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Sob o Luar


A grande maioria de nós, principalmente se crescemos com famílias em zonas mais rurais, já conhece e sabe bem o que é o mau-olhado (algumas zonas de Portugal também lhe chamam "quebranto", vai depender, porque "quebranto" também pode significar outra coisa, por isso, aqui vamos usar o termo do Mau Olhado). É algo que faz parte do folclore português (e, aliás, de quase todo o mediterrâneo!) e que as nossas avós e avôs não só falavam sobre como sabiam várias formas para tirar o mau olhado e nos limpar dessa energia. Mas o que é ao certo o mau olhado? 

A definição de mau olhado vai variar de zona para zona e de pessoa para pessoa. Honestamente, se tiverem essa possibilidade junto de familiares ou conhecidos da zona onde vivem, recomendo falarem com eles para aprenderem a definição (e as técnicas de limpeza!) mais próximas da vossa origem e da vossa história familiar. Mas, na ausência disso, estou cá para vos ajudar. 

O Mau Olhado é, de forma simplificada, a inveja ou más intenções que alguém nos envia. Este enviar do mau olhado pode ser propositado ou acidental (nem sempre é preciso intenção para enviar mau olhado) e nem sempre é enviado "pelo olhar". Ou seja, não é preciso alguém estar perto de nós, a olhar para nós, para nos enviar mau olhado, o próprio pensamento em si já basta. 

Mas agora vocês pensam, se pode ser acidental, isso significa que eu posso enviar mau olhado para alguém sem querer? Resumidamente, sim. É possível. Quando vemos alguém que ganhou algo bom mas que nós achamos que a pessoa não merece porque fez x e y (ou até porque apenas não gostamos da pessoa) e ficamos a remoer nessa sensação, poderemos estar a enviar mau olhado para a pessoa. Infelizmente, é algo que pode acontecer, e cabe-nos a nós ter atenção às nossas palavras e ações, caso seja algo que não queiramos que aconteça. 

Mas e agora, a grande questão, como nos protegemos do mau olhado? 

Há várias formas de nos proteger do mau olhado, seja a nível da nossa proteção em casa ou a nível da nossa proteção pessoal no dia-a-dia. Para a casa, o que recomendo é sempre uma boa limpeza (temos um artigo sobre Limpeza de Espaços que recomendo muito)! e colocar amuletos ao longo da casa. 

Alguns amuletos típicos são: 

  • Olho Turco/Nazar/Mati na entrada da casa; 
  • Sal nos cantos da casa;
  • Copos de sal nas divisões da casa; 
  • Dente de alho atrás da porta; 
  • Ferradura antiga na parte de trás da porta, virada para cima; 
  • Entre outros métodos. 
Existem imensas técnicas, inclusive algumas típicas aqui de Portugal, que podem ser utilizadas e quase todos os livros de Bruxaria e Paganismo falam sobre técnicas de proteção e amuletos contra energias negativas, que também são válidas contra o mau olhado. 

Agora questionam: Mas e se, mesmo assim, apanhar mau olhado? Como sei que tenho? Como me livro dele? 

O mau olhado pode, ou não, ter sintomas físicos no corpo. Vai depender da quantidade de olhado que temos em cima de nós mas, na maioria dos casos, ele atinge-nos como uma dor de cabeça ou mau estar no corpo inteiro, podendo inclusive levar a vómitos e outros sintomas físicos. Contudo, como eu digo várias vezes aqui no blogue, a primeira solução e reacção deve ser ver os sintomas como consequência de algo físico (gripe, doença, algo que comemos, desidratação, etc). Nem tudo é mágico e nem tudo o que nos faz sentir mal é mau olhado, às vezes é apenas o jantar que caiu mal. 

Acima de tudo, não caiam na conversa de charlatões que vos prometem "limpar de todo o mau olhado e invejas" e outras coisas! É das coisas mais comuns no nosso país, infelizmente, mas há formas de sermos nós própries a tirar o mau olhado, sem ter de pagar centenas de euros a um desconhecide! 

Para saber se temos mau olhado e para nos livrar dele, existem duas técnicas comuns: A técnica do azeite e da água e a técnica do ovo. 

Tirar o Mau Olhado com Azeite e Água 

Esta é das técnicas mais famosas em Portugal para tirar o mau olhado e existem imensas variações da mesma, principalmente a nível das rezas. Como esta técnica é maioritamente católica, eu vou colocá-la aqui com a reza original, contudo, a mesma pode (e deve!) ser alterada ao vosso gosto, principalmente se não forem católicos.

Vão precisar de um prato fundo (ex: de sopa) com água e um pouco de azeite numa taça. Por cima do prato, fazendo o símbolo da cruz com a mão (ou podem incluir um terço ou amuleto), vão dizer:

Deus te viu, Deus te criou
Deus te livre de quem para ti
com mal olhou.
Em nome do pai, do Filho
e do Espírito santo
Virgem do pranto,
quebrai este quebranto.

De seguida, molham o dedo no azeite e deixam cair três gotas no prato. Se as gotas abrirem, é porque existe mau olhado. É preciso deitar fora a água e voltar a repetir. Este processo deve ser repetido até a altura em que as gotas caem e ficam inteiras na água, sem se misturarem. 

Tirar o Mau Olhado com um Ovo

Existem vários métodos de tirar o mau olhado com um ovo, este é apenas um exemplo. Podem encontrar mais procurando online, caso não gostem deste método. 

Vão precisar de um ovo fresco (que não esteja estragado) e um copo com água até meio. 

Vão pegar no ovo e passar com o ovo pelo corpo todo, da cabeça para os pés, visualizando a energia negativa a passar para o ovo. Ao longo deste processo, podem ir dizendo alguma pequena oração ou algo como "Que este ovo capture todas as energias negativas", enquanto se vão concentrando no que estão a fazer. No fim, é preciso partir o ovo para dentro do copo e esperar uns 2-3 minutos. 

Aqui é a parte mais complicada, que é analisar o ovo. Existem listas imensas online do que cada coisa pode significar, mas, resumidamente:

    • Se a gema do ovo for ao fundo e a clara estiver limpa é porque não havia qualquer mau olhado e está tudo OK. 
    • Se houver bolhas na água, na zona da clara, é porque há mau olhado e ele foi removido com o ovo. 
    • Se o ovo estiver com um aspecto estranho ou com manchas de sangue ou até com um ar um pouco turvo, poderá ser algo mais complexo. Aqui, recomendo uma nova limpeza com um ovo novo, para ver se limpou realmente e, caso não tenha ficado limpo, recorrer a um método divinatório para ver como proceder. 
E com isto, estão prontos para se protegerem do olhado e já sabem um pouco mais acerca de um dos grandes aspectos das práticas folclores portuguesas!  

Já conheciam estas técnicas? 

Hoje vamos falar dos principais erros que cometemos quando estamos a começar a estudar sobre Paganismo e Bruxaria e como podemos evitá-los! Estes são apenas alguns dos principais erros que tenho visto nos últimos tempos nas comunidades pagãs e bruxas que frequento. Acredito que haja mais ou até que muita gente nem cometa estes erros, contudo, é importante falar deles, pois permite desmistificar um pouco as coisas para quem está a começar e, ao mesmo tempo, orientar e dar alguns pontos de partida para quem ainda não sabe bem como se orientar. 

  • Tentar encontrar Mestres ou Professores sem ter bases de Paganismo ou Bruxaria
Quem lê o Sob o Luar com frequência sabe que este é um ponto no qual eu foco bastante e temos mais do que um texto que aborda esta temática (principalmente este). Isto porque foi um dos meus grandes erros e quero evitar que outros caiam na mesma asneira que eu caí. E porque é que isto é um erro? Bem porque muita gente tenta procurar um professor ou um mestre para lhe ensinar coisas mas nem sabe ao certo o que quer aprender. Apenas quer aprender algo. Isto abre a porta a imensos perigos. Como já falámos anteriormente existem pessoas más em todas as comunidades e o Paganismo e a Bruxaria não são imunes a estas presenças. Muitos predadores estão nas nossas comunidades (infelizmente!) e aproveitam-se de pessoas que estão a começar, não sabem muito e tentam moldar as mesmas aos seus "ensinamentos" (que de ensinamentos têm muito pouco...). Antes de procurarem um Professor ou um Mestre, façam pesquisas, investiguem, leiam, aprendam as bases. Vivemos numa época tecnológica e temos todo o conhecimento na palma da mão, temos de aproveitar! E, mesmo após terem as bases, se quiserem procurar alguém para vos ensinar, façam várias verificações, perguntem às pessoas que os conhecem, vejam-nos interagir com as comunidades pagãs, vejam se pertencem a alguma organização de confiança e que possa dar garantias do seu trabalho. Não confiem cegamente! 

