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Sob o Luar

Capa do Livro
Título: A Place at the Table: The human legacy of Alexander Sanders continues 
Autor(es): Jimahl diFiosa
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Nesta muito aguardada sequela de "All the King's Children - the Human Legacy of Alex Sanders", Jimahl diFiosa reúne 16 novos iniciados alexandrinos de todo o mundo que partilham as suas histórias de vida com franqueza, sem esconder nada.
Onde Comprar: RedFaun Press
Análise: Este é o 2º livro que eu tive o prazer de obter junto do autor durante um evento em 2023 e tal como adorei o primeiro, este não se ficou atrás! 
 
Considerei este livro bastante inspirador: é uma compilação de relatos e contribuições por parte de vários iniciados Alexandrinos que nos contam a sua chegada à tradição Alexandrina, a sua experiência e a forma como esta tradição impactou as suas vidas e partilham com o leitor as suas experiências. Contém relatos de situações lindíssimas, que me comoveram e, ao mesmo tempo, também situações assustadoras, algumas com as quais eu me empatizei, devido ao meu passado, e outras que nem consigo imaginar e que o meu coração aperta por aqueles iniciados. 
 
Algo que eu gostei bastante foi a diversidade dos iniciados escolhidos, não só a nível geográfico, que contém relatos de pessoas espalhadas pelo Mundo inteiro (inclusive iniciados portugueses, que eu adorei, porque é tão raro ver testemunhos de pessoas de Portugal!) mas, também, de pessoas variadas no que diz respeito à acessibilidade, ao estilo de vida e ao contexto em que vivem. Uma prova, sem dúvida, de que o caminho Alexandrino está aberto a todos aqueles que sentem o chamado, independentemente das suas circunstâncias de vida. Profundamente inspirador! 
 
Acho, na minha opinião genuína, que este livro deveria ser de leitura "obrigatória" para todos os interessades na Tradição Alexandrina e na Wicca. Não só porque defendo ativamente que a melhor forma de conhecer uma tradição é falando com os seus praticantes e os seus representantes, mas, também, porque estes iniciados conseguem partilhar acerca do seu caminho, da sua experiência e até dar dicas e conselhos a futuros iniciados sem nunca falar da tradição em si. Isto é não só um excelente exemplo para futuros iniciados, mas, também, bastante inspirador. Todos sabemos que a Tradição Alexandrina é uma tradição secreta, que trabalha internamente e cujos rituais e práticas não são partilhadas com o exterior, contudo, este livro dá-nos uma visão extremamente importante acerca desta tradição que é o impacto que estas práticas têm nos seus iniciados e que significa ser um iniciado de Alex Sanders. 
 
Se tivesse de reduzir este livro a uma só palavra era, sem dúvida, inspirador. Adorei ler estes testemunhos e é um livro que vou, garantidamente, recomendar no futuro! 

E vocês? Já leram? O que acharam?
Capa do Livro
Título: A Coin for the Ferryman: The Death and Life of Alex Sanders 
Autor(es): Jimahl diFiosa
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Pela primeira vez em mais de 20 anos, chega a biografia definitiva do bruxo mais famoso do mundo: Alex Sanders. Pela primeira vez, Jimahl diFiosa conta a verdadeira história do "Rei das Bruxas" - nem demónio, nem santo -, mas algo entre os dois.
Onde Comprar: RedFaun Press
Análise: Eu tive o prazer de conhecer o autor e o seu esposo num evento em 2023, que foi quando obtive este livro (e outros) para ler. Entretanto, veio o burn-out e o hiatus e acabei por não chegar a publicar esta review, mas, como diz o ditado, mais vale tarde que nunca!

Primeiro que tudo, quero referir que, apesar de não ser Wiccana, eu tenho um carinho muito especial pela Wicca, porque foi o meu ponto de entrada no estudo do Paganismo e Bruxaria, principalmente através do Scott Cunningham e da Doreen Valiente. Então nunca recuso ler mais sobre o assunto, principalmente biografias, que é algo que eu adoro. 
 
E este livro foi, numa só palavra, fantástico. Eu li-o em dois dias e foi-me dificil pousar e parar a leitura, porque a forma como este livro está escrito é simplesmente deliciosa e prende-nos às páginas. A melhor descrição que posso dar, e que já dei a várias pessoas, é que ler este livro é uma sensação parecida a estar numa sala, com todas as pessoas que contribuíram com as suas memória para este livro, a ouvi-las falar acerca do Alex Sanders. 
 
Outro ponto interessante, que acho importante referir, é que este livro dá-nos uma percepção completamente diferente do Alex Sanders que normalmente se vê. E acho que isto é fortemente influenciado pelo facto de que a maioria das informações e relatos presentes neste livro vem de pessoas que realmente o conheceram, que viveram com ele, conviveram, realizaram rituais e assistiram à sua vida e ao seu trabalho no dia-a-dia. Eu sinto que, pessoalmente, grande parte do que sabia da vida do Alex Sanders vinha de fontes que, em muitos casos, estavam apenas a falar daquilo que tinham ouvido, que achavam ou que leram, contrariamente ao que este livro faz, que é transportar-nos, através das memórias das pessoas que com ele viveram, para os momentos-chaves da sua vida. Este livro mostra-nos um Alex que não é um ser perfeito, Rei das Bruxas, mas também não é um charlatão que desrespeita a mulher, nem as outras mil e uma coisas que ouvimos pela internet fora. Ele é apenas Alex Sanders, um homem complexo, com virtudes e com defeitos, com ações boas e ações más, cujo legado marcou profundamente uma tradição enorme que até hoje prospera e cresce com milhares de praticantes espalhados pelo Mundo fora. 
 
O autor, e as pessoas entrevistadas ao longo do livro, reforçam frequentemente esse ponto, e eu sinto a necessidade de o fazer também, que não podemos cair na falácia de considerar o Alex Sanders nenhum dos dois polos: Nem um santo, nem um diabo. Sanders foi um homem normal, como qualquer outro homem, que se distingue pelo seu trabalho, pelo seu legado e pelo seu serviço à Deusa e à sua tradição, mas que não deixa de ser um homem, sujeito às leis da natureza e sujeito a falhar, como todos falhamos. Creio que isto pode ser aplicado não só ao Alex Sanders, mas a todas a figuras do Paganismo e da Bruxaria que já faleceram e que temos a tendência de colocar em pedestais. É importante lembrar que devemos honrar e celebrar os seus legados, mas manter sempre presentes que, no final do dia, estas figuras eram tão humanas como nós. 

No fim, acho que este é um excelente livro e só posso recomendá-lo a toda a gente que tenha interesse na Wicca Alexandrina e na figura do Alex Sanders, porque este é, sem dúvida, um livro de referência que deve estar nas estantes de qualquer pessoa com interesse por esta temática!
 
E vocês? Já leram? O que acharam?
Capa do Livro
Título: O Círculo Interior: Um discurso sobre a Tradição Alexandrina da Witchcraft
Autor(es): Karagan Griffith
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Um olhar intenso sobre a história da tradição mas também ensinamentos para clarificar alguns elementos que são sobejamente mal entendidos. Baseado na experiência do autor na tradição, este livro ilustra os fundamentos da tradição e noções interessantes do ponto de vista de um iniciado. Contém também alguns exercícios para que, quem lê, possa também avançar um pouco na prática que poderá levar, quem sabe, um dia a uma iniciação.
Onde Comprar*: Lulu
Análise: Hoje trago-vos um livro que considero, na minha opinião, uma peça extremamente necessária às comunidades pagãs portuguesas: um livro acerca da Wicca Alexandrina, escrito por um sacerdote de um coven da Tradição Alexandrina (Coven de Tomar). 
Já tinha ouvido falar do Coven de Tomar e do autor há algum tempo, mas tive o prazer de falar tanto com ele como alguns membros do Coven e, inclusive, participar numa mesa redonda com o Karagan no 1º Encontro Ancestral (cuja cobertura podem ver aqui) e fiquei logo fã de todo o trabalho dele. E, como tal, não passei a oportunidade de adquirir o livro no evento. 
Este é um livro que é bastante completo na informação que transmite. É muito acessível e com linguagem de fácil compreensão e recheado de informações úteis como as origens da Wicca Tradicional e da tradição Alexandrina, incluindo informação sobre as linhagens e sobre várias pessoas cujo trabalho foi impactante para o surgimento da Tradição Alexandrina; desenvolve acerca dos princípios da Tradição, tocando em vários pontos importantes, inclusive tem um capítulo dedicado ao conceito da Iniciação (que é tão debatido nas comunidades!) onde o autor nos explica acerca de como o processo funciona dentro da Tradição, acerca do "Vouch" (algo que, na minha opinião, é excelente numa Tradição e que eu gosto muito na Wicca)! Tem também todo um capítulo acerca dos Covens, com muita informação para quem está interessade em juntar-se a um coven ou a entender como os mesmos funcionam. 
Algo que eu quero destacar neste livro, e que faz com que eu goste tanto dele, é a transparência do autor. Sem divulgar nenhum aspecto secreto da Tradição (que os há, como todas as Tradições da Wicca Tradicional), ele consegue falar abertamente de todos os tópicos, inclusive os mais difíceis como abusos sexuais e predadores nas comunidades, as questões da identidade de género e até acerca da sexualidade ritual e da nudez ritualística. Achei muito refrescante ler um livro que é tão sincero e genuíno. 
No final do livro, o autor tem uma seção com perguntas e respostas que, suponho, são questões que são frequentemente colocadas ao coven e a ele próprio e disponibiliza ainda uma pequena lista de recursos e recomendações literárias, inclusive espalhadas ao longo do livro. 
Achei genuinamente que o "O Círculo Interior" é um livro que fazia falta nas nossas comunidades. Temos muitos livros de Wicca mas poucos livros de Wicca Tradicional, principalmente de Tradição Alexandrina e principalmente que tenham sido escritos atualmente, e não há 50 anos atrás (que, pessoalmente, acho importante pois vivemos em contextos diferentes daqueles que os fundadores viviam). É um livro que fazia falta às nossas comunidades e que recomendo vivamente a todos os interessades na temática da Tradição Alexandrina! 

