quinta-feira, 16 de maio de 2019

As Velas e as Cores

maio 16, 2019 0 Comentários
Pixabay (Winsker)
Hoje vamos falar de velas e como as cores das velas que utilizamos podem influenciar o trabalho mágico e a forma como as utilizamos. Este é o primeiro artigo numa pequena série sobre Velas para ajudar a trabalhar com esta ferramenta que está tão presente no nosso dia a dia.

Velas Brancas
O branco é uma das cores que pode ser utilizada em qualquer ritual ou trabalho. Representa a luz e, por conter todas as cores dentro de si, pode substituir qualquer cor e é muito adaptável. Pode ser utilizada, enquanto especificamente cor branca, em rituais relacionados com limpezas, meditações, práticas divinatórias, curas e trabalhos lunares. 

Velas Pretas
O preto, ao contrário do branco, tem também as cores todas em si mas com uma energia mais caótica e mais negativa. É uma vela excelente para rituais de limpeza, banimento e de exorcismo de enegias negativas. Podem ser utilizadas para representar a Sombra, a Noite e o nosso interior escondido. São excelentes para meditações em diferentes graus de consciência e semelhantes. 

Velas Douradas
As velas douradas estão associados ao Sol e, como tal, também estão associadas ao Deus no seu aspecto de Deus Solar. Podem ser utilizadas para trabalhos como Princípio Masculino e para rituais em que a energia do Sol é necessária, como atrair dinheiro ou sorte. Pode também ser utilizadas para ajudar em meditações e trabalhos com o desenvolvimento da consciência.

Velas Prateadas
As velas prateadas estão associadas à Lua e à Deusa no seu aspecto lunar. São excelentes para utilizar em rituais relacionados com a Lua Cheia, Crescente ou Minguante e para conectar com o aspecto feminino da Divindade, principalmente em aspectos relacionados com a Lua. Podem também ser utilizadas para remoção de energias negativas e para desenvolvimento das capacidades psiquicas e meditativas.

Velas Amarelas
As velas amarelas estão associadas ao elemento Ar e, como tal, associadas à aprendizagem e ao pensamento. É uma boa cor para comerciantes e para estudantes, sendo que pode ser utilizada em rituais e trabalhos mágicos relacionados com os estudos ou com o comércio. É apropriada para usos referentes à inteligência, confiança e manifestação de projectos. 

Velas Laranjas
Sendo a mistura entre duas cores, o laranja acaba por adoptar características tanto do vermelho como do amarelo. Está relacionada com a energia e a vitalidade mas também com a educação e a estimulação, seja corporal ou mental. É uma cor propícia para trabalhos relacionados com ultrapassar depressão ou letargia e para promover a vitalidade e saúde do corpo. 

Velas Vermelhas
O vermelho é uma cor associada ao sangue, amor e à sexualidade. Como tal esta cor é utilizado e acima de tudo associada com rituais relacionados com fertilidade, sensualidade, amor, força física, coragem e vitalidade. Pode ser utilizada para combater medos, para estimular e chamar coragem para um determinado momento ou ponto da nossa vida ou para trazer vitalidade de novo para o nosso quotidiano. É também associada ao amor, porém, de forma carnal e sexual, nomeadamente o aspecto da paixão.

Velas Rosa
A cor rosa está associada ao amor próprio, à amizade e ao amor familiar. Pode ser utilizada em rituais para trabalhar com o amor próprio e com a harmonia interior. Pode também ser parte de rituais ou celebrações familiares e de paz e união. É uma cor bastante suave e pode ser adaptada para vários rituais relacionados com a amizade e com o amor, neste aspecto já com a sua conotação de fraterno ao invés de passional. 

Velas Roxas
O roxo é uma cor muito associada à espiritualidade e à medinuinidade. É a cor do chakral frontal e está intimamente ligada ao desenvolvimento espiritual, à projecção astral e ao contacto com outras entidades e outros planos. Pode ser utilizada em rituais para cura, aumento de poder pessoal ou de sabedoria interna e trabalhos com outros planos. 

Velas Índigo/Azul Escuro
O azul escuro, ou índigo como também é chamado, é uma tonalidade entre o azul e o roxo. Está também associado à espiritualidade, tal como o roxo. Pode ser utilizado em trabalhos ou rituais relacionados com a sabedoria interna e trabalhos espirituais. Adicionalmente pode também ser usada para trabalhar com situações kármicas, neutralizar trabalhos ou maldições externas e mentiras. 

Velas Azuis
As cores azuis estão associadas a diversas coisas como a meditação, a cura, inspiração e, também, associada à comunicação. Podem ser utilizadas em diversos rituais e trabalhos mágicos tais como verbalizar sentimentos ou situações complicadas, protecção durante os sonhos, trabalhos em plano astral, trabalhos relacionados com a honra, lealdade e perdão. 

Velas Verdes
Esta cor, como se imagina, está intimamente conectada com a Terra e com tudo o que lhe é associado. Por isso, esta cor é excelente para rituais e trabalhos relacionados com questões monetárias ou de posses materiais, abundância, sucesso, prosperidade e fertilidade. Podem também ser utilizadas para saúde, porém, não é recomendado utilizar em situações referente a doenças crónicas, cancro ou terminais. É a cor relacionada com estabilidade e equílibrio. 

Velas Verdes Escuras
Esta cor é associada a Vénus e são utilizadas para rituais relacionados com a abundância, fertilidade e amor. No oposto, pode também ser atribuída para rituais relacionados com a inveja, com o cíume, o controlo numa relaçaão amorosa e a ambição.

Velas Castanhas
A cor castanha, nas velas, pode ser utilizada em trabalhos ou feitiços relacionados com encontrar objectos perdidos, questões judiciais, manifestações de projectos ou planos no plano físico, para protecção de animais e também para promoção do equílibrio, dado a sua ligação com o elemento Terra também, em conjunto com a conexão com o planeta Saturno.


quinta-feira, 9 de maio de 2019

O Tarot: Arcanos Maiores - IX - O Eremita

maio 09, 2019 0 Comentários
IX - O Eremita

Nome do Arcano: O Eremita
Número: IX
Descrição: No baralho de Rider-Waite o Eremita é representado por um homem sozinho no topo de uma montanha com neve. Na sua mão direita tem uma lanterna com uma estrela de seis pontas no interior. Na mão esquerda tem um longo bastão de madeira. *
Símbologia: Nesta carta o Eremita no cimo da montanha com neve representa o domínio espiritual, crescimento e as conquistas no caminho escolhido pelo Eremita, para atingir um estado superior de consciência. A lanterna, na sua mão direita, contém o Selo de Salomão, um símbolo de sabedoria. Esta lanterna ilumina o caminho mas, como todas as lanternas, apenas ilumina o caminho mesmo em frente e o Eremita sabe que o resto estará para descobrir conforme vai andando. Na mão esquerda, o seu bastão, representa o seu poder e autoridade e é utilizado como guia e forma de equilíbrio.

Significado:

  • Posição Normal
Primordialmente a carta do Eremita representa a necessidade de fazer uma pausa na nossa rotina do dia-a-dia e de nos voltarmos para dentro e para nós próprios. As respostas ao que procuramos encontram-se dentro de nós e é necessário largar o mundando e fazer uma pausa, de forma a embarcar na jornada de auto-descoberta. O Eremita convida-nos a iniciar um período de introspecção, quer sozinhos ou com um grupo pequeno de pessoas de confiança, para que possamos sintonizar-nos com a nossa voz interior e crescer com essa aprendizagem.

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta do Eremita pode representar duas coisas: Se estiver a perder muito tempo do seu dia com coisas mundanas, com tarefas, contas da casa e responsabilidades o Eremita invertido pode estar a chamar atenção para a necessidade de parar e refletir e dedicar tempo a nós próprios, ouvir a nossa intuição e voz interior. Caso já haja bastante tempo dedicado à reflexão pessoal este Arcano pode estar a dizer-nos para não nos isolarmos demasiado e realçar a necessidade de contacto com outras pessoas. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Cristais: Métodos de Limpeza

maio 02, 2019 0 Comentários
Imagem Pixabay (ponce_photography) 
Hoje vamos voltar à nossa série de Cristais e falar de Métodos de Limpeza! Neste caso estaremos a falar de limpeza energética mas também pode ser aplicado para limpeza física. 

Antes de mais temos de falar de um aspecto importante e que é um conhecimento essencial quando trabalhamos com cristais. Os cristais são minerais e, como tal, a sua dureza e resistência varia de um tipo de cristal para o outro. Esta dureza é medida numa escala, chamada a Escala de Mohs. Esta escala é o que estabelece qual a dureza de cada cristal e, assim sendo, o que é que cada cristal aguenta. Por exemplo, enquanto o quartzo é um cristal com dureza 7 e resiste facilmente à àgua e pode ser limpo com àgua ou outros métodos mais abrasivo, a fluorite é um cristal de dureza 4 e se for sujeita a água durante longos períodos de tempo, vai começar a perder a cor e até o formato. Também não é apropriado deixar cristais de dureza superior com cristais de dureza baixa, isto porque os que têm um grau de dureza maior (como o quartzo) irão começar a gastar os cristais mais sensíveis e acabam por danificar. 

