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Análise Literária: Llewellyn's Witches' Companion

Capas dos Livros
Título: Llewellyn's Witches' Companion
Autor(es): Vários, editado por Llewellyn
Pontuação
Descrição: Um guia indispensável que é lançado todos os anos com textos de autores proeminentes nas comunidades do Paganismo e da Bruxaria, com temas que estão no centro das nossas comunidades em cada ano. Desde textos sobre práticas mágicas, dicas para o quotidiano, questões sociais e políticas, questões pessoais, inspirações, receitas e muito mais, estes são livros para nos acompanhar ao longo do ano e permitir uma visão do ano dentro das comunidades pagãs. 
Análise: À vários anos que sou grande fã destes Companions e reparei recentemente que nunca falei deles aqui no blogue e bem, não pode ser! 

A Llewellyn é uma editora bastante conhecida a nível do Paganismo e Bruxaria, tendo já lançado diversos autores e livros relacionados com as nossas comunidades. E, à mais de dez anos, que publicam anualmente diversos livros para as comunidades como os Almanaques, Moon Signs, Sun Signs, Spell-a-Day, Calendários, entre muitos outros recursos. Um dos recursos que mais gosto destas publicações anuais é o Witches' Companion. 

O Witches Companion é um livro lançado todos os anos e que conta com um enorme leque de artigos por membros das nossas comunidades tais como Storm Faerywolf, Thorn Mooney, Deborah Lipp, Jason Mankey, Tess Whitehurst, Raven Digitalis, entre outros. Desde tópicos relacionados com o estado da nossa sociedade e das nossas comunidades, relacionados com prática de certos tipos de Bruxaria ou de certas práticas, dicas para culinária e práticas mágicas e até informações e textos sobre espiritualidade. São variados os tipos de conteúdos que conseguimos ter acesso neste livro que vende a um preço extremamente acessível em plataformas como o BookDepository e Amazon. 

Para além destes textos fantásticos, o livro conta também com um calendário e recursos para a prática pagã. Na minha opinião, este livro complementado com o Magical Almanac (também da Llewellyn e que espero abordar no blogue brevemente) são dois livros essenciais para o correr do ano, principalmente para quem gosta de se manter ligado às comunidades e às temáticas que vão sendo abordadas. 

Este é, para mim, um excelente recurso para todos os Bruxos e Pagãos que gostam de se manter informados e reflectir sobre assuntos importantes para as nossas práticas. O de 2021 já se encontra disponível para comprar no Book Depository e na Amazon, tal como os outros outros Almanaques para trás. Que me dizem? Vão experimentar? 

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 
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"Auto-Proclamados Mestres" no Paganismo e Bruxaria


Unsplash (Nayanika Mukherjee)

Hoje trago um tópico que sinto que deve ser abordado e que é um tema importante de falar abertamente nas nossas comunidades pagãs.  Vamos então começar a falar deste tema díficil, que já foi abordado parcialmente no artigo dos Os Cuidados nas Comunidades Pagãs.

É expectável que todos os praticantes, mais cedo ou mais tarde, se deparem com (pseudo e auto-proclamados) "Mestres" que prometem resolver todos os nossos problemas, ensinar-nos tudo o que sabem e elevar-nos a grandes alturas de conhecimento e domínio de nós próprios (e até de outros!). Através de falas mansas, um discurso carismático e promessas vazias, estas pessoas são excelentes a manipular outros e a convencer quem quiserem de que não só têm uma enorme fonte de poder (muitas vezes, argumentada como sendo hereditária de uma tradição familiar que, coincidentemente, não tem como ser comprovada dado que o familiar já morreu) e que estão dispostos a ensinar-nos este conhecimento secreto. Muitas vezes, em troca de algo. Seja favores monetários, sexuais ou até de trabalhos a serem realizados, estes predadores aproveitam-se daqueles que querem obter conhecimento para manipular e abusar das pessoas. 

