos de meditação e concentração acompanharam-me durante imenso tempo e ajudaram-me a controlar a minha ansiedade. Contei também com apoio de familiares e amigos que me ajudaram a sair da minha zona de conforto pouco a pouco. Porém isto não fez com que a ansiedade desaparecesse. Apenas a controlou, durante um período de tempo. Avancemos no tempo para os meus 23 anos. Acabada de sair de uma situação difícil na vida e a minha ansiedade voltou mas, desta vez, de forma diferente. Tornou-se uma ansiedade imprevisível e que, do nada e sem eu notar, tinha ataques de pânico. Coisas pequenas como clientes difíceis ou planos alterados acabavam por me causar alguns ataques de pânico e, infelizmente, a minha reação era automaticamente de afastar todos em meu redor e isolar-me (o que, por consequência, piorava a minha ansiedade). Mas, com o tempo, ajuda de amigos e do meu companheiro e com vários exercícios de respiração e meditação e, também, com uso de aromaterapia e afins consegui ter novamente a ansiedade "presa nas rédeas". 

Porém, ao contrário do que as pessoas pensam, não é porque conseguimos ter este pequeno controle na nossa ansiedade, que ela deixa de existir ou deixa de ter impacto na nossa vida. A ansiedade é constante, continua sempre lá como um bicho-papão a espera para surgir nos momentos mais inesperados. Pode ser no domingo antes de ir para o trabalho na segunda-feira, pode ser antes de um ritual importante ou até sabendo que vai sair fora com um amigo e tem um horário a cumprir. São imensos os momentos do nosso quotidiano que podem causar ansiedade. Não há cura milagrosa para a ansiedade. Não há comprimidos mágicos ou rituais ou seja o que for que faça a ansiedade desaparecer de vez. Porém há formas de lidar com ela. Há formas de tentar controlar a mesma de maneira a que o impacto seja pequeno no nosso dia-a-dia. 

O meu primeiro conselho é recorra a um profissional. Se a ansiedade que sente é uma ansiedade que está a prejudicar seriamente o seu dia-a-dia recorra a profissionais (psicólogos ou psiquiatras). Muitas escolas e trabalhos disponibilizam psicólogos e psiquiatras que estão prontos a ajudar por preços baixos ou até gratuitamente. Em alternativa, em Portugal, o SNS tem psicólogos e o seu médico de família pode recomendar uma consulta, tornando a mesma comparticipada pelo Estado. 
Não tenha medo do "estigma" associado a estes profissionais porque eles querem mesmo ajudar e têm as ferramentas necessárias para tal. Se não gostar de tomar medicação química (comprimidos, etc) peça ao seu terapeuta para encontrar métodos alternativos e mais naturais de lidar com a ansiedade (aromaterapia, acupuntura, reiki, yoga, etc). Existem milhares de métodos de controlo de ansiedade aos quais pode recorrer, é uma questão de encontrar qual o método certo. 

Mas a questão deste artigo é: Como posso fazer para que a minha magia me ajude a melhorar a minha ansiedade? Como posso fazer para que a ansiedade não me afecte nos meus trabalhos mágicos? 

Bem, vamos por partes. Referente à primeira parte existem diversas coisas que pode fazer para ajudar na sua ansiedade dentro da sua prática:
  • Começar uma rotina de meditação diária (15 a 30 minutos todas as manhãs ou todas as noites);
  • Começar a realizar caminhadas de meditação na Natureza que ajudam a estabelecer contacto com a Natureza local e com os elementais e, ao mesmo tempo, ajuda no tratamento da ansiedade.
  • Se na sua prática pessoal utilizar ervas e óleos pode sempre verificar quais os que estão associados a propriedade de calma e tranquilidade e criar pequenos sacos consagrados para diminuir a ansiedade, óleos para colocar na almofada ou num difusor.
  • Criar banhos de ervas e cristais para estimular a tranquilidade e ajudar com o stress diário. O controle do stress diário ajuda a controlar também a ansiedade que deriva do mesmo. 
  • Realizar comidas de conforto que goste e que lhe recordem momentos de tranquilidade. Pode recriar receitas que a sua mãe ou avó costumava cozinhar e que comia quando era criança ou comidas que associe a bons momentos. Consagre estes alimentos para que lhe tragam calma e tranquilidade no momento que está a passar.
  • Pode criar chás e colocar em pequenas saquetas para levar consigo e sempre que estiver com momentos de mais ansiedade e tenha ao alcance forma de fazer chá, faça um dos seus chás consagrados para ajudar.
  • Se trabalhar com cristais pode investigar cristais associados ao tratamento da ansiedade e consagrar alguns (um colar, pulseira ou até anel) e andar com os mesmos, recorrendo a meditação para auxiliar a conectar e diminuir a ansiedade. 
  • Pode criar um sigilo para diminuir a ansiedade e levar consigo num amuleto ou até exposto no seu telefone. 
Existem várias formas, aplicáveis a cada prática individual, de criar confortos e auxílios no lidar com a ansiedade no dia-a-dia. Estas são apenas algumas das ideias que podem ser referidas. No meu caso pessoal recorro muito a aromaterapia (velas e difusor com aromas relaxantes como lavanda e baunilha), a meditação e visualizações e também ao trabalho com amuletos. 

