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Sob o Luar


Nome do Festival: Equinócio da Primavera ou Ostara (pronuncia-se "oh-stá-ra")
Data Tradicional: 21/22/23 de Junho (No Hemisfério Norte) e 21/22/23 de Dezembro (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 0º de Cancer/Caranguejo (HN) e Sol a 0º de Capricórnio (HS)
Etimologia: Ostara, etimologicamente, terá origem no nome de uma antiga Deusa Celta chamada "Eostre" referida nos textos "De Temporum Ratione" escrito por um monge chamado Bede no ano de 723. Contudo é uma terminologia recente e não é antiga e recomendo a leitura deste e deste artigo na temática.
Correspondências de Cores: Tons pastéis, cor-de-rosa, verde, amarelo, branco e cores primaveris. 

O equinócio da Primavera assinala o momento em que a noite e o dia têm a mesma duração e, a partir deste momento, os dias serão mais longos e as noites mais curtas. Assinala o início da Primavera e o fim do Inverno. As flores começam a florir, o verde surge nos campos, as folhas voltam às árvores e até os animais sentem esta mudança ao nosso redor. Nós próprios, inconscientemente, sentimos as alterações dos ciclos da Terra. Começamos a sentir-nos mais dinâmicos e com mais força de vontade, devido à maior exposição ao Sol e a toda a energia de "renascimento" que se sente no ar. Como celebração de fertilidade e do início da Primavera, grande parte das práticas associadas a este festival estão ligadas a ritos de fertilidade como os ovos de Ostara, os coelhos, as flores, entre outros símbolos. É uma altura para festejar a Primavera e tudo o que esta estação traz consigo. É um momento em que podemos celebrar o Sol e a sua vitória sobre o Inverno e sobre a Escuridão, dando as boas-vindas à claridade e ao calor que se aproximam.

Ostara é a polaridade do festival de Equinócio do Outono. Isto significa que enquanto neste momento do ano entramos na Primavera e iniciamos a jornada para a parte mais solarenga do ano, no polo oposto, temos o começo do Outono e a entrada no caminho para a parte mais escura do ano. Existem algumas relações entre a celebração e correspondências do Equinócio da Primavera e da Páscoa Cristã, dado que houve uma adaptação de algumas práticas no processo de estabelecimento do cristianismo em território Europeu e algumas práticas folk da época foram adaptadas pelo movimento cristão, como é o caso dos ovos da Páscoa ou do "Coelho da Páscoa". 

No mito da Roda do Ano Wiccana é neste festival que o Deus mostra que está a começar a crescer e a Deusa assume o seu papel de Donzela, ajudando o Deus no seu crescimento. O Sol passará, a partir desta data, a ocupar um lugar mais alto no céu e os dias serão mais longos, como tal, o Deus estará mais forte e mais poderoso, caminhando para o seu auge em Beltane e no Solstício de Verão que se aproxima. 

Algumas das tradições e práticas comuns para muitos praticantes deste festival é pintar os ovos com cores variadas e realizar jogos, principalmente para os mais novos. Também contar mitos associados a esta altura do ano é uma fantástica forma de celebrar (por exemplo o Mito da Subida de Perséfone do Submundo, da mitologia grega, em que Perséfone volta para a superfície e as flores voltam a florescer). Outra prática fantástica para simbolizar esta celebração e que contribui muito para o bem-estar da Terra é semear plantas e árvores, aproveitando as energias da Primavera e dos novos começos para iniciar as novas vidas das nossas plantas. Aliás muitas plantas têm como época de plantio o começo da Primavera.

No seu altar pode colocar várias flores de muitas cores, ovos coloridos e velas coloridas também. As melhores flores associadas a este festival são, por exemplo, o cravo vermelho, a rosa, o trevo e outras flores que recordem a Primavera. A nível da alimentação, seja para celebrações em grupo ou individual, recordamos que temos o texto sobre Bruxaria de Cozinha e Ostara com várias dicas e informações úteis!

Outra dica para esta altura do ano é aproveitar para realizar trabalhos mágicos (feitiços, encantamentos, sigilos, etc.) relacionados com novos crescimentos ou empreendimentos, cura, limpezas e começos de novos caminhos. Se está à espera para iniciar um novo projeto, aproveite a Primavera e as suas energias, sem dúvida terá sucesso!

E vocês? Como costumam celebrar esta festividade? 

Nome do Festival: Imbolc (pronuncia-se “Imólg”) 
Data Tradicional: 1 de Fevereiro (No Hemisfério Norte) e 1 de Agosto (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 15º de Aquário (HN) ou Sol a 15º de Leão (HS)
Etimologia: A origem etimológica de Imbolc não é clara mas acredita-se que venha do Irlandês Antigo "i mbolc" (irlandês moderno: "i mbolg") que significa "na barriga" e estaria associada às ovelhas prenhas nesta altura do ano. 
Correspondências de Cores: Rosas, vermelhos, brancos, etc. 

Imbolc também chamado de Oimelc, Dia da Senhora, Candelárias ou Candlemas, é um dos Sabbats maiores e é festejado, tradicionalmente, no dia 1 de Fevereiro (Hemisfério Norte) ou 1 de Agosto (Hemisfério Norte). É, tradicionalmente, um festival gaélico e atualmente associado à Santa Brígida e marca o começo da primavera, ocorrendo a cerca de meio tempo entre o Solstício de Inverno e o Equinócio da Primavera. 

Este é um festival que assinala o regresso da Luz e dos primeiros passos rumo à Primavera. Nesta altura as neves começam a derreter, os dias ficam gradualmente maiores, chegam as chuvas e o frio começa a despedir-se. É também uma altura em que, para os nossos antepassados, a comida começava a escassear com o final do Inverno e começava a ser preciso improvisar as refeições e a alimentação que se fazia. Como celebração do regresso da Luz e do Sol, Imbolc é um festival solar em que nos focamos em "ajudar" o Sol a subir no céu para trazer consigo o calor da Primavera. São acendidas fogueiras, velas, candelabros e todo o tipo de luzes para iluminar a noite e trazer com a Luz para os nossos dias, incentivando, dessa forma, o Sol a regressar também. 

Este festival é de origem Celta e, para os celtas, a lareira era algo bastante importante principalmente num festival como Imbolc que, devido ao frio que se fazia sentir no exterior, era celebrado acima de tudo a nível mais familiar e mais íntimo. O fogo é um fator importante neste festival, pelo que é comum acender-se várias fogueiras ou velas, para ajudar a "dar força ao Sol" para se erguer no céu. 

Imbolc, como muitos outros costumes pagãos, também foi adotado para a prática cristã e recebeu o nome de “Candlemas” ou, em português, “Candelária”. Este tornou-se um festival enraizado na cultura cristã e, inclusive, na Península Ibérica existe um ditado que profetiza o tempo, relacionado com esta celebração, que diz “Se a Senhora sorrir, muita chuva está p’ra vir! Se a Senhora chorar, o Verão está a chegar!”.

Imbolc é também uma altura apropriada para purificação e limpeza, sendo que estamos num momento de renovação. O Inverno chegou ao fim e a Primavera começa. Portanto, pode aproveitar este festival para limpar a sua casa, tanto fisicamente quanto energeticamente e a mesma coisa com o seu próprio corpo. Existe uma tradição de construir uma Cruz de Brighid (ou Brígida), em nome da Deusa Brígida, da Cultura Celta, bastante presente neste festival. Esta Cruz tem o propósito de servir proteção para as pessoas. São tradicionalmente colocadas algures na casa, para a proteger.