Promessas como conhecimentos secretos, participação em tradições hereditárias antigas (muito embelezadas com histórias de práticas dos seus avós e bisávos em rituais pagãos orgiásticos em pequenas aldeias), utilização de informação obtida online, utilização de termos complicados que, para iniciantes, podem parecer legítimos (como misturas de informações relacionadas com Alta Magia ou Magia Cerimonial), entre muitas outras tácticas são formas como estes pessoas fazem-se parecer conhecedoras da Arte e de confiança. Muitas vezes, estas pessoas trabalham em grupos, recrutando pessoas e convencendo essas mesmas pessoas a recrutar outras. Afinal, quantos Mestres destes é que não se encontram rodeados por um aparente grupo de devotos que os seguem de forma cega e inquestionável? Homens que se dizem Sacerdotes e Anciões  que insistem em iniciar jovens mais novas e inexperientes (senão completamente desconhecedoras de outra prática mágica que não a do "Mestre")? Ou até o oposto, mulheres que se auto-entitulam Altas-Sacerdotisas que estão rodeadas de jovens inexperientes e impressionáveis que não questionam nem a sua autoridade nem os seu comportamento. Aliás, a maioria destas pessoas não estão inseridas nas comunidades pagãs. Este é um dos primeiros sinais. 

Um dos principais pontos importantes em entender quando estamos a escolher ou encontrar um grupo para nos inserirmos em termos de trabalhos mágicos é entender qual a relação deste com o exterior e as comunidades em redor. Mesmo em Portugal, em que as comunidades pagãs são escassas e distantes umas das outras, há sempre alguma ligação e todos conhecemos ou ouvimos falar uns dos outros. Por isso, é sempre importante falar com pessoas de fora e entender: Há alguma suspeita das actividades desta pessoa? A sua linhagem é confirmada ou é apenas indicada pelo próprio? As suas práticas são éticas? Nós enquanto comunidades temos o dever de nos proteger mutuamente e falar mais alto dos que os abusos. Numa época em que o #MeToo reina no Mundo também nós, nas comunidades pagãs, temos de falar bem alto e proteger os nossos membros destes predadores. 

Outro dos principais pontos e argumentos utilizados por estes elementos é o "secretismo". Ou seja, a tradição de que veêm é uma tradição secreta (muitas vezes hereditária) e não deve ser contado a ninguém! Nem a própria presença no grupo pode ser contada por causas dos "riscos para o grupo". A questão importante aqui é... Estamos em 2020. Não estamos em 1540 ou 1780 ou qualquer ano durante a Inquisição. Estamos em pleno século XXI e, honestamente, ninguém quer saber da religião de outras pessoas ou que as mesmas fazem na sua vida privada. Se o secretismo é importante em algumas tradições pagãs, devido aos seus mistérios? È. Se o mesmo deve ser utilizado como ferramenta de manter as pessoas isoladas das comunidades em seu redor e dos seus sistemas de apoio? NÃO! Eu irei abordar, num artigo futuro, a importância e o papel do secretismo nas comunidades pagãs e posterimente irei linkar o mesmo neste post, contudo, é preciso referir que o secretismo necessários nos caminhos pagãos não é o mesmo de à 400 anos atrás. Este secretismo deve ser o secretismo das práticas, ou seja, de quais os métodos de trabalho utilizados e quais os conhecimentos obtidos. Não o facto de alguém participar ou não de um grupo. Não podemos deixar que as vítimas de abuso sejam silenciadas com o argumento do "secretismo" dentro do Paganismo ou da Bruxaria. 

Outro indicador deste perfil predatório é a conspiração do mundo e de outros grupos ou pessoas que os perseguem e que lhes querem fazer mal, muitas vezes uma perseguição mágica que só eles sentem e que usam como motivo para proteger os devotos e o secretismo dos seus caminhos místicos. Usar um poder externo como ameaça constante ao grupo para manter o grupo controlado e para justificar o secretismo e os rituais de "protecção" ou "vingança" que precisam ser feitos (muitas vezes com diversos sacríficios por parte dos praticantes envolvidos). É a famosa táctica do "nós contra eles", utilizada dentro de um grupo pagão com o objectivo de manter o controlo dos envolvidos. Este discurso é também aproveitado para criar a sensação de "família" e fazer com que o "Mestre" tenha controlo e presença em todos os pontos da vida do praticante, inclusive as coisas fora do prisma religioso e mágico, ajudando a isolar ou impedir a ligação com as pessoas da vida do praticante que estão fora da comunidade (família, amigos, etc.). 

