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Sob o Luar

Se este artigo vos parece familiar é porque é, trata-se de uma nova versão de um artigo existente de 2023 que achei que estava na altura de dar uma nova vida, com novos pontos de vista. 

Ao longo do nosso caminho dentro do Paganismo e Bruxaria é inevitável que tenhamos a sensação de estar presos num patamar que não nos satisfaz. Em que sentimos que algo não está certo, apesar de estarmos a fazer a mesma coisa que temos vindo a fazer nos últimos tempos (às vezes até anos!), mas que não sabemos como mudar ou o que fazer para solucionar esta situação. Apesar da consistência e da rotina serem essenciais para o nosso dia-a-dia e constituírem as bases fortes da nossa prática, corremos sempre o risco de nos tornarmos estagnantes e atingir um ponto em que fazemos as coisas não porque as mesmas fazem sentido ou têm propósito, mas porque uma versão nossa anterior disse que tínhamos de fazer. E, tanto na Magia como no Paganismo, o propósito e a intenção são os pilares que nos orientam e definem a nossa prática. As nossas ações, sejam devocionais ou mágicas, precisam de intenção e a rotina, por vezes, pode retirar essa intenção e tornar as nossas ações como repetições mecânicas, despedidas de propósito. 

Antes de mais gostaria de recomendar a leitura do livro "The Witch's Path" da Thorn Mooney. Já falei muito dele daqui na análise literária e considero ser um livro excelente tanto para iniciantes como praticantes de longa data e que contém vários exercícios adaptáveis a todos os graus de dificuldade e situações possíveis, que nos ajudam a evoluir no nosso caminho, a quebrar rotinas tóxicas e a ser a nossa melhor versão de nós próprios enquanto Bruxes e, até, Pagãos. Um livro por ser relacionado com Bruxaria não quer dizer que não seja útil para aqueles que se identificam apenas como Pagãos. 

De seguida é preciso entender a origem desta estagnação e isso começa por uma reflexão interior. Esse é o momento de honestidade pessoal, em que temos de refletir e ser genuinamente honestos connosco próprios.  Temos de nos perguntar: o que é que não nos satisfaz? É preciso sentar, analisar as nossas rotinas, as nossas ações e entender onde está aquilo que já não faz sentido. Será a forma como falamos com as nossas divindades? Será o aspeto do nosso altar? Será a nomenclatura que usamos para nós próprios? Ou talvez seja o método divinatório que usamos diariamente que já não nos inspira para trabalharmos com? Algo estará a ser a causa da nossa estagnação e precisamos de refletir, genuinamente e sinceramente, e identificar o que é, para que o possamos mudar e curar. 

Um pouco importante, que sinto que afeta muita gente, é a ideia de que não podemos mudar e temos de nos manter fiéis aquilo que "dizemos ser". Isto é principalmente verdade na era das redes sociais. Definimos a nossa personalidade, os nossos gostos e os nossos caminhos com diversas "labels" e "etiquetas" que atribuímos a nós próprios. Tudo isto é válido e faz sentido, contudo, temos de garantir que isto nos serve realmente como uma ferramenta de auto-conhecimento e auto-trabalho e não como um factor limitador. Para isso, temos de aceitar que a mudança faz parte da vida e da nossa existência. Tal como a Natureza muda, da Primavera até ao Inverno, também o nosso caminho, seja pessoal ou espiritual, pode mudar ao longo da vida. 

Encontrando aquilo que não funciona no nosso quotidiano e que nos deixa insatisfeitos, está na altura de aplicar mudanças. Pode ser algo simples como passar a ter orações à noite ao invés de durante o dia, pode ser mudar a forma como celebramos os festivais, experimentar mais festivais ou menos festivais, conectar com uma divindade, desconectar com outra divindade, etc. A resposta é algo pessoal e a forma como ela vai ser aplicada vai ser pessoal também. Não há um manual ou um guia 101 de como construir a nossa prática ou como reconstruir a nossa prática, pelo que confiem na vossa intuição. Recordem-se: A vossa prática, espiritual ou mágica, tem de servir para vocês. Só vocês, não para algoritmos, para seguidores ou para outros (a menos que estejam dentro de grupos ou covens, aí esta dinâmica poderá ser diferente), mas principalmente para vocês.

