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Sob o Luar


Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

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Nome: Hera (Ἡρη)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Hera é a mais velha das filhas de Kronos e Rhea e, à semelhança dos seus irmãos, foi engolida pelo pai até ser libertada pelo seu irmão Zeus. São várias as zonas da Grécia que dizem ser o berço de Hera, entre elas Argos e Samos. Sabe-se pouco da sua infância até ao casamento, contudo, a história da corte de Zeus a Hera é famosa, sendo que autores romanos atribuíam o símbolo do cuco à deusa, pois Zeus ter-se-ia tornado num cuco para a conquistar. O seu casamento com Zeus é um dos poucos casamentos oficiais na mitologia Grega e, por isso, Hera é a Deusa dos Casamentos e das Uniões. Em Homero, Hera é caracterizada como sendo ciumenta e obstinada, fazendo até Zeus tremer. Na Guerra de Troia, a mesma opõe-se aos troianos e apoia os gregos, e está presente em vários mitos e nas histórias de vários heróis como o Julgamento de Paris, a Viagem de Jasão, etc. É frequentemente representada como uma mulher madura, em posição de poder, com uma expressão que comanda a  reverência. Na sua cabeça costuma ter uma coroa, representando o seu estatuto como Rainha dos Deuses. 

Celebrações: A nível do culto de Hera temos vários registos do seu culto, do qual destacamos os Jogos de Heraea, celebrados a cada cinco anos em Olimpia, em honra à Deusa Hera. Adicionalmente, a Deusa era cultuada em várias cidades espalhadas pelo território grego, com destaque para Argos, a cidade de Hera.  

Geneologia: Filha de Kronos e Rhea e mãe de Ares, Hebe, Eileithyia, Hefesto e as Charites (Graças). 

Epítetos: Agreie ("de Argos"), Gamelia ("a do Casamento"), Zugia ("A que Une"), entre outros.

Símbolos: O cuco, a vaca, o cetro real, a coroa, leões, entre outros. 

Leitura Recomendada: 
  • Theoi - Hera
  • Helenos.br - Hera
  • Helenos.br - Hinos a Hera
  • Vídeo "In Defense of Hera" de Fel the Blithe

Hoje falaremos de uma das principais conceções erradas no que diz respeito à Deusa Hekate: a sua consideração como uma Deusa Tripla, no sentido de "Donzela/Mãe/Anciã", o chamado "MMC (Maiden, Mother, Crone"). É este conceito que pretendo desconstruir com este artigo.

Contrariamente à ideia popular, Hekate é uma Deusa tradicionalmente representada como sendo Deusa Virgem (à semelhança de Artemis). Vemos essa representação, por exemplo, na citação dos Oráculos Caldeus (para mais informação sobre Hekate nos Oráculos Caldeus, recomendo este episódio do Podcast da Caverna de Hekate):

“I come, a virgin of varied forms, wandering through the heavens, bull-faced, three-headed, ruthless, with golden arrows; chaste Phoebe bringing light to mortals, Eileithyia; bearing the three synthemata (sacred signs) of a triple nature. In the Aether I appear in fiery forms and in the air I sit in a silver chariot.” - Oráculos Caldeus

Também todas as representações que temos de Hekate, em estátuas ou pinturas, representam-na como uma jovem rapariga ou, quando com cabeça de animais, com o corpo de uma jovem rapariga. Em nenhum momento a Deusa Hekate é caracterizada como sendo uma "velha anciã".

A ideia de Hécate enquanto uma figura Anciã surge, curiosamente, pela mão de Aleister Crowley, já no início do séc. XX em vários dos seus livros e documentos. Como a Sorita d'Este cita no seu artigo Hekate's Profanation (que eu recomendo vivamente e considero leitura obrigatória para qualquer interessado na Deusa Hekate):

"Hekate is the crone, the woman past all hope of motherhood, her soul black with envy and hatred of happier mortals." - Aleister Crowley, no seu livro "Moonchild".

Esta representação de Hekate enquanto uma velha anciã, aliada ao conceito cada vez mais crescente, à época, de uma Deusa de três Fases (Donzela, Mãe e Anciã - para mais informação sobre o conceito de MMC, recomendo o meu artigo "A História da Deusa Tríplice"), levou a que Hekate ficasse, incorretamente, atribuída ao conceito de Anciã. Hekate, historicamente e mitologicamente, nunca foi uma Anciã, mas sim uma jovem rapariga (ou, se preferirem, uma "Donzela"). Contudo, o papel de Hekate como Donzela não é enquanto a Donzela famosa das tradições Wiccanas, mas apenas uma representação do facto de a Deusa ser representada como uma jovem menina ou mulher nas suas representações clássicas, à semelhança de outras divindades como Artemis ou Héstia. 

Apesar disto, Hekate é uma Deusa Tripla, ou seja, é representada como tendo três corpos/cabeças. Esta representação pode ocorrer como sendo três corpos humanos, como um corpo com três cabeças humanas ou como um corpo com três cabeças de animais (normalmente bois, cães, cobras, cavalos, etc.). Hekate não representa três Deusas diferentes ou três aspectos diferentes, como a Deusa Tríplice Wiccana, mas sim apenas a sua divindade, que é representada num corpo triplo. 

Para mais informações acerca da Deusa Hekate recomendo o meu artigo "Deusas e Deuses: Hekate" e também a visitarem o Covenant of Hekate. 

Hoje vamos voltar a falar sobre Divindades e, mais especificamente, como começar a trabalhar com elas. Sim, já temos um artigo parecido aqui no blogue, intitulado "Como começar devoção aos Deuses?" mas, como podem ver, eu escolhi terminologias diferentes: Trabalho vs Devoção. 

Enquanto a devoção, que foi falado no meu artigo antigo, tem um carácter mais religioso e espiritual, o trabalho é algo mais prático e mais comum dentro da Bruxaria, onde é estabelecida uma relação de trabalho com uma divindade. Ou seja, a divindade e o praticante estão numa espécie de negócio, em que há uma troca de algo a ocorrer, por norma, oferendas em troca de algo para o praticante. Este tipo de trabalho é algo mais informal e, em alguns casos, sem qualquer tipo de intimidade por parte do praticante (algo que na devoção acaba sempre por acontecer). 

O trabalho com as Divindades pode ser feito pelos mais diversos propósitos mas, por norma, é no seguimento de trabalhos mágicos no qual o praticante queira solicitar a ajuda de Deuses. Este trabalho mágico com as divindades não requer compromissos, tirando aqueles estabelecidos durante a troca ou acordo com as divindades, mas requer trabalho por parte do praticante, principalmente em garantir que aquilo que prometeu aos Deuses lhes é entregue. Um exemplo prático é um praticante que prometa a Hermes que lhe fará oferendas semanais durante um período de um ano em troca de ajuda num processo de candidatura de emprego. O praticante terá de garantir que, durante aquele ano, fará as oferendas prometidas. 

