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Sob o Luar

Imagem Unsplash (Dan Farrell)
Hoje vamos começar uma pequena série sobre Cristais! Os cristais são uma excelente ferramenta para qualquer Bruxa ou Bruxo, são formas de ligação imediata com o elemento Terra e, ao mesmo tempo, são ferramentas muito diversificadas e com imensas forma de utilização. E é por serem partes são versáteis e importantes da prática diária é que vamos falar sobre cristais hoje. Vamos começar por fazer a distinção entre os vários formatos e tamanhos em que podemos adquirir cristais.

Os cristais podem ser adquiridos em dois formatos: Em bruto (ou seja, serem terem sido moldados pelo homem) ou em formato polido (tendo sido polidos para um determinado aspecto). Vamos aprofundar um pouco mais sobre algumas das formas mais comuns em que encontramos cristais. 

Pedras/Cristais em Formato Bruto
  • Biterminados
Imagem Wikipedia
Os cristais biterminados são cristais que possuem naturalmente duas pontas polidas. É comum encontrar cristais que tenham sido lapidadas para parecerem ter este aspecto, sem ser realmente o natural. Os cristais com este formato são bastante utilizados para trabalhos com chakras como limpezas e alinhamentos e também para centrar energias. 
  • Drusa
Imagem Unsplash (Carole Smile)
A drusa é, em termos geológicos, uma camada de cristais finos numa superfície rochosa. Por norma, em termos mágicos, são utilizadas como método de limpeza de outros cristais ou objectos e também para programação de energia de ambientes. 
  • Geodo
Imagem Wikipedia
Geodo (ou geode/geodes) são cristais provenientes de rochas vulcânicas ou sedimentares. Basicamente são cavidades nas rochas que estão revestidas por pontas de cristais. O exterior é, por norma, calcário. Em termos mágicos podem ser utilizados para amplificar energias e também como fontes de energia, para rituais ou trabalhos mágicos. 
  • Ponta
Imagem Wikipedia

Cristais em formato de ponta são cristais que, naturalmente, ficam num formato pontiagudo. Podem haver várias variações deste formato (ex: laser, etc). Podem ser de tamanho pequeno ou grande, dependendo do tipo de cristal sendo que os formatos de "laser" costumam ser do tamanho de uma mão ou pouco maiores, por serem mais sensíveis. Os cristais neste formato são utilizados para direccionamento de energias, ativação de outras pedras ou cristais e para processos de cura. 
  • Sem Formato/Amorfo

Imagem Pixabay (TessaMannonen)
Temos também os cristais em bruto e sem formatos definidos e que não se encaixam nos referidos acima. São cristais ou pedras que acabam por necessitar de uma manutenção mais constante e também atenção especial para garantir que não se quebram ou lascam, dado estarem num estado mais bruto. Estes são os mais comuns de ser ver à venda (para além das pedras polidas) e são bastante adaptáveis na prática diária. Possuem as características das respectivas pedras e cristais e podem ser utilizados da mesma forma que se utilizariam cristais polidos, para os diversos usos que cada pedra ou cristal tenha para oferecer. 


Pedras/Cristais Polidas
  • Rolada
Imagem Wikipedia
À semalhança das pedras brutas amorfas estes cristais rolados são dos mais comuns de encontrar à venda e, também, possuem imensas formas de uso. Em contrapartida com os seus pares em formato bruto, não requerem uma manutenção tão frequente dado que não correm o risco de lascar, por estarem devidamente moldadas. São de grande utilização em amuletos, saquetas, elixires e em qualquer trabalho mágico, as possibilidade são infinitas com estes cristais. 
  • Pirâmide
Imagem Wikipedia
Inspiradas nas grandes pirâmides presentes em tantas civilizações antigas, os cristais em forma de pirâmide são excelentes conductores de energia. Podem ser utilizados para controlar ou modificar o ambiente energético de um local ou para direccionar energia para um determinado propósito. 
  • Esfera
Imagem DeviantART - Rae134 
Cristais em forma de esfera são dos mais conhecidos e são muitas vezes associados às bolas de cristais. Se forem de um tamanho apropriado e um cristal que seja compatível com a prática, é possível utilizá-los como método divinatório de bola de cristal ou scrying. Como não têm lados, os cristais em formato de esfera conseguem emitir energia de forma suave, tal como o seu formato, em todas as direções. São excelente para utilizar em trabalhos sensíveis e para meditação, podendo brincar com o cristal enquanto medita. 
  • Ovo
Imagem MaxPixel 
Os cristais em formato de ovo são mais raro de encontrar mas possuem diversas utilizações. São comuns em práticas principais asiáticas e utilizados como métodos de relaxamento e anti-stress. Podem também ser utilizados em massagens, sessões de reiki ou de alinhamento de energias. 
  • Obelisco
Imagem Wikipedia
De formato semelhante à pirâmide e presente também no Mundo Antigo e na Arquitectura Moderna, o formato de cristais em obelisco pode ser utilizado para direccionamento de energias e para manipulação de energias em espaços. Os usos deste formato são muito semelhantes aos da pirâmide, apesar de que o obelisco, por ser mais vertical, acaba por ter uma energia um pouco mais activa e dinâmica. 

