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Sob o Luar


Um sentimento que é comum tanto a pagãos como a praticantes de ramos de bruxaria, é a a vontade de adaptar os caminhos pessoais aos locais onde vivemos, seja a nível de festivais, tradições, práticas tradicionais, etc. É uma vontade comum e, na minha opinião, essencial para aqueles que pretendem melhorar os seus laços com a sua terra ou o local onde vivem. 

Como já referi várias vezes aqui no blogue, na minha opinião, ser Pagão também implica uma conexão com o Mundo em que vivemos, especificamente com o mundo ativo onde estamos, ou seja, as nossas cidades, aldeias, vilas, países, zonas do mundo, quintais, etc. Muitos pagãos concordam que um dos pilares da definição do Paganismo, é a conexão com a Natureza e a ligação com o mundo natural. E, sejamos honestes, qual a melhor forma de estabelecer esta conexão e de sentir estas ligações do que com aquilo que está ao nosso redor? O que é mais fácil, para um pagão da América do Norte, conectar-se com as árvores do seu quintal ou da sua rua ou conectar-se com o conceito de uma árvore que só existe na Inglaterra ou na Irlanda? Será, obviamente, mais fácil conectar-se com a sua própria flora local. A ligação com a Natureza local, não só é uma mais-valia do ponto de vista ecológico (como eu já mencionei no artigo sobre a Ética dos Cristais e Plantas, acerca da utilização de ervas e plantas que existam perto de nós, fomentando o comércio local, aprendendo a cultivar e cuidar de plantas e estabelecendo aliados em plantas nativas da nossa zona) como também é uma mais-valia do nosso próprio bem-estar espiritual, pois estes aliados de que falamos, encontram-se perto de nós e ajudam-nos no nosso caminho. Um exemplo prático deste cenário, e um pouco relacionado com o meu caminho pessoal, é o culto das Ninfas na Antiguidade Clássica. Era comum haver ninfeus, pequenos locais de culto às ninfas locais, fossem de fontes, lagos, rios, etc. A água era preciosa e era essencial garantir uma ligação estreita com os seres espirituais destas fontes de água e, como tal, havia o culto das Ninfas que ainda hoje em dia podemos aplicar na nossa prática. 

Para além destes aspetos, podemos também referir que a adaptação das práticas locais, como festivais ou tradições, pode ser benéfico para quem tem interesse em aprofundar ligações com as tradições folclóricas do local onde nasceu ou vive. Por exemplo, um praticante de Trás-os-Montes poderá querer incluir no seu caminho características ou práticas típicas transmontanas. Apesar de muitas destas práticas terem influências católicas e cristãs, a origem-base das mesmas é o Paganismo e, como tal, podem facilmente ser readaptadas de volta a caminhos pagãos. Para aqueles que sentem uma ligação próxima com o local onde vivem ou nascem, com o seu país ou com a sua zona do país, esta pode ser uma forma de coexistir os dois mundos. Isto também se refere a práticas ou costumes familiares, passados de geração em geração e adaptados ao caminho pagão de cada um. 

Não há um conjunto de instruções de passo-a-passo de como fazer isto. É algo que vai depender de cada um de nós, de cada uma das práticas que pretendemos incluir ou adaptar e da forma como o queremos fazer. O que recomendo, para quem quer começar a explorar estas hipóteses, é investigar e estudar sobre as práticas locais onde zona que tem interesse, escrever tudo num documento ou numa folha e tentar estabelecer um plano de como incluir as mesmas na sua prática pessoal. Recordo que não existem regras fixas neste processo, e que podemos (e devemos) adaptar as coisas como sentirmos que faz mais sentido. E, claro, a qualquer momento do nosso caminho, podemos voltar atrás e mudar algo ou trocar algo, se acharmos que já não faz sentido estar como está. 

E vocês, há alguma prática local que tenham adaptado ao vosso caminho? 

Uma das coisas que parece bastante complicada quando estamos a começar no caminho do Paganismo ou da Bruxaria é o de criar a nossa própria prática e como dar os primeiros passos para estruturar o nosso caminho. Este artigo tem como objetivo reunir algumas dicas para ajudar neste processo! 

Para começar é preciso recordar que tudo deve ser feito ao nosso próprio ritmo. No final de contas, seja o nosso caminho mágico ou nosso caminho espiritual, ambos são caminhos individuais e para nosso próprio crescimento, satisfação e felicidade. Não estamos a competir com ninguém nem existe nenhuma corrida, pelo que devemos ir ao nosso ritmo pessoal e conforme aquilo que estamos a sentir que é o certo. 

A melhor forma de construir a nossa prática pessoal é ir aos poucos, conforme vamos aprendendo e experimentando. Não nos podemos esquecer que, como tudo na vida, a nossa prática vai ser fluída e vai mudar com a passagem do tempo, por isso, um dos principais conselhos é estar aberto à mudança e à fluidez das nossas práticas. 

Para além desta fluidez temos também de nos recordar de não querer ser perfeites logo ao começo e que falhar ou experimentar coisas só pela vontade de experimentar é normal e até aconselhável, por isso, devemos sempre lembrar-nos que a primeira estrutura ou rotina que criamos não vai ser a que vai ficar para sempre ou a "definitiva". Temos a liberdade para explorar os nossos caminhos da forma que achamos melhor e que nos identificamos mais. 

Após já termos algumas bases nos assuntos é quando começamos a querer estruturar algo conciso e dar-lhe um nome. Começar a identificar-nos com um caminho específico e estruturar como a nossa prática é definida. Algumas dicas para quando iniciamos este processo:
  • Fazer uma pequena lista dos nossos interesses dentro do Paganismo e da Bruxaria, para entendermos onde está o nosso "nicho" e o nosso foco. É okay se a lista for diversificada, mas termos esta estrutura escrita ajuda-nos a guiar-nos e a saber por onde trilhar. 
  • Fazer uma lista de palavras que achamos que definem o nosso caminho. Podem ser palavras aleatórias como "Verde", "Fadas", "Grécia", etc. Algo que nos ajude a classificar as coisas que associamos com o nosso caminho. 
  • Se não quisermos dar já um nome ao nosso caminho, não há problema! Podemos apenas identificar-nos com termos vagos como "Bruxe" ou "Pagão" e ficar por aí. Esses termos são válidos. Até "Curiose" é um termo válido. 
  • Se houver afinidade por algum tipo de divindade ou algum panteão, podemos começar a explorar mais esse campo para ajudar na nossa prática, dado que muita coisa pode ser construída em torno do culto devocional a Divindades. A mesma coisa se aplica a Seres Mágicos ou Entidades! 
  • Depois de termos criado a nossa lista de interesses e a lista de palavras chaves, podemos começar a procurar conteúdos (tanto online como em livros) relacionados com essas temáticas. Ver o conteúdo de outros praticantes vai ajudar-nos a tirar ideias de coisas a aplicar na nossa prática. 
  • Se houver, recomendo também juntar a comunidades relacionadas com os nossos interesses como Grupos do WhatsApp ou de Facebook onde se possa trocar opiniões e ideias com outros praticantes. 
No final das contas o que não pode ficar esquecido é que o caminho a trilhar é, e sempre será, nosso e somos nós que o definimos e o vivemos, pelo que devemos sempre trabalhar para sermos felizes no nosso caminho e não necessariamente agradar outras pessoas ou cumprir "aesthetics" (que é um dos principais problemas das redes sociais hoje em dia). 

E vocês, que conselhos dão nestas situações?  

Hoje vamos voltar a falar sobre Divindades e, mais especificamente, como começar a trabalhar com elas. Sim, já temos um artigo parecido aqui no blogue, intitulado "Como começar devoção aos Deuses?" mas, como podem ver, eu escolhi terminologias diferentes: Trabalho vs Devoção. 

Enquanto a devoção, que foi falado no meu artigo antigo, tem um carácter mais religioso e espiritual, o trabalho é algo mais prático e mais comum dentro da Bruxaria, onde é estabelecida uma relação de trabalho com uma divindade. Ou seja, a divindade e o praticante estão numa espécie de negócio, em que há uma troca de algo a ocorrer, por norma, oferendas em troca de algo para o praticante. Este tipo de trabalho é algo mais informal e, em alguns casos, sem qualquer tipo de intimidade por parte do praticante (algo que na devoção acaba sempre por acontecer). 

O trabalho com as Divindades pode ser feito pelos mais diversos propósitos mas, por norma, é no seguimento de trabalhos mágicos no qual o praticante queira solicitar a ajuda de Deuses. Este trabalho mágico com as divindades não requer compromissos, tirando aqueles estabelecidos durante a troca ou acordo com as divindades, mas requer trabalho por parte do praticante, principalmente em garantir que aquilo que prometeu aos Deuses lhes é entregue. Um exemplo prático é um praticante que prometa a Hermes que lhe fará oferendas semanais durante um período de um ano em troca de ajuda num processo de candidatura de emprego. O praticante terá de garantir que, durante aquele ano, fará as oferendas prometidas. 