Mas, como começar este tipo de prática? Este tipo de prática não é para toda a gente, até porque, como já falamos, a Bruxaria pode ser praticada sem a presença de Deuses. Não é uma prática obrigatória e só deve ser feita por aqueles que se sentem confortáveis com isso. Por norma, neste tipo de prática, não há qualquer chamamento por parte de Divindades, porque o principal interesse nesta troca é do praticante. 

Inicialmente, é preciso garantir que não vemos os Deuses como "Deuses de Prateleira" (podem ler mais sobre o assunto, no artigo do link) e que os vemos como entidades individuais (no caso do politeísmo, mas também aplicável ao caso da Deusa/Deus da vertente duoteísta). Ou seja, não devemos começar a ir sempre a Afrodite porque queremos amor ou Hermes porque queremos ajuda com dinheiro ou Atena porque queremos ajuda com os estudos. Apesar de ser um processo de trabalho, e não de devoção, não significa que os Deuses sejam bonecos para serem explorados ou utilizados. Vejam os Deuses, neste cenário, com amigos que vocês conhecem. Vocês se tiverem um amigo que tenha dinheiro, não vão estar sempre a ir a esse amigo pedir dinheiro, não é? Porque ele vai acabar por se cansar de vocês e deixar de responder às mensagens. E os Deuses, passa-se a mesma coisa, vai acabar por haver divindades com as quais vão trabalhar mais vezes e às quais podem recorrer para pedir ajuda, mesmo que não seja totalmente do foro delas. E não há problema nisso. 

Outro passo essencial, semelhante ao que acontece no processo devocional, é a necessidade de explorar e aprender sobre a Divindade. Não podemos apenas fazer um ritual, chamar Zeus e dizer "Olá Zeus, quero isto". É óbvio, não é? Isto é a mesma coisa que ir na rua, parar um estranho e pedir 20€. Ninguém faz isso. É preciso entender a divindade, entender os seus mitos e ter alguma noção sobre quem estamos a chamar e se é a pessoa certa para o que precisamos (tal como faríamos se fossemos contratar um carpinteiro para arranjar em casa, não iríamos ao primeiro que aparece na pesquisa, mas iriamos ver qual o melhor para o que queremos). Cabe ao praticante fazer o esforço de aprender sobre a Divindade e tomar a iniciativa. 

Aqui é a parte onde difere do aspeto devocional: Enquanto no devocional iniciaríamos o processo de aproximação da divindade, oferendas e meditações, criar altares e por aí fora, no campo do trabalho mágico esse aspeto acaba por não acontecer (pode acontecer, mas não é uma necessidade). Aqui inicia-se o trabalho mágico em si, seja ele qual for. E é feito o acordo e a troca com a Divindade (seja ela qual for, também). E depois, é da parte do praticante garantir que cumpre a sua parte, mantendo o respeito pela Divindade e pelo trabalho que está a fazer. No fim, poderá despedir-se da Divindade de vez ou continuar a trabalhar com ela durante mais algum tempo. 

Espero ter ajudado a distinguir o conceito de devoção e de trabalho e conseguido orientar no processo de aprender sobre como começar a trabalhar com Divindades. O resto é tentativa e erro da parte do praticante! 

Se quiserem deixar dicas (ou questões) nos comentários, sintam-se à vontade! 

Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 


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Nome: Afrodite (Αφροδιτη)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Afrodite é uma Deusa Olímpica associada ao amor, à beleza e ao prazer. É retratada como sendo uma bela jovem mulher, por norma acompanhada pelo seu filho Eros (amor), um pequeno Deus com asas. Afrodite tem vários mitos importantes, tais como o seu papel na Guerra de Tróia e no Julgamento de Paris, em que a Deusa Afrodite, a Deusa Atena e a Deusa Hera lutam pelo título da mais bela, tentando convencer o mortal Paris a escolhê-las, subornando-o com vários prémios. Afrodite diz a Paris que, se a escolher, que lhe dará a mulher mais bonita do Mundo em casamento (neste caso seria a Helena, esposa do Rei de Esparta, Menelaus). Paris aceita e assim se inicia a Guerra de Tróia. Outro mito famoso associado a Afrodite é o seu casamento com o Deus Hephaestus, com a sua mão tendo sido dada pelo Rei Zeus, como recompensa por Hephaestus ter libertado Hera de uma cadeira mecânica que a tinha presa no Olimpo. Contudo, Afrodite era apaixonada pelo Deus Ares, e em várias instâncias traiu Hephaestus com o Deus da Guerra. Hephaestus então, como consequência, criou uma rede de ouro para os prender enquanto estavam na cama e trouxe todos os Deuses para se rirem de Afrodite e de Ares, sendo que o seu casamento é dito como tendo terminado após isto e Afrodite é muito associada a Ares, partilhando inclusive filhos com o mesmo. 

Celebrações: O culto da Deusa Afrodite encontra-se espalhado por toda a Grécia, com vários templos e altares espalhados por todo o território grego, com um foco principal na cidade de Korinthos e a ilha de Kythera. Também em Cyprus (Chipre) existe um culto de Mistérios associado a Afrodite. Para além destes locais, temos também um grande festival dedicado a Afrodite por toda a Grécia (principalmente em Atenas e em Korinthos) chamado "Aphrodisia"que aconteceria durante o Verão (mês de Hekatombaion). Para além destes grandes cultos, Afrodite era também uma Deusa padroeira de prostitutas e hetairai (acompanhantes, mas não necessariamente de foro sexual), com um culto especial dedicado a esta sua faceta, principalmente em Korinthos. 

Geneologia: Afrodite nasceu da espuma do mar que se criou quando os genitais castrados de Ouranos caíram no mar, após o corte dado por Kronos. É atribuída como sendo a mãe de Harmonia, Deimos e Phobos (juntamente com Ares) e também como mãe de Eros (neste caso temos versões que atribuem que seja juntamente com Ares e outros que dizem que já nasceu grávida de Eros). Também é mãe de Hermaphroditos, por parte de Hermes. 

Epítetos: Ourania ("dos céus"), Philommeidís ("a que sorri/ri"), Potnia ("Senhora"), Cypria ("de Chipre"), Pandemos ("de todas as pessoas"), entre outros.

Símbolos: Pombas, rosas, conchas, Eros, ganso, cisnes, maçãs, entre outros. 

Leitura Recomendada: 
  • Theoi - Aphrodite
  • Helenos BR
  • HellenicGods - Aphrodite
  • Hino Homérico a Afrodite 5
  • Hino Homérico a Afrodite 6
  • Hino Homérico a Afrodite 10

Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 


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Nome: Selene (Σεληνη)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Selene é uma Deusa Titã, sendo considerada a personificação da Lua (basicamente, Selene é a própria Lua). A mesma era representada como uma mulher a conduzir um carro de cavalos pelo céu nocturno, tendo na sua cabeça uma coroa em formato de crescente ou esfera lunar e um manto brilhante. É filha de Hyperion e Theia e irmã de Eos e de Helios, o seu irmão Sol que conduz o carro solar durante o dia. Para além dos filhos abaixo que lhe são atribuídos, Selene está também associada como sendo a criadora ou a mãe do Leão da Nemeia, que vem a ter um papel importante nos mitos de Hércules. Um dos seus mais famosos mitos é o mito que a une ao seu grande amor, o Rei/Pastor (depende das versões) Endymion, pelo qual Selene se apaixona profundamente. Numa das versões mais famosas deste mito (a de Pseudo-Apollodorus), o Rei Zeus dá ao pastor Endymion a chance de escolher tornar-se imortal e viver num sono profundo numa caverna, podendo ser visitado todas as noites pela Titã Selene, o qual o mesmo aceitou, dizendo-se que dorme eternamente numa caverna na base do Monte Latmos.  

