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Shadow Work


Hoje vamos falar de uma temática que se tornou viral em tempos recentes em diversas plataformas tal como no "Witchtok", no Instagram e no Youtube: Vamos falar de Shadow Work ou, em português, do Trabalho com a Sombra. Primeiramente temos de entender o que é a Sombra

O conceito de "Sombra" surgiu ligada à psicologia analítica de Carl Jung, um psiquiatra suíço. Segundo Jung, a "Sombra" é um aspecto incosciente da personalidade que o ego não identifica em si mesmo, ou seja, o lado desconhecido. Contrariamente ao defendido por Freud, a Sombra de Jung pode conter tanto características positivas como negativas porém, como o ser humano tende a ignorar os traços em si mesmo que não gosta, esta acaba por ser constituída acima de tudo por características consideradas negativas. Para Jung, a Sombra corresponde ao lado desconhecido e negro da personalidade, ou seja, tudo aquilo que o ser humano recusa ou ignora existir em si. Na psicologia análitica a necessidade de conhecer, lidar e até unificar-nos com a nossa Sombra faz parte do processo de individuação, ou seja, faz parte de um processo psiquico durante o qual todos os aspectos da nossa personalidade e do nosso eu se integram para criar um todo único e estável. 

Este trabalho com a Sombra foi recentemente adoptado por várias comunidades new age e comunidades dentro da Bruxaria, tendo o seu boom recente feito com que este conceito de Sombra e este trabalho com a Sombra tenha ficado em destaque, contudo, nem sempre da melhor forma. 

O trabalho com a Sombra é uma das partes do processo de individuação da psicologia jungiana e, como tal, é sempre preferível que seja acompanhado por um profissional de saúde formado ou com conhecimento dentro desta vertente da Psicologia. As informações disponíveis online, principalmente em vídeos do "Witchtok" não são, nem de longe, suficientes para que este trabalho interno seja feito da melhor forma e com os melhores resultados. Isto é principalmente notável em pessoas que tenham sofrido traumas na infância ou ao longo da sua vida, que tenham tido dificuldades ou problemas como ansiedade, depressão e outras questões do foro psicológico dado que estar a lidar com estas memórias, traumas e triggers de forma sozinha e sem acompanhamento profissional faz mais mal do que faz bem. 

Nós alertamos frequentemente para o facto de que a melhor forma de trabalhar com a nossa Sombra e fazer Shadow Work é simplesmente ir ao terapeuta ou a um psicólogo. Não há vergonha nenhuma em fazer terapia e, para este propósito, é mais do que indicado dado que o próprio conceito de Sombra pertence à psicologia. Logo, quem melhor do que profissionais da área de onde este conceito surgiu para nos ajudar a trabalhar com ele e desenvolver o mesmo na nossa prática. 

O trabalho com a Sombra sem as devidas preparações e o devido acompanhamento pode trazer bastantes danos a médio e longo prazo. O facto de estarmos constantemente a forçar-nos a reviver traumas, reviver más memórias ou maus momentos com o intuito de "enfrentar a nossa sombra" vai acabar por causar danos na nossa psique porque estamos constantemente a reviver os nossos traumas ao invés de estarmos a lidar com eles. É nisto que um profissional de saúde poderá ajudar-nos da melhor forma, sabendo como lidar e como processar estas informações de forma a que as mesmas possam ser assimiladas, ao invés de piorarem o nosso estado mental e a nossa psique. 

A Bruxaria e o Paganismo não só podem como devem andar de mãos dadas com a ciência. Se partirmos um braço, vamos ao médico certo? Aqui é exactamente o mesmo processo, simplesmente para a nossa mente. Existem vários profissionais de saude na área da Psicologia que são formados em psicologia análitica/jungiana e que estão mais do que dispostos em auxiliar-vos neste processo. 

Adicionalmente, contrariamente ao que é divulgado nas redes sociais, principalmente no TikTok e no Instagram, o "Shadow Work" não é obrigatório na Bruxaria ou no Paganismo, não é uma parte essencial da vossa prática e a vossa prática não é menos válida por não fazerem "Shadow Work". Este conceito e esta prática, dentro das comunidades pagãs, é extremamente recente e só saltou para o destaque das comunidades em geral devido à propagação de vídeos dentro das plataformas sociais. Podem fazer processos de introspeção e meditação, tal como vários praticantes fazem, sem necessariamente precisarem de fazer Shadow Work ou trabalharem com os vossos traumas ou problemas ativamente na vossa prática, principalmente se não se sentirem confortáveis em fazer esse tipo de práticas. 

Não deixem que o vosso caminho seja julgado ou "mandado" por outras pessoas. Ao final do dia, o vosso caminho é isso mesmo: o VOSSO caminho. E se realmente têm interesse em fazer trabalho com a vossa Sombra, procurem um profissional de saúde com capacidade para trabalhar dentro da psicologia jungiana e façam uma marcação para iniciar este processo.

Crédito de Imagem: Unsplash (Stefano Pollio)
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Lançamento de Runas


Hoje vamos retornar à nossa série sobre Runas e vamos falar de tipos de lançamentos de runas para propósitos divinatórios. Vou abordar alguns tipos de lançamentos que podem ser utilizados e pode procurar online por mais ou até criar o seu próprio tipo de lanaçamento adaptado á sua prática individual ou ás divindades com as quais trabalha, se quiser que as mesmas estejam relacionadas com este método. 

Antes de fazer um lançamento de runas, como em todos os métodos divinatórios, encontre um local tranquilo onde possa se concentrar e focar no que está a fazer. Coloque um pano da cor desejada (branco ou roxo são cores ideais) e acenda uma vela ou incenso se preferir. Tenha as runas num saco ou num sitio de onde as possas tirar para as tiragens sem saber quais está a tirar (tal como faria com o Tarot ao embaralhar as cartas, por exemplo).

