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Sob o Luar

Capa do Livro
Título: A Coin for the Ferryman: The Death and Life of Alex Sanders 
Autor(es): Jimahl diFiosa
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Pela primeira vez em mais de 20 anos, chega a biografia definitiva do bruxo mais famoso do mundo: Alex Sanders. Pela primeira vez, Jimahl diFiosa conta a verdadeira história do "Rei das Bruxas" - nem demónio, nem santo -, mas algo entre os dois.
Onde Comprar: RedFaun Press
Análise: Eu tive o prazer de conhecer o autor e o seu esposo num evento em 2023, que foi quando obtive este livro (e outros) para ler. Entretanto, veio o burn-out e o hiatus e acabei por não chegar a publicar esta review, mas, como diz o ditado, mais vale tarde que nunca!

Primeiro que tudo, quero referir que, apesar de não ser Wiccana, eu tenho um carinho muito especial pela Wicca, porque foi o meu ponto de entrada no estudo do Paganismo e Bruxaria, principalmente através do Scott Cunningham e da Doreen Valiente. Então nunca recuso ler mais sobre o assunto, principalmente biografias, que é algo que eu adoro. 
 
E este livro foi, numa só palavra, fantástico. Eu li-o em dois dias e foi-me dificil pousar e parar a leitura, porque a forma como este livro está escrito é simplesmente deliciosa e prende-nos às páginas. A melhor descrição que posso dar, e que já dei a várias pessoas, é que ler este livro é uma sensação parecida a estar numa sala, com todas as pessoas que contribuíram com as suas memória para este livro, a ouvi-las falar acerca do Alex Sanders. 
 
Outro ponto interessante, que acho importante referir, é que este livro dá-nos uma percepção completamente diferente do Alex Sanders que normalmente se vê. E acho que isto é fortemente influenciado pelo facto de que a maioria das informações e relatos presentes neste livro vem de pessoas que realmente o conheceram, que viveram com ele, conviveram, realizaram rituais e assistiram à sua vida e ao seu trabalho no dia-a-dia. Eu sinto que, pessoalmente, grande parte do que sabia da vida do Alex Sanders vinha de fontes que, em muitos casos, estavam apenas a falar daquilo que tinham ouvido, que achavam ou que leram, contrariamente ao que este livro faz, que é transportar-nos, através das memórias das pessoas que com ele viveram, para os momentos-chaves da sua vida. Este livro mostra-nos um Alex que não é um ser perfeito, Rei das Bruxas, mas também não é um charlatão que desrespeita a mulher, nem as outras mil e uma coisas que ouvimos pela internet fora. Ele é apenas Alex Sanders, um homem complexo, com virtudes e com defeitos, com ações boas e ações más, cujo legado marcou profundamente uma tradição enorme que até hoje prospera e cresce com milhares de praticantes espalhados pelo Mundo fora. 
 
O autor, e as pessoas entrevistadas ao longo do livro, reforçam frequentemente esse ponto, e eu sinto a necessidade de o fazer também, que não podemos cair na falácia de considerar o Alex Sanders nenhum dos dois polos: Nem um santo, nem um diabo. Sanders foi um homem normal, como qualquer outro homem, que se distingue pelo seu trabalho, pelo seu legado e pelo seu serviço à Deusa e à sua tradição, mas que não deixa de ser um homem, sujeito às leis da natureza e sujeito a falhar, como todos falhamos. Creio que isto pode ser aplicado não só ao Alex Sanders, mas a todas a figuras do Paganismo e da Bruxaria que já faleceram e que temos a tendência de colocar em pedestais. É importante lembrar que devemos honrar e celebrar os seus legados, mas manter sempre presentes que, no final do dia, estas figuras eram tão humanas como nós. 

No fim, acho que este é um excelente livro e só posso recomendá-lo a toda a gente que tenha interesse na Wicca Alexandrina e na figura do Alex Sanders, porque este é, sem dúvida, um livro de referência que deve estar nas estantes de qualquer pessoa com interesse por esta temática!
 
E vocês? Já leram? O que acharam?