***

Estes são apenas alguns dos formatos mais populares nos quais podemos encontrar cristais. As características de cada cristal podem ser ampliadas pelo tipo de formato que lhe é dado. Uma drusa de citrino, por exemplo, é uma forma excelente para limpar outros cristais e objectos e uma pirâmide de quartzo rosa é uma forma fantástica para promover amor e harmonia um determinado espaço da casa. Os cristais têm formas variadas de ser utilizados e são uma ferramenta quase que indispensável! 

E vocês? Quais os vossos formatos favoritos de cristais?

VIII - A Força

Nome do Arcano: A Força
Número: VIII
Descrição: No baralho de Rider-Waite a Força é representada por uma mulher a gentilmente acariar um leão na sua cabeça e queixo. A mulher usa um robe branco e um cinto e coroa de flores. Acima da sua cabeça encontra-se o símbolo do infinito. *
Símbologia: Nesta carta leão representa as paixões primais e desejos e, ao domar o leão, a mulher, com a sua energia calma e carinhosa, demonstra que o instinto animal e a paixão primal podem ser expressadas de forma positiva. Se verificamos, ela não usa força física mas sim a sua força interior e determinação. A mulher usa um robe branco que demonstra a sua pureza e as flores na sua cabeça e cinto, representam as expressões puras da Natureza. O infinito, por cima da sua cabeça, fala-nos do potencial e sabedoria infinita da mulher.

Significado:

  • Posição Normal
Primordialmente a carta da Força representa a força interior e a capacidade de ultrapassar os obstáculos. Tal como a mulher da carta doma a fera que é o leão, também o consulente tem em si as ferramentas necessárias para ultrapassar e domar os obstáculos da vida. Há um compromisso para com um objectivo e a Força demonstra que o consulente tem todas as ferramentas necessárias para atingir o pretendido. Este Arcano ensina-nos que a força nem sempre vem de fora, mas de dentro e da nossa capacidade de liderar e de controlar-nos a nós mesmos e às nossas vontades e desejos primais e crus. A Força leva-nos a controlar a nossa "besta interior" de forma a que esta energia possa ser canalizada de forma produtiva e de forma a que nos ajude no nosso objectivo. Mesmo com medo, esta carta recorda-nos que devemos aceitar o medo e reconhecê-lo mas manter a nossa coragem e enfrentá-lo na mesma. É uma altura de ser consciente das nossas capacidades e reunir a nossa energia e moldar as nossas vontades primais para atingir a harmonia necessária para lidar com a situação em mãos.

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta da Força alerta-nos para a necessidade de parar e de cuidar de nós próprios. Será que temos energia e auto-confiança a mais ou estaremos esgotados e cansados? Esta carta recorda-nos a necessidade de parar para analisar a situação e voltar a atingir o equilíbrio. É preciso refletir e pensar em eventos passados, entender a nossa força e os nossos pontos fortes e nas nossas conquistas, porém, não devemos agir sem pensar nem tornar-nos explosivos. Seja em que posição estiver a Força, ela alerta-nos sempre para a necessidade da harmonia. É preciso rever os níveis de energia do consulente e entender qual o plano de acção a tomar, seja ele um foco nos cuidados próprios ou um foco na própria saúde, de forma a atingir o ponto de equilíbrio necessário. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
Título: Paganism 101: An Introduction to Paganism by 101 Pagans
Editor(es): Trevor Greenfield 
Pontuação: ★★★★☆
Descrição: "Paganism 101: An Introduction to Paganism by 101 Pagans" é uma introdução ao Paganismo escrita por 101 pagãos. Agrupados em três seções principais: "Quem somos", "O que acreditamos" e "O que fazemos" e com um total de vinte tópicos fundamentais para a compreensão das principais tradições pagãs. Estes tópicos têm uma introdução e são depois elaborados por outros seguidores e praticantes, dando ao leitor uma melhor visão da variedade e diversidade que o Paganismo oferece. 
Onde Comprar*: Wook 
Análise: Este é um livro que me é próximo dado que tive o prazer de participar nele e contribuir com um tópico porém não deixarei que isso influencie a minha opinião ou análise do livro. Considero que seja uma pena que o livro não esteja disponível em Português e apenas em Inglês porque uma das coisas que gosto acima de tudo é a diversidade de pontos de vista. 
 