Mas, como começar este tipo de prática? Este tipo de prática não é para toda a gente, até porque, como já falamos, a Bruxaria pode ser praticada sem a presença de Deuses. Não é uma prática obrigatória e só deve ser feita por aqueles que se sentem confortáveis com isso. Por norma, neste tipo de prática, não há qualquer chamamento por parte de Divindades, porque o principal interesse nesta troca é do praticante. 

Inicialmente, é preciso garantir que não vemos os Deuses como "Deuses de Prateleira" (podem ler mais sobre o assunto, no artigo do link) e que os vemos como entidades individuais (no caso do politeísmo, mas também aplicável ao caso da Deusa/Deus da vertente duoteísta). Ou seja, não devemos começar a ir sempre a Afrodite porque queremos amor ou Hermes porque queremos ajuda com dinheiro ou Atena porque queremos ajuda com os estudos. Apesar de ser um processo de trabalho, e não de devoção, não significa que os Deuses sejam bonecos para serem explorados ou utilizados. Vejam os Deuses, neste cenário, com amigos que vocês conhecem. Vocês se tiverem um amigo que tenha dinheiro, não vão estar sempre a ir a esse amigo pedir dinheiro, não é? Porque ele vai acabar por se cansar de vocês e deixar de responder às mensagens. E os Deuses, passa-se a mesma coisa, vai acabar por haver divindades com as quais vão trabalhar mais vezes e às quais podem recorrer para pedir ajuda, mesmo que não seja totalmente do foro delas. E não há problema nisso. 

Outro passo essencial, semelhante ao que acontece no processo devocional, é a necessidade de explorar e aprender sobre a Divindade. Não podemos apenas fazer um ritual, chamar Zeus e dizer "Olá Zeus, quero isto". É óbvio, não é? Isto é a mesma coisa que ir na rua, parar um estranho e pedir 20€. Ninguém faz isso. É preciso entender a divindade, entender os seus mitos e ter alguma noção sobre quem estamos a chamar e se é a pessoa certa para o que precisamos (tal como faríamos se fossemos contratar um carpinteiro para arranjar em casa, não iríamos ao primeiro que aparece na pesquisa, mas iriamos ver qual o melhor para o que queremos). Cabe ao praticante fazer o esforço de aprender sobre a Divindade e tomar a iniciativa. 

Aqui é a parte onde difere do aspeto devocional: Enquanto no devocional iniciaríamos o processo de aproximação da divindade, oferendas e meditações, criar altares e por aí fora, no campo do trabalho mágico esse aspeto acaba por não acontecer (pode acontecer, mas não é uma necessidade). Aqui inicia-se o trabalho mágico em si, seja ele qual for. E é feito o acordo e a troca com a Divindade (seja ela qual for, também). E depois, é da parte do praticante garantir que cumpre a sua parte, mantendo o respeito pela Divindade e pelo trabalho que está a fazer. No fim, poderá despedir-se da Divindade de vez ou continuar a trabalhar com ela durante mais algum tempo. 

Espero ter ajudado a distinguir o conceito de devoção e de trabalho e conseguido orientar no processo de aprender sobre como começar a trabalhar com Divindades. O resto é tentativa e erro da parte do praticante! 

Se quiserem deixar dicas (ou questões) nos comentários, sintam-se à vontade! 

A grande maioria de nós, principalmente se crescemos com famílias em zonas mais rurais, já conhece e sabe bem o que é o mau-olhado (algumas zonas de Portugal também lhe chamam "quebranto", vai depender, porque "quebranto" também pode significar outra coisa, por isso, aqui vamos usar o termo do Mau Olhado). É algo que faz parte do folclore português (e, aliás, de quase todo o mediterrâneo!) e que as nossas avós e avôs não só falavam sobre como sabiam várias formas para tirar o mau olhado e nos limpar dessa energia. Mas o que é ao certo o mau olhado? 

A definição de mau olhado vai variar de zona para zona e de pessoa para pessoa. Honestamente, se tiverem essa possibilidade junto de familiares ou conhecidos da zona onde vivem, recomendo falarem com eles para aprenderem a definição (e as técnicas de limpeza!) mais próximas da vossa origem e da vossa história familiar. Mas, na ausência disso, estou cá para vos ajudar. 

O Mau Olhado é, de forma simplificada, a inveja ou más intenções que alguém nos envia. Este enviar do mau olhado pode ser propositado ou acidental (nem sempre é preciso intenção para enviar mau olhado) e nem sempre é enviado "pelo olhar". Ou seja, não é preciso alguém estar perto de nós, a olhar para nós, para nos enviar mau olhado, o próprio pensamento em si já basta. 

Mas agora vocês pensam, se pode ser acidental, isso significa que eu posso enviar mau olhado para alguém sem querer? Resumidamente, sim. É possível. Quando vemos alguém que ganhou algo bom mas que nós achamos que a pessoa não merece porque fez x e y (ou até porque apenas não gostamos da pessoa) e ficamos a remoer nessa sensação, poderemos estar a enviar mau olhado para a pessoa. Infelizmente, é algo que pode acontecer, e cabe-nos a nós ter atenção às nossas palavras e ações, caso seja algo que não queiramos que aconteça. 

Mas e agora, a grande questão, como nos protegemos do mau olhado? 

Há várias formas de nos proteger do mau olhado, seja a nível da nossa proteção em casa ou a nível da nossa proteção pessoal no dia-a-dia. Para a casa, o que recomendo é sempre uma boa limpeza (temos um artigo sobre Limpeza de Espaços que recomendo muito)! e colocar amuletos ao longo da casa. 

Alguns amuletos típicos são: 

  • Olho Turco/Nazar/Mati na entrada da casa; 
  • Sal nos cantos da casa;
  • Copos de sal nas divisões da casa; 
  • Dente de alho atrás da porta; 
  • Ferradura antiga na parte de trás da porta, virada para cima; 
  • Entre outros métodos. 
Existem imensas técnicas, inclusive algumas típicas aqui de Portugal, que podem ser utilizadas e quase todos os livros de Bruxaria e Paganismo falam sobre técnicas de proteção e amuletos contra energias negativas, que também são válidas contra o mau olhado. 

Agora questionam: Mas e se, mesmo assim, apanhar mau olhado? Como sei que tenho? Como me livro dele? 

O mau olhado pode, ou não, ter sintomas físicos no corpo. Vai depender da quantidade de olhado que temos em cima de nós mas, na maioria dos casos, ele atinge-nos como uma dor de cabeça ou mau estar no corpo inteiro, podendo inclusive levar a vómitos e outros sintomas físicos. Contudo, como eu digo várias vezes aqui no blogue, a primeira solução e reacção deve ser ver os sintomas como consequência de algo físico (gripe, doença, algo que comemos, desidratação, etc). Nem tudo é mágico e nem tudo o que nos faz sentir mal é mau olhado, às vezes é apenas o jantar que caiu mal. 

Acima de tudo, não caiam na conversa de charlatões que vos prometem "limpar de todo o mau olhado e invejas" e outras coisas! É das coisas mais comuns no nosso país, infelizmente, mas há formas de sermos nós própries a tirar o mau olhado, sem ter de pagar centenas de euros a um desconhecide! 

Para saber se temos mau olhado e para nos livrar dele, existem duas técnicas comuns: A técnica do azeite e da água e a técnica do ovo. 

Tirar o Mau Olhado com Azeite e Água 

Esta é das técnicas mais famosas em Portugal para tirar o mau olhado e existem imensas variações da mesma, principalmente a nível das rezas. Como esta técnica é maioritamente católica, eu vou colocá-la aqui com a reza original, contudo, a mesma pode (e deve!) ser alterada ao vosso gosto, principalmente se não forem católicos.

Vão precisar de um prato fundo (ex: de sopa) com água e um pouco de azeite numa taça. Por cima do prato, fazendo o símbolo da cruz com a mão (ou podem incluir um terço ou amuleto), vão dizer:

Deus te viu, Deus te criou
Deus te livre de quem para ti
com mal olhou.
Em nome do pai, do Filho
e do Espírito santo
Virgem do pranto,
quebrai este quebranto.

De seguida, molham o dedo no azeite e deixam cair três gotas no prato. Se as gotas abrirem, é porque existe mau olhado. É preciso deitar fora a água e voltar a repetir. Este processo deve ser repetido até a altura em que as gotas caem e ficam inteiras na água, sem se misturarem. 

Tirar o Mau Olhado com um Ovo

Existem vários métodos de tirar o mau olhado com um ovo, este é apenas um exemplo. Podem encontrar mais procurando online, caso não gostem deste método. 

