quinta-feira, 18 de abril de 2019

As Redes Sociais e as Comunidades Pagãs

abril 18, 2019 0 Comentários
Imagem Pixabay (Pixelkult)
Hoje em dia as redes sociais são uma parte quase que obrigatória no nosso quotidiano. Quase toda a gente tem Facebook, Instagram, Twitter, Snapchat, WhatsApp e muitas outras redes sociais. Esta possibilidade de contacto instantâneo entre pessoas permitiu o desenvolvimento de imensas comunidades e permitiu alargar os horizontes e as formas de comunicação, deixando de estar restritos a cartas escritas e a correio. Hoje em dia se alguém quiser saber mais sobre Paganismo e Bruxaria basta abrir o Google e começar a ler, procurar no Facebook e encontrar comunidades, ir ao Tumblr e encontrar referências e ir ver dicas e coisas artísticas para o Pinterest. As comunidades pagãs expandiram-se e hoje são muito comuns e de fácil acesso. E isto é fantástico! 

A tecnologia moderna permite-nos ter o conhecimento na ponta dos dedos e, para um Bruxo ou Bruxa, isso é uma ferramenta incrível. Há aplicações para saber informações astrológicas, fases da Lua e do Sol, correspondências mágicas e até para fazer de Livros das Sombras. Permitiu que pagãos de Portugal e do Brasil possam se conhecer, trocar ideias, opiniões e formas de viver. Conhecer culturas, práticas e métodos de trabalho. Existe todo um fantástico mundo por detrás das comunidades pagãs na Internet e também todo um novo tipo de Magia chamado "Tecnomagia" (recomendamos este video sobre Tecnomagia e Pop Magick da TCS) que veio abrir novos horizontes. 

Porém, outra coisa que a tecnologia moderna também trouxe, foi a possibilidade de debates e discussões em tempo real. E é aqui que as coisas complicam... Recordo-me de estar a ler um livro sobre como eram as comunidades pagãs na altura do surgimento da Wicca, por volta dos anos 50/60 e na altura não havia as formas de contacto que temos hoje. As comunicações eram feitas por cartas enviadas no correio, telefonemas (mas eram muito caros e a maioria optava por apenas escrever) e também por participações em revistas que eram lançadas para diversos grupos de pessoas, podendo através das mesmas haver discussões e respostas uns aos outros. O facto de que a comunicação era feita por carta, fazia com que houvesse um maior periodo de intervalo entre a nossa resposta e a resposta da outra pessoa. Isto não só acalmava os ânimos se fosse uma conversa mais acesa mas também dava uma maior janela de reflexão. Hoje em dia não temos isso. Se estivermos a discutir no Facebook e alguém discordar de nós, a nossa primeira acção é responder de imediato e chegamos a perder horas em discussões para trás e para a frente. 

Quando comecei nas comunidades, ainda na altura do MSN, eu passava horas (literalmente, horas) a discutir, a debater, a conversar e tentar ver o ponto de vista dos outros e mostrar o meu ponto de vista. E muitas vezes perdi energia desnecessária em discussões porque queria sempre ter a palavra e responder na hora, sem esperar. E, se há algo que a idade me ensinou, é que é bom esperar. É bom receber uma resposta e parar. Não começar logo a responder mas parar, reflectir e até ir fazer outras coisas enquanto deixamos que os ânimos dentro de nós acalmem. Era isto que nos nossos antepassados faziam, de forma involuntária, e isso permitia-lhes uma melhor visão da situação. Por vezes, as coisas por escrito, podem parecer ter uma conotação diferente daquela que o autor quer dar. Se eu escrever "Não concordo contigo!" posso parecer agressiva. Mas também posso apenas estar a exprimir que não concordo, sem agressividade. E fazer esta distinção com apenas uma frase escrita é complicado, porque não há entoação. E, no calor do momento, coisas podem ser mal interpretadas e ser apenas mais fogo para a fogueira. Todos já vimos discussões no Facebook que acabam acesas apenas por mal entendimentos. 