Este livro é a prova da famosa frase "Faz uma pergunta a 10 pagãos e terás 11 respostas diferentes". Diversos pagãos contribuiram para a criação deste livro e isto é fantástico porque dá-nos toda uma perspectiva sobre cada um dos tópicos abordados seja Druidismo, Wicca, Bruxaria, etc. É uma forma de ver além da teoria que os livros normais nos ensinam e ouvir directamente dos praticantes como é que fazem as suas práticas, como são os seus caminhos e quais as diferenças. Conseguimos ver vários Wiccanos que, apesar de partilharem o título de Wiccanos, praticam caminhos significativamente diferentes e até têm pontos de vista diferentes sobre alguns assuntos e isso é importante, porque nos mostra e comprova, uma vez mais, a diversidade existente nas comunidades pagãs. 
 
O livro está muito bem organizado e separado em secções correspondente a diferentes caminhos dentro do Paganismo e cada secção é introduzida por um autor ou figura importante daquela comunidade sendo que depois conta com diversos contributos (de várias temáticas) de pagãos praticantes das respectivas tradições, traçando aqui a diferente entre os praticantes e também entre os praticantes e a figura ou autor que está a fazer a introdução ao tópico. Acho que o livro é um excelente trabalho e representação das comunidades pagãs, creio que a Editora (Moon Books) estava a pensar em fazer mais livros deste género mas não sei se acabou por fazer ou não porém é uma editora com bastantes bons recursos e também recomendo que dêem uma olhadela. 
 
No geral, espero que esta obra seja um dia traduzida para português para estar mais ao alcance das nossas comunidades!

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 
VII - O Carro/Carruagem

Nome do Arcano: O Carro/Carruagem
Número: VII
Descrição: No baralho de Rider-Waite o Carro/Carruagem é representado por um guerreiro dentro de uma carruagem. Ele veste armaduras decoradas com luas crescentes e uma tunica com um quadrado e outros símbolos alquímicos e, na cabeça, tem uma coroa de louros e com uma estrela. Ele encontra-se de pé e não tem rédeas na mão. Acima da sua cabeça está um toldo com estrelas de seis pontas. À frente da carruagem estão duas esfinges, uma branca e uma negra, cada uma para lados opostos. Atrás da carruagem corre um rio e uma vila ao longo. *
Símbologia: Nesta carta o Guerreiro demonstra a ser corajoso mantendo-se em pé e determinado com a sua armadura, decorada com luas crescentes (representando aquilo que está a nascer e a surgir) e a túnica decoradas com quadrados e símbolos alquímicos, representando a vontade e a transformação espiritual. Apesar de parecer que está a guiar a carruagem, se verificarem com atenção, notam que não há rédeas e que apenas a sua vontade e determinação controlam o carro. O toldo, por cima do Guerreiro, representa a conexão com o divino e o Mundo celestial e, à sua frente, as esfinges de cores diferentes representam a dualidade e forças opostas (inclusive cada uma delas está a puxar para um lado oposto e apenas a determinação do Guerreiro controla o caminho). O rio, na parte de trás do guerreiro e da Carruagem, representam a necessidade de estar em sintonia com o ritmo e o fluir da vida e, ao mesmo tempo, de seguir como a corrente rumo aos objectivos.