Quanto ao altar, pode ter bastantes velas, como referi, a Luz é um ponto fulcral deste Sabbat. E pode predominar, em termos de cores, rosas, vermelhos, marrons, brancos, etc. As simbologias deste festival e que podem estar presentes, tanto no ritual quanto no altar pessoal, são as vassouras, as cruzes de Brígida, velas e outros símbolos de Luz e flores, como amarelas e brancas, para simbolizar o Sol.

A nível de comidas e alimentos, recordo que temos um artigo sobre Bruxaria de Cozinha e o Imbolc com imensas informações sobre como celebrar esta festividade à mesa! 

E vocês? Como costumam celebrar esta festividade? 

Nome do Festival: Yule (pronuncia-se “í-ule”) ou Solstício de Inverno
Data Tradicional: 21/22/23 de Dezembro (No Hemisfério Norte) e 21/22/23 de Junho (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 0º de Capricórnio (HN) e Sol a 0º de Cancer/Caranguejo (HS)
Etimologia: Yule é a versão moderna das palavras do inglês antigo ġēol ou ġēohol e ġēola ou ġēoli, com a primeira indicando o festival de 12 dias de "Yule" e a última indicando o mês de "Yule". A linhagem etimológica da palavra permanece incerta, embora várias tentativas especulativas tenham sido feitas ao longo do tempo.
Correspondências de Cores: Vermelho, verde, dourado e cores invernais. 

Yule também denominado de Solstício de Inverno, Meio do Inverno e Alban Arthan é um dos Sabbats menores da Roda do Ano e marca a altura em que o Sol atinge o seu ponto mais baixo e se prepara, a partir daqui, para subir no céu e voltar a erguer-se fortemente e brilhar alto. Este é o dia em que a duração do dia é mais curta e a duração da noite é mais longa e, por isso, é um momento de renascimento: tanto do Sol que morre e nasce (simbolicamente) como de um renascimento pessoal. Para além disso, também se refere à promessa da fertilidade dos campos que, com os raios de luz do Sol e os dias que vão começar a crescer gradualmente, garantem alimento na mesa. Sendo também um momento escuro, dado que é a noite mais longa do ano, é um momento em que, em tempos antigos, os nossos antepassados se reuniam em casa, em torno da fogueira, e era um momento muito voltado para a família e para o convívio. Ainda nos dias de hoje isso se verifica, com celebrações de outras fés religiosas cujas datas coincidem com o Solstício de Inverno (ex. O Natal). 

No mito da Roda do Ano Wiccana é neste festival que se assinala o nascimento do Deus e em que a Deusa se torna Mãe, dando à luz a criança promessa, tal como o Sol que renasce. Este mito é partilhado por muitos outros caminhos religiosos (pagãos e abraâmicos) onde nesta altura do ano se assinala o nascimento de uma criança prometida. 

Uma das grandes tradições deste festival é acender um cepo na fogueira, o chamado Yule Log (poderá ser escolhido um tipo específico de madeira, dependendo da tradição de cada um). Isto é uma forma de contribuir, simbolicamente, para o reforço da Luz Solar e a sua vitória sobre as trevas. As brasas resultantes desta fogueira podem ser usadas como amuletos ou talismãs que carregam o poder da vitória do Sol para o resto do ano, colocando-se debaixo da cama para ajudar na saúde ou levar connosco como amuleto no dia-a-dia. 

Também o Bolo-Rei, uma grande tradição desta época do ano, é outro elemento importante neste festival. Este bolo pode ser considerado um símbolo do Sol pela sua forma redonda e branca e, ao mesmo tempo, pode também representar a terra com as suas frutas cristalizadas dentro de si (em semelhança à Terra que está com as sementes dentro de si, à espera do momento ideal para germinarem). Para mais informações e dicas sobre alimentação durante este festival, recomendo a leitura do nosso texto de Bruxaria de Cozinha e Yule que tem várias recomendações de comidas, pratos e ingredientes que podem marcar presença na nossa mesa nesta altura festiva. 

Uma árvore de Yule pode ser construída para simbolizar a alegria e alegrar a casa (decorada com azevinho e visco e cores entre o dourado, verde e vermelho – cores estas que também decoram o altar durante este período). Também toda a casa pode ser decorada de forma a ajudar o Sol a subir no céu, utilizando as cores da época e outras decorações alusivas ao Sol. 

E vocês? Como costumam celebrar esta festividade? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Jessica Delp)

Nome do Festival: Samhain (pronuncia-se “sou-ein”)
Data Tradicional: 31 de Outubro (No Hemisfério Norte) e 1 de Maio (No Hemisfério Sul)

Nome do Festival: Mabon (pronuncia-se “má-bon”) ou Equinócio de Outono
Data Tradicional: 21/22 ou 23 de Setembro (No Hemisfério Norte) ou 21/22 ou 23 de Março (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 0º de Balança (HN) ou Sol a 15º de Carneiro (HS)
Etimologia: O nome Mabon tem várias controvérsias devido à sua origem, pelo que recomendo a leitura deste e deste artigo. Neste artigo iremos usar apenas o termo "Equinócio de Outono". 
Correspondências de Cores: Laranja, vermelho, castanho, amarelo torrado, verde escuro e preto.

O Equinócio de Outono também chamado Sabbat de Outono, Festa do Milho-Rei e Alban Elfed, é o Segundo Festival das Colheitas. Tem lugar quando o Sol está a 0º de Balança (no Hemisfério Norte) e 0º de Áries (no Hemisfério Sul), ou seja, ocorre por volta de 21/22/23 de Setembro (no HN) e Março (HS). Os Equinócios são pontos de equilíbrio, onde a Luz e a Escuridão estão iguais. A partir desta data, o período escuro do ano começa e a escuridão vence uma vez mais. Relembro que escuridão não significa algo mau, é somente uma referência à falta da intensidade do Sol e o começo e vitória do Inverno. As noites tornar-se-ão mais longas e os dias mais curtos, até que o Deus nasça, em Yule.

O equinócio é sentido como sendo o fim da alegria do ano e, as cores das folhas douradas, agora começam a desvanecer e a cair com mais intensidade, deixando as árvores nuas e preparadas para o rígido Inverno que se aproxima. Nesta altura colhem-se as frutas e as uvas maduras e iniciam-se as chamadas desfolhadas do milho com os seus, subtis, mas presentes, comportamentos cerimoniais à volta do “Milho-Rei”. Esta é a altura da colheita do milho e em Portugal temos uma grande cultura, que já se está a perder, à volta do milho e da desfolhada do milho. O Milho-Rei (ou o Phallus de Fogo) é a espiga de milho de cor vermelha, que é muito rara. Dizem as tradições ibéricas dos camponeses que quem encontrar essa espiga tem de beijar todos os membros do sexo oposto. Este é um momento ideal para procurar mais sobre estas tradições e como as mesmas podem ser aplicadas à nossa actualidade pagã. 

O Equinócio de Outono, tal como Lughnassadh, também é considerado um dia de Acção de Graças Pagão. Muitos praticantes dizem ser em Lughnassadh, outros dizem ser em o Equinócio de Outono, vai depender da opinião e prática de cada um. Alguns dos alimentos típicos deste festival são os produtos que contenham milho e/ou trigo, pães, nozes, frutos secos, maçãs, raízes (cenouras, cebolas, batatas, etc.), romãs, tomates, etc. Quanto às bebidas é comum a Sidra e o Vinho. Recordamos ainda que temos um artigo sobre Bruxaria de Cozinha e o Equinócio de Outono, com mais informações sobre como aplicar a cozinha e a comida nesta celebração. 