Não estou, de todo, a dizer que não devemos participar em debates, pelo contrário! Debates e convívios nas comunidades pagãs, a meu ver, são das melhores formas para alargar no nosso conhecimento e entender como os outros celebram as suas práticas, vêem o Mundo e os Deuses e permitem-nos alargar os nossos horizontes e até ajudam na reflexão própria do nosso caminho. Eu cresci, e continuo a crescer, imenso graças as comunidades em meu redor. Porém aprendi também a abrandar. Nem tudo tem de ser respondido no imediato, nem tudo tem de ser feito no "agora". Há uma necessidade actual pelo "abrandar". A sociedade moderna, graças à tecnologia, está a andar a 120km/h. É esperado de nós que estejamos 24/7h online, sempre disponível, sempre prontos a responder, a debater, a argumentar, a defender o nosso ponto de vista e a criticar o outro, atento a tudo e todos e isso nem sempre é bom... Pelo contrário, a necessidade de estar sempre alerta e sempre pronto a responder e a falar acaba por ser, a longo prazo, algo tóxico e que causa ansiedade. Um dos maiores problemas da nossa sociedade contemporânea é o elevado número de pessoas que sofrem de ansiedade e depressão, auxiliadas por estas redes sociais que esperam uma presença permanente da nossa parte. 

Parar, reflectir, dar um tempo às coisas é algo por vezes necessário e que ajuda a reflectir e, até, a ver as coisas de outra forma. Tal como regressamos a práticas antigas, cultuando os Velhos Deuses e a Natureza, podemos também incorporar na nossa vida aspectos da antiguidade e dos velhos tempos que nos sejam úteis e, um deles, é o abrandar o nosso ritmo. Não ter medo de ver uma resposta a um debate e dizer "Não, respondo mais logo" e fechar a aplicação e ir à nossa vida, pensando no assunto, reflectindo e só depois é que respondemos. Não é algo fácil, porque estamos condicionados ao modo de vida rápido mas, com o tempo, adaptamo-nos e vemos que acaba por trazer muitos benefícios. Não só a nível de saúde, dado que começamos a encarar as coisas com uma atitude mais serena, mas também a nível das nossas discussões que serão mais proveitosas. Isto porque com tempo para reflectir, podemos aprender mais sobre o debate que estamos a tentar e não ser uma coisa passageira. Quantas vezes já pensaram "Bolas, devia ter dito X ou Y naquela discussão"? Bem, tendo esta pausa entre respostas temos tempo para lembrar de tudo o que achamos que queremos dizer e porque queremos dizer e, desse modo, desenvolvemos respostas mais completas. 

E quem fala em abrandar, fala também em ignorar. Quantas discussões participamos que na realidade não nos trazem nada de novo? Em quantos debates participamos que em nada nos beneficiam? Outro convite que vos faço com este artigo é: Sempre que virem uma discussão numa rede social e queiram participar, parem e pensem "Que benefício me traz esta discussão? O que posso tirar esta conversa?" e vejam se é algo que vos beneficie e que tenha resultados positivos para a vossa vida. Para quê perder energia em coisas que têm impacto negativo e que apenas vos fazem mal? 

Não tenham medo de abrandar, de parar, não tenham medo de se abster ou de saltar discussões. Não existe obrigação de participação em tudo o que existe nem obrigação de estar sempre disponível. O tempo que temos é precioso e devemos usá-lo em coisas que nos são proveitosas e positivas. Aproveitem o vosso tempo e saibam geri-lo. 

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Cristais: Formatos e Tamanhos

abril 11, 2019 0 Comentários
Imagem Unsplash (Dan Farrell)
Hoje vamos começar uma pequena série sobre Cristais! Os cristais são uma excelente ferramenta para qualquer Bruxa ou Bruxo, são formas de ligação imediata com o elemento Terra e, ao mesmo tempo, são ferramentas muito diversificadas e com imensas forma de utilização. E é por serem partes são versáteis e importantes da prática diária é que vamos falar sobre cristais hoje. Vamos começar por fazer a distinção entre os vários formatos e tamanhos em que podemos adquirir cristais.

Os cristais podem ser adquiridos em dois formatos: Em bruto (ou seja, serem terem sido moldados pelo homem) ou em formato polido (tendo sido polidos para um determinado aspecto). Vamos aprofundar um pouco mais sobre algumas das formas mais comuns em que encontramos cristais. 