O segundo ponto deste artigo é capaz de ser dos mais complicados de conseguir contornar. Quem sofre de ansiedade sabe que ela surge quando menos se espera e, em muitos casos, é mesmo antes de realizar um ritual ou de realizar uma celebração importante. Se for um ritual em público, ainda pior! A ansiedade começa a crescer e estamos constantemente com medo de cometer algum erro, de fazer algo errado ou dizer algo errado e estragar a experiência para nós mesmos ou para os outros. Este comportamento é normal e todos nós, em algum momento, já passamos por isso. É normal sentirmo-nos nervosos antes de rituais importantes ou até de rituais públicos (principalmente se for as primeiras vezes). A mim, pessoalmente, acontece-me imensas vezes! E depois acabo por me esquecer de coisas ou lembrar que falhei um passo ou troquei alguma coisa. E, claro, isso apenas piora a ansiedade e a forma como nos estamos a sentir. 

E então, como lidar com isto? Bem primeiro há que pensar que, no caso de rituais solitários, apenas estamos ali nós. Não há mais ninguém a ver (excepto elementais e Divindades e, sejamos honestos, Eles não se importam se você gagueja ou tropeça nas palavras, desde que a sua intenção e desejo sejam puros e sinceros). Com as redes sociais somos muitas vezes levados a pensar que tudo tem de ser perfeito, estético e ficar pronto à primeira porém acabamos por nos esquecer que aquele Instagrammer ou Youtuber para conseguir fazer aquele acto sem erros teve de tentar umas vinte ou trinta vezes. Nada é perfeito e nada fica feito à primeira vez, principalmente se nunca tivermos feito antes. Não há medo de falhar porque falhar é humano. Pensemos primeiro que estamos sozinhos no ritual e que o mesmo é entre nós e os Deuses/Elementais/Entidades. Desde que seja sincero e com intenção o mesmo vai funcionar. Um dos métodos que encontrei para ultrapassar o medo de me "esquecer de dizer algo" foi o ler o texto várias vezes antes e, depois, deixar fluir. Não tentar ser igual ao texto mas deixar fluir, de dentro de mim, o que eu queria dizer ou pedir ou manifestar. Pode ser complicado de início e ficamos sem saber o que dizer (eu própria já cheguei a começar a frase e parar e ficar a pensar "mas que raio vou dizer?"). É normal e não há porque ficar assustados ou começar a pensar que não vai funcionar. Recordemos que a intenção e os nossos pensamentos e determinação são o que influenciam o ritual, de nada nos vale estar com pensamentos negativos. 

Ou seja: Relaxe, pense que está sozinha e apenas entre as divindades/entidades e que tudo correrá bem. Tire alguns momentos para meditar e respirar. Tirando certos rituais que são muito específicos a maioria pode ser facilmente adaptados para fluir com a sua energia. Não há um livro de regras escritas em pedra. Deixe o seu coração guiar e tudo correrá bem. 

Quanto a rituais em público, esses podem ser mais complicado. O que, pessoalmente, por norma aconselho é garantir que eles são realizados com pessoas que já conhece e com quem já falou. Se possível, e tiver confiança com as pessoas, indique-lhes que sofre de ansiedade ou tem tendência a ficar ansiosa e que pode ter alguma dificuldade em recordar todos os passos. A maioria dos Sacerdotes ou Sacerdotisas (ou Bruxos e Bruxas) que organizam rituais públicos compreendem perfeitamente e não se importam de adaptar os rituais de alguma forma. Realize meditação ou pequenos momentos de concentração para controlar a respiração e a ansiedade. Tente aos poucos se encaixar no ritual, de forma calma e tranquila (sem ultrapassar demasiado a sua barreira de conforto) e, eventualmente (supondo que esse não será o primeiro e último ritual público) vai começar a sentir-se mais confortável e com o tempo conseguirá estar mais à vontade com esse grupo. Recorde: NINGUÉM pode obrigar a NADA que você não queira. Ponto final. Não tem discussão aqui, NINGUÉM pode obrigar a NADA. Nem dizer coisas com que não concorda, realizar rituais que não queira, etc. Se um grupo não vai de encontro ao que você procura, não entre. Não se deixe levar pelos pensamentos de "Mas é o único grupo na minha cidade", "Vou ficar sozinha se não me juntar", etc. NÃO! Mais vale só do que mal acompanhada, era um ditado que a minha avó e mãe me disseram e é a mais pura das verdades. Ninguém pode obrigar a nada e se sentir que isso está a acontecer, então saia de lá! 

