quinta-feira, 13 de junho de 2019

Bruxaria de Cozinha e a Roda do Ano

junho 13, 2019 0 Comentários
Pixabay (Free-photos)
Hoje vamos falar de algo que está presente na prática de muitos praticantes que celebram a Roda do Ano: Comida! Seja uma celebração solitária ou em grupo, a comida é essencial e acaba por ser parte importante da nossa celebração. Desde algo simples como pão ou frutos da época até pratos complexos e refeições inteiras, a comida é parte do nosso quotidiano e, nas celebrações, pode assumir um papel mágico na nossa prática.  

Este papel da comida nas nossas celebrações também acaba por ajudar na conexão com os ritmos da Natureza. Ao criar pratos, refeições e até doces/snacks associados aos Sabbats/Festivais estamos, idealmente, a utilizar frutos e plantas da época o que nos permite criar uma conexão com a Natureza. Saber quais os frutos, vegetais e plantas que podem ser consumidas em cada parte do ano, permite estabelecer uma ligação e um conhecimento mais profundo dos ritmos da Natureza e dos ritmos da agricultura em nosso redor. Idealmente, estes alimentos até podem ser comprados nos mercados locais e serem alimentos da nossa área, onde vivemos, o que cria uma ligação ainda mais à intensa à terra, não só nos seus ritmos naturais como também à terra onde pertencemos e vivemos e trabalhamos magicamente.  

Esta associação da comida aos festivais está também ligada aos nossos Ancestrais e à forma como as celebrações de festivais sazonais e de eventos agrários (e, aqui, podemos afirmar que acontecia tanto nas pagãs como em cristãs, mais tarde) eram celebradas. Durante a época das colheitas ou vindimas, existia sempre reuniões de família em que se cozinha bastante e se celebrava os resultados daquele ano. Um exemplo claro disso nos dias de hoje é, no caso do Cristianismo/Catolicismo, a celebração do Natal ou da Páscoa (Solstício de Inverno e meados do Equinócio de Primavera, respetivamente) em que ambas as celebrações são acompanhadas por comidas típicas e da época. Também nas nossas celebrações pagãs, o mesmo acontece. Aliás, quem tiver família ou companheiros/as de outra religião em que os festivais coincidam perto uns dos outros (Catolicismo, etc.) e quiser manter algumas celebrações em conjunto pode aproveitar e utilizar a comida e a Bruxaria de Cozinha como método!  

Um cenário de exemplo: A família é católica e o praticante é pagão. Toda a gente aceita o caminho do outro e existe harmonia. E a celebração do Solstício de Inverno e Natal (no caso do Hemisfério Norte) coincidem em datas muito próximas. O pagão pode optar por celebrar o Solstício de Inverno na sua data, de forma ritual, e posteriormente participar no jantar de família de Natal e até incluir pratos associados ao Solstício durante esta refeição. Até em cenários em que a família não aprova o caminho pagão do praticante, ele pode optar por realizar o seu ritual em secretismo e, a parte da festa, celebrar juntamente com a família (estando, secretamente e individualmente, a celebrar o Solstício). A comida é uma das muitas formas de celebrar a Roda do Ano e, sem dúvida, é das mais discretas e simples. Ninguém vai suspeitar de comida!  

Como puderam ver a comida tem um papel importante na nossa prática. Brevemente iremos começar uma nova série sobre Bruxaria de Cozinha em que iremos abordar a Bruxaria de Cozinha associada a cada um dos festivais, com comidas típicas, alimentos associados e com algumas receitas para introduzirem nas vossas celebrações.  

E vocês? Qual o papel que a comida tem nas vossas celebrações?

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Cristais: Programação de Cristais

maio 30, 2019 0 Comentários
Pixabay (artyangel)
A programação de cristais é uma das muitas formas com as quais se pode trabalhar com estes recursos e hoje planeio abordar este tema e ajudar com algumas técnicas que podem ser utilizadas para fazer a programação dos vossos cristais. Esta prática é, basicamente, trabalhar com cristais para objectivos específicos e, através de meditação e trabalho da mente, "programar" ou "configurar" um cristal para uma determinada tarefa.

A programação de cristais não é, de todo, obrigatória no trabalho com cristais e é apenas uma das muitas formas como este trabalho pode ser realizado. É um método fácil e rápido de determinar qual o propósito que aquele cristal ou pedra vai desempenhar na nossa prática. Os cristais são excelentes condutores de energia, principalmente os cristais da família dos Quartzos, e esta programação ajuda a estimular e direccionar as energias para o objectivo do trabalho mágico. 

Existem várias formas de programar um cristal e hoje planeio abordar duas variações. 