  • Colocar demasiado significado nas redes sociais e os seus conteúdos
Há quem diga que este ponto é apenas uma diferença geracional, contudo, discordo. Não vou negar que as redes sociais são uma boa fonte de entretenimento e até de algum conhecimento, contudo, não são fonte exclusiva para constituir ou trilhar um caminho pagão ou bruxo. Depender exclusivamente das redes sociais e de Tumblr, TikToks, Youtube e Pinterest não é um bom método de trabalho. LER é essencial, por mais que não gostem ou não o queiram fazer. O consumo de conteúdo pagão ou bruxo nas redes sociais deve sempre ser suplementado com livros, com convívio nas comunidades pagãs e com experiência prática. Ser bruxa apenas porque seguimos o TikTok e não fazemos absolutamente mais nada não é ser Bruxa, é apenas ser uma fã de vídeos de internet. A Bruxaria é, e sempre foi, um caminho que requer trabalho e dedicação e isto implica ler, investigar, praticar, treinar, etc. Requer um trabalho ativo e não apenas passivo de fazer scroll num telemóvel

  • Não aceitar críticas ou questões acercas das suas práticas e estudos 
Este comportamento não é só presente em iniciantes mas em todos os tipos de praticantes, contudo, vou-me focar no caso dos iniciantes (mas aplica-se a toda a gente porque reflexão crítica é sempre bom). Mais do que uma vez já tive encontros com praticantes que, quando lhes é feita uma pergunta sobre a sua prática ou até se pergunta que tipo de livros é que leram, ficam extremamente ofendidos, chegando a sair dos espaços e a afirmar que "não gostam que duvidem da prática deles". Acho que temos de mudar este mindset: Não se trata de duvidar da prática alheia, trata-se de perguntar. Seja por curiosidade, porque nunca ouvimos falar daquela prática ou daquele tipo de trabalho ou, em alguns casos, para corrigir informação incorreta (que pode acontecer a qualquer um! Pessoalmente já tive comentários e até dicas de colegas de comunidade sobre informações erradas que eu pensava estarem corretas e agradeço mil vezes o feedback!). Estarmos abertos a feedback e a debates é bastante saudável. Não só nos permite entender e trabalhar melhor o nosso caminho como também aprender com a prática dos outros e com as suas opiniões. E, no caso de iniciantes, é excelente para corrigir informações que podem estar incorretas! Ninguém sabe tudo e todos podemos errar e devemos estar abertos a este tipo de reparos, porque os mesmos servem para nos ajudar a crescer e não para nos rebaixar. 

  • "Viajar na maionese"
Não sei se hoje em dia ainda se usa o termo "viajar na maionese" mas era um termo muito utilizado nas comunidades pagãs luso-brasileiras há alguns anos atrás. Basicamente significa estar a acreditar em algo que não é necessariamente verdade, estar a ir nas invenções da nossa mente. Isto é especialmente comum dentro das redes sociais como o TikTok. Desde pessoas que vão às compras com Divindades, praticantes que dizem que fazem guerras no Astral, até iniciantes com 2 meses de prática que vão para "os Salões dos Deuses" através de viagens astrais, iniciantes a dizer que "namoram" com Divindades e que "A Divindade X vai castigar-te porque comentaste coisas más no meu vídeo" e outras mil e uma histórias que já ouvi. O TikTok (e outras redes sociais) acabam por levar os iniciantes a acreditar que o Paganismo e a Bruxaria são como aventuras de Hollywood e que os Deuses são os BFFs. Não é verdade. É preciso saber distinguir a realidade da ficção (e planeio ter um artigo no futuro exclusivamente dedicado a esta temática) e saber entender o que é a nossa prática e é real, e o que é da nossa imaginação. Isto aplica-se também na temática dos Sinais das Divindades, dos quais já falamos aqui no blogue anteriormente. Há que saber distinguir as coisas e saber levar as coisas a sério e com o respeito que lhes é devido.

Estes são os quatro pontos principais, não quero fazer um texto muito longo mas sou capaz de revisitar esta temática com uma "Parte 2" no futuro, quem sabe! E vocês leitores? Que dicas dão a quem está a começar? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Edz Norton)

Hoje vamos falar de uma temática que se tornou viral em tempos recentes em diversas plataformas tal como no "Witchtok", no Instagram e no Youtube: Vamos falar de Shadow Work ou, em português, do Trabalho com a Sombra. Primeiramente temos de entender o que é a Sombra. 

O conceito de "Sombra" surgiu ligada à psicologia analítica de Carl Jung, um psiquiatra suíço. Segundo Jung, a "Sombra" é um aspecto incosciente da personalidade que o ego não identifica em si mesmo, ou seja, o lado desconhecido. Contrariamente ao defendido por Freud, a Sombra de Jung pode conter tanto características positivas como negativas porém, como o ser humano tende a ignorar os traços em si mesmo que não gosta, esta acaba por ser constituída acima de tudo por características consideradas negativas. Para Jung, a Sombra corresponde ao lado desconhecido e negro da personalidade, ou seja, tudo aquilo que o ser humano recusa ou ignora existir em si. Na psicologia análitica a necessidade de conhecer, lidar e até unificar-nos com a nossa Sombra faz parte do processo de individuação, ou seja, faz parte de um processo psiquico durante o qual todos os aspectos da nossa personalidade e do nosso eu se integram para criar um todo único e estável. 

Este trabalho com a Sombra foi recentemente adoptado por várias comunidades new age e comunidades dentro da Bruxaria, tendo o seu boom recente feito com que este conceito de Sombra e este trabalho com a Sombra tenha ficado em destaque, contudo, nem sempre da melhor forma. 

O trabalho com a Sombra é uma das partes do processo de individuação da psicologia jungiana e, como tal, é sempre preferível que seja acompanhado por um profissional de saúde formado ou com conhecimento dentro desta vertente da Psicologia. As informações disponíveis online, principalmente em vídeos do "Witchtok" não são, nem de longe, suficientes para que este trabalho interno seja feito da melhor forma e com os melhores resultados. Isto é principalmente notável em pessoas que tenham sofrido traumas na infância ou ao longo da sua vida, que tenham tido dificuldades ou problemas como ansiedade, depressão e outras questões do foro psicológico dado que estar a lidar com estas memórias, traumas e triggers de forma sozinha e sem acompanhamento profissional faz mais mal do que faz bem. 

Nós alertamos frequentemente para o facto de que a melhor forma de trabalhar com a nossa Sombra e fazer Shadow Work é simplesmente ir ao terapeuta ou a um psicólogo. Não há vergonha nenhuma em fazer terapia e, para este propósito, é mais do que indicado dado que o próprio conceito de Sombra pertence à psicologia. Logo, quem melhor do que profissionais da área de onde este conceito surgiu para nos ajudar a trabalhar com ele e desenvolver o mesmo na nossa prática. 

O trabalho com a Sombra sem as devidas preparações e o devido acompanhamento pode trazer bastantes danos a médio e longo prazo. O facto de estarmos constantemente a forçar-nos a reviver traumas, reviver más memórias ou maus momentos com o intuito de "enfrentar a nossa sombra" vai acabar por causar danos na nossa psique porque estamos constantemente a reviver os nossos traumas ao invés de estarmos a lidar com eles. É nisto que um profissional de saúde poderá ajudar-nos da melhor forma, sabendo como lidar e como processar estas informações de forma a que as mesmas possam ser assimiladas, ao invés de piorarem o nosso estado mental e a nossa psique. 

A Bruxaria e o Paganismo não só podem como devem andar de mãos dadas com a ciência. Se partirmos um braço, vamos ao médico certo? Aqui é exactamente o mesmo processo, simplesmente para a nossa mente. Existem vários profissionais de saude na área da Psicologia que são formados em psicologia análitica/jungiana e que estão mais do que dispostos em auxiliar-vos neste processo. 

Adicionalmente, contrariamente ao que é divulgado nas redes sociais, principalmente no TikTok e no Instagram, o "Shadow Work" não é obrigatório na Bruxaria ou no Paganismo, não é uma parte essencial da vossa prática e a vossa prática não é menos válida por não fazerem "Shadow Work". Este conceito e esta prática, dentro das comunidades pagãs, é extremamente recente e só saltou para o destaque das comunidades em geral devido à propagação de vídeos dentro das plataformas sociais. Podem fazer processos de introspeção e meditação, tal como vários praticantes fazem, sem necessariamente precisarem de fazer Shadow Work ou trabalharem com os vossos traumas ou problemas ativamente na vossa prática, principalmente se não se sentirem confortáveis em fazer esse tipo de práticas. 