Ou seja: Tente realizar os rituais em público com pessoas que já conhece (ou tente estabelecer contacto com as pessoas antes do ritual), informe que não se sente confortável em certos cenários e peça para ver se pode ser adaptado nesse sentido, respire fundo, tire momentos para meditação rápida e, com o tempo, começará a adaptar-se e conseguir estar de forma mais tranquila em ritual. Não deixe que ninguém force a fazer nada com o qual não concorda. Ninguém pode obrigar outra pessoa a fazer algo com que não concordam. 

Como indiquei no início a ansiedade está a tornar-se um dos problemas mais comum na saúde mundial, sendo que um terço da população portuguesa sofre de ansiedade e, no Brasil, os valores já chegam quase aos 10% da população. Não estão sozinhos. Não desistam e não tenho medo de pedir ajuda se precisarem. Repito o meu primeiro conselho (que foi muito útil no meu caso pessoal também) e recorram a um especialista que possa ajudar-vos de forma educada e tranquila. Os métodos indicados aqui são auxiliares ao tratamento da ansiedade mas não são soluções quando utilizados sozinhos. Não tenha medo de recorrer a profissionais de saúde, informe-se como pode ter ajuda (no trabalho, escola, centro de saúde, etc) e respire fundo. Tudo irá melhorar ou, como um artista que eu amo costuma dizer (e cuja frase tenho tatuada na pele), "Acredite nas coisas boas que estão para vir".


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Alguns contactos úteis para Portugal & Brasil para quem possa estar a lidar com ansiedade, depressão ou outros problemas semelhantes. Recordem-se: Não estão sozinhos. Não tenham medo de pedir ajuda, nós queremos ajudar.

PORTUGAL
Linha Saúde 24 (Serviço Nacional de Saúde): 808 24 24 24
Associação Voz Amiga: 21 354 45 45 | 91 280 26 69 | 96 352 46 60 | 800 209 899
Linha Jovem: 800 208 020
Linha SOS Bullying: 808 962 006
SOS Estudante:  969 554 545, 915 246 060 ou 239 484 020

BRASIL
CVV – Centro de Valorização da Vida: 118 (ou 141 nos estados Bahia, Maranhão, Pará e Paraná)
Lista de Psicólogos que fazem atendimento com preço social organizada pelo Centro Acadêmico de Psicologia da UFMG

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O Tarot: Arcanos Maiores - V - O Hierofante

agosto 23, 2018 0 Comentários
V - O Hierofante

Nome do Arcano: O Hierofante (ou o Papa)
Número: V
Descrição: No baralho de Rider-Waite o Hierofante é representado por uma figura religiosa sentada dentro de um ambiente de igreja. Está vestido com roupas formais e com uma coroa de três níveis. A sua mão direita está levanta e o seu ceptro, na outra mão, tem uma cruz com três traços. Á sua frente dois iniciados estão ajoelhados, sendo que aos seus pés estão duas chaves cruzadas. *
Símbologia: O Hierofante representa uma figura religiosa, um Sacerdote que se baseia na tradição e religião. A sua coroa e o seu ceptro, caracterizadas por terem três níveis/traços, representam o poder deste Arcano pelo três mundos (Céu, Terra e Submundo) sendo que a sua mão direita, elevada em gesto de bênçãos, representa o poder do mesmo pela sociedade (como as religiões organizadas do Mundo). Neste aspecto estabelecemos aqui um paralelo com o Mago que tira poder do Universo para que se materilize no nosso plano, constratando com o Hierofante que demonstra o poder sobre a sociedade. As chaves, aos pés do sacerdote, representam o equilíbrio entre as mentes (consciente e subsconciente) e o conseguir abrir os mistérios com as chaves. Os iniciantes, ajoelhados a seus pés, representam a entrada e iniciação em instituições onde existem uma identidade de grupo definida (igrejas, clubes, equipas, sociedades, etc).

Significado:

  • Posição Normal
O Hierofante representa a convencionalidade, a tradição, os costumes. A carta sugere a necessidade de adaptar à estrutura social e tradições já estabelecidas e de não ir contra "a maré", contra o status quo. Será necessaria uma adaptação ao já existente e, talvez, até o envolvimento em rituais ou cerimónias (religiosas ou não, poderá estar ligado a escolas, clubes, etc.). Esta carta representa as instituições e as suas regras e valores, representando a necessidade de aderir às mesmas. Simboliza também a educação e a busca pelo conhecimento, indicando um período de aprendizagem, focando que as mesmas acontecerão através de um método formal de aprendizagem (escolas, cursos, etc.). O Hierofante realça a necessidade de dar valor à tradição e à honra na vida pessoal, sugerindo um tempo para dedicar às tradições familiares e herança familiar, e, talvez, inclusive um tempo dedicado à religião e à herança religiosa associadda ao nosso caminho. Nesta carta está presente tudo o que for sagrado e justo (casamentos, alianças, serviço, etc.).