Celebrações: A nível do culto de Selene temos alguns registos como a sua presença numa cidade na Paconia (perto de Esparta) onde encontramos inscrições de culto à mesma. Também em Argolis temos um altar dedicado a Selene e, sabemos através de registos, que a mesma estava bastante associada a um culto específico para acompanhamento às mulheres grávidas e no processo do parto (daí o seu epíteto de Ilithyia), pelo que é expectável que houvesse um pequeno culto por parte de mulheres grávidas. 

Geneologia: Filha dos Titãs Hyperion e Theia e irmã de Helios (Sol) e Eos (Nascer do Sol). É mãe das deusas Pandia, Era, Menai (Meses) e, há quem a considere como mãe das Horai (Horas). A nível de mortais, é apenas mãe do poeta Mousaios (Musaeus). 

Epítetos: Aegle ("Radiante"), Pasiphae ("Toda Brilhante"), Ilithyia ("Apoiante/Ajuda - no parto"). 

Símbolos: Um disco lunar ou um crescente lunar, os cornos de um boi, um manto estrelado. 

Leitura Recomendada: 
  • Theoi - Selene
  • Hino Homérico a Selene

Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

Nota Importante: Este artigo é exclusivamente sobre o Deus Hermes enquanto divindade do Políteismo Grego, não sendo sobre a figura de Hermes Trismegistus que é frequentemente confundida com o mesmo. 

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Nome: Hermes (Ἑρμης)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Hermes é uma divindade grega, filho de Zeus e de Maia (a mais velha das irmãs ninfas Pleiades). Um dos seus mitos mais famosos é o mito do seu nascimento em que o Deus Hermes nasceu numa caverna, de sua mãe Maia, e apesar de estar enrolado em mantas no seu berço, o Deus fugiu e conseguiu chegar até Pieria, onde roubou algum do gado do Deus Apollo, escondendo-o em Pylos. Enquanto estava em Pylos, o Deus Hermes encontrou uma tartaruga na parte de fora da caverna e, trazendo para o interior, utilizou a sua carapaça para fazer a primeira lira. Quando Apollo o tentou confrontar, Hermes estava enrolado nas mantas no colo da sua mãe. Não convencido que o Deus Hermes não estivesse envolvido, Apollo solicitou a Zeus que mediasse a situação e o mesmo convenceu Hermes a devolver o gado. Contudo, quando Apollo viu a lira que Hermes tinha criado, aceitou trocar o seu gado pela lira, tornando-a um dos seus símbolos. Outros dois mitos em que existe uma presença importante do Deus Hermes são o mito de Perseu, em que Hermes auxiliou o herói na sua demanda para matar a Gorgon Medusa e o mito de Odisseu em que o Deus auxilia-o a proteger-se da magia da Deusa Circe. 

Celebrações: O culto a Hermes estava bem espalhado pela região grega na antiguidade, com destaque para o festival de Hermaea que era organizado anualmente em honra ao Deus Hermes, na zona da Arcádia. Adicionalmente, estátuas de Hermes (denominadas "Hermae") eram comuns de ser encontradas espalhadas por toda a Grécia, principalmente à entrada de cidades ou em cruzamentos para conceder proteção aos viajantes. 

Geneologia: Filho de Zeus e de Maia, são-lhe atribuídos diversos filhos como o Deus Pan e variados filhos mortais, principalmente Reis. Para ver a genealogia completa de Hermes recomendo ver AQUI. 

Epítetos: Enodios ("da estrada"), Khthonios ("da terra"), Nomios ("protetor de rebanhos"), Propylaios ("dos Portões"), Psychopompos ("Guia das Almas"), Angelos Athanatôn ("Mensageiros do Deuses"), entre outros.  

Símbolos: Um dos principais símbolos de Hermes é o famoso Caduceu (um bastão em torno do qual estão enroladas duas serpentes e cujo topo tem duas asas). É também reconhecido pelas botas ou pelo chapéu com asas ou, no seu aspecto de protetor dos viajantes, com o chapéu de viajante que é lhe é característico. Os seus animais sagrados são o bode e a lebre, estando também associado a todo o gado em geral. 

Leitura Recomendada: 
  • Theoi - Hermes
  • Helenos BR
  • Hino Homérico a Hermes (para a história do seu nascimento)

Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

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Nome: Hades ou Haides (Ἁιδης)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Hades é o quarto filho de Kronos e Rhea e, à semelhança dos seus irmãos, foi engolido pelo seu pai até ser libertado pelo seu irmão Zeus. Após a Titanomaquia, Hades juntamente com os seus irmãos Poseídon e Zeus, dividiram à sorte o céu, o mar e o submundo entre si. Poseídon ficou com como Rei dos Mares, Zeus como Rei dos Céus e Hades ficou como Rei do Submundo. Um dos principais mitos associados a Hades é o mito do Rapto de Persephone: Com a ajuda do seu irmão Zeus (pai de Persephone), Hades raptou a donzela e levou-a consigo para o Submundo sem o conhecimento da sua mãe, onde a manteve até que Deméter obrigou Zeus a devolver-lhe a filha. Contudo, a esta altura, Persephone já tinha comido sementes de romã no Submundo e estava eternamente ligada a este reino, obrigando-a a passar uma parte do tempo com a sua mãe à superfície e o resto do tempo com o seu esposo Hades no Submundo, tornando-se Rainha do Submundo. 

Celebrações: O culto de Hades era bastante escasso dado que a maioria dos gregos tinha receio sequer de pronunciar o seu nome, com medo que isso atraísse a morte para os seus lares. Haviam poucos santuários dedicados a Hades no Mundo Grego, contudo, ele era homenageado durante as cerimónias fúnebres ou em ritos necromânticos (comunhão mística/religiosa/mágica com os mortos) e desempenhava um papel nos cultos dos Mistérios. O único centro de culto significativo na Grécia dedicado a Hades era o Oráculo dos Mortos em Thesprotia. 

Geneologia: Filho de Kronos e Rhea, irmão de Zeus, Poseídon, Hestia, Demeter e Hera. Costuma ser-lhe atribuída a paternidade das Erinyes, Zagreus e Melinoe, contudo, é também aceite que Hades é um Deus infértil, dado que que o Deus dos Mortos não poderá ter filhos. 

Epítetos: Ploutôn ("da riqueza"), Theôn Khthonios ("Deus do Submundo"), Polysêmantôr ("Rei de muitos"), Nekrôn Sôtêr ("Salvador dos Mortos"), Nekrodegmôn ("O receptor dos Mortos"), entre outros. 

