Os símbolos são sinais que as culturas adotam para diversas representações, entre elas várias crenças religiosas bastante abordadas entre os neopagãos, como também entre vários cristãos. Fazem parte de tudo que é representativo e abordado religiosamente. Ao longo da matéria, haverá a explicação de signos e costumes usados e praticados por vários povos dentre várias culturas. Neste artigo, falarei sobre o Pentagrama e suas várias representações conforme o tempo, as circunstâncias e as crenças. Você vai ver as evoluções que o pentagrama começou a tomar, passando de um símbolo cristão de máxima veneração para a atual representação cristã demonizadora e neopagã de equilíbrio.
Pentagrama – Representações culturais
Não se sabe a origem do pentagrama, mas pode-se conhecer uma de suas mais antigas representações.
Os hebreus consideravam o pentagrama como o símbolo da Verdade, representando o Pentateuco (os cinco livros atribuídos a Moisés no Antigo Testamento). Na Grécia Antiga, tal símbolo ganhou o nome de Pentalpha, tendo como vista cinco letras A entrelaçadas.
O pentagrama também aparece na cultura chinesa, em que os cinco elementos (fogo, terra, metal, água e madeira) se envolvem em um sistema de criação e inibição entre si, formando um circulo e uma estrela em sua sistematização.
Pitágoras acabou por explorar o pentagrama em seus cálculos, levando-o como símbolo de perfeição matemática. Sua escola tinha tal símbolo e seus seguidores o usavam para se identificarem.
Os primeiros cristãos usavam o pentagrama como representação das cinco chagas de Cristo (mãos e pés encravados e a coroa de espinhos), e nos tempos medievais ainda era usado como amuleto contra os demônios.
Os próprios Templários, vistos como monges da Igreja, utilizavam o Pentagrama em muitos vitrais de seus templos. Mas conforme foram ganhando dinheiro, prestígio e solidariedade com seus irmãos de Ordem, a Igreja começava a se voltar contra seus próprios servidores. Houve então a Inquisição, junto à Era das Trevas, quando a Igreja mergulhou em seu próprio diabolismo. Os Templários foram torturados e mortos, e o pentagrama agora foi distorcido e transformado em símbolo de perversão e maldade pela Igreja, simbolizando a cabeça de um bode, ou diabo, a mesma do Baphomet, pelo qual a Igreja havia acusado a Ordem dos Cavaleiros Templários de adorar. Assim, o pentagrama se transformou em símbolo representativo do mal, e a perseguição da Igreja às antigas religiões acabou forçando-as a se esconderem nas sombras, na clandestinidade.
Já no final da Era das Trevas, a paz estava renascendo. As sociedades já secretas agora saem das sombras, retomando seus estudos sem medo da pressão adquirida da Igreja. Numa era de desenvolvimento, em que surgem o hermetismo, e a ciência que mistura misticismo, o Pentagrama agora gera uma nova representação: O Microcosmo. O símbolo do homem em um círculo, com braços e pernas abertos, representando O Homem individual.
Há também a representação do Macrocosmo, em que se ganha a mesma figura, porém há os cinco planetas, um em cada membro, e a Lua em sua genitália. Após isso, o pentagrama ganha um novo conceito: Os cinco elementos. Agora ele também representa Água, Fogo, Terra, Ar e Espírito (Espírito como a quinta essência, implantada pelos alquimistas e gnósticos).
Na Maçonaria, o pentagrama era visto como o Laço Infinito (por ser traçado com uma mesma linha), representando a virtude e o dever, e era endereçado ao trono do Mestre da Loja, já que também tinha a ligação ao homem macrocósmico.
Eliphas Levi usou o Pentagrama para fazer uma ilustração do Bem e do Mal, colocando o Pentagrama Macrocósmico ao lado do Pentagrama Invertido.
Em 1940, Gerard Gardner implantou o Pentagrama na religião Wicca, colocando-o para representar os três aspectos da Deusa (Lua, Mãe e Tripla ou Donzela, Mãe e Anciã) e os dois aspectos do Deus (O Cornífero e o Da Colheita, ou Rei do Carvalho e do Azevinho), devolvendo ao símbolo a força como talismã. Tal adoção do símbolo gerou uma reação à Igreja que chegou ao auge quando Anton LaVey adota o Pentagrama Invertido para representar sua Igreja de Satanás. A Igreja Católica, então, começa a considerar o Pentagrama (invertido ou não) como símbolo do diabo. Assim, os wiccanos, para se protegerem dos extremistas religiosos, se opuseram ao uso do pentagrama.
Hoje sabemos muitas representações que o Pentagrama pode ter, e também sabemos que ele é adorado por muitos, utilizado por muitos, e sagrado para muitos. Sua simbologia pode ir muito além.
Sabemos hoje que ele retoma sua simbologia de proteção e equilíbrio para muitos, e para outros ele ressurge como microcosmo e macrocosmo. Independente de suas representações, o Pentagrama adquiriu muitas, pode ser usado em várias simbologias, e isso é um fato.
Artigo escrito por Felipe Ferreira



