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Sob o Luar

Unsplash (Melissa Walker Horn)
Hoje voltamos com um artigo da nossa série de Bruxaria de Cozinha e a Roda do Ano e vamos falar sobre Ostara!

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Ostara / Equinócio da Primavera
Datas: 19/20/21/22 de Março (HN) ou 19/20/21/22 de Setembro (HS)

O Equinócio da Primavera, ou Ostara, é um festival que celebra o início da Primavera e o final do Inverno. É o momento em que o Dia e a Noite estão em igualdade e, a partir deste momento, o Sol continua a subir e subir mais alto no céu, tendo já passado a metade em que a noite durava mais do que o dia. As flores começam a florir, o verde surje nos campos, as folhas voltam ás árvores e até os animais sentem esta mudança ao nosso redor. Nós próprios, inconscientemente, sentimos as alterações dos ciclos da Terra. Começamos a sentir-nos mais dinâmicos e com mais força de vontade, devido à maior exposição ao Sol e a toda a energia de "renascimento" que se sente no ar.

Como celebração de fertilidade e do início da Primavera, grande parte das práticas associadas a este festival estão ligadas a ritos de fertilidade como os ovos de Ostara, os coelhos, as flores, entre outros símbolos. É uma altura para festejar a Primavera e tudo o que esta estação traz consigo. É um momento em que podemos celebrar o Sol e a sua vitória sobre o Inverno e sobre a Escuridão, dando as boas-vindas à claridade e ao calor que se aproximam.

Existem vários alimentos que estão associados a esta altura do ano. Com a chegada da Primavera e do bom tempo, os nossos ancestrais, começam a deixar os gados e animais voltarem para o exterior. Os pastos encontravam-se verdes e com flores e começava-se a ver os primeiros brotos de novas plantas e as sementes a nascer. Assim sendo, esta é uma altura muito propícia para utilizar todo o tipo de sementes em pratos ou para vegetais como couves e vegetais verdes, que nos recordem da chegada da Primavera como couves de bruxelas, bróculos, etc.

Para além destes alimentos podem também ser incorporados nos pratos celebratórios de Ostara várias flores comestíveis como rosas ou flores de courgetes. É necessário garantir que estas flores (e todos os vegetais que utilizamos) não levaram com pesticidas que possam ter efeitos negativos na nossa saúde. É preciso ter a certeza que todos os produtos naturais utilizados na cozinha estão devidamente lavados e prontos para serem consumidos. 

Outro ingrediente que pode ser incluídos nos pratos primaveris associados ao Equinócio da Primavera é o ovo! O Equinócio da Primavera ocorre em altura semelhante à Páscoa e todos crescemos com os "ovos da páscoa". Esta prática é inspirada em práticas pagãs, onde o ovo estava associado à fertilidade dado que é do ovo que nasce a vida. Como tal, o ovo pode, e deve, ser utilizado quer como alimento ou parte de refeições criadas (como bolos ou outros pratos que utilizem ovos) e também como decoração de altares ou casas (através de esvaziando o interior do ovo e decorando a casca exterior).

São vários os pratos que podem ser feitos com energias da Primavera são pães doces, peixes temperados com sementes ou especiarias e ovos, bolos de mel ou de chocolate, nozes e outras sementes e frutas sazonais. Recomendamos sempre a procurar quais os alimentos e pratos típicos da área que vivem para esta altura do ano e podem incorporar os mesmos na sua prática pessoal, permitindo uma ligação ao local onde vivem e, também, a um melhor conhecimento dos alimentos que são utilizados tradicionalmente nesta altura, na zona onde vivem. Não tenham medo de inovar e sair da caixa, esta altura do ano é fantástica para novos inícios e novas aventuras, e isto pode ser também retratado a nível alimentar! 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Nota: Existe um grande debate nas comunidades pagãs por detrás do uso das palavras Mabon/Ostara/Litha. Para fácil acesso por iniciantes optámos por manter a denominação neste artigo, contudo, aconselhamos a leitura deste texto e deste texto para esclarecimentos adicionais. 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Unsplash (Ali Inay)
A alimentação é um dos pontos principais do nosso dia-a-dia, é o que nos fornece energia para funcionarmos e fazermos as nossas tarefas e é também uma fonte de prazer e lazer, através da experiência de novos pratos e sabores. Como tal, é natural que a alimentação tenha um papel importante no nosso quotidiano e, correspondentemente, na nossa prática e caminho mágico. 

