sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Análise Literária: "Memórias de uma Feiticeira" de Lilith

janeiro 25, 2019 2 Comentários
Título: Memórias de uma Feiticeira: Feitiços e Ritos com histórias
Autor(es): Lilith
Pontuação
Descrição: "O meu tio A. não passava nas encruzilhadas de noite e, se tinha de o fazer, deixava um fio de azeite num dos caminhos para a moura não atormentar, mas se fosse Lua Cheia não ia, nem com os conselhos que a Tia lhe dizia: - só se deixares leite, porque com a Lua prenhe a moura canta e prende e só a distrais com leite e depois ela vira serpente e foge, mas foges tu primeiro e nunca olhas para trás...""Esta minha estima por Marta Martalina, a que não era santa nem divina, mas sim uma mulher encantadora, foi o impulso para o meu interesse pelo Príncipe das Trevas. Lá no fundo do meu coração, eu queria encontrá-Lo, ser a sua noiva. Enfim, algo me atraía para o outro lado, o do desconhecido que todos temiam e fingiam não acreditar. Mas nos livros de feitiços, era a Ele a quem pediam favores. E pensei: "Então se há quem ame Cristo, também há quem ame Lúcifer?" Afinal o diabo é belo, chamam-lhe um anjo caído e eu queria conhecê-lo! Se havia um anjo caído, Lúcifer, quem seria ele?" "Conforme eu avançava, o tapete negro ia-se levantando, as capas elevavam-se do chão quais asas negras ondulantes. Senti estar a ser recebida em casa da Morte que estava a cumprimentar-me, presenteando-me com uma cerimónia do mais intenso e estético momento que uma sacerdotisa dos antigos pode receber. Ali, no seu reino, ela abria-me o caminho e eu avançava enquanto as capas negras iam saindo do chão negro e aveludado, dando lugar ao piso de pedra mármore bela e fria. " "Qualquer prática para mudar o destino, aciona sempre a Lei do Retorno"
Onde Comprar: Espiral
Análise: Tenho a admitir que este livro é algo especial, porque não só conheço a autora há longos anos, mas também tenho um carinho especial por ela e, como tal, ler a sua biografia foi sem dúvida uma aventura muito bem recebida!
Este é um livro diferente dos restantes livros porque nem é livro de feitiços nem é biografia, é as duas coisas juntas de forma harmoniosa e fluída, que o torna simplesmente fantástico. Lilith é uma das figuras importantes do Paganismo Português, sendo a Cofundadora e Presidente da PFI-Portugal/Associação Cultural Pagã e tendo diversos outros títulos de importância em Portugal e na Europa. O seu trabalho reflete-se nas comunidades e, como tal, este livro é sem dúvida um excelente contributo e um legado do seu trabalho. Neste a autora conta-nos da sua vida e dos primeiros passos no Paganismo e no mundo do Ocultismo, partilhando connosco receitas e feitiços que tiveram impacto ao longo da sua vida e dando-nos acesso aos mesmos, para que os possamos aplicar na nossa vida. São recursos muito preciosos pois estamos a falar de práticas que dificilmente se encontram disponíveis hoje em dia, oriundas de práticas antigas e locais. São também feitiços e rituais que nos mostram como, por baixo da máscara do Catolicismo, se encontram práticas antigas e que têm um valor tremendo para a Magia e para os praticantes modernos da Velha Arte. Ao mesmo tempo, conta-nos da sua vida e vivências num tom como se estivéssemos sentados junto a uma lareira a beber um chá e conversar como amigos. É um livro de rápida leitura e extremamente acessível para os leitores, transportando-nos para o surgimento do movimento neopagão em Portugal, na segunda metade do século XX e permite-nos refletir sobre as diferenças do antes e do agora, do secretismo dos velhos tempos e a maior abertura de hoje em dia.
O livro aborda diversos temas, em paralelo com a biografia da autora, como questões de amor, saúde, proteção, astrologia e até os Deuses Antigos, dando-nos também um gostinho sobre o crescimento da Wicca e da mesma vista do ponto de vista português. Creio que é sem dúvida um bem importante para o Paganismo português a existência desse livro e posso apenas esperar que mais venham, para que possamos conhecer e recordar toda a evolução do Paganismo português até aos dias de hoje. É sem dúvida um livro que recomendo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