Símbolos: Os principais símbolos são o ceptro real (com ponta de pássaro), a cornucópia, o elmo de Hades (que lhe dava invisibilidade),o cipreste, a menta e Cerberus, o cão do submundo de três cabeças. 

Leitura Recomendada: 
  • Theoi - Hades
  • Helenos BR
  • Hino Homérico a Deméter (para o mito de Persephone)
  • Teogonia (para o mito do seu nascimento)

Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

Nota Importante: Dionysos é uma divindade bastante complexa porque não só está presente no culto tradicional helénico como também tem um papel de destaque na Tradição Órfica, então existem imensos mitos e histórias acerca desta divindade. Iremos focar-nos nos mitos e informações tradicionais de Dionysos e, para informações acerca da tradição Órfica, recomendo a leitura dos Hinos Órficos e o site HellenicGods.org.  

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Nome: Dionysos (Διονυσος) (Dionysus ou Dionísio) 

Panteão: Grego

História e Mitologia: Dionysos é filho de Zeus e da princesa Semele de Tebas. Durante a gravidez e enraivecida pelas traições de Zeus, a Deusa Hera convenceu Semele a pedir a Zeus para apresentar-se perante ela em toda a sua glória divina, sabendo que isto a mataria. Zeus, preso por juramento, obedeceu e Semele foi consumida pela luz dos seus relâmpagos. Zeus resgatou o corpo de Dionysos e costurou-o dentro da sua própria coxa, carregando-o até ao fim da gravidez e trazendo-a à vida. Após o seu nascimento, Dionysos foi entregue aos cuidados de Seilenos e das ninfas do Monte Nisa. Mais tarde, foi entregue ao cuidado da sua tia e tio (irmã de Semele), enraivecendo Hera que levou o casal à loucura. Já crescido, Dionysos viajou para o Submundo para resgatar a sua mãe, trazendo-a para o Olimpo onde Zeus a transformou na Deusa Thyone. Relacionado com um dos mitos mais famosos da Antiguidade, Dionysos casou-se com Ariadne de Creta após esta ter sido abandonada por Theseus na praia da ilha de Naxos. 

Celebrações: O culto de Dionysos estava espalhado por toda a Grécia, contudo, os seus principais pontos de culto eram na ilha de Naxos e no Monte Kithairon (Cithaeron) em Boiotia. Existiam várias celebrações locais a Dionysos e o mesmo acabava por surgir em outras festividades não exclusivas a si, contudo, as principais de realçar são a DIONYSIA em Atenas (o segundo maior festival após a  Panathenaia), a ANTHESTERIA (um festival do vinho dedicado a Dionysos) e a LÉNAIA (um festival dedicado a Dionysos enquanto Deus do Vinho e da Fertilidade). 

Geneologia: Filho de Zeus e Semele. É pai de diversos seres imortais e mortais, destacando Priapus (Deus de Fertilidade) e as Kharites (As Graças). Para a geneologia inteira de Dionysos recomendo a página do Theoi.  

Epítetos: Chrysokomes (o de cabelos louros), Vákkheios/Baccheos (O de Bachus), Votryókozmos (recheado de Uvas), Mystes (dos Mistérios), Theoinos (Deus do Vinho). Dyonysos tem imensos epítetos pelo que recomendo esta e a esta página sobre os epítetos de Dyonisos. 

Símbolos: Os principais símbolos são os cachos de uvas, um copo (kantharos) tradicionalmente utilizado para beber, uma coroa de folhas de hera e um tirso (um bastão envolto em hera e ramos de videira e encimado por uma pinha). Em termos de animais os mais associados a esta Divindade são a pantera/leopardo, tigre, touro e a serpente. 

Leitura Recomendada: 
  • Theoi - Dionysus
  • Helenos BR
  • Dionysos (Tradição Órfica)
  • Para Dionysos (Hellenion)
  • Hino Homérico a Dionysos
  • "As Bacantes" de Eurípedes

Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

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Nome: Artémis (Αρτεμις)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Artémis é filha de Leto e irmã gémea de Apollo. A sua mãe engravidou de Zeus e foi perseguida por toda a Grécia, ao longo da gravidez, pela Deusa Hera, enraivecida pelo nascimento de dois novos filhos ilegítimos de Zeus. Leto encontrou refúgio na ilha de Delos onde finalmente deu à luz os seus filhos, primeiro Artémis e depois Apollo, cujo nascimento foi apoiado pela sua irmã. Artémis é a Deusa olímpica da caça e dos animais selvagens. Está associado a tudo o que é selvagem, como florestas e habitats de animais não-domesticados. É uma Deusa também associada ao nascimento e ao parto, dado o seu papel na ajuda do nascimento do Deus Apollo. Sobre a sua proteção encontram-se todas as jovens raparigas até à idade de casamento, dado que Artemis é uma Deusa Virgem que recusa o casamento e vive em liberdade com as suas caçadoras pelas florestas da Grécia. Existem vários mitos associados a Artémis como o mito de Callisto uma das criadas de Artemis que foi seduzida por Zeus e, consequentemente, transformada num urso por Artémis, temos também o mito de Orion um gigante companheiro da Deusa que foi morto por Artémis por engano e eternamente imortalizado nas estrelas como a constelação Orion. Há ainda o mito de Actaeon que espiou a Deusa e as suas caçadoras e, como castigo, foi tornado num veado e perseguido e morto pelos seus cães. 

Celebrações: O culto de Artémis era espalhado por toda a Grécia, com inúmeros templos e altares espalhados pelas cidades e, principalmente, nas zonas mais rurais. Os principais templos de adoração a Artémis eram os de Brauron na Ática (Atenas) e de Caryae em Lakedaimonia. Alguns dos principais festivais associados a Artémis são o MOUNYKHÍA (Μουνυχία - neste festival Artémis é honrada como Deusa da Lua e a Senhora das Feras), BRABONEIA, ARTEMISIA, BRAURONIA (celebração realizada a cada 5 anos em Brauron) e ARTEMIS AGROTERA (Άρτεμις Άγροτερα - nesta celebração honrava-se o papel de Artémis como Deusa da Caça).

Geneologia: Filha de Zeus e Leto, é irmã gémea do Deus Apollo e foi a primeira a nascer, tendo auxiliado no parto do seu irmão gémeo. 

Epítetos: Dǽspina (Senhora, Rainha), Diana (nome romano para Artémis), Évdromos (A veloz), Kóri (Jovem), Lokheia (A que ajuda no parto), Nyktæróphitos (A que caminha na noite), Philomeirax (amiga dos jovens), Thiroktónos (Caçadora de Bestas Selvagens).

Símbolos: Arco e flecha, lanças de caça, tocha, lira, jarro de água. É representada como uma jovem menina vestida com uma túnica e, por vezes, acompanhada por corças ou veados. Pode também ter um manto e um capacete e, por vezes, pele de veado pelas costas. Os símbolos ou imagens de animais selvagens são lhe também atribuídos como importantes no seu culto. 

