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Sob o Luar

Se este artigo vos parece familiar é porque é, trata-se de uma nova versão de um artigo existente de 2023 que achei que estava na altura de dar uma nova vida, com novos pontos de vista. 

Ao longo do nosso caminho dentro do Paganismo e Bruxaria é inevitável que tenhamos a sensação de estar presos num patamar que não nos satisfaz. Em que sentimos que algo não está certo, apesar de estarmos a fazer a mesma coisa que temos vindo a fazer nos últimos tempos (às vezes até anos!), mas que não sabemos como mudar ou o que fazer para solucionar esta situação. Apesar da consistência e da rotina serem essenciais para o nosso dia-a-dia e constituírem as bases fortes da nossa prática, corremos sempre o risco de nos tornarmos estagnantes e atingir um ponto em que fazemos as coisas não porque as mesmas fazem sentido ou têm propósito, mas porque uma versão nossa anterior disse que tínhamos de fazer. E, tanto na Magia como no Paganismo, o propósito e a intenção são os pilares que nos orientam e definem a nossa prática. As nossas ações, sejam devocionais ou mágicas, precisam de intenção e a rotina, por vezes, pode retirar essa intenção e tornar as nossas ações como repetições mecânicas, despedidas de propósito. 

Antes de mais gostaria de recomendar a leitura do livro "The Witch's Path" da Thorn Mooney. Já falei muito dele daqui na análise literária e considero ser um livro excelente tanto para iniciantes como praticantes de longa data e que contém vários exercícios adaptáveis a todos os graus de dificuldade e situações possíveis, que nos ajudam a evoluir no nosso caminho, a quebrar rotinas tóxicas e a ser a nossa melhor versão de nós próprios enquanto Bruxes e, até, Pagãos. Um livro por ser relacionado com Bruxaria não quer dizer que não seja útil para aqueles que se identificam apenas como Pagãos. 

De seguida é preciso entender a origem desta estagnação e isso começa por uma reflexão interior. Esse é o momento de honestidade pessoal, em que temos de refletir e ser genuinamente honestos connosco próprios.  Temos de nos perguntar: o que é que não nos satisfaz? É preciso sentar, analisar as nossas rotinas, as nossas ações e entender onde está aquilo que já não faz sentido. Será a forma como falamos com as nossas divindades? Será o aspeto do nosso altar? Será a nomenclatura que usamos para nós próprios? Ou talvez seja o método divinatório que usamos diariamente que já não nos inspira para trabalharmos com? Algo estará a ser a causa da nossa estagnação e precisamos de refletir, genuinamente e sinceramente, e identificar o que é, para que o possamos mudar e curar. 

Um pouco importante, que sinto que afeta muita gente, é a ideia de que não podemos mudar e temos de nos manter fiéis aquilo que "dizemos ser". Isto é principalmente verdade na era das redes sociais. Definimos a nossa personalidade, os nossos gostos e os nossos caminhos com diversas "labels" e "etiquetas" que atribuímos a nós próprios. Tudo isto é válido e faz sentido, contudo, temos de garantir que isto nos serve realmente como uma ferramenta de auto-conhecimento e auto-trabalho e não como um factor limitador. Para isso, temos de aceitar que a mudança faz parte da vida e da nossa existência. Tal como a Natureza muda, da Primavera até ao Inverno, também o nosso caminho, seja pessoal ou espiritual, pode mudar ao longo da vida. 

Encontrando aquilo que não funciona no nosso quotidiano e que nos deixa insatisfeitos, está na altura de aplicar mudanças. Pode ser algo simples como passar a ter orações à noite ao invés de durante o dia, pode ser mudar a forma como celebramos os festivais, experimentar mais festivais ou menos festivais, conectar com uma divindade, desconectar com outra divindade, etc. A resposta é algo pessoal e a forma como ela vai ser aplicada vai ser pessoal também. Não há um manual ou um guia 101 de como construir a nossa prática ou como reconstruir a nossa prática, pelo que confiem na vossa intuição. Recordem-se: A vossa prática, espiritual ou mágica, tem de servir para vocês. Só vocês, não para algoritmos, para seguidores ou para outros (a menos que estejam dentro de grupos ou covens, aí esta dinâmica poderá ser diferente), mas principalmente para vocês.

Porém há alturas que nem assim conseguimos entender ao certo o que está errado. Por mais que pensemos ou meditamos simplesmente não conseguimos entender. Algo não está certo, mas o que será? Nestes casos, eu recomendo, tal como a Thorn recomenda no seu livro, que façamos uma lista de coisas gostamos e experimentemos um pouco. Não há regras que nos impeçam de mudar ou adaptar a nossa prática durante uns tempos. Nada diz que não podem experimentar outros caminhos. Por isso outra solução é ver o que é que nós gostamos de estudar e ler sobre: Será que gostamos de ler sobre Deuses Egípcios? Ou sobre Druidismo? Ou sobre práticas de bruxaria marinha? Escrever quais são os nossos interesses e por que motivo gostamos deles. E depois… experimentar! Fazer práticas de bruxaria marinha durante um mês e ver o que gostamos de fazer e o que não gostamos. Aplicar algumas práticas de Druidismo no nosso dia-a-dia. Ler sobre Divindades Egípcias e até investigar práticas keméticas e ver algo nos agrada. E experimentar, aplicar nas nossas rotinas e na nossa vida e ver se gostamos das mudanças ou não. E se não gostarmos, mudamos para outra coisa até encontrar o que sentimos que faz sentido.

Outra alternativa é voltar às origens. A maioria de nós começa o seu caminho no Paganismo ou na Bruxaria de forma bastante entusiasmada e temos tendências a olhar para essa altura como sendo uma altura bastante feliz e rica. Como tal, uma reflexão para essa altura para entender o que funcionava e o que não funcionava, voltar a aplicar algumas dessas rotinas no nosso dia-a-dia e tentar entender se esse retorno às origens poderá ajudar a revigorar o nosso quotidiano atual.  

Dentro da Bruxaria e do Paganismo temos milhares de tradições e caminhos, cada uma com as suas práticas e as suas técnicas de trabalho. Não há um caminho certo, como tal, podem e devem explorar os vossos caminhos da forma que sentem ser mais confortável e mais certa para vocês. Sem medos e sem receios, apenas partindo à aventura. E é exatamente isso que eu recomendo para quem está num momento de estagnação: Aceitar a mudar ao invés de tentar forçar o que não funciona e ir em busca daquilo que faz o nosso coração vibrar em alegria.

E vocês? Como gostam de fazer para sair de momentos de estagnação na vossa prática?


Uma das coisas que parece bastante complicada quando estamos a começar no caminho do Paganismo ou da Bruxaria é o de criar a nossa própria prática e como dar os primeiros passos para estruturar o nosso caminho. Este artigo tem como objetivo reunir algumas dicas para ajudar neste processo! 

Para começar é preciso recordar que tudo deve ser feito ao nosso próprio ritmo. No final de contas, seja o nosso caminho mágico ou nosso caminho espiritual, ambos são caminhos individuais e para nosso próprio crescimento, satisfação e felicidade. Não estamos a competir com ninguém nem existe nenhuma corrida, pelo que devemos ir ao nosso ritmo pessoal e conforme aquilo que estamos a sentir que é o certo. 

A melhor forma de construir a nossa prática pessoal é ir aos poucos, conforme vamos aprendendo e experimentando. Não nos podemos esquecer que, como tudo na vida, a nossa prática vai ser fluída e vai mudar com a passagem do tempo, por isso, um dos principais conselhos é estar aberto à mudança e à fluidez das nossas práticas. 

Para além desta fluidez temos também de nos recordar de não querer ser perfeites logo ao começo e que falhar ou experimentar coisas só pela vontade de experimentar é normal e até aconselhável, por isso, devemos sempre lembrar-nos que a primeira estrutura ou rotina que criamos não vai ser a que vai ficar para sempre ou a "definitiva". Temos a liberdade para explorar os nossos caminhos da forma que achamos melhor e que nos identificamos mais. 

Após já termos algumas bases nos assuntos é quando começamos a querer estruturar algo conciso e dar-lhe um nome. Começar a identificar-nos com um caminho específico e estruturar como a nossa prática é definida. Algumas dicas para quando iniciamos este processo:
  • Fazer uma pequena lista dos nossos interesses dentro do Paganismo e da Bruxaria, para entendermos onde está o nosso "nicho" e o nosso foco. É okay se a lista for diversificada, mas termos esta estrutura escrita ajuda-nos a guiar-nos e a saber por onde trilhar. 
  • Fazer uma lista de palavras que achamos que definem o nosso caminho. Podem ser palavras aleatórias como "Verde", "Fadas", "Grécia", etc. Algo que nos ajude a classificar as coisas que associamos com o nosso caminho. 
  • Se não quisermos dar já um nome ao nosso caminho, não há problema! Podemos apenas identificar-nos com termos vagos como "Bruxe" ou "Pagão" e ficar por aí. Esses termos são válidos. Até "Curiose" é um termo válido. 
  • Se houver afinidade por algum tipo de divindade ou algum panteão, podemos começar a explorar mais esse campo para ajudar na nossa prática, dado que muita coisa pode ser construída em torno do culto devocional a Divindades. A mesma coisa se aplica a Seres Mágicos ou Entidades! 
  • Depois de termos criado a nossa lista de interesses e a lista de palavras chaves, podemos começar a procurar conteúdos (tanto online como em livros) relacionados com essas temáticas. Ver o conteúdo de outros praticantes vai ajudar-nos a tirar ideias de coisas a aplicar na nossa prática. 
  • Se houver, recomendo também juntar a comunidades relacionadas com os nossos interesses como Grupos do WhatsApp ou de Facebook onde se possa trocar opiniões e ideias com outros praticantes. 
No final das contas o que não pode ficar esquecido é que o caminho a trilhar é, e sempre será, nosso e somos nós que o definimos e o vivemos, pelo que devemos sempre trabalhar para sermos felizes no nosso caminho e não necessariamente agradar outras pessoas ou cumprir "aesthetics" (que é um dos principais problemas das redes sociais hoje em dia). 