Vão precisar de um ovo fresco (que não esteja estragado) e um copo com água até meio. 

Vão pegar no ovo e passar com o ovo pelo corpo todo, da cabeça para os pés, visualizando a energia negativa a passar para o ovo. Ao longo deste processo, podem ir dizendo alguma pequena oração ou algo como "Que este ovo capture todas as energias negativas", enquanto se vão concentrando no que estão a fazer. No fim, é preciso partir o ovo para dentro do copo e esperar uns 2-3 minutos. 

Aqui é a parte mais complicada, que é analisar o ovo. Existem listas imensas online do que cada coisa pode significar, mas, resumidamente:

    • Se a gema do ovo for ao fundo e a clara estiver limpa é porque não havia qualquer mau olhado e está tudo OK. 
    • Se houver bolhas na água, na zona da clara, é porque há mau olhado e ele foi removido com o ovo. 
    • Se o ovo estiver com um aspecto estranho ou com manchas de sangue ou até com um ar um pouco turvo, poderá ser algo mais complexo. Aqui, recomendo uma nova limpeza com um ovo novo, para ver se limpou realmente e, caso não tenha ficado limpo, recorrer a um método divinatório para ver como proceder. 
E com isto, estão prontos para se protegerem do olhado e já sabem um pouco mais acerca de um dos grandes aspectos das práticas folclores portuguesas!  

Já conheciam estas técnicas? 

Os chakras são dos tópicos mais famosos do Hinduísmo que foram adoptadas para o pensamento esotérico ocidental, tendo passado por várias adaptações e, no ponto de vista de muitos praticantes, criações de novos sistemas associados aos Chakras. Originalmente, os chakras (da palavra sânscrita चक्र (que significa “roda”) são um variado número de pontos ao longo do nosso corpo, utilizados em vários métodos de meditações e outras práticas antigas, originárias de tradições dentro do Hinduísmo. 

Neste artigo vou apenas focar-me no Sistema de Chakras Ocidental, nomeadamente, o sistema que conhecemos hoje em dia que é constituído por sete chakras espalhados pelo corpo, criando uma linha ao longo da nossa espinha, conectando-nos ao céu (através do chakra da coroa) e à terra (através do chakra da raíz). Este sistema ocidental surgiu no início do século XX com autores como Sir Woodroffe e Charles Leadbeater. 

Os sete chakras são: 

Chakra da Raiz
Nome: Muladhara 
Localização: Base da coluna/região do períneo.
Descrição: Este chakra está ligado à Terra e à nossa ligação ao mundano e terreno, oposto ao chakra da coroa. 


Chakra Sexual
Nome: Swadhistana 
Localização: Região do baço.
Descrição: Este chakra está associado ao movimento e ao fluxo. Pode também ter ligação aos órgãos sexuais, dada a sua proximidade. 


Chakra do Plexo Solar
Nome: Manipura 
Localização: Aproximadamente dois dedos acima do umbigo.
Descrição: Este chakra está ligado ao processo digestivo e à nossa autodescoberta, sendo associado à força e à determinação. 


Chakra Cardíaco
Nome: Anahata
Localização: Região do coração.
Descrição: Este chakra é o ponto de encontro das energias do nosso corpo, estando ligado ao equilíbrio do corpo e do espírito. 


Chakra Laríngeo
Nome: Visuddha
Localização: Região da laringe.
Descrição: Este chakra está associado à comunicação, devido à sua proximidade com as nossas cordas vocais. 


Chakra Frontal 
Nome: Ajna or Agya
Localização: Região inferior da testa, um pouco acima do espaço entre as sobrancelhas.
Descrição: Este é o chakra associado ao famoso “terceiro olho” e está ligado à clarividência e à Visão.


Chakra Coronário
Nome: Sahasrara
Localização: A coroa, topo da cabeça. 
Descrição: Este é o chakra que nos conecta ao céu/ao espiritual/ao nosso Eu superior. 


Por norma, os chakras são utilizados como auxiliares em técnicas de meditação, começando no chakra mais baixo (o da raiz) até ao mais alto, com estados meditativos e até cânticos ou mantras para cada um destes chakras. Estes pontos são também trabalhos em várias terapias como o reiki, yoga, cristaloterapia, terapias com música, etc. Para quem deseja começar a trabalhar com estes pontos energéticos, a melhor forma será através de meditação, sendo que podem encontrar online (no Youtube e até no Spotify) várias jornadas meditativas que ajudam a trabalhar com os chakras, a alinhar os mesmos, a abri-los e muito mais.

Se gostavas de saber um pouco mais sobre Chakras, eu fiz um texto exclusivo para o Baú dos Mistérios de Hécate e está disponível para compra lá na loja! 

E vocês, costumam trabalhar com chakras? 

Já falei aqui diversas vezes sobre comunidades mas foi quase sempre como um alerta aos perigos ou aos cuidados a ter na procura de grupos. No entanto, nunca falei das vantagens e da importância das comunidades no nosso caminho e é exatamente isso que quero falar hoje. 

Estarmos inseridos em comunidades, sejam elas presenciais ou online, é uma mais valia no nosso caminho não só porque nos permite conhecer outras pessoas e outros praticantes com os quais nos possamos identificar e até chegar a criar grupos em conjunto, mas também porque nos permite desafiar as nossas ideias e formas de ver e praticar. Conforme o tempo vai passando na nossa prática e no nosso caminho temos tendência a criar uma bolha em nosso redor: Lemos sempre os mesmos autores, consumimos os mesmos conteúdos, vemos os mesmos criadores, etc. E enquanto esta bolha é algo bom, porque nos traz conforto, é também um pouco limitadora e é aí que as comunidades nos ajudam a sair dela e explorar novas ideias. Conhecer outras pessoas, com caminhos diferentes, é uma das maneiras de vermos como outros praticam. Entender o que eles acreditam, os Deuses a que prestam culto, as culturas às quais se associam, as tradições ou costumes que incluem nas suas práticas e até a forma de ver o mundo e a espiritualidade e/ou religião permite-nos entender para lá da nossa existência e do nosso caminho e desafia-nos a pensar em alternativas, a confrontar as nossas crenças e opiniões com outras que até podem ser opostas. Esta saída da zona de conforto é fulcral para o nosso crescimento e evolução e isto aplica-se tanto no nosso caminho espiritual como fora dele. 

Pessoalmente sinto, e posso afirmar, que estar nas comunidades é das melhores formas de aprendizagem e de auxílio ao nosso crescimento. Mesmo após mais de quinze anos neste caminho continuo sempre a aprender coisas novas junto das comunidades, sejam elas online ou físicas, e a melhorar e aprimorar o meu caminho pessoal. Estar junto de outros praticantes, ouvi-los falar das suas práticas, tradições, técnicas, métodos de trabalho e até crenças permite-me ter uma visão mais alargada da nossa comunidade, conhecer novas formas de trabalhar, conhecer novas culturas e novas crenças e abre todo um leque de oportunidades e de novos conhecimentos que, na maioria das vezes, nem sabíamos que estava ao nosso alcance. 

Isto é também genial para quem está a começar a trilhar caminhos porque as comunidades costumam ter todo o tipo de praticantes e até outros iniciantes com quem podemos trocar opiniões, esclarecer dúvidas e pedir opiniões. Desde aconselhamentos até troca de ideias, as comunidades são o espaço ideal para isto. E, uma comunidade já bem constituída e com raízes assentes, é também uma segurança extra para quem está a entrar: Uma comunidade que já exista, sem dramas e sem caos, há bastante tempo significa que tem um método de trabalho que resulta e que, provavelmente, é um espaço seguro para aprendizagens. Claro que nem sempre é o caso, e recomendo sempre atenção e cuidado nas comunidades, mas é uma das outras vantagens destes espaços. 

Pessoalmente sinto que estar em comunidades, sejam de que formato for, é sempre uma melhoria no nosso caminho (e tem sido sempre algo positivo ao longo do meu!) e que nos traz todo um novo mundo de diversidade e de informações à nossa esfera de conhecimento, abrindo as portas para o nosso desenvolvimento pessoal e novas explorações!

E vocês? Gostam de estar em comunidades? 

Recordo que temos recursos sobre Grupos e Associações em Portugal.

Voltamos à nossa série sobre Conceitos e vamos falar de Helenismo ou Reconstrucionismo Helénico! Este caminho tem um lugar muito especial no meu coração e espero fazer-lhe justiça com este texto.

Hoje vamos falar dos principais erros que cometemos quando estamos a começar a estudar sobre Paganismo e Bruxaria e como podemos evitá-los! Estes são apenas alguns dos principais erros que tenho visto nos últimos tempos nas comunidades pagãs e bruxas que frequento. Acredito que haja mais ou até que muita gente nem cometa estes erros, contudo, é importante falar deles, pois permite desmistificar um pouco as coisas para quem está a começar e, ao mesmo tempo, orientar e dar alguns pontos de partida para quem ainda não sabe bem como se orientar. 