Leitura Recomendada: 

Theoi - Artemis
Hellenic Gods - Artemis
"Teogonia" de Hesiodo
"Artemis" de Sorita d'Este
Hino Homérico a Artemis (Nº 9)

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Hoje vamos falar do conceito da Deusa Tríplice e da sua História, aproveitando para eliminar algumas ideias incorretas que existe em torno desta divindade. Antes de mais, gostaria de deixar claro que não estou a invalidar o culto da Deusa Tríplice, pelo contrário, é uma Divindade de extrema importância em vários caminhos pagãos, como é o caso da Wicca, e é uma divindade com a qual tive contacto durante vários anos. Contudo acho necessário esclarecer estas informações e fornecer recursos em Português sobre este assunto. Quando falamos destas temáticas devemos sempre recordar que idade =/= validade. O facto de algo ser antigo não significa que é mais, ou menos, válido do que práticas recentes. 

A Deusa Tríplice é um conceito de divindade em que a mesma é constituída por três faces: Donzela, Mãe e Anciã. Esta divindade, ou trio de Divindades, é representativo das "fases" da vida de uma mulher começando pela face de Donzela, onde assume o papel de uma jovem rapariga antes do seu casamento; a face de Mãe, onde é assumido o papel maternal após o casamento e após ter tido filhos e, por fim, a fase de Anciã onde assume a faceta de uma velha sábia, com os seus filhos crescidos e a aproveitar o que a sabedoria dos anos de vida lhe trouxe. É normal associar também cada uma das faces a um leque de divindades politeístas tal como Artémis para a faceta de Donzela ou Cailleach como Anciã. 

Apesar de, na Antiguidade Clássica, termos alguns exemplos de divindades Triplas, como é o caso de Hekate ou das Kharites, não temos qualquer registo de uma divindade se dividir em várias fases da vida de uma mulher. Hekate, uma Deusa bastante associada a este conceito de Deusa Tríplice é, na realidade, uma Deusa associada ao que seria o conceito de "Deusa Virgem", ou seja, uma Deusa que não é casada nem tem filhos. Temos registos de várias divindades agrupadas em grupos de três, ou mais, em vários textos tal como é o caso de Hekate-Selene-Artémis ou, até, o famoso trio eleusino de Hekate-Demeter-Persephone, contudo, estes grupos não faziam uma distinção entre as "fases" das Divindades mas eram sim agrupadas pelas suas características e mitos, como é o caso do trio Hekate-Demeter-Persephone que foi agrupado no seguimento do Mito de Persephone, contando no Hino Homérico a Deméter. 

O conceito de uma divindade singular, dividida em três fases, terá surgido com o trabalho de Jane Ellen Harrison, em meados de 1800s. O seu trabalho era baseada na permissa que, antes da Era da Bronze, existiria uma sociedade matrifocal e matriarcal. Esta teoria veio a ser mais explorada por autores como Robert Graves e Marija Gimbutas, tendo sido descreditados pela comunidade científica variadas vezes. Robert Graves e Marija Gimbutas foram duas das personalidades que deram origem a um boom deste conceito dentro das comunidades pagãs e new-age sendo que, ainda hoje em dia, é defendida a teoria de uma cultura matriarcal proto-europeia, apesar de não termos registos históricos que suportem de forma adequada esta teoria. 

Apesar de o conceito de uma divindade tripla como sendo Donzela/Mãe/Anciã ter apenas tido o seu boom em 1800s/1900s, o mesmo não deixa de ser válido nem de ser uma parte importante destes caminhos religiosos, sendo que a mesma foi absorvida por vários caminhos pagãos, como é o caso da Wicca ou do Neo-Paganismo Eclético, . O próprio Jung, o pai da psicologia analítica, utilizou o arquétipo da Deusa Tripla nos seus trabalhos e análises, mostrando o impacto que a mesma teria na psique humana, após o seu desenvolvimento. E, se a mesma foi aceite e recebida de forma tão calorosa por tantos praticantes, é porque terá validade da sua existência. Como disse anteriormente idade =/= validade, contudo, é preciso ter em atenção a sua origem e a sua criação e não nos deixar cair em fálacias incorretas ou baseadas em desinformação. 

Este artigo tem como objetivo esclarecer o conceito errado de que a "Deusa Tripla é uma Deusa Antiga Europeia" que, na realidade, não o é. Isto não faz da Deusa Tríplice uma Divindade menos válida, contudo, necessitamos de conhecer a sua história e surgimento de forma a puder honrar da melhor forma. Para interessados nesta temática recomendo vivamente lerem o Triumph of the Moon de Ronald Hutton (o link está abaixo na lista das fontes utilizadas) dado que este livro tem todo um capítulo dedicado à temática da Deusa e do culto da Deusa Tripla nos últimos 200 anos. 

E vocês? Já conheciam estas informações? 

Fontes: 
"The Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Witchcraft" de Ronald Hutton
"Circle For Hekate - Volume I: History & Mythology" de Sorita d'Este
"Triple Goddess (Neopaganism)" na Wikipedia

Crédito de Imagem: Pixabay (Amber Avalona)

Um dos principais temas que surge com as pessoas que estão interessadas em começar com o trabalho devocional a Divindades é o tema dos sinais: Como reconhecer os sinais, como saber se realmente é uma divindade ou se poderá ser uma coincidência, como ter a certeza, etc. E é exactamente isso que vamos falar hoje. Antes de começar, um recurso muito bom sobre sinais com as divindades é o video da TCS sobre o tema, é um video que costumo recomendar frequentemente. 

É normal quando começamos a lidar com divindades ou entidades recebermos sinais das mesmas: Estes podem ser sinais com mensagens, sinais para prestarmos atenção a Elas, chamados para sacerdócio, avisos ou alertas para certas situações, pedidos, etc. Existem vários motivos porque podemos estar a receber sinais, ás vezes, ainda antes de começarmos activamente a lidar com entidades ou divindades. Porém, no início, é bastante complicado conseguir distinguir o que é realmente um sinal e o que é apenas... uma coincidência. Ou um acontecimento da vida normal. Conforme formos evoluindo a nossa prática e estabelecendo a nossa relação de trabalho/devoção com as divindades, iremos começar a desenvolver esta capacidade de interpretação das coisas em nosso redor e tornar-se-à mais fácil, contudo, no início pode ser complicado. 

O que podemos fazer nestas situações, em que estamos na dúvida?

O primeiro passo quando achamos que recebemos um sinal é parar e analisar. O sinal é algo que pode acontecer muito facilmente no nosso local? Por exemplo, imaginemos que o nosso vizinho tem cães e, à noite, ouvimos cães a uivar. Será um sinal? Provavelmente não. Provavelmente será apenas os cães do vizinho. Agora numa situação em que não temos cães à volta e sabemos que nenhum vizinho tem cães e ouvimos claramente uivar de cães? Aí poderá ser um sinal. 