Tirada de uma Runa
Esta é a tiragem mais simples e pode ser utilizada para lançamentos diários, por exemplo, todas as manhãs ou noites para pedir um conselho. Tirar só uma runa e analisar o seu significado e as suas palavras chaves.


Tirada de Três Runas (Passado, Presente, Futuro)
Esta tiragem é uma tiragem apropriada para análise de situações. Vários praticantes acreditam que esta tiragem pode também estar ligada às Norms (as Deusas Nórdicas do Destino) dado que cada uma simbolizaria uma passagem do tempo (passado/presente/futuro). Para este lançamento basta retirar três runas e colocá-las, lado a lado e analisá-las com base nos seus significados e as suas posições no lançamento. 


Tirada em Cruz
Esta tiragem, como o nome indicada, é realizada em cruz. É apropriada para para ajudar no processo de tomadas de decisões ou de análises de situações que estejam a decorrer e para as quais necessitemos de conselhos. Tal como nos outros lançamentos, retiramos as runas e colocamo-las nas devidas posições, efetuando a análise conforme o seu significado vs a sua posição na leitura. 


1 - Influência do passado.
2 - Os desafios que virão.
3 - O suporte que existe.
4 - O resultado a curto prazo.
5 - O resultado final e qual a lição aprendida.

Tirada dos 9 Reinos
Esta leitura é efetuada com base nos 9 reinos ou mundos nórdicos da árvore Yggdrasil e cada um deles tem um significado/correspondência para resposta às nossas perguntas. Este tipo de leitura é principalmente útil em situações de meditações ou de análises pessoais ou anuais Tal como nos outros lançamentos, retiramos as runas e colocamo-las nas devidas posições, efetuando a análise conforme o seu significado vs a sua posição na leitura. 


1 - Asgard: Representa o "Eu", inspiração e honra.
2 - Vanaheim: Representa a fertilidade, paz, relacionamentos. 
3 - Light Alfheim: Representa a criatividade, artes e atividades mentais.
4 - Muspelheim: Representa a intuição, o fogo interior.
5 - Nifelheim: Representa a "Sombra" e as coisas escondidas. 
6 - Midgard: Representa o Ego, o mundano e as coisas do dia a dia. 
7 - Swartalfheim: Representa o trabalho e a transformação interior. 
8 -  Jotunheim: Representa o Animus, o conceito masculino e os mistérios e as coisas que não são o que parecem.
9 - Hel: Representa a Anima, o conceito feminino e o submundo, a morte e os renascimentos. 

Tirada Astrológica
Como o nome indica, esta tiragem está ligada à Astrologia e é simples de se efetuar. Cada casa astrológica tem a sua correspondência quanto ao campo ou área da nossa vida e faremos a análise com base na rua que calha em cada uma das casas e o que isso significa para nós. Este tipo de leitura é ideal para início do ano ou para previsões de determinados períodos de tempo. Tal como nos outros lançamentos, retiramos as runas e colocamo-las nas devidas posições, efetuando a análise conforme o seu significado vs a sua posição na leitura. 



Estas são apenas algumas das tiragens possíveis de efetuar com runas. Tal como os restantes métodos divinatórios, não tenham medo de usar a vossa intuição para inventar ou criar novos lançamentos ou para alterar certos significados. O trabalho com métodos divinatórios está muito assente no nosso trabalho com os utensílios, com a nossa intuição e forma de analisar e, cima de tudo, com a nossa relação com o tipo de método. 

Quais os vossos métodos favoritos? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Ksenia Yakovlela)
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Roda do Ano: Beltane

Nome do Festival: Beltane (pronuncia-se "bel-tane") ou Dia/Noite de Maio
Data Tradicional: 1 de Maio (No Hemisfério Norte) e 31 de Outubro (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 15º de Touro (HN) ou Sol a 15º de Escorpião (HS)
Etimologia: Beltane, etimologicamente, terá origem no gaelico "belo-tanos" que significava "fogo ardente" ou "fogo brilhante".
Correspondências de Cores: Vermelho, branco, rosa, amarelo e cores primaveris. 

Beltane é um dos oito festivais da Roda do Ano Wiccana e é celebrado no mês de Maio, no Hemisfério Norte. Este é o festival que assinala o pico da Primavera e o auge da fertilidade, os campos estão floridos, a Primavera já chegou e já se instalou em nosso redor, com os seus campos verdejantes, os animais em época de acasalamento e a frescura do bom tempo no ar. É também o famoso festival associado à "Wild Hunt" e ao Grande Rito, uma representação ritual (poderá ser feita com instrumentos ou de forma real) do acto sexual entre as duas divindades, como celebração da abundância e fertilidade que enche o Mundo neste momento, no pico da Primavera. Nesta celebração vemos, em algumas tradição, o foco em divindades voltadas para a Natureza como Cernunnos, Pan, Belenus, entre outros. É dado um foco, a nível da prática wiccana, à face do Deus como sendo o Deus Verde ("Green Man") e a sua existência enquanto Homem no seu auge da sua sexualidade e liberdade, representada pelas folhas verdejantes da natureza.

Beltane é a polaridade do festival de Samhain, o rito de honra aos Mortos e o momento em que o véu se torna fino, entre este reino e o Reino de Lá. Esta altura do ano, em Beltane, é também um momento de ligação aos Ancestrais mas de um ponto de vista diferente de como é feito em Samhain.. Enquanto em Samhain estamos num momento de introspecção, entrada no Inverno, e de reunião, em Beltane estamos num festival de luz e alegria, pelo que honramos os nossos Ancestrais com a celebração da fertilidade (e, em alguns casos, dando origem a novos seres que virão a nascer daqui a uns meses, no pico do Inverno, como é o caso da Deusa e do Deus). Adicionalmente as cinzas de uma fogueira de Beltane podem ser guardadas para serem utilizadas em rituais ou feitiços de fertilidade ao longo do ano!