Olá a todes! ✨

Em 2024 quando anunciei o hiatus do Sob o Luar, reconheço que o anúncio pode ter surgido "do nada", contudo, aqueles me são próximos sabem que era uma necessidade já se vinha a arrastar e que atrasei o máximo possível. Para quem não sabe, o Sob o Luar é um projecto de uma só pessoa: Eu, Alexia Moon. E, em 2024, encontrava-me a tentar gerir um trabalho a tempo inteiro, a frequência na licenciatura (também a tempo inteiro) e variados projectos que me levaram à exaustão, até ao ponto em que tive de me afastar. Parar o blogue foi um momento agridoce: Por um lado, remover toda a pressão que o Sob o Luar me trazia naquela altura foi surreal mas necessário e gratificante; por outro lado, a sensação de estar a desiludir as comunidades pagãs, as pessoas com as quais me tinha comprometido a criar conteúdos e as pessoas que esperavam atentamente pelos conteúdos que eu criava, trouxe-me desilusão pessoal também.

Contudo, quase dois anos mais tarde, reconheço o quão importante foi essa decisão e quanto a minha percepção do meu trabalho sacerdotal e comunitário mudou. E assim, retorno ao Sob o Luar com um novo olhar, um novo propósito e mais descansada. Acho particularmente especial o facto de que este regresso acontece em 2026, quando o blogue fará dez anos de aniversário. Como tal, aproveito para agradecer a todos os que aguardaram o meu regresso e, àqueles que não voltarão, agradeço pela presença e pelas leituras e tempo que me dispensaram ao longo destes anos, por mais pequena que tenha sido a vossa visita.

Este retorno, porém, não vem sem mudanças:

Primeiramente, o Sob o Luar volta sem presença nas redes sociais. Nem Instagram, nem Facebook, nem Twitter (ou X)... A única rede social que, para já, planeio ter é o Bluesky, onde não existem algoritmos e necessidade de alimentar máquinas capitalistas de consumismo. Não quero satisfazer tendências mas antes criar conteúdo útil para as comunidades pagãs, e se tal era possível em 2006, sem redes sociais, também hoje o é, sem necessidade das mesmas. 

Em segundo lugar, e porque considero este um tópico de extrema importância, o blogue retorna com o aviso explícito de que a sua autora se opõe veemente a qualquer tipo de Inteligência Artificial Generativa (e AI em geral). Nenhuma imagem ou texto presente neste blogue tem, ou alguma vez terá, origem em AI. Não só por questões ambientais mas, também, por questões éticas. A minha ética pessoal e os meus príncipios rejeitam totalmente a AI.

Em terceiro lugar, apesar de estar a voltar ao blogue, não planeio voltar com a mesma intensidade a nível de conteúdos. Por mais que custe, o ritmo de produção deve acompanhar a poesibilidade, pelo que o meu retorno será mais fluído e mais calmo. Idealmente, planeio manter uma postagem por mês, ou até mais. Vai depender da musa, da inspiração e das spoons disponíveis.

Adicionalmente ao longo dos próximos meses pretendo também re-escrever alguns dos artigos já publicados. Comecei este blog em 2016 e em 10 anos há muita coisa que já mudou e tenho formas diferente de ver as coisas, por isso, vou aproveitar para dar uma nova vida a textos antigos.  

Como nota final, e tão importante nos tempos que correm, reitero que a autora deste blogue é uma mulher feminista bisexual e queer e que este espaço será sempre seguro para pessoas queer, trans e de qualquer identidade LGBTQIA+. Os comentários sempre foram, e continuarão a ser, moderados e qualquer tipo de discurso de ódio será efectivamente apagado. 

Dito isto,  espero continuar a produzir conteúdos que sejam úteis às comunidades Pagãs portuguesas, e que acompanhem o Sob o Luar nesta nova fase!

Vemo-nos no próximo post,

Bênçãos Plenas,
Alexia Moon 

Olá a todes!

Este post não é um retorno (mas está para breve!), mas gostava de deixar aqui partilhado que vou participar num evento agora no final de Agosto entitulado Mistérios do Círculo: Ciclo de Conversas de Paganismo e Bruxaria, sob o tema "Portais e Inicios".  