Sabem que eu tenho uma paixão muito grande por Bruxaria de Cozinha e hoje gostava de vos falar sobre como a alimentação pode ter impacto na nossa prática pagã e como podemos trabalhar com a nossa alimentação e com o que consumimos, para melhorar a nossa prática e o nosso bem-estar. O nosso bem-estar está intrinsecamente conectado à nossa prática e caminho pagão. Se não nos estivermos a sentir bem não vamos conseguir concentrar-nos no que estamos a fazer e aplicar a nossa energia naquele trabalho, seja um ritual, um feitiço ou até uma meditação. E a alimentação é uma chave para atingirmos o nosso bem-estar. 

Como Bruxos e Bruxas reconhecemos a importância que as plantas e as frutas têm na magia e na prática mágica. Sabemos que o alecrim é uma boa planta para limpeza de locais e que a maçã está associada ao amor, tal como a canela está associada à prosperidade. Usamos estes ingredientes em saquetas mágicas, incensos, banhos, oferendas e até para untar velas. Estas correspondências são partes activas de muita prática mágica e, como tal, porque não incluir as mesmas nas nossas refeições? Se organizarmos a nossa comida e refeições de forma consciente e tendo em consideração estas correspondências mágicas estamos a influenciar a nossa comida e, consequentemente, a nossa nutrição e o nosso corpo, magicamente.

Isto pode ser aplicado em vários cenários, por exemplo:

Devoção e Conexão com Divindades: Uma das formas de nos conectarmos com uma divindade pode ser através de conexão com as suas correspondências, incluindo as alimentares. Algumas das associações da Deusa Hekate, por exemplo, são a cebola e o alho. Estes dois alimentos podem ser incorporados, conscientemente, numa alimentação diária (de forma moderada) com o intuito de aproximar a nossa prática a Hekate, através do consumo (ou até oferendas, criando pratos ou alimentos com estes produtos) de alimentos relacionados com a divindade.

Trabalhos Mágicos: Há vários trabalhos mágicos que podem ser feitos com a Magia de Cozinha. Imaginemos que queremos atrair para a nossa vida um novo amor. Uma das formas de fazer isto pode ser, por exemplo, criar uma Dieta Mágica. Uma Dieta Mágica é uma dieta alimentar (equilibrada e consciente) criada com alguns alimentos em mente. Por exemplo, no caso da atração de um novo amor, podemos fazer pratos com alimentos que estejam associados ao amor como baunilha, canela, gengibre, batata doce, maçãs, bananas, maracujás, morangos, mel, entre outros. São muitos os alimentos que estão associados ao amor o que nos permite criar refeições equilibradas, saudáveis e mágicas. Não é obrigatório utilizar todos os ingredientes, como é óbvio! Podemos fazer uma tarte de maçã para sobremesa, uma sopa com batata doce e outros vegetais para o prato principal ou bifes com molho de mel e mostarda, etc. A Bruxaria de Cozinha está totalmente aberta para a nossa imaginação. 

Cuidados Próprios: Cuidar de nós próprios é uma das nossas "obrigações" e formas de nos respeitar a nós próprios e ao nosso corpo. Podemos criar uma Dieta de Auto-Cuidado e esta pode incluir não só alimentos relacionados com amor e amor próprio mas, também, os nossos ingredientes favoritos! Se eu amo comer cenoura ou grão mas os mesmos não estão associados ao amor/amor próprio, não faz mal! O facto de serem alimentos favoritos da Bruxa/Bruxo já lhes traz o poder de trazer conforto pessoal e, como tal, contribuir para os cuidados próprios. É preciso ter também em consideração estes pequenos detalhes como comidas favoritas ou comidas conforto, dado que as mesmas já têm poder mágico associado a nós, devido ao seu impacto. Se calhar a receita de sopa de legumes da nossa avó será muito mais poderosa para nos trazer conforto e tranquilidade do que uma receita complexa tirada de um livro de bruxaria e isto é totalmente válido (e aliás, muito recomendável!). Temos de encontrar o nosso poder pessoal, até na cozinha.