Pedras/Cristais em Formato Bruto
  • Biterminados
Imagem Wikipedia
Os cristais biterminados são cristais que possuem naturalmente duas pontas polidas. É comum encontrar cristais que tenham sido lapidadas para parecerem ter este aspecto, sem ser realmente o natural. Os cristais com este formato são bastante utilizados para trabalhos com chakras como limpezas e alinhamentos e também para centrar energias. 
  • Drusa
Imagem Unsplash (Carole Smile)
A drusa é, em termos geológicos, uma camada de cristais finos numa superfície rochosa. Por norma, em termos mágicos, são utilizadas como método de limpeza de outros cristais ou objectos e também para programação de energia de ambientes. 
  • Geodo
Imagem Wikipedia
Geodo (ou geode/geodes) são cristais provenientes de rochas vulcânicas ou sedimentares. Basicamente são cavidades nas rochas que estão revestidas por pontas de cristais. O exterior é, por norma, calcário. Em termos mágicos podem ser utilizados para amplificar energias e também como fontes de energia, para rituais ou trabalhos mágicos. 
  • Ponta
Imagem Wikipedia

Cristais em formato de ponta são cristais que, naturalmente, ficam num formato pontiagudo. Podem haver várias variações deste formato (ex: laser, etc). Podem ser de tamanho pequeno ou grande, dependendo do tipo de cristal sendo que os formatos de "laser" costumam ser do tamanho de uma mão ou pouco maiores, por serem mais sensíveis. Os cristais neste formato são utilizados para direccionamento de energias, ativação de outras pedras ou cristais e para processos de cura. 
  • Sem Formato/Amorfo

Imagem Pixabay (TessaMannonen)
Temos também os cristais em bruto e sem formatos definidos e que não se encaixam nos referidos acima. São cristais ou pedras que acabam por necessitar de uma manutenção mais constante e também atenção especial para garantir que não se quebram ou lascam, dado estarem num estado mais bruto. Estes são os mais comuns de ser ver à venda (para além das pedras polidas) e são bastante adaptáveis na prática diária. Possuem as características das respectivas pedras e cristais e podem ser utilizados da mesma forma que se utilizariam cristais polidos, para os diversos usos que cada pedra ou cristal tenha para oferecer. 


Pedras/Cristais Polidas
  • Rolada
Imagem Wikipedia
À semalhança das pedras brutas amorfas estes cristais rolados são dos mais comuns de encontrar à venda e, também, possuem imensas formas de uso. Em contrapartida com os seus pares em formato bruto, não requerem uma manutenção tão frequente dado que não correm o risco de lascar, por estarem devidamente moldadas. São de grande utilização em amuletos, saquetas, elixires e em qualquer trabalho mágico, as possibilidade são infinitas com estes cristais. 
  • Pirâmide
Imagem Wikipedia
Inspiradas nas grandes pirâmides presentes em tantas civilizações antigas, os cristais em forma de pirâmide são excelentes conductores de energia. Podem ser utilizados para controlar ou modificar o ambiente energético de um local ou para direccionar energia para um determinado propósito. 
  • Esfera
Imagem DeviantART - Rae134 
Cristais em forma de esfera são dos mais conhecidos e são muitas vezes associados às bolas de cristais. Se forem de um tamanho apropriado e um cristal que seja compatível com a prática, é possível utilizá-los como método divinatório de bola de cristal ou scrying. Como não têm lados, os cristais em formato de esfera conseguem emitir energia de forma suave, tal como o seu formato, em todas as direções. São excelente para utilizar em trabalhos sensíveis e para meditação, podendo brincar com o cristal enquanto medita. 
  • Ovo
Imagem MaxPixel 
Os cristais em formato de ovo são mais raro de encontrar mas possuem diversas utilizações. São comuns em práticas principais asiáticas e utilizados como métodos de relaxamento e anti-stress. Podem também ser utilizados em massagens, sessões de reiki ou de alinhamento de energias. 
  • Obelisco
Imagem Wikipedia
De formato semelhante à pirâmide e presente também no Mundo Antigo e na Arquitectura Moderna, o formato de cristais em obelisco pode ser utilizado para direccionamento de energias e para manipulação de energias em espaços. Os usos deste formato são muito semelhantes aos da pirâmide, apesar de que o obelisco, por ser mais vertical, acaba por ter uma energia um pouco mais activa e dinâmica. 

***

Estes são apenas alguns dos formatos mais populares nos quais podemos encontrar cristais. As características de cada cristal podem ser ampliadas pelo tipo de formato que lhe é dado. Uma drusa de citrino, por exemplo, é uma forma excelente para limpar outros cristais e objectos e uma pirâmide de quartzo rosa é uma forma fantástica para promover amor e harmonia um determinado espaço da casa. Os cristais têm formas variadas de ser utilizados e são uma ferramenta quase que indispensável! 