Este evento vai decorrer no servidor "Círculo dos Cogumelos" no Discord, organizado pela Mora Sininho Rosa. Podem obter mais informações aqui (instagram). Os bilhetes podem ser comprado no Ko-Fi aqui ou obtendo acesso à secção de Cogumelos com uma doação no Ko-Fi da Rosa.

Este evento vai dividir-se em duas partes: na parte da manhã, será aberto um espaço de convívio, para todos falarem do seu caminho e fazerem amizades pagãs, com algumas atividades interativas. Na parte da tarde, irão ocorrer palestras acercas de variados temas. O tema deste ano é "Portais e Inícios", por isso vamos tirar este tempo para refletir sobre como começamos e como chegámos ao nosso caminho atual.

Horário das Palestras no dia 31 de Agosto (domingo):

15h 🌑 "Bruxaria Tradicional Europeia" por Yiara (@/greenishiara no Twitter e Bluesky)

16h 🍃 "Entre a Terra e o Céu: Fundamentos do Paganismo Irlandês" por Bran Bradain (bosquedocorvo.com e @branbradain )

17h 🧚‍♀️ "Fadas, Portais e o Começo de uma Jornada" por Mora Sininho Rosa (foradestemundo.com)

18h 🧿 "Renascer no Ofício: O Sacerdócio Pagão como um Novo Começo" por Alexia Moon (sob-luar.blogspot.com)

 Espero ver-vos por lá. 💖

Quanto ao meu retorno para o Sob o Luar, posso confirmar que está para perto, diria mais umas semanas, e virá com bastantes mudanças (todas elas positivas!). 

Bênçãos Plenas,

Alexia Moon 

Olá!

Tornou-se complicado, e diria até impossível, conciliar todos os aspetos atuais da minha vida sem ter de parar algo. Como tal, optei por pausar, indefinitivamente, o Sob o Luar. 

Vai ficar tudo como está, o blogue não vai a lado nenhum, nem os seus recursos. O Diretório Pagão continua online, mas sem novas inscrições. Quem está inscrito e quer sair ou alterar dados, poderá enviar e-mail. O Patreon já foi informado e será encerrado ao longo deste mês. As redes sociais (Facebook e IG) ficaram sem actualizações e as consultas às DMs serão esporádicas, sendo o melhor método para falar comigo via e-mail!

Espero conseguir voltar no futuro próximo. Obrigada a todos pelo apoio que me deram sempre e um até já! 

Bênçãos Plenas,
Alexia Moon


Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

***

Nome: Hera (Ἡρη)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Hera é a mais velha das filhas de Kronos e Rhea e, à semelhança dos seus irmãos, foi engolida pelo pai até ser libertada pelo seu irmão Zeus. São várias as zonas da Grécia que dizem ser o berço de Hera, entre elas Argos e Samos. Sabe-se pouco da sua infância até ao casamento, contudo, a história da corte de Zeus a Hera é famosa, sendo que autores romanos atribuíam o símbolo do cuco à deusa, pois Zeus ter-se-ia tornado num cuco para a conquistar. O seu casamento com Zeus é um dos poucos casamentos oficiais na mitologia Grega e, por isso, Hera é a Deusa dos Casamentos e das Uniões. Em Homero, Hera é caracterizada como sendo ciumenta e obstinada, fazendo até Zeus tremer. Na Guerra de Troia, a mesma opõe-se aos troianos e apoia os gregos, e está presente em vários mitos e nas histórias de vários heróis como o Julgamento de Paris, a Viagem de Jasão, etc. É frequentemente representada como uma mulher madura, em posição de poder, com uma expressão que comanda a  reverência. Na sua cabeça costuma ter uma coroa, representando o seu estatuto como Rainha dos Deuses. 

Celebrações: A nível do culto de Hera temos vários registos do seu culto, do qual destacamos os Jogos de Heraea, celebrados a cada cinco anos em Olimpia, em honra à Deusa Hera. Adicionalmente, a Deusa era cultuada em várias cidades espalhadas pelo território grego, com destaque para Argos, a cidade de Hera.  