  • Tentar encontrar Mestres ou Professores sem ter bases de Paganismo ou Bruxaria
Quem lê o Sob o Luar com frequência sabe que este é um ponto no qual eu foco bastante e temos mais do que um texto que aborda esta temática (principalmente este). Isto porque foi um dos meus grandes erros e quero evitar que outros caiam na mesma asneira que eu caí. E porque é que isto é um erro? Bem porque muita gente tenta procurar um professor ou um mestre para lhe ensinar coisas mas nem sabe ao certo o que quer aprender. Apenas quer aprender algo. Isto abre a porta a imensos perigos. Como já falámos anteriormente existem pessoas más em todas as comunidades e o Paganismo e a Bruxaria não são imunes a estas presenças. Muitos predadores estão nas nossas comunidades (infelizmente!) e aproveitam-se de pessoas que estão a começar, não sabem muito e tentam moldar as mesmas aos seus "ensinamentos" (que de ensinamentos têm muito pouco...). Antes de procurarem um Professor ou um Mestre, façam pesquisas, investiguem, leiam, aprendam as bases. Vivemos numa época tecnológica e temos todo o conhecimento na palma da mão, temos de aproveitar! E, mesmo após terem as bases, se quiserem procurar alguém para vos ensinar, façam várias verificações, perguntem às pessoas que os conhecem, vejam-nos interagir com as comunidades pagãs, vejam se pertencem a alguma organização de confiança e que possa dar garantias do seu trabalho. Não confiem cegamente! 

  • Colocar demasiado significado nas redes sociais e os seus conteúdos
Há quem diga que este ponto é apenas uma diferença geracional, contudo, discordo. Não vou negar que as redes sociais são uma boa fonte de entretenimento e até de algum conhecimento, contudo, não são fonte exclusiva para constituir ou trilhar um caminho pagão ou bruxo. Depender exclusivamente das redes sociais e de Tumblr, TikToks, Youtube e Pinterest não é um bom método de trabalho. LER é essencial, por mais que não gostem ou não o queiram fazer. O consumo de conteúdo pagão ou bruxo nas redes sociais deve sempre ser suplementado com livros, com convívio nas comunidades pagãs e com experiência prática. Ser bruxa apenas porque seguimos o TikTok e não fazemos absolutamente mais nada não é ser Bruxa, é apenas ser uma fã de vídeos de internet. A Bruxaria é, e sempre foi, um caminho que requer trabalho e dedicação e isto implica ler, investigar, praticar, treinar, etc. Requer um trabalho ativo e não apenas passivo de fazer scroll num telemóvel

  • Não aceitar críticas ou questões acercas das suas práticas e estudos 
Este comportamento não é só presente em iniciantes mas em todos os tipos de praticantes, contudo, vou-me focar no caso dos iniciantes (mas aplica-se a toda a gente porque reflexão crítica é sempre bom). Mais do que uma vez já tive encontros com praticantes que, quando lhes é feita uma pergunta sobre a sua prática ou até se pergunta que tipo de livros é que leram, ficam extremamente ofendidos, chegando a sair dos espaços e a afirmar que "não gostam que duvidem da prática deles". Acho que temos de mudar este mindset: Não se trata de duvidar da prática alheia, trata-se de perguntar. Seja por curiosidade, porque nunca ouvimos falar daquela prática ou daquele tipo de trabalho ou, em alguns casos, para corrigir informação incorreta (que pode acontecer a qualquer um! Pessoalmente já tive comentários e até dicas de colegas de comunidade sobre informações erradas que eu pensava estarem corretas e agradeço mil vezes o feedback!). Estarmos abertos a feedback e a debates é bastante saudável. Não só nos permite entender e trabalhar melhor o nosso caminho como também aprender com a prática dos outros e com as suas opiniões. E, no caso de iniciantes, é excelente para corrigir informações que podem estar incorretas! Ninguém sabe tudo e todos podemos errar e devemos estar abertos a este tipo de reparos, porque os mesmos servem para nos ajudar a crescer e não para nos rebaixar. 

  • "Viajar na maionese"
Não sei se hoje em dia ainda se usa o termo "viajar na maionese" mas era um termo muito utilizado nas comunidades pagãs luso-brasileiras há alguns anos atrás. Basicamente significa estar a acreditar em algo que não é necessariamente verdade, estar a ir nas invenções da nossa mente. Isto é especialmente comum dentro das redes sociais como o TikTok. Desde pessoas que vão às compras com Divindades, praticantes que dizem que fazem guerras no Astral, até iniciantes com 2 meses de prática que vão para "os Salões dos Deuses" através de viagens astrais, iniciantes a dizer que "namoram" com Divindades e que "A Divindade X vai castigar-te porque comentaste coisas más no meu vídeo" e outras mil e uma histórias que já ouvi. O TikTok (e outras redes sociais) acabam por levar os iniciantes a acreditar que o Paganismo e a Bruxaria são como aventuras de Hollywood e que os Deuses são os BFFs. Não é verdade. É preciso saber distinguir a realidade da ficção (e planeio ter um artigo no futuro exclusivamente dedicado a esta temática) e saber entender o que é a nossa prática e é real, e o que é da nossa imaginação. Isto aplica-se também na temática dos Sinais das Divindades, dos quais já falamos aqui no blogue anteriormente. Há que saber distinguir as coisas e saber levar as coisas a sério e com o respeito que lhes é devido.

Estes são os quatro pontos principais, não quero fazer um texto muito longo mas sou capaz de revisitar esta temática com uma "Parte 2" no futuro, quem sabe! E vocês leitores? Que dicas dão a quem está a começar? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Edz Norton)

Hoje voltamos à nossa série de Conceitos e vamos falar de Druidismo! Neste caso vamos falar, mais especificamente, de "Neo-Druidismo", ou seja, a prática moderna de Druidismo e não a prática histórica atribuída aos povos da Bretanha em períodos pré-romanos. O Druidismo pode ser definido de várias formas e é um caminho bastante amplo. Uma das organizações mais famosas associadas ao Druidismo é a OBOD - Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas (e em PT) e os mesmos definem Druidismo como sendo:

"Druidry, or Druidism as it is also known, manifests today in three usually separate ways: as a cultural enterprise to foster the Welsh, Cornish and Breton languages; as a fraternal pursuit to provide mutual support and to raise funds for good causes, and as a spiritual path. Each of these different approaches draws upon the inspiration of the ancient Druids, who were the guardians of a magical and religious tradition that existed before the coming of Christianity, and whose influence can be traced from the western shores of Ireland to the west of France – and perhaps beyond." -- Druidry.org

Traduzido, será: "Druidismo manifesta-se hoje de três caminhos diferentes: Como um empreendimento cultural para promover as línguas galesa, córnico e bretã; como uma busca fraterna para fornecer apoio mútuo e arrecadar fundos para boas causas; e como um caminho espiritual. Cada uma dessas diferentes abordagens baseia-se na inspiração dos antigos druidas, que eram os guardiões de uma tradição mágica e religiosa que existia antes do advento do cristianismo, e cuja influência pode ser rastreada desde a costa oeste da Irlanda até o oeste da França - e talvez além."

Há quem considere o Druidismo como sendo uma religião, quem considere o Druidismo como sendo um caminho religioso e, inclusive, há quem considere o Druidismo como sendo apenas um caminho de conhecimento. Muitas vezes o Druidismo assume um papel importante na vida das pessoas que, por variados motivos, até se identificam com outras religiões diferentes (dentro e fora do Paganismo), acabando por gerar vários sub-caminhos como "Druidcraft" (Uma mistura entre Wicca e Druidismo) e outros. Para a grande maioria dos praticantes, o Druidismo assume-se como sendo um caminho espiritual principalmente voltado para o conceito espiritual e natural da vida. Muitos Druidas identificam-se com variadas formas de crença desde politeísmo, animismo, monoteísmo ou duoteístas sendo que todas estas visões da Divindade co-existem dentro das comunidades druídicas. Uma das principais características destas comunidades é o facto que as mesmas são muito tolerantes de outros caminhos e co-existem de forma fantásticas. Pessoalmente, acho que o Druidismo é dos caminhos em que melhor a co-existência religiosa se verifica. 

No Druidismo a Natureza assume um papel de destaque, quer a nível espiritual através de práticas e de conexões com a Natureza e tudo o que os rodeia, quer a nível fisico, através de variadas campanhas ou trabalhos voltados para a ecologia e o bem-estar animal. Isso está refletido nos "Seven Gifts" que a OBOD defende. Podem carregar no link anterior para ler mais acerca dos mesmos e nas próprias Crenças Druídicas. 