Não deixem que o vosso caminho seja julgado ou "mandado" por outras pessoas. Ao final do dia, o vosso caminho é isso mesmo: o VOSSO caminho. E se realmente têm interesse em fazer trabalho com a vossa Sombra, procurem um profissional de saúde com capacidade para trabalhar dentro da psicologia jungiana e façam uma marcação para iniciar este processo.

Crédito de Imagem: Unsplash (Stefano Pollio)

Na prática de rituais mágicos e de celebrações em ritual, um dos pontos importantes é a comida. Na Wicca, por exemplo, é normal os ritos terem uma parte que se chamam, em inglês, "Cakes and Ale" onde são partilhadas comidas e bebidas. Apesar de muitos acharem que esta prática de comer durante ou após um ritual é apenas para estimular e melhorar o convívio entre as pessoas num círculo, na realidade, o comer após o ritual tem um papel fundamental no restabelecimento de energias. E é disso que vamos falar hoje. 

Como sabem, e já falamos anteriormente, a comida tem um papel importante na prática mágica e isso implica ter um papel activo na forma como os nossos rituais são estruturados. O que comemos antes de um ritual e o que comemos durante um ritual poderá ter efeito no próprio ritual em si, principalmente no ponto de vista da crença pessoal de cada um. São muitas as tradições religiosas, inclusive fora do Paganismo, onde há restrições alimentares por motivos religiosos seja não comer nunca um determinado alimento, fazer jejum durante um determinado período de tempo, só comer certos alimentos num dia específico, etc. No Paganismo, e na Bruxaria, também podemos ter deste tipo de práticas. 

Existem vários praticantes que optam por fazer jejum antes de dias de rituais grandes (como Sabbats ou Esbats) ou que optam por não comer carne durante este período. Segundo os mesmos, este tipo de alimentação permite a que o corpo esteja mais "desperto" e em sintonia com a Natureza, sem o consumo de carne. Este é um tipo de alimentação pré-ritual que pode ser adaptada nos caminhos individuais de cada um. Por exemplo, com base em características e registos históricos, um reconstrucionista pode tentar que, no dia em que celebra um evento especial, a sua alimentação seja restrita a pratos ou alimentos que fossem consumidos na altura em que o rito original era celebrado. A comida é uma das formas de ajudarmos o nosso corpo a entrar no mindset pretendido para o ritual, tal como o incenso ou a decoração do local, também a comida é uma ferramenta muito útil para nos colocar no momento certo e para recordar o nosso corpo que este é um momento especial que vai ser assinalado. 

Também durante ou após o ritual podem ser consumidas diversas comidas. É principalmente comum fazer-se isto quando são celebrações em grupo, dado que o momento de todos estarem a partilhar comida (idealmente, que todos tenham trazido um pouco) é uma altura excelente para conviver, conhecer-se mutuamente e ficar a saber um pouco mais ou por as conversas em dia dos praticantes presentes. Contudo é também o momento ideal para restabelecer energias. Um ritual, seja apenas devocional ou mágico, é algo que vai ser cansativo e vai tirar de nós energias (energias para trabalho mágico ou apenas energia pelo esforço de fazer a celebração) e nada melhor para repor as energias do que... comida! Esta é a altura ideal durante um rito para repor todas as energias que usamos ao longo do ritual e da prática mágica, claro, pode ser incorporado dentro do próprio rito como um momento de convivio para os membros ou, no caso de prática solitária, um momento de partilha de alimento e oferendas com as Divindades, em que estamos em repouso e a partilhar tranquilidade com os Deuses ou Entidades com as quais estamos a reunir naquele ritual. 

E vocês? Costumam ter práticas referentes à alimentação durante rituais? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Lee Myungseong)

Unsplash (Element5 Digital)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Samhain! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Samhain
Datas: 31 de Outubro (HN) ou 1 de Maio (HS)

Samhain (pronuncia-se “sou-en”) é também denominado de Halloween, Hallowmas, Véspera de Todos os Sagrados, Véspera de Todos os Santos, Festival dos Mortos e Terceiro Festival da Colheita. Samhain é considerado um dos mais importantes festivais Wiccanos ao lado de Beltaine. Samhain realiza-se quando o Sol está a 15º de Escorpião (no Hemisfério Norte) e a 15º de Touro (no Hemisfério Sul). Pode também ser celebrado na data tradicional que é 1 de Maio (Hemisfério Sul) e 31 de Outubro (no Hemisfério Norte).

Este é um festival para honrar os nossos antepassados e Ancestrais. Podemos, e devemos, partilhar alimentos com os mesmos, convidá-los para as nossas mesas e honrar a sua importância na nossa vida, no nosso caminho e na nossa existência. Muitos Bruxos optam por deixar um lugar à mesa para os Ancestrais ou colocar comida no altar ou, em algumas práticas, deixar um prato com comida no alpendre ou no lado de fora de casa para alimentar os espíritos que vagueiam na noite das Almas. 

Um dos principais símbolos deste terceiro, e último, festival das Colheitas é a Abóbora. Todos conhecemos a associação da abóbora com o Halloween e ela não deixa de ter menos impacto no Samhain! A abóbora é um alimento rico nesta altura do ano e extremamente versátil. Desde sopas, tartes, bolos, biscoitos, lattes e até sementes de abobora assadas no forno existem mil e um pratos que podem ser feitos com aboboras. É caso para dizer que o céu é o limite da nossa imaginação. Sejam inventivos e podem utilizar este produto em qualquer prato sejam sobremesas ou entradas.  

Outro alimento que tem também um grande papel durante este festival de Samhain é a romã. A romã está associada a Samhain devido à sua ligação com o Mito de Persephone e a sua Descida ao Submundo, que é assinalada perto desta altura do ano. Também a romã pode ser usada de diversas formas: para fazer sumos, em saladas, em tartes e muitas outras variantes. Podem também ser colocadas em altares em honra à Deusa Persephone e celebrando a sua descida de volta ao Submundo. 

Para além das abóboras e romãs, também outros alimentos costumam estar presentes à mesa durante esta altura do ano como todo o tipo de frutos secos e cereais que podem ser utilizados para cozinhar diversos pratos (recordamos que Samhain é o Terceiro Festival das Colheitas, por isso, todos os alimentos consumidos nos outros dois festivais podem fazer parte da mesa nestas celebrações). Também o vinho quente com especiarias é excelente para esta altura do ano, tal como todo o tipo de vegetais de raízes como batatas, cenouras, nabos, beterrabas, etc. 

Samhain é uma altura para reunir a família, festejar o fim de um ciclo e celebrar aqueles que vieram antes de nós ou que já não estão connosco. Façamos banquetas e celebremos a vida, agora que o ano termina e o Sol se esconde! Que a alegria deste festival possa manter-se dentro de nós até o Sol nascer forte novamente. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Joanna Kosinska)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Mabon ou Equinócio de Outono! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Equinócio de Outono ou Mabon
Datas: 20/21/22/23 de Setembro (HN) ou 20/21/22/23 de Março (HS)

Mabon (pronuncia-se “mêibon”), também denominado de Sabbat de Outono ou Equinócio de Outono é o Segundo Festival das Colheitas. Tem lugar quando o Sol está a 0º de Libra (no Hemisfério Norte) e 0º de Áries (no Hemisfério Sul), ou seja, ocorre por volta de 21/22/23 de Setembro (no HN) e Março (HS). Os Equinócios são pontos de equilíbrio, onde a Luz e a Escuridão estão iguais. A partir desta data, o período escuro do ano começa e a escuridão vence uma vez mais. Relembro que escuridão não significa algo mau, é somente uma referência à falta da intensidade do Sol e o começo e vitória do Inverno. As noites tornar-se-ão mais longas e os dias mais curtos até chegar o Inverno.

Um dos principais símbolos deste segundo festival das Colheitas é o Milho. Esta é a altura da colheita do milho e em Portugal temos uma grande cultura, que já se está a perder, à volta do milho e da desfolhada do milho. Este é um momento ideal para procurar mais sobre estas tradições e como as mesmas podem ser aplicadas à nossa actualidade pagã. O milho pode ser utilizado em diversos pratos como maçaroca assada, milho com arroz, salada de milho, milho no forno, etc. Existem mil e uma formas de utilizar o milho na cozinha e de lhe dar um lugar de destaque à mesa. 

