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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Adaptar a Prática



A capacidade de adaptar-se é uma das características típicas de um Bruxo, não só pelo jeito que dá mas também pela necessidade. A Bruxaria e o Paganismo não são aceites por toda a gente e muitos começam a praticar na casa dos pais ou em casa de outros familiares. Outros, por eventualidades da vida, são obrigados a partilhar casa com alguém que não gosta de Bruxaria e de Paganismo ou são obrigados a voltar para casa dos pais. Ou vão para a Universidade e têm de ficar em quartos. Existem inúmeros cenários nos quais a Bruxaria não é bem-vinda, forçando o praticante a ter de se adaptar ao seu ambiente para conseguir garantir que continua a praticar o que ama e gosta. 

É exactamente este cenário que vamos abordar hoje. O que fazer para adaptar a nossa prática? Como fazemos quando não temos sítio nem forma de ter altar? E quando não podemos ter instrumentos mágicos sequer? E se não conseguirmos comprar livros físicos? Há sempre solução. 

Num cenário em que não é possível ter um altar físico e permanente existem várias soluções. A primeira passa por ter um altar apenas durante os rituais e celebrações, montando para o propósito e desmontando logo de seguida. Esta é a opção mais comum e mais praticada por quem não tem possibilidade de ter altar permanente. Outra alternativa, já não tão comum, é ter um altar disfarçado. Imaginem que têm uma caixa de sapatos no armário e, lá dentro, está o vosso altar disfarçado. Pequenas peças como conchas, pedras, penas, etc. que vos simbolizem aquilo que vocês prestam culto, devidamente consagradas para o propósito. É um altar adaptado. Também existe a possibilidade de ter algo na mesa de cabeceira (também chamado de criado mudo, no Brasil) que simbolize a vossa prática e usem isso como altar. Esta última opção tem algumas desvantagens como a possibilidade de alguém tocar, mudar de sítio, deitar fora, etc. É preferível o seu altar disfarçado estar escondido e fora do alcance, não só para garantir que ninguém estraga mas também para garantir que não tocam, acabando por estragar o seu trabalho. 


Agora, passando para outro cenário, o que fazer quando não podemos ter instrumentos mágicos? As vezes não pudemos ter por falta de dinheiro, não ter onde os guardar, etc. Nessas situações somos obrigados a adaptar. Um copo normal servirá de cálice, um prato simples serve de prato de oferendas (garanta só que mais ninguém come dele!), uma faca normal serve de bolline, etc. Caso se queira ir mais além... Existe a opção de comprar os instrumentos, alguns pelo menos, em miniatura. Por exemplo: o Athame. Como mostra a imagem ao lado existem athames em forma de colar e, até, em formas de porta-chaves ou escondidos em formas bonitas (folhas, etc.). O facto de não serem grandes pode tornar a prática um pouco mais complicada mas a criatividade é também uma das características de um bom bruxo, certo? Esta é uma das opções práticas para quem tem possibilidade de fazer estas compras. Em alternativa, e até haver possibilidade de comprar ou fazer os seus próprios instrumentos, pode adaptar como falei antes. E por falar em fazer os seus próprios instrumentos esta é outra opção também. Pode fazer a sua própria varinha, seu próprio cálice e caldeirão, etc. acabando por poupar bastante dinheiro com isso.

No terceiro cenário falamos de quando não temos possibilidade de comprar livros físicos. A alternativa mais prática será os e-books. Hoje em dia quase todos os celulares conseguem ler PDFs e, em alternativa, podem ser instalados e-Book readers como o Google Play Livros, Kindle, e muitos mais! Depois basta ir às respectivas lojas e comprar os livros em formato digital. Também pode comprar livros em formato .PDF e passar para o telemóvel. Assim torna-se algo prático, consegue ler na mesma e tem os livros! Pode até configurar uma password, através de certas apps, para que sempre que alguém tentar aceder ao seu reader que seja pedida para garantir que ninguém vê os livros que tem para ler. 

Outra sugestão, quando não podemos ter qualquer tipo de material no espaço físico podemos sempre tê-lo no astral. Uma das sugestões comuns, hoje em dia, é a criação de um templo astral. Através da visualização você pode criar o seu templo astral e, lá, praticar à vontade sem que ninguém incomode. Não sou das melhores para desenvolver este tópico, por isso, deixo aqui a recomendação para visualizarem este vídeo da TCS onde explica o tema e o desenvolvem muito bem. 

Outra coisa bem simples que pode ser feito é uma prática sem instrumentos, mais simples. Esta é prática é mais fácil se seu culto for dedicado à Natureza e com a Bruxaria Natural. Pode sempre adaptar sua prática para que façam as coisas mais à base da visualização e, ao mesmo tempo, recorrendo à Natureza. O seu templo ser a Natureza, ir até um parque para estar em contacto com ela assim dispensando o altar em casa, utilizar o que a Natureza lhe dá para fazer os rituais e, depois, colocar novamente no local onde tirou agradecendo. Ir até um rio ou á beira mar para fazer suas limpezas energéticas, meditar com Sol ou Lua, etc. 

A capacidade de adaptar-se ao seu redor é uma grande característica de um bom praticante e, ao mesmo tempo, é uma excelente característica para toda a gente ter. Nunca sabemos o que vamos encontrar na vida e, por vezes, teremos de nos adaptar a ela. A Bruxaria é um Arte muito versátil e que pode ser praticada de imensas formas, vamos tirar o máximo proveito e viver a nossa prática ao máximo, seja onde for e como for! 

2 comentários:

  1. A prática ritual astral é um ótimo meio de prática, pois treina a visualização que é tão necessária em nossas práticas mágicas. É necessário o bruxo entender que o instrumento mais importante que ele tem tem é o corpo, e o altar mais importante que ele tem é a mente. O que é externo é paramento.

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  2. Acho que a parte prática pega mais que a parte devocional, quando não se mora sozinho. Fica-se mais restrito a coisas mais simples e aprender a ser uma bruxa de cozinha, e equivalentes, acaba se tornando essencial.

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