E vocês? Já leram este livro? Que acharam? 

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Nome do Festival: Equinócio da Primavera ou Ostara (pronuncia-se "oh-stá-ra")
Data Tradicional: 21/22/23 de Junho (No Hemisfério Norte) e 21/22/23 de Dezembro (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 0º de Cancer/Caranguejo (HN) e Sol a 0º de Capricórnio (HS)
Etimologia: Ostara, etimologicamente, terá origem no nome de uma antiga Deusa Celta chamada "Eostre" referida nos textos "De Temporum Ratione" escrito por um monge chamado Bede no ano de 723. Contudo é uma terminologia recente e não é antiga e recomendo a leitura deste e deste artigo na temática.
Correspondências de Cores: Tons pastéis, cor-de-rosa, verde, amarelo, branco e cores primaveris. 

O equinócio da Primavera assinala o momento em que a noite e o dia têm a mesma duração e, a partir deste momento, os dias serão mais longos e as noites mais curtas. Assinala o início da Primavera e o fim do Inverno. As flores começam a florir, o verde surge nos campos, as folhas voltam às árvores e até os animais sentem esta mudança ao nosso redor. Nós próprios, inconscientemente, sentimos as alterações dos ciclos da Terra. Começamos a sentir-nos mais dinâmicos e com mais força de vontade, devido à maior exposição ao Sol e a toda a energia de "renascimento" que se sente no ar. Como celebração de fertilidade e do início da Primavera, grande parte das práticas associadas a este festival estão ligadas a ritos de fertilidade como os ovos de Ostara, os coelhos, as flores, entre outros símbolos. É uma altura para festejar a Primavera e tudo o que esta estação traz consigo. É um momento em que podemos celebrar o Sol e a sua vitória sobre o Inverno e sobre a Escuridão, dando as boas-vindas à claridade e ao calor que se aproximam.

Ostara é a polaridade do festival de Equinócio do Outono. Isto significa que enquanto neste momento do ano entramos na Primavera e iniciamos a jornada para a parte mais solarenga do ano, no polo oposto, temos o começo do Outono e a entrada no caminho para a parte mais escura do ano. Existem algumas relações entre a celebração e correspondências do Equinócio da Primavera e da Páscoa Cristã, dado que houve uma adaptação de algumas práticas no processo de estabelecimento do cristianismo em território Europeu e algumas práticas folk da época foram adaptadas pelo movimento cristão, como é o caso dos ovos da Páscoa ou do "Coelho da Páscoa". 

No mito da Roda do Ano Wiccana é neste festival que o Deus mostra que está a começar a crescer e a Deusa assume o seu papel de Donzela, ajudando o Deus no seu crescimento. O Sol passará, a partir desta data, a ocupar um lugar mais alto no céu e os dias serão mais longos, como tal, o Deus estará mais forte e mais poderoso, caminhando para o seu auge em Beltane e no Solstício de Verão que se aproxima. 

Algumas das tradições e práticas comuns para muitos praticantes deste festival é pintar os ovos com cores variadas e realizar jogos, principalmente para os mais novos. Também contar mitos associados a esta altura do ano é uma fantástica forma de celebrar (por exemplo o Mito da Subida de Perséfone do Submundo, da mitologia grega, em que Perséfone volta para a superfície e as flores voltam a florescer). Outra prática fantástica para simbolizar esta celebração e que contribui muito para o bem-estar da Terra é semear plantas e árvores, aproveitando as energias da Primavera e dos novos começos para iniciar as novas vidas das nossas plantas. Aliás muitas plantas têm como época de plantio o começo da Primavera.

No seu altar pode colocar várias flores de muitas cores, ovos coloridos e velas coloridas também. As melhores flores associadas a este festival são, por exemplo, o cravo vermelho, a rosa, o trevo e outras flores que recordem a Primavera. A nível da alimentação, seja para celebrações em grupo ou individual, recordamos que temos o texto sobre Bruxaria de Cozinha e Ostara com várias dicas e informações úteis!

Outra dica para esta altura do ano é aproveitar para realizar trabalhos mágicos (feitiços, encantamentos, sigilos, etc.) relacionados com novos crescimentos ou empreendimentos, cura, limpezas e começos de novos caminhos. Se está à espera para iniciar um novo projeto, aproveite a Primavera e as suas energias, sem dúvida terá sucesso!

E vocês? Como costumam celebrar esta festividade? 

Nome do Festival: Imbolc (pronuncia-se “Imólg”) 
Data Tradicional: 1 de Fevereiro (No Hemisfério Norte) e 1 de Agosto (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 15º de Aquário (HN) ou Sol a 15º de Leão (HS)
Etimologia: A origem etimológica de Imbolc não é clara mas acredita-se que venha do Irlandês Antigo "i mbolc" (irlandês moderno: "i mbolg") que significa "na barriga" e estaria associada às ovelhas prenhas nesta altura do ano. 
Correspondências de Cores: Rosas, vermelhos, brancos, etc. 

Imbolc também chamado de Oimelc, Dia da Senhora, Candelárias ou Candlemas, é um dos Sabbats maiores e é festejado, tradicionalmente, no dia 1 de Fevereiro (Hemisfério Norte) ou 1 de Agosto (Hemisfério Norte). É, tradicionalmente, um festival gaélico e atualmente associado à Santa Brígida e marca o começo da primavera, ocorrendo a cerca de meio tempo entre o Solstício de Inverno e o Equinócio da Primavera. 

Este é um festival que assinala o regresso da Luz e dos primeiros passos rumo à Primavera. Nesta altura as neves começam a derreter, os dias ficam gradualmente maiores, chegam as chuvas e o frio começa a despedir-se. É também uma altura em que, para os nossos antepassados, a comida começava a escassear com o final do Inverno e começava a ser preciso improvisar as refeições e a alimentação que se fazia. Como celebração do regresso da Luz e do Sol, Imbolc é um festival solar em que nos focamos em "ajudar" o Sol a subir no céu para trazer consigo o calor da Primavera. São acendidas fogueiras, velas, candelabros e todo o tipo de luzes para iluminar a noite e trazer com a Luz para os nossos dias, incentivando, dessa forma, o Sol a regressar também. 

Este festival é de origem Celta e, para os celtas, a lareira era algo bastante importante principalmente num festival como Imbolc que, devido ao frio que se fazia sentir no exterior, era celebrado acima de tudo a nível mais familiar e mais íntimo. O fogo é um fator importante neste festival, pelo que é comum acender-se várias fogueiras ou velas, para ajudar a "dar força ao Sol" para se erguer no céu. 

Imbolc, como muitos outros costumes pagãos, também foi adotado para a prática cristã e recebeu o nome de “Candlemas” ou, em português, “Candelária”. Este tornou-se um festival enraizado na cultura cristã e, inclusive, na Península Ibérica existe um ditado que profetiza o tempo, relacionado com esta celebração, que diz “Se a Senhora sorrir, muita chuva está p’ra vir! Se a Senhora chorar, o Verão está a chegar!”.

Imbolc é também uma altura apropriada para purificação e limpeza, sendo que estamos num momento de renovação. O Inverno chegou ao fim e a Primavera começa. Portanto, pode aproveitar este festival para limpar a sua casa, tanto fisicamente quanto energeticamente e a mesma coisa com o seu próprio corpo. Existe uma tradição de construir uma Cruz de Brighid (ou Brígida), em nome da Deusa Brígida, da Cultura Celta, bastante presente neste festival. Esta Cruz tem o propósito de servir proteção para as pessoas. São tradicionalmente colocadas algures na casa, para a proteger.