Uma boa forma de aprender Druidismo, principalmente se se identificarem com os príncipios e trabalhos da OBOD, é através de fazerem as formações que a OBOD disponibiliza. As mesmas estão disponíveis em Inglês ou até em Português, através da OBOD Portuguesa e permitem a interessados efetuar vários cursos dentro da OBOD, permitindo uma maior aprendizagem, e com um apoio certificado, do Druidismo que é disponibilizado pela mesma. 

Contudo, a OBOD não é a única forma de ser druida ou de praticar Druidismo! O Druidismo pode ser praticado de forma solitária e eclética, em pequenos grupos ou até noutras associações e grupos espalhados pelo Mundo fora. Não tenham medo de explorar, ver novos recursos e aprender mais. Nos nossos Recursos temos algumas recomendações acerca de Druidismo quer a nível de podcasts, blogues, livros e até canais de Youtube. O conhecimento está ao vosso dispor, basta esticar a mão e dar os primeiros passos! 

O que acham de Druidismo? É algo que vos interessa?

Crédito de Imagem: Unsplash (K. Mitch Hodge)

Voltamos à nossa série de artigos e hoje vamos falar sobre a Wicca, um dos caminhos mais famosos do Neo-Paganismo e da Bruxaria Moderna! 

A Wicca surgiu como religião na década de 1950, após a última lei que proibia e castigava a prática de Bruxaria na Inglaterra ser abolida. Este surgimento da Wicca deveu-se a Gerald Gardner. A Wicca, ao contrário da ideia popular, não é a reconstrução de uma Antiga Religião Pagã Celta do Neolítico ou de outro período pré-histórico. Ela foi "compilada", à falta de melhor termo, por Gerald Gardner, com base nos seus estudos ao longo dos anos, na sua participação em grupos de Bruxaria Tradicional Folk Britânica, no seu conhecimento de ordens como a Golden Dawn, Maçonaria, Thelema e outras. A Wicca é uma religião bastante recente na sua organização e não é uma imitação ou reconstrução dos caminhos celtas ou pagãos de antigamente. Este facto não é motivo para considerar a Wicca menos religião do que outro caminho. Não são as origens de um caminho que o fazem mau ou bom. 

A Wicca é um culto duoteísta que se concentra em duas divindades: A Deusa e o Deus. Estas duas divindades possuem diversas faces, podendo ser encaradas como Deusa e Deus ou como um outro Casal Sagrado, presente numa mitologia à escolha do praticante. Na Wicca são celebrados os 8 festivais da Roda do Ano (Samhain, Yule, Imbolc, Ostara, Beltane, Litha, Lughnassadh e Mabon) que são as celebrações da Natureza e a passagem das estações, associadas ao Mito da Roda do Ano, que poderá ser visto na secção das Celebrações. Para além destas festividades, na Wicca ainda se celebra os Esbats que são celebrações de Lua, sendo que são realizados rituais ou celebrações relacionados com cada fase da Lua em questão. Existem vários textos que são considerados importantes dentro da Wicca como a Carga da Deusa, a Carga do Deus, a Rede Wiccana, entre outros, pelo que recomendo a leitura dos mesmos a todos os interessados. 

A Wicca é dividida em duas principais ramificações: Wicca Tradicional e Wicca Moderna. A Wicca Tradicional é a vertente mais antiga, baseada nos trabalhos de Gerald Gardner e de Alex Sanders sendo que é bastante rígida e conta com a presença das Leis Wiccans, obrigatoriedade de ritos 'skyclad', entre outros aspectos. A Wicca Moderna, como o próprio nome indica já conta com um método mais aberto, dado que é a junção de todos os novos caminhos que surgiram e ainda surgem dentro da Wicca e que contam com uma maior liberdade de trabalho e com a presença, em vários casos, da "auto-iniciação", conceito introduzido por Raymond Buckland. Como falei, a Wicca é uma religião iniciática e sacerdotal, ou seja é uma religião que necessita iniciação e todo o iniciado é Sacerdote ou Sacerdotisa. Neste aspecto da Wicca existem diversos debates. Gardnerianos defendem que apenas aquele que é iniciado num coven de linhagem tradicional é realmente Wiccano. Mas com o surgimento de novas tradições, várias pessoas (Raymond Buckland, por exemplo) vieram mudar a opinião do Mundo quanto a este aspecto.

Na Wicca existe, como em todos os lados, diversas controvérsias, A Iniciação ou Auto-Iniciação é uma delas. Não me sinto capacidade para opinar sobre o assunto, contudo, irei dar as informações bases em torno deste debate: A Wicca é, tradicionalmente, um caminho iniciático e sacerdotal (isto significa que é um caminho no qual a Iniciação é obrigatória e todo o iniciado é Sacerdote). A controvérsia em torno deste assunto trata-se que a vertente tradicionalista acredita e defende que a Iniciação deverá ser feito dentro de um coven estabelecido e com todas as regras que isso incluí, enquanto grande parte da vertente Moderna defende o conceito de "auto-iniciação". 

Para terminar, gostaria de deixar aqui neste artigo é uma lista de Recursos sobre Wicca, com um enfoque na Wicca Tradicional, e considero ser essencial para qualquer interessado nesta temática! 

Crédito de Imagem: Unsplash (Halanna Halila)

Hoje vamos começar uma nova série de artigos que acho extremamente importante: Conceitos! Um dos pontos mais difíceis ao começar a estudar Paganismo e Bruxaria é entender a diferença entre os vários caminhos e opções e conseguir distingui-los e entender porque estes caminhos são diferentes. Claro que, para começar, vamos falar do grande conceito inicial: O que é o Paganismo (ou Neo-Paganismo)? Como sabem já temos um artigo que aborda este assunto por parte de um grande amigo meu, o Marcos, este artigo não vem substituir o artigo do Marcos que continuará online e que eu adoro, mas, sinto necessidade de escrever outro artigo sobre o assunto e que faça parte desta nova série. 

Então, o que é o o Paganismo ou Neo-Paganismo? E qual a diferença entre os dois termos? Como o Marcos falou no artigo dele, o Paganismo pode ser dividido em duas categorias: Paleo-Paganismo e Neo-Paganismo. Contudo, nas comunidades, é comum referirmos apenas "Paganismo" de forma intercambiável e, principalmente, em referência ao que é considerado o Neo-Paganismo. 

O Paleo-Paganismo, como o nome indica é o nome dado às tradições pagã pré-abrâamicas nas suas civilizações de origem (ex: Religião Helénica, Romana, Egípcia, Celta, Nórdica, etc.), ou seja, às tradições que já não existem e que existiam apenas no seu tempo e conceito. Paleo-Paganismo NÃO se refere a tentativas modernas de reconstrução destas práticas e refere-se apenas à prática de origem. 

Já o Neo-Paganismo, como entendemos pelo nome, é o título dado às práticas modernas, do nosso tempo, em que são efetuadas tentativas de reconstrucionismo, revivalismo ou adaptação de práticas antigas à nossa vida moderna. Dentro deste termo encaixam-se vários caminhos como a Wicca, Druidismo, Helenismo, Kemetismo, Asatrú, Odinismo, etc. Todas as práticas cujo objetivo seja a reconstrução ou adaptação de práticas paleo-pagãs é neo-paganismo. 

Contudo, como falei, é normal ser referido apenas por "Paganismo". Isto porque não temos qualquer tradição pagã que tenha sobrevivido ininterrupta até aos dias de hoje, por isso, quando ouvirem o termo "Paganismo" o mais provável é estarem a referir-se ao Neo-Paganismo. 

Mas o que define realmente o Neo-Paganismo? Eu costumo recomendar ver o conceito de Neo-Paganismo como sendo um tronco de uma árvore, em que o tronco principal é o Neo-Paganismo e todas as ramagens das árvores são os diversos caminhos e tradições que caem dentro do Paganismo. Ao contrário do que muita gente pensa, o Paganismo em si não é apenas UMA religião mas sim um conjunto variado de caminhos religiosos e/ou espirituais que partilham entre si algumas característica comuns. 

Algumas destas características comuns são:
  • Caminhos dentro do Paganismo costumam ser politeístas, duoteístas, animistas ou panteístas. Existem algumas vertentes específicas que podem ser monoteístas contudo, são raras. 
  • Os caminhos dentro do Paganismo não estão ligados a religiões abrâamicas (Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, etc), sendo este ponto uma das principais definições de Paganismo no dicionário.
  • Grande parte dos caminhos dentro do Paganismo têm influências de Paleo-Paganismo, ou seja, as suas práticas são influenciadas por religiões ou espiritualidades pré-cristãs e focam-se ou na adaptação dessas práticas à nossa vida moderna ou na reconstrução dessas práticas nos nossos dias. 
É comum associar que o Paganismo está, também, bastante ligado á Natureza e ao reconhecimento da natureza como Divina e enquanto isso não está errado, optei por não acrescentar essa característica dado que sinto que exclui algumas tradições pagãs como é o caso de Reconstrucionismo Romano em que o culto é mais urbano do que própriamente rural e, como tal, tem menor ênfase no culto da Natureza. 