E vocês, que conselhos dão nestas situações?  

Hoje vamos voltar a falar sobre Divindades e, mais especificamente, como começar a trabalhar com elas. Sim, já temos um artigo parecido aqui no blogue, intitulado "Como começar devoção aos Deuses?" mas, como podem ver, eu escolhi terminologias diferentes: Trabalho vs Devoção. 

Enquanto a devoção, que foi falado no meu artigo antigo, tem um carácter mais religioso e espiritual, o trabalho é algo mais prático e mais comum dentro da Bruxaria, onde é estabelecida uma relação de trabalho com uma divindade. Ou seja, a divindade e o praticante estão numa espécie de negócio, em que há uma troca de algo a ocorrer, por norma, oferendas em troca de algo para o praticante. Este tipo de trabalho é algo mais informal e, em alguns casos, sem qualquer tipo de intimidade por parte do praticante (algo que na devoção acaba sempre por acontecer). 

O trabalho com as Divindades pode ser feito pelos mais diversos propósitos mas, por norma, é no seguimento de trabalhos mágicos no qual o praticante queira solicitar a ajuda de Deuses. Este trabalho mágico com as divindades não requer compromissos, tirando aqueles estabelecidos durante a troca ou acordo com as divindades, mas requer trabalho por parte do praticante, principalmente em garantir que aquilo que prometeu aos Deuses lhes é entregue. Um exemplo prático é um praticante que prometa a Hermes que lhe fará oferendas semanais durante um período de um ano em troca de ajuda num processo de candidatura de emprego. O praticante terá de garantir que, durante aquele ano, fará as oferendas prometidas. 

Mas, como começar este tipo de prática? Este tipo de prática não é para toda a gente, até porque, como já falamos, a Bruxaria pode ser praticada sem a presença de Deuses. Não é uma prática obrigatória e só deve ser feita por aqueles que se sentem confortáveis com isso. Por norma, neste tipo de prática, não há qualquer chamamento por parte de Divindades, porque o principal interesse nesta troca é do praticante. 

Inicialmente, é preciso garantir que não vemos os Deuses como "Deuses de Prateleira" (podem ler mais sobre o assunto, no artigo do link) e que os vemos como entidades individuais (no caso do politeísmo, mas também aplicável ao caso da Deusa/Deus da vertente duoteísta). Ou seja, não devemos começar a ir sempre a Afrodite porque queremos amor ou Hermes porque queremos ajuda com dinheiro ou Atena porque queremos ajuda com os estudos. Apesar de ser um processo de trabalho, e não de devoção, não significa que os Deuses sejam bonecos para serem explorados ou utilizados. Vejam os Deuses, neste cenário, com amigos que vocês conhecem. Vocês se tiverem um amigo que tenha dinheiro, não vão estar sempre a ir a esse amigo pedir dinheiro, não é? Porque ele vai acabar por se cansar de vocês e deixar de responder às mensagens. E os Deuses, passa-se a mesma coisa, vai acabar por haver divindades com as quais vão trabalhar mais vezes e às quais podem recorrer para pedir ajuda, mesmo que não seja totalmente do foro delas. E não há problema nisso. 

Outro passo essencial, semelhante ao que acontece no processo devocional, é a necessidade de explorar e aprender sobre a Divindade. Não podemos apenas fazer um ritual, chamar Zeus e dizer "Olá Zeus, quero isto". É óbvio, não é? Isto é a mesma coisa que ir na rua, parar um estranho e pedir 20€. Ninguém faz isso. É preciso entender a divindade, entender os seus mitos e ter alguma noção sobre quem estamos a chamar e se é a pessoa certa para o que precisamos (tal como faríamos se fossemos contratar um carpinteiro para arranjar em casa, não iríamos ao primeiro que aparece na pesquisa, mas iriamos ver qual o melhor para o que queremos). Cabe ao praticante fazer o esforço de aprender sobre a Divindade e tomar a iniciativa. 

Aqui é a parte onde difere do aspeto devocional: Enquanto no devocional iniciaríamos o processo de aproximação da divindade, oferendas e meditações, criar altares e por aí fora, no campo do trabalho mágico esse aspeto acaba por não acontecer (pode acontecer, mas não é uma necessidade). Aqui inicia-se o trabalho mágico em si, seja ele qual for. E é feito o acordo e a troca com a Divindade (seja ela qual for, também). E depois, é da parte do praticante garantir que cumpre a sua parte, mantendo o respeito pela Divindade e pelo trabalho que está a fazer. No fim, poderá despedir-se da Divindade de vez ou continuar a trabalhar com ela durante mais algum tempo. 

Espero ter ajudado a distinguir o conceito de devoção e de trabalho e conseguido orientar no processo de aprender sobre como começar a trabalhar com Divindades. O resto é tentativa e erro da parte do praticante! 

Se quiserem deixar dicas (ou questões) nos comentários, sintam-se à vontade! 

Um dos temas que me foi pedido no Instagram do Sob o Luar foi para falar sobre a apropriação cultural e como evitar a mesma na nossa prática. Antes de começar, vamos definir o que é apropriação cultural: 

Segundo Arnd Schneider (2003) a apropriação cultural é a adoção inadequada ou não reconhecida de um elemento ou elementos de uma cultura ou identidade por membros de outra cultura ou identidade. Isso pode ser controverso quando membros de uma cultura dominante se apropriam de culturas minoritárias.

Alguns exemplos de apropriação cultural são, por exemplo, os disfarces de "índios" que se vêm durante o Carnaval ou Halloween que são uma clara ofensa aos povos nativos-americanos. Ou a utilização do termo "smudging" para significar limpeza de um local, sendo que esse termo é exclusivo de tribos índígenas onde smudging não é apenas queimar ervas para limpar uma casa, mas todo um ritual específico dentro desta cultura. Existem diversos exemplos de apropriação cultural, de diversas culturas, que acabam por estar presente, infelizmente, em nosso redor. Contudo está no nosso poder (e dever!) garantir que não as propagamos e, aliás, que educamos as pessoas à nossa volta para não compactuar nestes comportamentos. 

É também importante distinguir que existem diferenças entre o termo de "apropriação cultural" e o termo "prática fechada". Uma prática fechada é, por norma, uma prática que requer iniciação dentro da mesma e que não pode ser praticada fora desses grupos ou tradições. Não quer dizer que a pessoa X ou Y não a possa praticar mas, para o fazer, terá de ir ter com esses grupos, introduzir-se nas suas culturas, socializar, conhecer as pessoas e, se o grupo em causar a aceitar, então aí tratar desse processo. 

Agora, a grande questão: Como evitar praticar apropriação cultural? 

Acima de tudo entendendo de onde vêm as coisas que estamos a praticar. Quando estamos a aprender sobre Bruxaria e Paganismo e vemos algo que gostaríamos de incorporar na nossa prática é essencial investigar sobre esse assunto e, acima de tudo, entender as suas origens (e, dessa forma, acabamos por entender também o seu funcionamento). Obviamente que uma prática que seja comum em todo o espaço europeu não vai ser um caso que possa ser apropriado culturalmente porque faz parte da cultura de todo um continente que possui um papel dominante na sociedade ocidental. Ou uma prática que seja de uma cultura morta (como Antigo Egipto ou Roma Antiga), porque não há uma cultura minoritária a ser afetada, porque a mesma já não existe há milhares de anos (ao contrário do que muitos grupos nacionalistas dentro das comunidades possam tentar alegar). Mas se calhar, se for uma prática de uma tribo indígena sul-americana já se trata de uma apropriação cultural, principalmente se essa cultura for abertamente contra essa prática (que é o caso de algumas práticas africanas ou de tribos indígenas brasileiras que se vêm apropriadas). 

Esta é, sem dúvida, uma área na qual é preciso trabalho ativo. Não há forma de ter uma lista com todas as coisas que não podem ser apropriadas culturalmente porque isso seria impossível. É preciso ler e investigar o assunto (O google é uma excelente ferramenta o TikTok/Tumblr nem por isso) e ver, acima de tudo, testemunhos de pessoas que fazem parte das culturas afetadas para entender o feedback delas. Em caso de dúvida, podemos sempre participar em comunidades online e questionar os outros para tentar aprender (principalmente questionar pessoas dessas culturas porque não é alguém como eu - branca e europeia - que vos vai conseguir falar em nome de uma cultura à qual eu não pertenço). E em caso da dúvida se manter, podemos sempre abster-nos de certas práticas ou, melhor ainda, substitui-las por coisas mais perto de casa! Por exemplo, voltando ao caso do smudging: Ao invés de querermos queimar sálvia branca ou palo santo (que são duas plantas que estão a ser exploradas em excesso ao ponto de estarem em risco e, também, utilizadas originalmente por povos nativo-americanos) para limpar a casa porque não usarmos plantas locais de Portugal? Temos o alecrim, a arruda e a sálvia comum que fazem exatamente o mesmo papel e são plantas presentes no nosso ecossistema local. Não só estamos a evitar sobre-exploração de uma planta, evitar apropriação cultural como ainda estamos a conectar-nos com a nossa flora local, utilizando plantas nativas da zona onde vivemos. 

Por fim, gostava de recomendar um artigo (em inglês) que li sobre a temática: "Cancelled for Renovations: More Thoughts on Closed Practices". Espero ter ajudado a esclarecer um pouco mais este tópico e sintam-se à vontade para dar as vossas opiniões (respeitosas, porque qualquer comentário extremista nem será aceite) nos comentários! 