Outro alimento que tem também um grande papel durante o Equinócio de Outono são as maçãs! Com o mês de Setembro vem o período da apanha da maçã e podemos utilizar esta fruta nos nossos pratos e cozinhados, seja no forno, cozinhada, assada, em tartes, em compotas e doces, etc. Em termos mágicos a maçã tem uma grande simbologia, não só pela associação cristã do "fruto proibido do Jardim do Éden" mas também pelo facto que se cortarmos uma maçã ao meio, as suas sementes irão formar um pentagrama. É um dos frutos associados à Bruxaria e, como tal, esta é a época perfeita para lhe dar um lugar privilegiado à mesa. No caso de ter um jardim ou quinta onde tenha uma macieira pode aproveitar para apanhar as maçãs e conservar as mesmas através de doces e compotas que podem ser usadas ao longo do Inverno que virá. 

Para além do milho e das maçãs, também outros alimentos costumam estar presentes à mesa durante esta altura do ano como as castanhas, as abobóras (que terão um papel de destaque ainda maior em Samhain!), feijões, nozes e o pão, que continua a ter o seu lugar à mesma após Lughnassadh. Aliás, se quiserem juntar o pão e o milho podem fazer pão de milho ou broa de milho que são pães bastante tipicos em Portugal. 

Esta é uma celebração rica em diversas actividades e a segunda de três celebrações relacionadas com as Colheitas, por isso, não tenham medo de inovar e experimentar coisas novas. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Nota: Existe um grande debate nas comunidades pagãs por detrás do uso das palavras Mabon/Ostara/Litha. Para fácil acesso por iniciantes optámos por manter a denominação neste artigo, contudo, aconselhamos a leitura deste texto e deste texto para esclarecimentos adicionais. 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Wesual Click)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Lughnasadh! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Lughnasadh
Datas: 1 de Agosto (HN) ou 1 de Fevereiro (HS)

Lughnasadh é a polaridade de Imbolc pois enquanto em Imbolc lança-se as sementes, em Lughnasadh colhe-se os frutos. É um dos primeiros festivais das Colheitas e marca o fim do Verão e a chegada iminente do Outono. É um período marcado por altas temperaturas e o começo das colheitas nas quintas e plantações. Na Wicca é neste dia que o Deus Sol se transforma no Deus das Sombras e se sacrifica pela Terra. A Deusa possui o papel de Mãe mas prepara-se brevemente para o seu cargo como Anciã. Lughnasadh é um festival de origem celta, em honra do Deus Solar Lugh. Daí vem o seu nome “Lughnassadh” que é traduzido para “celebração a Lugh”.

Um dos principais símbolos deste primeiro festival das Colheitas é o pão. Com o início da colheitas dos cereais (trigo, milho, aveia, etc) nesta altura do ano, o fabrico do pão e do trabalho com estes cereais toma um lugar de destaque. Como tal, fazer o seu próprio pão e partilhar o mesmo com a família ou o seu grupo é uma excelente actividade para este festival. Não só é uma actividade relaxante e divertida de fazer em família (até com os pequenos!) mas também uma fantástica oportunidade de conexão com uma prática ancestral: a de fazer o pão, de fazer o nosso alimento. O pão é um dos marcos à mesa de várias civilizações e gerações. O fabrico do pão é uma arte ancestral que pode, e deve, ser honrada neste festival.

Pode aproveitar e usar este festival como uma forma de conhecer melhor o pão. Experimente fazer vários tipos de pão (pão de milho, pão de centeio, pão de mistura, etc) e ver quais as diferenças entre cada pão, como os mesmos são preparados, quais as energias com que pode trabalhar, etc. Adicionalmente, se quiser fazer um esforço adicional, pode investigar de onde vem o pão que compra no dia-a-dia e quais os seus ingredientes e tomar decisões conscientes para apoiar pequenos negócios e fabricantes e comprar pão que seja saudável e bom para o seu corpo e saúde. 

É também durante esta altura que pode, caso tenha jardim ou plantas em casa, começar a colher algumas ervas que utiliza na cozinha e começar a secá-las para usá-las em pratos e refeições durante o Outono e Inverno. Muitas plantas murcham durante o Inverno o que não nos permite utilizar as mesmas frescas nas nossas refeições (a menos que recorramos a plantas de interior ou de estufas). Como tal, esta é uma excelente altura para começar e colher e secar as plantas para usar nos nossos pratos culinários durante as estações que estão para vir. 

Outro dos alimentos que marca bastante este festival são as bagas como as amoras, framboesas e mirtilos. Pode aproveitar para comer as mesmas frescas ou fazer compotas e doces que vão durar as próximas estações para ter em casa ou, até, fazer compotas energizadas com amor e harmonia para ajudar em feitiços futuros ou a manter a tranquilidade no lar nos próximos meses. Não há nada melhor para acompanhar uma boa fatia de pão caseiro do que doce acabado de fazer das nossas bagas! E é também uma excelente actividade para fazer com crianças! 

Esta é uma celebração rica em diversas actividades e a primeira de três celebrações relacionadas com as Colheitas, por isso, não tenha medo de inovar e experimentar coisas novas. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson

Unsplash (Tania Melnyczuk)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Litha ou do Solstício de Verão! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Litha ou Solstício de Verão
Datas: 20/21/22/23 de Junho (HN) ou 20/21/22/23 de Dezembro (HS)

Litha ou Solstício de Verão ocorre quando o sol atinge o seu pico mais alto no céu e é o dia mais longo do ano e a noite mais curta. A partir desta data a duração dos dias começa a diminuir. As noites são curtas e tradicionalmente cheias de luzes: as estrelas brilhantes do céu nocturno, os vaga-lumes, as fogueiras e decorações que caracterizam as ruas. Na Roda do Ano Wiccana este festival assinala o ponto mais alto do Deus e a partir do qual o Deus começa a enfraquecer até à sua morte. 

O fogo é divinizado e tal aspecto notasse nas fogueiras que se acendiam antigamente pelas ruas e à porta das casas como também pelas iluminações que enfeitam as cidades. Ainda hoje, em várias práticas cristãs celebradas pela altura do Solstício (os Santos Populares) há muito a ideia da fogueira e do fogo. Também neste festival é considerado que o véu entre o nosso mundo e o mundo das fadas está mais fraco, sendo uma altura propícia para a conexão com estes elementais e seres, de forma cuidadosa. 

A nível de comida no Solstício temos um foco muito grande em frutas e vegetais frescos. Estamos numa altura de abundância de produtos naturais e de uma Natureza rica em ingredientes e recursos que nos são muito úteis nas nossas aventuras culinárias. Como tal, devemos privilegiar frutas frescas da época e vegetais frescos da época. Podemos fazer sumos, gelados, saladas, saladas de frutas, gelados, smoothies, sopas frias entre outras refeições frescas e propícias para esta altura do ano. Também nas bebidas podemos apostar em produtos naturais com frutas frescas ou, no caso de bebidas alcóolicas, em bebidas à base de cereais ou mel como a cerveja e hidromel ou até bebidas caseiras à base de frutas frescas da época. 

Algo que pode ser feito nesta altura do ano também, principalmente em zonas como Portugal em que há uma tradição muito forte na celebração dos Santos Populares que, como dito anteriormente, coincidem na mesma altura do Solstício de Verão, é utilizar alimentos que são típicos dessas celebrações como o pão, as sardinhas, os grelhados, etc. Podemos aqui, através da comida, estabelecer uma ponte entre as nossas celebrações e as celebrações do que convivem em nosso redor, porém, fazem parte de outras tradições. Recordemos que grande parte das celebrações cristãs da actualidade como os Santos Populares, Natal, Páscoa, etc tem muita inspiração de práticas pagãs dos povos antigos e, como tal, acabam por coincidir com práticas que estão  incluídas na nossa prática actual. E esta é uma excelente forma de estabelecer uma comunicação e ligação com as pessoas da nossa vida que seguem outros ramos religiosos. 

Temos de aproveitar o Solstício de Verão para cozinhar e comer todos aqueles produtos e ingredientes que brevemente não estarão disponíveis naturalmente (ou seja, sem ser através de estufas artificiais) na Natureza com a chegada iminente do Outono e das épocas das colheitas, por isso, usem e abusem dos frutos frescos, dos vegetais, dos grelhados, das bebidas e inovem na criação de alimentos como sopas, gelados, bebidas, cocktails, entre outros!