Um dos caminhos mais famosos dentro do Neo-Paganismo é a Wicca (que também será abordada num artigo individual) e é comum ser confundido que todos os pagãos seguem as orientações e regras da Wicca, contudo, está informação está incorreta. Neo-Paganismo é diferente de Wicca, a Wicca é apenas um de muitos caminhos existentes dentro deste enorme "umbrella term" que é o Neo-Paganismo. Consequentemente, e quase pelo mesmo motivo, é comum pensar-se que o Neo-Paganismo é matrifocal ou matriarcal (ou seja, focado numa divindade feminina exclusiva). Esta informação está também incorreta! O Paganismo Moderno é um conjunto complexo de vários caminhos religiosos e espirituais, influenciado por várias culturas de vários pontos da História e com bastantes diferenças sociológicas e políticas, sendo que muitas delas não eram nem patriarcais nem matrifocais. Existem caminhos focados no Sagrado Feminino dentro do Neo-Paganismo tal como existem caminhos focados no Sagrado Masculino, caminhos focados no Casal Divino e até caminhos focados em panteões inteiros de divindades. 

Como complemento a este artigo recomendo novamente o texto do Marcos sobre O Que é o Paganismo! Ao longo deste série vamos começar a abordar os conceitos de vários caminhos dentro do Neo-Paganismo como a Wicca, Druidismo, Helenismo, entre outros. Gostaram deste primeiro artigo desta série? Que outros conceitos gostariam de ver abordados? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Radik Sitdikov)

Hoje vamos falar do conceito da Deusa Tríplice e da sua História, aproveitando para eliminar algumas ideias incorretas que existe em torno desta divindade. Antes de mais, gostaria de deixar claro que não estou a invalidar o culto da Deusa Tríplice, pelo contrário, é uma Divindade de extrema importância em vários caminhos pagãos, como é o caso da Wicca, e é uma divindade com a qual tive contacto durante vários anos. Contudo acho necessário esclarecer estas informações e fornecer recursos em Português sobre este assunto. Quando falamos destas temáticas devemos sempre recordar que idade =/= validade. O facto de algo ser antigo não significa que é mais, ou menos, válido do que práticas recentes. 

A Deusa Tríplice é um conceito de divindade em que a mesma é constituída por três faces: Donzela, Mãe e Anciã. Esta divindade, ou trio de Divindades, é representativo das "fases" da vida de uma mulher começando pela face de Donzela, onde assume o papel de uma jovem rapariga antes do seu casamento; a face de Mãe, onde é assumido o papel maternal após o casamento e após ter tido filhos e, por fim, a fase de Anciã onde assume a faceta de uma velha sábia, com os seus filhos crescidos e a aproveitar o que a sabedoria dos anos de vida lhe trouxe. É normal associar também cada uma das faces a um leque de divindades politeístas tal como Artémis para a faceta de Donzela ou Cailleach como Anciã. 

Apesar de, na Antiguidade Clássica, termos alguns exemplos de divindades Triplas, como é o caso de Hekate ou das Kharites, não temos qualquer registo de uma divindade se dividir em várias fases da vida de uma mulher. Hekate, uma Deusa bastante associada a este conceito de Deusa Tríplice é, na realidade, uma Deusa associada ao que seria o conceito de "Deusa Virgem", ou seja, uma Deusa que não é casada nem tem filhos. Temos registos de várias divindades agrupadas em grupos de três, ou mais, em vários textos tal como é o caso de Hekate-Selene-Artémis ou, até, o famoso trio eleusino de Hekate-Demeter-Persephone, contudo, estes grupos não faziam uma distinção entre as "fases" das Divindades mas eram sim agrupadas pelas suas características e mitos, como é o caso do trio Hekate-Demeter-Persephone que foi agrupado no seguimento do Mito de Persephone, contando no Hino Homérico a Deméter. 

O conceito de uma divindade singular, dividida em três fases, terá surgido com o trabalho de Jane Ellen Harrison, em meados de 1800s. O seu trabalho era baseada na permissa que, antes da Era da Bronze, existiria uma sociedade matrifocal e matriarcal. Esta teoria veio a ser mais explorada por autores como Robert Graves e Marija Gimbutas, tendo sido descreditados pela comunidade científica variadas vezes. Robert Graves e Marija Gimbutas foram duas das personalidades que deram origem a um boom deste conceito dentro das comunidades pagãs e new-age sendo que, ainda hoje em dia, é defendida a teoria de uma cultura matriarcal proto-europeia, apesar de não termos registos históricos que suportem de forma adequada esta teoria. 

Apesar de o conceito de uma divindade tripla como sendo Donzela/Mãe/Anciã ter apenas tido o seu boom em 1800s/1900s, o mesmo não deixa de ser válido nem de ser uma parte importante destes caminhos religiosos, sendo que a mesma foi absorvida por vários caminhos pagãos, como é o caso da Wicca ou do Neo-Paganismo Eclético, . O próprio Jung, o pai da psicologia analítica, utilizou o arquétipo da Deusa Tripla nos seus trabalhos e análises, mostrando o impacto que a mesma teria na psique humana, após o seu desenvolvimento. E, se a mesma foi aceite e recebida de forma tão calorosa por tantos praticantes, é porque terá validade da sua existência. Como disse anteriormente idade =/= validade, contudo, é preciso ter em atenção a sua origem e a sua criação e não nos deixar cair em fálacias incorretas ou baseadas em desinformação. 

Este artigo tem como objetivo esclarecer o conceito errado de que a "Deusa Tripla é uma Deusa Antiga Europeia" que, na realidade, não o é. Isto não faz da Deusa Tríplice uma Divindade menos válida, contudo, necessitamos de conhecer a sua história e surgimento de forma a puder honrar da melhor forma. Para interessados nesta temática recomendo vivamente lerem o Triumph of the Moon de Ronald Hutton (o link está abaixo na lista das fontes utilizadas) dado que este livro tem todo um capítulo dedicado à temática da Deusa e do culto da Deusa Tripla nos últimos 200 anos. 

E vocês? Já conheciam estas informações? 

Fontes: 
"The Triumph of the Moon: A History of Modern Pagan Witchcraft" de Ronald Hutton
"Circle For Hekate - Volume I: History & Mythology" de Sorita d'Este
"Triple Goddess (Neopaganism)" na Wikipedia

Crédito de Imagem: Pixabay (Amber Avalona)

Hoje vamos falar de uma temática que se tornou viral em tempos recentes em diversas plataformas tal como no "Witchtok", no Instagram e no Youtube: Vamos falar de Shadow Work ou, em português, do Trabalho com a Sombra. Primeiramente temos de entender o que é a Sombra. 

O conceito de "Sombra" surgiu ligada à psicologia analítica de Carl Jung, um psiquiatra suíço. Segundo Jung, a "Sombra" é um aspecto incosciente da personalidade que o ego não identifica em si mesmo, ou seja, o lado desconhecido. Contrariamente ao defendido por Freud, a Sombra de Jung pode conter tanto características positivas como negativas porém, como o ser humano tende a ignorar os traços em si mesmo que não gosta, esta acaba por ser constituída acima de tudo por características consideradas negativas. Para Jung, a Sombra corresponde ao lado desconhecido e negro da personalidade, ou seja, tudo aquilo que o ser humano recusa ou ignora existir em si. Na psicologia análitica a necessidade de conhecer, lidar e até unificar-nos com a nossa Sombra faz parte do processo de individuação, ou seja, faz parte de um processo psiquico durante o qual todos os aspectos da nossa personalidade e do nosso eu se integram para criar um todo único e estável. 

Este trabalho com a Sombra foi recentemente adoptado por várias comunidades new age e comunidades dentro da Bruxaria, tendo o seu boom recente feito com que este conceito de Sombra e este trabalho com a Sombra tenha ficado em destaque, contudo, nem sempre da melhor forma. 

O trabalho com a Sombra é uma das partes do processo de individuação da psicologia jungiana e, como tal, é sempre preferível que seja acompanhado por um profissional de saúde formado ou com conhecimento dentro desta vertente da Psicologia. As informações disponíveis online, principalmente em vídeos do "Witchtok" não são, nem de longe, suficientes para que este trabalho interno seja feito da melhor forma e com os melhores resultados. Isto é principalmente notável em pessoas que tenham sofrido traumas na infância ou ao longo da sua vida, que tenham tido dificuldades ou problemas como ansiedade, depressão e outras questões do foro psicológico dado que estar a lidar com estas memórias, traumas e triggers de forma sozinha e sem acompanhamento profissional faz mais mal do que faz bem. 