Quanto ao altar, pode ter bastantes velas, como referi, a Luz é um ponto fulcral deste Sabbat. E pode predominar, em termos de cores, rosas, vermelhos, marrons, brancos, etc. As simbologias deste festival e que podem estar presentes, tanto no ritual quanto no altar pessoal, são as vassouras, as cruzes de Brígida, velas e outros símbolos de Luz e flores, como amarelas e brancas, para simbolizar o Sol.

A nível de comidas e alimentos, recordo que temos um artigo sobre Bruxaria de Cozinha e o Imbolc com imensas informações sobre como celebrar esta festividade à mesa! 

E vocês? Como costumam celebrar esta festividade? 

Nome do Festival: Yule (pronuncia-se “í-ule”) ou Solstício de Inverno
Data Tradicional: 21/22/23 de Dezembro (No Hemisfério Norte) e 21/22/23 de Junho (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 0º de Capricórnio (HN) e Sol a 0º de Cancer/Caranguejo (HS)
Etimologia: Yule é a versão moderna das palavras do inglês antigo ġēol ou ġēohol e ġēola ou ġēoli, com a primeira indicando o festival de 12 dias de "Yule" e a última indicando o mês de "Yule". A linhagem etimológica da palavra permanece incerta, embora várias tentativas especulativas tenham sido feitas ao longo do tempo.
Correspondências de Cores: Vermelho, verde, dourado e cores invernais. 

Yule também denominado de Solstício de Inverno, Meio do Inverno e Alban Arthan é um dos Sabbats menores da Roda do Ano e marca a altura em que o Sol atinge o seu ponto mais baixo e se prepara, a partir daqui, para subir no céu e voltar a erguer-se fortemente e brilhar alto. Este é o dia em que a duração do dia é mais curta e a duração da noite é mais longa e, por isso, é um momento de renascimento: tanto do Sol que morre e nasce (simbolicamente) como de um renascimento pessoal. Para além disso, também se refere à promessa da fertilidade dos campos que, com os raios de luz do Sol e os dias que vão começar a crescer gradualmente, garantem alimento na mesa. Sendo também um momento escuro, dado que é a noite mais longa do ano, é um momento em que, em tempos antigos, os nossos antepassados se reuniam em casa, em torno da fogueira, e era um momento muito voltado para a família e para o convívio. Ainda nos dias de hoje isso se verifica, com celebrações de outras fés religiosas cujas datas coincidem com o Solstício de Inverno (ex. O Natal). 

No mito da Roda do Ano Wiccana é neste festival que se assinala o nascimento do Deus e em que a Deusa se torna Mãe, dando à luz a criança promessa, tal como o Sol que renasce. Este mito é partilhado por muitos outros caminhos religiosos (pagãos e abraâmicos) onde nesta altura do ano se assinala o nascimento de uma criança prometida. 

Uma das grandes tradições deste festival é acender um cepo na fogueira, o chamado Yule Log (poderá ser escolhido um tipo específico de madeira, dependendo da tradição de cada um). Isto é uma forma de contribuir, simbolicamente, para o reforço da Luz Solar e a sua vitória sobre as trevas. As brasas resultantes desta fogueira podem ser usadas como amuletos ou talismãs que carregam o poder da vitória do Sol para o resto do ano, colocando-se debaixo da cama para ajudar na saúde ou levar connosco como amuleto no dia-a-dia. 

Também o Bolo-Rei, uma grande tradição desta época do ano, é outro elemento importante neste festival. Este bolo pode ser considerado um símbolo do Sol pela sua forma redonda e branca e, ao mesmo tempo, pode também representar a terra com as suas frutas cristalizadas dentro de si (em semelhança à Terra que está com as sementes dentro de si, à espera do momento ideal para germinarem). Para mais informações e dicas sobre alimentação durante este festival, recomendo a leitura do nosso texto de Bruxaria de Cozinha e Yule que tem várias recomendações de comidas, pratos e ingredientes que podem marcar presença na nossa mesa nesta altura festiva. 

Uma árvore de Yule pode ser construída para simbolizar a alegria e alegrar a casa (decorada com azevinho e visco e cores entre o dourado, verde e vermelho – cores estas que também decoram o altar durante este período). Também toda a casa pode ser decorada de forma a ajudar o Sol a subir no céu, utilizando as cores da época e outras decorações alusivas ao Sol. 

E vocês? Como costumam celebrar esta festividade? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Jessica Delp)

Nome do Festival: Samhain (pronuncia-se “sou-ein”)
Data Tradicional: 31 de Outubro (No Hemisfério Norte) e 1 de Maio (No Hemisfério Sul)

Nome do Festival: Mabon (pronuncia-se “má-bon”) ou Equinócio de Outono
Data Tradicional: 21/22 ou 23 de Setembro (No Hemisfério Norte) ou 21/22 ou 23 de Março (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 0º de Balança (HN) ou Sol a 15º de Carneiro (HS)
Etimologia: O nome Mabon tem várias controvérsias devido à sua origem, pelo que recomendo a leitura deste e deste artigo. Neste artigo iremos usar apenas o termo "Equinócio de Outono". 
Correspondências de Cores: Laranja, vermelho, castanho, amarelo torrado, verde escuro e preto.

O Equinócio de Outono também chamado Sabbat de Outono, Festa do Milho-Rei e Alban Elfed, é o Segundo Festival das Colheitas. Tem lugar quando o Sol está a 0º de Balança (no Hemisfério Norte) e 0º de Áries (no Hemisfério Sul), ou seja, ocorre por volta de 21/22/23 de Setembro (no HN) e Março (HS). Os Equinócios são pontos de equilíbrio, onde a Luz e a Escuridão estão iguais. A partir desta data, o período escuro do ano começa e a escuridão vence uma vez mais. Relembro que escuridão não significa algo mau, é somente uma referência à falta da intensidade do Sol e o começo e vitória do Inverno. As noites tornar-se-ão mais longas e os dias mais curtos, até que o Deus nasça, em Yule.

O equinócio é sentido como sendo o fim da alegria do ano e, as cores das folhas douradas, agora começam a desvanecer e a cair com mais intensidade, deixando as árvores nuas e preparadas para o rígido Inverno que se aproxima. Nesta altura colhem-se as frutas e as uvas maduras e iniciam-se as chamadas desfolhadas do milho com os seus, subtis, mas presentes, comportamentos cerimoniais à volta do “Milho-Rei”. Esta é a altura da colheita do milho e em Portugal temos uma grande cultura, que já se está a perder, à volta do milho e da desfolhada do milho. O Milho-Rei (ou o Phallus de Fogo) é a espiga de milho de cor vermelha, que é muito rara. Dizem as tradições ibéricas dos camponeses que quem encontrar essa espiga tem de beijar todos os membros do sexo oposto. Este é um momento ideal para procurar mais sobre estas tradições e como as mesmas podem ser aplicadas à nossa actualidade pagã. 

O Equinócio de Outono, tal como Lughnassadh, também é considerado um dia de Acção de Graças Pagão. Muitos praticantes dizem ser em Lughnassadh, outros dizem ser em o Equinócio de Outono, vai depender da opinião e prática de cada um. Alguns dos alimentos típicos deste festival são os produtos que contenham milho e/ou trigo, pães, nozes, frutos secos, maçãs, raízes (cenouras, cebolas, batatas, etc.), romãs, tomates, etc. Quanto às bebidas é comum a Sidra e o Vinho. Recordamos ainda que temos um artigo sobre Bruxaria de Cozinha e o Equinócio de Outono, com mais informações sobre como aplicar a cozinha e a comida nesta celebração. 

O Altar é caracterizado pela presença de cores outonais (vermelhos, laranjas, castanhos, etc.), presentes na natureza. Também pode ser adornados com espigas de milho, cornucópias, folhas secas, maçãs, etc.

E vocês leitores? Como celebram esta festividade? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Aarón Blanco Tejedor)

Voltamos à nossa série de artigos e hoje vamos falar sobre a Wicca, um dos caminhos mais famosos do Neo-Paganismo e da Bruxaria Moderna! 

A Wicca surgiu como religião na década de 1950, após a última lei que proibia e castigava a prática de Bruxaria na Inglaterra ser abolida. Este surgimento da Wicca deveu-se a Gerald Gardner. A Wicca, ao contrário da ideia popular, não é a reconstrução de uma Antiga Religião Pagã Celta do Neolítico ou de outro período pré-histórico. Ela foi "compilada", à falta de melhor termo, por Gerald Gardner, com base nos seus estudos ao longo dos anos, na sua participação em grupos de Bruxaria Tradicional Folk Britânica, no seu conhecimento de ordens como a Golden Dawn, Maçonaria, Thelema e outras. A Wicca é uma religião bastante recente na sua organização e não é uma imitação ou reconstrução dos caminhos celtas ou pagãos de antigamente. Este facto não é motivo para considerar a Wicca menos religião do que outro caminho. Não são as origens de um caminho que o fazem mau ou bom. 