Porém há alturas que nem assim conseguimos entender ao certo o que está errado. Por mais que pensemos ou meditamos simplesmente não conseguimos entender. Algo não está certo, mas o que será? Nestes casos, eu recomendo, tal como a Thorn recomenda no seu livro, que façamos uma lista de coisas gostamos e experimentemos um pouco. Não há regras que nos impeçam de mudar ou adaptar a nossa prática durante uns tempos. Nada diz que não podem experimentar outros caminhos. Por isso outra solução é ver o que é que nós gostamos de estudar e ler sobre: Será que gostamos de ler sobre Deuses Egípcios? Ou sobre Druidismo? Ou sobre práticas de bruxaria marinha? Escrever quais são os nossos interesses e por que motivo gostamos deles. E depois… experimentar! Fazer práticas de bruxaria marinha durante um mês e ver o que gostamos de fazer e o que não gostamos. Aplicar algumas práticas de Druidismo no nosso dia-a-dia. Ler sobre Divindades Egípcias e até investigar práticas keméticas e ver algo nos agrada. E experimentar, aplicar nas nossas rotinas e na nossa vida e ver se gostamos das mudanças ou não. E se não gostarmos, mudamos para outra coisa até encontrar o que sentimos que faz sentido.

Outra alternativa é voltar às origens. A maioria de nós começa o seu caminho no Paganismo ou na Bruxaria de forma bastante entusiasmada e temos tendências a olhar para essa altura como sendo uma altura bastante feliz e rica. Como tal, uma reflexão para essa altura para entender o que funcionava e o que não funcionava, voltar a aplicar algumas dessas rotinas no nosso dia-a-dia e tentar entender se esse retorno às origens poderá ajudar a revigorar o nosso quotidiano atual.  

Dentro da Bruxaria e do Paganismo temos milhares de tradições e caminhos, cada uma com as suas práticas e as suas técnicas de trabalho. Não há um caminho certo, como tal, podem e devem explorar os vossos caminhos da forma que sentem ser mais confortável e mais certa para vocês. Sem medos e sem receios, apenas partindo à aventura. E é exatamente isso que eu recomendo para quem está num momento de estagnação: Aceitar a mudar ao invés de tentar forçar o que não funciona e ir em busca daquilo que faz o nosso coração vibrar em alegria.

E vocês? Como gostam de fazer para sair de momentos de estagnação na vossa prática?

Olá a todes!

Gostava de partilhar que vou estar presente num evento em Março, chamado "Feira do Ocultismo e Esoterismo". Vou ter o prazer de dar uma palestra entitulada "Desmistificar a Senhora das Encruzilhadas: Quem é Hekate?" onde planeio falar acerca da Senhora Hekate, os seus mitos e desmistificar algumas ideias erradas a seu respeito, principalmente relacionada com a ideia de Hekate como Deusa Anciã, Hekate como Deusa Triplice (Donzela/Mãe/Anciã) e outras questões que surgem frequentemente nas redes sociais. 

Vou ter também a honra de estar acompanhada de várias pessoas fantásticas, cujo trabalho recomendo imenso como a Mora Sininho Rosa, a Joana Martins, a Mariana Vital, o Karagan Griffith, a Amala Oliveira, entre outros. 

O evento vai contar também com uma feira e vários workshops ao longo dos dois dias. Os workshops e as palestras requerem inscrição e pagamento, e podem inscrever-se através deste link.