Nota: Um agradecimento especial à Sininho que me ajudou a rever este texto! :) 

Ao longo da nossa prática mágica ou do nosso caminho espiritual vamos, eventualmente, ter mudanças. Sejam mudanças pequenas em que passamos a fazer certas práticas diferentes ou mudanças grandes em que mudamos completamente a nossa nomenclatura e a forma como encaramos a nossa prática, elas estarão presentes. Estamos errados se achamos que conseguimos ficar imutáveis durante 10, 20 ou até 30 anos. A mudança é (in)felizmente, inevitável. 

Recentemente passei exactamente por isso, por grandes mudanças na minha prática, daí querer trazer-vos esta temática para vos conseguir dar alguns conselhos que gostaria que me tivessem dado quando comecei este processo. Para quem me conhece, sabe que comecei a praticar quando ainda era adolescente e considerava-me "Wiccana Solitária", tendo passado a denominar-me como "Pagã Eclética" aos 18 anos. A partir daí foi sempre uma mudança entre Bruxa Eclética e Pagã Eclética, alternando às vezes com Bruxa Folk ou de Cozinha e por aí fora mas, na essência, a prática era sempre mais ou menos a mesma. Contudo foi em 2020/21 que as coisas mudaram, de uma forma inesperada. Apesar de já praticar há mais de uma década nessa altura, passei por mudanças ao ponto que mal me identifico com a prática que tinha antes destas mudanças. Descobri o Helenismo e finalmente aceitei que, apesar de adorar Bruxaria e adorar estudar sobre Bruxaria, não sou muito dada à sua prática, preferindo ficar-me pelo aspecto religioso e quotidiano, com ligeiro uso da Magia apenas para coisas como limpezas e proteções. Encontrei uma nova casa, digamos assim. 

Mas esta mudança não veio sem dificuldades! Tal como todas as mudanças, esta tirou-me da zona de conforto e atirou-me para dentro de um mar vasto, o qual desconhecia completamente. E é assustador. Seja qual o caminho para o qual estamos a mudar, acaba sempre por ser assustador, porque é como estivessemos a voltar à estaca zero. Quando já temos algum tempo de prática, temos tendência a ficar confortável no nosso nível de conhecimento. Vamos aprendendo mais coisas e acrescentando coisas mas é um crescimento mais gradual e mantendo-nos dentro da nossa zona conforto. Porém quando algo nos puxa para fora dessa zona e acabamos por entrar em toda uma nova divisão, é como descobrir uma nova zona do mapa, totalmente por descobrir e do qual não sabemos nada. E nesse momento passamos a não só ter de conhecer esta nova zona do mapa como conseguir conciliar com as zonas do mapa antigo que queremos manter. É como um puzzle que estamos a construir e quando chegamos ao fim surge mais um novo puzzle novo que se vai juntar ao nosso e temos de saber onde encaixar as nossas peças, mantendo algumas das iniciais. 

E isto é, sem dúvida, uma experiência avassaladora. Mas não é impossível de experienciar! Agora, em 2022, quase dois anos depois de ter começado estas mudanças, já me sinto mais confortável na minha pele e no meu novo caminho. Ainda há muita coisa por limar e aprimorar mas a parte mais díficil (o começar!) já está feito e agora é manter e ir caminhando, porque estas são aprendizagens para a vida inteira. E é por isso que gostava de partilhar convosco alguns conselhos que gostava que me tivessem dito quando comecei estas mudanças:

  • É válido mudar. É valido variar a nossa prática. A sociedade hoje em dia, principalmente nas comunidades online, pode levar-nos a achar que temos de ser sempre a mesma pessoa com os mesmos valores, crenças e métodos ao longo de toda a nossa existência mas isso não poderia estar mais longe da verdade. Enquanto seres humanos, somos seres mútaveis e a mudança é algo natural para nós, tal como para toda a Natureza em nosso redor. Não tenham medo de mudar algo se já não vos funciona ou se já não se identificam com isso. 
  • Não precisam de saber tudo assim que começam. Principalmente para quem já pratica a bastante tempo, e já tem algum conhecimento consolidado, pode ser assustador mudar um caminho de forma drástica, principalmente para um tipo de caminho que não conhecem tão bem. Passar da zona de conforto onde sabemos as bases todas para um novo sítio em que somos um novo aprendiz é assustador mas não é menos válido ou vergonhoso, pelo contrário! É normal, ao longo do nosso caminho, haver alturas em que não sabemos algo e que voltamos a ser iniciantes e isso vai acontecer em mais do que um momento. É apenas necessário embarcar na nossa jornada de aprendizagem, recolher fontes e livros e recursos e mergulhar em toda esta nova informação que está à nossa frente e começar a dar os primeiros passos. 
  • Vão haver pessoas que vão criticar. Seja nas comunidades do novo caminho que estamos a começar a trilhar ou nas comunidades onde estavam, há sempre gente que vai achar que por estarmos em espaços públicos que têm o direito de opinar sobre o que fazemos ou deixamos de fazer. Infelizmente, é inevitável. Contudo temos um poder especial: ignorar. Não me refiro ignorar críticas construtivas ou opiniões de pessoas que nos querem ajudar, mas sim ignorar aquelas vozes que insistem em meter defeitos nas coisas ou renunciar certos aspectos ou práticas apenas porque elas não coincidem com a sua prática pessoal. Um exemplo prático disso é o meu Sacerdócio. O meu Sacerdócio foi feito dentro da FOI e tem a sua forma de ser. Não é, nem será, um Sacerdócio dentro do Politeísmo Helénico, contudo, pode co-existir com o mesmo. Mas há muita gente que acha que não. E estão no seu direito... Elas ficam com a opinião e eu fico com o meu Sacerdócio e o meu caminho e vivemos todos contentes (eles provavelmente menos do que eu).
  • Mesmo dentro da mudança, podemos mudar novamente. Este não foi o meu caso, mas conheço amigues em situações semelhantes. Em que as suas práticas começaram a mudar e começaram a achar que a prática ia ser X e depois acabou por ser Y. Ou ainda passou pelo Y e ficou no Z. Entre outras combinações. A mudança não precisa de ser uma só, pode ser quantas forem necessárias até acertarmos na fórmula que funciona para a nossa prática individual e pessoal. Não há problema nisso e todos os tipos de mudanças são válidos. 
Estes são alguns dos conselhos que gostava de ter tido quando comecei as mudanças no meu caminho espiritual e mágico. E vocês, já tiveram mudanças assim? Que conselhos dariam para quem está a passar por isso?

A grande maioria de nós, principalmente se crescemos com famílias em zonas mais rurais, já conhece e sabe bem o que é o mau-olhado (algumas zonas de Portugal também lhe chamam "quebranto", vai depender, porque "quebranto" também pode significar outra coisa, por isso, aqui vamos usar o termo do Mau Olhado). É algo que faz parte do folclore português (e, aliás, de quase todo o mediterrâneo!) e que as nossas avós e avôs não só falavam sobre como sabiam várias formas para tirar o mau olhado e nos limpar dessa energia. Mas o que é ao certo o mau olhado? 

A definição de mau olhado vai variar de zona para zona e de pessoa para pessoa. Honestamente, se tiverem essa possibilidade junto de familiares ou conhecidos da zona onde vivem, recomendo falarem com eles para aprenderem a definição (e as técnicas de limpeza!) mais próximas da vossa origem e da vossa história familiar. Mas, na ausência disso, estou cá para vos ajudar. 

O Mau Olhado é, de forma simplificada, a inveja ou más intenções que alguém nos envia. Este enviar do mau olhado pode ser propositado ou acidental (nem sempre é preciso intenção para enviar mau olhado) e nem sempre é enviado "pelo olhar". Ou seja, não é preciso alguém estar perto de nós, a olhar para nós, para nos enviar mau olhado, o próprio pensamento em si já basta. 

Mas agora vocês pensam, se pode ser acidental, isso significa que eu posso enviar mau olhado para alguém sem querer? Resumidamente, sim. É possível. Quando vemos alguém que ganhou algo bom mas que nós achamos que a pessoa não merece porque fez x e y (ou até porque apenas não gostamos da pessoa) e ficamos a remoer nessa sensação, poderemos estar a enviar mau olhado para a pessoa. Infelizmente, é algo que pode acontecer, e cabe-nos a nós ter atenção às nossas palavras e ações, caso seja algo que não queiramos que aconteça. 

Mas e agora, a grande questão, como nos protegemos do mau olhado? 

Há várias formas de nos proteger do mau olhado, seja a nível da nossa proteção em casa ou a nível da nossa proteção pessoal no dia-a-dia. Para a casa, o que recomendo é sempre uma boa limpeza (temos um artigo sobre Limpeza de Espaços que recomendo muito)! e colocar amuletos ao longo da casa. 

Alguns amuletos típicos são: 

  • Olho Turco/Nazar/Mati na entrada da casa; 
  • Sal nos cantos da casa;
  • Copos de sal nas divisões da casa; 
  • Dente de alho atrás da porta; 
  • Ferradura antiga na parte de trás da porta, virada para cima; 
  • Entre outros métodos. 
Existem imensas técnicas, inclusive algumas típicas aqui de Portugal, que podem ser utilizadas e quase todos os livros de Bruxaria e Paganismo falam sobre técnicas de proteção e amuletos contra energias negativas, que também são válidas contra o mau olhado. 

Agora questionam: Mas e se, mesmo assim, apanhar mau olhado? Como sei que tenho? Como me livro dele? 

O mau olhado pode, ou não, ter sintomas físicos no corpo. Vai depender da quantidade de olhado que temos em cima de nós mas, na maioria dos casos, ele atinge-nos como uma dor de cabeça ou mau estar no corpo inteiro, podendo inclusive levar a vómitos e outros sintomas físicos. Contudo, como eu digo várias vezes aqui no blogue, a primeira solução e reacção deve ser ver os sintomas como consequência de algo físico (gripe, doença, algo que comemos, desidratação, etc). Nem tudo é mágico e nem tudo o que nos faz sentir mal é mau olhado, às vezes é apenas o jantar que caiu mal. 