O Altar é caracterizado pela presença de cores outonais (vermelhos, laranjas, castanhos, etc.), presentes na natureza. Também pode ser adornados com espigas de milho, cornucópias, folhas secas, maçãs, etc.

E vocês leitores? Como celebram esta festividade? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Aarón Blanco Tejedor)

Nome do Festival: Lughnasadh (pronuncia-se “lu-na-sa”) ou Lammas
Data Tradicional: 1 de Agosto (No Hemisfério Norte) ou 1 de Fevereiro (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 15º de Leão (HN) ou Sol a 15º de Aquário (HS)
Etimologia: O nome “Lughnasadh" vem do nome do Deus Lugh e significa "celebração a Lugh". (Etimologia)
Correspondências de Cores: Laranjas, Amarelos, Castanhos Claros, Amarelos Torrados, Dourado e Verdes. 

Lughnasadh ou Lammas também denominado de Véspera de Agosto ou Primeiro Festival da Colheita é um dos Sabbats Maiores e é realizado tradicional no 1 de Agosto (HN) e 1 de Fevereiro (HS). Astrologicamente ocorre quando o Sol está a 15º de Leão no Hemisfério Norte e a 15º de Aquário no Hemisfério Sul. Este festival é a polaridade de Imbolc pois enquanto em Imbolc lança-se as sementes, em Lughnassadh colhe-se os frutos. Notasse também esta polaridade no facto de nesta altura o Hemisfério contrário celebrar esse festival.

Lughnassadh é um festival de origem celta, em honra do Deus Solar Lugh. A Terra encontra-se rica e abundante e os homens colhem dela o que plantaram, em preparação para os tempos frios e rigorosos do Inverno que se aproxima a passos largos. Na Roda do Ano Wiccana, é neste dia que o Deus Sol se transforma no Deus das Sombras e se sacrifica pela Terra. A Deusa possui o papel de Mãe mas prepara-se brevemente para o seu cargo como Anciã.

Esta época do ano é bastante marcada pela presença do pão. O pão pode ser algo que representa todos os elementos, pois todos são necessários para a sua criação. Portanto, uma ideia para Lughnassadh será fazer pão caseiro (pode fazer pão de milho ou pão de trigo, por exemplo) e utilizar no seu ritual, partilhar com a sua família ou oferecer à Natureza ou aos Deuses. Também o trigo tem um papel importante neste Sabbat, sendo um dos produtos colhidos e um dos pontos fulcrais na criação do pão.

Falando de oferendas, um dos costumes europeus, para agradecer à Deusa a abundância desse ano, era sacrificar (através de uma fogueira) partes das melhores colheitas, como forma de garantir que nas colheitas seguintes a abundância fosse igual ou maior. Ainda hoje essa prática é comum, através da queima de pedidos ou até mesmo de oferendas. As oferendas nunca devem ser produtos obtidos de um animal, mas sempre da Terra. A criação de bonecas de milho é outro dos costumes de Lughnassadh. São criadas bonecas de milho e colocadas no altar para simbolizar a Deusa e, durante o ritual, são queimadas as do ano anterior, como forma de atrair sorte para a vida do praticante.

Lughnasadh é um festival de Colheitas, o primeiro do três festivais da Colheita da Roda do Ano Wiccana, contudo, no Mundo Contemporâneo não temos mais as colheitas típicas de antigamente, em que o Homem plantava a terra e colhia de lá o seu sustento. Ou melhor, temos colheitas apenas não temos uma participação activa nas mesmas, dando que obtemos os nossos produtos dos supermercados. Porém, ainda hoje plantamos sementes e colhemos os seus frutos. Plantamos esperanças e desejos e colhemos os seus resultados. Aproveite este tempo da Roda para agradecer à Deusa por tudo o que tem e tudo o que recebeu. Caso possua jardim, colha as suas ervas e frutos. Lembre-se sempre de deixar uma oferenda para a Natureza como forma de agradecimento pelo sacrifício que a planta faz ao dar parte de si para nosso benefício.

Quanto ao altar durante o festival de Lammas, este pode ser adornado com cores da época, aquelas que são observadas na Natureza (vermelhos, amarelos, verdes…), com espigas de milho ou grãos colhidos durante a estação. Também as bonecas de milho, acima referidas, são presenças típicas nos altares pagãos.

A nível de alimentação e correspondências alimentares, não vou desenvolver muito dado que temos todo um artigo dedicado a esta temática no Bruxaria de Cozinha e Lughnasadh que aconselho vivamente a lerem e tirarem algumas ideias para as vossas celebrações! 

E vocês leitores? Como celebram esta festividade? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Melissa Askew)

Nome do Festival: Litha (pronuncia-se “litá”) ou Solstício de Verão
Data Tradicional: 21/22/23 de Junho (No Hemisfério Norte) ou 21/22/23 de Dezembro (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 0º de Cancer (HN) ou Sol a 0º de Capricórnio (HS) 
Etimologia: O nome “Litha” remonta a uma antiga palavra anglo-saxônica para o mês de Junho e passou a ser usado como um nome wiccan para este festival na segunda metade do século XX.
Correspondências de Cores: Amarelo, laranja, dourado, verde e cores associadas ao Verão. 

Litha ou Solstício de Verão é um dos festivais da Roda do Ano Wiccana e ocorre quando o sol atinge o seu pico mais alto no céu e é o dia mais longo do ano e a noite mais curta. A partir desta data a duração dos dias começa a diminuir. As noites são curtas e tradicionalmente cheias de luzes: as estrelas brilhantes do céu noturno, os pirilampos, as fogueiras e decorações que caracterizam as ruas. Na Roda do Ano Wiccana este festival assinala o ponto mais alto do Deus e a partir do qual o Deus começa a enfraquecer até à sua morte. O fogo é divinizado e tal aspeto notasse nas fogueiras que se acendiam antigamente pelas ruas e à porta das casas como também pelas iluminações que enfeitam as cidades. É uma forma de simbolizar a força do Sol que, apesar de começar a declinar, continua nos próximos meses a iluminar o céu e a aquecer a terra.

Um elemento típico do Paganismo moderno nesta celebração é a celebração da transferência de Poder do Sol do Rei Carvalho para o Rei Deus Azevinho, num modelo que o casal Farrar tornou famoso. Esta celebração é vivida por uma luta entre os dois princípios do Sol: O Princípio de Vida (Rei Carvalho) - o Sol esta no seu auge e brilha no céu proporcionando dias mais longos - que tem a duração de 6 meses – de Yule a Litha – e o Princípio da Consciência (Rei Azevinho) - em que os dias começam a diminuir e a sombra instala-se - que vai de Litha até Yule.

Uma das celebrações típicas deste festival é a criação de fogueiras e de danças em torno das fogueiras. Esta é uma excelente atividade, principalmente para quem festeja em família ou em pequenos grupos. Pode ser feita uma fogueira grande à volta da qual se pode dançar, partilhar histórias, cantar, partilhar comida e mais tipos de convivência entre praticantes. Dado esta ser a noite mais pequena do ano, é comum ficar a noite toda acordado a celebrar este festival e, no dia a seguir, ver o Sol nascer e sentir a energia solar que começará a diminuir a partir deste dia. É também um bom festival para começar trabalhos para largar coisas que já não nos servem, culminando, posteriormente, no Samhain onde é o momento ideal para estes trabalhos. Podem, nesta altura, começar a serem feitas as bases para concluir em Samhain. Esta é uma celebração também muito associada aos Povos das Fadas e a Elementares, como tal, podem ser também realizados trabalhos de contacto com os mesmos, sempre com os devidos cuidados. 