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Nota: Existe um grande debate nas comunidades pagãs por detrás do uso das palavras Mabon/Ostara/Litha. Para fácil acesso por iniciantes optámos por manter a denominação neste artigo, contudo, aconselhamos a leitura deste texto e deste texto para esclarecimentos adicionais. 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Anshu A)
Hoje voltamos com um artigo da nossa série de Bruxaria de Cozinha e a Roda do Ano e vamos falar sobre Beltane!

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Beltane
Datas: 01 de Maio (HN) ou 31 de Outubro (HS)

Beltane é um festival que assinala o pico da Primavera e o auge da fertilidade, sendo o ritual tipicamente associado ao Grande Rito e à consumação da relação entre o Deus e a Deusa, nas tradições Wiccanas. Os campos estão floridos, a Primavera já chegou e já se instalou em nosso redor, com os seus campos verdejantes, os animais em época de acasalamento e a frescura do bom tempo no ar. Existe, neste festival, um foco em divindades voltadas para a Natureza como Cernunnos, Pan, Belenus, entre outros.

Como celebração de fertilidade e de Primavera, grande parte das práticas associadas a este festival estão ligadas à sexualidade e à prosperidade. É nesta época que vemos os Mastros de Beltane, ou May Poles, e são feitas danças em volta do mesmo com muita alegria e boa disposição. Também as fogueiras são acendidas para representar o fogo dentro de nós e a paixão ardente. Em várias tradições, esta é a altura de assinalar os momentos de crescimento e prosperidade, sendo a altura para começar novos projectos e novas aventuras nos nossos caminhos.

Existem vários alimentos que estão associados a esta altura do ano tal como todo o tipo de lactícnios e pratos que possam ser criados com os mesmos, flores comestíveis, doces e aveia ou doces/comidas criadas com aveia e alimentos semelhantes. Esta altura do ano era, principalmente na Escócia, muito associada à aveia e alimentos semelhantes, como tal, para quem tem ligações com essa zona do Mundo, será uma boa inclusão alimentar! Aconselho também a procurarem quais os alimentos da época na zona onde vivem e incorporarem na vossa prática. 

São vários os pratos que podem ser feitos com as energias deste festival são vários tipos de tartes que levem ovos e frutos da época para sobremesas. É também muito bom, para esta altura do ano em que o calor começa a voltar, começar a introduzir gelados na nossa alimentação. Podem fazer gelados caseiros com frutos da época e locais da vossa zona, se conseguirem ter acessos aos mesmos. Estão não só a incluir frutos locais e da época como também a utilizar uma base de leite (ou substituto do leite) que conecta mais com este festival. Se quiserem, de forma a despertar um pouco mais o lado sexual deste festival, podem também incorporar comidas um pouco mais picantes, como pratos que incluam pimentas ou piri-piri e afins. Podem também incluir na mesa festival vários tipos de queijo, se gostarem. Se tiverem possibilidade, recomendo verem quais os queijos locais da vossa zona e apoiarem esses pequenos artesãos. Quiches com vegetais e até flores comestíveis são também pratos que podem ser aplicados e parte do menu nesta altura do ano. Vários pratos frescos e com energia do Verão que se aproxima podem, e devem, fazer parte da nossa mesa como saladas (de frutas ou de vegetais!), iogurtes, gelados, entre outros. Sem medos de inovar! 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Melissa Walker Horn)
Hoje voltamos com um artigo da nossa série de Bruxaria de Cozinha e a Roda do Ano e vamos falar sobre Ostara!

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Ostara / Equinócio da Primavera
Datas: 19/20/21/22 de Março (HN) ou 19/20/21/22 de Setembro (HS)

O Equinócio da Primavera, ou Ostara, é um festival que celebra o início da Primavera e o final do Inverno. É o momento em que o Dia e a Noite estão em igualdade e, a partir deste momento, o Sol continua a subir e subir mais alto no céu, tendo já passado a metade em que a noite durava mais do que o dia. As flores começam a florir, o verde surje nos campos, as folhas voltam ás árvores e até os animais sentem esta mudança ao nosso redor. Nós próprios, inconscientemente, sentimos as alterações dos ciclos da Terra. Começamos a sentir-nos mais dinâmicos e com mais força de vontade, devido à maior exposição ao Sol e a toda a energia de "renascimento" que se sente no ar.

Como celebração de fertilidade e do início da Primavera, grande parte das práticas associadas a este festival estão ligadas a ritos de fertilidade como os ovos de Ostara, os coelhos, as flores, entre outros símbolos. É uma altura para festejar a Primavera e tudo o que esta estação traz consigo. É um momento em que podemos celebrar o Sol e a sua vitória sobre o Inverno e sobre a Escuridão, dando as boas-vindas à claridade e ao calor que se aproximam.

Existem vários alimentos que estão associados a esta altura do ano. Com a chegada da Primavera e do bom tempo, os nossos ancestrais, começam a deixar os gados e animais voltarem para o exterior. Os pastos encontravam-se verdes e com flores e começava-se a ver os primeiros brotos de novas plantas e as sementes a nascer. Assim sendo, esta é uma altura muito propícia para utilizar todo o tipo de sementes em pratos ou para vegetais como couves e vegetais verdes, que nos recordem da chegada da Primavera como couves de bruxelas, bróculos, etc.

Para além destes alimentos podem também ser incorporados nos pratos celebratórios de Ostara várias flores comestíveis como rosas ou flores de courgetes. É necessário garantir que estas flores (e todos os vegetais que utilizamos) não levaram com pesticidas que possam ter efeitos negativos na nossa saúde. É preciso ter a certeza que todos os produtos naturais utilizados na cozinha estão devidamente lavados e prontos para serem consumidos. 

Outro ingrediente que pode ser incluídos nos pratos primaveris associados ao Equinócio da Primavera é o ovo! O Equinócio da Primavera ocorre em altura semelhante à Páscoa e todos crescemos com os "ovos da páscoa". Esta prática é inspirada em práticas pagãs, onde o ovo estava associado à fertilidade dado que é do ovo que nasce a vida. Como tal, o ovo pode, e deve, ser utilizado quer como alimento ou parte de refeições criadas (como bolos ou outros pratos que utilizem ovos) e também como decoração de altares ou casas (através de esvaziando o interior do ovo e decorando a casca exterior).

São vários os pratos que podem ser feitos com energias da Primavera são pães doces, peixes temperados com sementes ou especiarias e ovos, bolos de mel ou de chocolate, nozes e outras sementes e frutas sazonais. Recomendamos sempre a procurar quais os alimentos e pratos típicos da área que vivem para esta altura do ano e podem incorporar os mesmos na sua prática pessoal, permitindo uma ligação ao local onde vivem e, também, a um melhor conhecimento dos alimentos que são utilizados tradicionalmente nesta altura, na zona onde vivem. Não tenham medo de inovar e sair da caixa, esta altura do ano é fantástica para novos inícios e novas aventuras, e isto pode ser também retratado a nível alimentar! 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Nota: Existe um grande debate nas comunidades pagãs por detrás do uso das palavras Mabon/Ostara/Litha. Para fácil acesso por iniciantes optámos por manter a denominação neste artigo, contudo, aconselhamos a leitura deste texto e deste texto para esclarecimentos adicionais. 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Ali Inay)
A alimentação é um dos pontos principais do nosso dia-a-dia, é o que nos fornece energia para funcionarmos e fazermos as nossas tarefas e é também uma fonte de prazer e lazer, através da experiência de novos pratos e sabores. Como tal, é natural que a alimentação tenha um papel importante no nosso quotidiano e, correspondentemente, na nossa prática e caminho mágico. 

Sabem que eu tenho uma paixão muito grande por Bruxaria de Cozinha e hoje gostava de vos falar sobre como a alimentação pode ter impacto na nossa prática pagã e como podemos trabalhar com a nossa alimentação e com o que consumimos, para melhorar a nossa prática e o nosso bem-estar. O nosso bem-estar está intrinsecamente conectado à nossa prática e caminho pagão. Se não nos estivermos a sentir bem não vamos conseguir concentrar-nos no que estamos a fazer e aplicar a nossa energia naquele trabalho, seja um ritual, um feitiço ou até uma meditação. E a alimentação é uma chave para atingirmos o nosso bem-estar. 