Acima de tudo, não caiam na conversa de charlatões que vos prometem "limpar de todo o mau olhado e invejas" e outras coisas! É das coisas mais comuns no nosso país, infelizmente, mas há formas de sermos nós própries a tirar o mau olhado, sem ter de pagar centenas de euros a um desconhecide! 

Para saber se temos mau olhado e para nos livrar dele, existem duas técnicas comuns: A técnica do azeite e da água e a técnica do ovo. 

Tirar o Mau Olhado com Azeite e Água 

Esta é das técnicas mais famosas em Portugal para tirar o mau olhado e existem imensas variações da mesma, principalmente a nível das rezas. Como esta técnica é maioritamente católica, eu vou colocá-la aqui com a reza original, contudo, a mesma pode (e deve!) ser alterada ao vosso gosto, principalmente se não forem católicos.

Vão precisar de um prato fundo (ex: de sopa) com água e um pouco de azeite numa taça. Por cima do prato, fazendo o símbolo da cruz com a mão (ou podem incluir um terço ou amuleto), vão dizer:

Deus te viu, Deus te criou
Deus te livre de quem para ti
com mal olhou.
Em nome do pai, do Filho
e do Espírito santo
Virgem do pranto,
quebrai este quebranto.

De seguida, molham o dedo no azeite e deixam cair três gotas no prato. Se as gotas abrirem, é porque existe mau olhado. É preciso deitar fora a água e voltar a repetir. Este processo deve ser repetido até a altura em que as gotas caem e ficam inteiras na água, sem se misturarem. 

Tirar o Mau Olhado com um Ovo

Existem vários métodos de tirar o mau olhado com um ovo, este é apenas um exemplo. Podem encontrar mais procurando online, caso não gostem deste método. 

Vão precisar de um ovo fresco (que não esteja estragado) e um copo com água até meio. 

Vão pegar no ovo e passar com o ovo pelo corpo todo, da cabeça para os pés, visualizando a energia negativa a passar para o ovo. Ao longo deste processo, podem ir dizendo alguma pequena oração ou algo como "Que este ovo capture todas as energias negativas", enquanto se vão concentrando no que estão a fazer. No fim, é preciso partir o ovo para dentro do copo e esperar uns 2-3 minutos. 

Aqui é a parte mais complicada, que é analisar o ovo. Existem listas imensas online do que cada coisa pode significar, mas, resumidamente:

    • Se a gema do ovo for ao fundo e a clara estiver limpa é porque não havia qualquer mau olhado e está tudo OK. 
    • Se houver bolhas na água, na zona da clara, é porque há mau olhado e ele foi removido com o ovo. 
    • Se o ovo estiver com um aspecto estranho ou com manchas de sangue ou até com um ar um pouco turvo, poderá ser algo mais complexo. Aqui, recomendo uma nova limpeza com um ovo novo, para ver se limpou realmente e, caso não tenha ficado limpo, recorrer a um método divinatório para ver como proceder. 
E com isto, estão prontos para se protegerem do olhado e já sabem um pouco mais acerca de um dos grandes aspectos das práticas folclores portuguesas!  

Já conheciam estas técnicas? 

Ao contrário de muitos outros caminhos religiosos que possuem uma estrutura centralizada de poder (ex: Igreja Católica), o Paganismo e a Bruxaria não possuem chefes religiosos ou sacerdotes a uma escala global ou sequer nacional. Temos várias organizações e grupos como a Pagan Federation ou a Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas que vão fornecendo conteúdos e criando recursos e eventos para as comunidades, mas não temos pessoas a ditar regras nem livros sagrados com todos os ensinamentos. E isso é bom! Aliás é um dos grandes motivos de atração do Paganismo e Bruxaria para a maioria das pessoas, é exatamente a liberdade de culto e de trabalho que existe dentro das mais variadas tradições e caminhos. Contudo isto também leva a que muitos de nós acabemos por cair num erro que acaba por nos prejudicar a nós e, no geral, às nossas comunidades que é o "Culto de Personalidades". 

O que é isto do "Culto de Personalidades"? Bem, é uma coisa que todos nós já ouvimos falar, principalmente fora das nossas comunidades. Situações em que pessoas famosas ganham seguidores que quase se tornam cultuadores daquela figura que criaram na sua mente e fazem da pessoa famosa como se fosse um ser sagrado que não pode cometer erros, não pode dizer nada de errado e que é perfeito em todos os momentos. Claro que rapidamente esta imagem vai acabar por se partir, mais cedo ou mais tarde, mas a realidade é que isto é uma presença na nossa actualidade, em vários campos da vida. E o Paganismo e a Bruxaria, infelizmente, não são excepção. 

Este é um tópico que é muito falado nas comunidades internacionais, principalmente inglesas, e acima de tudo chamado a atenção por parte de membros das nossas comunidades que sentem que eles próprios estão a ser alvos disto. Temos várias situações em que são criados imensos dramas nas comunidades, principalmente a nível do Witchtok (TikTok) e das comunidades bruxescas no Twitter, em torno de pessoas famosas como autores ou criadores de conteúdo. Batalhas de "ela disse vs ele disse", discussões de quem fez feitiços para quem, discussões sobre egos, etc. Acho que todos nós, a certa altura, já vimos situações destas. Elas não são inevitáveis, infelizmente, contudo há algo que podemos fazer para evitar deixar-nos cair nestes discursos e o primeiro passo é reconhecer que somos todos humanos. Até os autores mais famosos de Paganismo e Bruxaria como o Scott Cunningham e o Raymond Buckland ou a Doreen Valiente eram humanos. Iam à casa de banho, lavavam a louça, passavam a roupa a ferro e tropeçavam quando estavam a andar. Nós podemos gostar e respeitar o seu trabalho e a sua influência nas nossas comunidades sem cairmos no erro de os elevar a uma espécie de "ser sagrado que não comete erros e é perfeito". E quem diz estes autores (que já faleceram) diz também autores e criadores de conteúdos na actualidade, como pessoas no TikTok ou pessoas no Twitter. Todos nós somos humanos e todos nós estamos em constante aprendizagem. Como a minha mãe dizia "Ninguém é mais do que ninguém". Claro que há quem tenha mais experiência que nós e há quem tenha mais conhecimento ou seja mais velho. Também há quem tenha cargos de poder dentro das nossas comunidades como Sacerdotes em Tradições Específicas ou Presidentes de Associação. Contudo, e este ponto é importante, mesmo as pessoas nesses cargos não deixam de ser humanas. Existe uma diferença entre tratar alguém com respeito (e até com admiração) e tratar alguém como se fosse uma "quase divindade" e é aqui que é preciso manter a atenção, para garantir que não atravessamos a linha. 

Eu trouxe este tópico aqui ao blogue principalmente porque vi vários pedidos e alertas, nos últimos meses, nas redes sociais por parte de criadores de conteúdos que se estavam a sentir incomodades por pessoas que insistiam em vê-los de uma forma incorreta e que os deixava desconfortáveis. E dado concordar que é uma temática importante, optei por trazê-la para o destaque aqui no blogue e abrir discussão sobre a temática! 

E vocês, o que acham? 

Hoje vamos falar de um tópico que é sempre famoso nas nossas comunidades: As Iniciações (e, por sua vez, Sacerdócios). Eu costumo dizer que a conversa das iniciações é como as ondas, vai e volta, porque há sempre alturas em que está em destaque dentro das nossas comunidades. Antes de começar a falar desta temática, quero deixar claro que não sou contra iniciações (pelo contrário, eu própria fui ordenada e iniciada como Sacerdotisa dentro da Fellowship of Isis). O propósito deste texto não é tirar valor às iniciações, mas sim dar a entender uma perspectiva diferente, principalmente quando falamos das nossas comunidades de Paganismo a uma escala mundial. 

Existem vários tipos de iniciação: 
  • Iniciações dentro de covens, 
  • Iniciações em associações secretas
  • Iniciações em organizações mundiais
  • Iniciações dentro de Tradições específicas
  • E outras.
E todas as iniciações têm um propósito: Um iniciado na Tradição da Wicca tem um determinado papel e hierarquia dentro do seu coven e da sua tradição. Um iniciado dentro da Fellowship of Isis tem ao seu dispor vários tipos de recursos ou de outros níveis de iniciação aos quais queira se dedicar. Uma pessoa auto-iniciada tem o conforto de se auto-denominar como algo. Todas as iniciações têm um propósito, contudo, há que entender os seus contextos. E acho que o melhor, para explicar isto, será um exemplo prático:

Eu fui ordenada Sacerdotisa no ano de 2018 dentro da Fellowship of Isis. A partir dessa data, tornei-me Sacerdotisa de Hekate e Persephone e tenho autoridade para iniciar outros Sacerdotes/isas dentro da FOI e tenho autorização para fundar um Iseum (podem visitar a página do meu Iseum aqui). Fantástico, não é? Contudo, também tenho a noção, de que o facto de eu ser iniciada dentro da Fellowship of Isis não significa que, se me juntar a um coven Wiccano, tenha direito automático à iniciação deles. Ou que até tenha "equivalências" a Graus Wiccanos. São iniciações diferentes e para propósitos diferentes. Tal como, no meu caso, me juntei a comunidades de Paganismo Helénico e tenho a total noção de que ninguém me vai reconhecer como Sacerdotisa. Podem reconhecer que tenho a minha ordenação de Sacerdotisa dentro da Fellowship of Isis mas, para um Pagão Helénico, isso não significa nada porque o conceito de Sacerdócio no Helenismo é completamente diferente do conceito de Sacerdócio dentro da Fellowship of Isis. 