A Wicca é um culto duoteísta que se concentra em duas divindades: A Deusa e o Deus. Estas duas divindades possuem diversas faces, podendo ser encaradas como Deusa e Deus ou como um outro Casal Sagrado, presente numa mitologia à escolha do praticante. Na Wicca são celebrados os 8 festivais da Roda do Ano (Samhain, Yule, Imbolc, Ostara, Beltane, Litha, Lughnassadh e Mabon) que são as celebrações da Natureza e a passagem das estações, associadas ao Mito da Roda do Ano, que poderá ser visto na secção das Celebrações. Para além destas festividades, na Wicca ainda se celebra os Esbats que são celebrações de Lua, sendo que são realizados rituais ou celebrações relacionados com cada fase da Lua em questão. Existem vários textos que são considerados importantes dentro da Wicca como a Carga da Deusa, a Carga do Deus, a Rede Wiccana, entre outros, pelo que recomendo a leitura dos mesmos a todos os interessados. 

A Wicca é dividida em duas principais ramificações: Wicca Tradicional e Wicca Moderna. A Wicca Tradicional é a vertente mais antiga, baseada nos trabalhos de Gerald Gardner e de Alex Sanders sendo que é bastante rígida e conta com a presença das Leis Wiccans, obrigatoriedade de ritos 'skyclad', entre outros aspectos. A Wicca Moderna, como o próprio nome indica já conta com um método mais aberto, dado que é a junção de todos os novos caminhos que surgiram e ainda surgem dentro da Wicca e que contam com uma maior liberdade de trabalho e com a presença, em vários casos, da "auto-iniciação", conceito introduzido por Raymond Buckland. Como falei, a Wicca é uma religião iniciática e sacerdotal, ou seja é uma religião que necessita iniciação e todo o iniciado é Sacerdote ou Sacerdotisa. Neste aspecto da Wicca existem diversos debates. Gardnerianos defendem que apenas aquele que é iniciado num coven de linhagem tradicional é realmente Wiccano. Mas com o surgimento de novas tradições, várias pessoas (Raymond Buckland, por exemplo) vieram mudar a opinião do Mundo quanto a este aspecto.

Na Wicca existe, como em todos os lados, diversas controvérsias, A Iniciação ou Auto-Iniciação é uma delas. Não me sinto capacidade para opinar sobre o assunto, contudo, irei dar as informações bases em torno deste debate: A Wicca é, tradicionalmente, um caminho iniciático e sacerdotal (isto significa que é um caminho no qual a Iniciação é obrigatória e todo o iniciado é Sacerdote). A controvérsia em torno deste assunto trata-se que a vertente tradicionalista acredita e defende que a Iniciação deverá ser feito dentro de um coven estabelecido e com todas as regras que isso incluí, enquanto grande parte da vertente Moderna defende o conceito de "auto-iniciação". 

Para terminar, gostaria de deixar aqui neste artigo é uma lista de Recursos sobre Wicca, com um enfoque na Wicca Tradicional, e considero ser essencial para qualquer interessado nesta temática! 

Crédito de Imagem: Unsplash (Halanna Halila)

Nome do Festival: Lughnasadh (pronuncia-se “lu-na-sa”) ou Lammas
Data Tradicional: 1 de Agosto (No Hemisfério Norte) ou 1 de Fevereiro (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 15º de Leão (HN) ou Sol a 15º de Aquário (HS)
Etimologia: O nome “Lughnasadh" vem do nome do Deus Lugh e significa "celebração a Lugh". (Etimologia)
Correspondências de Cores: Laranjas, Amarelos, Castanhos Claros, Amarelos Torrados, Dourado e Verdes. 

Lughnasadh ou Lammas também denominado de Véspera de Agosto ou Primeiro Festival da Colheita é um dos Sabbats Maiores e é realizado tradicional no 1 de Agosto (HN) e 1 de Fevereiro (HS). Astrologicamente ocorre quando o Sol está a 15º de Leão no Hemisfério Norte e a 15º de Aquário no Hemisfério Sul. Este festival é a polaridade de Imbolc pois enquanto em Imbolc lança-se as sementes, em Lughnassadh colhe-se os frutos. Notasse também esta polaridade no facto de nesta altura o Hemisfério contrário celebrar esse festival.

Lughnassadh é um festival de origem celta, em honra do Deus Solar Lugh. A Terra encontra-se rica e abundante e os homens colhem dela o que plantaram, em preparação para os tempos frios e rigorosos do Inverno que se aproxima a passos largos. Na Roda do Ano Wiccana, é neste dia que o Deus Sol se transforma no Deus das Sombras e se sacrifica pela Terra. A Deusa possui o papel de Mãe mas prepara-se brevemente para o seu cargo como Anciã.

Esta época do ano é bastante marcada pela presença do pão. O pão pode ser algo que representa todos os elementos, pois todos são necessários para a sua criação. Portanto, uma ideia para Lughnassadh será fazer pão caseiro (pode fazer pão de milho ou pão de trigo, por exemplo) e utilizar no seu ritual, partilhar com a sua família ou oferecer à Natureza ou aos Deuses. Também o trigo tem um papel importante neste Sabbat, sendo um dos produtos colhidos e um dos pontos fulcrais na criação do pão.

Falando de oferendas, um dos costumes europeus, para agradecer à Deusa a abundância desse ano, era sacrificar (através de uma fogueira) partes das melhores colheitas, como forma de garantir que nas colheitas seguintes a abundância fosse igual ou maior. Ainda hoje essa prática é comum, através da queima de pedidos ou até mesmo de oferendas. As oferendas nunca devem ser produtos obtidos de um animal, mas sempre da Terra. A criação de bonecas de milho é outro dos costumes de Lughnassadh. São criadas bonecas de milho e colocadas no altar para simbolizar a Deusa e, durante o ritual, são queimadas as do ano anterior, como forma de atrair sorte para a vida do praticante.

Lughnasadh é um festival de Colheitas, o primeiro do três festivais da Colheita da Roda do Ano Wiccana, contudo, no Mundo Contemporâneo não temos mais as colheitas típicas de antigamente, em que o Homem plantava a terra e colhia de lá o seu sustento. Ou melhor, temos colheitas apenas não temos uma participação activa nas mesmas, dando que obtemos os nossos produtos dos supermercados. Porém, ainda hoje plantamos sementes e colhemos os seus frutos. Plantamos esperanças e desejos e colhemos os seus resultados. Aproveite este tempo da Roda para agradecer à Deusa por tudo o que tem e tudo o que recebeu. Caso possua jardim, colha as suas ervas e frutos. Lembre-se sempre de deixar uma oferenda para a Natureza como forma de agradecimento pelo sacrifício que a planta faz ao dar parte de si para nosso benefício.

Quanto ao altar durante o festival de Lammas, este pode ser adornado com cores da época, aquelas que são observadas na Natureza (vermelhos, amarelos, verdes…), com espigas de milho ou grãos colhidos durante a estação. Também as bonecas de milho, acima referidas, são presenças típicas nos altares pagãos.

A nível de alimentação e correspondências alimentares, não vou desenvolver muito dado que temos todo um artigo dedicado a esta temática no Bruxaria de Cozinha e Lughnasadh que aconselho vivamente a lerem e tirarem algumas ideias para as vossas celebrações! 

E vocês leitores? Como celebram esta festividade? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Melissa Askew)

Nome do Festival: Litha (pronuncia-se “litá”) ou Solstício de Verão
Data Tradicional: 21/22/23 de Junho (No Hemisfério Norte) ou 21/22/23 de Dezembro (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 0º de Cancer (HN) ou Sol a 0º de Capricórnio (HS) 
Etimologia: O nome “Litha” remonta a uma antiga palavra anglo-saxônica para o mês de Junho e passou a ser usado como um nome wiccan para este festival na segunda metade do século XX.
Correspondências de Cores: Amarelo, laranja, dourado, verde e cores associadas ao Verão. 

Litha ou Solstício de Verão é um dos festivais da Roda do Ano Wiccana e ocorre quando o sol atinge o seu pico mais alto no céu e é o dia mais longo do ano e a noite mais curta. A partir desta data a duração dos dias começa a diminuir. As noites são curtas e tradicionalmente cheias de luzes: as estrelas brilhantes do céu noturno, os pirilampos, as fogueiras e decorações que caracterizam as ruas. Na Roda do Ano Wiccana este festival assinala o ponto mais alto do Deus e a partir do qual o Deus começa a enfraquecer até à sua morte. O fogo é divinizado e tal aspeto notasse nas fogueiras que se acendiam antigamente pelas ruas e à porta das casas como também pelas iluminações que enfeitam as cidades. É uma forma de simbolizar a força do Sol que, apesar de começar a declinar, continua nos próximos meses a iluminar o céu e a aquecer a terra.