Quanto ao altar, este deve ser decorado com cores da época (amarelos, vermelhos, brancos, etc.) e também, se o praticante assim preferir, com flores e símbolos do Festival (Roda com fitas coloridas amarradas, símbolos de aves ou de animais com chifres e talismãs relativos ao Sol). 

A nível de alimentação e correspondências alimentares, não vou desenvolver muito dado que temos todo um artigo dedicado a esta temática no Bruxaria de Cozinha e Litha que aconselho vivamente a lerem e tirarem algumas ideias para as vossas celebrações! 

E vocês? Como celebram este Solstício? 

Nota: Existe um grande debate nas comunidades pagãs por detrás do uso das palavras Mabon/Ostara/Litha. Para fácil acesso por iniciantes optámos por manter a denominação neste artigo, contudo, aconselhamos a leitura deste texto e deste texto para esclarecimentos adicionais. 

Crédito de Imagem: Unsplash (Tobias Tullius) 

Nome do Festival: Beltane (pronuncia-se "bel-tane") ou Dia/Noite de Maio
Data Tradicional: 1 de Maio (No Hemisfério Norte) e 31 de Outubro (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 15º de Touro (HN) ou Sol a 15º de Escorpião (HS)
Etimologia: Beltane, etimologicamente, terá origem no gaelico "belo-tanos" que significava "fogo ardente" ou "fogo brilhante".
Correspondências de Cores: Vermelho, branco, rosa, amarelo e cores primaveris. 

Beltane é um dos oito festivais da Roda do Ano Wiccana e é celebrado no mês de Maio, no Hemisfério Norte. Este é o festival que assinala o pico da Primavera e o auge da fertilidade, os campos estão floridos, a Primavera já chegou e já se instalou em nosso redor, com os seus campos verdejantes, os animais em época de acasalamento e a frescura do bom tempo no ar. É também o famoso festival associado à "Wild Hunt" e ao Grande Rito, uma representação ritual (poderá ser feita com instrumentos ou de forma real) do acto sexual entre as duas divindades, como celebração da abundância e fertilidade que enche o Mundo neste momento, no pico da Primavera. Nesta celebração vemos, em algumas tradição, o foco em divindades voltadas para a Natureza como Cernunnos, Pan, Belenus, entre outros. É dado um foco, a nível da prática wiccana, à face do Deus como sendo o Deus Verde ("Green Man") e a sua existência enquanto Homem no seu auge da sua sexualidade e liberdade, representada pelas folhas verdejantes da natureza.

Beltane é a polaridade do festival de Samhain, o rito de honra aos Mortos e o momento em que o véu se torna fino, entre este reino e o Reino de Lá. Esta altura do ano, em Beltane, é também um momento de ligação aos Ancestrais mas de um ponto de vista diferente de como é feito em Samhain.. Enquanto em Samhain estamos num momento de introspecção, entrada no Inverno, e de reunião, em Beltane estamos num festival de luz e alegria, pelo que honramos os nossos Ancestrais com a celebração da fertilidade (e, em alguns casos, dando origem a novos seres que virão a nascer daqui a uns meses, no pico do Inverno, como é o caso da Deusa e do Deus). Adicionalmente as cinzas de uma fogueira de Beltane podem ser guardadas para serem utilizadas em rituais ou feitiços de fertilidade ao longo do ano!

Como celebração de fertilidade e de Primavera, grande parte das práticas associadas a este festival estão ligadas à sexualidade e à prosperidade. É nesta época que vemos os Mastros de Beltane, ou May Poles, e são feitas danças em volta do mesmo com muita alegria e boa disposição. Este é um Mastro que é erguido com diversas fitas de várias cores e flores e até folhas, à volta do qual se pode dançar, entrelaçando as fitas. Podem encontrar diversos vídeos online sobre danças à volta do Mastro de Beltane. Este Mastro representa, naturalmente, um falo e a sua ligação à fertilidade enquanto as fitas coloridas, entrelaçadas à volta do mesmo, representam a união entre o Deus e a Deusa, através da dança. Esta é uma excelente atividade para crianças e jovens, dado ser totalmente inocente e bastante divertida! Também as fogueiras são acendidas para representar o fogo dentro de nós e a paixão ardente. Em várias tradições, esta é a altura de assinalar os momentos de crescimento e prosperidade, sendo a altura para começar novos projectos e novas aventuras nos nossos caminhos. Podem ser criadas fogueiras para reunir grupos de amigos ou família para celebrar a noite de Beltane, mantendo-se acordados com jogos, brincadeiras, corridas, danças, comida, entre outros. 

A nível de alimentação e correspondências alimentares, não vou desenvolver muito dado que temos todo um artigo dedicado a esta temática no Bruxaria de Cozinha e Beltane que aconselho vivamente a lerem e tirarem algumas ideias para as vossas celebrações! 

E vocês? Como gostam de celebrar este festival? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Almos Bechtold)

Unsplash (Element5 Digital)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Samhain! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Samhain
Datas: 31 de Outubro (HN) ou 1 de Maio (HS)

Samhain (pronuncia-se “sou-en”) é também denominado de Halloween, Hallowmas, Véspera de Todos os Sagrados, Véspera de Todos os Santos, Festival dos Mortos e Terceiro Festival da Colheita. Samhain é considerado um dos mais importantes festivais Wiccanos ao lado de Beltaine. Samhain realiza-se quando o Sol está a 15º de Escorpião (no Hemisfério Norte) e a 15º de Touro (no Hemisfério Sul). Pode também ser celebrado na data tradicional que é 1 de Maio (Hemisfério Sul) e 31 de Outubro (no Hemisfério Norte).

Este é um festival para honrar os nossos antepassados e Ancestrais. Podemos, e devemos, partilhar alimentos com os mesmos, convidá-los para as nossas mesas e honrar a sua importância na nossa vida, no nosso caminho e na nossa existência. Muitos Bruxos optam por deixar um lugar à mesa para os Ancestrais ou colocar comida no altar ou, em algumas práticas, deixar um prato com comida no alpendre ou no lado de fora de casa para alimentar os espíritos que vagueiam na noite das Almas. 

Um dos principais símbolos deste terceiro, e último, festival das Colheitas é a Abóbora. Todos conhecemos a associação da abóbora com o Halloween e ela não deixa de ter menos impacto no Samhain! A abóbora é um alimento rico nesta altura do ano e extremamente versátil. Desde sopas, tartes, bolos, biscoitos, lattes e até sementes de abobora assadas no forno existem mil e um pratos que podem ser feitos com aboboras. É caso para dizer que o céu é o limite da nossa imaginação. Sejam inventivos e podem utilizar este produto em qualquer prato sejam sobremesas ou entradas.  

Outro alimento que tem também um grande papel durante este festival de Samhain é a romã. A romã está associada a Samhain devido à sua ligação com o Mito de Persephone e a sua Descida ao Submundo, que é assinalada perto desta altura do ano. Também a romã pode ser usada de diversas formas: para fazer sumos, em saladas, em tartes e muitas outras variantes. Podem também ser colocadas em altares em honra à Deusa Persephone e celebrando a sua descida de volta ao Submundo. 

Para além das abóboras e romãs, também outros alimentos costumam estar presentes à mesa durante esta altura do ano como todo o tipo de frutos secos e cereais que podem ser utilizados para cozinhar diversos pratos (recordamos que Samhain é o Terceiro Festival das Colheitas, por isso, todos os alimentos consumidos nos outros dois festivais podem fazer parte da mesa nestas celebrações). Também o vinho quente com especiarias é excelente para esta altura do ano, tal como todo o tipo de vegetais de raízes como batatas, cenouras, nabos, beterrabas, etc. 