Geneologia: Filha de Kronos e Rhea e mãe de Ares, Hebe, Eileithyia, Hefesto e as Charites (Graças). 

Epítetos: Agreie ("de Argos"), Gamelia ("a do Casamento"), Zugia ("A que Une"), entre outros.

Símbolos: O cuco, a vaca, o cetro real, a coroa, leões, entre outros. 

Leitura Recomendada: 
  • Theoi - Hera
  • Helenos.br - Hera
  • Helenos.br - Hinos a Hera
  • Vídeo "In Defense of Hera" de Fel the Blithe
Capa do Livro
Título: The Soul’s Inner Statues
Autor(es): Kaye Boesme
Pontuação: ★★★★★
Descrição: O livro "The Soul's Inner Statues" é um guia prático para qualquer pessoa que deseje desenvolver uma prática espiritual sólida e honrar os Deuses. Este livro leva-o numa jornada pelos fundamentos da oração diária, oferecendo orientações sobre como encontrar e honrar os Deuses que ressoam consigo. Explora práticas contemplativas, os elementos essenciais para criar rituais significativos, a importância da purificação e o papel do lar e da casa na sua prática espiritual. Também fala da importância da mentalidade, do pensamento crítico e da aprendizagem ao longo da vida. 
Onde Comprar: Github (disponível grátis)
Análise: Hoje venho falar-vos do livro "The Soul's Inner Statues" que li durante a pausa do Sob o Luar. Este livro, disponível gratuitamente online (link acima), é um pequeno guia para quem pretende começar um caminho politeísta. O livro é bastante influenciado pela tradição platonista (de Platão, o filósofo grego), que é a tradição a que a autora se identifica e segue. Isto faz com que o livro seja bastante abrangente e facilmente adaptável a qualquer tipo de tradição ou caminho específico que o leitor siga. 

O livro está dividido em várias partes: 
  1. Fundações
  2. Deuses
  3. Purificação
  4. As Mecânicas do Ritual
  5. Aprendizagem ao Longo da Vida
  6. Virtudes
  7. Navegar Grupos

Em cada uma das partes, existem subtópicos onde a autora desenvolve acerca de cada um e fornece exercícios, reflexões, meditações, rituais e outras dicas úteis. É um livro bastante abrangente e facilmente adaptável, ao contrário de outros livros que acabam por ter uma visão mais voltada para a Wicca. 

Algo que eu gostei bastante neste livro, foi a forma como a autora nos faz pensar na filosofia e na importância que uma filosofia de vida tem, e orientar-nos pelos nossos próprios critérios. Adicionalmente, a secção acerca de Grupos está muito boa e com informação muito essencial, principalmente referente aos riscos de lidar com certos grupos e ter atenção ao comportamento das pessoas. 

Outro aspecto positivo do livro é que, como devem ter reparado, o mesmo está disponível gratuitamente online no GitHub e, inclusive, pode ser feito download de uma versão ePub ou PDF, para ser lido em e-readers. Isto torna a acessibilidade ao documento muito mais fácil e, por isso, é dos primeiros livros que tenho recomendado (a quem lê inglês, claro) para quem está interessade em começar a prestar culto e honras aos Deuses. 

E vocês? Já leram? O que acharam? 

Tal como em todos os aspectos da nossa vida, a nossa jornada espiritual ou religiosa ou até mágica, nunca será linear. O nosso caminho não é um trilho de A a B mas sim de A a Z com paragem em quase todas as letras do alfabeto e, às vezes, até letras que não existem (ou até voltarmos atrás ao início do alfabeto e começarmos tudo de novo!). Isto faz com que, a certas alturas, haja momentos de dúvidas. Podem ser dúvidas como "Será que quero celebrar este festival?" ou dúvidas como "Será que acredito mesmo nisto?". E, tal como é normal ter dúvidas, é normal sentir culpa de ter dúvidas, contudo, esta culpa é desnecessária e temos de a ultrapassar, para que possamos enfrentar as nossas dúvidas e sair do "buraco" para onde tropeçamos. 

