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Sob o Luar


Hoje voltamos à nossa série de Conceitos e vamos falar de Druidismo! Neste caso vamos falar, mais especificamente, de "Neo-Druidismo", ou seja, a prática moderna de Druidismo e não a prática histórica atribuída aos povos da Bretanha em períodos pré-romanos. O Druidismo pode ser definido de várias formas e é um caminho bastante amplo. Uma das organizações mais famosas associadas ao Druidismo é a OBOD - Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas (e em PT) e os mesmos definem Druidismo como sendo:

"Druidry, or Druidism as it is also known, manifests today in three usually separate ways: as a cultural enterprise to foster the Welsh, Cornish and Breton languages; as a fraternal pursuit to provide mutual support and to raise funds for good causes, and as a spiritual path. Each of these different approaches draws upon the inspiration of the ancient Druids, who were the guardians of a magical and religious tradition that existed before the coming of Christianity, and whose influence can be traced from the western shores of Ireland to the west of France – and perhaps beyond." -- Druidry.org

Traduzido, será: "Druidismo manifesta-se hoje de três caminhos diferentes: Como um empreendimento cultural para promover as línguas galesa, córnico e bretã; como uma busca fraterna para fornecer apoio mútuo e arrecadar fundos para boas causas; e como um caminho espiritual. Cada uma dessas diferentes abordagens baseia-se na inspiração dos antigos druidas, que eram os guardiões de uma tradição mágica e religiosa que existia antes do advento do cristianismo, e cuja influência pode ser rastreada desde a costa oeste da Irlanda até o oeste da França - e talvez além."

Há quem considere o Druidismo como sendo uma religião, quem considere o Druidismo como sendo um caminho religioso e, inclusive, há quem considere o Druidismo como sendo apenas um caminho de conhecimento. Muitas vezes o Druidismo assume um papel importante na vida das pessoas que, por variados motivos, até se identificam com outras religiões diferentes (dentro e fora do Paganismo), acabando por gerar vários sub-caminhos como "Druidcraft" (Uma mistura entre Wicca e Druidismo) e outros. Para a grande maioria dos praticantes, o Druidismo assume-se como sendo um caminho espiritual principalmente voltado para o conceito espiritual e natural da vida. Muitos Druidas identificam-se com variadas formas de crença desde politeísmo, animismo, monoteísmo ou duoteístas sendo que todas estas visões da Divindade co-existem dentro das comunidades druídicas. Uma das principais características destas comunidades é o facto que as mesmas são muito tolerantes de outros caminhos e co-existem de forma fantásticas. Pessoalmente, acho que o Druidismo é dos caminhos em que melhor a co-existência religiosa se verifica. 

No Druidismo a Natureza assume um papel de destaque, quer a nível espiritual através de práticas e de conexões com a Natureza e tudo o que os rodeia, quer a nível fisico, através de variadas campanhas ou trabalhos voltados para a ecologia e o bem-estar animal. Isso está refletido nos "Seven Gifts" que a OBOD defende. Podem carregar no link anterior para ler mais acerca dos mesmos e nas próprias Crenças Druídicas. 

Uma boa forma de aprender Druidismo, principalmente se se identificarem com os príncipios e trabalhos da OBOD, é através de fazerem as formações que a OBOD disponibiliza. As mesmas estão disponíveis em Inglês ou até em Português, através da OBOD Portuguesa e permitem a interessados efetuar vários cursos dentro da OBOD, permitindo uma maior aprendizagem, e com um apoio certificado, do Druidismo que é disponibilizado pela mesma. 

Contudo, a OBOD não é a única forma de ser druida ou de praticar Druidismo! O Druidismo pode ser praticado de forma solitária e eclética, em pequenos grupos ou até noutras associações e grupos espalhados pelo Mundo fora. Não tenham medo de explorar, ver novos recursos e aprender mais. Nos nossos Recursos temos algumas recomendações acerca de Druidismo quer a nível de podcasts, blogues, livros e até canais de Youtube. O conhecimento está ao vosso dispor, basta esticar a mão e dar os primeiros passos! 

O que acham de Druidismo? É algo que vos interessa?

Crédito de Imagem: Unsplash (K. Mitch Hodge)

Hoje vamos falar de outro método divinatório e vamos falar de Scrying! Scrying é um método bastante antigo e bastante famoso entre vários praticantes de Bruxaria e pode ser bastante útil, principalmente para quem prefere métodos mais visuais e intuitivos para os seus trabalhos divinatórios ou oraculares sendo que até pode ser utilizado para contacto com divindades e outros usos. 