Como celebração de fertilidade e de Primavera, grande parte das práticas associadas a este festival estão ligadas à sexualidade e à prosperidade. É nesta época que vemos os Mastros de Beltane, ou May Poles, e são feitas danças em volta do mesmo com muita alegria e boa disposição. Este é um Mastro que é erguido com diversas fitas de várias cores e flores e até folhas, à volta do qual se pode dançar, entrelaçando as fitas. Podem encontrar diversos vídeos online sobre danças à volta do Mastro de Beltane. Este Mastro representa, naturalmente, um falo e a sua ligação à fertilidade enquanto as fitas coloridas, entrelaçadas à volta do mesmo, representam a união entre o Deus e a Deusa, através da dança. Esta é uma excelente atividade para crianças e jovens, dado ser totalmente inocente e bastante divertida! Também as fogueiras são acendidas para representar o fogo dentro de nós e a paixão ardente. Em várias tradições, esta é a altura de assinalar os momentos de crescimento e prosperidade, sendo a altura para começar novos projectos e novas aventuras nos nossos caminhos. Podem ser criadas fogueiras para reunir grupos de amigos ou família para celebrar a noite de Beltane, mantendo-se acordados com jogos, brincadeiras, corridas, danças, comida, entre outros. 

A nível de alimentação e correspondências alimentares, não vou desenvolver muito dado que temos todo um artigo dedicado a esta temática no Bruxaria de Cozinha e Beltane que aconselho vivamente a lerem e tirarem algumas ideias para as vossas celebrações! 

E vocês? Como gostam de celebrar este festival? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Almos Bechtold)

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Análise Literária: "Do I Have to Wear Black?" de Mortellus

Capa do Livro
Título: Do I Have to Wear Black?: Rituals, Customs & Funerary Etiquette for Modern Pagans
Autor(es): Mortellus
Pontuação
Descrição: Explore a miríade de costumes que surgiram em torno da morte e do morrer nas comunidades mágicas e pagãs. Repleto de rituais, meditações, considerações legais e profundas percepções sobre a morte como um processo espiritual, este livro pode ser usado por praticantes de magia ou compartilhado com profissionais não pagãos que apoiam os pagãos nas suas transições finais. Nessas páginas, você descobrirá mais de cinquenta rituais para funerais, memoriais e lembranças, bem como meditações para lamentar e deixar ir. Cada capítulo compartilha as crenças e rituais específicos de uma tradição distinta, incluindo Wicca Tradicional Britânica, Discordianismo, Wicca Eclética, Heathenry, Reconstrucionismo Helênico, Kemetismo, Neo-Druidismo e Thelema. Com contribuições de dez praticantes, Do I Have to Wear Black? oferece uma infinidade de ritos mágicos e explicações detalhadas em um manual prático conveniente.
Onde Comprar*: Book Depository 
AnáliseTive a oportunidade de ler este livro numa cópia avançada, fornecida via NetGalley, em troca de uma crítica/análise honesta. 

Eu já conhecia o trabalho de Mortellus à algum tempo devido às redes sociais mas fiquei muito contente quando a Editora me deu a possibilidade de ler e analisar o livro aqui para o blogue. Este livro é fantástico. Não tenho outra palavra para descrever, é um livro que fazia muita falta nas nossas comunidades.

Infelizmente o tópico da morte é ainda um tópico tabú nas nossas comunidades e acabamos por não falar muito dele, seja dentro dos nossos grupos ou até no nosso dia a dia na sociedade. Ainda há muita vergonha e hush-hush por detrás do tópico da morte e da passagem para o pós-vida. Este livro vem desmitificar e dar recursos quanto a este assunto. O livro está dividido em temas importantes como:
  • Informações e guias sobre como os funerais modernos e a indústria funerária funciona com descrições dos métodos para processamento dos corpos, métodos de funcionamento das funerárias e dos rituais de honra típicos da nossa sociedade, os nossos direitos, como funciona os pedidos, como garantir que os nossos desejos são respeitados na norte, etc.
  • Costumes e prática funerárias em variadas tradições (tal como Wicca Tradicional, Druidismo, Wicca Eclética, Helenismo, Heathenry, Kemetismo, Thelema, etc.). Este capítulo é riquíssimo e inclui descrições e informações por parte de praticantes de cada caminho, rituais, orações e como nos comportar e agir em cerimónias funerárias de cada prática. 
  • Formas para lidar e gerir a passagem de animais de companhia, mortes prolongas, suicídios, passagem de crianças, etc. Este capitulo conta também com vários rituais, orações e formas de auxiliar as pessoas que estejam a passar por momentos complicados como estes. 
Por fim o livro tem um capítulo sobre o luto no Paganismo e a forma como o mesmo é encarado e lidado nas nossas comunidades. Ao longo de todo o livro existe informações e recursos para trabalhar nas nossas comunidades, seja enquanto membros ou enquanto Sacerdotes/Sacerdotisas dos nossos grupos. Este é um livro extremamente completo e que acho que é fulcral para iniciar tópicos de discussão acerca da morte e do luto nas nossas comunidades. 