Significado:

  • Posição Normal
Primordialmente a carta da Carruagem representa a Vontade, Determinação e Força. Quando esta carta surge ela traz consigo a mensagem de encorajamento e de que o alvo da leitura tem aquilo que necessita para atingir os seus objectivos, sendo que necessita apenas de confiar em si mesmo e ser determinado nos seus objectivos. A Carruagem alerta também de que haverá pessoas e obstáculos no caminho e testes que serão colocados porém o consulente tem consigo as ferramentas necessárias para ultrapassar estas situações e atingir os objectivos que pretende. Esta carta recorda-nos que não é altura de estar passivamente a aguardar que as coisas ocorram mas sim altura de por mãos à obra pois a Carruagem confirma que a nossa jornada será bem sucedida, desde que tenhamos certeza e confiança nas nossas capacidades. Pode também representar, em termos práticos, uma viagem ou deslocação positiva.

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta da Carruagem representa a necessidade de fazer uma pausa e analisar a situação. Enquanto na posição normal esta carta nos incentiva a avançar rumo aos objectivos, quando invertida ela alerta-nos para a necessidade de parar e reavaliar a situação e questionar se existe algum motivo específico pela qual as coisas estão a ser díficeis. A Carruagem urge-nos a entender quais são os obstáculos e porque razão estão lá e, ao mesmo tempo, fazer-nos entender que não podemos querer ter controlo de tudo ao nosso redor que há certas coisas sobre as quais não temos qualquer tipo de controlo. E isso é normal! Este arcano ensina-nos a entender que há coisas que devem fluir e cabe a nós entender o motivo porque isso acontece e analisar o momento, permitindo criar o espaço necessário para ultrapassar as dificuldades e começar então a rumar em direcção ao que é pretendido. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
Unsplash (Tyson Dudley)
As Ondinas são, na maioria das vezes, associadas como sendo do sexo feminino devido à forte ligação entre o Elemento Água e a Mulher e o aspecto feminino. Porém, este elemental também tem a sua versão masculina. São responsáveis por diversas tarefas associadas ao elemento água, tanto a nível da água doce (rios, riachos, etc.) como também a nível da água salgada (oceanos e mares). Há quem faça a distinção de que as Ondinas pertencem à água doce e as Sereias pertencem à água salgada, existem ambos os pontos de vista, sendo que deixo isso ao critério do praticante e da sua conexão com estes elementais.

As Ondinas podem habitar em cascatas, riachos, pântanos, charcos, margem dos rios e praias, cavernas subterrâneas, etc. São os espíritos da Água e, como tal, estão presentes em locais onde haja água em abundância.

São elementais acima de tudo associado com as emoções e são, por norma, relativamente amigáveis e de contacto mais fácil do que as Salamandras. Porém é sempre necessário manter o nível de respeito e a noção de que estamos a lidar com entidades diferentes de seres humanos.

As Ondinas (tal como as Sereias) são um dos principais elementais a ser retratado nas mitologias e histórias de folclore, desde a Antiguidade (ex: A Odisseia). São, maioritariamente, representadas como sendo antropomórficas, muito bonitas e graciosas e estão bastante presentes na Arte e Escultura.

Tal como os elementares anteriores, também as Ondinas têm o seu Rei, denominado de Necksa (Ou Nicksa) e, à semelhança dos casos anteriores, é necessário cuidado e respeito ao lidar com esta entidade dado que a mesma é, para todos os efeitos, Rei de um conjunto de elementais e de um Elemento.

O trabalho com as Ondinas tem diversos efeitos nos seres humanos, quando bem estabelecido. O elemento Água está associado aos sentimentos e sensações e, como tal, o trabalho com estes elementais despoleta um maior equilíbrio e entendimento da nossa intuição, dos nossos sentimentos e sensações e do campo emocional. E o oposto se verifica, no caso de um trabalho inexistente ou incorretamente feito.

As formas de contactar estes Elementais será no seu habitat natural, através de meditações junto de riachos, praias, rios, nascentes, etc. Uma excelente forma é através da limpeza e manutenção destes espaços e oferendas alimentares ou benéficas para aqueles locais. A melhor forma de estabelecer uma conexão com as Ondinas é através de honrar os seus espaços. Caso não tenha espaços destes próximos, pode também recorrer a fontes de interiores (fontes de água alimentadas por baterias ou energia elétrica) e utilizar essa fonte como ponto de conexão com o Elemento Água. Se possível, garanta que a água é retirada de um nascente ou de uma fonte.