Nós alertamos frequentemente para o facto de que a melhor forma de trabalhar com a nossa Sombra e fazer Shadow Work é simplesmente ir ao terapeuta ou a um psicólogo. Não há vergonha nenhuma em fazer terapia e, para este propósito, é mais do que indicado dado que o próprio conceito de Sombra pertence à psicologia. Logo, quem melhor do que profissionais da área de onde este conceito surgiu para nos ajudar a trabalhar com ele e desenvolver o mesmo na nossa prática. 

O trabalho com a Sombra sem as devidas preparações e o devido acompanhamento pode trazer bastantes danos a médio e longo prazo. O facto de estarmos constantemente a forçar-nos a reviver traumas, reviver más memórias ou maus momentos com o intuito de "enfrentar a nossa sombra" vai acabar por causar danos na nossa psique porque estamos constantemente a reviver os nossos traumas ao invés de estarmos a lidar com eles. É nisto que um profissional de saúde poderá ajudar-nos da melhor forma, sabendo como lidar e como processar estas informações de forma a que as mesmas possam ser assimiladas, ao invés de piorarem o nosso estado mental e a nossa psique. 

A Bruxaria e o Paganismo não só podem como devem andar de mãos dadas com a ciência. Se partirmos um braço, vamos ao médico certo? Aqui é exactamente o mesmo processo, simplesmente para a nossa mente. Existem vários profissionais de saude na área da Psicologia que são formados em psicologia análitica/jungiana e que estão mais do que dispostos em auxiliar-vos neste processo. 

Adicionalmente, contrariamente ao que é divulgado nas redes sociais, principalmente no TikTok e no Instagram, o "Shadow Work" não é obrigatório na Bruxaria ou no Paganismo, não é uma parte essencial da vossa prática e a vossa prática não é menos válida por não fazerem "Shadow Work". Este conceito e esta prática, dentro das comunidades pagãs, é extremamente recente e só saltou para o destaque das comunidades em geral devido à propagação de vídeos dentro das plataformas sociais. Podem fazer processos de introspeção e meditação, tal como vários praticantes fazem, sem necessariamente precisarem de fazer Shadow Work ou trabalharem com os vossos traumas ou problemas ativamente na vossa prática, principalmente se não se sentirem confortáveis em fazer esse tipo de práticas. 

Não deixem que o vosso caminho seja julgado ou "mandado" por outras pessoas. Ao final do dia, o vosso caminho é isso mesmo: o VOSSO caminho. E se realmente têm interesse em fazer trabalho com a vossa Sombra, procurem um profissional de saúde com capacidade para trabalhar dentro da psicologia jungiana e façam uma marcação para iniciar este processo.

Crédito de Imagem: Unsplash (Stefano Pollio)

Um dos principais temas que surge com as pessoas que estão interessadas em começar com o trabalho devocional a Divindades é o tema dos sinais: Como reconhecer os sinais, como saber se realmente é uma divindade ou se poderá ser uma coincidência, como ter a certeza, etc. E é exactamente isso que vamos falar hoje. Antes de começar, um recurso muito bom sobre sinais com as divindades é o video da TCS sobre o tema, é um video que costumo recomendar frequentemente. 

É normal quando começamos a lidar com divindades ou entidades recebermos sinais das mesmas: Estes podem ser sinais com mensagens, sinais para prestarmos atenção a Elas, chamados para sacerdócio, avisos ou alertas para certas situações, pedidos, etc. Existem vários motivos porque podemos estar a receber sinais, ás vezes, ainda antes de começarmos activamente a lidar com entidades ou divindades. Porém, no início, é bastante complicado conseguir distinguir o que é realmente um sinal e o que é apenas... uma coincidência. Ou um acontecimento da vida normal. Conforme formos evoluindo a nossa prática e estabelecendo a nossa relação de trabalho/devoção com as divindades, iremos começar a desenvolver esta capacidade de interpretação das coisas em nosso redor e tornar-se-à mais fácil, contudo, no início pode ser complicado. 

O que podemos fazer nestas situações, em que estamos na dúvida?

O primeiro passo quando achamos que recebemos um sinal é parar e analisar. O sinal é algo que pode acontecer muito facilmente no nosso local? Por exemplo, imaginemos que o nosso vizinho tem cães e, à noite, ouvimos cães a uivar. Será um sinal? Provavelmente não. Provavelmente será apenas os cães do vizinho. Agora numa situação em que não temos cães à volta e sabemos que nenhum vizinho tem cães e ouvimos claramente uivar de cães? Aí poderá ser um sinal. 

Um dos conselhos que dou uma vez é "Se ouvires cascos, pensa em cavalos e não em zebras". Ou seja se acontecer algo pensem primeiro na resposta mundana e só depois na mágica, porque a mundana é muito mais provável de acontecer. É necessário fazer uma triagem aos possíveis sinais para entender se será algo do nosso dia-a-dia e comum ou se será algo mesmo relacionado com um sinal. Alguém que viva à beira-mar não vai achar que uma pena de gaivota é um sinal mas alguém que vive numa montanha a kms de distância do mar provavelmente vai achar! É isso que precisamos de fazer a distinção para nos ajudar a interpretar os sinais, analisar as possibilidades e quais as probabilidades de tal evento acontecer no sítio onde estamos ou nas circunstâncias em que nos encontramos. Uma ferramenta útil neste processo é a "Post Gnosis Checklist" do Jason Miller. Recomendo vivamente darem uma olhadela nessa lista, porque acredito que ajudará nesta procura! 

Mas e quando analisamos tudo e, mesmo assim, estamos na dúvida porque é uma situação muito recorrente (mais do que o normal) ou porque é improvável mas deixa dúvidas? Nesse caso, não tenham medo de conectar com a Divindade. No Paganismo, e até na Bruxaria, as Divindades não são figuras distantes no céu completamente incontactáveis. As Divindades estão ao nosso alcance para estabelecer comunicação entre nós e Elas, por isso, numa situação em que acham que receberam um sinal mas, mesmo assim, têm dúvidas se realmente será um sinal ou não, falem com a divindade (ou, caso não saibam qual a divindade, falem no sentido da divindade que poderá estar a mandar-vos mensagem) e peçam para mandar algo mais claro. Exemplo:

"[Nome da Divindade] peço que, se realmente me estás a enviar um sinal, me envies, num prazo de 3 dias, sinais na forma de [algo específico]". 

ou 

"Se alguma divindade me está a tentar contactar via sinais, peço que envie, num prazo de 3 dias, sinais na forma do [algo específico]" 

Neste último cenário, um dos sinais específicos que podem pedir é a identidade da divindade através, por exemplo, de alguém que não esteja envolvido na Bruxaria ou Paganismo e que, pouco provavelmente, vos falaria de divindades pagãs. 

Não tenham medo de pedir às Divindades para serem mais claras ou mais óbvias, as Divindades não são más nem vingativas nem irão revoltar-se ou "castigar-vos" por pedirem sinais mais claros, pelo contrário, o facto de que estarem a querer clarificar esta comunicação entre vocês e as Divindades só demonstra um interesse e cuidado da vossa parte, ao invés de acreditarem cegamente em tudo o que acontece ao vosso redor. 

Por fim, não tenham medo se não conseguirem interpretar sinais. Há sinais que vão acontecer e vocês não vão notar e meses depois vão-se aperceber que era um sinal e que podiam ter visto mais cedo e isso é OK. É normal nem todos os sinais serem notados ou entendidos e é natural não conseguir entender ou descodificar certos sinais. Tal como é normal exactamente o oposto e não ter qualquer dificuldade na comunicação com as Divindades.

Acima de tudo recordem-se que a relação entre praticante/devoto e as Divindades é uma relação pessoal e única. A forma como vocês trabalham com uma certa divindade não será a mesma como outro praticante trabalha, ainda que a Divindade possa ser a mesma. Haverá pontos em comum, claro, principalmente a nível da forma de trabalho e oferendas e correspondências mas a própria interacção pessoal com a Divindade será diferente, tal como uma amizade com alguém é diferente. Se vocês têm dois amigos que são amigos entre eles, a relação entre eles e vocês e entre eles os dois será sempre diferente porque são dinâmicas e pessoas diferentes. No caso das Divindades ocorre exactamente da mesma forma. 

Não tenham medo de explorar a dinâmica com a Divindade com a qual se identificam ou com a qual trabalham. Recomendo também a leitura do nosso texto sobre Como Começar a Devoção aos Deuses. 

E vocês? Alguns conselhos para os nossos leitores? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Sreenivas)

Na prática de rituais mágicos e de celebrações em ritual, um dos pontos importantes é a comida. Na Wicca, por exemplo, é normal os ritos terem uma parte que se chamam, em inglês, "Cakes and Ale" onde são partilhadas comidas e bebidas. Apesar de muitos acharem que esta prática de comer durante ou após um ritual é apenas para estimular e melhorar o convívio entre as pessoas num círculo, na realidade, o comer após o ritual tem um papel fundamental no restabelecimento de energias. E é disso que vamos falar hoje. 