Como Pagãos reconhecemos a importância dos ciclos da Natureza, dos ciclos das estações e do ciclo da Vida/Morte/Vida e, como tal, é importante termos a capacidade para abordar e falar da morte e da passagem e do luto de forma aberta e sincera nas nossas comunidades, seja a nível da nossa prática individual, da nossa tradição ou da tradição dos nossos amigos e companheiros de caminho, que também são importantes. Achei este livro simplesmente fantástico e recomendo-o vivamente a todos os interessados em explorar mais esta temática.

E vocês? Já leram? Que acharam? 

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 
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Reconhecer os Sinais das Divindades

Um dos principais temas que surge com as pessoas que estão interessadas em começar com o trabalho devocional a Divindades é o tema dos sinais: Como reconhecer os sinais, como saber se realmente é uma divindade ou se poderá ser uma coincidência, como ter a certeza, etc. E é exactamente isso que vamos falar hoje. Antes de começar, um recurso muito bom sobre sinais com as divindades é o video da TCS sobre o tema, é um video que costumo recomendar frequentemente. 

É normal quando começamos a lidar com divindades ou entidades recebermos sinais das mesmas: Estes podem ser sinais com mensagens, sinais para prestarmos atenção a Elas, chamados para sacerdócio, avisos ou alertas para certas situações, pedidos, etc. Existem vários motivos porque podemos estar a receber sinais, ás vezes, ainda antes de começarmos activamente a lidar com entidades ou divindades. Porém, no início, é bastante complicado conseguir distinguir o que é realmente um sinal e o que é apenas... uma coincidência. Ou um acontecimento da vida normal. Conforme formos evoluindo a nossa prática e estabelecendo a nossa relação de trabalho/devoção com as divindades, iremos começar a desenvolver esta capacidade de interpretação das coisas em nosso redor e tornar-se-à mais fácil, contudo, no início pode ser complicado. 

O que podemos fazer nestas situações, em que estamos na dúvida?

O primeiro passo quando achamos que recebemos um sinal é parar e analisar. O sinal é algo que pode acontecer muito facilmente no nosso local? Por exemplo, imaginemos que o nosso vizinho tem cães e, à noite, ouvimos cães a uivar. Será um sinal? Provavelmente não. Provavelmente será apenas os cães do vizinho. Agora numa situação em que não temos cães à volta e sabemos que nenhum vizinho tem cães e ouvimos claramente uivar de cães? Aí poderá ser um sinal. 

Um dos conselhos que dou uma vez é "Se ouvires cascos, pensa em cavalos e não em zebras". Ou seja se acontecer algo pensem primeiro na resposta mundana e só depois na mágica, porque a mundana é muito mais provável de acontecer. É necessário fazer uma triagem aos possíveis sinais para entender se será algo do nosso dia-a-dia e comum ou se será algo mesmo relacionado com um sinal. Alguém que viva à beira-mar não vai achar que uma pena de gaivota é um sinal mas alguém que vive numa montanha a kms de distância do mar provavelmente vai achar! É isso que precisamos de fazer a distinção para nos ajudar a interpretar os sinais, analisar as possibilidades e quais as probabilidades de tal evento acontecer no sítio onde estamos ou nas circunstâncias em que nos encontramos. 

Mas e quando analisamos tudo e, mesmo assim, estamos na dúvida porque é uma situação muito recorrente (mais do que o normal) ou porque é improvável mas deixa dúvidas? Nesse caso, não tenham medo de conectar com a Divindade. No Paganismo, e até na Bruxaria, as Divindades não são figuras distantes no céu completamente incontactáveis. As Divindades estão ao nosso alcance para estabelecer comunicação entre nós e Elas, por isso, numa situação em que acham que receberam um sinal mas, mesmo assim, têm dúvidas se realmente será um sinal ou não, falem com a divindade (ou, caso não saibam qual a divindade, falem no sentido da divindade que poderá estar a mandar-vos mensagem) e peçam para mandar algo mais claro. Exemplo:

"[Nome da Divindade] peço que, se realmente me estás a enviar um sinal, me envies, num prazo de 3 dias, sinais na forma de [algo específico]". 

ou 

"Se alguma divindade me está a tentar contactar via sinais, peço que envie, num prazo de 3 dias, sinais na forma do [algo específico]

Neste último cenário, um dos sinais específicos que podem pedir é a identidade da divindade através, por exemplo, de alguém que não esteja envolvido na Bruxaria ou Paganismo e que, pouco provavelmente, vos falaria de divindades pagãs. 

Não tenham medo de pedir às Divindades para serem mais claras ou mais óbvias, as Divindades não são más nem vingativas nem irão revoltar-se ou "castigar-vos" por pedirem sinais mais claros, pelo contrário, o facto de que estarem a querer clarificar esta comunicação entre vocês e as Divindades só demonstra um interesse e cuidado da vossa parte, ao invés de acreditarem cegamente em tudo o que acontece ao vosso redor. 

Por fim, não tenham medo se não conseguirem interpretar sinais. Há sinais que vão acontecer e vocês não vão notar e meses depois vão-se aperceber que era um sinal e que podiam ter visto mais cedo e isso é OK. É normal nem todos os sinais serem notados ou entendidos e é natural não conseguir entender ou descodificar certos sinais. Tal como é normal exactamente o oposto e não ter qualquer dificuldade na comunicação com as Divindades.

Acima de tudo recordem-se que a relação entre praticante/devoto e as Divindades é uma relação pessoal e única. A forma como vocês trabalham com uma certa divindade não será a mesma como outro praticante trabalha, ainda que a Divindade possa ser a mesma. Haverá pontos em comum, claro, principalmente a nível da forma de trabalho e oferendas e correspondências mas a própria interacção pessoal com a Divindade será diferente, tal como uma amizade com alguém é diferente. Se vocês têm dois amigos que são amigos entre eles, a relação entre eles e vocês e entre eles os dois será sempre diferente porque são dinâmicas e pessoas diferentes. No caso das Divindades ocorre exactamente da mesma forma. 