Um dos conselhos que dou uma vez é "Se ouvires cascos, pensa em cavalos e não em zebras". Ou seja se acontecer algo pensem primeiro na resposta mundana e só depois na mágica, porque a mundana é muito mais provável de acontecer. É necessário fazer uma triagem aos possíveis sinais para entender se será algo do nosso dia-a-dia e comum ou se será algo mesmo relacionado com um sinal. Alguém que viva à beira-mar não vai achar que uma pena de gaivota é um sinal mas alguém que vive numa montanha a kms de distância do mar provavelmente vai achar! É isso que precisamos de fazer a distinção para nos ajudar a interpretar os sinais, analisar as possibilidades e quais as probabilidades de tal evento acontecer no sítio onde estamos ou nas circunstâncias em que nos encontramos. Uma ferramenta útil neste processo é a "Post Gnosis Checklist" do Jason Miller. Recomendo vivamente darem uma olhadela nessa lista, porque acredito que ajudará nesta procura! 

Mas e quando analisamos tudo e, mesmo assim, estamos na dúvida porque é uma situação muito recorrente (mais do que o normal) ou porque é improvável mas deixa dúvidas? Nesse caso, não tenham medo de conectar com a Divindade. No Paganismo, e até na Bruxaria, as Divindades não são figuras distantes no céu completamente incontactáveis. As Divindades estão ao nosso alcance para estabelecer comunicação entre nós e Elas, por isso, numa situação em que acham que receberam um sinal mas, mesmo assim, têm dúvidas se realmente será um sinal ou não, falem com a divindade (ou, caso não saibam qual a divindade, falem no sentido da divindade que poderá estar a mandar-vos mensagem) e peçam para mandar algo mais claro. Exemplo:

"[Nome da Divindade] peço que, se realmente me estás a enviar um sinal, me envies, num prazo de 3 dias, sinais na forma de [algo específico]". 

ou 

"Se alguma divindade me está a tentar contactar via sinais, peço que envie, num prazo de 3 dias, sinais na forma do [algo específico]" 

Neste último cenário, um dos sinais específicos que podem pedir é a identidade da divindade através, por exemplo, de alguém que não esteja envolvido na Bruxaria ou Paganismo e que, pouco provavelmente, vos falaria de divindades pagãs. 

Não tenham medo de pedir às Divindades para serem mais claras ou mais óbvias, as Divindades não são más nem vingativas nem irão revoltar-se ou "castigar-vos" por pedirem sinais mais claros, pelo contrário, o facto de que estarem a querer clarificar esta comunicação entre vocês e as Divindades só demonstra um interesse e cuidado da vossa parte, ao invés de acreditarem cegamente em tudo o que acontece ao vosso redor. 

Por fim, não tenham medo se não conseguirem interpretar sinais. Há sinais que vão acontecer e vocês não vão notar e meses depois vão-se aperceber que era um sinal e que podiam ter visto mais cedo e isso é OK. É normal nem todos os sinais serem notados ou entendidos e é natural não conseguir entender ou descodificar certos sinais. Tal como é normal exactamente o oposto e não ter qualquer dificuldade na comunicação com as Divindades.

Acima de tudo recordem-se que a relação entre praticante/devoto e as Divindades é uma relação pessoal e única. A forma como vocês trabalham com uma certa divindade não será a mesma como outro praticante trabalha, ainda que a Divindade possa ser a mesma. Haverá pontos em comum, claro, principalmente a nível da forma de trabalho e oferendas e correspondências mas a própria interacção pessoal com a Divindade será diferente, tal como uma amizade com alguém é diferente. Se vocês têm dois amigos que são amigos entre eles, a relação entre eles e vocês e entre eles os dois será sempre diferente porque são dinâmicas e pessoas diferentes. No caso das Divindades ocorre exactamente da mesma forma. 

Não tenham medo de explorar a dinâmica com a Divindade com a qual se identificam ou com a qual trabalham. Recomendo também a leitura do nosso texto sobre Como Começar a Devoção aos Deuses. 

E vocês? Alguns conselhos para os nossos leitores? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Sreenivas)


O tema de hoje é um assunto sobre o qual recebo muitas perguntas e contactos por parte dos nossos leitores e de pessoas da comunidade do Paganismo ou Bruxaria em geral. O trabalho ou a devoção às Divindades é algo que muita gente tem receio de começar ou, então, não sabe ao certo quais os primeiros passos a dar. E é exactamente isso que pretendo abordar no artigo de hoje. 

Começar a trabalhar ou a prestar culto devocional a uma divindade pode ser um pouco assustador para quem está a começar a praticar Bruxaria ou Paganismo, dado que passa a incluir na prática diária uma presença externa sobre a qual não temos controlo e com a qual estamos a começar a estabelecer uma relação. Por norma, não costumo recomendar que iniciantes saltem de imediato para trabalho com Divindades, não só porque este trabalho acaba por acarretar mais responsabilidades mas também porque pode ser complicado no início saber por onde começar e como começar. Incluir uma divindade na nossa prática, principalmente do ponto de vista políteista, implica todo o novo tipo de esforço e estudo acerca da divindade, da sua mitologia, da sua história, da cultura de onde é originária, das correspondências, das práticas, dos epítetos, entre outros pontos que são chave para uma prática estável e equilibrada com esta Divindade. Daí, pessoalmente, não recomendar que "mergulhem de cabeça" logo neste tipo de caminhos mas começar por adquirir algumas bases como saber o que é o Paganismo e distinguir Conceitos, ler alguns livros sobre Paganismo e Bruxaria e obter bases sobre as quais começar a desenvolver esta prática devocional. 

Contudo, para quem sente que já está no momento em que se sente pronto para iniciar esta nova jornada na sua prática individual, aqui estão algumas dicas sobre como começar o trabalho com Divindades: 
  • O primeiro passo para um trabalho devocional é... ler! Ler sobre a Divindade: os seus mitos, correspondências, ler sobre a cultura de onde essa divindade veio, ler as práticas e as formas devocionais que eram feitas em honra da divindade na Antiguidade, etc. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o estarmos a dedicar o nosso tempo aquela divindade, através de leituras e investigações, já é um acto devocional porque estamos a dar àquela divindade parte do nosso tempo e não há nada mais precioso do que o nosso tempo! 

  • Para além de ler bastante e investigar mais sobre a divindade (ou divindades) com as quais pretendem começar o trabalho devocional, podem também começar a estabelecer contacto aos poucos através de meditações, oferendas simples (velas, água ou liquidos, incenso, etc). Não estranhem se ao início não sentirem nada ou estiverem confusos, pode demorar. 

  • Não tentem apressar! Vejam uma relação com uma Divindade tal como vêem relações com pessoas no vosso dia-a-dia. Não chegam ao pé de um estranho, oferecem uma prenda uma vez e esperam que ele seja o vosso melhor amigo, pois não? Com as Divindades é igual. As relações demoram tempo e trabalho a serem desenvolvidas, é preciso trabalho constante, devoção e dedicação para que esta relação possa florescer e tornar-se numa relação estável e duradoura. 