Isto vê-se também nas ameaças feitas se tentarem sair. Ao tentar abandonar estas pessoas há o confronto de que os praticantes estão a abandonar o Mestre ou Sacerdote e que há consequências. É muitas vezes utilizado o argumento de que o compromisso feito (através dos rituais de iniciaçãomuitas vezes apressados na entrada do grupo ou na relação com o Mestre) foi feito para a vida e é inquebrável, sendo que se for feita alguma tentativa de quebrar o mesmo, as consequências caem sobre o praticante com ameaças sobre as famílias e aquilo que os praticantes têm como de mais importante na sua vida. Este controlo e constante método de castigos e ameaças é uma das principais formas de manter o praticante dentro este círculo fechado. 

Os principais alvos destas pessoas são os iniciantes no Paganismo, dado que os mesmos têm poucos conhecimentos, a maioria tem poucos recursos (ou não sabe como utilizar os recursos que tem) e poucos contactos dentro das comunidades aos quais possam perguntar se o que está a acontecer é certo ou não. Moldar o pensamento de um iniciante é extremamente fácil, tal como levá-lo a acreditar que X e Y são as "verdadeiras" formas de praticar. Como falei no artigo de Prática Solitária e Prática em Grupo não há forma certa de praticar Paganismo e Bruxaria. Todas as formas de prática são válidas à sua maneira. 

Contudo, até os praticantes já com algumas experiência podem estar sujeitos a cair nestes cenários, daí eu querer falar abertamente sobre este tema. Precisamos de abertura nas nossas comunidades para evitar que estes comportamentos e estes predadores possam estar a magoar as pessoas que chegam ou estão no Paganismo e na Bruxaria. 

Pode parecer um comportamento muito parecido aos famosos "cultos" que ouvimos nos filmes e nos media mas é real e acontece mesmo debaixo do nosso nariz, sem sequer repararmos. E temos de chamar as coisas pelos nomes. Estas pessoas não são praticantes de Bruxaria e Paganismo. Não são caminhos dentro do Paganismo ou caminhos dentro da Bruxaria. São cultos abusivos e manipuladores e estas pessoas são predadores! E não podemos permitir a sua presença e os seus abusos nas nossas comunidades.  

A todos os iniciantes ou praticantes que possam estar nestas situações ou a entrar nas mesmas, as minhas palavras de apoio e conselho são as seguintes: 
  • Questionem tudo. Não tenham medo de fazer perguntas idiotas (aliás, se alguém vos fizer sentir mal por alguma pergunta que façam, é um sinal de que essa pessoa não é a certa para vos ajudar). Perguntem, questionem, duvidem, verifiquem online ou com outras pessoas, etc. Não tenham medo de verificar os conhecimentos e as informações que vos dão. Seja um autor famoso ou o vosso vizinho do lado, confirmem as informações que vos são dadas. Temos a internet ao nosso dispor e um enorme leque de recursos que nos podem ajudar. Adicionalmente lembrem-se que não existem verdades absolutas. 
  • Se não se sentirem confortáveis com algo não o façam. Conheceram alguém que vos diz que pode ensinar sobre Paganismo mas que vocês têm de ser iniciados sem roupas, mas vocês não se sentem confortáveis? Não o façam. Ninguém mas NINGUÉM vos pode obrigar a fazer algo que não querem, seja beber vinho, rituais em nú ou fazer uma dança. Seja o que for, se não se sentem confortáveis, não o façam. E se as pessoas disserem que, sendo assim, não podem fazer parte daquela tradição, óptimo. Vão se embora porque de certeza que aquele seria apenas o primeiro de muitos sacríficios que seriam obrigados a fazer. Há imensas tradições, caminhos e pessoas por esse mundo fora. Não tenham pressa para encontrar o sítio certo.
  • Se tiverem medo ou dúvidas, recorram a ajuda. Enviem e-mail para alguém que vocês conhecem ou até que seguem online. A maioria dos sites e organizações como a PF, FOI, etc disponibilizam contactos para ajudar e orientar quem precisa. No meu caso, disponibilizo o e-mail do ICT para ajuda e orientação e esclarecimentos de dúvidas (100% confidenciais). Posso também recomendar a Sacerdotisa do Templo Sumério de Inanna E-An.Ki que gere o Ecos - Comunidade Pagã e que pode ser contactada por e-mail (100% confidencial). Não tenham medo de questionar e perguntar se algo é normal. Mesmos que vos digam "isto não pode ser contado fora daqui", se sentirem medo ou dúvida, perguntem. Estamos aqui para ajudar, nunca para julgar. 
Este é um tema que é muito sensível para mim e planeio abordá-lo mais vezes. É preciso termos abertura e falarmos destas coisas nas comunidades, pois apenas expondo estas pessoas e as suas técnicas predadoras, podemos manter as nossas comunidades seguras. 

Vamos trabalhar para um Paganismo mais seguro! 

Notas: Obrigada às minhas irmãs da Arte a Alva Möre e à Joana Martins pela revisão e ajuda neste artigo que me é tão sensível. 
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Bruxaria de Cozinha e Lughnasadh

Unsplash (Wesual Click)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Lughnasadh! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Lughnasadh
Datas: 1 de Agosto (HN) ou 1 de Fevereiro (HS)

Lughnasadh é a polaridade de Imbolc pois enquanto em Imbolc lança-se as sementes, em Lughnasadh colhe-se os frutos. É um dos primeiros festivais das Colheitas e marca o fim do Verão e a chegada iminente do Outono. É um período marcado por altas temperaturas e o começo das colheitas nas quintas e plantações. Na Wicca é neste dia que o Deus Sol se transforma no Deus das Sombras e se sacrifica pela Terra. A Deusa possui o papel de Mãe mas prepara-se brevemente para o seu cargo como Anciã. Lughnasadh é um festival de origem celta, em honra do Deus Solar Lugh. Daí vem o seu nome “Lughnassadh” que é traduzido para “celebração a Lugh”.

Um dos principais símbolos deste primeiro festival das Colheitas é o pão. Com o início da colheitas dos cereais (trigo, milho, aveia, etc) nesta altura do ano, o fabrico do pão e do trabalho com estes cereais toma um lugar de destaque. Como tal, fazer o seu próprio pão e partilhar o mesmo com a família ou o seu grupo é uma excelente actividade para este festival. Não só é uma actividade relaxante e divertida de fazer em família (até com os pequenos!) mas também uma fantástica oportunidade de conexão com uma prática ancestral: a de fazer o pão, de fazer o nosso alimento. O pão é um dos marcos à mesa de várias civilizações e gerações. O fabrico do pão é uma arte ancestral que pode, e deve, ser honrada neste festival.

Pode aproveitar e usar este festival como uma forma de conhecer melhor o pão. Experimente fazer vários tipos de pão (pão de milho, pão de centeio, pão de mistura, etc) e ver quais as diferenças entre cada pão, como os mesmos são preparados, quais as energias com que pode trabalhar, etc. Adicionalmente, se quiser fazer um esforço adicional, pode investigar de onde vem o pão que compra no dia-a-dia e quais os seus ingredientes e tomar decisões conscientes para apoiar pequenos negócios e fabricantes e comprar pão que seja saudável e bom para o seu corpo e saúde. 

É também durante esta altura que pode, caso tenha jardim ou plantas em casa, começar a colher algumas ervas que utiliza na cozinha e começar a secá-las para usá-las em pratos e refeições durante o Outono e Inverno. Muitas plantas murcham durante o Inverno o que não nos permite utilizar as mesmas frescas nas nossas refeições (a menos que recorramos a plantas de interior ou de estufas). Como tal, esta é uma excelente altura para começar e colher e secar as plantas para usar nos nossos pratos culinários durante as estações que estão para vir. 

Outro dos alimentos que marca bastante este festival são as bagas como as amoras, framboesas e mirtilos. Pode aproveitar para comer as mesmas frescas ou fazer compotas e doces que vão durar as próximas estações para ter em casa ou, até, fazer compotas energizadas com amor e harmonia para ajudar em feitiços futuros ou a manter a tranquilidade no lar nos próximos meses. Não há nada melhor para acompanhar uma boa fatia de pão caseiro do que doce acabado de fazer das nossas bagas! E é também uma excelente actividade para fazer com crianças! 