De forma a garantir uma boa manutenção dos nossos cristais é necessário conhecer como eles funcionam e com o que podem, ou não, encontrar em contacto, quer a nível de limpeza e quer a nivel de trabalhos que possamos fazer com eles. Por isso assim que comprarem ou adquirirem um cristal novo, investiguem sobre o mesmo. Qual a sua dureza? O que é posso fazer com este cristal? Com quais outros cristais ele pode entrar em contacto? São tudo questões importantes para trabalhar com cristais. 

Assim sendo, e não esquecendo a informação anterior, vamos abordar algumas das formas de limpeza de cristais!

  • Água do Mar ou Água e Sal
Uma das formas mais comuns de limpar cristais é com água e sal ou, em alternativa, com água do mar. Este método é apenas apropriado para cristais de dureza superior a 7 (por exemplo, os quartzos) para garantir que não há dano ao mineral, como tal, não é um método muito apropriado quando não se tem 100% certeza de qual cristal temos na mão. Com a certeza do cristal, é uma questão de colocar o mesmo dentro de um copo com água salgada e deixar de uma noite para a outra.

  • Sal
Tal como o método anterior esta técnica pode ser um pouco abrasiva e é necessário algum cuidado com o tipo de cristais que são limpos com este método. Em caso de não ter a certeza da dureza do cristal, em alternativa, pode ser colocado um pequeno pano entre o sal e o cristal. Tal como com a água e o sal, é só deixar de uma noite para a outra. Este método é principalmente indicado para cristais de proteção como a ónix.

  • Drusa
Tal como falamos no artigo anterior desta série, a drusa é uma excelente forma para limpar outros cristais. É necessário garantir que o cristal (em formato drusa) é um cristal associado para limpeza, como quartzo ou citrino. É também preciso ter atenção a dureza dos cristais e garantir que não há frição entre os mesmos. Para limpar os cristais com a drusa basta colocar os cristais em cima da mesma e deixar de um dia para o outro e estarão limpos.

  • Visualização
Esta é uma técnica um pouco mais avançada e requer algum treino, sendo mais indicada para pessoas que estejam habituadas a manipulação de energias como Reiki e semelhantes. É aplicável a todos os tipos de cristais dado que não causa qualquer reacção física nos mesmos. Consiste em inspirar profundamente e soprar para o cristal, visualizando o mesmo a limpar-se de todas as energias negativas. Em alternativa também pode ser visualizada a limpeza com as mãos, brilhando em torno do cristal. Deve repetir-se até o cristal estar limpo.

  • Defumação
Este é um método seguro para qualquer tipo de cristal e consiste em segurar o cristal e expôr ao fumo do incenso, rodando para que o fumo toque em todos os lados e visualizando a limpeza. Para este método é aconselhável os incensos associados a limpeza (e preferencialmente em folha ou solto, mas, na ausência pode ser utilizado em cone ou pau) como olíbano, salva, alecrim, sândalo, mirra, etc.

  • Terra
Este é um método um pouco abrasivo, principalmente dependendo da humidade ou consistência da terra utilizada. É também um pouco complicado dado que nem toda a gente tem acesso a jardins ou hortas onde possa deixar o cristal e, na floresta, por vezes acaba por ser esquecido ou encontrado por outras pessoas, como tal, é um método a ter cuidado. Para este tipo de limpeza deve enterrar-se o cristal, podendo sincronizar este processo com uma fase da Lua à escolha. Deixar-se durante uma noite e, no dia a seguir, é só passar por água ou um pano para remover os restos de terra e o cristal encontra-se limpo.

  • Água (Natural, Chuva, etc)
Existem várias formas de limpeza de cristais com água, já falamos anteriormente do método com água salgada mas também é possível limpar com água da chuva, água de nascente, água consagrada à luz da Lua ou Sol, etc. É preciso ter atenção à dureza dos cristais dado que nem todos reagem bem ao contacto durante longos períodos de tempo com água. Em alternativa é também possível após deixar o cristal na água de o expôr à luz da Lua ou Sol, tendo cuidado com a exposição ao Sol dado que o calor pode causar reacções em alguns cristais (ex: ametista).

  • Som
Este método, à semelhança da defumação, é uma forma segura de limpar qualquer tipo de cristal dado que não é um método abrasivo. Para este tipo de limpeza podem ser utilizados sinos, gongos ou taças tibetanas e através das vibrações de som é feita a limpeza energética dos cristais. Para quem tenha treino de canto pode também tentar fazê-lo com a voz, mantendo uma nota semelhante aos instrumentos ou com mantras.

  • Esquemas de Cristais (Cristaloterapia)
Este é um método mais apropriado para profissionais ou pessoas experiências com cristaloterapia. Consiste em fazer uma esquema de cristais, de cristaloterapia, de forma a limpar o cristal com o auxílio dos outros cristais (por norma utilizam-se pontas em bruto durante um determinado espaço de tempo). É um método muito específico e, como tal, requer algum estudo e trabalho adicional.


***

Estes são alguns dos métodos de limpeza de cristais disponíveis e que aconselhamos, relembrando sempre o cuidado com a dureza e constituição de cada cristal. 

E vocês, qual o vosso método favorito? 

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Bruxaria de Cozinha e a Prosperidade

abril 25, 2019 0 Comentários
Imagem Pixabay (Daria-Yakovleva)
Hoje vamos falar novamente de Bruxaria de Cozinha mas abordando um tema que nos preocupa e nos interessa a todos: Prosperidade! Todos queremos ter uma vida financeira e material equilibrada e sem preocupações. Grande parte das preocupações modernas estão ligadas a dinheiro e à necessidade de obter dinheiro e estabilidade financeira, por isso, hoje vamos falar um pouco sobre como podemos ajudar-nos a nós próprios e a outros com a Bruxaria de Cozinha. 

Tal como todo o tipo de Magia, a Bruxaria de Cozinha também requer um mindset específico e necessita que nós próprios arranjemos espaço na nossa vida para aquilo que queremos. De nada vale fazer uma dieta em torno da prosperidade e magia para prosperidade mas não abrir espaço na nossa vida para que essa prosperidade venha ou não nos esforcemos para ir ao encontro dessa fonte de prosperidade. É como fazer um ritual para conseguir um emprego mas não procurar empregos... É necessário que alteremos a nossa forma de estar e pensar, de forma a atrair a prosperidade que queremos. 

Para isso, seguem algumas dicas: 

  • Faça uma gestão apropriada do dinheiro: Faça uma lista com os gastos mensais que tem (compras, contas, comida, etc) e entenda para o onde o dinheiro vai. Ter noção de onde estão a ser feitos os gastos é uma boa forma de saber o que pode, ou não, cortar e assim poupar. 
  • Mude a forma de pensar: Deixe de ter pensamentos como "estou tão pobre", "nunca tenho dinheiro" e substitua por pensamentos positivos. Abra espaço na sua mente para que a prosperidade ganhe raízes. Se achar necessário, faça algumas afirmações diárias em frente do espelho para ajudar a manifestar esses pensamentos. 
  • Entenda qual o propósito de ter dinheiro: O dinheiro não vai resolver todos os seus problemas e é preciso entender que apesar do dinheiro sem útil e resolver muita coisa, poderá ainda haver problemas que não serão resolvidos por ter mais dinheiro. 
  • Crie objectivos realistas: Não pense que por fazer magia para atrair dinheiro que vai ganhar o euromilhões ou a lotaria de um dia para o outro ou encontrar dinheiro perdido no chão. Tenha objectivos realistas de como esse dinheiro pode entrar na sua vida (melhor emprego, promoção no trabalho onde está, vendas na sua loja, etc). 
  • Esteja preparado para se esforçar: O dinheiro não vai cair do céu, nem com magia. A magia é a ajuda, não a solução. Vai ser necessário esforço e trabalho. Não pode apenas fazer os rituais ou as refeições e esperar que as coisas surjam sem acção sua.
  • Dê algo em troca: Quando vir que existe um aumento estável dos rendimentos, não se esqueça de devolver como agradecimento, contribuindo para alguma associação ou organização. Se estiver a fazer o trabalho com alguma divindade, até pode fazer a doação em nome da divindade e fazer como oferenda e agradecimento pela ajuda. 

A nível da alimentação, e da Bruxaria de Cozinha, pode fazer alguma dieta voltada para a Prosperidade, por exemplo, uma semana por mês. Durante uma semana faz uma alimentação com alimentos associados à prosperidade e ao dinheiro e focas as suas energias nessas mudanças que pretende ver na sua vida. Associando este trabalho com as dicas anteriores, acredito que terá excelentes resultados!