A Intuição como Método de Defesa

janeiro 03, 2019 2 Comentários

Vamos falar de como a intuição pode ser um excelente método de defesa que temos ao nosso dispor e, na maioria dos casos, nem chegamos sequer a ouvi-la. Sei que pode parecer estranho mas nunca tiverem aqueles momentos em que iam a fazer algo e tiveram um pressentimento que era melhor não fazer? Mas fizeram na mesma e correu mal? Isso é um pouco o que acontece quando não ouvimos a intuição. Claro que não é algo assim tão linear como ouvir todos os nossos pensamentos, até porque muito dos pensamentos (principalmente se for numa altura de stress ou com uma decisão complicada) serão negativos devido ao medo e à ansiedade. É esta temática que quero abordar hoje.

O primeiro passo é: O que é a intuição? Como distinguir a intuição dos pensamentos tóxicos que a nossa mente às vezes cria? A intuição é nosso "eu interior", alguns até diriam que é o nosso "eu selvagem" com os seus métodos de protecção e sistema de sobrevivência primordiais. Há várias interpretações do que é a intuição e de como lidar com a mesma e como a distinguir de todos os outros pensamentos que povoam a nossa mente. Para as mulheres posso aconselhar a leitura do livro "As Mulheres que Correm com os Lobos" (Wook | Book Depository) da Drª Clarissa Pinkola Estés que é um livro excelente. Para homens, infelizmente, não conheço nenhum título semelhante mas, quem conhecer, peço que partilhe nos comentários!

Para mim, pessoalmente, a forma que utilizei para aprender a distinguir a intuição dos meus pensamentos mais negativos foi com a experiência e com meditação e análise própria. Por vezes até recorri a métodos oraculares para tentar perceber se seria um medo ou se seria algo ao qual deveria prestar atenção. Com o tempo, com a prática e com a tentativa e erro começamos a conseguir distinguir o que é a intuição e o que não é. E ela torna-se uma das nossas grandes aliadas. Começando a ouvi-la, aos poucos, acabamos por desenvolver quase um mecanismo de sobrevivência e de defesa. Porque a nossa intuição tem acesso a informação que nós, por norma, não temos. Nem todos somos sensíveis às energias em nosso redor ou de outras pessoas (ou até podemos ser e optamos por ignorar) enquanto a nossa intuição automaticamente vai ler e interpretar essas energias, sem nos apercebemos e irá aconselhar com base nisso.

Outro exemplo muito comum de que como a intuição pode funcionar é: Ao chegar a um local, com pessoas desconhecidas, encontra alguém que toda a gente gosta. Toda a gente em redor daquela pessoa gosta dela, ela é simpática e prestável mas... há uma vozinha na mente que diz "Cuidado".  Mas não conseguimos entender o porquê, dado que toda a gente gosta daquela pessoa. Mas, passado algum tempo, alguma coisa acontece e afinal... A nossa intuição estava certa. É um cenário comum.

Nestas situações qual o primeiro passo? O primeiro passo é tentar entender se há algum motivo por detrás daquele aviso. Já ouviu rumores da pessoa ser negativa ou ter atitudes com as quais não concorda? Não gosta de algo que ela tem vestido? Não gosta de alguém com quem ela se dá? Vejamos todos esses pontos primeiros. Se, mesmo assim, chegarmos a conclusão que não existe propriamente uma influência externa para aquele pensamento então, mesmo que toda a gente goste daquela pessoa, se a sua intuição aponta para algo diferente, age em conformidade. Atenção! Não estou a dizer para ignorar a pessoa, ofender, insultar ou qualquer outra atitude negativa. Apenas tenha caução com o que divulga da sua vida pessoal, das suas escolhas, das suas atitudes e mantenha uma certa distância pessoal, dependendo da sua intuição.

Aliás, esta caução com o que divulga e o que fala deve ser transversal a todos os momentos da sua vida, como mecanismo de defesa. Recordo que conhecimento é poder. E quem tem conhecimento intímo nosso (segredos, etc.) tem poder sobre nós.

Recorde-se: A prática leva a perfeição. Confie em si mesma/o e na sua intuição, vá dando pequenos passos e recorra a ajuda como meditações ou métodos oraculares. Com o tempo vai desenvolver a sua capacidade intuitiva, conectar-se consigo mesma/o e, eventualmente, ganhar um novo método de defesa e de caução que lhe será muito útil, no dia a dia e na sua prática pessoal.

E vocês, leitores? Como é a vossa relação com a intuições?