Samhain é uma altura para reunir a família, festejar o fim de um ciclo e celebrar aqueles que vieram antes de nós ou que já não estão connosco. Façamos banquetas e celebremos a vida, agora que o ano termina e o Sol se esconde! Que a alegria deste festival possa manter-se dentro de nós até o Sol nascer forte novamente. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Joanna Kosinska)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Mabon ou Equinócio de Outono! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Equinócio de Outono ou Mabon
Datas: 20/21/22/23 de Setembro (HN) ou 20/21/22/23 de Março (HS)

Mabon (pronuncia-se “mêibon”), também denominado de Sabbat de Outono ou Equinócio de Outono é o Segundo Festival das Colheitas. Tem lugar quando o Sol está a 0º de Libra (no Hemisfério Norte) e 0º de Áries (no Hemisfério Sul), ou seja, ocorre por volta de 21/22/23 de Setembro (no HN) e Março (HS). Os Equinócios são pontos de equilíbrio, onde a Luz e a Escuridão estão iguais. A partir desta data, o período escuro do ano começa e a escuridão vence uma vez mais. Relembro que escuridão não significa algo mau, é somente uma referência à falta da intensidade do Sol e o começo e vitória do Inverno. As noites tornar-se-ão mais longas e os dias mais curtos até chegar o Inverno.

Um dos principais símbolos deste segundo festival das Colheitas é o Milho. Esta é a altura da colheita do milho e em Portugal temos uma grande cultura, que já se está a perder, à volta do milho e da desfolhada do milho. Este é um momento ideal para procurar mais sobre estas tradições e como as mesmas podem ser aplicadas à nossa actualidade pagã. O milho pode ser utilizado em diversos pratos como maçaroca assada, milho com arroz, salada de milho, milho no forno, etc. Existem mil e uma formas de utilizar o milho na cozinha e de lhe dar um lugar de destaque à mesa. 

Outro alimento que tem também um grande papel durante o Equinócio de Outono são as maçãs! Com o mês de Setembro vem o período da apanha da maçã e podemos utilizar esta fruta nos nossos pratos e cozinhados, seja no forno, cozinhada, assada, em tartes, em compotas e doces, etc. Em termos mágicos a maçã tem uma grande simbologia, não só pela associação cristã do "fruto proibido do Jardim do Éden" mas também pelo facto que se cortarmos uma maçã ao meio, as suas sementes irão formar um pentagrama. É um dos frutos associados à Bruxaria e, como tal, esta é a época perfeita para lhe dar um lugar privilegiado à mesa. No caso de ter um jardim ou quinta onde tenha uma macieira pode aproveitar para apanhar as maçãs e conservar as mesmas através de doces e compotas que podem ser usadas ao longo do Inverno que virá. 

Para além do milho e das maçãs, também outros alimentos costumam estar presentes à mesa durante esta altura do ano como as castanhas, as abobóras (que terão um papel de destaque ainda maior em Samhain!), feijões, nozes e o pão, que continua a ter o seu lugar à mesma após Lughnassadh. Aliás, se quiserem juntar o pão e o milho podem fazer pão de milho ou broa de milho que são pães bastante tipicos em Portugal. 

Esta é uma celebração rica em diversas actividades e a segunda de três celebrações relacionadas com as Colheitas, por isso, não tenham medo de inovar e experimentar coisas novas. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Nota: Existe um grande debate nas comunidades pagãs por detrás do uso das palavras Mabon/Ostara/Litha. Para fácil acesso por iniciantes optámos por manter a denominação neste artigo, contudo, aconselhamos a leitura deste texto e deste texto para esclarecimentos adicionais. 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Wesual Click)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Lughnasadh! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Lughnasadh
Datas: 1 de Agosto (HN) ou 1 de Fevereiro (HS)

Lughnasadh é a polaridade de Imbolc pois enquanto em Imbolc lança-se as sementes, em Lughnasadh colhe-se os frutos. É um dos primeiros festivais das Colheitas e marca o fim do Verão e a chegada iminente do Outono. É um período marcado por altas temperaturas e o começo das colheitas nas quintas e plantações. Na Wicca é neste dia que o Deus Sol se transforma no Deus das Sombras e se sacrifica pela Terra. A Deusa possui o papel de Mãe mas prepara-se brevemente para o seu cargo como Anciã. Lughnasadh é um festival de origem celta, em honra do Deus Solar Lugh. Daí vem o seu nome “Lughnassadh” que é traduzido para “celebração a Lugh”.

Um dos principais símbolos deste primeiro festival das Colheitas é o pão. Com o início da colheitas dos cereais (trigo, milho, aveia, etc) nesta altura do ano, o fabrico do pão e do trabalho com estes cereais toma um lugar de destaque. Como tal, fazer o seu próprio pão e partilhar o mesmo com a família ou o seu grupo é uma excelente actividade para este festival. Não só é uma actividade relaxante e divertida de fazer em família (até com os pequenos!) mas também uma fantástica oportunidade de conexão com uma prática ancestral: a de fazer o pão, de fazer o nosso alimento. O pão é um dos marcos à mesa de várias civilizações e gerações. O fabrico do pão é uma arte ancestral que pode, e deve, ser honrada neste festival.

Pode aproveitar e usar este festival como uma forma de conhecer melhor o pão. Experimente fazer vários tipos de pão (pão de milho, pão de centeio, pão de mistura, etc) e ver quais as diferenças entre cada pão, como os mesmos são preparados, quais as energias com que pode trabalhar, etc. Adicionalmente, se quiser fazer um esforço adicional, pode investigar de onde vem o pão que compra no dia-a-dia e quais os seus ingredientes e tomar decisões conscientes para apoiar pequenos negócios e fabricantes e comprar pão que seja saudável e bom para o seu corpo e saúde. 

É também durante esta altura que pode, caso tenha jardim ou plantas em casa, começar a colher algumas ervas que utiliza na cozinha e começar a secá-las para usá-las em pratos e refeições durante o Outono e Inverno. Muitas plantas murcham durante o Inverno o que não nos permite utilizar as mesmas frescas nas nossas refeições (a menos que recorramos a plantas de interior ou de estufas). Como tal, esta é uma excelente altura para começar e colher e secar as plantas para usar nos nossos pratos culinários durante as estações que estão para vir. 

Outro dos alimentos que marca bastante este festival são as bagas como as amoras, framboesas e mirtilos. Pode aproveitar para comer as mesmas frescas ou fazer compotas e doces que vão durar as próximas estações para ter em casa ou, até, fazer compotas energizadas com amor e harmonia para ajudar em feitiços futuros ou a manter a tranquilidade no lar nos próximos meses. Não há nada melhor para acompanhar uma boa fatia de pão caseiro do que doce acabado de fazer das nossas bagas! E é também uma excelente actividade para fazer com crianças! 

Esta é uma celebração rica em diversas actividades e a primeira de três celebrações relacionadas com as Colheitas, por isso, não tenha medo de inovar e experimentar coisas novas. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson

Unsplash (Tania Melnyczuk)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Litha ou do Solstício de Verão! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Litha ou Solstício de Verão
Datas: 20/21/22/23 de Junho (HN) ou 20/21/22/23 de Dezembro (HS)

Litha ou Solstício de Verão ocorre quando o sol atinge o seu pico mais alto no céu e é o dia mais longo do ano e a noite mais curta. A partir desta data a duração dos dias começa a diminuir. As noites são curtas e tradicionalmente cheias de luzes: as estrelas brilhantes do céu nocturno, os vaga-lumes, as fogueiras e decorações que caracterizam as ruas. Na Roda do Ano Wiccana este festival assinala o ponto mais alto do Deus e a partir do qual o Deus começa a enfraquecer até à sua morte. 