Ao cozinhar não se esqueçam também da parte mais importante da Magia: Visualizar! Enquanto mexem a comida (preferencialmente no sentido dos ponteiros do relógio) visualizem o objetivo, enquanto partem os legumes ou enquanto estão a adicionar as especiarias no tacho. E, também, quando estão a comer! A visualização é a chave para o sucesso de uma Bruxa ou Bruxo!

Alguns dos ingredientes associados à Prosperidade são:

Especiarias: Pimenta da jamaica, manjericão, canela, gengibre, cravinho-da-índia, salsa e endro.
Vegetais: Feijão, feijão-frade, alface, abóbora, espinhafre, tomate, couve, beringela, sementes de alfafa.
Frutos e Sementes: Banana, amoras, figos, pêras, kumquat, ananás, uvas, romãs, millet, arroz, aveia, farelo, cevada, trigo sarraceno, amêndoas, castanha do brasil, amendoins, sementes de sésamo, caju, macadâmia, pinhão e noz-pecã.

Algumas sobremesas que também estão ligadas à Prosperidade são chocolates, bananas cobertas com chocolate, chantilli, doces, tartes de banana ou de frutos vermelhos, pão de gengibre, maçapão, gelados com os frutos secos indicados anteriores. E também temos outros alimentos como brandy de frutos vermelhos, leite de chocolate ou de cacau, leite, bolos de aveia, sal, chás, etc. 

Quando estiverem a cozinhar para Prosperidade tentem que os alimentos tenham formatos quadrados. Façam tartes quadradas ou fruta partida em pedaços em formatos de quadrados ou cubos, dado que este formato é associado ao elemento Terra e, como tal, associado à posse material. Como repararam em cima uma das coisas mais associadas à prosperidade são sementes e frutos secos, como tal, aproveitem para colocar um pouco em várias refeições diferentes! Sementes de sésamo são excelentes para colocar em pratos vegetarianos e dão todo um novo aspecto, façam sobremesas à base de fruta e não tem medo de comer gelado (porém é necessário recordar que o objectivo é sempre ter dietas equilibradas, sem abusos!). Se possível, tentem usar grãos, pães, massas e arrozes integrais. Ultimamente com a expansão da alimentação vegetariana e vegan, os ingredientes integrais estão a tornar-se cada vez mais comum e a preços acessíveis. Não só são saudáveis como também são ideias para refeições voltadas para a Prosperidade. 

Estas são algumas dicas e informações para Bruxaria de Cozinha e Prosperidade. Brevemente irei adicionar também receitas individuais para várias temáticas como Amor, Amizade, Prosperidade, Saúde, etc. Que tipo de receitas gostariam de ver?

Bibliografia:

quinta-feira, 18 de abril de 2019

As Redes Sociais e as Comunidades Pagãs

abril 18, 2019 0 Comentários
Imagem Pixabay (Pixelkult)
Hoje em dia as redes sociais são uma parte quase que obrigatória no nosso quotidiano. Quase toda a gente tem Facebook, Instagram, Twitter, Snapchat, WhatsApp e muitas outras redes sociais. Esta possibilidade de contacto instantâneo entre pessoas permitiu o desenvolvimento de imensas comunidades e permitiu alargar os horizontes e as formas de comunicação, deixando de estar restritos a cartas escritas e a correio. Hoje em dia se alguém quiser saber mais sobre Paganismo e Bruxaria basta abrir o Google e começar a ler, procurar no Facebook e encontrar comunidades, ir ao Tumblr e encontrar referências e ir ver dicas e coisas artísticas para o Pinterest. As comunidades pagãs expandiram-se e hoje são muito comuns e de fácil acesso. E isto é fantástico! 

A tecnologia moderna permite-nos ter o conhecimento na ponta dos dedos e, para um Bruxo ou Bruxa, isso é uma ferramenta incrível. Há aplicações para saber informações astrológicas, fases da Lua e do Sol, correspondências mágicas e até para fazer de Livros das Sombras. Permitiu que pagãos de Portugal e do Brasil possam se conhecer, trocar ideias, opiniões e formas de viver. Conhecer culturas, práticas e métodos de trabalho. Existe todo um fantástico mundo por detrás das comunidades pagãs na Internet e também todo um novo tipo de Magia chamado "Tecnomagia" (recomendamos este video sobre Tecnomagia e Pop Magick da TCS) que veio abrir novos horizontes. 

Porém, outra coisa que a tecnologia moderna também trouxe, foi a possibilidade de debates e discussões em tempo real. E é aqui que as coisas complicam... Recordo-me de estar a ler um livro sobre como eram as comunidades pagãs na altura do surgimento da Wicca, por volta dos anos 50/60 e na altura não havia as formas de contacto que temos hoje. As comunicações eram feitas por cartas enviadas no correio, telefonemas (mas eram muito caros e a maioria optava por apenas escrever) e também por participações em revistas que eram lançadas para diversos grupos de pessoas, podendo através das mesmas haver discussões e respostas uns aos outros. O facto de que a comunicação era feita por carta, fazia com que houvesse um maior periodo de intervalo entre a nossa resposta e a resposta da outra pessoa. Isto não só acalmava os ânimos se fosse uma conversa mais acesa mas também dava uma maior janela de reflexão. Hoje em dia não temos isso. Se estivermos a discutir no Facebook e alguém discordar de nós, a nossa primeira acção é responder de imediato e chegamos a perder horas em discussões para trás e para a frente. 

Quando comecei nas comunidades, ainda na altura do MSN, eu passava horas (literalmente, horas) a discutir, a debater, a conversar e tentar ver o ponto de vista dos outros e mostrar o meu ponto de vista. E muitas vezes perdi energia desnecessária em discussões porque queria sempre ter a palavra e responder na hora, sem esperar. E, se há algo que a idade me ensinou, é que é bom esperar. É bom receber uma resposta e parar. Não começar logo a responder mas parar, reflectir e até ir fazer outras coisas enquanto deixamos que os ânimos dentro de nós acalmem. Era isto que nos nossos antepassados faziam, de forma involuntária, e isso permitia-lhes uma melhor visão da situação. Por vezes, as coisas por escrito, podem parecer ter uma conotação diferente daquela que o autor quer dar. Se eu escrever "Não concordo contigo!" posso parecer agressiva. Mas também posso apenas estar a exprimir que não concordo, sem agressividade. E fazer esta distinção com apenas uma frase escrita é complicado, porque não há entoação. E, no calor do momento, coisas podem ser mal interpretadas e ser apenas mais fogo para a fogueira. Todos já vimos discussões no Facebook que acabam acesas apenas por mal entendimentos. 

Não estou, de todo, a dizer que não devemos participar em debates, pelo contrário! Debates e convívios nas comunidades pagãs, a meu ver, são das melhores formas para alargar no nosso conhecimento e entender como os outros celebram as suas práticas, vêem o Mundo e os Deuses e permitem-nos alargar os nossos horizontes e até ajudam na reflexão própria do nosso caminho. Eu cresci, e continuo a crescer, imenso graças as comunidades em meu redor. Porém aprendi também a abrandar. Nem tudo tem de ser respondido no imediato, nem tudo tem de ser feito no "agora". Há uma necessidade actual pelo "abrandar". A sociedade moderna, graças à tecnologia, está a andar a 120km/h. É esperado de nós que estejamos 24/7h online, sempre disponível, sempre prontos a responder, a debater, a argumentar, a defender o nosso ponto de vista e a criticar o outro, atento a tudo e todos e isso nem sempre é bom... Pelo contrário, a necessidade de estar sempre alerta e sempre pronto a responder e a falar acaba por ser, a longo prazo, algo tóxico e que causa ansiedade. Um dos maiores problemas da nossa sociedade contemporânea é o elevado número de pessoas que sofrem de ansiedade e depressão, auxiliadas por estas redes sociais que esperam uma presença permanente da nossa parte. 

Parar, reflectir, dar um tempo às coisas é algo por vezes necessário e que ajuda a reflectir e, até, a ver as coisas de outra forma. Tal como regressamos a práticas antigas, cultuando os Velhos Deuses e a Natureza, podemos também incorporar na nossa vida aspectos da antiguidade e dos velhos tempos que nos sejam úteis e, um deles, é o abrandar o nosso ritmo. Não ter medo de ver uma resposta a um debate e dizer "Não, respondo mais logo" e fechar a aplicação e ir à nossa vida, pensando no assunto, reflectindo e só depois é que respondemos. Não é algo fácil, porque estamos condicionados ao modo de vida rápido mas, com o tempo, adaptamo-nos e vemos que acaba por trazer muitos benefícios. Não só a nível de saúde, dado que começamos a encarar as coisas com uma atitude mais serena, mas também a nível das nossas discussões que serão mais proveitosas. Isto porque com tempo para reflectir, podemos aprender mais sobre o debate que estamos a tentar e não ser uma coisa passageira. Quantas vezes já pensaram "Bolas, devia ter dito X ou Y naquela discussão"? Bem, tendo esta pausa entre respostas temos tempo para lembrar de tudo o que achamos que queremos dizer e porque queremos dizer e, desse modo, desenvolvemos respostas mais completas. 