Esta é uma celebração rica em diversas actividades e a primeira de três celebrações relacionadas com as Colheitas, por isso, não tenha medo de inovar e experimentar coisas novas. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
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O Tarot: Arcanos Maiores - XVI - A Torre

XVI - A Torre

Nome do Arcano: A Torre
Número: XVI
Descrição: No baralho de Rider-Waite a carta da Torre é caracterizada por uma torre alta no topo de uma montanha rochosa. No topo da torre, atinge-lhe um raio que incendia o edíficio e faz duas pessoas saltarem dda torre com os braços esticados. Em volta da torre existem 22 chamas, representando os doze signos do zodíaco e os dez pontos da árvore da vida. *
Símbologia: No Arcano da Torre temos uma torre alta no topo de uma montanha rochosa. A torre aqui representa uma estrutura sólida que, infelizmente, foi construída num terreno instável e, como tal, apenas um raio faz a torre cair. Este raio representa uma energia súbita de revelação e que cria uma mudança drástica, aqui representada pela torre que cai. Esta é uma cena de caos, com as pessoas a saltarem da torre sem saberem o que as espera. Em redor existem 22 chamas, representando os doze signos do zodíaco e os dez pontos da árvore da vida, mostrando que até nos desastes da vida, as divindades estão perto de nós. 

Significado:
  • Posição Normal
Na sua posição original a carta da Torre representa uma mudança drástica e inesperada. Pode ser um divórcio, morte de alguém próximos, problemas de saúde, problemas financeiros ou qualquer outro evento que vá abanar a nossa vida e estado actual. É um evento de grande impacto que vai gerar uma onda de mudanças na nossa vida. Não há forma de escapar a esta mudança, é preciso aceitar a mesma e aprender a lidar com ela, de forma a que mesma possa gerar resultados positivos, a longo prazo. Também a nível das nossas crenças e opiniões podem sofrer um abanão com esta carta, que nos irá tirar do sítio e obrigar a construir de novo uma nova estrutura. A Torre não está apenas relacionada com eventos no plano físico mas também no nosso plano interno e espiritual, podendo representar uma nova revelação ou conhecimentos que nos obrigarão a rever a nossa forma de ser e enfrentar o mundo. No momento pode parecer uma tragédia, contudo, a longo prazo, iremos ver os impactos que este evento realmente teve na nossa vida. Após a Torre haverá crescimento mais forte, mais determinado e mais sábio, com as aprendizagens desta carta na nossa vida.

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta da Torre traz consigo também mudanças drásticas contudo, enquanto na sua posição normal estas mudanças surgem por influências externas, na posição invertida as mesmas surgem por circunstâncias internas, ou seja, causadas por nós. Podemos estar numa fase de descobrimento interno que nos está a levar a uma reconstrução da nossa vida e da forma de enfrentar as coisas. Estamos a ver que os modelos antigos pelos quais guiávamos o nosso caminho já não nos servem e é preciso refazer os nossos métodos para crescer. Esta mudança poderá ser díficil, contudo, é impossível evitá-la. A destruição que a carta da Torre traz é, quase sempre, inevitável. É preciso abraçar a mudança e entender como a mesma tem impacto na nossa vida e aprender e crescer com este impacto. Não podemos resistir à Torre, mas sim aprender com ela. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
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Bruxaria de Cozinha e Litha


Unsplash (Tania Melnyczuk)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Litha ou do Solstício de Verão! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Litha ou Solstício de Verão
Datas: 20/21/22/23 de Junho (HN) ou 20/21/22/23 de Dezembro (HS)

Litha ou Solstício de Verão ocorre quando o sol atinge o seu pico mais alto no céu e é o dia mais longo do ano e a noite mais curta. A partir desta data a duração dos dias começa a diminuir. As noites são curtas e tradicionalmente cheias de luzes: as estrelas brilhantes do céu nocturno, os vaga-lumes, as fogueiras e decorações que caracterizam as ruas. Na Roda do Ano Wiccana este festival assinala o ponto mais alto do Deus e a partir do qual o Deus começa a enfraquecer até à sua morte. 

O fogo é divinizado e tal aspecto notasse nas fogueiras que se acendiam antigamente pelas ruas e à porta das casas como também pelas iluminações que enfeitam as cidades. Ainda hoje, em várias práticas cristãs celebradas pela altura do Solstício (os Santos Populares) há muito a ideia da fogueira e do fogo. Também neste festival é considerado que o véu entre o nosso mundo e o mundo das fadas está mais fraco, sendo uma altura propícia para a conexão com estes elementais e seres, de forma cuidadosa. 

A nível de comida no Solstício temos um foco muito grande em frutas e vegetais frescos. Estamos numa altura de abundância de produtos naturais e de uma Natureza rica em ingredientes e recursos que nos são muito úteis nas nossas aventuras culinárias. Como tal, devemos privilegiar frutas frescas da época e vegetais frescos da época. Podemos fazer sumos, gelados, saladas, saladas de frutas, gelados, smoothies, sopas frias entre outras refeições frescas e propícias para esta altura do ano. Também nas bebidas podemos apostar em produtos naturais com frutas frescas ou, no caso de bebidas alcóolicas, em bebidas à base de cereais ou mel como a cerveja e hidromel ou até bebidas caseiras à base de frutas frescas da época. 

Algo que pode ser feito nesta altura do ano também, principalmente em zonas como Portugal em que há uma tradição muito forte na celebração dos Santos Populares que, como dito anteriormente, coincidem na mesma altura do Solstício de Verão, é utilizar alimentos que são típicos dessas celebrações como o pão, as sardinhas, os grelhados, etc. Podemos aqui, através da comida, estabelecer uma ponte entre as nossas celebrações e as celebrações do que convivem em nosso redor, porém, fazem parte de outras tradições. Recordemos que grande parte das celebrações cristãs da actualidade como os Santos Populares, Natal, Páscoa, etc tem muita inspiração de práticas pagãs dos povos antigos e, como tal, acabam por coincidir com práticas que estão  incluídas na nossa prática actual. E esta é uma excelente forma de estabelecer uma comunicação e ligação com as pessoas da nossa vida que seguem outros ramos religiosos. 

Temos de aproveitar o Solstício de Verão para cozinhar e comer todos aqueles produtos e ingredientes que brevemente não estarão disponíveis naturalmente (ou seja, sem ser através de estufas artificiais) na Natureza com a chegada iminente do Outono e das épocas das colheitas, por isso, usem e abusem dos frutos frescos, dos vegetais, dos grelhados, das bebidas e inovem na criação de alimentos como sopas, gelados, bebidas, cocktails, entre outros!

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
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Análise Literária: "Besom, Stang & Sword" de Christopher Orapello e Tara-Love Maguire

Título: Besom, Stang & Sword: A Guide to Traditional Witchcraft, the Six-Fold Path & the Hidden Landscape
Autor(es): Christopher Orapello e Tara-Love Maguire 
Pontuação
Descrição: A bruxaria tradicional regional é uma forma animista de bruxaria que se afasta dos festivais religiosos da colheita e das práticas voltadas para a fertilidade associadas à forma mais comum de bruxaria da Wicca. Poucos de nós nesta época são agricultores ou dependentes de colheitas. A bruxaria tradicional regional ensina as pessoas a encontrarem suas embarcações em seus próprios quintais, na terra não cultivada ou na paisagem urbana, e em seus ancestrais, e não em antigas divindades estrangeiras ou em uma forma religiosa de estilo neopagão. Não é sobre onde você é, mas onde você está.O material é adaptável a qualquer região em que o praticante vive. Embora a falta de adoração à divindade e dias sagrados seja uma parte significativa da abordagem não religiosa dos autores, este livro apresenta um sistema completo de prática que utiliza ritual, canto, transe, os seis caminhos da bruxaria, conforme definidos e explicados pelo texto, e práticas associadas à bruxaria tradicional. 
Onde Comprar*: Book Depository | Espiral (Português) | Madras (Português) | Scribd Livro & Audiobook (Ative dois meses grátis!)
Análise: Tive oportunidade de ler este livro através do serviço Scribd (indicado em cima) quer como livro e como audiobook. Pessoalmente li o livro em inglês, contudo, o mesmo já existe traduzido em Português e lançado pela Editora Madras*, pelo que está facilmente acessível a leitores portugueses e brasileiros! E deixem-me que vos diga, recomendo imenso este livro.

Eu já acompanho o trabalho do Chris Orapello e da Tara Maguire à bastante tempo, através do seu podcast Down at the Crossroads, sendo que até os  apoio no Patreon. Adoro o trabalho deles e fiquei extremamente feliz quando soube que iam lançar o seu livro. Apesar de eu não praticar uma vertente de Bruxaria Tradicional, nem ser o meu foco a nível da minha prática pessoal, adoro ler e saber mais sobre outros caminhos e práticas, principalmente quando este conhecimento vem de fontes que eu confio, como estes autores.

Este é um excelente livro para introdução à Bruxaria Tradicional e aborda imensos temas importantes e que raramente vemos abordados em livros de introdução como necromancia, herbalismo com ervas venenosas, trabalho com espíritos, trabalho sem recorrer a divindades, etc. É um livro fantástico, recheado de informações claras, com fontes devidas onde são necessárias e com vários exercícios para aqueles que pretendem experimentar ou adoptar estas práticas para o seu quotidiano. Algo que também adorei na explicação e ao longo do livro, é a forma como os autores (algo que eu já sabia, mas que não deixo de adorar ver!) defendem a necessidade de adaptar as nossas práticas aos sítios onde nós vivemos. É um tema constante ao longo do livro o facto de que não devemos basear a nossa prática em ritmos naturais que não estão presentes no nosso dia-a-dia e no local onde vivemos e que a forma de desenvolver uma melhor ligação com o que nos rodeia, com os espíritos e energias dos locais onde vivemos, é garantir que a nossa prática se alinha com os ritmos destes locais, através das celebrações, ingredientes utilizados, entre outros. Quem me conhece e acompanha o meu trabalho sabe o quanto eu refiro várias vezes a necessidade de estar em conexão com o local que trabalhamos e ver isto refletido num livro é tão reconfortante e fantástico!

Este é dos principais livros que irei recomendar dentro da temática da Bruxaria Tradicional e mal posso esperar para comprar em versão física e ter na minha estante, para puder recorrer a ele sempre que precisar, porque é um daqueles livros que queremos ler e  ler e consultar várias vezes. Aliás, acredito, que cada vez que o lermos iremos descobrir ou notar algo novo que nos tinha passado despercebido anteriormente e eu adoro isso.

E vocês? Já tiveram oportunidade de ler este livro? O que acharam?

Nota: * A edição portuguesa tem, contudo, dois pequenos erros: Não contém a imagem do Witch Lord e na ilustração do espaço de trabalho a mesma tem um pequeno erro, pelo que recomendamos que verifiquem estes recursos na versão inglesa, até ser feita a correção na próxima edição portuguesa.

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 
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Bruxaria de Cozinha e Beltane

Unsplash (Anshu A)
Hoje voltamos com um artigo da nossa série de Bruxaria de Cozinha e a Roda do Ano e vamos falar sobre Beltane!

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Beltane
Datas: 01 de Maio (HN) ou 31 de Outubro (HS)

Beltane é um festival que assinala o pico da Primavera e o auge da fertilidade, sendo o ritual tipicamente associado ao Grande Rito e à consumação da relação entre o Deus e a Deusa, nas tradições Wiccanas. Os campos estão floridos, a Primavera já chegou e já se instalou em nosso redor, com os seus campos verdejantes, os animais em época de acasalamento e a frescura do bom tempo no ar. Existe, neste festival, um foco em divindades voltadas para a Natureza como Cernunnos, Pan, Belenus, entre outros.

Como celebração de fertilidade e de Primavera, grande parte das práticas associadas a este festival estão ligadas à sexualidade e à prosperidade. É nesta época que vemos os Mastros de Beltane, ou May Poles, e são feitas danças em volta do mesmo com muita alegria e boa disposição. Também as fogueiras são acendidas para representar o fogo dentro de nós e a paixão ardente. Em várias tradições, esta é a altura de assinalar os momentos de crescimento e prosperidade, sendo a altura para começar novos projectos e novas aventuras nos nossos caminhos.

Existem vários alimentos que estão associados a esta altura do ano tal como todo o tipo de lactícnios e pratos que possam ser criados com os mesmos, flores comestíveis, doces e aveia ou doces/comidas criadas com aveia e alimentos semelhantes. Esta altura do ano era, principalmente na Escócia, muito associada à aveia e alimentos semelhantes, como tal, para quem tem ligações com essa zona do Mundo, será uma boa inclusão alimentar! Aconselho também a procurarem quais os alimentos da época na zona onde vivem e incorporarem na vossa prática. 

São vários os pratos que podem ser feitos com as energias deste festival são vários tipos de tartes que levem ovos e frutos da época para sobremesas. É também muito bom, para esta altura do ano em que o calor começa a voltar, começar a introduzir gelados na nossa alimentação. Podem fazer gelados caseiros com frutos da época e locais da vossa zona, se conseguirem ter acessos aos mesmos. Estão não só a incluir frutos locais e da época como também a utilizar uma base de leite (ou substituto do leite) que conecta mais com este festival. Se quiserem, de forma a despertar um pouco mais o lado sexual deste festival, podem também incorporar comidas um pouco mais picantes, como pratos que incluam pimentas ou piri-piri e afins. Podem também incluir na mesa festival vários tipos de queijo, se gostarem. Se tiverem possibilidade, recomendo verem quais os queijos locais da vossa zona e apoiarem esses pequenos artesãos. Quiches com vegetais e até flores comestíveis são também pratos que podem ser aplicados e parte do menu nesta altura do ano. Vários pratos frescos e com energia do Verão que se aproxima podem, e devem, fazer parte da nossa mesa como saladas (de frutas ou de vegetais!), iogurtes, gelados, entre outros. Sem medos de inovar! 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
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Roda do Ano - Beltane

Unsplash (Sanjeev Grover)
Data Tradicional: 1 de Maio (No Hemisfério Norte) e 31 de Outubro (No Hemisfério Sul)

Data Astrológica: Sol a 15º de Touro (HN) ou Sol a 15º de Escorpião (HS)

Beltane (pronuncia-se "bel-tane") é um dos Sabbats maiores e é festejado, tradicionalmente, no dia 1 de Abril (no HN) e no dia 31 de Outubro (no HS). Astrologicamente ocorre quando o Sol está a 15º de Touro no Hemisfério Norte e 15º de Escorpião no Hemisfério Sul.

Beltane, etimologicamente, terá origem no gaelico "belo-tanos" que significava "fogo ardente" ou "fogo brilhante". Na Roda do Ano Wiccana, este festival assinala o momento do casamento e consumação entre a Deusa e o Deus. É também o famoso festival associado à "Wild Hunt" e ao Grande Rito, uma representação ritual (poderá ser feita com instrumentos ou de forma real) do acto sexual entre as duas divindades, como celebração da abundância e fertilidade que enche o Mundo neste momento, no pico da Primavera. Nesta celebração vemos, em algumas tradição, o foco em divindades voltadas para a Natureza como Cernunnos, Pan, Belenus, entre outros. É dado um foco, a nível da prática wiccana, à face do Deus como sendo o Deus Verde ("Green Man") e a sua existência enquanto Homem no seu auge da sua sexualidade e liberdade, representada pelas folhas verdejantes da natureza. 

Beltane é a polaridade do festival de Samhain, o rito de honra aos Mortos e o momento em que o véu se torna fino, entre este reino e o Reino de Lá. Esta altura do ano, em Beltane, é também um momento de ligação aos Ancestrais mas de um ponto de vista diferente de como é feito em Samhain.. Enquanto em Samhain estamos num momento de introspecção, entrada no Inverno, e de reunião, em Beltane estamos num festival de luz e alegria, pelo que honramos os nossos Ancestrais com a celebração da fertilidade (e, em alguns casos, dando origem a novos seres que virão a nascer daqui a uns meses, no pico do Inverno, como é o caso da Deusa e do Deus). Adicionalmente as cinzas de uma fogueira de Beltane podem ser guardadas para serem utilizadas em rituais ou feitiços de fertilidade ao longo do ano!

Algumas das tradições e práticas comuns deste festival estão relacionadas com a Natureza e com a celebração da fertilidade. Podem ser criadas fogueiras para reunir grupos de amigos ou família para celebrar a noite de Beltane, mantendo-se acordados com jogos, brincadeiras, corridas, danças, comida, entre outros. O Mastro de Beltane é um dos principais símbolos deste festival. É um Mastro que é erguido com diversas fitas de várias cores e flores e até folhas, à volta do qual se pode dançar, entrelaçando as fitas. Podem encontrar diversos vídeos online sobre danças à volta do Mastro de Beltane. Este Mastro representa, naturalmente, um falo e a sua ligação à fertilidade enquanto as fitas coloridas, entrelaçadas à volta do mesmo, representam a união entre o Deus e a Deusa, através da dança. Esta é uma excelente atividade para crianças e jovens, dado ser totalmente inocente e bastante divertida! 

No seu altar pode colocar um pequeno Mastro de Beltane, várias flores, coroas de flores, guirlandas e plantas da época, incluindo frutos e oferendas para as divindades. O altar deverá estar bastante colorido e representativo desta celebração, podendo estar no mesmo tudo aquilo que, pessoalmente, associar com este festival e o seu simbolismo. Alguns dos alimentos que estão associados a este festival são o mel, doces, bolos de frutas ou à base de lacticínios (bolo de leite, cheesecakes, etc).

E vocês? Como celebram Beltane?

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