Não tenham medo de explorar a dinâmica com a Divindade com a qual se identificam ou com a qual trabalham. Recomendo também a leitura do nosso texto sobre Como Começar a Devoção aos Deuses

E vocês? Alguns conselhos para os nossos leitores? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Sreenivas)

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Como Fazer as Próprias Runas

Hoje vamos voltar à nossa série sobre Runas e vamos falar como podemos criar as nossas próprias runas. As runas são um método divinatório, como vimos anteriormente, e podem ser compradas em qualquer loja esotérica ou mística, estando inclusive disponível online em vários sites. Contudo, muitos praticantes optam por criar os seus próprios sets de runas. Não só é mais barato do que comprar um conjunto numa loja mas também permite ao praticante ter uma ligação directa com o seu conjunto de runas, dado que desde a criação até à sua utilização, tudo passou pelas mãos da mesma pessoa. Os conjuntos de runas podem ser feitos de vários tipos de materiais como madeira, cristais, pedra, papel, barro, cartão, metal, etc. A imaginação é, literalmente, o limite. 

Muitos praticantes optam por (tal como mostra a foto) adquirir pequenos pedaços de madeira, de tamanhos parecidos, e desenhar ou gravar os símbolos de cada runa em cada pedaço de madeira. Isto pode ser feito com madeira já cortada, comprada de uma loja, ou pode ser feito com madeira cortada pelo praticante de ramos colhidos na natureza. Recordamos que quando colherem ramos da Natureza devem garantir que têm autorização do proprietário das terras em questão e, acima de tudo, que têm de autorização da planta (caso seja madeira viva) e deixem sempre oferendas ou algum tipo de agradecimento (pode ser água ou comida para os animais locais) pela madeira que vos foi dada. A forma como pretendem posteriormente decorar os pedaços de madeira irá depender do gosto de cada um: Pintado, cravado, pirogravado, etc. 

Outra forma de criar as próprias runas é, por exemplo, com pedras de um riacho ou da praia. Isto é principalmente bom para quem tem uma prática com muita influência marítima e gosta de trabalhar junto do mar ou com as energias do mar (ou do rio!). Para isso basta recolher algumas pedras, preferencialmente que tenham estado recentemente ou estejam em contacto com a água do corpo de água onde estamos a recolher, e tentar garantir que as mesmas são sensivelmente do mesmo tamanho/forma e polidas ou, pelo menos, com espaço onde possa ser feito o desenho da runa. Depois é necessário limpar as pedras e desenhar o símbolo. Nas pedras o símbolo pode ser pintado com tinta e envernizado ou pode ser apenas pintado directamente com tinta permanente. Podem também ser gravado, se tiverem experiência e os equipamentos necessários, para efetuar gravação em rocha (este tipo de gravação NÃO deve ser feito sem as necessárias precauções e conhecimentos técnicos dado que é bastante perigoso). 

Também o barro é uma forma bastante interessante de criar runas! Existe barro que necessita de ir ao forno e existe barro que não precisa, ambos podem ser utilizados para criar runas. Para isso basta apenas moldar o barro em formato das peças de runa, do tamanho que preferirem. Depois ou marcam o símbolo da runa antes de levar ao forno/deixar repousar ou, se quiserem, podem posteriormente pintar o símbolo na runa. Fica verdadeiramente ao critério de cada praticante como preferem fazer a parte da decoração das runas. Quanto á cor, fica também à preferência de cada um. Podem usar barro normal, barro colorido, combinações de cores, etc. Aconselho, neste método, a estudar um pouco sobre cada runa e se quiserem tentar personalizar cada uma às características e cores associadas, poderá dar um aspecto diferente ao conjunto. 

Como falei no início existem mil e uma formas de criar os próprios conjuntos de runas e, infelizmente, não temos espaço para falar de todas elas. Estas três são as formas mais fáceis e acessíveis para criar os vossos próprios sets mas a liberdade é toda vossa e não tenham medo de adaptar e criar aquilo que vos chama mais ou que vos parece mais prático para a vossa prática pessoal. Existe, inclusive, sets de runas em formatos de cartas (de baralho), por isso, não tenham medo de inovar. Se funcionar para vocês e permitir-vos trabalhar com as runas de uma forma eficaz, é o que interessa.

E vocês? Já criaram as vossas próprias runas? Contem como correu. 

Crédito de Imagem: Pixabay (shubina_e)
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Alimentação Pré-Ritual e Ritual

Na prática de rituais mágicos e de celebrações em ritual, um dos pontos importantes é a comida. Na Wicca, por exemplo, é normal os ritos terem uma parte que se chamam, em inglês, "Cakes and Ale" onde são partilhadas comidas e bebidas. Apesar de muitos acharem que esta prática de comer durante ou após um ritual é apenas para estimular e melhorar o convívio entre as pessoas num círculo, na realidade, o comer após o ritual tem um papel fundamental no restabelecimento de energias. E é disso que vamos falar hoje. 

Como sabem, e já falamos anteriormente, a comida tem um papel importante na prática mágica e isso implica ter um papel activo na forma como os nossos rituais são estruturados. O que comemos antes de um ritual e o que comemos durante um ritual poderá ter efeito no próprio ritual em si, principalmente no ponto de vista da crença pessoal de cada um. São muitas as tradições religiosas, inclusive fora do Paganismo, onde há restrições alimentares por motivos religiosos seja não comer nunca um determinado alimento, fazer jejum durante um determinado período de tempo, só comer certos alimentos num dia específico, etc. No Paganismo, e na Bruxaria, também podemos ter deste tipo de práticas. 