E quem fala em abrandar, fala também em ignorar. Quantas discussões participamos que na realidade não nos trazem nada de novo? Em quantos debates participamos que em nada nos beneficiam? Outro convite que vos faço com este artigo é: Sempre que virem uma discussão numa rede social e queiram participar, parem e pensem "Que benefício me traz esta discussão? O que posso tirar esta conversa?" e vejam se é algo que vos beneficie e que tenha resultados positivos para a vossa vida. Para quê perder energia em coisas que têm impacto negativo e que apenas vos fazem mal? 

Não tenham medo de abrandar, de parar, não tenham medo de se abster ou de saltar discussões. Não existe obrigação de participação em tudo o que existe nem obrigação de estar sempre disponível. O tempo que temos é precioso e devemos usá-lo em coisas que nos são proveitosas e positivas. Aproveitem o vosso tempo e saibam geri-lo. 

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Cristais: Formatos e Tamanhos

abril 11, 2019 0 Comentários
Imagem Unsplash (Dan Farrell)
Hoje vamos começar uma pequena série sobre Cristais! Os cristais são uma excelente ferramenta para qualquer Bruxa ou Bruxo, são formas de ligação imediata com o elemento Terra e, ao mesmo tempo, são ferramentas muito diversificadas e com imensas forma de utilização. E é por serem partes são versáteis e importantes da prática diária é que vamos falar sobre cristais hoje. Vamos começar por fazer a distinção entre os vários formatos e tamanhos em que podemos adquirir cristais.

Os cristais podem ser adquiridos em dois formatos: Em bruto (ou seja, serem terem sido moldados pelo homem) ou em formato polido (tendo sido polidos para um determinado aspecto). Vamos aprofundar um pouco mais sobre algumas das formas mais comuns em que encontramos cristais. 

Pedras/Cristais em Formato Bruto
  • Biterminados
Imagem Wikipedia
Os cristais biterminados são cristais que possuem naturalmente duas pontas polidas. É comum encontrar cristais que tenham sido lapidadas para parecerem ter este aspecto, sem ser realmente o natural. Os cristais com este formato são bastante utilizados para trabalhos com chakras como limpezas e alinhamentos e também para centrar energias. 
  • Drusa
Imagem Unsplash (Carole Smile)
A drusa é, em termos geológicos, uma camada de cristais finos numa superfície rochosa. Por norma, em termos mágicos, são utilizadas como método de limpeza de outros cristais ou objectos e também para programação de energia de ambientes. 
  • Geodo
Imagem Wikipedia
Geodo (ou geode/geodes) são cristais provenientes de rochas vulcânicas ou sedimentares. Basicamente são cavidades nas rochas que estão revestidas por pontas de cristais. O exterior é, por norma, calcário. Em termos mágicos podem ser utilizados para amplificar energias e também como fontes de energia, para rituais ou trabalhos mágicos. 
  • Ponta
Imagem Wikipedia

Cristais em formato de ponta são cristais que, naturalmente, ficam num formato pontiagudo. Podem haver várias variações deste formato (ex: laser, etc). Podem ser de tamanho pequeno ou grande, dependendo do tipo de cristal sendo que os formatos de "laser" costumam ser do tamanho de uma mão ou pouco maiores, por serem mais sensíveis. Os cristais neste formato são utilizados para direccionamento de energias, ativação de outras pedras ou cristais e para processos de cura. 
  • Sem Formato/Amorfo

Imagem Pixabay (TessaMannonen)
Temos também os cristais em bruto e sem formatos definidos e que não se encaixam nos referidos acima. São cristais ou pedras que acabam por necessitar de uma manutenção mais constante e também atenção especial para garantir que não se quebram ou lascam, dado estarem num estado mais bruto. Estes são os mais comuns de ser ver à venda (para além das pedras polidas) e são bastante adaptáveis na prática diária. Possuem as características das respectivas pedras e cristais e podem ser utilizados da mesma forma que se utilizariam cristais polidos, para os diversos usos que cada pedra ou cristal tenha para oferecer. 


Pedras/Cristais Polidas
  • Rolada
Imagem Wikipedia
À semalhança das pedras brutas amorfas estes cristais rolados são dos mais comuns de encontrar à venda e, também, possuem imensas formas de uso. Em contrapartida com os seus pares em formato bruto, não requerem uma manutenção tão frequente dado que não correm o risco de lascar, por estarem devidamente moldadas. São de grande utilização em amuletos, saquetas, elixires e em qualquer trabalho mágico, as possibilidade são infinitas com estes cristais. 
  • Pirâmide
Imagem Wikipedia
Inspiradas nas grandes pirâmides presentes em tantas civilizações antigas, os cristais em forma de pirâmide são excelentes conductores de energia. Podem ser utilizados para controlar ou modificar o ambiente energético de um local ou para direccionar energia para um determinado propósito. 
  • Esfera
Imagem DeviantART - Rae134 
Cristais em forma de esfera são dos mais conhecidos e são muitas vezes associados às bolas de cristais. Se forem de um tamanho apropriado e um cristal que seja compatível com a prática, é possível utilizá-los como método divinatório de bola de cristal ou scrying. Como não têm lados, os cristais em formato de esfera conseguem emitir energia de forma suave, tal como o seu formato, em todas as direções. São excelente para utilizar em trabalhos sensíveis e para meditação, podendo brincar com o cristal enquanto medita. 
  • Ovo
Imagem MaxPixel 
Os cristais em formato de ovo são mais raro de encontrar mas possuem diversas utilizações. São comuns em práticas principais asiáticas e utilizados como métodos de relaxamento e anti-stress. Podem também ser utilizados em massagens, sessões de reiki ou de alinhamento de energias. 
  • Obelisco
Imagem Wikipedia
De formato semelhante à pirâmide e presente também no Mundo Antigo e na Arquitectura Moderna, o formato de cristais em obelisco pode ser utilizado para direccionamento de energias e para manipulação de energias em espaços. Os usos deste formato são muito semelhantes aos da pirâmide, apesar de que o obelisco, por ser mais vertical, acaba por ter uma energia um pouco mais activa e dinâmica. 

***

Estes são apenas alguns dos formatos mais populares nos quais podemos encontrar cristais. As características de cada cristal podem ser ampliadas pelo tipo de formato que lhe é dado. Uma drusa de citrino, por exemplo, é uma forma excelente para limpar outros cristais e objectos e uma pirâmide de quartzo rosa é uma forma fantástica para promover amor e harmonia um determinado espaço da casa. Os cristais têm formas variadas de ser utilizados e são uma ferramenta quase que indispensável! 

E vocês? Quais os vossos formatos favoritos de cristais?

quinta-feira, 4 de abril de 2019

O Tarot: Arcanos Maiores - VIII - A Força

abril 04, 2019 0 Comentários
VIII - A Força

Nome do Arcano: A Força
Número: VIII
Descrição: No baralho de Rider-Waite a Força é representada por uma mulher a gentilmente acariar um leão na sua cabeça e queixo. A mulher usa um robe branco e um cinto e coroa de flores. Acima da sua cabeça encontra-se o símbolo do infinito. *
Símbologia: Nesta carta leão representa as paixões primais e desejos e, ao domar o leão, a mulher, com a sua energia calma e carinhosa, demonstra que o instinto animal e a paixão primal podem ser expressadas de forma positiva. Se verificamos, ela não usa força física mas sim a sua força interior e determinação. A mulher usa um robe branco que demonstra a sua pureza e as flores na sua cabeça e cinto, representam as expressões puras da Natureza. O infinito, por cima da sua cabeça, fala-nos do potencial e sabedoria infinita da mulher.

Significado:

  • Posição Normal
Primordialmente a carta da Força representa a força interior e a capacidade de ultrapassar os obstáculos. Tal como a mulher da carta doma a fera que é o leão, também o consulente tem em si as ferramentas necessárias para ultrapassar e domar os obstáculos da vida. Há um compromisso para com um objectivo e a Força demonstra que o consulente tem todas as ferramentas necessárias para atingir o pretendido. Este Arcano ensina-nos que a força nem sempre vem de fora, mas de dentro e da nossa capacidade de liderar e de controlar-nos a nós mesmos e às nossas vontades e desejos primais e crus. A Força leva-nos a controlar a nossa "besta interior" de forma a que esta energia possa ser canalizada de forma produtiva e de forma a que nos ajude no nosso objectivo. Mesmo com medo, esta carta recorda-nos que devemos aceitar o medo e reconhecê-lo mas manter a nossa coragem e enfrentá-lo na mesma. É uma altura de ser consciente das nossas capacidades e reunir a nossa energia e moldar as nossas vontades primais para atingir a harmonia necessária para lidar com a situação em mãos.

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta da Força alerta-nos para a necessidade de parar e de cuidar de nós próprios. Será que temos energia e auto-confiança a mais ou estaremos esgotados e cansados? Esta carta recorda-nos a necessidade de parar para analisar a situação e voltar a atingir o equilíbrio. É preciso refletir e pensar em eventos passados, entender a nossa força e os nossos pontos fortes e nas nossas conquistas, porém, não devemos agir sem pensar nem tornar-nos explosivos. Seja em que posição estiver a Força, ela alerta-nos sempre para a necessidade da harmonia. É preciso rever os níveis de energia do consulente e entender qual o plano de acção a tomar, seja ele um foco nos cuidados próprios ou um foco na própria saúde, de forma a atingir o ponto de equilíbrio necessário. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 

quinta-feira, 28 de março de 2019

Análise Literária: "Paganism 101: An Introduction to Paganism by 101 Pagans"

março 28, 2019 0 Comentários
Título: Paganism 101: An Introduction to Paganism by 101 Pagans
Editor(es): Trevor Greenfield 
Pontuação
Descrição: "Paganism 101: An Introduction to Paganism by 101 Pagans" é uma introdução ao Paganismo escrita por 101 pagãos. Agrupados em três seções principais: "Quem somos", "O que acreditamos" e "O que fazemos" e com um total de vinte tópicos fundamentais para a compreensão das principais tradições pagãs. Estes tópicos têm uma introdução e são depois elaborados por outros seguidores e praticantes, dando ao leitor uma melhor visão da variedade e diversidade que o Paganismo oferece. 
Onde Comprar: BookDepository | Amazon 
Análise: Este é um livro que me é próximo dado que tive o prazer de participar nele e contribuir com um tópico porém não deixarei que isso influencie a minha opinião ou análise do livro. Considero que seja uma pena que o livro não esteja disponível em Português e apenas em Inglês porque uma das coisas que gosto acima de tudo é a diversidade de pontos de vista. Este livro é a prova da famosa frase "Faz uma pergunta a 10 pagãos e terás 11 respostas diferentes". Diversos pagãos contribuiram para a criação deste livro e isto é fantástico porque dá-nos toda uma perspectiva sobre cada um dos tópicos abordados seja Druidismo, Wicca, Bruxaria, etc. É uma forma de ver além da teoria que os livros normais nos ensinam e ouvir directamente dos praticantes como é que fazem as suas práticas, como são os seus caminhos e quais as diferenças. Conseguimos ver vários Wiccanos que, apesar de partilharem o título de Wiccanos, praticam caminhos significativamente diferentes e até têm pontos de vista diferentes sobre alguns assuntos e isso é importante, porque nos mostra e comprova, uma vez mais, a diversidade existente nas comunidades pagãs. O livro está muito bem organizado e separado em secções correspondente a diferentes caminhos dentro do Paganismo e cada secção é introduzida por um autor ou figura importante daquela comunidade sendo que depois conta com diversos contributos (de várias temáticas) de pagãos praticantes das respectivas tradições, traçando aqui a diferente entre os praticantes e também entre os praticantes e a figura ou autor que está a fazer a introdução ao tópico. Acho que o livro é um excelente trabalho e representação das comunidades pagãs, creio que a Editora (Moon Books) estava a pensar em fazer mais livros deste género mas não sei se acabou por fazer ou não porém é uma editora com bastantes bons recursos e também recomendo que dêem uma olhadela. No geral, espero que esta obra seja um dia traduzida para português para estar mais ao alcance das nossas comunidades!

quinta-feira, 21 de março de 2019

Religião e o Amor

março 21, 2019 0 Comentários

O tópico de hoje é um tema especial: Quero falar-vos de religião numa relação amorosa e como se coordena. Irei focar principalmente no meu caso, nomeadamente uma relação de dois pagãos de caminhos diferentes. Recomendo também o texto de uma grande amiga minha chamado "Mãe Pagã e Pai Ateu... e agora?" em que ela descreve aspectos da vida de casal entre ela e o esposo, sendo ela pagã e ele ateu e criam uma menina (super linda e fofa, se me permitem dizer!) juntos! Inspirada por esse texto decidi dissertar sobre relações amorosas em que os envolvidos são pagãos mas trilham caminhos diferentes.

Irei usar como exemplo a minha relação (estou numa relação monogâmica com um homem) mas o que descrevo aqui pode ser adaptado a todas as dinâmicas e tipos de relacionamento, como é óbvio!

No meu caso, eu e o meu companheiro somos os dois pagãos mas seguimos caminhos muito distintos: Eu sou Bruxa de Cozinha e Natural e Sacerdotisa de Hekate e Persephone, sendo que trabalho exclusivamente com o Panteão Helénico e de uma forma bastante moderna, seguindo a Roda do Ano (adaptada a minha prática e culto), celebrando as Fases da Lua, introduzindo liturgia da Fellowship of Isis e trabalhando também com o meu Iseum. Já o meu companheiro é mais tradicionalista, focando a sua prática exclusivamente, também, no Panteão Grego mas com uma visão mais arcaica, baseando-se nos registos históricos e na forma como a religião era praticada na Grécia Antiga (uma espécie de Reconstrucionismo Helénico adaptado e solitário). Ou seja, os nossos caminhos são bastante diferentes, dado que grande parte das minhas celebrações não são (necessariamente) celebradas por ele e, a visão dele das Divindades, é algo diferente da minha.

Enquanto eu vejo as Divindades como seres presentes no meu dia-a-dia com as quais eu posso estabelecer conexão, meditação, comunicar e receber sinais, o meu companheiro vê as Divindades como entidades desapegadas das questões mundanas mas que assistem, contudo, ao desenrolar das vidas dos mortais, podendo (ou não) testar os mesmos e apoiar nas suas demandas. Enquanto o meu namorado baseia a sua praxis pagã na forma de pensamento da Grécia Antiga, eu sou mais dada a seguir a minha intuição e aquilo que penso e medito como sendo o caminho certo para mim, sem me preocupar primeiramente com o aspecto reconstrucionista da mesma.

Ou seja... Apesar de partilharmos o amor pela mesma cultura e do mesmo panteão e de estabelecermos até conexão com as mesmas Divindades, temos formas muito diferentes de estabelecer estas ligações e até de praticar estas vivências. Porém, isso em nada invalida a nossa relação. Tal com a minha amiga fala no artigo dela, não podemos deixar que as diferenças dos nossos caminhos sejam o que define a nossa relação mas sim aquilo que temos em comum. Debatemos as nossas diferenças e esforçamo-nos para entender o modo de pensar e de ver a vida do outro. No entanto, não deixamos que elas sejam o que marca a forma como nos relacionamos. Podem haver discussões (aliás, as minhas amigas acham piada ao facto de o único motivo pelo qual eu e o meu companheiro discutimos é por política ou religião) mas, no fim, encontramos sempre um meio-termo porque sabemos que o mais importante é estar juntos e unir aquilo que temos rumo ao nosso objectivo comum.

Apesar de ainda não vivermos juntos, a conversa sobre como iremos adaptar as nossas rotinas pagãs à vida em casal surge ocasionalmente. Como faremos para realizar as nossas celebrações? E os altares? E a transmissão de valores pagãos a filhos ou filhas no futuro? Todas estas são questões que já surgiram no nossa interacção e acabamos por chegar sempre à mesma resposta: "Adaptamos". Mesmo hoje em dia, se o meu companheiro vier a minha casa e eu tiver um ritual nesse dia, ele não tem qualquer problema em ficar na conversa com a minha mãe enquanto eu o cumpro. Ou em ir comigo até a uma floresta para eu colher ervas ou materiais ou até fazer oferendas. Tal como eu o acompanho nas suas formas de expressão de devoção às Divindades. Inclusive até já adaptei algumas das coisas que ele faz na minha prática pessoal, porque me identifiquei! E o mesmo acontece com ele. Já lhe dei muitas coisas (cristais, receitas, etc) mágicas que não fazem parte da prática dele, porém sei que ele pode beneficiar disso e inclusive já chegou a usar várias.

Felizmente, conseguimos adaptar as nossas práticas e as nossas vidas para acomodar o outro sem nunca ferir as nossas práticas pessoais. Há coisas na minha prática com as quais ele não concorda e há coisas na dele com as quais eu também discordo. Mas nunca censuramos ou limitamos o outro no seu caminho. O truque está em reconhecer que para além de casal, somos também indivíduos e não devemos abdicar da nossa individualidade em fruto do relacionamento, dado que são "precisos dois para dançar o tango". De forma a que nossa relação funcione temos de garantir que cada um de nós é feliz e estável nos seus caminhos pessoais, podendo aceitar que os mesmos se cruzem ou não!

Assim sendo, quando vivermos juntos, esse será um dos nossos objectivos já pré-definidos: Respeitar o espaço e a prática do outro, dando espaço e tempo para as mesmas, adaptando-as no dia-a-dia e na rotina conjunta e, quando o assunto dos filhos vier à conversa, mostrando aos pequenos que há mais do que um caminho à escolha e apresentar a minha visão, a visão do pai e a até a visão de outros caminhos, guiando-os nesses trilhos e auxiliando a encontrar o caminho que eles acharem ser o certo para eles.