A Bruxaria de Cozinha e a magia com os alimentos é um tipo de magia muito fácil e intuitiva, que pode ser integrada na nossa rotina de forma muito simples e adaptável, permitindo-nos trazer para o nosso quotidiano a Magia da nossa prática.

E vocês? Como gostam de usar a Magia na Cozinha? 
Unsplash (Danijela Prijovic)
Hoje voltamos com um artigo da nossa série de Bruxaria de Cozinha e a Roda do Ano e vamos falar sobre Imbolc!

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Imbolc
Datas: 01 de Fevereiro (HN) ou 01 de Agosto (HS)

O Imbolc é um festival que assinala o regresso da Luz e dos primeiros passos rumo à Primavera. Neste altura as neves começam a derreter, os dias ficam gradualmente maiores, chegam as chuvas e o frio começa a despedir-se. É também uma altura em que, para os nossos antepassados, a comida começava a escassear com o final do Inverno e começava a ser preciso improvisar as refeições e a alimentação que se fazia. Na Europa, esta altura era marcada pelo nascimento dos cordeiros e, como tal, o leite de ovelha era abundante nesta altura, o que faz com que, tradicionalmente, o leite seja uma parte importante na celebração de Imbolc e esteja presente em muitas das receitas criadas para esta época do ano. 

Como celebração do regresso da Luz e do Sol, Imbolc é um festival solar em que nos focamos em "ajudar" o Sol a subir no céu para trazer consigo o calor da Primavera. São acendidas fogueiras, velas, candelabros e todo o tipo de luzes para iluminar a noite e trazer com a Luz para os nossos dias, incentivando, dessa forma, o Sol a regressar também. Como tal, é natural que o tipo de comidas criadas durante este festival esteja associado ao Sol, seja criando alimentos (bolachas, biscoitos, vegetais, etc) em formato de Sol e outros símbolos associados mas também através do consumo de alimentos tipicamente solares como comidas picantes (pelo "ardor" da comida, associado ao calor). 

Actualmente vivemos em sociedades em que facilmente temos acesso a um variado tipo de comidas, temperos, vegetais, etc. Como tal, podemos livremente utilizar produtos que não estariam disponíveis aos nossos antepassados mais longínquos como caril ou pimenta. Podemos também incluir nas nossas refeições todo o tipo de lacticínios (devido à ligação com a lactação das ovelhas, que abordamos no início), alho, cebolas, vinhos com especiarias, canela, alecrim, entre outros. 

São vários os pratos que podem ser feitos com energias solares para ajudar a trazer o Sol e a alegria de volta às nossas vidas, afastando o frio do Inverno. Esta é uma boa altura para fazer jantares com amigos e família e partilhar momentos de alegria. Podemos fazer refeições de Imbolc e partilhar o espírito e a energia Solar com aqueles que nos são próximos, sugerindo deixar para trás tudo o que já não é preciso nos nossos caminhos e recebendo o Sol como energia purificadora. Isto pode ser reflectido na comida, com os alimentos picantes a assumir um papel de purificação e limpeza e o leite como energia maternal e nutridora das coisas que pretendemos manter na nossa vida. É uma excelente altura para nos focar no renascimento e na transformação pessoal. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Título: A Practical Guide to Pagan Priesthood
Autor(es): Lora O'Brien
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Junte-se à Reverenda Lora O'Brien enquanto ela explora os deveres, responsabilidades, desafios e benefícios de se tornar uma sacerdotisa ou sacerdote. Se está actualmente em uma posição de liderança, está a pensar em assumir esse papel ou gostaria de ser mais informado sobre o sacerdócio pagão, este livro é uma ajuda para aprender sobre as habilidades práticas necessárias e fornece ideias sobre como pode melhorar o seu próprio sacerdócio. Há uma necessidade na comunidade pagã de líderes fortes, conscientes e responsáveis​. Este livro fornece uma avaliação de habilidades para que possa ter uma noção dos seus pontos fortes e áreas em que trabalhar. Também descobrirá sobre as duas categorias principais de deveres sacerdotais - pastoral e sacerdotal - bem como sobre liderança de grupo, ensino, aconselhamento para crises, comunicação com divindade, devoção, cura, ritos de vida e celebração comunitária. À medida que o paganismo continua a crescer e as novas gerações se tornam líderes, este guia compartilha uma imagem prática do que o sacerdócio pagão pode ser.
Onde Comprar*: Wook
Análise: Tive a oportunidade de ler este livro numa cópia avançada, fornecida via NetGalley, em troca de uma crítica/análise honesta. 