Espero ter a oportunidade de vos ver por lá! 💖

Bênçãos Plenas,
Alexia Moon 

Capa do Livro
Título: A Coin for the Ferryman: The Death and Life of Alex Sanders 
Autor(es): Jimahl diFiosa
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Pela primeira vez em mais de 20 anos, chega a biografia definitiva do bruxo mais famoso do mundo: Alex Sanders. Pela primeira vez, Jimahl diFiosa conta a verdadeira história do "Rei das Bruxas" - nem demónio, nem santo -, mas algo entre os dois.
Onde Comprar: RedFaun Press
Análise: Eu tive o prazer de conhecer o autor e o seu esposo num evento em 2023, que foi quando obtive este livro (e outros) para ler. Entretanto, veio o burn-out e o hiatus e acabei por não chegar a publicar esta review, mas, como diz o ditado, mais vale tarde que nunca!

Primeiro que tudo, quero referir que, apesar de não ser Wiccana, eu tenho um carinho muito especial pela Wicca, porque foi o meu ponto de entrada no estudo do Paganismo e Bruxaria, principalmente através do Scott Cunningham e da Doreen Valiente. Então nunca recuso ler mais sobre o assunto, principalmente biografias, que é algo que eu adoro. 
 
E este livro foi, numa só palavra, fantástico. Eu li-o em dois dias e foi-me dificil pousar e parar a leitura, porque a forma como este livro está escrito é simplesmente deliciosa e prende-nos às páginas. A melhor descrição que posso dar, e que já dei a várias pessoas, é que ler este livro é uma sensação parecida a estar numa sala, com todas as pessoas que contribuíram com as suas memória para este livro, a ouvi-las falar acerca do Alex Sanders. 
 
Outro ponto interessante, que acho importante referir, é que este livro dá-nos uma percepção completamente diferente do Alex Sanders que normalmente se vê. E acho que isto é fortemente influenciado pelo facto de que a maioria das informações e relatos presentes neste livro vem de pessoas que realmente o conheceram, que viveram com ele, conviveram, realizaram rituais e assistiram à sua vida e ao seu trabalho no dia-a-dia. Eu sinto que, pessoalmente, grande parte do que sabia da vida do Alex Sanders vinha de fontes que, em muitos casos, estavam apenas a falar daquilo que tinham ouvido, que achavam ou que leram, contrariamente ao que este livro faz, que é transportar-nos, através das memórias das pessoas que com ele viveram, para os momentos-chaves da sua vida. Este livro mostra-nos um Alex que não é um ser perfeito, Rei das Bruxas, mas também não é um charlatão que desrespeita a mulher, nem as outras mil e uma coisas que ouvimos pela internet fora. Ele é apenas Alex Sanders, um homem complexo, com virtudes e com defeitos, com ações boas e ações más, cujo legado marcou profundamente uma tradição enorme que até hoje prospera e cresce com milhares de praticantes espalhados pelo Mundo fora. 
 
O autor, e as pessoas entrevistadas ao longo do livro, reforçam frequentemente esse ponto, e eu sinto a necessidade de o fazer também, que não podemos cair na falácia de considerar o Alex Sanders nenhum dos dois polos: Nem um santo, nem um diabo. Sanders foi um homem normal, como qualquer outro homem, que se distingue pelo seu trabalho, pelo seu legado e pelo seu serviço à Deusa e à sua tradição, mas que não deixa de ser um homem, sujeito às leis da natureza e sujeito a falhar, como todos falhamos. Creio que isto pode ser aplicado não só ao Alex Sanders, mas a todas a figuras do Paganismo e da Bruxaria que já faleceram e que temos a tendência de colocar em pedestais. É importante lembrar que devemos honrar e celebrar os seus legados, mas manter sempre presentes que, no final do dia, estas figuras eram tão humanas como nós. 

No fim, acho que este é um excelente livro e só posso recomendá-lo a toda a gente que tenha interesse na Wicca Alexandrina e na figura do Alex Sanders, porque este é, sem dúvida, um livro de referência que deve estar nas estantes de qualquer pessoa com interesse por esta temática!
 
E vocês? Já leram? O que acharam?
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Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0