É de realçar que, à semelhança de muitos outros trabalhos mágicos, é sempre ideal começar com um banho de limpeza e relaxamento ou apenas algum queimar de incenso para limpar a área e ajudar na concentração no que vai ser realizado. 

Iniciar com uma pequena meditação em que colocamos os pensamentos em ordem e nos focamos naquilo que é o objectivo da programação (ajudar a passar um exame, aumentar a auto-confiança, etc). É necessário que a nossa mente entre num estado de concentração em que estejamos focados naquilo que pretendemos imbuir no cristal com o qual vamos trabalhar. 

Assim que os nossos pensamentos estiverem focados, devemos pegar no cristal (já limpo e energizado) e colocá-lo entre as nossas mãos e aqui há dois métodos que podem ser utilizados:

Método 1: Mantendo os olhos no cristal e focando no mesmo, nas suas características, formato, interior, etc repetir em voz alta ou na nossa mente as palavras "Eu programo este cristal para...." ou "Eu carrego este cristal com a intenção de..." ou até "Cristal, ajuda-me com....". Repetir este processo até sentir que o cristal está energizado com este propósito e pronto a ser utilizado.

Método 2: Tal como no método um, devemos manter os olhos no cristal e focando no seu formato e o seu interior. Tentar absorver ao máximo o cristal e como ele é por dentro, como será estar dentro do cristal e, aí, dirigir os nossos pensamentos para o pretendido com a programação, visualizando o objectivo de forma clara e concisa, mantendo este pensamento e focando no cristal ao mesmo tempo, até sentir que o cristal está energizado com este propósito e pronto a ser utilizado.

No final de ambos os métodos é necessário recuperar da meditação de forma tranquila e tentar que não seja abrupta, pois poderá causar uma quebra de energia e acabar por ficarmos mal dispostos. Recomendo ter sempre comida e água próximos para o final de trabalhos deste género. 

No final do cristal ter desempenhado a sua tarefa e o objectivo ter sido concluído, poderá ser limpo e desprogramado para ser utilizado para outro fim. Em alternativa, caso não queira reutilizar o cristal, pode apenas limpar e desprogramar e devolver à Natureza enterrando-o ou colocando em um lugar na Natureza de díficil acesso. 

E vocês, costumam programar cristais? Quais os vossos métodos favoritos?


quinta-feira, 23 de maio de 2019

Análise Literária: "Keeping Her Keys" de Cyndi Brannen

maio 23, 2019 0 Comentários
Título: Keeping Her Keys: An Introduction to Hekate's Modern Witchcraft
Autor(es): Cyndi Brannen 
Pontuação
Descrição: Nos últimos anos, a Hekate ganhou popularidade crescente em todo o mundo. Embora existam livros escritos sobre Hekate do ponto de vista histórico, há uma falta de informação para aplicar este conhecimento no desenvolvimento pessoal e prática de bruxaria. "Keeping Her Keys" combina as 'chaves' do desenvolvimento pessoal, magia e a antiga deusa, Hekate Os tópicos incluem o poder da oração, como criar o espaço sagrado e orientação sobre feitiços. No capítulo final, os leitores podem realizar uma auto-iniciação opcional para se tornarem Keeper of Her Keys.
Onde Comprar: Amazon | Book Depository 
Análise: Tive a oportunidade de ler este livro numa cópia avançada, fornecida pela autora, em troca de uma crítica/análise honesta. 

Este livro é, sem dúvida, um livro especial. recordou-me um pouco o livro "Magia de Hecate: Uma Roda do Ano com a Rainha das Bruxas" de Dylan Siegel e Naelyan Wyvern, com algumas diferenças. O livro "Keeping Her Keys" tem como objectivo servir de guia de iniciação para uma tradição de Bruxaria Moderna voltada em torno da Deusa Hekate. Nesta obra podemos encontrar um companheiro para um período de treinamento de um ano e um dia, no final do qual, temos um ritual de auto-iniciação para iniciarmos o caminho como "Guide" nesta tradição.

O livro está dividido em diversas lições, cada uma delas essenciais para o desenvolvimento e aprendizagem dentro desta tradição. Conta com diversos exercícios e orientações ao longo do treinamento e, no final, antes da iniciação tem uma série de perguntas para confirmar se o conhecimento e dedicação do devoto estão no ponto para dar este grande passo.