Scrying é, para todos os efeitos, a arte de visualizar coisas e mensagens em superficies espelhadas sendo que as mais comuns são  a bola de cristal ou o espelho negro. Contudo pode também ser feita com água, com fogo ou até com um espelho normal, dependendo do praticante e daquilo que for mais prático ou acessível. Este é um método que requer bastante concentração e prática, podendo demorar muito tempo a ser dominado e a devolver resultados, contudo, não é impossível! 

Este método é conhecido, na media em geral, como sendo o método utilizado por Bruxas famosas como as da Disney e de outros filmes e séries para descobrir coisas. Desde a bola de cristal da Bruxa Má do Oeste no Feiticeiro de Oz até ao Espelho da Rainha Má da Branca de Neve, este é dos métodos divinatórios mais famosos e mais facilmente identificáveis, contudo, não é dos mais fáceis de aprender. É muito fácil deixar-nos cair no erro de acreditar ou até de forçar imagens na nossa mente quando estamos a trabalhar com as ferramentas de scrying e a necessidade de saber distinguir o que realmente estamos a ver e o que estamos a imaginar é um dos principais talentos a desenvolver para esta prática divinatória. 

Este método pode ser utilizado tanto para previsões ou adivinhação ou, de forma ainda mais desenvolvida, pode ser utilizado para trabalho interno da nossa prática, seja para comunicação com divindades ou para sessões de auto-conhecimento. Uma boa recomendação quando estamos a trabalhar com esta ferramenta é ter um gravador ou um telemóvel a gravar áudio para que possamos falar alto o que estamos a ver e, dessa forma, ficar com um registo em formato de áudio. Este método de registar acaba por ser mais fácil porque não temos de parar de olhar para o espelho ou para a água ou bola de cristal para escrever o que estamos a visualizar. 

Como falei, Scrying pode ser feito em várias superfícies: Bolas de cristal (variados cristais mas por norma é preferencial o Quartzo Hialino ou até o Vidro), tigelas ou recipientes com água, chamas de velas ou de fontes de fogo, espelhos negros (muito tradicionalmente utilizados na Bruxaria Moderna) ou espelhos normais, entre outras. 

Em artigos futuros dentro deste método divinatório irei ensinar a criar o próprio espelho negro e como fazer scrying com o mesmo, mantenham-se atentes! 

Crédito de Imagem: Unsplash (Halanna Halila)

Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

***

Nome: Artémis (Αρτεμις)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Artémis é filha de Leto e irmã gémea de Apollo. A sua mãe engravidou de Zeus e foi perseguida por toda a Grécia, ao longo da gravidez, pela Deusa Hera, enraivecida pelo nascimento de dois novos filhos ilegítimos de Zeus. Leto encontrou refúgio na ilha de Delos onde finalmente deu à luz os seus filhos, primeiro Artémis e depois Apollo, cujo nascimento foi apoiado pela sua irmã. Artémis é a Deusa olímpica da caça e dos animais selvagens. Está associado a tudo o que é selvagem, como florestas e habitats de animais não-domesticados. É uma Deusa também associada ao nascimento e ao parto, dado o seu papel na ajuda do nascimento do Deus Apollo. Sobre a sua proteção encontram-se todas as jovens raparigas até à idade de casamento, dado que Artemis é uma Deusa Virgem que recusa o casamento e vive em liberdade com as suas caçadoras pelas florestas da Grécia. Existem vários mitos associados a Artémis como o mito de Callisto uma das criadas de Artemis que foi seduzida por Zeus e, consequentemente, transformada num urso por Artémis, temos também o mito de Orion um gigante companheiro da Deusa que foi morto por Artémis por engano e eternamente imortalizado nas estrelas como a constelação Orion. Há ainda o mito de Actaeon que espiou a Deusa e as suas caçadoras e, como castigo, foi tornado num veado e perseguido e morto pelos seus cães. 

Celebrações: O culto de Artémis era espalhado por toda a Grécia, com inúmeros templos e altares espalhados pelas cidades e, principalmente, nas zonas mais rurais. Os principais templos de adoração a Artémis eram os de Brauron na Ática (Atenas) e de Caryae em Lakedaimonia. Alguns dos principais festivais associados a Artémis são o MOUNYKHÍA (Μουνυχία - neste festival Artémis é honrada como Deusa da Lua e a Senhora das Feras), BRABONEIA, ARTEMISIA, BRAURONIA (celebração realizada a cada 5 anos em Brauron) e ARTEMIS AGROTERA (Άρτεμις Άγροτερα - nesta celebração honrava-se o papel de Artémis como Deusa da Caça).

