quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O Tarot: Arcanos Maiores - V - O Hierofante

agosto 23, 2018 0 Comentários
V - O Hierofante

Nome do Arcano: O Hierofante (ou o Papa)
Número: V
Descrição: No baralho de Rider-Waite o Hierofante é representado por uma figura religiosa sentada dentro de um ambiente de igreja. Está vestido com roupas formais e com uma coroa de três níveis. A sua mão direita está levanta e o seu ceptro, na outra mão, tem uma cruz com três traços. Á sua frente dois iniciados estão ajoelhados, sendo que aos seus pés estão duas chaves cruzadas. *
Símbologia: O Hierofante representa uma figura religiosa, um Sacerdote que se baseia na tradição e religião. A sua coroa e o seu ceptro, caracterizadas por terem três níveis/traços, representam o poder deste Arcano pelo três mundos (Céu, Terra e Submundo) sendo que a sua mão direita, elevada em gesto de bênçãos, representa o poder do mesmo pela sociedade (como as religiões organizadas do Mundo). Neste aspecto estabelecemos aqui um paralelo com o Mago que tira poder do Universo para que se materilize no nosso plano, constratando com o Hierofante que demonstra o poder sobre a sociedade. As chaves, aos pés do sacerdote, representam o equilíbrio entre as mentes (consciente e subsconciente) e o conseguir abrir os mistérios com as chaves. Os iniciantes, ajoelhados a seus pés, representam a entrada e iniciação em instituições onde existem uma identidade de grupo definida (igrejas, clubes, equipas, sociedades, etc).

Significado:

  • Posição Normal
O Hierofante representa a convencionalidade, a tradição, os costumes. A carta sugere a necessidade de adaptar à estrutura social e tradições já estabelecidas e de não ir contra "a maré", contra o status quo. Será necessaria uma adaptação ao já existente e, talvez, até o envolvimento em rituais ou cerimónias (religiosas ou não, poderá estar ligado a escolas, clubes, etc.). Esta carta representa as instituições e as suas regras e valores, representando a necessidade de aderir às mesmas. Simboliza também a educação e a busca pelo conhecimento, indicando um período de aprendizagem, focando que as mesmas acontecerão através de um método formal de aprendizagem (escolas, cursos, etc.). O Hierofante realça a necessidade de dar valor à tradição e à honra na vida pessoal, sugerindo um tempo para dedicar às tradições familiares e herança familiar, e, talvez, inclusive um tempo dedicado à religião e à herança religiosa associadda ao nosso caminho. Nesta carta está presente tudo o que for sagrado e justo (casamentos, alianças, serviço, etc.).

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida o Hierofante representa a necessidade de ir contra a tradição e contra a maré. A necessidade de revoltar contra o status quo e contra as tradições e regras implementadas pela sociedade e/ou grupos aos quais pertencem. Pode também representar alguém numa posição de poder, como líder religioso, figura paternal ou um patrão, contra o qual queremos ir contra e não concordamos com o seu método de trabalho. O Hierofante invertido é sobre o questionar da tradição e questionar a nós mesmos se estamos a tomar a decisão certa. Pode também representar pressão social ou de grupo, que estamos a sofrer no momento. A nível individual esta carta representa a necessidade de ir contra o que está estabelecido, de ser rebelde e desafiar as ideias estabelecidas e conceitos que anteriormente pensavámos estarem escritos na pedra. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Análise Literária: "High Priestess" de Patricia Crowther

agosto 02, 2018 0 Comentários
Título: High Priestess: The Life & Times of Patricia Crowther
Autor(es): Patricia Crowther
Pontuação
Descrição: O livro "High Priestess" é um relato fascinante da vida de uma bruxa como uma Alta Sacerdotisa da Grande Deusa. Patricia Crowther confirma o sistema de Grays da Arte através de provas do seu uso em tempos antigos e dá provas fascinantes no que refere ao grande enigma de como Alex Sanders obteve o Livro das Sombras, que mais tarde foi incorporado na sua própria tradição de Bruxaria. Uma das partes mais interessantes do livro é as suas memórias de amizades com ocultistas e bruxas como William Gray, R. J. Stewart, Ray Bone, Ruth Wynn-Owen, e, claro, Gerald Gardner.
Onde ComprarAmazon
Crítica: Apesar de não estar muito familiarizada com o trabalho de Patricia Crowther assim que vi este livro no BookDepository (que, infelizmente, já não o está a comercializar) senti-me atraída e optei por comprar uma cópia. E não me arrependo. Este livro leva-nos a fazer uma viagem pelas memórias de Patricia Crowther, contadas pela própria, e leva-nos a uma época em que as comunidades pagãs e da Bruxaria eram mais simples e mais pequenas. Uma época diferente em que era tudo um pouco mais familiar e em que, apesar de sem internet, as pessoas conheciam-se e falavam e aprendiam. Adorei a forma como a autora conta as histórias e nos leva a esses momentos. Patricia Crowther explica diversas coisas e algo que me realçou acima de tudo foi a forma como ela retratou Gerald Gardner, que foi de uma forma muito diferente da que tenho visto até hoje (como, por exemplo, na biografia de Doreen Valiente). A autora fala também do seu contacto com Doreen Valiente e com outros Bruxos e Ocultistas da época, explicando como am eras relações e como se estabelecia o contacto (acima de tudo, via carta). Há imensos eventos pessoais da autora que me saltaram à atenção desde os rituais nas colinas durante a noite, às escondidas de todos, até aos sinais de Arnold Crowther e da sua mãe após a morte de ambos. Patricia Crowther é muito sincera no seu livro e ficamos com empatia pela mesma, é quase como se estivessemos sentados na sua sala a ouvi-la contar a sua vida.
Ao ler uma biografia de uma personagem tão importante para a Wicca como Patricia Crowther e cujo foco principal da biografia é os tempos do começo da Wicca e do surgimento do Paganismo no olho público temos toda uma percepção diferente de como as coisas ocorreram e permitem-nos ter uma visão mais clara e mais entendida de como as coisas eram naquele tempo. Uma das coisas que este livro me fez recordar foi uma passagem que li recentemente que na altura era mais díficil haver grandes dramas dentro das comunidades porque a maioria da comunicação era feita por carta. E o tempo de escrever a carta, ir aos correios, enviar e aguardar resposta era o suficiente para acalmar os nervos e acalmar as discussões, ao invés de actualmente, com a Internet que tudo explode no momento. Acredito que na altura as coisas até funcionassem de forma mais tranquila, quem sabe. Não me cabe a mim opinar, porém, este livro recordou-me muito isso pois a autora mostra-nos várias cartas que trocou e leva-nos a conhecer diversas vezes que tiveram impacto na sua vida, principalmente a nível da Arte.
É um livro que recomendo imenso a todos interessados na história da Wicca ou da Bruxaria Moderna, pois permite ver as coisas de um ponto de vista de quem lá esteve e, como tal, permite-nos ver as coisas com outros olhos e de forma mais pessoal.