Um elemento típico do Paganismo moderno nesta celebração é a celebração da transferência de Poder do Sol do Rei Carvalho para o Rei Deus Azevinho, num modelo que o casal Farrar tornou famoso. Esta celebração é vivida por uma luta entre os dois princípios do Sol: O Princípio de Vida (Rei Carvalho) - o Sol esta no seu auge e brilha no céu proporcionando dias mais longos - que tem a duração de 6 meses – de Yule a Litha – e o Princípio da Consciência (Rei Azevinho) - em que os dias começam a diminuir e a sombra instala-se - que vai de Litha até Yule.

Uma das celebrações típicas deste festival é a criação de fogueiras e de danças em torno das fogueiras. Esta é uma excelente atividade, principalmente para quem festeja em família ou em pequenos grupos. Pode ser feita uma fogueira grande à volta da qual se pode dançar, partilhar histórias, cantar, partilhar comida e mais tipos de convivência entre praticantes. Dado esta ser a noite mais pequena do ano, é comum ficar a noite toda acordado a celebrar este festival e, no dia a seguir, ver o Sol nascer e sentir a energia solar que começará a diminuir a partir deste dia. É também um bom festival para começar trabalhos para largar coisas que já não nos servem, culminando, posteriormente, no Samhain onde é o momento ideal para estes trabalhos. Podem, nesta altura, começar a serem feitas as bases para concluir em Samhain. Esta é uma celebração também muito associada aos Povos das Fadas e a Elementares, como tal, podem ser também realizados trabalhos de contacto com os mesmos, sempre com os devidos cuidados. 

Quanto ao altar, este deve ser decorado com cores da época (amarelos, vermelhos, brancos, etc.) e também, se o praticante assim preferir, com flores e símbolos do Festival (Roda com fitas coloridas amarradas, símbolos de aves ou de animais com chifres e talismãs relativos ao Sol). 

A nível de alimentação e correspondências alimentares, não vou desenvolver muito dado que temos todo um artigo dedicado a esta temática no Bruxaria de Cozinha e Litha que aconselho vivamente a lerem e tirarem algumas ideias para as vossas celebrações! 

E vocês? Como celebram este Solstício? 

Nota: Existe um grande debate nas comunidades pagãs por detrás do uso das palavras Mabon/Ostara/Litha. Para fácil acesso por iniciantes optámos por manter a denominação neste artigo, contudo, aconselhamos a leitura deste texto e deste texto para esclarecimentos adicionais. 

Crédito de Imagem: Unsplash (Tobias Tullius) 

Nome do Festival: Beltane (pronuncia-se "bel-tane") ou Dia/Noite de Maio
Data Tradicional: 1 de Maio (No Hemisfério Norte) e 31 de Outubro (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 15º de Touro (HN) ou Sol a 15º de Escorpião (HS)
Etimologia: Beltane, etimologicamente, terá origem no gaelico "belo-tanos" que significava "fogo ardente" ou "fogo brilhante".
Correspondências de Cores: Vermelho, branco, rosa, amarelo e cores primaveris. 

Beltane é um dos oito festivais da Roda do Ano Wiccana e é celebrado no mês de Maio, no Hemisfério Norte. Este é o festival que assinala o pico da Primavera e o auge da fertilidade, os campos estão floridos, a Primavera já chegou e já se instalou em nosso redor, com os seus campos verdejantes, os animais em época de acasalamento e a frescura do bom tempo no ar. É também o famoso festival associado à "Wild Hunt" e ao Grande Rito, uma representação ritual (poderá ser feita com instrumentos ou de forma real) do acto sexual entre as duas divindades, como celebração da abundância e fertilidade que enche o Mundo neste momento, no pico da Primavera. Nesta celebração vemos, em algumas tradição, o foco em divindades voltadas para a Natureza como Cernunnos, Pan, Belenus, entre outros. É dado um foco, a nível da prática wiccana, à face do Deus como sendo o Deus Verde ("Green Man") e a sua existência enquanto Homem no seu auge da sua sexualidade e liberdade, representada pelas folhas verdejantes da natureza.

Beltane é a polaridade do festival de Samhain, o rito de honra aos Mortos e o momento em que o véu se torna fino, entre este reino e o Reino de Lá. Esta altura do ano, em Beltane, é também um momento de ligação aos Ancestrais mas de um ponto de vista diferente de como é feito em Samhain.. Enquanto em Samhain estamos num momento de introspecção, entrada no Inverno, e de reunião, em Beltane estamos num festival de luz e alegria, pelo que honramos os nossos Ancestrais com a celebração da fertilidade (e, em alguns casos, dando origem a novos seres que virão a nascer daqui a uns meses, no pico do Inverno, como é o caso da Deusa e do Deus). Adicionalmente as cinzas de uma fogueira de Beltane podem ser guardadas para serem utilizadas em rituais ou feitiços de fertilidade ao longo do ano!

Como celebração de fertilidade e de Primavera, grande parte das práticas associadas a este festival estão ligadas à sexualidade e à prosperidade. É nesta época que vemos os Mastros de Beltane, ou May Poles, e são feitas danças em volta do mesmo com muita alegria e boa disposição. Este é um Mastro que é erguido com diversas fitas de várias cores e flores e até folhas, à volta do qual se pode dançar, entrelaçando as fitas. Podem encontrar diversos vídeos online sobre danças à volta do Mastro de Beltane. Este Mastro representa, naturalmente, um falo e a sua ligação à fertilidade enquanto as fitas coloridas, entrelaçadas à volta do mesmo, representam a união entre o Deus e a Deusa, através da dança. Esta é uma excelente atividade para crianças e jovens, dado ser totalmente inocente e bastante divertida! Também as fogueiras são acendidas para representar o fogo dentro de nós e a paixão ardente. Em várias tradições, esta é a altura de assinalar os momentos de crescimento e prosperidade, sendo a altura para começar novos projectos e novas aventuras nos nossos caminhos. Podem ser criadas fogueiras para reunir grupos de amigos ou família para celebrar a noite de Beltane, mantendo-se acordados com jogos, brincadeiras, corridas, danças, comida, entre outros. 

A nível de alimentação e correspondências alimentares, não vou desenvolver muito dado que temos todo um artigo dedicado a esta temática no Bruxaria de Cozinha e Beltane que aconselho vivamente a lerem e tirarem algumas ideias para as vossas celebrações! 

E vocês? Como gostam de celebrar este festival? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Almos Bechtold)

No artigo de hoje vamos falar de um tema que considero ser sempre importante, principalmente para quem está a começar. Já falamos disto de certa forma anteriormente nos textos de "Auto-Proclamados Mestres" no Paganismo e Bruxaria ou Os Cuidados nas Comunidades Pagãs contudo não posso deixar de sentir que é essencial falarmos destes temas, principalmente enquanto estas situações acontecerem nas nossas comunidades e à nossa volta. Não podemos enfiar a cabeça na areia e fingir que dentro do Paganismo e da Bruxaria toda a gente é "do bem" e que não há riscos porque, como em tudo na vida, há sempre riscos. E acho que é importante darmos espaço para estes tópicos serem falados e conhecidos, pois só assim poderemos prevenir que estas situações ocorram. 

É normal quando começamos a trilhar o caminho no Paganismo ou na Bruxaria de sentirmos a necessidade de nos encaixar num grupo que nos compreenda, com o qual possamos aprender e ser ensinados, possamos celebrar festivais, fazer rituais e feitiços e desenvolver a nossa prática. O ser humano é um ser dado á socialização e, como tal, é 100% normal querer estar em grupos dentro das nossas práticas religiosas. Contudo encontrar o grupo certo pode ser uma tarefa complicada, principalmente em comunidades como as do Paganismo em Portugal, em que temos de saber onde procurar. 

Por isso quis fazer este artigo onde vamos falar de alguns sinais que vos DEVEM deixar desconfiados quando estão a conhecer novos grupos: 

  • Oferecem automaticamente iniciação: A realidade é que a maioria dos grupos dentro do Paganismo e da Bruxaria não estão ativamente a procurar expansão dos seus membros. Não somos proselitista nem queremos andar a converter pessoas, como tal, raramente os grupos estarão ativamente a procurar novas pessoas e, muito menos, a oferecer iniciação assim que conhecem alguém! A maioria dos grupos, seja dentro de práticas modernas ou tradicionais, poderá ter círculos externos ou eventos para conhecer novas pessoas mas nunca andará a tentar recrutar nem oferecer imediatamente iniciações e promessas.

  • Dizem que somos "especiais" ou que temos "poderes únicos": Este pode ser um dos argumentos, juntamente com o ponto acima da iniciação, para tentar convencer alguém a entrar para um grupo. Repito: Nenhum grupo de respeito tentará convencer pessoas a juntar-se a eles! E isto aplica-se também a fazer elogios deste género.  Apelar às nossas sensibilidades ou receios, através de nos elogiar ou fazer sentir especial, acaba por nos fazer baixar a guarda e querer confiar naquela pessoa, quando ela não tem intenções positivas. 