Geneologia: Filha de Zeus e Leto, é irmã gémea do Deus Apollo e foi a primeira a nascer, tendo auxiliado no parto do seu irmão gémeo. 

Epítetos: Dǽspina (Senhora, Rainha), Diana (nome romano para Artémis), Évdromos (A veloz), Kóri (Jovem), Lokheia (A que ajuda no parto), Nyktæróphitos (A que caminha na noite), Philomeirax (amiga dos jovens), Thiroktónos (Caçadora de Bestas Selvagens).

Símbolos: Arco e flecha, lanças de caça, tocha, lira, jarro de água. É representada como uma jovem menina vestida com uma túnica e, por vezes, acompanhada por corças ou veados. Pode também ter um manto e um capacete e, por vezes, pele de veado pelas costas. Os símbolos ou imagens de animais selvagens são lhe também atribuídos como importantes no seu culto. 

Leitura Recomendada: 

Theoi - Artemis
Hellenic Gods - Artemis
"Teogonia" de Hesiodo
"Artemis" de Sorita d'Este
Hino Homérico a Artemis (Nº 9)

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Voltamos à nossa série de artigos e hoje vamos falar sobre a Wicca, um dos caminhos mais famosos do Neo-Paganismo e da Bruxaria Moderna! 

A Wicca surgiu como religião na década de 1950, após a última lei que proibia e castigava a prática de Bruxaria na Inglaterra ser abolida. Este surgimento da Wicca deveu-se a Gerald Gardner. A Wicca, ao contrário da ideia popular, não é a reconstrução de uma Antiga Religião Pagã Celta do Neolítico ou de outro período pré-histórico. Ela foi "compilada", à falta de melhor termo, por Gerald Gardner, com base nos seus estudos ao longo dos anos, na sua participação em grupos de Bruxaria Tradicional Folk Britânica, no seu conhecimento de ordens como a Golden Dawn, Maçonaria, Thelema e outras. A Wicca é uma religião bastante recente na sua organização e não é uma imitação ou reconstrução dos caminhos celtas ou pagãos de antigamente. Este facto não é motivo para considerar a Wicca menos religião do que outro caminho. Não são as origens de um caminho que o fazem mau ou bom. 

A Wicca é um culto duoteísta que se concentra em duas divindades: A Deusa e o Deus. Estas duas divindades possuem diversas faces, podendo ser encaradas como Deusa e Deus ou como um outro Casal Sagrado, presente numa mitologia à escolha do praticante. Na Wicca são celebrados os 8 festivais da Roda do Ano (Samhain, Yule, Imbolc, Ostara, Beltane, Litha, Lughnassadh e Mabon) que são as celebrações da Natureza e a passagem das estações, associadas ao Mito da Roda do Ano, que poderá ser visto na secção das Celebrações. Para além destas festividades, na Wicca ainda se celebra os Esbats que são celebrações de Lua, sendo que são realizados rituais ou celebrações relacionados com cada fase da Lua em questão. Existem vários textos que são considerados importantes dentro da Wicca como a Carga da Deusa, a Carga do Deus, a Rede Wiccana, entre outros, pelo que recomendo a leitura dos mesmos a todos os interessados. 

A Wicca é dividida em duas principais ramificações: Wicca Tradicional e Wicca Moderna. A Wicca Tradicional é a vertente mais antiga, baseada nos trabalhos de Gerald Gardner e de Alex Sanders sendo que é bastante rígida e conta com a presença das Leis Wiccans, obrigatoriedade de ritos 'skyclad', entre outros aspectos. A Wicca Moderna, como o próprio nome indica já conta com um método mais aberto, dado que é a junção de todos os novos caminhos que surgiram e ainda surgem dentro da Wicca e que contam com uma maior liberdade de trabalho e com a presença, em vários casos, da "auto-iniciação", conceito introduzido por Raymond Buckland. Como falei, a Wicca é uma religião iniciática e sacerdotal, ou seja é uma religião que necessita iniciação e todo o iniciado é Sacerdote ou Sacerdotisa. Neste aspecto da Wicca existem diversos debates. Gardnerianos defendem que apenas aquele que é iniciado num coven de linhagem tradicional é realmente Wiccano. Mas com o surgimento de novas tradições, várias pessoas (Raymond Buckland, por exemplo) vieram mudar a opinião do Mundo quanto a este aspecto.