Este livro é um dos melhores livros que tive a oportunidade de ler ultimamente. Não estou a exagerar, este livro é tão fantástico que quando o terminei, fui de imediato encomendar uma versão em formato físico porque sinto que é essencial para a minha biblioteca pessoal. E é um dos livros que vou vivamente recomendar a todos aqueles a quem treinar no Iseum do Caminho da Terra.

A autora, a Reverenda Lora O'Brien, tem uma extensa experiências nas comunidades pagãs, principalmente na Irlanda e traz, neste livro, diversos conselhos e ideias de como melhorar o nosso sacerdócio ou, para quem não se consagrou ainda ou está na dúvida se o quer fazer, explica o que é um sacerdócio, os deveres de um Sacerdote e como o nosso trabalho se pode desenrolar, abrangendo as diversas áreas do trabalho sacerdotal e pastoral, indicando alternativas, formas de trabalho, etc.

O livro está dividido em três secções: Os Deveres de um Sacerdote, Ferramentas Pastorais e Desenvolvimento e Ferramentas Sacerdotais e Desenvolvimento. Ao longo destas secções a autora aborda diversos temas, dividindo-os nas suas devidas secções. Alguns exemplos dos temas abordados são, por exemplo: Técnicas rituais, actos mágicos, ordenações e iniciações, dinâmicas de grupos, gestão e organização de covens/grupos, comunicação com divindades, lidar com situações pessoais dos nossos membros, etc.

Ser Sacerdote é uma tarefa complicada e que requer muito de nós. A comunidade requer de nós, a Divindade requer de nós e o próprio cargo, requer de nós. É um título que vem com uma bagagem e um conjunto de tarefas e deveres e, ao longo deste livro, a autora explora todos estes pontos, inspirando-nos no trabalho sacerdotal com as suas palavras e, ao mesmo tempo, alertando-nos para a dificuldade e complexidade deste caminho.

Algo que gostei muito no livro é que, no final, a autora reúne com um conjunto de praticantes de vários caminhos pagãos e coloca algumas questões sobre sacerdócio. Estas questões são fantásticas não só porque podem ser aplicadas a nós mesmos e permitindo-nos ter uma estrutura do nosso trabalho e da forma como vemos o nosso trabalho, as comunidades e nós próprios mas também porque é fascinante ver os pontos de vista de outras pessoas. Estamos a falar de cerca de 17 pessoas, todas de caminhos diferentes, a responder às mesmas perguntas, cada um à sua maneira. É simplesmente fantástico ver todos estes primas e pontos-de-vista e aprender com os mesmos, inspirando-nos e dando-nos uma imagem abrangente das várias formas de lidar e ver o sacerdócio.

É sem dúvida um livro que recomendo vivamente e acredito ser essencial, nos dias de hoje, para qualquer pessoa interessada em seguir um caminho sacerdotal ou, em alternativa, que já seja sacerdote e queira aumentar o seu conhecimento e ver pontos de vista diferentes!