Como Bruxos e Bruxas reconhecemos a importância que as plantas e as frutas têm na magia e na prática mágica. Sabemos que o alecrim é uma boa planta para limpeza de locais e que a maçã está associada ao amor, tal como a canela está associada à prosperidade. Usamos estes ingredientes em saquetas mágicas, incensos, banhos, oferendas e até para untar velas. Estas correspondências são partes activas de muita prática mágica e, como tal, porque não incluir as mesmas nas nossas refeições? Se organizarmos a nossa comida e refeições de forma consciente e tendo em consideração estas correspondências mágicas estamos a influenciar a nossa comida e, consequentemente, a nossa nutrição e o nosso corpo, magicamente.

Isto pode ser aplicado em vários cenários, por exemplo:

Devoção e Conexão com Divindades: Uma das formas de nos conectarmos com uma divindade pode ser através de conexão com as suas correspondências, incluindo as alimentares. Algumas das associações da Deusa Hekate, por exemplo, são a cebola e o alho. Estes dois alimentos podem ser incorporados, conscientemente, numa alimentação diária (de forma moderada) com o intuito de aproximar a nossa prática a Hekate, através do consumo (ou até oferendas, criando pratos ou alimentos com estes produtos) de alimentos relacionados com a divindade.

Trabalhos Mágicos: Há vários trabalhos mágicos que podem ser feitos com a Magia de Cozinha. Imaginemos que queremos atrair para a nossa vida um novo amor. Uma das formas de fazer isto pode ser, por exemplo, criar uma Dieta Mágica. Uma Dieta Mágica é uma dieta alimentar (equilibrada e consciente) criada com alguns alimentos em mente. Por exemplo, no caso da atração de um novo amor, podemos fazer pratos com alimentos que estejam associados ao amor como baunilha, canela, gengibre, batata doce, maçãs, bananas, maracujás, morangos, mel, entre outros. São muitos os alimentos que estão associados ao amor o que nos permite criar refeições equilibradas, saudáveis e mágicas. Não é obrigatório utilizar todos os ingredientes, como é óbvio! Podemos fazer uma tarte de maçã para sobremesa, uma sopa com batata doce e outros vegetais para o prato principal ou bifes com molho de mel e mostarda, etc. A Bruxaria de Cozinha está totalmente aberta para a nossa imaginação. 

Cuidados Próprios: Cuidar de nós próprios é uma das nossas "obrigações" e formas de nos respeitar a nós próprios e ao nosso corpo. Podemos criar uma Dieta de Auto-Cuidado e esta pode incluir não só alimentos relacionados com amor e amor próprio mas, também, os nossos ingredientes favoritos! Se eu amo comer cenoura ou grão mas os mesmos não estão associados ao amor/amor próprio, não faz mal! O facto de serem alimentos favoritos da Bruxa/Bruxo já lhes traz o poder de trazer conforto pessoal e, como tal, contribuir para os cuidados próprios. É preciso ter também em consideração estes pequenos detalhes como comidas favoritas ou comidas conforto, dado que as mesmas já têm poder mágico associado a nós, devido ao seu impacto. Se calhar a receita de sopa de legumes da nossa avó será muito mais poderosa para nos trazer conforto e tranquilidade do que uma receita complexa tirada de um livro de bruxaria e isto é totalmente válido (e aliás, muito recomendável!). Temos de encontrar o nosso poder pessoal, até na cozinha.

A Bruxaria de Cozinha e a magia com os alimentos é um tipo de magia muito fácil e intuitiva, que pode ser integrada na nossa rotina de forma muito simples e adaptável, permitindo-nos trazer para o nosso quotidiano a Magia da nossa prática.

E vocês? Como gostam de usar a Magia na Cozinha? 
Unsplash (Danijela Prijovic)
Hoje voltamos com um artigo da nossa série de Bruxaria de Cozinha e a Roda do Ano e vamos falar sobre Imbolc!

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Imbolc
Datas: 01 de Fevereiro (HN) ou 01 de Agosto (HS)

O Imbolc é um festival que assinala o regresso da Luz e dos primeiros passos rumo à Primavera. Neste altura as neves começam a derreter, os dias ficam gradualmente maiores, chegam as chuvas e o frio começa a despedir-se. É também uma altura em que, para os nossos antepassados, a comida começava a escassear com o final do Inverno e começava a ser preciso improvisar as refeições e a alimentação que se fazia. Na Europa, esta altura era marcada pelo nascimento dos cordeiros e, como tal, o leite de ovelha era abundante nesta altura, o que faz com que, tradicionalmente, o leite seja uma parte importante na celebração de Imbolc e esteja presente em muitas das receitas criadas para esta época do ano. 

Como celebração do regresso da Luz e do Sol, Imbolc é um festival solar em que nos focamos em "ajudar" o Sol a subir no céu para trazer consigo o calor da Primavera. São acendidas fogueiras, velas, candelabros e todo o tipo de luzes para iluminar a noite e trazer com a Luz para os nossos dias, incentivando, dessa forma, o Sol a regressar também. Como tal, é natural que o tipo de comidas criadas durante este festival esteja associado ao Sol, seja criando alimentos (bolachas, biscoitos, vegetais, etc) em formato de Sol e outros símbolos associados mas também através do consumo de alimentos tipicamente solares como comidas picantes (pelo "ardor" da comida, associado ao calor). 

Actualmente vivemos em sociedades em que facilmente temos acesso a um variado tipo de comidas, temperos, vegetais, etc. Como tal, podemos livremente utilizar produtos que não estariam disponíveis aos nossos antepassados mais longínquos como caril ou pimenta. Podemos também incluir nas nossas refeições todo o tipo de lacticínios (devido à ligação com a lactação das ovelhas, que abordamos no início), alho, cebolas, vinhos com especiarias, canela, alecrim, entre outros. 

São vários os pratos que podem ser feitos com energias solares para ajudar a trazer o Sol e a alegria de volta às nossas vidas, afastando o frio do Inverno. Esta é uma boa altura para fazer jantares com amigos e família e partilhar momentos de alegria. Podemos fazer refeições de Imbolc e partilhar o espírito e a energia Solar com aqueles que nos são próximos, sugerindo deixar para trás tudo o que já não é preciso nos nossos caminhos e recebendo o Sol como energia purificadora. Isto pode ser reflectido na comida, com os alimentos picantes a assumir um papel de purificação e limpeza e o leite como energia maternal e nutridora das coisas que pretendemos manter na nossa vida. É uma excelente altura para nos focar no renascimento e na transformação pessoal. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Miroslava)
Hoje vamos começar uma série que irá estender por todo o ano 2020 e vamos abordar a Bruxaria de Cozinha durante os Festivais da Roda do Ano (seguindo a Roda do Ano do Hemisfério Norte). E qual melhor festival para começar, do que Yule? O Yule será celebrado agora em Dezembro no Hemisfério Norte e acho que é a altura ideal para dar início a esta nova jornada na Bruxaria da Cozinha aqui no nosso blogue.

Se querem saber um pouco mais sobre Yule, temos um artigo dedicado a este festival aqui com todas as informações relevantes sobre o mesmo.

Festival: Yule ou Solstício de Inverno
Datas: 21/22/23 de Dezembro (HN) ou 21/22/23 de Junho (HS)

O Solstício de Inverno é uma celebração que assinala o momento em que o Sol se aproxima mais do horizonte, tocando no "ponto" mais baixo e preparando-se para voltar a subir no céu. É a noite mais longa do ano e marca o pico do Inverno, com o começo da subida do Sol a assinalar o regresso da luz e o caminho para a Primavera. Sendo um momento escuro, dado que é a noite mais longa do ano, é um momento em que, em tempos antigos, os nossos antepassados se reuniam em casa, em torno da fogueira, e era um momento muito voltado para a família e para o convívio. Ainda nos dias de hoje isso se verifica, com celebrações de outras fés religiosas cujas datas coincidem com o Solstício de Inverno (ex. O Natal). 

Assim sendo, esta é uma época em que a comida tem um papel muito importante não só como sustento durante o Inverno duro e frio mas também como forma de união e comunhão entre as pessoas da família. Muitas famílias têm as suas receitas tradicionais para esta época do ano e recomendo vivamente que, se tiverem essa possibilidade, investiguem quais as receitas que existem na vossa família, onde originaram, questionem os vossos familiares sobre as suas origens ou o que eles costumavam comer quando eram mais novos nesta altura. Isto irá permitir ter uma melhor noção de como esta altura do ano era celebrada (mesmo que os vossos familiares não sejam pagãos) e ter uma maior conexão com a vossa história pessoal e familiar. Este conhecimento pode depois ser adaptado na vossa prática pessoal e continuado como uma tradição dentro do Paganismo. 

