Análise Literária: You Are Magical de Tess Whitehurst

por - setembro 13, 2018

Título: You Are Magical
Autor(es): Tess Whitehurst
Pontuação
Descrição: Desde que era criança que ouve a antiga e fascinante canção do seu poder espiritual inerente. Quando cresceu nunca descartou a ideia de que há poder na ponta dos seus dedos - poder que pode usar para criar o seu mundo de acordo com seus desejos. Sempre sentiu isso porque você é mágico. Com dezenas de feitiços para todas as finalidades, "You Are Magical" mostra como abraçar a sua espiritualidade e criar mudanças positivas em si mesmo e no mundo. Descobrirá o legado da sua magia, como ela é exclusivamente sua e exatamente quais ingredientes e etapas você precisa para criar uma vida realmente magnífica. Este guia prático e profundamente inspirador capacita você a se tornar a pessoa que você nasceu para ser: um agente mágico de mudança que está conectado com a natureza, o cosmos e Tudo O Que É.
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Análise:

"Além do mais, você sente um poder pulsante e presença emanando do mundo natural. Ele fala com você - não necessariamente através de palavras, mas através da beleza de uma borboleta, a fragrância da chuva fresca em terra seca, o som dos ventos nas árvores, a vasta extensão de estrelas cintilantes ou o momento em que o sol brilha através da chuva. para transmitir um arco-íris."

Este livro é uma leitura muito leve e fácil, sendo que a escrita é bastante simples e acessível. A autora fala de vários tópicos com um foco principal em "Magia". A "Magia" em que a autora é foca é, maioritariamente, a Lei da Atração e do poder de mudar as coisas na nossa vida. Gostei bastante da forma como a autora descreve as sensações e sentimentos e mostra que a magia está em todo o lado, não apenas em rituais específicos. Gostei também da forma como a autora se refere à Magia e como a Magia se manifesta na nossa vida. Ela usa uma excelente analogia que é a de um vestido: O vestido por si só não nos faz mais bonitas mas faz-nos SENTIR mais bonitas. E é exactamente o que acontece com os instrumentos mágicos: Eles não fazem a magia mas AJUDAM na Magia, como orientadores, marcadores e auxiliares à visualização.

Pessoalmente achei que a autora misturou um pouco as culturas demais, porém, esta é apenas a opinião com base na minha prática dado que não me sinto confortável em contactar com divindades de panteões diferentes nos mesmos rituais. Porém sei que muitos são adeptos, por isso, deixo aqui a indicação que a autora fala de várias culturas e divindades, porém, não estabelece separação entre os mesmos, deixando isso ao critério do leitor.

A maioria das práticas descritas no livro são bastante simples e tipo de rituais práticos para o dia-a-dia e magia quotidiana: Como conectar com a Natureza e as energias em redor, chakras, astrologia, compilação de feitiços para diversos propósitos (a segunda parte do livro é totalmente dedicada a uma listagem de diversos feitiços e rituais para vários objectivos). O livro é bastante orientado para a prática Wicca, principalmente na forma como são apresentadas as Divindades de um ponto de vista duoteísta. Outro aspecto do livro que não gostei foi o facto de a autora recorrer muito a Anjos e entidades Celestiais que, para mim pessoalmente, são mais associadas ao panteão judaico-cristão e com as quais não me identifico dentro do Paganismo. Como tal, fica o aviso para os leitores que possam gostar (ou não) deste detalhe.

Outro ponto do livro que eu não gostei nada foi que, a certa altura, a autora fala "De onde pensa que os seus antepassados vieram e quais as suas espiritualidades? Se não souber, tente adivinhar". Isto para mim é simplesmente surreal. Existem diversos métodos de trabalhar com os ancestrais, de investigar as nossas raízes mágicas e ligações a quem veio antes de nós. Não precisamos de "inventar" ou "adivinhar". A Magia não é algo para ser adivinhado, é preciso saber o que se está a fazer e porque razão o estamos a fazer. Uma coisa é intuição. Outra coisa é adivinhar. Há que saber distinguir ambos e garantir que o trabalho realizado está a ser feito correctamente e não apenas por um capricho ou "porque sim".

A autora fala também de um ponto que achei interessante que é os "Desejos do Ego" e os "Desejos Autênticos", ou seja a diferença entre querer AQUELE emprego ou querer um BOM emprego e a forma como este tipo de desejos podem ter os resultados opostos do que realmente queremos.

O livro, no geral, não está mau porém existiram dois pontos que não gostei (tirando um ou outro detalhe referido anteriormente, porém, como indiquei esses são apenas em comparação com a minha prática pessoal):

A certa altura no livro é referido sobre um "ritual de auto-iniciação". Este livro NÃO é base suficiente para alguém se iniciar (Até porque a autora nem refere em que é que a pessoa se vai iniciar e apenas indica que é no "caminho mágico" sendo que a Magia em si não requer uma iniciação, apenas caminhos estruturados e iniciáticos é que requerem esse ritual específico e nas condições estipuladas de cada tradição). O termo de auto-iniciação acho que é péssimo. A autora poderia ter escolhido algo como "dedicação" em que um praticante se dedicada a estudar Magia ou o caminho. Este livro, de todo, não serve como manual para uma iniciação sendo que apenas refere os básicos dos básicos e de uma forma bastante superficial.

O outro detalhe que a autora refere, e este deixou-me bastante revoltada e afectou bastante a minha opinião e nota do livro, é que a autora refere "Regressão a Vidas Passadas" e refere que a mesma pode ser feita com base em apenas uma simples meditação e, passo a citar, "sem precisar de gastar dinheiro em profissionais". Ora se há profissionais em determinadas áreas é porque eles são precisos! A regressão a vidas passadas é perigosa e deve ser sempre efetuada junto de um profissional credenciado ou experiente. Imaginem o seguinte cenário: Estão sozinhos no vosso quarto e decidem fazer uma meditação com regressão a vidas passadas (já para não falar que isto requer um nível de meditação bastante profundo!) e têm sucesso. Mas... Não têm forma de controlar qual o momento da vida passada que vão ver. Imaginem que vêm-se a ser queimados na fogueira. Ou torturados. Ou a cometer suicídio. Ou qualquer outro momento traumático. Estão a imaginar o choque? O pânico? E o dano que isso pode fazer psicologicamente e emocionalmente? É por isso que há profissionais para garantir que o acesso às nossas memórias antigas é feito de forma cuidada e responsável, evitando assim traumas. Não é algo para ser tratado de forma leviana. Por favor: Tenham cuidado com este aspecto!

Tirando estes dois pontos em particular o livro é bastante acessível e não é muito mau. A forma como a autora se expressa é fácil de compreender, porém, devido a estes pontos anteriores não consigo dar uma nota superior a 3 Estrelas.

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