Terminamos assim a nossa série e esperamos que tenham gostado de aprender mais sobre os Elementais de cada elemento!

E vocês, leitores? Já estabeleceram contacto com estes elementais?
Título: Memórias de uma Feiticeira: Feitiços e Ritos com histórias
Autor(es): Lilith
Pontuação: ★★★★★
Descrição: "O meu tio A. não passava nas encruzilhadas de noite e, se tinha de o fazer, deixava um fio de azeite num dos caminhos para a moura não atormentar, mas se fosse Lua Cheia não ia, nem com os conselhos que a Tia lhe dizia: - só se deixares leite, porque com a Lua prenhe a moura canta e prende e só a distrais com leite e depois ela vira serpente e foge, mas foges tu primeiro e nunca olhas para trás...""Esta minha estima por Marta Martalina, a que não era santa nem divina, mas sim uma mulher encantadora, foi o impulso para o meu interesse pelo Príncipe das Trevas. Lá no fundo do meu coração, eu queria encontrá-Lo, ser a sua noiva. Enfim, algo me atraía para o outro lado, o do desconhecido que todos temiam e fingiam não acreditar. Mas nos livros de feitiços, era a Ele a quem pediam favores. E pensei: "Então se há quem ame Cristo, também há quem ame Lúcifer?" Afinal o diabo é belo, chamam-lhe um anjo caído e eu queria conhecê-lo! Se havia um anjo caído, Lúcifer, quem seria ele?" "Conforme eu avançava, o tapete negro ia-se levantando, as capas elevavam-se do chão quais asas negras ondulantes. Senti estar a ser recebida em casa da Morte que estava a cumprimentar-me, presenteando-me com uma cerimónia do mais intenso e estético momento que uma sacerdotisa dos antigos pode receber. Ali, no seu reino, ela abria-me o caminho e eu avançava enquanto as capas negras iam saindo do chão negro e aveludado, dando lugar ao piso de pedra mármore bela e fria. " "Qualquer prática para mudar o destino, aciona sempre a Lei do Retorno"
Onde Comprar: Espiral
Análise: Tenho a admitir que este livro é algo especial, porque não só conheço a autora há longos anos, mas também tenho um carinho especial por ela e, como tal, ler a sua biografia foi sem dúvida uma aventura muito bem recebida!
Este é um livro diferente dos restantes livros porque nem é livro de feitiços nem é biografia, é as duas coisas juntas de forma harmoniosa e fluída, que o torna simplesmente fantástico. Lilith é uma das figuras importantes do Paganismo Português, sendo a Cofundadora e Presidente da PFI-Portugal/Associação Cultural Pagã e tendo diversos outros títulos de importância em Portugal e na Europa. O seu trabalho reflete-se nas comunidades e, como tal, este livro é sem dúvida um excelente contributo e um legado do seu trabalho. Neste a autora conta-nos da sua vida e dos primeiros passos no Paganismo e no mundo do Ocultismo, partilhando connosco receitas e feitiços que tiveram impacto ao longo da sua vida e dando-nos acesso aos mesmos, para que os possamos aplicar na nossa vida. São recursos muito preciosos pois estamos a falar de práticas que dificilmente se encontram disponíveis hoje em dia, oriundas de práticas antigas e locais. São também feitiços e rituais que nos mostram como, por baixo da máscara do Catolicismo, se encontram práticas antigas e que têm um valor tremendo para a Magia e para os praticantes modernos da Velha Arte. Ao mesmo tempo, conta-nos da sua vida e vivências num tom como se estivéssemos sentados junto a uma lareira a beber um chá e conversar como amigos. É um livro de rápida leitura e extremamente acessível para os leitores, transportando-nos para o surgimento do movimento neopagão em Portugal, na segunda metade do século XX e permite-nos refletir sobre as diferenças do antes e do agora, do secretismo dos velhos tempos e a maior abertura de hoje em dia.
O livro aborda diversos temas, em paralelo com a biografia da autora, como questões de amor, saúde, proteção, astrologia e até os Deuses Antigos, dando-nos também um gostinho sobre o crescimento da Wicca e da mesma vista do ponto de vista português. Creio que é sem dúvida um bem importante para o Paganismo português a existência desse livro e posso apenas esperar que mais venham, para que possamos conhecer e recordar toda a evolução do Paganismo português até aos dias de hoje. É sem dúvida um livro que recomendo.
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