E o mesmo acontece em cenários opostos: Só porque alguém é um Sacerdote Wiccano não quer dizer que tenha direito automático a ser um Sacerdote dentro da Fellowship of Isis ou que seja reconhecido como um Sacerdócio por Pagãos Helénicos. E o mesmo acontece com outras religiosidades. Um exemplo ainda mais claro é os Sacerdotes Pagãos e os Sacerdotes Cristãos: Um sacerdote pagão reconhece que o sacerdote católico tem a sua formação e a sua validez dentro da Igreja Católica contudo, para o pagão, isso não tem qualquer impacto ou reconhecimento na sua prática individual. E vice-versa. Ou seja as iniciações são, acima de tudo, para os próprios iniciades e para a própria Tradição ou Grupo ou Organização em que as pessoas estão inseridas e não necessariamente para a comunidade externa (a menos que haja algum tipo de serviço a ser prestado à comunidade externa, contudo, isso não implica que as pessoas sejam obrigadas a reconhecer cargos de poder com os quais não se sentem confortáveis). 

Com isto quero concluir que as iniciações SÃO válidas. E são parte fulcral de vários caminhos dentro do Paganismo e da Bruxaria e são momentos lindíssimos de transformação e de evolução no caminho pessoal de cada um. Contudo... não são obrigatórias para toda a gente. Nem são certas para toda a gente. Uma iniciação vai sempre trazer responsabilidades com isso, seja a nível do Sacerdócio (que foi aqui falado acima de tudo, dado que a grande maioria das iniciações acaba por acarretar um Sacerdócio com ela) ou a nível de responsabilidades acrescidas que ficam atribuídas ao iniciado. Não há problema em não querer ser iniciado e isso não faz a prática de alguém menos válida do que a prática de alguém que é iniciado. E alguém iniciado não quer dizer que seja mais do que outros não iniciados, principalmente pessoas fora da sua Tradição/Organização. E acho que é isto que não é falado vezes suficientes nas nossas comunidades, acabando por ser perpetuado um discurso de "superioridade" por parte de quem tem mais iniciações o que, na minha honesta opinião, é um comportamento desnecessário e que faz mais mal do que bem. 

E vocês, o que acham? 


Já falei aqui diversas vezes sobre comunidades mas foi quase sempre como um alerta aos perigos ou aos cuidados a ter na procura de grupos. No entanto, nunca falei das vantagens e da importância das comunidades no nosso caminho e é exatamente isso que quero falar hoje. 

Estarmos inseridos em comunidades, sejam elas presenciais ou online, é uma mais valia no nosso caminho não só porque nos permite conhecer outras pessoas e outros praticantes com os quais nos possamos identificar e até chegar a criar grupos em conjunto, mas também porque nos permite desafiar as nossas ideias e formas de ver e praticar. Conforme o tempo vai passando na nossa prática e no nosso caminho temos tendência a criar uma bolha em nosso redor: Lemos sempre os mesmos autores, consumimos os mesmos conteúdos, vemos os mesmos criadores, etc. E enquanto esta bolha é algo bom, porque nos traz conforto, é também um pouco limitadora e é aí que as comunidades nos ajudam a sair dela e explorar novas ideias. Conhecer outras pessoas, com caminhos diferentes, é uma das maneiras de vermos como outros praticam. Entender o que eles acreditam, os Deuses a que prestam culto, as culturas às quais se associam, as tradições ou costumes que incluem nas suas práticas e até a forma de ver o mundo e a espiritualidade e/ou religião permite-nos entender para lá da nossa existência e do nosso caminho e desafia-nos a pensar em alternativas, a confrontar as nossas crenças e opiniões com outras que até podem ser opostas. Esta saída da zona de conforto é fulcral para o nosso crescimento e evolução e isto aplica-se tanto no nosso caminho espiritual como fora dele. 

Pessoalmente sinto, e posso afirmar, que estar nas comunidades é das melhores formas de aprendizagem e de auxílio ao nosso crescimento. Mesmo após mais de quinze anos neste caminho continuo sempre a aprender coisas novas junto das comunidades, sejam elas online ou físicas, e a melhorar e aprimorar o meu caminho pessoal. Estar junto de outros praticantes, ouvi-los falar das suas práticas, tradições, técnicas, métodos de trabalho e até crenças permite-me ter uma visão mais alargada da nossa comunidade, conhecer novas formas de trabalhar, conhecer novas culturas e novas crenças e abre todo um leque de oportunidades e de novos conhecimentos que, na maioria das vezes, nem sabíamos que estava ao nosso alcance. 

Isto é também genial para quem está a começar a trilhar caminhos porque as comunidades costumam ter todo o tipo de praticantes e até outros iniciantes com quem podemos trocar opiniões, esclarecer dúvidas e pedir opiniões. Desde aconselhamentos até troca de ideias, as comunidades são o espaço ideal para isto. E, uma comunidade já bem constituída e com raízes assentes, é também uma segurança extra para quem está a entrar: Uma comunidade que já exista, sem dramas e sem caos, há bastante tempo significa que tem um método de trabalho que resulta e que, provavelmente, é um espaço seguro para aprendizagens. Claro que nem sempre é o caso, e recomendo sempre atenção e cuidado nas comunidades, mas é uma das outras vantagens destes espaços. 

Pessoalmente sinto que estar em comunidades, sejam de que formato for, é sempre uma melhoria no nosso caminho (e tem sido sempre algo positivo ao longo do meu!) e que nos traz todo um novo mundo de diversidade e de informações à nossa esfera de conhecimento, abrindo as portas para o nosso desenvolvimento pessoal e novas explorações!

E vocês? Gostam de estar em comunidades? 

Recordo que temos recursos sobre Grupos e Associações em Portugal.

Tal como na vida, ao longo do nosso caminho espiritual ou religioso, vamos sentindo mudanças. Ás vezes as mudanças são pequenas como começar a utilizar certas ervas para limpeza ao invés das que usávamos antes e, outras vezes, as mudanças são grandes como mudar a nomenclatura pela qual nos identificamos ou até mudar completamente o caminho que estamos a seguir. Eu lembro-me que, quando comecei neste mundo do Paganismo e da Bruxaria, achava que iria me identificar com a Wicca para sempre. Mas a realidade é que não me identifiquei, tanto que cerca de 3-4 anos após ter iniciado o meu trilho, já não me identificava como Wiccana e utilizava uma nomenclatura totalmente diferente. 

Isto é comum principalmente quando estamos a começar e não temos as coisas definidas. Estamos a dar os primeiros passos, a descobrir o que existe ao nosso redor, os vários caminhos, as religiosidades, as tradições, os Deuses e Deusas, os costumes, as práticas, etc. É normal, e expectável, que as nossas formas de praticar ou os nossos caminhos vão mudando. Mudança é expectável, por muito que muitos de nós não gostemos dela. A vida está em constante movimento, os dias e os anos vão passando, o conhecimento vai sendo adquirido e, por vezes, isso impacta-nos diretamente no nosso caminho espiritual, religioso ou mágico. A mudança traz consigo crescimento, se permitirmos. E crescimento é essencial para o nosso caminho porque ao crescer estamos a evoluir, a descobrir novas coisas e a vivenciar a nossa religiosidade ou o nosso caminho mágico da melhor forma, aproveitando cada momento e crescendo com ele. 

Partilhando convosco algo pessoal, e que pode servir de exemplo prático, eu estudo e pratico Bruxaria e Paganismo há mais de quinze anos. Durante os meus primeiros anos identifiquei-me como "Wiccana" e praticava Wicca Eclética Solitária. Contudo rapidamente me apercebi que não me identificava com esse caminho, principalmente por ter uma visão mais politeísta do que propriamente duoteísta (ou soft polytheist) e passei a identificar-me apenas como "Pagã Eclética". Contudo há cerca de um ou dois anos atrás, comecei a passar por mudanças na forma como via o meu caminho e a minha religiosidade. Comecei a sentir que o termo de "Pagã Eclética" já não me servia e acabei por experimentar outras variações, sempre dentro do mesmo tema como Pagã Folk ou Pagã Solitária, entre outros. Mais recentemente, no último ano, comecei a descobrir o Politeísmo Helénico ou Helenismo e comecei a identificar-me bastante com este caminho e as suas crenças e práticas. E, gradualmente, tenho vindo a mudar a minha identidade e a crescer neste novo caminho e comecei, finalmente, a identificar-me como Pagã Helénica desde há uns meses atrás. E, ao mesmo tempo que todo este processo ocorre, também a minha prática enquanto Bruxa diminui e começo a desidentificar-me com o termo "Bruxa" sendo que inclusive passei por um período no qual duvidei se me deveria denominar de Bruxa ou não (no fim, optei por manter a nomenclatura). Atualmente identifico-me como Pagã Helénica e a minha prática é extremamente helenizada: Deixei de celebrar a Roda do Ano, deixei de me identificar com pontos do meu caminho que eram mais alinhados à Wicca ou à Bruxaria Moderna (Roda do Ano, Esbats, etc) e comecei a incluir na minha prática coisas do Politeísmo Helénico como as celebrações do calendário ateniense, a forma de lidar com as divindades, as oferendas, as formas de purificação, etc. 

Este exemplo serve para mostrar que, mesmo quando já estamos nestas comunidades e neste "mundo" há bastantes anos, não estamos imunes à mudança nem imunes à evolução do nosso caminho. A mudança vem e surge quando tem de surgir e pode trazer coisas bem positivas, como foi o meu caso acima, em que atualmente me identifico mais com a minha prática do que me andava a identificar em anos anteriores. Não quer dizer que ser Pagã Eclética está errado ou que o que eu fiz antes de chegar ao Paganismo Helénico estivesse mal, porque não estava. Foram apenas fases diferentes do meu caminho, todas elas com aprendizagens e coisas para me ensinar. E estou grata por todas as fases pelas quais passei e todas as que ainda virão no futuro ao longo do meu trilho. 

