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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A Natureza


A Natureza é uma parte fulcral da maioria dos caminhos pagãos e, também, da nossa vida em geral. A maioria dos pagãos presta culto à Natureza e escolhe conectar-se com ela através de meditação, andar descalço na praia ou na floresta, trabalho com ervas e cristais e incensos, entre muitas outras formas.

Porém há muito, tanto nas comunidades pagãs como fora delas, uma espécie de romanticização da Natureza: A ideia de que a Natureza é sempre amorosa, linda (no sentido positivo), que todos os animais vivem em harmonia e que existem sempre Sol e alegria. A ideia de que a Natureza também inclui a morte é algo que muitos não aceitam e nem pensam. Ou a ideia de que o leão a matar e comer a gazela é parte da Natureza também.

A Natureza é tudo o que nos rodeia. Ela é equilibrada, tanto bom como mau. E muitos pagãos e Bruxos que lidam com a Natureza, principalmente os que estão a começar a trilhar o caminho, não se apercebem que também a Morte, o apodrecimento dos animais ou das plantas e das árvores, as pestes, as secas, etc são parte da Natureza. A Natureza tem a sua própria forma de se equilibrar, de se gerir. Claro que, principalmente na nossa época e actualidade, muita coisa que acontece devido ao aquecimento global e às más escolhas do ser humano mas, no geral, a Natureza é auto-suficiente e consegue organizar-se e gerir-se.

Com isto quero dizer que a Morte é parte da Natureza. Vou dar um exemplo prático: Este fim de semana fui passear à beira-rio. Descalcei-me na relva e caminhei junto ao rio, toquei nas árvores, senti o vento, vi a água do rio a fluir. Foi fantástico. Mas, a certa altura, quando me cheguei perto de um salgueiro notei que na sua base tinha um gato morto. Isto foi, claramente, um choque. Algo que não estava à espera. Mas também foi uma forma de me recordar que a Natureza não é apenas o bom e o bonito mas também o mau e o desagradável. Morrer é natural. Apodrecer à natural. Por muito que doa pensar nisto, é a realidade. E um Bruxo deve ser lidar com a realidade e deve estar pronto para entender e confrontar-se com estas situações pois as mesmas surgem, quer no dia-a-dia, quer nos mitos dos Deuses, quer no trabalho mágico. A morte e a transformação são factores chave de todo o trabalho de um Bruxo.

Nascemos, crescemos, vivemos, morremos, apodrecemos e damos lugar a outras vidas, fertilizamos outras vidas.

Tudo se transforma na Natureza. Esse é um principio mágico pois a própria Magia é uma fonte de transformação. Entender a Morte é fulcral para o crescimento pessoal pois todos os ritos iniciáticos são uma morte e um renascimento. Qual a melhor forma de entender a Morte se não através do próprio entendimento da Natureza como ela é: Crua e Bela.

Sei que este artigo se está a tornar um pouco "pesado" mas é importante falar disto e importante entender todas as faces da moeda. Da próxima vez que for passear pelo rio, pela floresta ou na praia esteja atento a tudo o que rodeia. Seja o chilrear dos pássaros, o som das ondas, o vento nas folhas das árvores ou até um pássaro a caçar uma minhoca ou o pobre gatinho junto à árvore. Pois tudo isso é parte da Natureza e é necessário, na sua prática, encontrar uma forma de lidar com isso. 

Pessoalmente, por exemplo, opto por dizer uma pequena prece quando vejo uma árvore caída ou um animal morto. Devemos encontrar, nos nossos caminhos pessoais, as formas de lidar com a morte e com os lados mais "escuros" da Natureza mas sem os ignorar ou sem fingir que eles não existem, pois eles estão lá. Eles existem e fazem parte de todo o equilíbrio e toda a beleza que é a Natureza e cabe a nós, como Bruxos e/ou Pagãos, saber entender todo este equilíbrio e beleza e beneficiar o máximo dele para que possamos compreender a Natureza e, consequentemente, compreendermos a nós próprios e ao nosso redor. 

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