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida o Hierofante representa a necessidade de ir contra a tradição e contra a maré. A necessidade de revoltar contra o status quo e contra as tradições e regras implementadas pela sociedade e/ou grupos aos quais pertencem. Pode também representar alguém numa posição de poder, como líder religioso, figura paternal ou um patrão, contra o qual queremos ir contra e não concordamos com o seu método de trabalho. O Hierofante invertido é sobre o questionar da tradição e questionar a nós mesmos se estamos a tomar a decisão certa. Pode também representar pressão social ou de grupo, que estamos a sofrer no momento. A nível individual esta carta representa a necessidade de ir contra o que está estabelecido, de ser rebelde e desafiar as ideias estabelecidas e conceitos que anteriormente pensavámos estarem escritos na pedra. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Análise Literária: "High Priestess" de Patricia Crowther

agosto 02, 2018 0 Comentários
Título: High Priestess: The Life & Times of Patricia Crowther
Autor(es): Patricia Crowther
Pontuação
Descrição: O livro "High Priestess" é um relato fascinante da vida de uma bruxa como uma Alta Sacerdotisa da Grande Deusa. Patricia Crowther confirma o sistema de Grays da Arte através de provas do seu uso em tempos antigos e dá provas fascinantes no que refere ao grande enigma de como Alex Sanders obteve o Livro das Sombras, que mais tarde foi incorporado na sua própria tradição de Bruxaria. Uma das partes mais interessantes do livro é as suas memórias de amizades com ocultistas e bruxas como William Gray, R. J. Stewart, Ray Bone, Ruth Wynn-Owen, e, claro, Gerald Gardner.
Onde ComprarAmazon
Crítica: Apesar de não estar muito familiarizada com o trabalho de Patricia Crowther assim que vi este livro no BookDepository (que, infelizmente, já não o está a comercializar) senti-me atraída e optei por comprar uma cópia. E não me arrependo. Este livro leva-nos a fazer uma viagem pelas memórias de Patricia Crowther, contadas pela própria, e leva-nos a uma época em que as comunidades pagãs e da Bruxaria eram mais simples e mais pequenas. Uma época diferente em que era tudo um pouco mais familiar e em que, apesar de sem internet, as pessoas conheciam-se e falavam e aprendiam. Adorei a forma como a autora conta as histórias e nos leva a esses momentos. Patricia Crowther explica diversas coisas e algo que me realçou acima de tudo foi a forma como ela retratou Gerald Gardner, que foi de uma forma muito diferente da que tenho visto até hoje (como, por exemplo, na biografia de Doreen Valiente). A autora fala também do seu contacto com Doreen Valiente e com outros Bruxos e Ocultistas da época, explicando como am eras relações e como se estabelecia o contacto (acima de tudo, via carta). Há imensos eventos pessoais da autora que me saltaram à atenção desde os rituais nas colinas durante a noite, às escondidas de todos, até aos sinais de Arnold Crowther e da sua mãe após a morte de ambos. Patricia Crowther é muito sincera no seu livro e ficamos com empatia pela mesma, é quase como se estivessemos sentados na sua sala a ouvi-la contar a sua vida.
Ao ler uma biografia de uma personagem tão importante para a Wicca como Patricia Crowther e cujo foco principal da biografia é os tempos do começo da Wicca e do surgimento do Paganismo no olho público temos toda uma percepção diferente de como as coisas ocorreram e permitem-nos ter uma visão mais clara e mais entendida de como as coisas eram naquele tempo. Uma das coisas que este livro me fez recordar foi uma passagem que li recentemente que na altura era mais díficil haver grandes dramas dentro das comunidades porque a maioria da comunicação era feita por carta. E o tempo de escrever a carta, ir aos correios, enviar e aguardar resposta era o suficiente para acalmar os nervos e acalmar as discussões, ao invés de actualmente, com a Internet que tudo explode no momento. Acredito que na altura as coisas até funcionassem de forma mais tranquila, quem sabe. Não me cabe a mim opinar, porém, este livro recordou-me muito isso pois a autora mostra-nos várias cartas que trocou e leva-nos a conhecer diversas vezes que tiveram impacto na sua vida, principalmente a nível da Arte.
É um livro que recomendo imenso a todos interessados na história da Wicca ou da Bruxaria Moderna, pois permite ver as coisas de um ponto de vista de quem lá esteve e, como tal, permite-nos ver as coisas com outros olhos e de forma mais pessoal.