E vocês? Quais os vossos formatos favoritos de cristais?

quinta-feira, 4 de abril de 2019

O Tarot: Arcanos Maiores - VIII - A Força

abril 04, 2019 0 Comentários
VIII - A Força

Nome do Arcano: A Força
Número: VIII
Descrição: No baralho de Rider-Waite a Força é representada por uma mulher a gentilmente acariar um leão na sua cabeça e queixo. A mulher usa um robe branco e um cinto e coroa de flores. Acima da sua cabeça encontra-se o símbolo do infinito. *
Símbologia: Nesta carta leão representa as paixões primais e desejos e, ao domar o leão, a mulher, com a sua energia calma e carinhosa, demonstra que o instinto animal e a paixão primal podem ser expressadas de forma positiva. Se verificamos, ela não usa força física mas sim a sua força interior e determinação. A mulher usa um robe branco que demonstra a sua pureza e as flores na sua cabeça e cinto, representam as expressões puras da Natureza. O infinito, por cima da sua cabeça, fala-nos do potencial e sabedoria infinita da mulher.

Significado:

  • Posição Normal
Primordialmente a carta da Força representa a força interior e a capacidade de ultrapassar os obstáculos. Tal como a mulher da carta doma a fera que é o leão, também o consulente tem em si as ferramentas necessárias para ultrapassar e domar os obstáculos da vida. Há um compromisso para com um objectivo e a Força demonstra que o consulente tem todas as ferramentas necessárias para atingir o pretendido. Este Arcano ensina-nos que a força nem sempre vem de fora, mas de dentro e da nossa capacidade de liderar e de controlar-nos a nós mesmos e às nossas vontades e desejos primais e crus. A Força leva-nos a controlar a nossa "besta interior" de forma a que esta energia possa ser canalizada de forma produtiva e de forma a que nos ajude no nosso objectivo. Mesmo com medo, esta carta recorda-nos que devemos aceitar o medo e reconhecê-lo mas manter a nossa coragem e enfrentá-lo na mesma. É uma altura de ser consciente das nossas capacidades e reunir a nossa energia e moldar as nossas vontades primais para atingir a harmonia necessária para lidar com a situação em mãos.

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta da Força alerta-nos para a necessidade de parar e de cuidar de nós próprios. Será que temos energia e auto-confiança a mais ou estaremos esgotados e cansados? Esta carta recorda-nos a necessidade de parar para analisar a situação e voltar a atingir o equilíbrio. É preciso refletir e pensar em eventos passados, entender a nossa força e os nossos pontos fortes e nas nossas conquistas, porém, não devemos agir sem pensar nem tornar-nos explosivos. Seja em que posição estiver a Força, ela alerta-nos sempre para a necessidade da harmonia. É preciso rever os níveis de energia do consulente e entender qual o plano de acção a tomar, seja ele um foco nos cuidados próprios ou um foco na própria saúde, de forma a atingir o ponto de equilíbrio necessário. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 

quinta-feira, 28 de março de 2019

Análise Literária: "Paganism 101: An Introduction to Paganism by 101 Pagans"

março 28, 2019 0 Comentários
Título: Paganism 101: An Introduction to Paganism by 101 Pagans
Editor(es): Trevor Greenfield 
Pontuação
Descrição: "Paganism 101: An Introduction to Paganism by 101 Pagans" é uma introdução ao Paganismo escrita por 101 pagãos. Agrupados em três seções principais: "Quem somos", "O que acreditamos" e "O que fazemos" e com um total de vinte tópicos fundamentais para a compreensão das principais tradições pagãs. Estes tópicos têm uma introdução e são depois elaborados por outros seguidores e praticantes, dando ao leitor uma melhor visão da variedade e diversidade que o Paganismo oferece. 
Onde Comprar: BookDepository | Amazon 
Análise: Este é um livro que me é próximo dado que tive o prazer de participar nele e contribuir com um tópico porém não deixarei que isso influencie a minha opinião ou análise do livro. Considero que seja uma pena que o livro não esteja disponível em Português e apenas em Inglês porque uma das coisas que gosto acima de tudo é a diversidade de pontos de vista. Este livro é a prova da famosa frase "Faz uma pergunta a 10 pagãos e terás 11 respostas diferentes". Diversos pagãos contribuiram para a criação deste livro e isto é fantástico porque dá-nos toda uma perspectiva sobre cada um dos tópicos abordados seja Druidismo, Wicca, Bruxaria, etc. É uma forma de ver além da teoria que os livros normais nos ensinam e ouvir directamente dos praticantes como é que fazem as suas práticas, como são os seus caminhos e quais as diferenças. Conseguimos ver vários Wiccanos que, apesar de partilharem o título de Wiccanos, praticam caminhos significativamente diferentes e até têm pontos de vista diferentes sobre alguns assuntos e isso é importante, porque nos mostra e comprova, uma vez mais, a diversidade existente nas comunidades pagãs. O livro está muito bem organizado e separado em secções correspondente a diferentes caminhos dentro do Paganismo e cada secção é introduzida por um autor ou figura importante daquela comunidade sendo que depois conta com diversos contributos (de várias temáticas) de pagãos praticantes das respectivas tradições, traçando aqui a diferente entre os praticantes e também entre os praticantes e a figura ou autor que está a fazer a introdução ao tópico. Acho que o livro é um excelente trabalho e representação das comunidades pagãs, creio que a Editora (Moon Books) estava a pensar em fazer mais livros deste género mas não sei se acabou por fazer ou não porém é uma editora com bastantes bons recursos e também recomendo que dêem uma olhadela. No geral, espero que esta obra seja um dia traduzida para português para estar mais ao alcance das nossas comunidades!

quinta-feira, 21 de março de 2019

Religião e o Amor

março 21, 2019 0 Comentários

O tópico de hoje é um tema especial: Quero falar-vos de religião numa relação amorosa e como se coordena. Irei focar principalmente no meu caso, nomeadamente uma relação de dois pagãos de caminhos diferentes. Recomendo também o texto de uma grande amiga minha chamado "Mãe Pagã e Pai Ateu... e agora?" em que ela descreve aspectos da vida de casal entre ela e o esposo, sendo ela pagã e ele ateu e criam uma menina (super linda e fofa, se me permitem dizer!) juntos! Inspirada por esse texto decidi dissertar sobre relações amorosas em que os envolvidos são pagãos mas trilham caminhos diferentes.

Irei usar como exemplo a minha relação (estou numa relação monogâmica com um homem) mas o que descrevo aqui pode ser adaptado a todas as dinâmicas e tipos de relacionamento, como é óbvio!

No meu caso, eu e o meu companheiro somos os dois pagãos mas seguimos caminhos muito distintos: Eu sou Bruxa de Cozinha e Natural e Sacerdotisa de Hekate e Persephone, sendo que trabalho exclusivamente com o Panteão Helénico e de uma forma bastante moderna, seguindo a Roda do Ano (adaptada a minha prática e culto), celebrando as Fases da Lua, introduzindo liturgia da Fellowship of Isis e trabalhando também com o meu Iseum. Já o meu companheiro é mais tradicionalista, focando a sua prática exclusivamente, também, no Panteão Grego mas com uma visão mais arcaica, baseando-se nos registos históricos e na forma como a religião era praticada na Grécia Antiga (uma espécie de Reconstrucionismo Helénico adaptado e solitário). Ou seja, os nossos caminhos são bastante diferentes, dado que grande parte das minhas celebrações não são (necessariamente) celebradas por ele e, a visão dele das Divindades, é algo diferente da minha.

Enquanto eu vejo as Divindades como seres presentes no meu dia-a-dia com as quais eu posso estabelecer conexão, meditação, comunicar e receber sinais, o meu companheiro vê as Divindades como entidades desapegadas das questões mundanas mas que assistem, contudo, ao desenrolar das vidas dos mortais, podendo (ou não) testar os mesmos e apoiar nas suas demandas. Enquanto o meu namorado baseia a sua praxis pagã na forma de pensamento da Grécia Antiga, eu sou mais dada a seguir a minha intuição e aquilo que penso e medito como sendo o caminho certo para mim, sem me preocupar primeiramente com o aspecto reconstrucionista da mesma.

Ou seja... Apesar de partilharmos o amor pela mesma cultura e do mesmo panteão e de estabelecermos até conexão com as mesmas Divindades, temos formas muito diferentes de estabelecer estas ligações e até de praticar estas vivências. Porém, isso em nada invalida a nossa relação. Tal com a minha amiga fala no artigo dela, não podemos deixar que as diferenças dos nossos caminhos sejam o que define a nossa relação mas sim aquilo que temos em comum. Debatemos as nossas diferenças e esforçamo-nos para entender o modo de pensar e de ver a vida do outro. No entanto, não deixamos que elas sejam o que marca a forma como nos relacionamos. Podem haver discussões (aliás, as minhas amigas acham piada ao facto de o único motivo pelo qual eu e o meu companheiro discutimos é por política ou religião) mas, no fim, encontramos sempre um meio-termo porque sabemos que o mais importante é estar juntos e unir aquilo que temos rumo ao nosso objectivo comum.

Apesar de ainda não vivermos juntos, a conversa sobre como iremos adaptar as nossas rotinas pagãs à vida em casal surge ocasionalmente. Como faremos para realizar as nossas celebrações? E os altares? E a transmissão de valores pagãos a filhos ou filhas no futuro? Todas estas são questões que já surgiram no nossa interacção e acabamos por chegar sempre à mesma resposta: "Adaptamos". Mesmo hoje em dia, se o meu companheiro vier a minha casa e eu tiver um ritual nesse dia, ele não tem qualquer problema em ficar na conversa com a minha mãe enquanto eu o cumpro. Ou em ir comigo até a uma floresta para eu colher ervas ou materiais ou até fazer oferendas. Tal como eu o acompanho nas suas formas de expressão de devoção às Divindades. Inclusive até já adaptei algumas das coisas que ele faz na minha prática pessoal, porque me identifiquei! E o mesmo acontece com ele. Já lhe dei muitas coisas (cristais, receitas, etc) mágicas que não fazem parte da prática dele, porém sei que ele pode beneficiar disso e inclusive já chegou a usar várias.

Felizmente, conseguimos adaptar as nossas práticas e as nossas vidas para acomodar o outro sem nunca ferir as nossas práticas pessoais. Há coisas na minha prática com as quais ele não concorda e há coisas na dele com as quais eu também discordo. Mas nunca censuramos ou limitamos o outro no seu caminho. O truque está em reconhecer que para além de casal, somos também indivíduos e não devemos abdicar da nossa individualidade em fruto do relacionamento, dado que são "precisos dois para dançar o tango". De forma a que nossa relação funcione temos de garantir que cada um de nós é feliz e estável nos seus caminhos pessoais, podendo aceitar que os mesmos se cruzem ou não!

Assim sendo, quando vivermos juntos, esse será um dos nossos objectivos já pré-definidos: Respeitar o espaço e a prática do outro, dando espaço e tempo para as mesmas, adaptando-as no dia-a-dia e na rotina conjunta e, quando o assunto dos filhos vier à conversa, mostrando aos pequenos que há mais do que um caminho à escolha e apresentar a minha visão, a visão do pai e a até a visão de outros caminhos, guiando-os nesses trilhos e auxiliando a encontrar o caminho que eles acharem ser o certo para eles.

O maior conselho que eu posso dar, para alguém que esteja numa relação com alguém que também seja pagão mas não partilhe o mesmo caminho é o aceitar as diferenças e aceitar que nem tudo vai ser praticado em conjunto ou de forma unida. Cada um tem direito às suas práticas individuais e os caminhos pessoais de cada um e isso em nada invalida a relação que têm e o amor que partilham. É respeitando-se ambos e ao espaço de cada um, que uma relação se cria e se torna forte.

As raízes das árvores não discutem por estarem em direcções diferentes mas trabalham em conjunto para o objectivo final que é fazer crescer a árvore.
Aqui, é o mesmo. Respeitando as diferenças de cada um, trabalha-se rumo ao objectivo comum: Amor e Harmonia.

E vocês? Como são as vossas relações? ~ 

quinta-feira, 14 de março de 2019

Receitas: Incensos, Óleos e Poções de Limpeza & Purificação

março 14, 2019 0 Comentários

Hoje venho com algumas receitas de Incensos, Óleos e Poções para Limpeza e Purificação! 

Avisos: Recordamos que os incensos são incensos soltos e devem ser queimados com carvão litúrgico (próprio para incensos!). Quanto aos Óleos recordamos que devem garantir que não há alergia a nenhum componente antes de colocar o mesmo em contacto com a pele e para usar como óleos bases recomendamos óleo de jojoba ou azeite. Para as poções aconselhamos água natural (vinda de uma nascente) ao invés de água da torneira mas, na ausência de água natural, a da torneira ou água destilada será ideal.

Aconselhamos sempre a leitura de métodos de preparação de Incensos, Óleos, Banhos ou outros antes de realizar os mesmos. Poderão consultar os mesmos em livros, sites ou outros locais. Temos também alguns artigos aqui no blogue sobre a temática que podem consultar através do menu lateral. 

Estas receitas foram retiradas dos livros "Magical Household" e "The Complete Book of Incense, Oils and Brews" de Scott Cunningham caso queiram ir procurar outro tipo de receitas do mesmo género da que viram ou até informações adicionais sobre o tipo de poções e incensos.

Os ingredientes assinalados com * podem ser perigosos ou potencialmente venosos. Ter especial atenção para ler e investigar sobre ingrediente. 

  • Infusão de Purificação
Recolha partes iguais (cerca de um mão de cada) de alecrim, louro e manjerona secas. Aqueça aproximadamente quatro litros até estar quase a ferver e remova do calor, adicionando as ervas. Cubra e deixe arrefecer. Assim que estiver frio, é necessário filtrar a água e remover as plantas. Utilizando os seus dedos, e no sentido horário, circule pela casa e borrife a casa com a infusão, enquanto diz algo como:

"Bano todo mal e negatividade, 
Assim é a minha vontade, que assim seja"

Toque nas portas, janelas, eletrodomésticos, mobília e até no redor da casa com a água. Garanta que deita também pelos canos (lavatórios, duche, sanita, etc) e que visualiza sempre a água a purificar o espaço. 

  • Incenso Simples para Limpeza do Lar
Sândalo (1 parte)
Canela (1 Parte)

Misturar tudo nas quantidades desejadas e queimar conforme necessário.

  • Incenso para Purificação do Lar
Cedro (1 parte)
Sândalo (1 parte)
Mirra (1 parte)

Misturar tudo nas quantidades desejadas e queimar conforme necessário.

  • Incenso para Protecção
Manjericão (1/2 partes)
Olíbano (1 parte)
Mirra (1 parte)
Pinho (1 parte)
Sálvia (1/2 partes)

Misturar tudo nas quantidades desejadas e queimar conforme necessário.

  • Incenso de Purificação do Lar
Olíbano (3 partes)
Sangue-de-dragão (2 partes)
Mirra (1 parte)
Sândalo (1 parte)
Betónica (1 parte)
Sementes de Endro (1/2 partes)
Algumas gotas de óleo de Gerânio Rosa

Queimar para purificar a casa pela menos uma vez por mês, por exemplo, na Lua Cheia. É também aconselhável para situações de mudanças ou compras de casa na nova casa.

  • Incenso de Limpeza
Olíbano (3 partes)
Copal (3 partes) 
Mirra (2 partes)
Sândalo (1 parte) 

Este incenso é apropriado para ser queimado para limpar a casa de energias negativas, principalmente quando os membros da casa discutiram ou existiram conflitos. Também pode ser queimado quando o ambiente do lar se sente como estando pesado ou cheio de energias negativas ou conflituosas. É necessário deixar a janela aberta enquanto esta mistura arde. 

  • Óleo de Protecção
5 Gotas de Óleo Essencial de Laranja Amarga (Petitgrain)
5 Gotas de Pimenta Preta

Utilizar para protecção contra todo o tipo de ataques. Poderá também ser utilizado para untar portas, janelas ou outras partes da casa. 

  • Óleo de Protecção #2
4 Gotas de Manjericão 
3 Gotas de Gerânio
2 Gotas de Pinho
1 Gota de Vetiver

Utilizar tal como o óleo anterior.

  • Óleo de Purificação
4 Gotas de Olíbano
3 Gotas de Mirra
1 Gota de Sândalo

Adicionar ao banho ou utilizar para afastar a negatividade.

  • Óleo de Purificação #2
4 Gotas de Eucalipto
2 Gotas de Cânfora
1 Gota de Limão

Utilizar tal como o óleo anterior.

  • Banho de Proteção
Alecrim (4 partes)
Louro (3 partes)
Manjericão (2 Partes)
Funcho/Erva-Doce (2 Partes)
Endro (1 parte)

Para aumentar a protecção natural, tomar banho com esta mistura diária até se sentir mais forte.

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Espero que tenham gostado e qualquer dúvida ou outras receitas que queiram partilhar, os comentários estão sempre abertos.