O fogo é divinizado e tal aspecto notasse nas fogueiras que se acendiam antigamente pelas ruas e à porta das casas como também pelas iluminações que enfeitam as cidades. Ainda hoje, em várias práticas cristãs celebradas pela altura do Solstício (os Santos Populares) há muito a ideia da fogueira e do fogo. Também neste festival é considerado que o véu entre o nosso mundo e o mundo das fadas está mais fraco, sendo uma altura propícia para a conexão com estes elementais e seres, de forma cuidadosa. 

A nível de comida no Solstício temos um foco muito grande em frutas e vegetais frescos. Estamos numa altura de abundância de produtos naturais e de uma Natureza rica em ingredientes e recursos que nos são muito úteis nas nossas aventuras culinárias. Como tal, devemos privilegiar frutas frescas da época e vegetais frescos da época. Podemos fazer sumos, gelados, saladas, saladas de frutas, gelados, smoothies, sopas frias entre outras refeições frescas e propícias para esta altura do ano. Também nas bebidas podemos apostar em produtos naturais com frutas frescas ou, no caso de bebidas alcóolicas, em bebidas à base de cereais ou mel como a cerveja e hidromel ou até bebidas caseiras à base de frutas frescas da época. 

Algo que pode ser feito nesta altura do ano também, principalmente em zonas como Portugal em que há uma tradição muito forte na celebração dos Santos Populares que, como dito anteriormente, coincidem na mesma altura do Solstício de Verão, é utilizar alimentos que são típicos dessas celebrações como o pão, as sardinhas, os grelhados, etc. Podemos aqui, através da comida, estabelecer uma ponte entre as nossas celebrações e as celebrações do que convivem em nosso redor, porém, fazem parte de outras tradições. Recordemos que grande parte das celebrações cristãs da actualidade como os Santos Populares, Natal, Páscoa, etc tem muita inspiração de práticas pagãs dos povos antigos e, como tal, acabam por coincidir com práticas que estão  incluídas na nossa prática actual. E esta é uma excelente forma de estabelecer uma comunicação e ligação com as pessoas da nossa vida que seguem outros ramos religiosos. 

Temos de aproveitar o Solstício de Verão para cozinhar e comer todos aqueles produtos e ingredientes que brevemente não estarão disponíveis naturalmente (ou seja, sem ser através de estufas artificiais) na Natureza com a chegada iminente do Outono e das épocas das colheitas, por isso, usem e abusem dos frutos frescos, dos vegetais, dos grelhados, das bebidas e inovem na criação de alimentos como sopas, gelados, bebidas, cocktails, entre outros!

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Nota: Existe um grande debate nas comunidades pagãs por detrás do uso das palavras Mabon/Ostara/Litha. Para fácil acesso por iniciantes optámos por manter a denominação neste artigo, contudo, aconselhamos a leitura deste texto e deste texto para esclarecimentos adicionais. 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Anshu A)
Hoje voltamos com um artigo da nossa série de Bruxaria de Cozinha e a Roda do Ano e vamos falar sobre Beltane!

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Beltane
Datas: 01 de Maio (HN) ou 31 de Outubro (HS)

Beltane é um festival que assinala o pico da Primavera e o auge da fertilidade, sendo o ritual tipicamente associado ao Grande Rito e à consumação da relação entre o Deus e a Deusa, nas tradições Wiccanas. Os campos estão floridos, a Primavera já chegou e já se instalou em nosso redor, com os seus campos verdejantes, os animais em época de acasalamento e a frescura do bom tempo no ar. Existe, neste festival, um foco em divindades voltadas para a Natureza como Cernunnos, Pan, Belenus, entre outros.

Como celebração de fertilidade e de Primavera, grande parte das práticas associadas a este festival estão ligadas à sexualidade e à prosperidade. É nesta época que vemos os Mastros de Beltane, ou May Poles, e são feitas danças em volta do mesmo com muita alegria e boa disposição. Também as fogueiras são acendidas para representar o fogo dentro de nós e a paixão ardente. Em várias tradições, esta é a altura de assinalar os momentos de crescimento e prosperidade, sendo a altura para começar novos projectos e novas aventuras nos nossos caminhos.

Existem vários alimentos que estão associados a esta altura do ano tal como todo o tipo de lactícnios e pratos que possam ser criados com os mesmos, flores comestíveis, doces e aveia ou doces/comidas criadas com aveia e alimentos semelhantes. Esta altura do ano era, principalmente na Escócia, muito associada à aveia e alimentos semelhantes, como tal, para quem tem ligações com essa zona do Mundo, será uma boa inclusão alimentar! Aconselho também a procurarem quais os alimentos da época na zona onde vivem e incorporarem na vossa prática. 

São vários os pratos que podem ser feitos com as energias deste festival são vários tipos de tartes que levem ovos e frutos da época para sobremesas. É também muito bom, para esta altura do ano em que o calor começa a voltar, começar a introduzir gelados na nossa alimentação. Podem fazer gelados caseiros com frutos da época e locais da vossa zona, se conseguirem ter acessos aos mesmos. Estão não só a incluir frutos locais e da época como também a utilizar uma base de leite (ou substituto do leite) que conecta mais com este festival. Se quiserem, de forma a despertar um pouco mais o lado sexual deste festival, podem também incorporar comidas um pouco mais picantes, como pratos que incluam pimentas ou piri-piri e afins. Podem também incluir na mesa festival vários tipos de queijo, se gostarem. Se tiverem possibilidade, recomendo verem quais os queijos locais da vossa zona e apoiarem esses pequenos artesãos. Quiches com vegetais e até flores comestíveis são também pratos que podem ser aplicados e parte do menu nesta altura do ano. Vários pratos frescos e com energia do Verão que se aproxima podem, e devem, fazer parte da nossa mesa como saladas (de frutas ou de vegetais!), iogurtes, gelados, entre outros. Sem medos de inovar! 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Melissa Walker Horn)
Hoje voltamos com um artigo da nossa série de Bruxaria de Cozinha e a Roda do Ano e vamos falar sobre Ostara!

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Ostara / Equinócio da Primavera
Datas: 19/20/21/22 de Março (HN) ou 19/20/21/22 de Setembro (HS)

O Equinócio da Primavera, ou Ostara, é um festival que celebra o início da Primavera e o final do Inverno. É o momento em que o Dia e a Noite estão em igualdade e, a partir deste momento, o Sol continua a subir e subir mais alto no céu, tendo já passado a metade em que a noite durava mais do que o dia. As flores começam a florir, o verde surje nos campos, as folhas voltam ás árvores e até os animais sentem esta mudança ao nosso redor. Nós próprios, inconscientemente, sentimos as alterações dos ciclos da Terra. Começamos a sentir-nos mais dinâmicos e com mais força de vontade, devido à maior exposição ao Sol e a toda a energia de "renascimento" que se sente no ar.

Como celebração de fertilidade e do início da Primavera, grande parte das práticas associadas a este festival estão ligadas a ritos de fertilidade como os ovos de Ostara, os coelhos, as flores, entre outros símbolos. É uma altura para festejar a Primavera e tudo o que esta estação traz consigo. É um momento em que podemos celebrar o Sol e a sua vitória sobre o Inverno e sobre a Escuridão, dando as boas-vindas à claridade e ao calor que se aproximam.