  • Recusam conhecer-se em locais abertos: Recusam encontrar-se pessoalmente em locais públicos como cafés, esplanadas, jardins, etc. Fazem questão de se encontrar em locais pouco movimentados ou até convidar as pessoas para ir diretamente a casa deles ou a um local que lhes pertença. Isto pode parecer uma informação muito óbvia para quem está habituado a estar na internet mas, infelizmente, ainda acontece nas nossas comunidades. Não se encontrem com pessoas que não conhecem pessoalmente, pela primeira vez, em locais privados. Façam-no sempre em locais públicos, com pessoas em vosso redor, informem os vossos amigos ou familiares onde vão estar e, se possível, vão acompanhados! Se a pessoa não aceitar bem… É um sinal que esse não é o sítio para vocês. 

  • Falam muito mal de outras comunidades ou dizem ter "inimigos": Todos sabemos que nem toda a gente se dá bem uns com os outros e é normal haver desentendimentos dentro de comunidades ou grupos que gostamos mais do que de outros. Contudo é um sinal de alerta de as pessoas que estamos a conhecer passam mais tempo a criticar o trabalho dos outros ou a falar mal de alguém do que a focar-se no seu próprio caminho. É ainda mais grave se insistem em "ter inimigos" e que é preciso esforços ativos para se protegerem deles. Isto é meio caminho andado para começarem a fazer pedidos estranhos (dinheiro, favores, etc) sobre o pretexto de se precisarem de "proteger" deste inimigos. É também uma forma de tentar afastar as pessoas da comunidade e, como tal, de isolá-las. 

  • A conversa rapidamente desvia para questões de dinheiro: A questão de dinheiro é uma questão sensível de se abordar dentro dos grupos porque há grupos que realmente cobram pelos ensinamentos ou pelos materiais e isso é válido. Contudo há que saber onde está a linha entre pagamentos válidos e pagamentos indevidos: Uma coisa é contribuir para comprar livros ou alugar um espaço para fazer rituais ou comprar materiais para fazer o ritual ou comida para partilhar. Outra coisa é encher os bolsos dos lideres para que possam comprar um carro novo ou uma casa nova, sem qualquer tipo de justificação ou uso público do dinheiro. Se as pessoas que estamos a começar a conhecer estiverem sempre a falar de falta de dinheiro ou problemas de dinheiro e constantemente a focar nesse aspecto, este é um sinal de alerta. E o mesmos se aplica se for o oposto: Se a pessoa estiver sempre a tentar mostrar o quanto dinheiro tem e como tem mais coisas ou mais posses ou mais instrumentos/baralhos/etc do que os outros. 

Infelizmente estes são pontos aos quais devemos prestar atenção na nossa busca por um grupo ou um coven ao qual pertencer e são sinais de alerta que nos podem ajudar a distinguir o que será uma experiência mais valiosa e o que poderá acabar por vir a ser um desastre. Como alguém que já teve de passar por um desastre desses, gosto de falar abertamente deste assunto e puder ajudar os nossos leitores a evitar estas situações e a dar-vos as ferramentas necessárias para que possam encontrar (ou até criar!) o vosso grupo ideal de forma segura e fácil! 

E vocês? Algumas dicas para os nossos leitores? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Levi Guzman)

Unsplash (Halanna Halila)

Uma das principais dificuldades de quem está a começar a estudar Paganismo e Bruxaria é a clarificação dos conceitos, dado que estes são muito confundidos na maioria dos sites e livros. Este artigo pretende esclarecer alguns conceitos principais do começo do seu estudo. Claro que, como creio ser óbvio, estas definições não são as "certas" nem as "erradas". São uma das várias definições que podem ser dadas e o seu objectivo é ajudar a clarificar quem está a começar a estudar.

Os três conceitos que vamos abordar este artigo são: Paganismo, Bruxaria e Wicca. Este artigo é uma nova actualização a um artigo antigo que tinhamos que já falava destes três pontos mas aqui serão abordados de forma mais desenvolvida e mais clara! 

  • Wicca
A Wicca é uma religião ou caminho espiritual que surgiu por volta da década de 1950 na Inglaterra, pelas mãos de Gerald Gardner. Se a mesma foi criada ou trazida a público pelo Gardner é uma questão que ainda é debatida nas comunidades pagãs, pelo que não iremos pronunciar-nos sobre isso.

A Wicca é um culto duoteísta que se concentra em duas divindades: A Deusa e o Deus. Estas duas divindades possuem diversas faces, podendo ser encaradas como Deusa e Deus ou como um outro Casal Sagrado, presente numa mitologia à escolha do praticante. Na Wicca são celebrados os 8 festivais da Roda do Ano (Samhain, Yule, Imbolc, Ostara, Beltane, Litha, Lughnassadh e Mabon) que são as celebrações da Natureza e a passagem das estações, associadas ao Mito da Roda do Ano, que poderá ser visto na secção das Celebrações. Para além destas festividades, na Wicca ainda se celebra os Esbats que são celebrações de Lua, sendo que são realizados rituais ou celebrações relacionados com cada fase da Lua em questão.

A Wicca é dividida em duas principais ramificações: Wicca Tradicional e Wicca Moderna. A Wicca Tradicional é a vertente mais antiga, baseada nos trabalhos de Gerald Gardner e de Alex Sanders sendo que é bastante rígida e conta com a presença das Leis Wiccans, obrigatoriedade de ritos 'skyclad', entre outros aspectos. A Wicca Moderna, como o próprio nome indica já conta com um método mais aberto, dado que é a junção de todos os novos caminhos que surgiram e ainda surgem dentro da Wicca e que contam com uma maior liberdade de trabalho e com a presença, em vários casos, da "auto-iniciação", conceito introduzido por Raymond Buckland. Na Wicca existe, como em todos os lados, diversas controvérsias. A principal é relacionada com a Iniciação. A Wicca é, tradicionalmente, um caminho iniciático e sacerdotal (isto significa que é um caminho no qual a Iniciação é obrigatória e todo o iniciado é Sacerdote). A controvérsia em torno deste assunto trata-se que a vertente tradicionalista acredita e defende que a Iniciação deverá ser feito dentro de um coven estabelecido e com todas as regras que isso incluí, enquanto grande parte da vertente Moderna defende o conceito de "auto-iniciação". 

Por fim é importante realçar a forte ligação existente na Wicca pelo culto à Natureza e pela fertilidade, algo que está sempre presente na prática Wiccana tal como, é necessário, realçar a utilização da Magia e da Bruxaria enquanto ofício, por parte de grande parte dos Wiccans.

  • Bruxaria
"A Bruxaria é um ofício que utiliza a magia para obter fins específicos" - Esta é uma adaptação da frase que estava no site Bruxaria.net (um dos primeiros sites voltados para a Bruxaria e Paganismo em Português!) que acho que resume de forma sucinta o que é a Bruxaria. A Bruxaria é uma forma de trabalhar com a magia. A Bruxaria não é uma religião e pode ser praticada por pessoas de qualquer caminho espiritual/religioso ou, até, de quem não segue nenhuma religião ou espiritualidade em específico. Existem imensas formas de praticar Bruxaria tal como Bruxaria de Cozinha, Bruxaria Natural, Bruxaria Tradicional, entre outras. É um grande espectro de práticas que podem ser adaptadas e praticadas por quem pretender. Não existem regras nem leis gerais associadas à Bruxaria sendo que não há uma unificação deste ofício. O mesmo é praticado por pessoas de todos os caminhos, idades, géneros, etnias, etc. 

  • Paganismo
O Paganismo é um termo umbrella que engloba diversos caminhos espirituais/religiosos que têm entre si algumas parencenças: Imaginem ma árvore bem grande e forte, com um tronco bastante largo. Esse tronco largo, é o Paganismo. O Paganismo é o tronco de uma árvore e os caminhos dentro do Paganismo são os ramos. São vários os caminhos que se podem incluir dentro do Paganismo tal como a Wicca, Neo-Druidismo, Neo-Xamanismo, Reconstrucionismo Celta, Reconstrucionismo Egípcio, Recontrucionismo Romano, Recontrucionismo Helénico, Reconstrucionismo Nórdico (Asatru, Odinismo, etc.) e muitos outros caminhos diferentes. Todos estes caminhos partilham alguns pontos-chave em comum tal como a ligação e o respeito pela Terra e a Natureza e a tentativa de reconstrução ou adaptação de práticas pagãs pré-cristãs. O Paganismo é um termo bastante díficil de definir porque há várias formas de o definir. Recomendo a leitura do texto "The Big Tent of Paganism" do John Beckett que faz uma reflexão muito interessante sobre a definição e sobre o que é o Paganismo. 