Ao longo de todo o meu caminho já passei por vários momentos de dúvidas e hoje venho trazer-vos alguns conselhos de como eu consegui ultrapassar alguns destes momentos, na esperança de vos ajudar a ultrapassar os vossos. Claro que nem todos os momentos de dúvida são iguais e o que serviu para mim, pode não servir para vocês (até pode nem servir para mim no futuro!) mas quantas mais possibilidades e reflexões fizermos, mais fácil é enfrentar o elefante na sala, por isso, vamos lá?

Para mim, o primeiro passo é entender qual é a dúvida ou qual o problema que estou a enfrentar no momento. Apesar de fácil, este pode ser dos passos mais complicados pois requer que sejamos sinceros connosco próprios e aceitemos que algo está errado ou que algo não está a funcionar bem. E, para quem está no mesmo caminho há muito tempo, pode ser complicado aceitar que algo já não funciona ou que deixou de fazer sentido. A mudança é assustadora, principalmente quando é algo que nos é tão pessoal como a espiritualidade/religiosidade. Contudo, não podemos enfrentar a tempestade sem saber como ela se chama e de que é feita, por isso, recomendo escolher um momento tranquilo, sentar e refletir sobre qual é o obstáculo. Aconselharia até a escrever num caderno ou numa folha, pois a realidade de olhar para algo escrito, preto no branco, torna tudo muito mais real e menos assustador. 

Depois de sabermos com o que estamos a lidar, temos de começar a lidar com o assunto. Para facilitar o artigo, vamos escolher um dilema e desenvolver como o mesmo pode ser ultrapassado. Imaginemos que o nosso dilema é "Sinto que a Wicca já não é o caminho para mim, e que não me sinto feliz". Como é que podemos começar a resolver esta situação? Para começar, eu diria para escreverem, por baixo desta frase, o que sentem que já não funciona. Será os festivais? É o facto de ser um caminho mais duoteísta (Deus e Deusa)? É o próprio nome em si? Ás vezes achamos que o caminho todo já não nos serve e, afinal de contas, era só um pequeno aspecto como "sinto que não consigo celebrar todos os Sabbats e sinto-me insatisfeite" ou "sinto que sou mais politeísta e menos duoteísta". Ao encontrarmos os pontos que nos deixam desconfortáveis, encontramos a forma de os desconstruir e arranjar uma solução. 

Assim que sabemos exatamente o que nos incomoda, é a altura de descobrir como lidar com isso. Aqui, é complicado sugerir soluções, porque vai depender não só de qual o problema em específico mas, também, daquilo que queremos fazer. No caso acima, a pessoa pode não querer deixar a Wicca mas apenas alterar coisas na sua prática pessoal. E, algo que sinto que devo insistir, isso é perfeitamente normal e dois Wiccanos não são iguais e podem, perfeitamente, adaptar a sua prática para encaixar no que sentem que é certo. Recomendo, contudo, se fazem parte de um coven organizado, que falem com os Altos Sacerdotes/isas e vejam alternativas, de forma a não se afastarem das práticas do coven, mas, se forem solitários, o céu é o limite e podem adaptar a vossa prática para se encaixar mais dentro da vossa vontade. Ao mesmo tempo, podem sentir que querem seguir um caminho diferente, e mudar para, por exemplo, "Pagão Eclético" e adaptar a vossa prática, mudando algumas celebrações ou coisas que fazem. Essa mudança é válida! 

Somos todos humanos e, por consequência, estamos todos sujeitos a mudanças e alterações na nossa vida. Ninguém fica a mesma pessoa da adolescência até à velhice, por isso, não sintam medo em mudar as vossas nomenclaturas ou os vossos caminhos, se sentirem que é o passo na direção certas. No final de contas, a espiritualidade e a religiosidade são coisas para ser vividas e experienciadas por nós, fazem parte da nossa vida pessoal, e não devemos satisfações a ninguém. Devemos fazer aquilo que sentimos que é certo e que é o apropriado para a nossa realização pessoal. Não tenham medo de mudar, o que importa, é que estejam felizes e se sintam ligados à vossa espiritualidade, seja ela qual for. 