É exatamente isso que vos quis trazer hoje para o pensamento e espero que este relato possa ajudar outros praticantes que estejam na mesma situação ou que já tenham passado por ela e não saibam como a assimilar ou como lidar com estas mudanças. Mudar não é mau, mudar é apenas uma evolução, uma nova etapa ou temporada no nosso caminho. Vai abrir-nos portas a outros mundos e rumos para explorar e ensinar-nos coisas que de outra forma provavelmente não aprenderíamos. Por isso, abram os braços à mudança, se ela chegar, e não tenham medo de arriscar. 

E vocês? Já passaram por isto? Que conselhos dão a quem está nesta situação?

A Roda do Ano é um dos primeiros conceitos que aprendemos quando chegamos à Bruxaria, principalmente através da Wicca. Rapidamente somos informados de que existem 8 Sabbats que devem ser celebrados, cada um na sua data específica e que, inclusive, as mesmas são adaptáveis para o Hemisfério Sul e o Hemisfério Norte! Contudo… nem toda a gente se identifica com a Roda do Ano. Ou até podem identificar-se com a Roda do Ano mas não gostam de todos os festivais ou até gostariam de ter mais alguns. É aqui que muitos praticantes encontram um impasse e ficam a sentir-se insatisfeitos com a sua prática e sentem-se numa encruzilhada entre o celebrar o tradicional e afastar-se totalmente do que é mandado. Mas… e se eu vos dissesse que há um meio termo? Que não precisa de ser só a Roda do Ano ou sem ela? 

A Roda do Ano é um guia de celebrações criado de propósito para a Wicca. Ela junta vários festivais, alguns até de culturas diferentes, e cria uma roda de festivais baseada na história da Deusa e do Deus Wiccano e com base em torno do ano agrícola e da fertilidade dos campos. Mas, hoje em dia, nem todos vivemos nos campos e nos identificamos com este tipo de ciclos. E nem todos prestamos culto a um Casal Divino ou até divindades cujos festivais se encaixem nestes mitos. Pessoalmente eu sou Pagã Helénica o que significa que a minha prática e as minhas celebrações são baseadas nas práticas da Grécia Antiga e não numa Roda do Ano agrícola. Contudo, desde cedo, fui ensinada a Roda do Ano e acabei por adaptar a minha prática a ela. E gosto de ainda manter algumas das práticas da Roda do Ano nas minhas celebrações. Por isso, criei a minha própria Roda do Ano que conta com as celebrações que me são mais importantes, as que são mais ligadas às minhas divindades, aquilo que me chama mais ou tem mais significado para mim, etc. 

O nosso caminho deve ser constituído pelas coisas que funcionam para nós e não apenas pelo que os livros ou autores ou membros das nossas comunidades "dizem que deve ser". Devemos ser nós a adaptar as nossas práticas ao que faz mais sentido para nós, individualmente. E isto estende-se também às práticas pessoais. Se eu não me identifico com a ideia do começo da Primavera enquanto celebração relacionada com as ovelhas e com o leite e vivo numa zona do país onde nem sequer há neve, não faz grande sentido (para mim) estar a celebrar o Imbolc. Mas, por exemplo, já dou mais importância ao Samhain que, apesar de não ser uma prática helénica, é um festival que tem bastante importância para mim, logo, opto por incluí-lo. Opto também por incluir celebrações a Hekate como o Deipnon ou o 13 de Agosto na minha Roda, dado que presto culto a esta divindade. Um devoto de Hermes, por exemplo, poderá incluir outros festivais que lhe são ligados. Mesma coisa com outras divindades e outros panteões. 

Para criar a nossa própria Roda do Ano recomendo sentarmo-nos e fazermos uma lista de todos os festivais e/ou celebrações que achamos interessantes ou pelos quais temos interesse. Façam uma lista de todos, sejam cinco, dez, vinte ou até trinta festivais. Incluam festivais locais da vossa zona ou país, feriados, aniversários, celebrações religiosas, festivais antigos, festivais da Roda Wiccana, etc. Tudo o que vos chamar a atenção ou interesse! E depois peguem num calendário e vejam em que altura calha cada um deles. Façam as adaptações que precisam, principalmente dependente dos hemisférios ou até do clima da zona onde se encontram e criem um protótipo de uma Roda do Ano vossa. E, depois, passem um ano a vivê-la e experimentar!

Sim, leram bem, experimentem durante um ano. A nossa prática não ficará definida num só dia nem numa sessão sentados em frente ao PC a pesquisar. A nossa prática está em constante movimento e mudança e isso não exclui os festivais e só experimentando e vendo como as energias fluem entre si é que vamos entender se é algo a manter a longo prazo ou não. E é isso que este exercício é: Ver o que flui, o que não flui, o que gostamos e não gostamos, o que funciona e não funciona. E depois mudar! E podemos mudar no final do ano ou a meio do ano. Se chegarem a Julho e virem que não está a dar e querem tentar outra coisa, mudem e continuem a experimentar. 

Pessoalmente fiz isto ao longo de 2020/2021: Criei a minha própria Roda do Ano, uma mistura entre festivais wiccanos, festivais helénicos, celebrações individuais e importantes para a minha prática pessoal, etc. E experimentei. E funcionou bem! Houve algumas coisas que optei por tirar porque não gostei da sensação ao longo do ano, outras que acabei por adicionar a meio do ano e outras que dei mais importância do que tinha pensando que iria dar inicialmente. Foi um processo de crescimento mas foi lindíssimo e planeio continuar em 2022 experimentando novas coisas e continuando a criar e a mexer na minha roda pessoal. 

E vocês? Vão criar a vossa própria Roda do Ano? Quais os vossos festivais favoritos? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Natalia Y)

Como sabem, sou grande defensora de, enquanto Bruxes, nos conectarmos com a Natureza, principalmente aquela que está em nosso redor. Contudo, e principalmente para quem vive em cidades, pode ser complicado entender quais os ritmos da nossa zona e como conseguir sintonizar-nos com os mesmos e sentir as suas influências na nossa vida e na nossa prática. E hoje, quero falar disso e tentar dar-vos algumas dicas para ajudar este processo. 

Conectar com a Natureza torna-se mais fácil quando vivemos junto da mesma: quando vivemos em meios rurais ou em meios nos quais temos acesso rápido a jardins ou até florestas. Mas a realidade é que muitos de nós vivemos em cidades e não temos acessos a locais com muita natureza como montanhas ou florestas. E pode tornar-se complicado estabelecer uma ligação com a natureza nestas situações mas não precisa de ser assim! A natureza está presente em todo o lado, até dentro das grandes cidades. Podemos ver a Natureza nas árvores que estão espalhadas pelas ruas, nas ervas daninhas que crescem nos passeios, nas frutas e verduras que estão à venda nos minimercados e nas praças e até olhando para o céu e vendo o tempo, o nascer e pôr do sol, a posição da Lua no céu ao longo do mês, etc. Há imensas coisas que são parte da Natureza e estão em nosso redor, ao longo do nosso dia-a-dia, mas nós não notamos. 

Responde a esta pergunta para ti mesme: Há quanto tempo não paras e olhas para as nuvens? Aposto que a resposta foi há muito tempo e a verdade é que a maioria de nós não olha para cima, nem para o céu nem para as nuvens. Isto foi algo que reparei à uns meses quando reparei que não olhava (com atenção) para as nuvens e para o céu à meses, quase anos. Simplesmente nunca me recordei de o fazer! Mas é uma atitude tão pequena mas tão importante e que tem um grande impacto na nossa conexão. O mesmo se aplica às restantes coisas que falei. O saber onde o Sol nasce e se põe na nossa cidade, o saber onde a Lua está posicionada ao longo das suas fases e ao longo do mês, o saber onde há árvores (e o tipo de árvores) e, principalmente para quem pratica Bruxaria de Cozinha, o saber qual o tipo de alimentos que estão disponíveis a cada altura do ano para consumo. Todas estas coisas são pequenas atividades que acabam por ter um impacto directo na nossa prática e, inclusive, um impacto útil: saber onde o Sol nasce e o Sol se põe ajuda a saber os pontos cardeais o que ajuda no lançamento do círculo; Saber onde está a Lua ajuda com a criação de águas lunares ou até para carregamento de objectos com energias da Lua e os alimentos da época são muito melhores para a nossa prática de Bruxaria de Cozinha (podem aprender mais sobre isto no meu curso). E, ao mesmo tempo, tudo isto permite-nos sincronizar com a Natureza em nosso redor e entender os ritmos naturais na nossa cidade ou na nossa zona.  

Como podem ver, há várias formas de nos conectarmos com a Natureza em nosso redor, até em espaços urbanos! Agora... vamos por isto em prática? :) 

Crédito de Imagem: Unsplash (Sebastian Unrau)

Um dos principais temas que surge com as pessoas que estão interessadas em começar com o trabalho devocional a Divindades é o tema dos sinais: Como reconhecer os sinais, como saber se realmente é uma divindade ou se poderá ser uma coincidência, como ter a certeza, etc. E é exactamente isso que vamos falar hoje. Antes de começar, um recurso muito bom sobre sinais com as divindades é o video da TCS sobre o tema, é um video que costumo recomendar frequentemente. 

É normal quando começamos a lidar com divindades ou entidades recebermos sinais das mesmas: Estes podem ser sinais com mensagens, sinais para prestarmos atenção a Elas, chamados para sacerdócio, avisos ou alertas para certas situações, pedidos, etc. Existem vários motivos porque podemos estar a receber sinais, ás vezes, ainda antes de começarmos activamente a lidar com entidades ou divindades. Porém, no início, é bastante complicado conseguir distinguir o que é realmente um sinal e o que é apenas... uma coincidência. Ou um acontecimento da vida normal. Conforme formos evoluindo a nossa prática e estabelecendo a nossa relação de trabalho/devoção com as divindades, iremos começar a desenvolver esta capacidade de interpretação das coisas em nosso redor e tornar-se-à mais fácil, contudo, no início pode ser complicado. 