Existem vários alimentos que estão associados a esta altura do ano. Com a chegada da Primavera e do bom tempo, os nossos ancestrais, começam a deixar os gados e animais voltarem para o exterior. Os pastos encontravam-se verdes e com flores e começava-se a ver os primeiros brotos de novas plantas e as sementes a nascer. Assim sendo, esta é uma altura muito propícia para utilizar todo o tipo de sementes em pratos ou para vegetais como couves e vegetais verdes, que nos recordem da chegada da Primavera como couves de bruxelas, bróculos, etc.

Para além destes alimentos podem também ser incorporados nos pratos celebratórios de Ostara várias flores comestíveis como rosas ou flores de courgetes. É necessário garantir que estas flores (e todos os vegetais que utilizamos) não levaram com pesticidas que possam ter efeitos negativos na nossa saúde. É preciso ter a certeza que todos os produtos naturais utilizados na cozinha estão devidamente lavados e prontos para serem consumidos. 

Outro ingrediente que pode ser incluídos nos pratos primaveris associados ao Equinócio da Primavera é o ovo! O Equinócio da Primavera ocorre em altura semelhante à Páscoa e todos crescemos com os "ovos da páscoa". Esta prática é inspirada em práticas pagãs, onde o ovo estava associado à fertilidade dado que é do ovo que nasce a vida. Como tal, o ovo pode, e deve, ser utilizado quer como alimento ou parte de refeições criadas (como bolos ou outros pratos que utilizem ovos) e também como decoração de altares ou casas (através de esvaziando o interior do ovo e decorando a casca exterior).

São vários os pratos que podem ser feitos com energias da Primavera são pães doces, peixes temperados com sementes ou especiarias e ovos, bolos de mel ou de chocolate, nozes e outras sementes e frutas sazonais. Recomendamos sempre a procurar quais os alimentos e pratos típicos da área que vivem para esta altura do ano e podem incorporar os mesmos na sua prática pessoal, permitindo uma ligação ao local onde vivem e, também, a um melhor conhecimento dos alimentos que são utilizados tradicionalmente nesta altura, na zona onde vivem. Não tenham medo de inovar e sair da caixa, esta altura do ano é fantástica para novos inícios e novas aventuras, e isto pode ser também retratado a nível alimentar! 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Nota: Existe um grande debate nas comunidades pagãs por detrás do uso das palavras Mabon/Ostara/Litha. Para fácil acesso por iniciantes optámos por manter a denominação neste artigo, contudo, aconselhamos a leitura deste texto e deste texto para esclarecimentos adicionais. 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Ali Inay)
A alimentação é um dos pontos principais do nosso dia-a-dia, é o que nos fornece energia para funcionarmos e fazermos as nossas tarefas e é também uma fonte de prazer e lazer, através da experiência de novos pratos e sabores. Como tal, é natural que a alimentação tenha um papel importante no nosso quotidiano e, correspondentemente, na nossa prática e caminho mágico. 

Sabem que eu tenho uma paixão muito grande por Bruxaria de Cozinha e hoje gostava de vos falar sobre como a alimentação pode ter impacto na nossa prática pagã e como podemos trabalhar com a nossa alimentação e com o que consumimos, para melhorar a nossa prática e o nosso bem-estar. O nosso bem-estar está intrinsecamente conectado à nossa prática e caminho pagão. Se não nos estivermos a sentir bem não vamos conseguir concentrar-nos no que estamos a fazer e aplicar a nossa energia naquele trabalho, seja um ritual, um feitiço ou até uma meditação. E a alimentação é uma chave para atingirmos o nosso bem-estar. 

Como Bruxos e Bruxas reconhecemos a importância que as plantas e as frutas têm na magia e na prática mágica. Sabemos que o alecrim é uma boa planta para limpeza de locais e que a maçã está associada ao amor, tal como a canela está associada à prosperidade. Usamos estes ingredientes em saquetas mágicas, incensos, banhos, oferendas e até para untar velas. Estas correspondências são partes activas de muita prática mágica e, como tal, porque não incluir as mesmas nas nossas refeições? Se organizarmos a nossa comida e refeições de forma consciente e tendo em consideração estas correspondências mágicas estamos a influenciar a nossa comida e, consequentemente, a nossa nutrição e o nosso corpo, magicamente.

Isto pode ser aplicado em vários cenários, por exemplo:

Devoção e Conexão com Divindades: Uma das formas de nos conectarmos com uma divindade pode ser através de conexão com as suas correspondências, incluindo as alimentares. Algumas das associações da Deusa Hekate, por exemplo, são a cebola e o alho. Estes dois alimentos podem ser incorporados, conscientemente, numa alimentação diária (de forma moderada) com o intuito de aproximar a nossa prática a Hekate, através do consumo (ou até oferendas, criando pratos ou alimentos com estes produtos) de alimentos relacionados com a divindade.

Trabalhos Mágicos: Há vários trabalhos mágicos que podem ser feitos com a Magia de Cozinha. Imaginemos que queremos atrair para a nossa vida um novo amor. Uma das formas de fazer isto pode ser, por exemplo, criar uma Dieta Mágica. Uma Dieta Mágica é uma dieta alimentar (equilibrada e consciente) criada com alguns alimentos em mente. Por exemplo, no caso da atração de um novo amor, podemos fazer pratos com alimentos que estejam associados ao amor como baunilha, canela, gengibre, batata doce, maçãs, bananas, maracujás, morangos, mel, entre outros. São muitos os alimentos que estão associados ao amor o que nos permite criar refeições equilibradas, saudáveis e mágicas. Não é obrigatório utilizar todos os ingredientes, como é óbvio! Podemos fazer uma tarte de maçã para sobremesa, uma sopa com batata doce e outros vegetais para o prato principal ou bifes com molho de mel e mostarda, etc. A Bruxaria de Cozinha está totalmente aberta para a nossa imaginação. 

Cuidados Próprios: Cuidar de nós próprios é uma das nossas "obrigações" e formas de nos respeitar a nós próprios e ao nosso corpo. Podemos criar uma Dieta de Auto-Cuidado e esta pode incluir não só alimentos relacionados com amor e amor próprio mas, também, os nossos ingredientes favoritos! Se eu amo comer cenoura ou grão mas os mesmos não estão associados ao amor/amor próprio, não faz mal! O facto de serem alimentos favoritos da Bruxa/Bruxo já lhes traz o poder de trazer conforto pessoal e, como tal, contribuir para os cuidados próprios. É preciso ter também em consideração estes pequenos detalhes como comidas favoritas ou comidas conforto, dado que as mesmas já têm poder mágico associado a nós, devido ao seu impacto. Se calhar a receita de sopa de legumes da nossa avó será muito mais poderosa para nos trazer conforto e tranquilidade do que uma receita complexa tirada de um livro de bruxaria e isto é totalmente válido (e aliás, muito recomendável!). Temos de encontrar o nosso poder pessoal, até na cozinha.

A Bruxaria de Cozinha e a magia com os alimentos é um tipo de magia muito fácil e intuitiva, que pode ser integrada na nossa rotina de forma muito simples e adaptável, permitindo-nos trazer para o nosso quotidiano a Magia da nossa prática.

E vocês? Como gostam de usar a Magia na Cozinha? 
Unsplash (Danijela Prijovic)
Hoje voltamos com um artigo da nossa série de Bruxaria de Cozinha e a Roda do Ano e vamos falar sobre Imbolc!