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 
XIV - A Temperança

Nome do Arcano: A Temperança
Número: XIV
Descrição: No baralho de Rider-Waite a carta da Temperança é representada por um anjo com asas. O anjo usa um robe de azul claro com um triangulo dentro de um quadrado na frente. O anjo balança os dois pés, um em rochas e um dentro de água. Está a deitar água entre dois cálices nas suas mãos. No fundo há um caminho que vai ter a uma montanha onde se vê uma coroa dourada, por cima da montanha.*
Símbologia: No Arcano da Temperança o anjo é tanto feminino como masculino. Na sua roupa vemos um triângulo (a humanidade) dentro de um quadrado (a lei natural). Este símbolo representa que o Homem está sujeito à Terra e às suas leis, na qual ele vive. O anjo está a balançar-se entre a água e a rocha, colocando um pé em cada uma, representando o equílibrio entre manter-nos centrados na Terra mas, ao mesmo tempo, deixarmo-nos fluir como a água de um rio. Os seus dois cálices, por onde a água está a passar de um para o outro, mostram-nos a simbologia do movimento constante e a alquimia da vida. No fundo, o caminho rumo à montanha onde está a coroa de Sol, representa o caminho que traçamos e fazemos na nova vida, rumo ao nosso Eu mais elevado, mantendo-nos orientados para os nossos objectivos de vida.

Significado:

  • Posição Normal
Na sua posição original a carta da Temperança traz consigo o equílibrio, convidando-nos a abrandar o nosso ritmo e estabilizar a nossa energia, permitindo-nos sintonizar com os ritmos da Natureza e do Universo. Esta carta lembra-nos que está no momento de voltar a meter ordem na nossa vida e no nosso caminho, de respirar fundo e preparar-nos para voltar a andar no caminho que é o certo, rumo ao nosso ideal. É também uma mensagem para nos mantermos calmos em momentos em que a vida possa ser mais complicada ou atribulada e para nos mantermos imparciais em discussões. Este não é o momento para nos envolvermos em conflitos mas sim a ocasião para tomar um "caminho do meio" e manter a imparcialidade, entendendo e aceitando todos os outros caminhos e opções. A nível dos nossos objectivos e projectos, esta carta pede-nos para ter uma imagem clara do que queremos atingir na nossa cabeça e começar a traçar o caminho rumo a esse Eu ideal. Este é um momento de aprendizagem e reflexão, o qual devemos aproveitar para nos focar e iniciar o trilho rumo aos nossos objectivos. 

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta da Temperança é um convite para voltarmos a estabelecer equílibrio na nossa vida. Podemos ter passado por um momento complicado em que houve um desequílibrio (alimentar, emocional, profissional, etc) porém este é o momento para começarmos a inverter a situação e voltar a estabelecer um ponto de balanço onde possamos atingir o nosso equílibrio. Este é um esforço activo que deve ser feito, pois se permanecermos demasiado tempo neste estado desequilibrado, as consequências para o nosso ser poderão ser demasiado fortes. Esta carta alerta também para o facto de que algo não está certo na nossa vida e é preciso fazer uma reflexão profunda, para encontrar este ponto errado e corrigi-lo, para re-estabelecer a ordem natural das coisas no nosso caminho e na nossa vida. É um momento de cura profunda a nível interno, de forma a que possamos libertar-nos de tudo o que não nos serve e tudo o que é tóxico, para voltarmos ao caminho rumo ao nosso Eu ideal. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
Unsplash (Miroslava)
Hoje vamos começar uma série que irá estender por todo o ano 2020 e vamos abordar a Bruxaria de Cozinha durante os Festivais da Roda do Ano (seguindo a Roda do Ano do Hemisfério Norte). E qual melhor festival para começar, do que Yule? O Yule será celebrado agora em Dezembro no Hemisfério Norte e acho que é a altura ideal para dar início a esta nova jornada na Bruxaria da Cozinha aqui no nosso blogue.

Se querem saber um pouco mais sobre Yule, temos um artigo dedicado a este festival aqui com todas as informações relevantes sobre o mesmo.