Uma coisa que eu gostei muito neste livro, e acho que é raro de ver hoje em dia, foi o foco na informação histórica. A autora não quis deixar de parte as informações históricas, as fontes e todos os recursos que temos ao nosso dispor, vindos da Antiguidade Clássica. Pelo contrário, a autora apresenta-nos essas informações e as suas fontes e origens, mostrando-nos como as mesmas eram interpretadas à época ou, em outros casos, fornecendo livros que ajudam a entender essa interpretação. Porém, a autora também não descrimina as práticas modernas, aliás, mostra como ambas as partes podem coexistir com o objectivo de criar uma tradição harmoniosa.

Uma das citações que mais gostei do livro foi "(...) we aren't attempting to reconstruct the past, but we adapt historical documents and practices for use in the 21st century". Acho que esta frase descreve bem o que a autora conseguiu com este livro e dou os meus parabéns por isso.

O livro encontra-se muito bem estruturado, de fácil compreensão e muito acessível, permitindo em diversas situações que sejam improvisadas formas de realizar os exercícios ou rituais, aceitando que as coisas e eventos possam ser adaptados à prática de cada indíviduo, porém, sem nunca descuidar da estrutura da tradição e da prática estabelecida.

Esta obra é um excelente companheiro para qualquer interessado em seguir um caminho solitário, porém previamente estruturado, de culto à Senhora Hekate e baseado nas práticas da Bruxaria Moderna. 

quinta-feira, 16 de maio de 2019

As Velas e as Cores

maio 16, 2019 0 Comentários
Pixabay (Winsker)
Hoje vamos falar de velas e como as cores das velas que utilizamos podem influenciar o trabalho mágico e a forma como as utilizamos. Este é o primeiro artigo numa pequena série sobre Velas para ajudar a trabalhar com esta ferramenta que está tão presente no nosso dia a dia.

Velas Brancas
O branco é uma das cores que pode ser utilizada em qualquer ritual ou trabalho. Representa a luz e, por conter todas as cores dentro de si, pode substituir qualquer cor e é muito adaptável. Pode ser utilizada, enquanto especificamente cor branca, em rituais relacionados com limpezas, meditações, práticas divinatórias, curas e trabalhos lunares. 

Velas Pretas
O preto, ao contrário do branco, tem também as cores todas em si mas com uma energia mais caótica e mais negativa. É uma vela excelente para rituais de limpeza, banimento e de exorcismo de enegias negativas. Podem ser utilizadas para representar a Sombra, a Noite e o nosso interior escondido. São excelentes para meditações em diferentes graus de consciência e semelhantes. 

Velas Douradas
As velas douradas estão associados ao Sol e, como tal, também estão associadas ao Deus no seu aspecto de Deus Solar. Podem ser utilizadas para trabalhos como Princípio Masculino e para rituais em que a energia do Sol é necessária, como atrair dinheiro ou sorte. Pode também ser utilizadas para ajudar em meditações e trabalhos com o desenvolvimento da consciência.

Velas Prateadas
As velas prateadas estão associadas à Lua e à Deusa no seu aspecto lunar. São excelentes para utilizar em rituais relacionados com a Lua Cheia, Crescente ou Minguante e para conectar com o aspecto feminino da Divindade, principalmente em aspectos relacionados com a Lua. Podem também ser utilizadas para remoção de energias negativas e para desenvolvimento das capacidades psiquicas e meditativas.

Velas Amarelas
As velas amarelas estão associadas ao elemento Ar e, como tal, associadas à aprendizagem e ao pensamento. É uma boa cor para comerciantes e para estudantes, sendo que pode ser utilizada em rituais e trabalhos mágicos relacionados com os estudos ou com o comércio. É apropriada para usos referentes à inteligência, confiança e manifestação de projectos. 

Velas Laranjas
Sendo a mistura entre duas cores, o laranja acaba por adoptar características tanto do vermelho como do amarelo. Está relacionada com a energia e a vitalidade mas também com a educação e a estimulação, seja corporal ou mental. É uma cor propícia para trabalhos relacionados com ultrapassar depressão ou letargia e para promover a vitalidade e saúde do corpo. 

Velas Vermelhas
O vermelho é uma cor associada ao sangue, amor e à sexualidade. Como tal esta cor é utilizado e acima de tudo associada com rituais relacionados com fertilidade, sensualidade, amor, força física, coragem e vitalidade. Pode ser utilizada para combater medos, para estimular e chamar coragem para um determinado momento ou ponto da nossa vida ou para trazer vitalidade de novo para o nosso quotidiano. É também associada ao amor, porém, de forma carnal e sexual, nomeadamente o aspecto da paixão.

Velas Rosa
A cor rosa está associada ao amor próprio, à amizade e ao amor familiar. Pode ser utilizada em rituais para trabalhar com o amor próprio e com a harmonia interior. Pode também ser parte de rituais ou celebrações familiares e de paz e união. É uma cor bastante suave e pode ser adaptada para vários rituais relacionados com a amizade e com o amor, neste aspecto já com a sua conotação de fraterno ao invés de passional. 