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Imbolc
Datas: 01 de Fevereiro (HN) ou 01 de Agosto (HS)

O Imbolc é um festival que assinala o regresso da Luz e dos primeiros passos rumo à Primavera. Neste altura as neves começam a derreter, os dias ficam gradualmente maiores, chegam as chuvas e o frio começa a despedir-se. É também uma altura em que, para os nossos antepassados, a comida começava a escassear com o final do Inverno e começava a ser preciso improvisar as refeições e a alimentação que se fazia. Na Europa, esta altura era marcada pelo nascimento dos cordeiros e, como tal, o leite de ovelha era abundante nesta altura, o que faz com que, tradicionalmente, o leite seja uma parte importante na celebração de Imbolc e esteja presente em muitas das receitas criadas para esta época do ano. 

Como celebração do regresso da Luz e do Sol, Imbolc é um festival solar em que nos focamos em "ajudar" o Sol a subir no céu para trazer consigo o calor da Primavera. São acendidas fogueiras, velas, candelabros e todo o tipo de luzes para iluminar a noite e trazer com a Luz para os nossos dias, incentivando, dessa forma, o Sol a regressar também. Como tal, é natural que o tipo de comidas criadas durante este festival esteja associado ao Sol, seja criando alimentos (bolachas, biscoitos, vegetais, etc) em formato de Sol e outros símbolos associados mas também através do consumo de alimentos tipicamente solares como comidas picantes (pelo "ardor" da comida, associado ao calor). 

Actualmente vivemos em sociedades em que facilmente temos acesso a um variado tipo de comidas, temperos, vegetais, etc. Como tal, podemos livremente utilizar produtos que não estariam disponíveis aos nossos antepassados mais longínquos como caril ou pimenta. Podemos também incluir nas nossas refeições todo o tipo de lacticínios (devido à ligação com a lactação das ovelhas, que abordamos no início), alho, cebolas, vinhos com especiarias, canela, alecrim, entre outros. 

São vários os pratos que podem ser feitos com energias solares para ajudar a trazer o Sol e a alegria de volta às nossas vidas, afastando o frio do Inverno. Esta é uma boa altura para fazer jantares com amigos e família e partilhar momentos de alegria. Podemos fazer refeições de Imbolc e partilhar o espírito e a energia Solar com aqueles que nos são próximos, sugerindo deixar para trás tudo o que já não é preciso nos nossos caminhos e recebendo o Sol como energia purificadora. Isto pode ser reflectido na comida, com os alimentos picantes a assumir um papel de purificação e limpeza e o leite como energia maternal e nutridora das coisas que pretendemos manter na nossa vida. É uma excelente altura para nos focar no renascimento e na transformação pessoal. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Miroslava)
Hoje vamos começar uma série que irá estender por todo o ano 2020 e vamos abordar a Bruxaria de Cozinha durante os Festivais da Roda do Ano (seguindo a Roda do Ano do Hemisfério Norte). E qual melhor festival para começar, do que Yule? O Yule será celebrado agora em Dezembro no Hemisfério Norte e acho que é a altura ideal para dar início a esta nova jornada na Bruxaria da Cozinha aqui no nosso blogue.

Se querem saber um pouco mais sobre Yule, temos um artigo dedicado a este festival aqui com todas as informações relevantes sobre o mesmo.

Festival: Yule ou Solstício de Inverno
Datas: 21/22/23 de Dezembro (HN) ou 21/22/23 de Junho (HS)

O Solstício de Inverno é uma celebração que assinala o momento em que o Sol se aproxima mais do horizonte, tocando no "ponto" mais baixo e preparando-se para voltar a subir no céu. É a noite mais longa do ano e marca o pico do Inverno, com o começo da subida do Sol a assinalar o regresso da luz e o caminho para a Primavera. Sendo um momento escuro, dado que é a noite mais longa do ano, é um momento em que, em tempos antigos, os nossos antepassados se reuniam em casa, em torno da fogueira, e era um momento muito voltado para a família e para o convívio. Ainda nos dias de hoje isso se verifica, com celebrações de outras fés religiosas cujas datas coincidem com o Solstício de Inverno (ex. O Natal). 

Assim sendo, esta é uma época em que a comida tem um papel muito importante não só como sustento durante o Inverno duro e frio mas também como forma de união e comunhão entre as pessoas da família. Muitas famílias têm as suas receitas tradicionais para esta época do ano e recomendo vivamente que, se tiverem essa possibilidade, investiguem quais as receitas que existem na vossa família, onde originaram, questionem os vossos familiares sobre as suas origens ou o que eles costumavam comer quando eram mais novos nesta altura. Isto irá permitir ter uma melhor noção de como esta altura do ano era celebrada (mesmo que os vossos familiares não sejam pagãos) e ter uma maior conexão com a vossa história pessoal e familiar. Este conhecimento pode depois ser adaptado na vossa prática pessoal e continuado como uma tradição dentro do Paganismo. 

Alguns dos alimentos de destaque desta época são, por exemplo, frutos secos ou preservados (dado a escassez de alimentos frescos durante o inverno), maçãs, mel, sementes e grãos, carnes, vinhos, bolachas e comida confeccionada, gengibre, entre outros. Podem ser utilizados na confecção de bolos como bolos ou biscoitos de gengibre, chás, biscoitos de frutos secos ou de maçã, o famoso Bolo-Rei onde há um aproveitar das frutas cristalizadas, etc. A imaginação é o limite! Um dos alimentos recentes que tomou também um papel de destaque nas mesas desta época do ano é o nosso querido chocolate! Este pode ser utilizado numa variedade enorme de sobremesas e doces para rechear a nossa mesa e satisfazer os mais novos. 

Esta é uma excelente altura para fazer bolos ou pães que requeiram o forno, não só porque o forno pode ser uma forma de aquecimento de uma divisão mas também porque é uma forma de simbolizar o processo de recolher para o interior e crescer até estarmos prontos para sair, como é o caso dos bébés antes de nascer ou dos animais durante a hibernação, é a analogia perfeita para esta época do ano. 

Um dos principais alimentos que podem ser cozinhados nesta altura, e aproveitados para diversos usos (decorações de natal, alimentação para animais, etc) é nada mais, nada menos, do que biscoitos (ou bolachas, como preferirem chamar!). Estes podem ser feitos com recheio de frutas e produtos da época, podem ser criados em diversos formatos para representar esta altura do ano e a simbologia do Solstício, permitindo ensinar aos mais novos ou, até, introduzir de forma discreta as nossas crenças numa mesa de refeição onde, de outra forma, poderiam não ser tão bem aceites. Afinal, ninguém diz que não a um biscoito, não é? 

Outra coisa excelente para fazer nesta altura do ano é aproveitar as sementes e frutos secos para criar pequenos snacks para os animais de rua, principalmente os passarinhos. Podem untar maçãs com manteiga de amendoim ou de amêndoa e juntar sementes e colocar na parte de fora das casas ou nos jardins para alimentar os pequenos animais que vivem na vossa zona, para que os mesmos também possam ter abundância nesta altura do ano. Partilhar a abundância e recordar que vivemos numa comunidade e em conjunto com todas as pessoas e seres que nos rodeiam é um dos pontos fulcrais nesta celebração de Solstício. 

Por fim, as bebidas quentes como o chocolate quente, os chás (maçã e canela, gengibre, etc.) e os vinhos quentes são também excelentes escolhas para acompanharem as refeições desta altura tão especial! 

E vocês? O que gostam de incluir na mesa durante esta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
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Este trabalho é dedicado às Senhoras Ἑκάτη (Hekate) e Περσεφόνη (Persephone)

Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0