Alguns dos alimentos de destaque desta época são, por exemplo, frutos secos ou preservados (dado a escassez de alimentos frescos durante o inverno), maçãs, mel, sementes e grãos, carnes, vinhos, bolachas e comida confeccionada, gengibre, entre outros. Podem ser utilizados na confecção de bolos como bolos ou biscoitos de gengibre, chás, biscoitos de frutos secos ou de maçã, o famoso Bolo-Rei onde há um aproveitar das frutas cristalizadas, etc. A imaginação é o limite! Um dos alimentos recentes que tomou também um papel de destaque nas mesas desta época do ano é o nosso querido chocolate! Este pode ser utilizado numa variedade enorme de sobremesas e doces para rechear a nossa mesa e satisfazer os mais novos. 

Esta é uma excelente altura para fazer bolos ou pães que requeiram o forno, não só porque o forno pode ser uma forma de aquecimento de uma divisão mas também porque é uma forma de simbolizar o processo de recolher para o interior e crescer até estarmos prontos para sair, como é o caso dos bébés antes de nascer ou dos animais durante a hibernação, é a analogia perfeita para esta época do ano. 

Um dos principais alimentos que podem ser cozinhados nesta altura, e aproveitados para diversos usos (decorações de natal, alimentação para animais, etc) é nada mais, nada menos, do que biscoitos (ou bolachas, como preferirem chamar!). Estes podem ser feitos com recheio de frutas e produtos da época, podem ser criados em diversos formatos para representar esta altura do ano e a simbologia do Solstício, permitindo ensinar aos mais novos ou, até, introduzir de forma discreta as nossas crenças numa mesa de refeição onde, de outra forma, poderiam não ser tão bem aceites. Afinal, ninguém diz que não a um biscoito, não é? 

Outra coisa excelente para fazer nesta altura do ano é aproveitar as sementes e frutos secos para criar pequenos snacks para os animais de rua, principalmente os passarinhos. Podem untar maçãs com manteiga de amendoim ou de amêndoa e juntar sementes e colocar na parte de fora das casas ou nos jardins para alimentar os pequenos animais que vivem na vossa zona, para que os mesmos também possam ter abundância nesta altura do ano. Partilhar a abundância e recordar que vivemos numa comunidade e em conjunto com todas as pessoas e seres que nos rodeiam é um dos pontos fulcrais nesta celebração de Solstício. 

Por fim, as bebidas quentes como o chocolate quente, os chás (maçã e canela, gengibre, etc.) e os vinhos quentes são também excelentes escolhas para acompanharem as refeições desta altura tão especial! 

E vocês? O que gostam de incluir na mesa durante esta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Imagem Pixabay (congerdesign)
Na temática de hoje vamos voltar à nossa mini-série sobre Velas e vamos falar sobre como interpretar a cera e a chama das velas que utilizamos. É importante referir que esta interpretação deverá ser feita sempre em velas consagradas ou colocadas para um determinado ritual ou, até, para piromancia ou ceromancia (métodos divinatórios através da chama da vela e cera da vela, respectivamente). Velas utilizadas para decoração do lar, iluminação, aquecimento, etc. não podem ser interpretadas com estas mensagens, dado que não foi pedido qualquer sinal ou feita nenhuma pergunta e nem está a decorrer nenhum ritual em que a vela esteja a ocupar um papel importante. As velas devem ser interpretadas em contexto ritual ou de divinação. 

Assim sendo, vamos falar do significado de cada um dos aspectos das velas, começando pela cera e, posteriormente, pela chama.

  • Significados da Cera 

Cera foi completamente consumida
- Este é dos melhores sinais em trabalhos mágicos, significa que o trabalho ou ritual foi realizado com sucesso e o solicitado tornar-se-à realidade.

Cera escorreu pela lateral da vela, formando pequenas "escadas" - Tal como as escadas simbolizam nesta situação, este comportamento mostra-nos que o objectivo é alcançável porém ainda há vários passos a tomar, e escadas a subir, até chegarmos ao pretendido. 

Cera não foi toda consumida e ainda restou pavio, após a vela apagar - Se após a vela se apagar ainda restar cera e a até um pouco de pavio, recomenda-se voltar a acender a vela para ela queimar toda e, no final, acender outra vela ou incensos para limpeza energética. Isto significa que é necessário mais dedicação da nossa parte para o objectivo e também que é preciso manter um cuidado na manutenção da harmonia energética do nosso local de trabalho mágico. 

Vela que deita muita cera que escorre como se "chorasse" - Quando a cera se comporta de uma forma como se a própria vela estivesse a chorar, recorda-nos que talvez tenha sido um pedido ou trabalho demasiado emocional e, como tal, poderá haver alguma instabilidade no pretendido.

  • Significados da Chama

Chama amarela - As chamas em tonalidades amarelas estão associadas à felicidade e ao sucesso. 

Chama vermelha - Em tons vermelhos, estas chamas representam sucesso para o pretendido e resposta positiva ao perguntado.

Chama em tons de azul - Quando a chama tem tonalidades azuis, esta indica que o pedido poderá acontecer, porém, irá requerer algum trabalho adicional pois existem detalhes ocultos que querem trabalhos adicionais.

Chama brilhante - Se a chama estiver bastante brilhante, é um excelente sinal, dado que representa êxito e vitória para o questionado ou realizado. 

Chama fraca - Quando a chama se mostra como estando fraca significa que há falta de energia no objectivo. É necessário realizar mais trabalho e um maior esforço para se atingir o que se quer. 

Chama com dificuldade a acender - Quando a chama está dificil de acender significa que o espaço onde estamos a realizar o ritual não está limpo devidamente e é necessário efetuar uma limpeza mais profunda, dado que estas energias negativas podem influenciar o resultado do nosso trabalho. 

Chama que treme - Uma chama que treme alerta-nos que o objetivo é possível, porém, há vários obstáculos que vão ter de ser ultrapassados e vão querer força e esforço adicional da nossa parte. 

Chama baixa - Se a chama está baixa e insiste em não levantar, ela traz consigo a mensagem de que este não é o momento ideal para este trabalho ou questão e que deveremos aguardar e investir em nós próprios, antes de tentar novamente. 

Chama que baixa e levanta repetidamente - Uma chama instável, que está constante a levantar e a baixar, mostra-nos confusão no que foi pedido ou alguma dificuldade em manifestar essas energias. É necessário parar, meditar, entender o que pretendemos e reformular de forma mais clara. 

Chama que solta fagulhas - À semelhança da chama que treme, quando a chama solta fagulhas está a representar a possibilidade de conflitos e de dificuldades em atingir o objectivo final, que vão querer força adicional da nossa parte. 

Chama que se apaga repetidamente - Quando a vela se apaga repetidamente é sinal que o pretendido, seja mágico ou questão feita, será muito dificil de alcançar e vai requerer um empenho muito maior do que calculado inicialmente.

E vocês? Já experimentam interpretar mensagens das velas?

Com a chegada do Outono no Hemisfério Sul e da Primavera no Hemisfério Norte estamos na altura ideal para proceder a uma limpeza energética nas nossas casas, quartos e espaços sagrados. Hoje trago-vos um pequeno ritual de limpeza de espaços, principalmente casas mas pode ser adaptado para qualquer tipo de espaço que necessite de uma limpeza. 

As limpezas devem ser feitas regularmente dado que, mesmo quando tentamos evitar que isso aconteça, há sempre energias a circular pelos espaços e muitas vezes acabam por existir energias negativas (provenientes de discussões, pensamentos negativos, medos, etc.) que ficam nos locais e prejudicam-nos no nosso quotidiano e até no nosso trabalho mágico. Dependendo de onde vivem as limpezas devem ser feitas uma vez por mês ou, se for em sítios mais calmos e afastados de centros urbanos, talvez de dois em dois ou três em três meses. Porém, se houver necessidade de limpezas entre esses períodos, faça! Não precisa de ter receio por fazer limpezas a mais do que as datas que inicialmente estabeleceu. Eu aconselho, por exemplo, a realizar limpezas mensais e, se tiver rendimentos frequentes (ordenado, subsídio, etc.) efectue as limpezas uns dias antes de receber esse dinheiro. Assim garante que o mesmo chega a uma casa positiva o que acaba por torná-lo também algo positivo. 

É ainda de recordar que as limpezas energéticas não libertam de espíritos ou entidades que possam estar agarradas aos locais e também não quebram qualquer tipo de trabalho mágico que tenha sido feito contra alguém. Para isso é necessário recorrer a outros métodos. 