O maior conselho que eu posso dar, para alguém que esteja numa relação com alguém que também seja pagão mas não partilhe o mesmo caminho é o aceitar as diferenças e aceitar que nem tudo vai ser praticado em conjunto ou de forma unida. Cada um tem direito às suas práticas individuais e os caminhos pessoais de cada um e isso em nada invalida a relação que têm e o amor que partilham. É respeitando-se ambos e ao espaço de cada um, que uma relação se cria e se torna forte.

As raízes das árvores não discutem por estarem em direcções diferentes mas trabalham em conjunto para o objectivo final que é fazer crescer a árvore.
Aqui, é o mesmo. Respeitando as diferenças de cada um, trabalha-se rumo ao objectivo comum: Amor e Harmonia.

E vocês? Como são as vossas relações? ~ 

quinta-feira, 14 de março de 2019

Receitas: Incensos, Óleos e Poções de Limpeza & Purificação

março 14, 2019 0 Comentários

Hoje venho com algumas receitas de Incensos, Óleos e Poções para Limpeza e Purificação! 

Avisos: Recordamos que os incensos são incensos soltos e devem ser queimados com carvão litúrgico (próprio para incensos!). Quanto aos Óleos recordamos que devem garantir que não há alergia a nenhum componente antes de colocar o mesmo em contacto com a pele e para usar como óleos bases recomendamos óleo de jojoba ou azeite. Para as poções aconselhamos água natural (vinda de uma nascente) ao invés de água da torneira mas, na ausência de água natural, a da torneira ou água destilada será ideal.

Aconselhamos sempre a leitura de métodos de preparação de Incensos, Óleos, Banhos ou outros antes de realizar os mesmos. Poderão consultar os mesmos em livros, sites ou outros locais. Temos também alguns artigos aqui no blogue sobre a temática que podem consultar através do menu lateral. 

Estas receitas foram retiradas dos livros "Magical Household" e "The Complete Book of Incense, Oils and Brews" de Scott Cunningham caso queiram ir procurar outro tipo de receitas do mesmo género da que viram ou até informações adicionais sobre o tipo de poções e incensos.

Os ingredientes assinalados com * podem ser perigosos ou potencialmente venosos. Ter especial atenção para ler e investigar sobre ingrediente. 

  • Infusão de Purificação
Recolha partes iguais (cerca de um mão de cada) de alecrim, louro e manjerona secas. Aqueça aproximadamente quatro litros até estar quase a ferver e remova do calor, adicionando as ervas. Cubra e deixe arrefecer. Assim que estiver frio, é necessário filtrar a água e remover as plantas. Utilizando os seus dedos, e no sentido horário, circule pela casa e borrife a casa com a infusão, enquanto diz algo como:

"Bano todo mal e negatividade, 
Assim é a minha vontade, que assim seja"

Toque nas portas, janelas, eletrodomésticos, mobília e até no redor da casa com a água. Garanta que deita também pelos canos (lavatórios, duche, sanita, etc) e que visualiza sempre a água a purificar o espaço. 

  • Incenso Simples para Limpeza do Lar
Sândalo (1 parte)
Canela (1 Parte)

Misturar tudo nas quantidades desejadas e queimar conforme necessário.

  • Incenso para Purificação do Lar
Cedro (1 parte)
Sândalo (1 parte)
Mirra (1 parte)

Misturar tudo nas quantidades desejadas e queimar conforme necessário.

  • Incenso para Protecção
Manjericão (1/2 partes)
Olíbano (1 parte)
Mirra (1 parte)
Pinho (1 parte)
Sálvia (1/2 partes)

Misturar tudo nas quantidades desejadas e queimar conforme necessário.

  • Incenso de Purificação do Lar
Olíbano (3 partes)
Sangue-de-dragão (2 partes)
Mirra (1 parte)
Sândalo (1 parte)
Betónica (1 parte)
Sementes de Endro (1/2 partes)
Algumas gotas de óleo de Gerânio Rosa

Queimar para purificar a casa pela menos uma vez por mês, por exemplo, na Lua Cheia. É também aconselhável para situações de mudanças ou compras de casa na nova casa.

  • Incenso de Limpeza
Olíbano (3 partes)
Copal (3 partes) 
Mirra (2 partes)
Sândalo (1 parte) 

Este incenso é apropriado para ser queimado para limpar a casa de energias negativas, principalmente quando os membros da casa discutiram ou existiram conflitos. Também pode ser queimado quando o ambiente do lar se sente como estando pesado ou cheio de energias negativas ou conflituosas. É necessário deixar a janela aberta enquanto esta mistura arde. 

  • Óleo de Protecção
5 Gotas de Óleo Essencial de Laranja Amarga (Petitgrain)
5 Gotas de Pimenta Preta

Utilizar para protecção contra todo o tipo de ataques. Poderá também ser utilizado para untar portas, janelas ou outras partes da casa. 

  • Óleo de Protecção #2
4 Gotas de Manjericão 
3 Gotas de Gerânio
2 Gotas de Pinho
1 Gota de Vetiver

Utilizar tal como o óleo anterior.

  • Óleo de Purificação
4 Gotas de Olíbano
3 Gotas de Mirra
1 Gota de Sândalo

Adicionar ao banho ou utilizar para afastar a negatividade.

  • Óleo de Purificação #2
4 Gotas de Eucalipto
2 Gotas de Cânfora
1 Gota de Limão

Utilizar tal como o óleo anterior.

  • Banho de Proteção
Alecrim (4 partes)
Louro (3 partes)
Manjericão (2 Partes)
Funcho/Erva-Doce (2 Partes)
Endro (1 parte)

Para aumentar a protecção natural, tomar banho com esta mistura diária até se sentir mais forte.

***

Espero que tenham gostado e qualquer dúvida ou outras receitas que queiram partilhar, os comentários estão sempre abertos. 

quinta-feira, 7 de março de 2019

O Tarot: Arcanos Maiores - VII - O Carro/Carruagem

março 07, 2019 0 Comentários
VII - O Carro/Carruagem

Nome do Arcano: O Carro/Carruagem
Número: VII
Descrição: No baralho de Rider-Waite o Carro/Carruagem é representado por um guerreiro dentro de uma carruagem. Ele veste armaduras decoradas com luas crescentes e uma tunica com um quadrado e outros símbolos alquímicos e, na cabeça, tem uma coroa de louros e com uma estrela. Ele encontra-se de pé e não tem rédeas na mão. Acima da sua cabeça está um toldo com estrelas de seis pontas. À frente da carruagem estão duas esfinges, uma branca e uma negra, cada uma para lados opostos. Atrás da carruagem corre um rio e uma vila ao longo. *
Símbologia: Nesta carta o Guerreiro demonstra a ser corajoso mantendo-se em pé e determinado com a sua armadura, decorada com luas crescentes (representando aquilo que está a nascer e a surgir) e a túnica decoradas com quadrados e símbolos alquímicos, representando a vontade e a transformação espiritual. Apesar de parecer que está a guiar a carruagem, se verificarem com atenção, notam que não há rédeas e que apenas a sua vontade e determinação controlam o carro. O toldo, por cima do Guerreiro, representa a conexão com o divino e o Mundo celestial e, à sua frente, as esfinges de cores diferentes representam a dualidade e forças opostas (inclusive cada uma delas está a puxar para um lado oposto e apenas a determinação do Guerreiro controla o caminho). O rio, na parte de trás do guerreiro e da Carruagem, representam a necessidade de estar em sintonia com o ritmo e o fluir da vida e, ao mesmo tempo, de seguir como a corrente rumo aos objectivos.

Significado:

  • Posição Normal
Primordialmente a carta da Carruagem representa a Vontade, Determinação e Força. Quando esta carta surge ela traz consigo a mensagem de encorajamento e de que o alvo da leitura tem aquilo que necessita para atingir os seus objectivos, sendo que necessita apenas de confiar em si mesmo e ser determinado nos seus objectivos. A Carruagem alerta também de que haverá pessoas e obstáculos no caminho e testes que serão colocados porém o consulente tem consigo as ferramentas necessárias para ultrapassar estas situações e atingir os objectivos que pretende. Esta carta recorda-nos que não é altura de estar passivamente a aguardar que as coisas ocorram mas sim altura de por mãos à obra pois a Carruagem confirma que a nossa jornada será bem sucedida, desde que tenhamos certeza e confiança nas nossas capacidades. Pode também representar, em termos práticos, uma viagem ou deslocação positiva.