Festival: Yule ou Solstício de Inverno
Datas: 21/22/23 de Dezembro (HN) ou 21/22/23 de Junho (HS)

O Solstício de Inverno é uma celebração que assinala o momento em que o Sol se aproxima mais do horizonte, tocando no "ponto" mais baixo e preparando-se para voltar a subir no céu. É a noite mais longa do ano e marca o pico do Inverno, com o começo da subida do Sol a assinalar o regresso da luz e o caminho para a Primavera. Sendo um momento escuro, dado que é a noite mais longa do ano, é um momento em que, em tempos antigos, os nossos antepassados se reuniam em casa, em torno da fogueira, e era um momento muito voltado para a família e para o convívio. Ainda nos dias de hoje isso se verifica, com celebrações de outras fés religiosas cujas datas coincidem com o Solstício de Inverno (ex. O Natal). 

Assim sendo, esta é uma época em que a comida tem um papel muito importante não só como sustento durante o Inverno duro e frio mas também como forma de união e comunhão entre as pessoas da família. Muitas famílias têm as suas receitas tradicionais para esta época do ano e recomendo vivamente que, se tiverem essa possibilidade, investiguem quais as receitas que existem na vossa família, onde originaram, questionem os vossos familiares sobre as suas origens ou o que eles costumavam comer quando eram mais novos nesta altura. Isto irá permitir ter uma melhor noção de como esta altura do ano era celebrada (mesmo que os vossos familiares não sejam pagãos) e ter uma maior conexão com a vossa história pessoal e familiar. Este conhecimento pode depois ser adaptado na vossa prática pessoal e continuado como uma tradição dentro do Paganismo. 

Alguns dos alimentos de destaque desta época são, por exemplo, frutos secos ou preservados (dado a escassez de alimentos frescos durante o inverno), maçãs, mel, sementes e grãos, carnes, vinhos, bolachas e comida confeccionada, gengibre, entre outros. Podem ser utilizados na confecção de bolos como bolos ou biscoitos de gengibre, chás, biscoitos de frutos secos ou de maçã, o famoso Bolo-Rei onde há um aproveitar das frutas cristalizadas, etc. A imaginação é o limite! Um dos alimentos recentes que tomou também um papel de destaque nas mesas desta época do ano é o nosso querido chocolate! Este pode ser utilizado numa variedade enorme de sobremesas e doces para rechear a nossa mesa e satisfazer os mais novos. 

Esta é uma excelente altura para fazer bolos ou pães que requeiram o forno, não só porque o forno pode ser uma forma de aquecimento de uma divisão mas também porque é uma forma de simbolizar o processo de recolher para o interior e crescer até estarmos prontos para sair, como é o caso dos bébés antes de nascer ou dos animais durante a hibernação, é a analogia perfeita para esta época do ano. 

Um dos principais alimentos que podem ser cozinhados nesta altura, e aproveitados para diversos usos (decorações de natal, alimentação para animais, etc) é nada mais, nada menos, do que biscoitos (ou bolachas, como preferirem chamar!). Estes podem ser feitos com recheio de frutas e produtos da época, podem ser criados em diversos formatos para representar esta altura do ano e a simbologia do Solstício, permitindo ensinar aos mais novos ou, até, introduzir de forma discreta as nossas crenças numa mesa de refeição onde, de outra forma, poderiam não ser tão bem aceites. Afinal, ninguém diz que não a um biscoito, não é? 

Outra coisa excelente para fazer nesta altura do ano é aproveitar as sementes e frutos secos para criar pequenos snacks para os animais de rua, principalmente os passarinhos. Podem untar maçãs com manteiga de amendoim ou de amêndoa e juntar sementes e colocar na parte de fora das casas ou nos jardins para alimentar os pequenos animais que vivem na vossa zona, para que os mesmos também possam ter abundância nesta altura do ano. Partilhar a abundância e recordar que vivemos numa comunidade e em conjunto com todas as pessoas e seres que nos rodeiam é um dos pontos fulcrais nesta celebração de Solstício. 

Por fim, as bebidas quentes como o chocolate quente, os chás (maçã e canela, gengibre, etc.) e os vinhos quentes são também excelentes escolhas para acompanharem as refeições desta altura tão especial! 

E vocês? O que gostam de incluir na mesa durante esta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
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Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0