Velas Roxas
O roxo é uma cor muito associada à espiritualidade e à medinuinidade. É a cor do chakral frontal e está intimamente ligada ao desenvolvimento espiritual, à projecção astral e ao contacto com outras entidades e outros planos. Pode ser utilizada em rituais para cura, aumento de poder pessoal ou de sabedoria interna e trabalhos com outros planos. 

Velas Índigo/Azul Escuro
O azul escuro, ou índigo como também é chamado, é uma tonalidade entre o azul e o roxo. Está também associado à espiritualidade, tal como o roxo. Pode ser utilizado em trabalhos ou rituais relacionados com a sabedoria interna e trabalhos espirituais. Adicionalmente pode também ser usada para trabalhar com situações kármicas, neutralizar trabalhos ou maldições externas e mentiras. 

Velas Azuis
As cores azuis estão associadas a diversas coisas como a meditação, a cura, inspiração e, também, associada à comunicação. Podem ser utilizadas em diversos rituais e trabalhos mágicos tais como verbalizar sentimentos ou situações complicadas, protecção durante os sonhos, trabalhos em plano astral, trabalhos relacionados com a honra, lealdade e perdão. 

Velas Verdes
Esta cor, como se imagina, está intimamente conectada com a Terra e com tudo o que lhe é associado. Por isso, esta cor é excelente para rituais e trabalhos relacionados com questões monetárias ou de posses materiais, abundância, sucesso, prosperidade e fertilidade. Podem também ser utilizadas para saúde, porém, não é recomendado utilizar em situações referente a doenças crónicas, cancro ou terminais. É a cor relacionada com estabilidade e equílibrio. 

Velas Verdes Escuras
Esta cor é associada a Vénus e são utilizadas para rituais relacionados com a abundância, fertilidade e amor. No oposto, pode também ser atribuída para rituais relacionados com a inveja, com o cíume, o controlo numa relaçaão amorosa e a ambição.

Velas Castanhas
A cor castanha, nas velas, pode ser utilizada em trabalhos ou feitiços relacionados com encontrar objectos perdidos, questões judiciais, manifestações de projectos ou planos no plano físico, para protecção de animais e também para promoção do equílibrio, dado a sua ligação com o elemento Terra também, em conjunto com a conexão com o planeta Saturno.


quinta-feira, 9 de maio de 2019

O Tarot: Arcanos Maiores - IX - O Eremita

maio 09, 2019 0 Comentários
IX - O Eremita

Nome do Arcano: O Eremita
Número: IX
Descrição: No baralho de Rider-Waite o Eremita é representado por um homem sozinho no topo de uma montanha com neve. Na sua mão direita tem uma lanterna com uma estrela de seis pontas no interior. Na mão esquerda tem um longo bastão de madeira. *
Símbologia: Nesta carta o Eremita no cimo da montanha com neve representa o domínio espiritual, crescimento e as conquistas no caminho escolhido pelo Eremita, para atingir um estado superior de consciência. A lanterna, na sua mão direita, contém o Selo de Salomão, um símbolo de sabedoria. Esta lanterna ilumina o caminho mas, como todas as lanternas, apenas ilumina o caminho mesmo em frente e o Eremita sabe que o resto estará para descobrir conforme vai andando. Na mão esquerda, o seu bastão, representa o seu poder e autoridade e é utilizado como guia e forma de equilíbrio.

Significado:

  • Posição Normal
Primordialmente a carta do Eremita representa a necessidade de fazer uma pausa na nossa rotina do dia-a-dia e de nos voltarmos para dentro e para nós próprios. As respostas ao que procuramos encontram-se dentro de nós e é necessário largar o mundando e fazer uma pausa, de forma a embarcar na jornada de auto-descoberta. O Eremita convida-nos a iniciar um período de introspecção, quer sozinhos ou com um grupo pequeno de pessoas de confiança, para que possamos sintonizar-nos com a nossa voz interior e crescer com essa aprendizagem.

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta do Eremita pode representar duas coisas: Se estiver a perder muito tempo do seu dia com coisas mundanas, com tarefas, contas da casa e responsabilidades o Eremita invertido pode estar a chamar atenção para a necessidade de parar e refletir e dedicar tempo a nós próprios, ouvir a nossa intuição e voz interior. Caso já haja bastante tempo dedicado à reflexão pessoal este Arcano pode estar a dizer-nos para não nos isolarmos demasiado e realçar a necessidade de contacto com outras pessoas. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite.