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Sob o Luar


A grande maioria de nós, principalmente se crescemos com famílias em zonas mais rurais, já conhece e sabe bem o que é o mau-olhado (algumas zonas de Portugal também lhe chamam "quebranto", vai depender, porque "quebranto" também pode significar outra coisa, por isso, aqui vamos usar o termo do Mau Olhado). É algo que faz parte do folclore português (e, aliás, de quase todo o mediterrâneo!) e que as nossas avós e avôs não só falavam sobre como sabiam várias formas para tirar o mau olhado e nos limpar dessa energia. Mas o que é ao certo o mau olhado? 

A definição de mau olhado vai variar de zona para zona e de pessoa para pessoa. Honestamente, se tiverem essa possibilidade junto de familiares ou conhecidos da zona onde vivem, recomendo falarem com eles para aprenderem a definição (e as técnicas de limpeza!) mais próximas da vossa origem e da vossa história familiar. Mas, na ausência disso, estou cá para vos ajudar. 

O Mau Olhado é, de forma simplificada, a inveja ou más intenções que alguém nos envia. Este enviar do mau olhado pode ser propositado ou acidental (nem sempre é preciso intenção para enviar mau olhado) e nem sempre é enviado "pelo olhar". Ou seja, não é preciso alguém estar perto de nós, a olhar para nós, para nos enviar mau olhado, o próprio pensamento em si já basta. 

Mas agora vocês pensam, se pode ser acidental, isso significa que eu posso enviar mau olhado para alguém sem querer? Resumidamente, sim. É possível. Quando vemos alguém que ganhou algo bom mas que nós achamos que a pessoa não merece porque fez x e y (ou até porque apenas não gostamos da pessoa) e ficamos a remoer nessa sensação, poderemos estar a enviar mau olhado para a pessoa. Infelizmente, é algo que pode acontecer, e cabe-nos a nós ter atenção às nossas palavras e ações, caso seja algo que não queiramos que aconteça. 

Mas e agora, a grande questão, como nos protegemos do mau olhado? 

Há várias formas de nos proteger do mau olhado, seja a nível da nossa proteção em casa ou a nível da nossa proteção pessoal no dia-a-dia. Para a casa, o que recomendo é sempre uma boa limpeza (temos um artigo sobre Limpeza de Espaços que recomendo muito)! e colocar amuletos ao longo da casa. 

Alguns amuletos típicos são: 

  • Olho Turco/Nazar/Mati na entrada da casa; 
  • Sal nos cantos da casa;
  • Copos de sal nas divisões da casa; 
  • Dente de alho atrás da porta; 
  • Ferradura antiga na parte de trás da porta, virada para cima; 
  • Entre outros métodos. 
Existem imensas técnicas, inclusive algumas típicas aqui de Portugal, que podem ser utilizadas e quase todos os livros de Bruxaria e Paganismo falam sobre técnicas de proteção e amuletos contra energias negativas, que também são válidas contra o mau olhado. 

Agora questionam: Mas e se, mesmo assim, apanhar mau olhado? Como sei que tenho? Como me livro dele? 

O mau olhado pode, ou não, ter sintomas físicos no corpo. Vai depender da quantidade de olhado que temos em cima de nós mas, na maioria dos casos, ele atinge-nos como uma dor de cabeça ou mau estar no corpo inteiro, podendo inclusive levar a vómitos e outros sintomas físicos. Contudo, como eu digo várias vezes aqui no blogue, a primeira solução e reacção deve ser ver os sintomas como consequência de algo físico (gripe, doença, algo que comemos, desidratação, etc). Nem tudo é mágico e nem tudo o que nos faz sentir mal é mau olhado, às vezes é apenas o jantar que caiu mal. 

Acima de tudo, não caiam na conversa de charlatões que vos prometem "limpar de todo o mau olhado e invejas" e outras coisas! É das coisas mais comuns no nosso país, infelizmente, mas há formas de sermos nós própries a tirar o mau olhado, sem ter de pagar centenas de euros a um desconhecide! 

Para saber se temos mau olhado e para nos livrar dele, existem duas técnicas comuns: A técnica do azeite e da água e a técnica do ovo. 

Tirar o Mau Olhado com Azeite e Água 

Esta é das técnicas mais famosas em Portugal para tirar o mau olhado e existem imensas variações da mesma, principalmente a nível das rezas. Como esta técnica é maioritamente católica, eu vou colocá-la aqui com a reza original, contudo, a mesma pode (e deve!) ser alterada ao vosso gosto, principalmente se não forem católicos.

Vão precisar de um prato fundo (ex: de sopa) com água e um pouco de azeite numa taça. Por cima do prato, fazendo o símbolo da cruz com a mão (ou podem incluir um terço ou amuleto), vão dizer:

Deus te viu, Deus te criou
Deus te livre de quem para ti
com mal olhou.
Em nome do pai, do Filho
e do Espírito santo
Virgem do pranto,
quebrai este quebranto.

De seguida, molham o dedo no azeite e deixam cair três gotas no prato. Se as gotas abrirem, é porque existe mau olhado. É preciso deitar fora a água e voltar a repetir. Este processo deve ser repetido até a altura em que as gotas caem e ficam inteiras na água, sem se misturarem. 

Tirar o Mau Olhado com um Ovo

Existem vários métodos de tirar o mau olhado com um ovo, este é apenas um exemplo. Podem encontrar mais procurando online, caso não gostem deste método. 

Vão precisar de um ovo fresco (que não esteja estragado) e um copo com água até meio. 

Vão pegar no ovo e passar com o ovo pelo corpo todo, da cabeça para os pés, visualizando a energia negativa a passar para o ovo. Ao longo deste processo, podem ir dizendo alguma pequena oração ou algo como "Que este ovo capture todas as energias negativas", enquanto se vão concentrando no que estão a fazer. No fim, é preciso partir o ovo para dentro do copo e esperar uns 2-3 minutos. 

Aqui é a parte mais complicada, que é analisar o ovo. Existem listas imensas online do que cada coisa pode significar, mas, resumidamente:

    • Se a gema do ovo for ao fundo e a clara estiver limpa é porque não havia qualquer mau olhado e está tudo OK. 
    • Se houver bolhas na água, na zona da clara, é porque há mau olhado e ele foi removido com o ovo. 
    • Se o ovo estiver com um aspecto estranho ou com manchas de sangue ou até com um ar um pouco turvo, poderá ser algo mais complexo. Aqui, recomendo uma nova limpeza com um ovo novo, para ver se limpou realmente e, caso não tenha ficado limpo, recorrer a um método divinatório para ver como proceder. 
E com isto, estão prontos para se protegerem do olhado e já sabem um pouco mais acerca de um dos grandes aspectos das práticas folclores portuguesas!  

Já conheciam estas técnicas? 

Na prática de rituais mágicos e de celebrações em ritual, um dos pontos importantes é a comida. Na Wicca, por exemplo, é normal os ritos terem uma parte que se chamam, em inglês, "Cakes and Ale" onde são partilhadas comidas e bebidas. Apesar de muitos acharem que esta prática de comer durante ou após um ritual é apenas para estimular e melhorar o convívio entre as pessoas num círculo, na realidade, o comer após o ritual tem um papel fundamental no restabelecimento de energias. E é disso que vamos falar hoje. 

Como sabem, e já falamos anteriormente, a comida tem um papel importante na prática mágica e isso implica ter um papel activo na forma como os nossos rituais são estruturados. O que comemos antes de um ritual e o que comemos durante um ritual poderá ter efeito no próprio ritual em si, principalmente no ponto de vista da crença pessoal de cada um. São muitas as tradições religiosas, inclusive fora do Paganismo, onde há restrições alimentares por motivos religiosos seja não comer nunca um determinado alimento, fazer jejum durante um determinado período de tempo, só comer certos alimentos num dia específico, etc. No Paganismo, e na Bruxaria, também podemos ter deste tipo de práticas. 

Existem vários praticantes que optam por fazer jejum antes de dias de rituais grandes (como Sabbats ou Esbats) ou que optam por não comer carne durante este período. Segundo os mesmos, este tipo de alimentação permite a que o corpo esteja mais "desperto" e em sintonia com a Natureza, sem o consumo de carne. Este é um tipo de alimentação pré-ritual que pode ser adaptada nos caminhos individuais de cada um. Por exemplo, com base em características e registos históricos, um reconstrucionista pode tentar que, no dia em que celebra um evento especial, a sua alimentação seja restrita a pratos ou alimentos que fossem consumidos na altura em que o rito original era celebrado. A comida é uma das formas de ajudarmos o nosso corpo a entrar no mindset pretendido para o ritual, tal como o incenso ou a decoração do local, também a comida é uma ferramenta muito útil para nos colocar no momento certo e para recordar o nosso corpo que este é um momento especial que vai ser assinalado. 

Também durante ou após o ritual podem ser consumidas diversas comidas. É principalmente comum fazer-se isto quando são celebrações em grupo, dado que o momento de todos estarem a partilhar comida (idealmente, que todos tenham trazido um pouco) é uma altura excelente para conviver, conhecer-se mutuamente e ficar a saber um pouco mais ou por as conversas em dia dos praticantes presentes. Contudo é também o momento ideal para restabelecer energias. Um ritual, seja apenas devocional ou mágico, é algo que vai ser cansativo e vai tirar de nós energias (energias para trabalho mágico ou apenas energia pelo esforço de fazer a celebração) e nada melhor para repor as energias do que... comida! Esta é a altura ideal durante um rito para repor todas as energias que usamos ao longo do ritual e da prática mágica, claro, pode ser incorporado dentro do próprio rito como um momento de convivio para os membros ou, no caso de prática solitária, um momento de partilha de alimento e oferendas com as Divindades, em que estamos em repouso e a partilhar tranquilidade com os Deuses ou Entidades com as quais estamos a reunir naquele ritual. 

E vocês? Costumam ter práticas referentes à alimentação durante rituais? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Lee Myungseong)

Com a chegada do Outono no Hemisfério Sul e da Primavera no Hemisfério Norte estamos na altura ideal para proceder a uma limpeza energética nas nossas casas, quartos e espaços sagrados. Hoje trago-vos um pequeno ritual de limpeza de espaços, principalmente casas mas pode ser adaptado para qualquer tipo de espaço que necessite de uma limpeza. 

As limpezas devem ser feitas regularmente dado que, mesmo quando tentamos evitar que isso aconteça, há sempre energias a circular pelos espaços e muitas vezes acabam por existir energias negativas (provenientes de discussões, pensamentos negativos, medos, etc.) que ficam nos locais e prejudicam-nos no nosso quotidiano e até no nosso trabalho mágico. Dependendo de onde vivem as limpezas devem ser feitas uma vez por mês ou, se for em sítios mais calmos e afastados de centros urbanos, talvez de dois em dois ou três em três meses. Porém, se houver necessidade de limpezas entre esses períodos, faça! Não precisa de ter receio por fazer limpezas a mais do que as datas que inicialmente estabeleceu. Eu aconselho, por exemplo, a realizar limpezas mensais e, se tiver rendimentos frequentes (ordenado, subsídio, etc.) efectue as limpezas uns dias antes de receber esse dinheiro. Assim garante que o mesmo chega a uma casa positiva o que acaba por torná-lo também algo positivo. 

É ainda de recordar que as limpezas energéticas não libertam de espíritos ou entidades que possam estar agarradas aos locais e também não quebram qualquer tipo de trabalho mágico que tenha sido feito contra alguém. Para isso é necessário recorrer a outros métodos. 

Para começar, abra todas as janelas e portas para permitir um fluxo constante das energias e permitir que as energias negativas saiam do espaço onde estão. Isto vai também ajudar o ar a circular que não só é bom para a saúde mas também uma representação de como queremos que a casa fique limpa. As limpezas energéticas estão intimamente ligadas às limpezas em geral. Afinal de contas, não podemos querer ter uma casa limpa de energias negativas quando a nossa própria casa está suja e uma confusão certo? Então comecemos por limpar a casa, lavar o chão, limpar o pó, arrumar as coisas, lavar a roupa, etc. Enquanto fazemos isto tenha sempre consciente que está a limpar todas as energias negativas, todos os problemas e mágoas que estão no local. Tente visualizar esta limpeza ao máximo, tanto no aspecto físico como no aspecto energético. 

Após a limpeza física estar concluída, podemos passar para a parte ritualística. Existem vários rituais que podem ser utilizados, vou deixar aqui apenas dois: um simples e um mais complexo. 

Purificação dos Elementos 

Este ritual utiliza a energia dos quatro elementos (Terra, Fogo, Água e Ar) para limpar a casa. Pode ser realizado de forma solitária ou em grupo. 

Materiais necessários:

  • Uma tigela ou um prato com sal;
  • Um queimador de incenso;
  • Incenso de Olíbano (pode ser em pó, cone ou pauzinho);
  • Uma vela branca;
  • Uma tigela com água limpa (preferencialmente água corrente);

Coloque os materiais em cima de uma mesa. Acenda o incenso e a vela. Coloque-se em frente da mesa e tente abrir-se para a sua casa, sinta as suas energias e sintonize-se com o que rodeia. 
Após um momento coloque as mãos por cima dos instrumentos e diga:

Eu consagro-vos, instrumentos dos elementos,
Para limpar a minha casa de todo o mal e tristeza,
Assim é a minha vontade, que assim seja! 

Pegue no prato de sal e mova-se no sentido do ponteiro dos relógios dentro de sua casa, atirando um pedaço de sal para cada canto de cada quarto, enquanto diz:

Pelo poder da Terra, eu limpo esta casa. 

Visualize o sal a queimar as energias negativas enquanto o espalha. Tente visualizar o melhor possível, pois isso será o que dá poder à sua acção. Coloque também sal dentro de armários através de portas e janelas abertas. Inclua todas as divisões (incluindo sótão, cave e garagem se tiver). 

Quando terminar com o sal, pegue no incensário. Percorra o mesmo caminho que fez com o sal e visualize o fumo a limpar toda a negatividade e todo o mal da sua casa. Enquanto o faz, diga em intervalos regulares:

Pelo poder do Ar, eu limpo esta casa. 

Quando terminar com o incensário, pegue na vela e trace novamente o mesmo caminho e os mesmos locais. Continue a visualizar as energias negativas a serem queimadas. Em intervalos regulares, diga:

Pelo poder do Fogo, eu limpo esta casa.

Por fim, coloque a vela na mesa e pegue na taça de água. Volte a realizar o mesmo percurso pela sua casa, na direcção do ponteiro do relógio, e borrife água pelo caminho. Atire também algumas gotas pelas janelas e portas. Visualize a água a lavar de todas as energias indesejadas, como a maré. Enquanto o faz, diga em intervalos regulares:

Pelo poder da Água, eu limpo esta casa. 

Volte a colocar a água na mesa e tente sintonizar-se com a sua casa e as suas energias positivas. Verá um ambiente mais leve e tranquilo. Caso não sinta, repita novamente até sentir. 

Por fim, feche as portas e janelas. Se o tempo permitir deixe o sal, o incenso, a vela e a água juntos até a vela e o incenso terminarem de queimar. 

Nota: Os textos e frases podem ser adaptados, tente apenas manter o objectivo semelhante ao descrito.

A Purificação da Vassoura

Este é um método mais simples de limpeza energética, utilizado no Sudeste dos Estados Unidos e México, principalmente no primeiro dia do mês. Antes do nascer do Sol pegue um falho de qualquer árvore (lembrando-se de agradecer à árvore e deixar uma oferenda como pagamento). 

De seguida, obtenha várias flores coloridas em talos longos e ate as mesmas ao galho para que fique uma espécie de uma vassoura. Depois varra o chão de todas as divisões da sua casa com esta vassoura, visualizando as energias negativas a serem absorvidas pelas flores. 

Assim que terminar, e ainda antes do nascer do Sol, deixe a vassoura numa Encruzilhada que tenha perto de casa. 

Fonte: Cunningham, S. (1983). Magical Household. In S. Cunningham, Magical Household (pp. 123, 124). Llewellyn Publications.
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Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0