  • Não assumam que tudo é sinais. É normal no início da nossa prática devocional achar que tudo o que vemos é um sinal da divindade que estamos a tentar contactar. Contudo, nem tudo é sinais. Aliás o mais provável é não ser. Se receberem algo que achem que pode ser um sinal sigam primeiro o caminho da lógica: Existe algum motivo lógico/físico para isto ter acontecido? Sigam esses passos primeiros. Se necessário consultem um método divinatório (pêndulo, tarot, runas, etc.) para saber se realmente terá sido um sinal ou não. Peçam mais sinais. Não tenham medo de comunicar com a divindade mas também não achem que tudo é um sinal. Recomendo o vídeo da TCS para ajudar a reconhecer sinais das Divindades.

  • Não façam promessas que não conseguem cumprir! É muito normal ouvirmos falar de votos a Divindades, promessas, juras, comprometimentos, etc. Contudo este tipo de práticas não deve ser feito de ânimo leve! Dedicar a nossa vida a uma divindade ou fazer uma promessa a uma divindade é algo sério e não devemos fazê-lo sem ter 100% certeza que conseguimos cumprir. Isto é especialmente importante para quem está a começar. É normal que quando estamos a começar tenhamos todo o entusiasmo e ânimo de achar que "esta é a divindade com a qual quero trabalhar para o resto da minha vida inteira". E até pode ser. Mas também pode não ser... Não devemos comprometer-nos a algo que não sabemos se conseguimos cumprir daqui a 5, 10 ou 15 anos. Por isso, não façam promessas que não conseguem cumprir e cuidado sempre com aquilo a que se comprometem, porque o que dizem aos Deuses é para cumprir! 

  • Já falei disto anteriormente, em Deuses de Prateleira, mas acho que é importante voltar a realçar aqui: Não usem os Deuses como bonecos de prateleira. Os Deuses não são frascos de especiarias no armário para tirar e usar conforme precisamos. Se eu sou devota da Deusa Hékate e preciso de ajuda em termos de amor, eu não preciso de ir ter com Afrodite com a qual nunca estabeleci uma relação. Posso fazer esse trabalho de amor com Hekate porque essa é a Divindade com a qual trabalho diariamente. Não utilizem os Deuses na vossa prática e pensem nos mesmos tal como o faria com pessoas normais na vossa vida. Chegariam ao pé de alguém para pedir um favor e nunca mais voltar a falar para eles? Não? Então não o façam também com as vossas Divindades. 
Estas são algumas dicas para quem quer começar a jornada do trabalho devocional com Divindades, sintam-se à vontade para colocar dúvidas, questões ou até mais dicas nos comentários para os nossos leitores se quiserem! Espero que esta jornada vos leve a sítios magníficos e a ter experiências que mudem a vossa vida para melhor e que possam encontrar as Divindades certas para o vosso caminho. 

E vocês? Como começaram esta aventura? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Cristina Gottardi)

Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

Hoje vamos falar de mais uma Deusa do panteão grego, a Deusa Héstia. 

***

Nome: Héstia (Ἑστιη)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Héstia foi a primeira filha a nascer entre o titã Cronos e a titã Rhea. Cronos foi avisado por Gaia e Uranos que o seu domínio do mundo iria terminar à mão de um dos seus filhos e, como tal, a cada filho que nasceu Cronos engoliu os mesmos imediatamente após o seu nascimento, começando por Héstia. Quando Zeus, o último dos filhos de Cronos e Rhea nasceu e foi levado para um esconderijo, voltando quase adulto para matar então o seu pai e libertar os seus irmãos, Héstia foi a última a ser regurgitada. Como tal é considerada tanto a mais velha como a mais nova dos seis irmãos. Já durante o domínio de Zeus e do domínio olimpiano, Héstia manteve-se virgem, inclusive perante os pedidos da sua mão em casamento por Apollo e Poseidon. A Deusa pediu a Zeus que permitisse que a mesma olhasse pelo Fogo Sagrado do Olimpo e, assim, mantendo-se Virgem eternamente. Ao que Zeus aceitou, transformando Héstia numa das primeiras Deusas virginais e a responsável pelo cuidado do Fogo Sagrado. Foi deste Fogo de Héstia que Prometeu roubou a centelha de fogo que deu à Humanidade para nos presentear com o elemento do Fogo. 

Celebrações: O culto a Hestia não era muito predominante na Antiguidade Clássica como as outras divindades. Hestia era honrada nos lares e em locais com lareiras. Era a Deusa da Chama Sagrada e Sacrificial e, como tal, em todas as oferendas queimadas em honra dos Deuses a primeira parte da oferenda era sempre dada a Héstia. A cozinha da carne sacrificada era parte do domínio de Héstia. O fogo acendido em honra a Héstia em templos ou locais de culto não poderia ser apagado e, caso fosse, não poderia ser acendido com fogo normal e teria um processo próprio para voltar a acender a chama destes altares. 

Geneologia: Filha de Cronos e de Rhea, é uma das primeiras Deusas Olímpicas e a primeira filha a nascer dos dois titãs contudo, sendo a primeira a nascer é também a última a ser regurgitada como tal é conhecida como sendo a irmã mais velha e, ao mesmo tempo, a irmã mais nova. 

Epítetos: Äídios ("Eterna"), Vasíleia ("Rainha"), Khlöómorphos ("Verdante"), Polýmorphos ("Multi-formada"), Potheinotáti ("Amada"), Prytaneia ("da Πρυτάνεις"). 

Símbolos: Fogo Sagrado, "The Hearth", Lareiras. Existe também alguns registos de lhe serem associados porcos e vacas. 

Leitura Recomendada: 

Theoi - Hestia
Hellenic Gods - Hestia
Hino Homérico 24
Hino Homérico 29
Hino Órfico 84

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Unsplash (Heather Mckean)

O tópico de hoje é inspirado num vídeo da TCS sobre "Deuses de Prateleira", um tema que adquiri após ouvir eles falar e ver o vídeo deles em 2015 e que tem vindo a fazer parte do meu vocabulário e que acho importante refrescar a memória sobre ele. Aconselho também a verem o vídeo deles e os restantes vídeos que fazem parte do canal, porque são excelentes recursos. 

O que são, então, Deuses de Prateleira? O nome de Deuses de Prateleira vem do facto de que muitos praticantes, principalmente quem está a começar no caminho, tem tendência a ver os Deuses como ferramentas para determinados objetivos e a colocar os mesmos dentro de caixinhas como "Deusa do Amor", Deus da Guerra", Deusa do Casamento", "Deusa da Vida Selvagem", etc. Esta simplificação das divindades leva a que os mesmos sejam vistos apenas como meras ferramentas e não como divindades inteiras com mitos, características, personalidades, etc. 

Isto faz com que, muitos praticantes, quando estão a iniciar as suas práticas acabam por utilizar diversos Deuses para certos rituais e feitiços. Ou seja acabam por usar os Deuses como se eles fossem frascos numa prateleira. Para feitiços de amor chamam Afrodite, para feitiços de sabedoria chamam Atena e por aí fora, dependendo da sua necessidade, chamando pela divindade única e exclusivamente para aquele trabalho, descartando todas as outras suas características e até o respeito pela própria divindade em si. 