O que podemos fazer nestas situações, em que estamos na dúvida?

O primeiro passo quando achamos que recebemos um sinal é parar e analisar. O sinal é algo que pode acontecer muito facilmente no nosso local? Por exemplo, imaginemos que o nosso vizinho tem cães e, à noite, ouvimos cães a uivar. Será um sinal? Provavelmente não. Provavelmente será apenas os cães do vizinho. Agora numa situação em que não temos cães à volta e sabemos que nenhum vizinho tem cães e ouvimos claramente uivar de cães? Aí poderá ser um sinal. 

Um dos conselhos que dou uma vez é "Se ouvires cascos, pensa em cavalos e não em zebras". Ou seja se acontecer algo pensem primeiro na resposta mundana e só depois na mágica, porque a mundana é muito mais provável de acontecer. É necessário fazer uma triagem aos possíveis sinais para entender se será algo do nosso dia-a-dia e comum ou se será algo mesmo relacionado com um sinal. Alguém que viva à beira-mar não vai achar que uma pena de gaivota é um sinal mas alguém que vive numa montanha a kms de distância do mar provavelmente vai achar! É isso que precisamos de fazer a distinção para nos ajudar a interpretar os sinais, analisar as possibilidades e quais as probabilidades de tal evento acontecer no sítio onde estamos ou nas circunstâncias em que nos encontramos. Uma ferramenta útil neste processo é a "Post Gnosis Checklist" do Jason Miller. Recomendo vivamente darem uma olhadela nessa lista, porque acredito que ajudará nesta procura! 

Mas e quando analisamos tudo e, mesmo assim, estamos na dúvida porque é uma situação muito recorrente (mais do que o normal) ou porque é improvável mas deixa dúvidas? Nesse caso, não tenham medo de conectar com a Divindade. No Paganismo, e até na Bruxaria, as Divindades não são figuras distantes no céu completamente incontactáveis. As Divindades estão ao nosso alcance para estabelecer comunicação entre nós e Elas, por isso, numa situação em que acham que receberam um sinal mas, mesmo assim, têm dúvidas se realmente será um sinal ou não, falem com a divindade (ou, caso não saibam qual a divindade, falem no sentido da divindade que poderá estar a mandar-vos mensagem) e peçam para mandar algo mais claro. Exemplo:

"[Nome da Divindade] peço que, se realmente me estás a enviar um sinal, me envies, num prazo de 3 dias, sinais na forma de [algo específico]". 

ou 

"Se alguma divindade me está a tentar contactar via sinais, peço que envie, num prazo de 3 dias, sinais na forma do [algo específico]" 

Neste último cenário, um dos sinais específicos que podem pedir é a identidade da divindade através, por exemplo, de alguém que não esteja envolvido na Bruxaria ou Paganismo e que, pouco provavelmente, vos falaria de divindades pagãs. 

Não tenham medo de pedir às Divindades para serem mais claras ou mais óbvias, as Divindades não são más nem vingativas nem irão revoltar-se ou "castigar-vos" por pedirem sinais mais claros, pelo contrário, o facto de que estarem a querer clarificar esta comunicação entre vocês e as Divindades só demonstra um interesse e cuidado da vossa parte, ao invés de acreditarem cegamente em tudo o que acontece ao vosso redor. 

Por fim, não tenham medo se não conseguirem interpretar sinais. Há sinais que vão acontecer e vocês não vão notar e meses depois vão-se aperceber que era um sinal e que podiam ter visto mais cedo e isso é OK. É normal nem todos os sinais serem notados ou entendidos e é natural não conseguir entender ou descodificar certos sinais. Tal como é normal exactamente o oposto e não ter qualquer dificuldade na comunicação com as Divindades.

Acima de tudo recordem-se que a relação entre praticante/devoto e as Divindades é uma relação pessoal e única. A forma como vocês trabalham com uma certa divindade não será a mesma como outro praticante trabalha, ainda que a Divindade possa ser a mesma. Haverá pontos em comum, claro, principalmente a nível da forma de trabalho e oferendas e correspondências mas a própria interacção pessoal com a Divindade será diferente, tal como uma amizade com alguém é diferente. Se vocês têm dois amigos que são amigos entre eles, a relação entre eles e vocês e entre eles os dois será sempre diferente porque são dinâmicas e pessoas diferentes. No caso das Divindades ocorre exactamente da mesma forma. 

Não tenham medo de explorar a dinâmica com a Divindade com a qual se identificam ou com a qual trabalham. Recomendo também a leitura do nosso texto sobre Como Começar a Devoção aos Deuses. 

E vocês? Alguns conselhos para os nossos leitores? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Sreenivas)

Na prática de rituais mágicos e de celebrações em ritual, um dos pontos importantes é a comida. Na Wicca, por exemplo, é normal os ritos terem uma parte que se chamam, em inglês, "Cakes and Ale" onde são partilhadas comidas e bebidas. Apesar de muitos acharem que esta prática de comer durante ou após um ritual é apenas para estimular e melhorar o convívio entre as pessoas num círculo, na realidade, o comer após o ritual tem um papel fundamental no restabelecimento de energias. E é disso que vamos falar hoje. 

Como sabem, e já falamos anteriormente, a comida tem um papel importante na prática mágica e isso implica ter um papel activo na forma como os nossos rituais são estruturados. O que comemos antes de um ritual e o que comemos durante um ritual poderá ter efeito no próprio ritual em si, principalmente no ponto de vista da crença pessoal de cada um. São muitas as tradições religiosas, inclusive fora do Paganismo, onde há restrições alimentares por motivos religiosos seja não comer nunca um determinado alimento, fazer jejum durante um determinado período de tempo, só comer certos alimentos num dia específico, etc. No Paganismo, e na Bruxaria, também podemos ter deste tipo de práticas. 

Existem vários praticantes que optam por fazer jejum antes de dias de rituais grandes (como Sabbats ou Esbats) ou que optam por não comer carne durante este período. Segundo os mesmos, este tipo de alimentação permite a que o corpo esteja mais "desperto" e em sintonia com a Natureza, sem o consumo de carne. Este é um tipo de alimentação pré-ritual que pode ser adaptada nos caminhos individuais de cada um. Por exemplo, com base em características e registos históricos, um reconstrucionista pode tentar que, no dia em que celebra um evento especial, a sua alimentação seja restrita a pratos ou alimentos que fossem consumidos na altura em que o rito original era celebrado. A comida é uma das formas de ajudarmos o nosso corpo a entrar no mindset pretendido para o ritual, tal como o incenso ou a decoração do local, também a comida é uma ferramenta muito útil para nos colocar no momento certo e para recordar o nosso corpo que este é um momento especial que vai ser assinalado. 

Também durante ou após o ritual podem ser consumidas diversas comidas. É principalmente comum fazer-se isto quando são celebrações em grupo, dado que o momento de todos estarem a partilhar comida (idealmente, que todos tenham trazido um pouco) é uma altura excelente para conviver, conhecer-se mutuamente e ficar a saber um pouco mais ou por as conversas em dia dos praticantes presentes. Contudo é também o momento ideal para restabelecer energias. Um ritual, seja apenas devocional ou mágico, é algo que vai ser cansativo e vai tirar de nós energias (energias para trabalho mágico ou apenas energia pelo esforço de fazer a celebração) e nada melhor para repor as energias do que... comida! Esta é a altura ideal durante um rito para repor todas as energias que usamos ao longo do ritual e da prática mágica, claro, pode ser incorporado dentro do próprio rito como um momento de convivio para os membros ou, no caso de prática solitária, um momento de partilha de alimento e oferendas com as Divindades, em que estamos em repouso e a partilhar tranquilidade com os Deuses ou Entidades com as quais estamos a reunir naquele ritual. 

E vocês? Costumam ter práticas referentes à alimentação durante rituais? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Lee Myungseong)

No artigo de hoje vamos falar de um tema que considero ser sempre importante, principalmente para quem está a começar. Já falamos disto de certa forma anteriormente nos textos de "Auto-Proclamados Mestres" no Paganismo e Bruxaria ou Os Cuidados nas Comunidades Pagãs contudo não posso deixar de sentir que é essencial falarmos destes temas, principalmente enquanto estas situações acontecerem nas nossas comunidades e à nossa volta. Não podemos enfiar a cabeça na areia e fingir que dentro do Paganismo e da Bruxaria toda a gente é "do bem" e que não há riscos porque, como em tudo na vida, há sempre riscos. E acho que é importante darmos espaço para estes tópicos serem falados e conhecidos, pois só assim poderemos prevenir que estas situações ocorram. 

É normal quando começamos a trilhar o caminho no Paganismo ou na Bruxaria de sentirmos a necessidade de nos encaixar num grupo que nos compreenda, com o qual possamos aprender e ser ensinados, possamos celebrar festivais, fazer rituais e feitiços e desenvolver a nossa prática. O ser humano é um ser dado á socialização e, como tal, é 100% normal querer estar em grupos dentro das nossas práticas religiosas. Contudo encontrar o grupo certo pode ser uma tarefa complicada, principalmente em comunidades como as do Paganismo em Portugal, em que temos de saber onde procurar. 

Por isso quis fazer este artigo onde vamos falar de alguns sinais que vos DEVEM deixar desconfiados quando estão a conhecer novos grupos: 

  • Oferecem automaticamente iniciação: A realidade é que a maioria dos grupos dentro do Paganismo e da Bruxaria não estão ativamente a procurar expansão dos seus membros. Não somos proselitista nem queremos andar a converter pessoas, como tal, raramente os grupos estarão ativamente a procurar novas pessoas e, muito menos, a oferecer iniciação assim que conhecem alguém! A maioria dos grupos, seja dentro de práticas modernas ou tradicionais, poderá ter círculos externos ou eventos para conhecer novas pessoas mas nunca andará a tentar recrutar nem oferecer imediatamente iniciações e promessas.