Para começar, abra todas as janelas e portas para permitir um fluxo constante das energias e permitir que as energias negativas saiam do espaço onde estão. Isto vai também ajudar o ar a circular que não só é bom para a saúde mas também uma representação de como queremos que a casa fique limpa. As limpezas energéticas estão intimamente ligadas às limpezas em geral. Afinal de contas, não podemos querer ter uma casa limpa de energias negativas quando a nossa própria casa está suja e uma confusão certo? Então comecemos por limpar a casa, lavar o chão, limpar o pó, arrumar as coisas, lavar a roupa, etc. Enquanto fazemos isto tenha sempre consciente que está a limpar todas as energias negativas, todos os problemas e mágoas que estão no local. Tente visualizar esta limpeza ao máximo, tanto no aspecto físico como no aspecto energético. 

Após a limpeza física estar concluída, podemos passar para a parte ritualística. Existem vários rituais que podem ser utilizados, vou deixar aqui apenas dois: um simples e um mais complexo. 

Purificação dos Elementos 

Este ritual utiliza a energia dos quatro elementos (Terra, Fogo, Água e Ar) para limpar a casa. Pode ser realizado de forma solitária ou em grupo. 

Materiais necessários:

  • Uma tigela ou um prato com sal;
  • Um queimador de incenso;
  • Incenso de Olíbano (pode ser em pó, cone ou pauzinho);
  • Uma vela branca;
  • Uma tigela com água limpa (preferencialmente água corrente);

Coloque os materiais em cima de uma mesa. Acenda o incenso e a vela. Coloque-se em frente da mesa e tente abrir-se para a sua casa, sinta as suas energias e sintonize-se com o que rodeia. 
Após um momento coloque as mãos por cima dos instrumentos e diga:

Eu consagro-vos, instrumentos dos elementos,
Para limpar a minha casa de todo o mal e tristeza,
Assim é a minha vontade, que assim seja! 

Pegue no prato de sal e mova-se no sentido do ponteiro dos relógios dentro de sua casa, atirando um pedaço de sal para cada canto de cada quarto, enquanto diz:

Pelo poder da Terra, eu limpo esta casa. 

Visualize o sal a queimar as energias negativas enquanto o espalha. Tente visualizar o melhor possível, pois isso será o que dá poder à sua acção. Coloque também sal dentro de armários através de portas e janelas abertas. Inclua todas as divisões (incluindo sótão, cave e garagem se tiver). 

Quando terminar com o sal, pegue no incensário. Percorra o mesmo caminho que fez com o sal e visualize o fumo a limpar toda a negatividade e todo o mal da sua casa. Enquanto o faz, diga em intervalos regulares:

Pelo poder do Ar, eu limpo esta casa. 

Quando terminar com o incensário, pegue na vela e trace novamente o mesmo caminho e os mesmos locais. Continue a visualizar as energias negativas a serem queimadas. Em intervalos regulares, diga:

Pelo poder do Fogo, eu limpo esta casa.

Por fim, coloque a vela na mesa e pegue na taça de água. Volte a realizar o mesmo percurso pela sua casa, na direcção do ponteiro do relógio, e borrife água pelo caminho. Atire também algumas gotas pelas janelas e portas. Visualize a água a lavar de todas as energias indesejadas, como a maré. Enquanto o faz, diga em intervalos regulares:

Pelo poder da Água, eu limpo esta casa. 

Volte a colocar a água na mesa e tente sintonizar-se com a sua casa e as suas energias positivas. Verá um ambiente mais leve e tranquilo. Caso não sinta, repita novamente até sentir. 

Por fim, feche as portas e janelas. Se o tempo permitir deixe o sal, o incenso, a vela e a água juntos até a vela e o incenso terminarem de queimar. 

Nota: Os textos e frases podem ser adaptados, tente apenas manter o objectivo semelhante ao descrito.

A Purificação da Vassoura

Este é um método mais simples de limpeza energética, utilizado no Sudeste dos Estados Unidos e México, principalmente no primeiro dia do mês. Antes do nascer do Sol pegue um falho de qualquer árvore (lembrando-se de agradecer à árvore e deixar uma oferenda como pagamento). 

De seguida, obtenha várias flores coloridas em talos longos e ate as mesmas ao galho para que fique uma espécie de uma vassoura. Depois varra o chão de todas as divisões da sua casa com esta vassoura, visualizando as energias negativas a serem absorvidas pelas flores. 

Assim que terminar, e ainda antes do nascer do Sol, deixe a vassoura numa Encruzilhada que tenha perto de casa. 

Fonte: Cunningham, S. (1983). Magical Household. In S. Cunningham, Magical Household (pp. 123, 124). Llewellyn Publications.

O tema que trago hoje é um pouco controverso, porém, necessário de debater pois só através do debate e das conversas se chegamos a conclusão produtivas. Espero conseguir ser clara no que escrevo.

Vários são os caminhos dentro do Paganismo e da Bruxaria que lidam com Leis do Retorno, como a Wicca por exemplo. É do conhecimento geral que a Wicca tem a Lei Tríplice na qual indica que tudo o que um praticante fizer voltará para si três vezes, seja bom ou mau. Outros caminhos têm leis semelhantes mas existe a tendência, dentro das nossas comunidades, de tentar aplicar leis que são específicas de uma tradição (como é o caso da Lei Tríplice) a todos os praticantes de Bruxaria e Paganismo no geral, mesmo que estes não sejam Wiccanos. O que, claramente, é uma abordagem errada. Não só estamos a tentar impor um valor que não pertence ao caminho que a pessoa segue como estamos a tirar o valor à prática daquela pessoa apenas porque ela não segue o mesmo tipo de conduta do que nós.

Este acusar o próximo tornou-se bastante predominante e visível durante, por exemplo, a controvérsia de bruxos que fizeram rituais contra o Donald Trump nos EUA ou contra o Temer no Brasil. Muitos recorreram às redes sociais para condenar outros praticantes pelo uso de magia contra uma determinada pessoa e argumentando que irão receber de volta tudo o que eles enviaram e que irão sofrer na pele as consequências, apesar de as pessoas que praticaram estes ritos, em grande parte dos casos, nem seguem qualquer lei do retorno ou, se a seguem, têm consciência do que fizeram. Quando abríamos a caixa de comentários no Facebook, por exemplo, grande parte dos comentários eram a insultar pessoas, condenar, discriminar e exactamente o oposto do que nós, como comunidades, devemos fazer. Eu própria tive pessoas a insultarem-me apenas por afirmar que nem todos se regem pelas mesmas leis. Eu, por exemplo, não sigo as Leis do Satanismo LaVey mas há quem as siga. Elas não se aplicam a mim mas aplicam aos praticantes desse caminho.

Todo o Bruxo tem consciência das suas acções e quais as consequências das mesmas, segundo o seu código pessoal de ética e de trabalho. Estarmos a impor as nossas crenças (mesmo que sejam éticas, como a Lei Tríplice) noutros praticantes que não fazem parte do nosso caminho ou tradição é a mesma coisa do que Cristãos impondo a Pagãos que eles irão para o Inferno. Como pode ir um pagão para o Inferno se nem acreditamos nele? E como pode um Bruxo sofrer efeitos de uma Lei na qual não acredita nem segue?

Com isto eu não quero dizer que a Lei do Retorno ou a Lei Tríplice está bem ou mal e que deve ou não ser utilizada, pelo contrário! Quero apenas dizer que ela apenas se aplica a quem a tem presente na sua prática e ética. Pessoalmente tenho a Lei do Retorno nas minhas práticas, não sobre o conceito de Lei Tríplice mas diferente. Porém tenho plena consciência que muitos praticantes não seguem qualquer tipo de lei de retorno e, como tal, não tenho nada que falar acerca da mesma ou de possíveis consequências com eles. Não se aplica.

Ou seja, a conclusão deste artigo, não é que as Leis do Retorno são más ou boas, não é o facto de elas existirem ou não mas sim o facto de que não são dogmas absolutos e que devem ser adoptados por todos os que praticam Bruxaria ou seguem caminhos dentro do Paganismo. As Leis devem ser aplicadas aos caminhos às quais elas correspondem e, cabe a cada um de nós, respeitar isso e respeitar que há quem não partilhe o mesmo estilo de prática do que eu. O que eu mais amo dentro do Paganismo e da Bruxaria em geral é a diversidade, é o quanto conseguimos ser diferentes uns dos outros e seguir caminhos tão variados e cheios de vida e de conteúdo. E, parte dessa diversidade, é também na forma como encaramos o Mundo e as nossas acções nele.
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