Existem vários praticantes que optam por fazer jejum antes de dias de rituais grandes (como Sabbats ou Esbats) ou que optam por não comer carne durante este período. Segundo os mesmos, este tipo de alimentação permite a que o corpo esteja mais "desperto" e em sintonia com a Natureza, sem o consumo de carne. Este é um tipo de alimentação pré-ritual que pode ser adaptada nos caminhos individuais de cada um. Por exemplo, com base em características e registos históricos, um reconstrucionista pode tentar que, no dia em que celebra um evento especial, a sua alimentação seja restrita a pratos ou alimentos que fossem consumidos na altura em que o rito original era celebrado. A comida é uma das formas de ajudarmos o nosso corpo a entrar no mindset pretendido para o ritual, tal como o incenso ou a decoração do local, também a comida é uma ferramenta muito útil para nos colocar no momento certo e para recordar o nosso corpo que este é um momento especial que vai ser assinalado. 

Também durante ou após o ritual podem ser consumidas diversas comidas. É principalmente comum fazer-se isto quando são celebrações em grupo, dado que o momento de todos estarem a partilhar comida (idealmente, que todos tenham trazido um pouco) é uma altura excelente para conviver, conhecer-se mutuamente e ficar a saber um pouco mais ou por as conversas em dia dos praticantes presentes. Contudo é também o momento ideal para restabelecer energias. Um ritual, seja apenas devocional ou mágico, é algo que vai ser cansativo e vai tirar de nós energias (energias para trabalho mágico ou apenas energia pelo esforço de fazer a celebração) e nada melhor para repor as energias do que... comida! Esta é a altura ideal durante um rito para repor todas as energias que usamos ao longo do ritual e da prática mágica, claro, pode ser incorporado dentro do próprio rito como um momento de convivio para os membros ou, no caso de prática solitária, um momento de partilha de alimento e oferendas com as Divindades, em que estamos em repouso e a partilhar tranquilidade com os Deuses ou Entidades com as quais estamos a reunir naquele ritual. 

E vocês? Costumam ter práticas referentes à alimentação durante rituais? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Lee Myungseong)

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Red Flags na Procura de Covens/Grupos

No artigo de hoje vamos falar de um tema que considero ser sempre importante, principalmente para quem está a começar. Já falamos disto de certa forma anteriormente nos textos de "Auto-Proclamados Mestres" no Paganismo e Bruxaria ou Os Cuidados nas Comunidades Pagãs contudo não posso deixar de sentir que é essencial falarmos destes temas, principalmente enquanto estas situações acontecerem nas nossas comunidades e à nossa volta. Não podemos enfiar a cabeça na areia e fingir que dentro do Paganismo e da Bruxaria toda a gente é "do bem" e que não há riscos porque, como em tudo na vida, há sempre riscos. E acho que é importante darmos espaço para estes tópicos serem falados e conhecidos, pois só assim poderemos prevenir que estas situações ocorram. 

É normal quando começamos a trilhar o caminho no Paganismo ou na Bruxaria de sentirmos a necessidade de nos encaixar num grupo que nos compreenda, com o qual possamos aprender e ser ensinados, possamos celebrar festivais, fazer rituais e feitiços e desenvolver a nossa prática. O ser humano é um ser dado á socialização e, como tal, é 100% normal querer estar em grupos dentro das nossas práticas religiosas. Contudo encontrar o grupo certo pode ser uma tarefa complicada, principalmente em comunidades como as do Paganismo em Portugal, em que temos de saber onde procurar. 

Por isso quis fazer este artigo onde vamos falar de alguns sinais que vos DEVEM deixar desconfiados quando estão a conhecer novos grupos: 

  • Oferecem automaticamente iniciação: A realidade é que a maioria dos grupos dentro do Paganismo e da Bruxaria não estão ativamente a procurar expansão dos seus membros. Não somos proselitista nem queremos andar a converter pessoas, como tal, raramente os grupos estarão ativamente a procurar novas pessoas e, muito menos, a oferecer iniciação assim que conhecem alguém! A maioria dos grupos, seja dentro de práticas modernas ou tradicionais, poderá ter círculos externos ou eventos para conhecer novas pessoas mas nunca andará a tentar recrutar nem oferecer imediatamente iniciações e promessas.

  • Dizem que somos "especiais" ou que temos "poderes únicos": Este pode ser um dos argumentos, juntamente com o ponto acima da iniciação, para tentar convencer alguém a entrar para um grupo. Repito: Nenhum grupo de respeito tentará convencer pessoas a juntar-se a eles! E isto aplica-se também a fazer elogios deste género.  Apelar às nossas sensibilidades ou receios, através de nos elogiar ou fazer sentir especial, acaba por nos fazer baixar a guarda e querer confiar naquela pessoa, quando ela não tem intenções positivas. 

  • Recusam conhecer-se em locais abertos: Recusam encontrar-se pessoalmente em locais públicos como cafés, esplanadas, jardins, etc. Fazem questão de se encontrar em locais pouco movimentados ou até convidar as pessoas para ir diretamente a casa deles ou a um local que lhes pertença. Isto pode parecer uma informação muito óbvia para quem está habituado a estar na internet mas, infelizmente, ainda acontece nas nossas comunidades. Não se encontrem com pessoas que não conhecem pessoalmente, pela primeira vez, em locais privados. Façam-no sempre em locais públicos, com pessoas em vosso redor, informem os vossos amigos ou familiares onde vão estar e, se possível, vão acompanhados! Se a pessoa não aceitar bem… É um sinal que esse não é o sítio para vocês. 