E vocês? Já passaram por momentos destes? Quais as vossas dicas para quem está a passar por um momento destes?
Capa do Livro
Título: O Círculo Interior: Um discurso sobre a Tradição Alexandrina da Witchcraft
Autor(es): Karagan Griffith
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Um olhar intenso sobre a história da tradição mas também ensinamentos para clarificar alguns elementos que são sobejamente mal entendidos. Baseado na experiência do autor na tradição, este livro ilustra os fundamentos da tradição e noções interessantes do ponto de vista de um iniciado. Contém também alguns exercícios para que, quem lê, possa também avançar um pouco na prática que poderá levar, quem sabe, um dia a uma iniciação.
Onde Comprar*: Lulu
Análise: Hoje trago-vos um livro que considero, na minha opinião, uma peça extremamente necessária às comunidades pagãs portuguesas: um livro acerca da Wicca Alexandrina, escrito por um sacerdote de um coven da Tradição Alexandrina (Coven de Tomar). 
Já tinha ouvido falar do Coven de Tomar e do autor há algum tempo, mas tive o prazer de falar tanto com ele como alguns membros do Coven e, inclusive, participar numa mesa redonda com o Karagan no 1º Encontro Ancestral (cuja cobertura podem ver aqui) e fiquei logo fã de todo o trabalho dele. E, como tal, não passei a oportunidade de adquirir o livro no evento. 
Este é um livro que é bastante completo na informação que transmite. É muito acessível e com linguagem de fácil compreensão e recheado de informações úteis como as origens da Wicca Tradicional e da tradição Alexandrina, incluindo informação sobre as linhagens e sobre várias pessoas cujo trabalho foi impactante para o surgimento da Tradição Alexandrina; desenvolve acerca dos princípios da Tradição, tocando em vários pontos importantes, inclusive tem um capítulo dedicado ao conceito da Iniciação (que é tão debatido nas comunidades!) onde o autor nos explica acerca de como o processo funciona dentro da Tradição, acerca do "Vouch" (algo que, na minha opinião, é excelente numa Tradição e que eu gosto muito na Wicca)! Tem também todo um capítulo acerca dos Covens, com muita informação para quem está interessade em juntar-se a um coven ou a entender como os mesmos funcionam. 
Algo que eu quero destacar neste livro, e que faz com que eu goste tanto dele, é a transparência do autor. Sem divulgar nenhum aspecto secreto da Tradição (que os há, como todas as Tradições da Wicca Tradicional), ele consegue falar abertamente de todos os tópicos, inclusive os mais difíceis como abusos sexuais e predadores nas comunidades, as questões da identidade de género e até acerca da sexualidade ritual e da nudez ritualística. Achei muito refrescante ler um livro que é tão sincero e genuíno. 
No final do livro, o autor tem uma seção com perguntas e respostas que, suponho, são questões que são frequentemente colocadas ao coven e a ele próprio e disponibiliza ainda uma pequena lista de recursos e recomendações literárias, inclusive espalhadas ao longo do livro. 
Achei genuinamente que o "O Círculo Interior" é um livro que fazia falta nas nossas comunidades. Temos muitos livros de Wicca mas poucos livros de Wicca Tradicional, principalmente de Tradição Alexandrina e principalmente que tenham sido escritos atualmente, e não há 50 anos atrás (que, pessoalmente, acho importante pois vivemos em contextos diferentes daqueles que os fundadores viviam). É um livro que fazia falta às nossas comunidades e que recomendo vivamente a todos os interessades na temática da Tradição Alexandrina! 

E vocês? Já leram este livro? Que acharam? 

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O blogue está abandonado? Não vejo posts novos!
Nope! 😅 Mas a Alexia tem uma vida bastante ocupada, principalmente agora com o Mestrado e nem sempre consegue manter o blogue atualizado. Quando ela tiver tempo, ela escreve algo mas entretanto, têm imensos recursos (+10 anos!) para ler. As informações mensais são atualizadas todos os meses. 💖

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Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0