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Estas são apenas definições simplificadas acerca destes caminhos: Não servem como informação completa para iniciar uma prática. Recomendamos a leitura de mais artigos relacionados com o tema (temos uma secção para Iniciantes aqui no site) e uma vista de olhos pela nossa secção de Recursos que conta com imensas recomendações de livros, websites, canais de Youtube, entre outros. 

E vocês? Praticam algum destes caminhos?

Unsplash (Tyson Dudley)
As Ondinas são, na maioria das vezes, associadas como sendo do sexo feminino devido à forte ligação entre o Elemento Água e a Mulher e o aspecto feminino. Porém, este elemental também tem a sua versão masculina. São responsáveis por diversas tarefas associadas ao elemento água, tanto a nível da água doce (rios, riachos, etc.) como também a nível da água salgada (oceanos e mares). Há quem faça a distinção de que as Ondinas pertencem à água doce e as Sereias pertencem à água salgada, existem ambos os pontos de vista, sendo que deixo isso ao critério do praticante e da sua conexão com estes elementais.

As Ondinas podem habitar em cascatas, riachos, pântanos, charcos, margem dos rios e praias, cavernas subterrâneas, etc. São os espíritos da Água e, como tal, estão presentes em locais onde haja água em abundância.

São elementais acima de tudo associado com as emoções e são, por norma, relativamente amigáveis e de contacto mais fácil do que as Salamandras. Porém é sempre necessário manter o nível de respeito e a noção de que estamos a lidar com entidades diferentes de seres humanos.

As Ondinas (tal como as Sereias) são um dos principais elementais a ser retratado nas mitologias e histórias de folclore, desde a Antiguidade (ex: A Odisseia). São, maioritariamente, representadas como sendo antropomórficas, muito bonitas e graciosas e estão bastante presentes na Arte e Escultura.

Tal como os elementares anteriores, também as Ondinas têm o seu Rei, denominado de Necksa (Ou Nicksa) e, à semelhança dos casos anteriores, é necessário cuidado e respeito ao lidar com esta entidade dado que a mesma é, para todos os efeitos, Rei de um conjunto de elementais e de um Elemento.

O trabalho com as Ondinas tem diversos efeitos nos seres humanos, quando bem estabelecido. O elemento Água está associado aos sentimentos e sensações e, como tal, o trabalho com estes elementais despoleta um maior equilíbrio e entendimento da nossa intuição, dos nossos sentimentos e sensações e do campo emocional. E o oposto se verifica, no caso de um trabalho inexistente ou incorretamente feito.

As formas de contactar estes Elementais será no seu habitat natural, através de meditações junto de riachos, praias, rios, nascentes, etc. Uma excelente forma é através da limpeza e manutenção destes espaços e oferendas alimentares ou benéficas para aqueles locais. A melhor forma de estabelecer uma conexão com as Ondinas é através de honrar os seus espaços. Caso não tenha espaços destes próximos, pode também recorrer a fontes de interiores (fontes de água alimentadas por baterias ou energia elétrica) e utilizar essa fonte como ponto de conexão com o Elemento Água. Se possível, garanta que a água é retirada de um nascente ou de uma fonte.

Terminamos assim a nossa série e esperamos que tenham gostado de aprender mais sobre os Elementais de cada elemento!

E vocês, leitores? Já estabeleceram contacto com estes elementais?
Unsplash (Marek Szturc)
Hoje vamos falar dos Elementais do elemento Fogo, as Salamandras. Tal como falámos anteriormente cada um dos elementos tem espíritos elementais associados sendo que, no caso do elemento Fogo, os espíritos elementais são as Salamandras.

Estes são dos elementais mais complicados de estabelecer a ligação e cujo contacto deve ser mais cuidado. Tal como o fogo são elementais imprevisíveis e bastante intensos, sendo que há que ter uma forma diferente de lidar com os mesmos. Chatear ou ofender uma Salamandra pode ter resultados catastróficos, dependendo da gravidade do que foi feito. Por norma este é dos elementais com que se aconselha ser dos últimos a estabelecer contacto (supondo que o objectivo é estabelecer com todos) dado que requer algum domínio próprio e paciência.

O contacto com as Salamandras, para além dos motivos indicados acima, é também complicado dado que, como elementais do Fogo, tudo aquilo de que se aproximam é reduzido a cinzas e queimado. Assim sendo o seu contacto tem de ser feito de forma cuidada, dado que as Salamandras são a própria alma da chama e o que causa o arder, o crepitar e o consumir do fogo.

À semelhança dos restantes elementais, as Salamandras possuem características típicas ao seu elemento. São representados como estando presente em todas as chamas e, muitas vezes, são vísiveis nas chamas dos incêndios ou das lareiras. Aliás há imensas imagens na Internet de "figuras" em chamas de velas, incêndios, lareiras e outros em que estamos a olhar, em alguns casos, para representações dos elementais.

Apesar da semelhança do nome Salamandras a um animal que existe na Natureza não deveremos confudir os dois. As salamandras enquanto elementais são assim chamadas pela sua associação aos movimentos serpentinos das chamas que ficaram associado aos ânfibios e ao mexer das suas caudas.

Tal como os restantes grupos de elementais, as Salamandras encontram o seu Rei na entidade de Djinn, um espírito do fogo intenso e severo. Este é considerado um dos Reis Elementais mais respeitado e severo e não deverá, nunca, ser chamado em vão.

As suas funções estão intimamente ligadas ao subsolo e à ligação do fogo dentro do Planeta Terra: a lava, os vulcões, o calor do interior da Terra, etc. Estão ligadas à manutenção do equílibrio dos Vulcões e, quando na necessidade, de causar as suas erupções. Estão também presentes em todas as chamas e locais de calor. O trabalho com os elementais do Fogo, tal como o trabalho com o próprio elemento, é desenvolvido acima de tudo no interior e na mente, através do trabalho com a força de vontade, disciplina e impulso da vida.

Já estabeleceram contacto com as Salamandras? Já conheciam? Como foram as vossas experiências? 


Unsplash (Aaron Burden)
Hoje falaremos dos elementais associados ao Elemento Ar. Tal como falámos anteriormente cada um dos elementos tem espíritos elementais associados sendo que, no caso do elemento Ar, os espíritos elementais são os Silfos (muitos associam também as Fadas ao elemento Ar, porém, focaremos o nosso artigo nos Silfos). 

Os Silfos correspondem à força criadora do Ar e são constituidos acima de tudo por Ar e Luz, sendo que são seres que se movimentam livremente dentro do seu elemento porém, à semelhança dos restantes elementais, não se sentem adequados em outros elementos sendo que preferem manter-se no ar e dentro do seu próprio território. 

São elementais mais complicados de estabelecer contacto do que os Gnomos pois são mais dispersos e focam a sua energia em coisas diferentes, como a arte, os sonhos, a poesia, etc. São também os elementais que se encontram numa vibração mais elevada e, como tal, de mais díficil alcance por parte da nossa mente. São também, à semelhança dos Gnomos, elementais que vivem muitos anos. 

O Ar é o elemento da inspiração e do pensamento e, como tal, os seus elementais possuem muitas desssas características e focam o seu trabalho em torno das mesmas. 


Apesar de os Silfos não se reproduzirem, existem tanto Silfos do sexo masculino (Wallotes) como do sexo feminino (Arienes). A sua principal função, enquanto elementais do Ar, é a manutenção do ar da atmosfera, pressão atmosférica e, também, a purificação do ar que respiramos. Trabalham em conjunto com os elementais da Terra de forma a garantir o correcto funcionamento do ar e do oxigénio para conseguir garantir a vida da Terra. 


Tal como todos os outros elementais os Silfos possuem também um Rei chamado Paralda que se diz viver na montanha mais alta do Mundo. É visto como uma fina e ténua névoa azul e todos os problemas que hajam associados aos Elementais do Ar são tratados por ele. Tal como o Rei Ghob, que vimos anteriormente, não deverá ser chamado em vão pois os Reis elementais são severos e não aceitam ser chamados por situações leves e sem sentido. 


O trabalho com os Silfos é um trabalho acima de tudo mental e de conexão astral dado esse ser o plano em que os mesmos se manifestam. É um trabalho demorado e que requer esforço e prática, dado que, como falamos, os Silfos são os elementais em vibração mais elevada e cuja conexão se torna mais díficil. É necessária paciência, persistência e determinação. Uma boa forma de contactar com estes elementais é através das acções associadas ao seu elemento tal como a poesia, a pintura, o pensamento, a filosofia, viagens e busca da sabedoria. Muitos são os poetas e filósofos gregos, como Sócrates, que se referiram aos Silfos pela sua grandeza de ser e a sua forma de ser. 

Outra das formas de contactar estes elementais é no seu próprio elemento indo a locais onde haja bastante vento (porém que sejam seguros!) como topos de montanhas e colinas, praias onde haja bastante vento, torres altas, etc. Também em locais associados às características do elemento (como escolas e bibliotecas ou até a viajar) são sítios em que é possível estabelecer uma ligação com os Silfos, os elementais do Ar.

E vocês, nossos leitores? Como são as vossas experiências com estes seres? 

Hoje vamos falar dos quatro elementos e da sua importância, tal como também das suas características, representações e associações mágicas. 


Este é o elemento com o qual todos estamos mais familiarizados pois é o que constitui onde vivemos, a própria terra que pisamos. O elemento Terra é o alicerce dos restantes elementos e é nesse plano que nós passamos a maior parte do nosso tempo. O elemento Terra é um elemento feminino, associado à abundância e fertilidade o que fez com que muitos povos associassem este elemento a uma divindade, a Mãe-Terra. Está associado ao corpo, fertilidade, materialismo, dinheiro, prosperidade, responsabilidade, bosques, florestas, campos, pedras, cavernas, cristais, runas, ossos e toque. 

Direcção: Norte - Lugar da Escuridão
Energia: Receptiva. Fixa. Feminina.
Palavras-Chaves: Estar ou Calar.
Estação: Inverno - Tempo da Escuridão.
Signos: Touro, Virgem e Capricórnio
Elementares: Gnomos
Rei Elementar: Rei Ghob
Vento no Norte: Bóreas
Sentido: Norte
Idade: Velhice
Trabalho Ritual: Enterrar, plantar, fazer imagens na terra, jardinagem, magnetismo, pedras, magia de cordas, rituais para abundância material, emprego, estabilidade, emprego, crescimento, ganho material e negócios. 
Lugares: Cavernas, vales, florestas, campos cultivados, jardins, parques, cozinhas, minas, tocas, montanhas.
Cores: Preto, Vermelho, Verde, Castanho e Dourado.
Minerais: Cristais de rocha e escuros, com formas geométricas. Sal, minérios, terra, carvão. Ónix, Turmalina, Jaspe, azurita, ametista, fluorite, etc.
Metais: Ferro e chumbo.
Animais: Vaca, touro, cervo, veado, lobo, cabra, urso, touro, animais que vivam em tocas, minhoca, formiga, esquilo, cavalo, etc.
Símbolos: Pentagrama, sal, imagens, pedras, espigas de trigo, bolotas, montanhas, grutas, árvores, etc.
Instrumentos Musicais: Instrumentos de percussão.
Incensos: Benjoim.
Plantas e Árvores: Musgo, líquenes, nozes, plantas secas, grãos, aveia, arroz, hera, nozes, carvalho, raízes, figueira, etc.
Deusas & Deuses: Ceres, Deméter, Gaia, Persephone, Reia, Rhiannon, Atena.




Este é o elemento associado ao intelecto, ao pensamento e que constitui o primeiro passo para a criação. É a representação da visualização clara e limpa e é também o movimento que impulsiona essa visualização., Está associado a viagens, instrução e liberdade. É um elemento masculino e expansivo que domina os locais de aprendizagem. Rege a magia dos quatro ventos, das divinações e da concentração. Está associado à mente, trabalhos mentais, intuitivos e psíquicos, à criatividade, à meditação, à filosofia, ao debate, à memória, entre outros.

Direcção: Este - Lugar do Sol Nascente
Energia: Masculina, Projectiva, Mutável.
Palavras-Chaves: Saber.
Estação: Primavera - Tempo de Frescura
Signos: Gémeos, Balança e Aquário
Elementares: Silfos ou Fadas
Rei Elementar: Paralda
Vento no Este: Eurus
Sentido: Este
Idade: Infância
Trabalho Ritual: Passar objectos pelo fumo, atirar objectos ao ar, suspender objectos em lugares altos, pendurar objectos ao vento, soprar objectos ou em objectos,  
Lugares: Sítios ventosos, topo das montanhas, planícies  batidas pelo vento, colinas, praias ventosas, torres altas, bibliotecas, escritórios, etc.
Cores: Branco, azul-claro, tons pastel, amarelo.
Minerais: Pedras claras e transparentes, ametista, fluorite branca, pedra da Lua, alexandrita, pedras azuis, topázio, rodocrosite.
Metais: prata, cobre e estanho.
Animais: Falcão, pomba, lobo, veado, gato, raposa, tartaruga, pássaros no geral, insectos voadores, aranha, corvos.
Símbolos: Céu, vento, respiração, vibração, nuvens, brisa.
Instrumentos Musicais: Flauta e instrumentos de sopro.
Incensos: Hortelã, lavanda, erva-cidreira, sálvia, mirra, alecrim e olíbano.
Plantas e Árvores: Mirra, alfazema, verbena, prímula, plantas aromáticas, mirra, freixo, bétula, palmeira.
Deusas & Deuses: Aradia, Arianrhood, Enlil, Mercúrio, Toth, Atena


Este é o elemento associado à vida, à energia, força, vontade e autoridade. É um dos elementos que gerou muita admiração religiosa e encontra papel em várias religiões do Mundo e tem papel principal em vários mitos, de várias culturas, como serve de exemplo o Mito de Prometeu na Grécia Antiga. Este é o elemento da mudança, da vontade e paixão. É também o reino da seuxalidade e não representa apenas o fogo sagrado do sexo e a intensidade do acto sexual mas também a faísca divina de cada um de nós. 

Direcção: Sul
Energia: Masculina, Projectiva, Activa.
Palavras-Chaves: Querer.
Estação: Verão - Tempo de Calor.
Signos: Carneiro, Leão e Sagitário
Elementares: Salamandras
Rei Elementar: Djinn
Vento no Norte: Notus
Sentido: Sul
Idade:Juventude
Trabalho Ritual: Queimar, defumar e aquecer ou derreter.
Lugares: Desertos, vulcões, fornos, saunas, ginásios, quarto (sexo), fontes termais.
Cores: Vermelho, amarelo, laranja, dourado, branco, cores de chamas.
Minerais: Pedras vermelhas, jaspe, vulcânicas como a lava, opala vermelha, rubi, ágata, cornalina rosa, âmbar, citrino, areia da praia, rubi, carnélia, ágata.
Metais: Ouro, latão, cobre, aço.
Animais: Tigre, leão, coiote, raposa, porco-espinho, texugo, urso, fénix, dragão, abelhas, tubarões, escorpiões.
Símbolos: Adaga, velas, chama, lava, estrelas, Sol, relâmpagos.
Instrumentos Musicais: Guitarra e instrumentos de corda.
Incensos: Olíbano, canela, resina.
Plantas e Árvores: Plantas com picos como os cactos, plantas quentes como as malaguetas, mostarda e estimulantes como o café. Também alho, hibisco, cebola, pimenta vermelha, nozes, papoilas, hibisco.
Deusas & Deuses: Agni, Horus, Hefesto, Prometeu, Héstia, Vesta, Brigit, Pele, Marte.


Este é o elemento com ligação às emoções, à introspecção, à reflexão e intuição. Está ligado à purificação e à mente subconsciente. Assim como a água é fluida e adapta-se e molda-se ao seu exterior, também assim são as nossas emoções. O elemento Água está muito relacionado com o autoconhecimento, jornadas xamânicas, comunicação espiritual, dormir e sonhos, felicidade, segurança. 

Direcção: Oeste
Energia: Receptiva. Mutável. Feminina.
Palavras-Chaves: Sentir ou Ousar.
Estação: Outono - Tempo de colheita
Signos: Caranguejo, Escorpião e Peixes.
Elementares: Ondinas
Rei Elementar: Necksa ou Niksa
Vento no Norte: Zéfiro
Sentido: Paladar
Idade: Maturidade
Trabalho Ritual: Diluição, lavar, banhar, poções, cozinhar.
Lugares: Lagos, rios, fontes, poços, praias, banheiras, nascentes, ribeiros, piscinas, oceano.
Cores: Azul, azul-esverdeado, cinzento, preto, prateado, cinza, índigo.
Minerais: Água-marinha, ametista, turmalina azul, coral, fluorita azul, topázio, pedras transparentes ou translúcidas, pedras de rio ou mar, lápis-lazúli, sodalite, conchas.
Metais: Mercúrio, Prata.
Animais: Serpentes, golfinhos, peixes, mamíferos marinhos, caranguejo, rã, gato, cisne.
Símbolos: Taça, caldeirão, conchas, copo de água, íman, gelo, neve, nevoeiro, oceanos, rios .
Instrumentos Musicais: Címbalo, sinos e instrumentos de metal.
Incensos: Mirra, camomila, sândalo.
Plantas e Árvores: Lótus, nenúfares, algas, gardénia, lavanda, feto, musgo, salgueiro, couve-flor.
Deusas & Deuses: Afrodite, Isis, Selene, Arianrhod, Osíris, Neptuno, Poseidon, Iemanjá.


Qual o vosso elemento favorito? Com qual têm mais ligação e preferem trabalhar e qual o que têm mais dificuldade?


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Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0