  • Falam muito mal de outras comunidades ou dizem ter "inimigos": Todos sabemos que nem toda a gente se dá bem uns com os outros e é normal haver desentendimentos dentro de comunidades ou grupos que gostamos mais do que de outros. Contudo é um sinal de alerta de as pessoas que estamos a conhecer passam mais tempo a criticar o trabalho dos outros ou a falar mal de alguém do que a focar-se no seu próprio caminho. É ainda mais grave se insistem em "ter inimigos" e que é preciso esforços ativos para se protegerem deles. Isto é meio caminho andado para começarem a fazer pedidos estranhos (dinheiro, favores, etc) sobre o pretexto de se precisarem de "proteger" deste inimigos. É também uma forma de tentar afastar as pessoas da comunidade e, como tal, de isolá-las. 

  • A conversa rapidamente desvia para questões de dinheiro: A questão de dinheiro é uma questão sensível de se abordar dentro dos grupos porque há grupos que realmente cobram pelos ensinamentos ou pelos materiais e isso é válido. Contudo há que saber onde está a linha entre pagamentos válidos e pagamentos indevidos: Uma coisa é contribuir para comprar livros ou alugar um espaço para fazer rituais ou comprar materiais para fazer o ritual ou comida para partilhar. Outra coisa é encher os bolsos dos lideres para que possam comprar um carro novo ou uma casa nova, sem qualquer tipo de justificação ou uso público do dinheiro. Se as pessoas que estamos a começar a conhecer estiverem sempre a falar de falta de dinheiro ou problemas de dinheiro e constantemente a focar nesse aspecto, este é um sinal de alerta. E o mesmos se aplica se for o oposto: Se a pessoa estiver sempre a tentar mostrar o quanto dinheiro tem e como tem mais coisas ou mais posses ou mais instrumentos/baralhos/etc do que os outros. 

Infelizmente estes são pontos aos quais devemos prestar atenção na nossa busca por um grupo ou um coven ao qual pertencer e são sinais de alerta que nos podem ajudar a distinguir o que será uma experiência mais valiosa e o que poderá acabar por vir a ser um desastre. Como alguém que já teve de passar por um desastre desses, gosto de falar abertamente deste assunto e puder ajudar os nossos leitores a evitar estas situações e a dar-vos as ferramentas necessárias para que possam encontrar (ou até criar!) o vosso grupo ideal de forma segura e fácil! 

E vocês? Algumas dicas para os nossos leitores? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Levi Guzman)

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Como começar Devoção aos Deuses


O tema de hoje é um assunto sobre o qual recebo muitas perguntas e contactos por parte dos nossos leitores e de pessoas da comunidade do Paganismo ou Bruxaria em geral. O trabalho ou a devoção às Divindades é algo que muita gente tem receio de começar ou, então, não sabe ao certo quais os primeiros passos a dar. E é exactamente isso que pretendo abordar no artigo de hoje. 

Começar a trabalhar ou a prestar culto devocional a uma divindade pode ser um pouco assustador para quem está a começar a praticar Bruxaria ou Paganismo, dado que passa a incluir na prática diária uma presença externa sobre a qual não temos controlo e com a qual estamos a começar a estabelecer uma relação. Por norma, não costumo recomendar que iniciantes saltem de imediato para trabalho com Divindades, não só porque este trabalho acaba por acarretar mais responsabilidades mas também porque pode ser complicado no início saber por onde começar e como começar. Incluir uma divindade na nossa prática, principalmente do ponto de vista políteista, implica todo o novo tipo de esforço e estudo acerca da divindade, da sua mitologia, da sua história, da cultura de onde é originária, das correspondências, das práticas, dos epítetos, entre outros pontos que são chave para uma prática estável e equilibrada com esta Divindade. Daí, pessoalmente, não recomendar que "mergulhem de cabeça" logo neste tipo de caminhos mas começar por adquirir algumas bases como saber o que é o Paganismo e distinguir Conceitos, ler alguns livros sobre Paganismo e Bruxaria e obter bases sobre as quais começar a desenvolver esta prática devocional. 

Contudo, para quem sente que já está no momento em que se sente pronto para iniciar esta nova jornada na sua prática individual, aqui estão algumas dicas sobre como começar o trabalho com Divindades: 
  • O primeiro passo para um trabalho devocional é... ler! Ler sobre a Divindade: os seus mitos, correspondências, ler sobre a cultura de onde essa divindade veio, ler as práticas e as formas devocionais que eram feitas em honra da divindade na Antiguidade, etc. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o estarmos a dedicar o nosso tempo aquela divindade, através de leituras e investigações, já é um acto devocional porque estamos a dar àquela divindade parte do nosso tempo e não há nada mais precioso do que o nosso tempo! 

  • Para além de ler bastante e investigar mais sobre a divindade (ou divindades) com as quais pretendem começar o trabalho devocional, podem também começar a estabelecer contacto aos poucos através de meditações, oferendas simples (velas, água ou liquidos, incenso, etc). Não estranhem se ao início não sentirem nada ou estiverem confusos, pode demorar. 

  • Não tentem apressar! Vejam uma relação com uma Divindade tal como vêem relações com pessoas no vosso dia-a-dia. Não chegam ao pé de um estranho, oferecem uma prenda uma vez e esperam que ele seja o vosso melhor amigo, pois não? Com as Divindades é igual. As relações demoram tempo e trabalho a serem desenvolvidas, é preciso trabalho constante, devoção e dedicação para que esta relação possa florescer e tornar-se numa relação estável e duradoura. 