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta da Carruagem representa a necessidade de fazer uma pausa e analisar a situação. Enquanto na posição normal esta carta nos incentiva a avançar rumo aos objectivos, quando invertida ela alerta-nos para a necessidade de parar e reavaliar a situação e questionar se existe algum motivo específico pela qual as coisas estão a ser díficeis. A Carruagem urge-nos a entender quais são os obstáculos e porque razão estão lá e, ao mesmo tempo, fazer-nos entender que não podemos querer ter controlo de tudo ao nosso redor que há certas coisas sobre as quais não temos qualquer tipo de controlo. E isso é normal! Este arcano ensina-nos a entender que há coisas que devem fluir e cabe a nós entender o motivo porque isso acontece e analisar o momento, permitindo criar o espaço necessário para ultrapassar as dificuldades e começar então a rumar em direcção ao que é pretendido. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Elementais: Ondinas/Água

fevereiro 28, 2019 0 Comentários

As Ondinas são, na maioria das vezes, associadas como sendo do sexo feminino devido à forte ligação entre o Elemento Água e a Mulher e o aspecto feminino. Porém, este elemental também tem a sua versão masculina. São responsáveis por diversas tarefas associadas ao elemento água, tanto a nível da água doce (rios, riachos, etc.) como também a nível da água salgada (oceanos e mares). Há quem faça a distinção de que as Ondinas pertencem à água doce e as Sereias pertencem à água salgada, existem ambos os pontos de vista, sendo que deixo isso ao critério do praticante e da sua conexão com estes elementais.

As Ondinas podem habitar em cascatas, riachos, pântanos, charcos, margem dos rios e praias, cavernas subterrâneas, etc. São os espíritos da Água e, como tal, estão presentes em locais onde haja água em abundância.

São elementais acima de tudo associado com as emoções e são, por norma, relativamente amigáveis e de contacto mais fácil do que as Salamandras. Porém é sempre necessário manter o nível de respeito e a noção de que estamos a lidar com entidades diferentes de seres humanos.

As Ondinas (tal como as Sereias) são um dos principais elementais a ser retratado nas mitologias e histórias de folclore, desde a Antiguidade (ex: A Odisseia). São, maioritariamente, representadas como sendo antropomórficas, muito bonitas e graciosas e estão bastante presentes na Arte e Escultura.

Tal como os elementares anteriores, também as Ondinas têm o seu Rei, denominado de Necksa (Ou Nicksa) e, à semelhança dos casos anteriores, é necessário cuidado e respeito ao lidar com esta entidade dado que a mesma é, para todos os efeitos, Rei de um conjunto de elementais e de um Elemento.

O trabalho com as Ondinas tem diversos efeitos nos seres humanos, quando bem estabelecido. O elemento Água está associado aos sentimentos e sensações e, como tal, o trabalho com estes elementais despoleta um maior equilíbrio e entendimento da nossa intuição, dos nossos sentimentos e sensações e do campo emocional. E o oposto se verifica, no caso de um trabalho inexistente ou incorretamente feito.

As formas de contactar estes Elementais será no seu habitat natural, através de meditações junto de riachos, praias, rios, nascentes, etc. Uma excelente forma é através da limpeza e manutenção destes espaços e oferendas alimentares ou benéficas para aqueles locais. A melhor forma de estabelecer uma conexão com as Ondinas é através de honrar os seus espaços. Caso não tenha espaços destes próximos, pode também recorrer a fontes de interiores (fontes de água alimentadas por baterias ou energia elétrica) e utilizar essa fonte como ponto de conexão com o Elemento Água. Se possível, garanta que a água é retirada de um nascente ou de uma fonte.

Terminamos assim a nossa série e esperamos que tenham gostado de aprender mais sobre os Elementais de cada elemento!

E vocês, leitores? Já estabeleceram contacto com estes elementais?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

O Recolher do Inverno

fevereiro 21, 2019 0 Comentários

Estamos a chegar perto do ponto que marca o equilíbrio entre a parte escura e a parte clara do ano, entre o frio do Inverno e o calor do Verão: O Equinócio da Primavera (ou Outono, para o Hemisfério Sul). Por isso gostaria de abordar uma temática bastante interessante e que se torna bastante útil na nossa prática diária e de conexão com a Natureza: O Recolher do Inverno.

Nos tempos antigos, dos nossos Antepassados, ainda antes de surgir a luz elétrica o dia era gerido em torno do Sol. As pessoas acordavam com o nascer do Sol para iniciar as suas tarefas e e a sua vida diária e, ao final do dia com o pôr-do-sol, retornavam a casa para jantar em família e dormir. Inclusive há registos que os ciclos de sono antigos eram diferente dos actuais pois eram constituídos por pequenas pausas ao longo do sono, a meio da noite. E, claro, com o passar das estações também se via diferenças nas rotinas, sendo que no Verão e Primavera a maioria do dia era passado no exterior fosse a cultivar os campos ou a tratar do gado ou até mesmo apenas a aproveitar o Sol e a claridade para fazer atividades ou passeios, enquanto no Inverno, com a neve e a escuridão, vinha o recolher dentro das casas e o foco em atividades de interiores como criar instrumentos, tecer, costurar, etc. E, também, no Inverno havia uma maior união das famílias que se reuniam em torno da fogueira e na mesma divisão (dado que a maioria das casas tinha apenas um ou duas divisões) a realizar os seus trabalhos. 

Actualmente, nos tempos modernos, com a eletricidade veio também a possibilidade de ter a casa toda iluminada de luz e, consequentemente, perdeu-se o ritmo do Sol e de acordar e dormir conforme o nascer e pôr do Sol, sendo que muitos de nós ficamos acordados nos computadores ou telemóveis até largas horas da noite, tendo ciclos de sono confusos e alterados de um dia para o outro. Não sentimos a diferença do Verão e do Outono excepto no factor que faz frio e está a chover ou a nevar. Nas nossas rotinas não há, propriamente, um impacto destas mudanças sazonais. Assim é a vida moderna. 

E... será que isso tem impacto em nós? Há vários estudos que falam do impacto do Inverno no humor e na personalidade das pessoas, com os "Winter Blues" e semelhantes. A maioria são atribuídos à falta de Sol e Vitamina D mas, questiono: Será que os ritmos do nosso corpo não terão também impacto? O Inverno convida-nos, tal como convidou os nossos antepassados, ao recolher. 

Apesar de vivermos numa sociedade urbanizada e moderna não deixamos de ser o que sempre fomos: Animais. O ser humano é um animal e, como animal, tem ritmos naturais. O que fazem os animais no Inverno? A maioria recolhe às suas tocas, às suas cavernas. Hibernam. Descansam. O Inverno chama-nos a abrandar os nossos ritmos e a olhar para dentro. A aceitar a escuridão do ano e abrandar. E este abrandar permite ao corpo recarregar energias e alinhar-se com a Natureza e com o nosso redor. O Inverno não é igual nem tem a mesma duração em todos os lados. O recolher é diferente de pessoa para pessoa, de animal para animal. É único mas transformador e, quiçá, essencial para o corpo e para a mente. 

Claro que isto na vida moderna, principalmente para quem tem empregos e escola ou universidade, é algo muito difícil. Não podemos apenas dizer aos patrões ou professores "Não venho às aulas/trabalho porque vou recolher-me em mim mesmo". Porém, será que não há algo que possamos fazer? Há sempre. 

Convido-vos a uma pequena experiência: Coloquem os vossos dispositivos (telemóveis, tablets, computadores) em modo nocturno, isto vai mudar a cor do ecrã para uma tonalidade mais quente e que magoará menos a vista e, ao mesmo tempo, vai estimular menos o cérebro. A partir da hora do pôr-do-sol ou uma hora que cheguem a casa, acendam apenas luzes e lâmpadas de cores quentes e acendam poucas luzes, deixem que fique um ar mais escuro e quente pela casa. Desliguem os telemóveis e das redes sociais a partir de uma determinada hora, antes de dormir. De forma a que tenham uma ou duas horas sem estímulos tecnológicos. Acordem ao nascer do Sol e saúdem o Sol. Caso não possam (trabalho turno nocturno, entram mais cedo ao trabalho, etc) quando acordarem, e o Sol estiver erguido, cumprimentem e reconheçam a sua importância. Não tenham medo de dedicar-se a atitudes mais internas e mais profundas durante o Inverno. O Inverno é uma época genial para ler, meditações, pinturas, trabalhos manuais e todo o tipo de atividades de interior. Podem começar a estudar algum tema que vos interesse ou começar um novo projecto para arrancar na Primavera! Cuidem de vocês com banhos de ervas e cristais, chás ou bebidas quentes, mantas e toda uma atmosfera quente e de Inverno. Tal como os animais retornam às suas tocas confortáveis, também nós devemos ter a nossa toca onde nos refugiar do frio da estação.

Há imensas formas de adaptar a nossa vida moderna aos ritmos antigos e naturais das estações e estas formas permitem-nos estabelecer uma maior conexão com a Natureza e com os ritmos da Terra em nosso redor. 

E vocês? Quais as vossas formas preferidas de experienciar o recolher do Inverno?

[Recomendo esta compilação de sons de gelo para acompanhar o artigo, para quem quiser!]