Como sabem, e já falamos anteriormente, a comida tem um papel importante na prática mágica e isso implica ter um papel activo na forma como os nossos rituais são estruturados. O que comemos antes de um ritual e o que comemos durante um ritual poderá ter efeito no próprio ritual em si, principalmente no ponto de vista da crença pessoal de cada um. São muitas as tradições religiosas, inclusive fora do Paganismo, onde há restrições alimentares por motivos religiosos seja não comer nunca um determinado alimento, fazer jejum durante um determinado período de tempo, só comer certos alimentos num dia específico, etc. No Paganismo, e na Bruxaria, também podemos ter deste tipo de práticas. 

Existem vários praticantes que optam por fazer jejum antes de dias de rituais grandes (como Sabbats ou Esbats) ou que optam por não comer carne durante este período. Segundo os mesmos, este tipo de alimentação permite a que o corpo esteja mais "desperto" e em sintonia com a Natureza, sem o consumo de carne. Este é um tipo de alimentação pré-ritual que pode ser adaptada nos caminhos individuais de cada um. Por exemplo, com base em características e registos históricos, um reconstrucionista pode tentar que, no dia em que celebra um evento especial, a sua alimentação seja restrita a pratos ou alimentos que fossem consumidos na altura em que o rito original era celebrado. A comida é uma das formas de ajudarmos o nosso corpo a entrar no mindset pretendido para o ritual, tal como o incenso ou a decoração do local, também a comida é uma ferramenta muito útil para nos colocar no momento certo e para recordar o nosso corpo que este é um momento especial que vai ser assinalado. 

Também durante ou após o ritual podem ser consumidas diversas comidas. É principalmente comum fazer-se isto quando são celebrações em grupo, dado que o momento de todos estarem a partilhar comida (idealmente, que todos tenham trazido um pouco) é uma altura excelente para conviver, conhecer-se mutuamente e ficar a saber um pouco mais ou por as conversas em dia dos praticantes presentes. Contudo é também o momento ideal para restabelecer energias. Um ritual, seja apenas devocional ou mágico, é algo que vai ser cansativo e vai tirar de nós energias (energias para trabalho mágico ou apenas energia pelo esforço de fazer a celebração) e nada melhor para repor as energias do que... comida! Esta é a altura ideal durante um rito para repor todas as energias que usamos ao longo do ritual e da prática mágica, claro, pode ser incorporado dentro do próprio rito como um momento de convivio para os membros ou, no caso de prática solitária, um momento de partilha de alimento e oferendas com as Divindades, em que estamos em repouso e a partilhar tranquilidade com os Deuses ou Entidades com as quais estamos a reunir naquele ritual. 

E vocês? Costumam ter práticas referentes à alimentação durante rituais? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Lee Myungseong)

No artigo de hoje vamos falar de um tema que considero ser sempre importante, principalmente para quem está a começar. Já falamos disto de certa forma anteriormente nos textos de "Auto-Proclamados Mestres" no Paganismo e Bruxaria ou Os Cuidados nas Comunidades Pagãs contudo não posso deixar de sentir que é essencial falarmos destes temas, principalmente enquanto estas situações acontecerem nas nossas comunidades e à nossa volta. Não podemos enfiar a cabeça na areia e fingir que dentro do Paganismo e da Bruxaria toda a gente é "do bem" e que não há riscos porque, como em tudo na vida, há sempre riscos. E acho que é importante darmos espaço para estes tópicos serem falados e conhecidos, pois só assim poderemos prevenir que estas situações ocorram. 

É normal quando começamos a trilhar o caminho no Paganismo ou na Bruxaria de sentirmos a necessidade de nos encaixar num grupo que nos compreenda, com o qual possamos aprender e ser ensinados, possamos celebrar festivais, fazer rituais e feitiços e desenvolver a nossa prática. O ser humano é um ser dado á socialização e, como tal, é 100% normal querer estar em grupos dentro das nossas práticas religiosas. Contudo encontrar o grupo certo pode ser uma tarefa complicada, principalmente em comunidades como as do Paganismo em Portugal, em que temos de saber onde procurar. 

Por isso quis fazer este artigo onde vamos falar de alguns sinais que vos DEVEM deixar desconfiados quando estão a conhecer novos grupos: 

  • Oferecem automaticamente iniciação: A realidade é que a maioria dos grupos dentro do Paganismo e da Bruxaria não estão ativamente a procurar expansão dos seus membros. Não somos proselitista nem queremos andar a converter pessoas, como tal, raramente os grupos estarão ativamente a procurar novas pessoas e, muito menos, a oferecer iniciação assim que conhecem alguém! A maioria dos grupos, seja dentro de práticas modernas ou tradicionais, poderá ter círculos externos ou eventos para conhecer novas pessoas mas nunca andará a tentar recrutar nem oferecer imediatamente iniciações e promessas.

  • Dizem que somos "especiais" ou que temos "poderes únicos": Este pode ser um dos argumentos, juntamente com o ponto acima da iniciação, para tentar convencer alguém a entrar para um grupo. Repito: Nenhum grupo de respeito tentará convencer pessoas a juntar-se a eles! E isto aplica-se também a fazer elogios deste género.  Apelar às nossas sensibilidades ou receios, através de nos elogiar ou fazer sentir especial, acaba por nos fazer baixar a guarda e querer confiar naquela pessoa, quando ela não tem intenções positivas. 

  • Recusam conhecer-se em locais abertos: Recusam encontrar-se pessoalmente em locais públicos como cafés, esplanadas, jardins, etc. Fazem questão de se encontrar em locais pouco movimentados ou até convidar as pessoas para ir diretamente a casa deles ou a um local que lhes pertença. Isto pode parecer uma informação muito óbvia para quem está habituado a estar na internet mas, infelizmente, ainda acontece nas nossas comunidades. Não se encontrem com pessoas que não conhecem pessoalmente, pela primeira vez, em locais privados. Façam-no sempre em locais públicos, com pessoas em vosso redor, informem os vossos amigos ou familiares onde vão estar e, se possível, vão acompanhados! Se a pessoa não aceitar bem… É um sinal que esse não é o sítio para vocês. 

  • Falam muito mal de outras comunidades ou dizem ter "inimigos": Todos sabemos que nem toda a gente se dá bem uns com os outros e é normal haver desentendimentos dentro de comunidades ou grupos que gostamos mais do que de outros. Contudo é um sinal de alerta de as pessoas que estamos a conhecer passam mais tempo a criticar o trabalho dos outros ou a falar mal de alguém do que a focar-se no seu próprio caminho. É ainda mais grave se insistem em "ter inimigos" e que é preciso esforços ativos para se protegerem deles. Isto é meio caminho andado para começarem a fazer pedidos estranhos (dinheiro, favores, etc) sobre o pretexto de se precisarem de "proteger" deste inimigos. É também uma forma de tentar afastar as pessoas da comunidade e, como tal, de isolá-las. 

  • A conversa rapidamente desvia para questões de dinheiro: A questão de dinheiro é uma questão sensível de se abordar dentro dos grupos porque há grupos que realmente cobram pelos ensinamentos ou pelos materiais e isso é válido. Contudo há que saber onde está a linha entre pagamentos válidos e pagamentos indevidos: Uma coisa é contribuir para comprar livros ou alugar um espaço para fazer rituais ou comprar materiais para fazer o ritual ou comida para partilhar. Outra coisa é encher os bolsos dos lideres para que possam comprar um carro novo ou uma casa nova, sem qualquer tipo de justificação ou uso público do dinheiro. Se as pessoas que estamos a começar a conhecer estiverem sempre a falar de falta de dinheiro ou problemas de dinheiro e constantemente a focar nesse aspecto, este é um sinal de alerta. E o mesmos se aplica se for o oposto: Se a pessoa estiver sempre a tentar mostrar o quanto dinheiro tem e como tem mais coisas ou mais posses ou mais instrumentos/baralhos/etc do que os outros. 

Infelizmente estes são pontos aos quais devemos prestar atenção na nossa busca por um grupo ou um coven ao qual pertencer e são sinais de alerta que nos podem ajudar a distinguir o que será uma experiência mais valiosa e o que poderá acabar por vir a ser um desastre. Como alguém que já teve de passar por um desastre desses, gosto de falar abertamente deste assunto e puder ajudar os nossos leitores a evitar estas situações e a dar-vos as ferramentas necessárias para que possam encontrar (ou até criar!) o vosso grupo ideal de forma segura e fácil! 

E vocês? Algumas dicas para os nossos leitores? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Levi Guzman)

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Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0