  • Dizem que somos "especiais" ou que temos "poderes únicos": Este pode ser um dos argumentos, juntamente com o ponto acima da iniciação, para tentar convencer alguém a entrar para um grupo. Repito: Nenhum grupo de respeito tentará convencer pessoas a juntar-se a eles! E isto aplica-se também a fazer elogios deste género.  Apelar às nossas sensibilidades ou receios, através de nos elogiar ou fazer sentir especial, acaba por nos fazer baixar a guarda e querer confiar naquela pessoa, quando ela não tem intenções positivas. 

  • Recusam conhecer-se em locais abertos: Recusam encontrar-se pessoalmente em locais públicos como cafés, esplanadas, jardins, etc. Fazem questão de se encontrar em locais pouco movimentados ou até convidar as pessoas para ir diretamente a casa deles ou a um local que lhes pertença. Isto pode parecer uma informação muito óbvia para quem está habituado a estar na internet mas, infelizmente, ainda acontece nas nossas comunidades. Não se encontrem com pessoas que não conhecem pessoalmente, pela primeira vez, em locais privados. Façam-no sempre em locais públicos, com pessoas em vosso redor, informem os vossos amigos ou familiares onde vão estar e, se possível, vão acompanhados! Se a pessoa não aceitar bem… É um sinal que esse não é o sítio para vocês. 

  • Falam muito mal de outras comunidades ou dizem ter "inimigos": Todos sabemos que nem toda a gente se dá bem uns com os outros e é normal haver desentendimentos dentro de comunidades ou grupos que gostamos mais do que de outros. Contudo é um sinal de alerta de as pessoas que estamos a conhecer passam mais tempo a criticar o trabalho dos outros ou a falar mal de alguém do que a focar-se no seu próprio caminho. É ainda mais grave se insistem em "ter inimigos" e que é preciso esforços ativos para se protegerem deles. Isto é meio caminho andado para começarem a fazer pedidos estranhos (dinheiro, favores, etc) sobre o pretexto de se precisarem de "proteger" deste inimigos. É também uma forma de tentar afastar as pessoas da comunidade e, como tal, de isolá-las. 

  • A conversa rapidamente desvia para questões de dinheiro: A questão de dinheiro é uma questão sensível de se abordar dentro dos grupos porque há grupos que realmente cobram pelos ensinamentos ou pelos materiais e isso é válido. Contudo há que saber onde está a linha entre pagamentos válidos e pagamentos indevidos: Uma coisa é contribuir para comprar livros ou alugar um espaço para fazer rituais ou comprar materiais para fazer o ritual ou comida para partilhar. Outra coisa é encher os bolsos dos lideres para que possam comprar um carro novo ou uma casa nova, sem qualquer tipo de justificação ou uso público do dinheiro. Se as pessoas que estamos a começar a conhecer estiverem sempre a falar de falta de dinheiro ou problemas de dinheiro e constantemente a focar nesse aspecto, este é um sinal de alerta. E o mesmos se aplica se for o oposto: Se a pessoa estiver sempre a tentar mostrar o quanto dinheiro tem e como tem mais coisas ou mais posses ou mais instrumentos/baralhos/etc do que os outros. 

Infelizmente estes são pontos aos quais devemos prestar atenção na nossa busca por um grupo ou um coven ao qual pertencer e são sinais de alerta que nos podem ajudar a distinguir o que será uma experiência mais valiosa e o que poderá acabar por vir a ser um desastre. Como alguém que já teve de passar por um desastre desses, gosto de falar abertamente deste assunto e puder ajudar os nossos leitores a evitar estas situações e a dar-vos as ferramentas necessárias para que possam encontrar (ou até criar!) o vosso grupo ideal de forma segura e fácil! 

E vocês? Algumas dicas para os nossos leitores? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Levi Guzman)

Unsplash (Halanna Halila)

Uma das principais dificuldades de quem está a começar a estudar Paganismo e Bruxaria é a clarificação dos conceitos, dado que estes são muito confundidos na maioria dos sites e livros. Este artigo pretende esclarecer alguns conceitos principais do começo do seu estudo. Claro que, como creio ser óbvio, estas definições não são as "certas" nem as "erradas". São uma das várias definições que podem ser dadas e o seu objectivo é ajudar a clarificar quem está a começar a estudar.

Os três conceitos que vamos abordar este artigo são: Paganismo, Bruxaria e Wicca. Este artigo é uma nova actualização a um artigo antigo que tinhamos que já falava destes três pontos mas aqui serão abordados de forma mais desenvolvida e mais clara! 

  • Wicca
A Wicca é uma religião ou caminho espiritual que surgiu por volta da década de 1950 na Inglaterra, pelas mãos de Gerald Gardner. Se a mesma foi criada ou trazida a público pelo Gardner é uma questão que ainda é debatida nas comunidades pagãs, pelo que não iremos pronunciar-nos sobre isso.

A Wicca é um culto duoteísta que se concentra em duas divindades: A Deusa e o Deus. Estas duas divindades possuem diversas faces, podendo ser encaradas como Deusa e Deus ou como um outro Casal Sagrado, presente numa mitologia à escolha do praticante. Na Wicca são celebrados os 8 festivais da Roda do Ano (Samhain, Yule, Imbolc, Ostara, Beltane, Litha, Lughnassadh e Mabon) que são as celebrações da Natureza e a passagem das estações, associadas ao Mito da Roda do Ano, que poderá ser visto na secção das Celebrações. Para além destas festividades, na Wicca ainda se celebra os Esbats que são celebrações de Lua, sendo que são realizados rituais ou celebrações relacionados com cada fase da Lua em questão.

A Wicca é dividida em duas principais ramificações: Wicca Tradicional e Wicca Moderna. A Wicca Tradicional é a vertente mais antiga, baseada nos trabalhos de Gerald Gardner e de Alex Sanders sendo que é bastante rígida e conta com a presença das Leis Wiccans, obrigatoriedade de ritos 'skyclad', entre outros aspectos. A Wicca Moderna, como o próprio nome indica já conta com um método mais aberto, dado que é a junção de todos os novos caminhos que surgiram e ainda surgem dentro da Wicca e que contam com uma maior liberdade de trabalho e com a presença, em vários casos, da "auto-iniciação", conceito introduzido por Raymond Buckland. Na Wicca existe, como em todos os lados, diversas controvérsias. A principal é relacionada com a Iniciação. A Wicca é, tradicionalmente, um caminho iniciático e sacerdotal (isto significa que é um caminho no qual a Iniciação é obrigatória e todo o iniciado é Sacerdote). A controvérsia em torno deste assunto trata-se que a vertente tradicionalista acredita e defende que a Iniciação deverá ser feito dentro de um coven estabelecido e com todas as regras que isso incluí, enquanto grande parte da vertente Moderna defende o conceito de "auto-iniciação". 

Por fim é importante realçar a forte ligação existente na Wicca pelo culto à Natureza e pela fertilidade, algo que está sempre presente na prática Wiccana tal como, é necessário, realçar a utilização da Magia e da Bruxaria enquanto ofício, por parte de grande parte dos Wiccans.

  • Bruxaria
"A Bruxaria é um ofício que utiliza a magia para obter fins específicos" - Esta é uma adaptação da frase que estava no site Bruxaria.net (um dos primeiros sites voltados para a Bruxaria e Paganismo em Português!) que acho que resume de forma sucinta o que é a Bruxaria. A Bruxaria é uma forma de trabalhar com a magia. A Bruxaria não é uma religião e pode ser praticada por pessoas de qualquer caminho espiritual/religioso ou, até, de quem não segue nenhuma religião ou espiritualidade em específico. Existem imensas formas de praticar Bruxaria tal como Bruxaria de Cozinha, Bruxaria Natural, Bruxaria Tradicional, entre outras. É um grande espectro de práticas que podem ser adaptadas e praticadas por quem pretender. Não existem regras nem leis gerais associadas à Bruxaria sendo que não há uma unificação deste ofício. O mesmo é praticado por pessoas de todos os caminhos, idades, géneros, etnias, etc. 

  • Paganismo
O Paganismo é um termo umbrella que engloba diversos caminhos espirituais/religiosos que têm entre si algumas parencenças: Imaginem ma árvore bem grande e forte, com um tronco bastante largo. Esse tronco largo, é o Paganismo. O Paganismo é o tronco de uma árvore e os caminhos dentro do Paganismo são os ramos. São vários os caminhos que se podem incluir dentro do Paganismo tal como a Wicca, Neo-Druidismo, Neo-Xamanismo, Reconstrucionismo Celta, Reconstrucionismo Egípcio, Recontrucionismo Romano, Recontrucionismo Helénico, Reconstrucionismo Nórdico (Asatru, Odinismo, etc.) e muitos outros caminhos diferentes. Todos estes caminhos partilham alguns pontos-chave em comum tal como a ligação e o respeito pela Terra e a Natureza e a tentativa de reconstrução ou adaptação de práticas pagãs pré-cristãs. O Paganismo é um termo bastante díficil de definir porque há várias formas de o definir. Recomendo a leitura do texto "The Big Tent of Paganism" do John Beckett que faz uma reflexão muito interessante sobre a definição e sobre o que é o Paganismo. 


***

Estas são apenas definições simplificadas acerca destes caminhos: Não servem como informação completa para iniciar uma prática. Recomendamos a leitura de mais artigos relacionados com o tema (temos uma secção para Iniciantes aqui no site) e uma vista de olhos pela nossa secção de Recursos que conta com imensas recomendações de livros, websites, canais de Youtube, entre outros. 

E vocês? Praticam algum destes caminhos?

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Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0