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Bruxaria de Cozinha e o Amor

fevereiro 14, 2019 0 Comentários

Uma das minhas grandes paixões é a Bruxaria de Cozinha e para este ano quero partilhar mais sobre esta fantástica Arte convosco. Assim sendo, qual melhor altura do que o Dia do Amor (14 de Fevereiro, no Hemisfério Norte) para falarmos deste tópico? Esta magia é apta para receitas de qualquer tipo de amor! O amor não tem limites nem moldes, pode ser amor próprio, amor de família, amor de irmãos, amor de companheiros, amor de amigos, amor de paixão, o que vocês lhe quiserem chamar e sentir. O amor pode ser tudo e pode ser nada e, por isso, os ingredientes podem ser adaptados para pratos de amor de qualquer tipo que preferiam. Recordamos que não se deve realizar feitiços e magia com o intuito de "amarrar" alguém a nós ou forçá-los a estar connosco. O amor deve ser sempre genuíno e consentido! 

Para começar, gostaria de falar um pouco de Bruxaria de Cozinha na prática. Algo que eu adoro na Cozinha é inovar e deixar-me ir pela intuição. Algo que seja fluído e saía do coração vai ter muito mais impacto do que algo altamente mecanizado. Para mim, cozinhar, deve ser sentido e fluído. Por isso vou indicar-vos alguns ingredientes que podem ser usados e estão associados ao Amor para que possam, também, inovar e inventar pratos e bebidas e sobremesas para vocês ou para partilhar. Relembro também que os ingredientes não devem ser seguidos "à risca". Como falei a cozinha é algo fluído e se um feitiço de cozinha disser que precisa de leite ou de abacate e são coisas a que são alérgicos ou não podem comer... não vão forçar a comer! Adaptem, alterem, imaginem! 

É sempre recomendável, quando se faz Bruxaria de Cozinha que haja foco no que estamos a fazer. É muito simples começar a divagar, falar para o lado, etc. E enquanto isso é totalmente válido e, com o tempo, fácil de gerir no início pode ser um pouco complicado manter o foco no feitiço ou ritual e conseguir fazer outras coisas ao mesmo tempo. Por isso, e de forma a aumentar o foco, acenda uma vela na cozinha enquanto prepara comida. Neste caso poderá ser uma vela vermelha ou cor de rosa, as cores associadas ao Amor. Corte os ingredientes em formatos circulares ou de esferas (formas geométricas associadas ao Amor) ou então, se pretender, em forma de coração. Pode também por um pouco de incenso ou óleo essencial a queimar, porém, tente colocar longe da zona onde está a mexer com a comida de forma a que o fumo não chegue perto dos alimentos e que seja um cheiro suave, dado que quando cozinhamos é sempre bom sentir o cheiro (e o gosto! Sem medo de provar!) do que estamos a fazer.

Ao cozinhar não se esqueçam também da parte mais importante da Magia: Visualizar! Enquanto mexem a comida (preferencialmente no sentido dos ponteiros do relógio) visualizem o objetivo, enquanto partem os legumes ou enquanto estão a adicionar as especiarias no tacho. E, também, quando estão a comer! A visualização é a chave para o sucesso de uma Bruxa ou Bruxo!

Alguns dos ingredientes associados ao Amor são:

Especiarias: Anis, manjericão, cardamomo, chicória, canela, cravo-da-índia, coentro, funcho, gengibre, alcaçuz, semente de papoula, rosa, alecrim, tomilho, baunilha.
Vegetais: Beterraba, ervilhas, batata doce, tomates e trufas.
Frutos e Sementes: Maçãs, damasco, abacate, banana, alfarroba, cereja, goiaba, limão, limão, manga, nectarina, laranja, mamão, maracujá, pêssego, marmelo, abacaxi, morango, tamarindo, framboesa, pinhões, pistácios, castanhas.

Algumas sobremesas que também estão ligadas ao amor são tartes de maçã, brownies de chocolate, gelados de cereja ou de baunilha, bolos de chocolate ou gelados de chocolate, gelados de limão ou de morango, etc. E também, a nível de bebidas, temos vários sumos de frutas (limonadas, sumos de laranja, etc) e também vinhos, sendo o vinho um excelente afrodisíaco (com moderação!). 

Para cozinhar, como disse, não tenham medo de inventar! Por exemplo façam saladas de frutas e cortem as frutas em forma de corações ou esferas, façam tartes com desenhos na parte de cima ou com sigilos no interior! Adicione a especiarias aos seus pratos favoritos! Não é preciso fazer pratos novos ou coisas do zero para que tenham poder. As coisas com maior poder são as que nos são próximas, por isso, porque não modificar e inovar as nossas receitas favoritas? Dê também preferência a produtos frescos e, se possível, até pode ter um jardim ou uns vasos com algumas ervas aromáticas sempre à sua disposição e assim garante que a qualidade das especiarias e ervas que usa estão dentro do que pretende.

Estas são algumas das minhas dicas para Bruxaria de Cozinha no âmbito do amor e o primeiro de muitos artigos mais práticos sobre esta lindíssima Arte.

E vocês? Já experimentaram? 


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Análise Literária: "Memórias de uma Feiticeira" de Lilith

janeiro 25, 2019 2 Comentários
Título: Memórias de uma Feiticeira: Feitiços e Ritos com histórias
Autor(es): Lilith
Pontuação
Descrição: "O meu tio A. não passava nas encruzilhadas de noite e, se tinha de o fazer, deixava um fio de azeite num dos caminhos para a moura não atormentar, mas se fosse Lua Cheia não ia, nem com os conselhos que a Tia lhe dizia: - só se deixares leite, porque com a Lua prenhe a moura canta e prende e só a distrais com leite e depois ela vira serpente e foge, mas foges tu primeiro e nunca olhas para trás...""Esta minha estima por Marta Martalina, a que não era santa nem divina, mas sim uma mulher encantadora, foi o impulso para o meu interesse pelo Príncipe das Trevas. Lá no fundo do meu coração, eu queria encontrá-Lo, ser a sua noiva. Enfim, algo me atraía para o outro lado, o do desconhecido que todos temiam e fingiam não acreditar. Mas nos livros de feitiços, era a Ele a quem pediam favores. E pensei: "Então se há quem ame Cristo, também há quem ame Lúcifer?" Afinal o diabo é belo, chamam-lhe um anjo caído e eu queria conhecê-lo! Se havia um anjo caído, Lúcifer, quem seria ele?" "Conforme eu avançava, o tapete negro ia-se levantando, as capas elevavam-se do chão quais asas negras ondulantes. Senti estar a ser recebida em casa da Morte que estava a cumprimentar-me, presenteando-me com uma cerimónia do mais intenso e estético momento que uma sacerdotisa dos antigos pode receber. Ali, no seu reino, ela abria-me o caminho e eu avançava enquanto as capas negras iam saindo do chão negro e aveludado, dando lugar ao piso de pedra mármore bela e fria. " "Qualquer prática para mudar o destino, aciona sempre a Lei do Retorno"
Onde Comprar: Espiral
Análise: Tenho a admitir que este livro é algo especial, porque não só conheço a autora há longos anos, mas também tenho um carinho especial por ela e, como tal, ler a sua biografia foi sem dúvida uma aventura muito bem recebida!
Este é um livro diferente dos restantes livros porque nem é livro de feitiços nem é biografia, é as duas coisas juntas de forma harmoniosa e fluída, que o torna simplesmente fantástico. Lilith é uma das figuras importantes do Paganismo Português, sendo a Cofundadora e Presidente da PFI-Portugal/Associação Cultural Pagã e tendo diversos outros títulos de importância em Portugal e na Europa. O seu trabalho reflete-se nas comunidades e, como tal, este livro é sem dúvida um excelente contributo e um legado do seu trabalho. Neste a autora conta-nos da sua vida e dos primeiros passos no Paganismo e no mundo do Ocultismo, partilhando connosco receitas e feitiços que tiveram impacto ao longo da sua vida e dando-nos acesso aos mesmos, para que os possamos aplicar na nossa vida. São recursos muito preciosos pois estamos a falar de práticas que dificilmente se encontram disponíveis hoje em dia, oriundas de práticas antigas e locais. São também feitiços e rituais que nos mostram como, por baixo da máscara do Catolicismo, se encontram práticas antigas e que têm um valor tremendo para a Magia e para os praticantes modernos da Velha Arte. Ao mesmo tempo, conta-nos da sua vida e vivências num tom como se estivéssemos sentados junto a uma lareira a beber um chá e conversar como amigos. É um livro de rápida leitura e extremamente acessível para os leitores, transportando-nos para o surgimento do movimento neopagão em Portugal, na segunda metade do século XX e permite-nos refletir sobre as diferenças do antes e do agora, do secretismo dos velhos tempos e a maior abertura de hoje em dia.
O livro aborda diversos temas, em paralelo com a biografia da autora, como questões de amor, saúde, proteção, astrologia e até os Deuses Antigos, dando-nos também um gostinho sobre o crescimento da Wicca e da mesma vista do ponto de vista português. Creio que é sem dúvida um bem importante para o Paganismo português a existência desse livro e posso apenas esperar que mais venham, para que possamos conhecer e recordar toda a evolução do Paganismo português até aos dias de hoje. É sem dúvida um livro que recomendo.