Ao trabalharmos com uma divindade a longo prazo, seja a nível de um Sacerdócio ou até a nível meramente devocional, estamos a estabelecer uma relação com aquela divindade e essa relação vai além das suas características. Ou seja, Hekate pode ser uma Deusa ligada à Magia, aos Caminhos, às Encruzilhadas e aos Portões (entre outros) e não ter qualquer relação com o campo amoroso ou com o campo das relações amorosas. Contudo, como devota de Hekate, nada me impede de recorrer à divindade com a qual tenho uma melhor e maior ligação para pedir auxílio no campo amoroso. Os Deuses não podem ser limitados pelas suas características nem devem ser vistos como apenas ferramentas para um determinado propósito. Não só estabelece uma péssima relação com as divindades mas também uma falta de respeito para com os mesmos. 

Vejamos neste prisma: Temos um amigo que é informático. Mas ele é nosso amigo, certo? Não recorremos a ele apenas para questões de informática. Não colocamos os nossos amigos ou familiares em caixas dependendo das suas habilidades ou profissões de forma a que possamos recorrer aos mesmos dependendo do que necessitamos. Claro que podemos pedir ajuda aos mesmos, mas não vamos apenas chegar ao pé deles, sem estabelecer qualquer tipo de relação ou amizade, e pedir coisas pois não? Se temos um primo que é médico mas com quem não falamos à anos (ou até, com quem nunca falámos) não vamos correr ter com esse primo à mínima dor no joelho pedir ajuda e depois desaparecer sem voltar a referir palavra, certo? O mesmo ocorre com os Deuses. 

Não podemos correr as divindades como se fossem Deuses de Prateleira, apenas recursos a ser utilizados e descartados quando já não há necessidade dos mesmos. Devemos vê-los como entidades e divindades inteiras, com as suas características, personalidades, correspondências, mitos e história e respeitá-los. honrá-los e trabalhar ou dedicar àqueles com os quais nos sentimos mais ligados e realizar trabalho com essas divindades. Não significa, é claro, que para coisas específicas não possamos pedir ajuda a divindades com as quais não temos uma relação tão frequente. Nada disso! É claro que podemos alargar os nossos horizontes para outras divindades fora do nosso círculo pessoal, contudo, devemos fazê-lo com respeito e conhecimento e não apenas como quem vai buscar as especiarias ao armário e volta a colocar no sítio, esquecendo-se que elas existem. 

E vocês? Qual a vossa opinião? 

Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

E, tal como deve ser, a Deusa que irá ser a segunda desta série de artigos será uma das Deusas à qual me dedico e me consagrei, a Senhora Persephone. 


***

Nome: Persephone. Περσεφονη em grego. Enquanto Deusa da Primavera, junto de sua mãe Démeter, era denominada de Kore (Donzela) mas após a sua união com Hades, no Submundo, assumiu o nome de Persephone. A origem do nome é desconhecida, porém, é habitualmente associada ao significado de "Destruição". 

Panteão: Grego


História e Mitologia: A Deusa Persephone (ou Kore, como era conhecida antes do seu matrimónio com Hades) é filha de dois Deuses Olímpicos, a Deusa Démeter e o Deus Zeus. Era denominada de Kore dado a sua ligação à Natureza e à beleza e riqueza dos campos floridos. Filha de Demeter, Deusa das Colheitas e da Agricultura, a mesma passava os seus dias em campos floridos a brincar e passear com ninfas e outras Deusas virgens até que, um dia, foi raptada pelo Deus Hades e levada para o Submundo, com autorização do seu pai Zeus mas com total desconhecimento da sua mãe Demeter. A sua mãe, Deusa das Colheitas, aflita com o desaparecimento da filha decidi começar a percorrer o Mundo em sua procura, pedindo ajuda à Deusa Hekate que com as suas tochas, iluminou o caminho de Démeter. Quando soube, graças à ajuda de Hekate e Helios, que a sua filha tinha sido raptada pelo Senhor do Submundo, foi até Zeus e exigiu a filha de volta, ameaçando deixar o Mundo num eterno inverno e sem permitir que os frutos e as plantas florescessem. Confrontado com esta situação, Zeus viu-se obrigado a enviar Hermes até ao Submundo e pedir para Hades devolver a sua amada de volta a Demeter. Porém Persephone já tinha comido sementes de romã no Submundo (é ambíguo se as mesmas foram comidas de livre vontade ou oferecidas por Hades) e, como tal, estava eternamente ligada ao mundo dos Mortos. Ao chegar ao Olimpo e quando os Deuses constaram a sua ligação eterna a Hades, ficou decidido por Zeus que a Deusa Persephone teria de passar uma parte do ano com a sua mãe Demeter e outra parte do ano com o seu esposo, no Submundo. Este mito veio dar origem à explicação da passagem das estações, com o Inverno sendo quando a filha de Demeter está junto ao seu esposo e a Primavera quando a mesma está perto de sua mãe. Noutros mitos, Persephone surge também junto a Hades, já no Submundo, como sendo a Rainha e Senhora da Terra dos Mortos, sendo que foi a pedido da mesma que os Campos Elísios foram criados, para receber os heróis gregos no pós-vida. 

Celebrações: Uma das principais celebrações em honra a Persephone são os Mistérios de Elêusis, celebrados em dois momentos distintos (os Mistérios Menores e os Mistérios Maiores). Eram celebrados na zona de Eleusis na Grécia Antiga e são das celebrações mais bem guardadas da História, sendo que até hoje são poucos os registos que temos desta prática. Sabemos que os mesmos eram realizados em torno do Mito do Rapto de Persephone e que tinham como foco a agricultura e os ritmos da Natureza. Adicionalmente temos também a celebração da Thesmophoria que era um festival organizado em honra a Démeter e Persephone onde apenas eram permitidas mulheres adultas e cujas práticas eram igualmente secretas. Estaria associada à colheita e tinha lugar anualmente perto da altura do Outono. Existem mais celebrações locais espalhadas pela Grécia e que até acabaram por se prolongar até ao período Romano e podem ser consultas em documentos históricos, no Theoi, entre outros.

Geneologia: Persephone é filha da Deusa Démeter e do Deus Zeus. É filha única e muito protegida por Deméter. É casada com Hades, Senhor do Submundo, e, em alguns mitos, é considerada mãe de Zagreus (com Zeus ou com Hades). Nos Hinos Órficos é também referida como sendo mãe de Melinoe (com Zeus) e das Erínias (com Hades). 

Epítetos: Chthonia ("Ctónica", "da Terra"), Despoina ("Senhora"), Kore (Donzela), Soteira ("A Salvadora"), Brimo ("Assustadora"/"A Zangada"), Enodia ("Dos Caminhos", "Das Encruzilhadas"), entre outros. 

Símbolos: Romã, Cavernas, Morcegos, Tocha Eleusina, Trigo, Narciso, Menta, Asfódelo, símbolos primaveris e flores, entre outros.  

Leitura Recomendada: 
  • Theoi - Persephone (website)
  • Homeric Hymn to Demeter
  • Callipe Sings of Ceres, Pluto and Proserpine
  • Fontes Adicionais
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Este trabalho é dedicado às Senhoras Ἑκάτη (Hekate) e Περσεφόνη (Persephone)

Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0