  • Não assumam que tudo é sinais. É normal no início da nossa prática devocional achar que tudo o que vemos é um sinal da divindade que estamos a tentar contactar. Contudo, nem tudo é sinais. Aliás o mais provável é não ser. Se receberem algo que achem que pode ser um sinal sigam primeiro o caminho da lógica: Existe algum motivo lógico/físico para isto ter acontecido? Sigam esses passos primeiros. Se necessário consultem um método divinatório (pêndulo, tarot, runas, etc.) para saber se realmente terá sido um sinal ou não. Peçam mais sinais. Não tenham medo de comunicar com a divindade mas também não achem que tudo é um sinal. Recomendo o vídeo da TCS para ajudar a reconhecer sinais das Divindades.

  • Não façam promessas que não conseguem cumprir! É muito normal ouvirmos falar de votos a Divindades, promessas, juras, comprometimentos, etc. Contudo este tipo de práticas não deve ser feito de ânimo leve! Dedicar a nossa vida a uma divindade ou fazer uma promessa a uma divindade é algo sério e não devemos fazê-lo sem ter 100% certeza que conseguimos cumprir. Isto é especialmente importante para quem está a começar. É normal que quando estamos a começar tenhamos todo o entusiasmo e ânimo de achar que "esta é a divindade com a qual quero trabalhar para o resto da minha vida inteira". E até pode ser. Mas também pode não ser... Não devemos comprometer-nos a algo que não sabemos se conseguimos cumprir daqui a 5, 10 ou 15 anos. Por isso, não façam promessas que não conseguem cumprir e cuidado sempre com aquilo a que se comprometem, porque o que dizem aos Deuses é para cumprir! 

  • Já falei disto anteriormente, em Deuses de Prateleira, mas acho que é importante voltar a realçar aqui: Não usem os Deuses como bonecos de prateleira. Os Deuses não são frascos de especiarias no armário para tirar e usar conforme precisamos. Se eu sou devota da Deusa Hékate e preciso de ajuda em termos de amor, eu não preciso de ir ter com Afrodite com a qual nunca estabeleci uma relação. Posso fazer esse trabalho de amor com Hekate porque essa é a Divindade com a qual trabalho diariamente. Não utilizem os Deuses na vossa prática e pensem nos mesmos tal como o faria com pessoas normais na vossa vida. Chegariam ao pé de alguém para pedir um favor e nunca mais voltar a falar para eles? Não? Então não o façam também com as vossas Divindades. 
Estas são algumas dicas para quem quer começar a jornada do trabalho devocional com Divindades, sintam-se à vontade para colocar dúvidas, questões ou até mais dicas nos comentários para os nossos leitores se quiserem! Espero que esta jornada vos leve a sítios magníficos e a ter experiências que mudem a vossa vida para melhor e que possam encontrar as Divindades certas para o vosso caminho. 

E vocês? Como começaram esta aventura? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Cristina Gottardi)
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Análise Literária: "The Path of Paganism" de John Beckett

Capa do Livro
Título: The Path of Paganism
Autor(es): John Beckett
Pontuação
Descrição: O paganismo é uma forma de ver o mundo e seu lugar nele. Significa desafiar os pressupostos da sociedade dominante e fortalecer seus relacionamentos com os deuses, o universo, sua comunidade e você mesmo. The Path of Paganism fornece conselhos práticos e apoio para honrar seus valores e viver uma vida pagã autêntica na cultura ocidental dominante. Descubra dicas para estabelecer ou aprofundar uma prática regular. Explore como sua espiritualidade pode ajudá-lo a lidar com as dificuldades inevitáveis da vida. Aprenda os fundamentos das funções de liderança e outras etapas à medida que você ganha experiência e passa para práticas mais avançadas. Com perguntas para contemplação, bem como rituais para ajudá-lo a integrar novos conceitos, este livro o orienta por um modo de vida profundamente significativo.
Onde Comprar*: Book Depository | Wook 
Análise: Devo dizer que fiquei muito contente por conseguir ler este livro porque adoro o trabalho do John Beckett. Sigo atentamente o seu blog no Patheos e sempre quis ter a oportunidade de ler um dos seus trabalhos em formato de livro e, como esperava, não desaponta! 

Este livro é, na minha opinião, um livro essencial para qualquer pagão. Eu adoro o conceito do John Beckett de ver o Paganismo como uma Grande Tenda, com espaço para todos nós, e este livro desenvolve mais esse conceito e faz-nos reflectir sobre diversos pontos importantes dentro do Paganismo e dentro das nossas comunidades. 

Não só tem imensos pontos interessantes que é abordado como dá boas bases para iniciantes que estejam interessados em aprender mais sobre Paganismo em específico como também, em cada capítulo, dá-nos questões sobre as quais reflectir e meditar, estimulando o nosso pensamento crítico e a nossa presença nas comunidades. Beckett recorda-nos que “Much of the “advanced” religious practice (in any tradition) isn’t all that advanced. It’s simply the basics, done over and over so many times it becomes intuitive. It’s not glamorous and it’s not exciting. It just works.” e traz uma lufada de ar fresco nos trabalhos sobre Paganismo. Temos muitos livros sobre Wicca, Reconstrucionismo, Druidismo, entre outros mas, infelizmente, especificamente sobre Paganismo de um ponto vista em geral, não temos muito. E é essa falha que este livro vem preencher!

Este livro é apropriado para qualquer pessoa dentro do Paganismo seja Xamã, Wiccan, Druida, Politeísta Helénico, Politeísta Celta, Asatru, etc. É um livro que representa a Grande Tenda do Paganismo de uma forma abrangente e dá espaço e assuntos para contemplação para todos os interessados neste fantástico movimento. 

Acho genuinamente que este livro é uma mais valia no caminho de todos os Pagãos, ou interessados em Paganismo, e que é sem dúvida um dos melhores livros sobre o tema publicado nos últimos anos. Não posso deixar de o recomendar! 

E vocês? Já leram? Que acharam? 

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