Na Wicca existe, como em todos os lados, diversas controvérsias, A Iniciação ou Auto-Iniciação é uma delas. Não me sinto capacidade para opinar sobre o assunto, contudo, irei dar as informações bases em torno deste debate: A Wicca é, tradicionalmente, um caminho iniciático e sacerdotal (isto significa que é um caminho no qual a Iniciação é obrigatória e todo o iniciado é Sacerdote). A controvérsia em torno deste assunto trata-se que a vertente tradicionalista acredita e defende que a Iniciação deverá ser feito dentro de um coven estabelecido e com todas as regras que isso incluí, enquanto grande parte da vertente Moderna defende o conceito de "auto-iniciação". 

Para terminar, gostaria de deixar aqui neste artigo é uma lista de Recursos sobre Wicca, com um enfoque na Wicca Tradicional, e considero ser essencial para qualquer interessado nesta temática! 

Crédito de Imagem: Unsplash (Halanna Halila)
Capa do Livro
Título: Pagan Portals - Hellenic Paganism
Autor(es): Samantha Leaver
Pontuação: ★★★★☆
Descrição: O Paganismo Helénico tem crescido em interesse há vários anos e tem-se tornando uma forte presença no Neo-Paganismo. Como acontece com a maioria dos caminhos, existem muitas práticas diferentes no mundo helênico, todas sustentadas pelos valores e pela ética do que se entende ser o modo de vida helênico. Isto inclui praticantes que simplesmente acreditam e trabalham com Theoi e aqueles que tentam a difícil tarefa de reconstruir essa religião muito rica e desafiante. O paganismo helênico explora a revitalização e modernização da vida grega antiga.
Onde Comprar*: Wook
Análise: Antes de começar esta análise gostaria só de esclarecer que, apesar de nas minhas redes sociais pessoais ter dado 5 estrelas a este livro, aqui no Sob o Luar, optei por apenas dar quatro e irei explicar o motivo: A prática da autora é um equilíbrio entre a prática da Bruxaria Moderna e o Paganismo Helénico, contudo, e como a autora refere ao longo do livro, a Bruxaria nem sempre é vista com bons olhos por parte de Reconstrucionistas ou Revivalistas Helénicos dado o papel que a mesma tinha na Antiguidade. Por isso, este livro não é recomendável se o objetivo do leitor for ler sobre práticas reconstrucionistas exactas da religião Helénica. 

Agora que já deixamos claro esta informação, vamos passar à análise do livro! Como falei, o livro é muito baseado na gnose pessoal e na prática individual da autora, tal como é comum a todos os livros da série de Pagan Portals, e não deve ser lido como um livro de "how-to" mas sim um livro para ver e conhecer práticas de outros praticantes e a forma como os mesmos expressam a sua religiosidade. Eu tenho um carinho especial por este tipo de livros, principalmente referente a caminhos mais complicados de obter informação, como é o caso do Paganismo Helénico. 

No geral, no que diz respeito às informações concretas sobre o Paganismo Helénico, gostei bastante da forma como a autora explica as coisas, dando várias fontes ao longo do livro, efetuando várias referências quer para historiadores, autores clássicos e, muito importante, a praticantes e grupos de Helenismo como é o caso de LABRYS, Elaion, Hellenion e outros praticantes. 

Também a bibliografia do livro é rica em recursos e recomendações literárias que podem (e devem!) ser investigadas a fundo, se este for um dos tópicos de interesse do leitor, principalmente porque todas as recomendações dadas pela Samantha Leaver, quer ao longo do livro, quer na secção da bibliografia são, a meu ver, muito boas e de autores e praticantes de confiança que fornecem informação e conteúdos para as comunidades helénicas à bastantes anos. 

No geral, este é um livro bastante bom para quem tem interesse em aprender como um praticante de Paganismo Helénico (com influências de Bruxaria Moderna) faz a sua devoção aos Theoi e a sua prática individual. Não recomendo o livro enquanto livro introdutório ao Paganismo Helénico, para isso, recomendo mais verificar os grupos acima referidos e, também, a nossa secção de Recursos aqui no Sob o Luar.

E vocês? Já leram? Que acharam? 

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 

Nome do Festival: Lughnasadh (pronuncia-se “lu-na-sa”) ou Lammas
Data Tradicional: 1 de Agosto (No Hemisfério Norte) ou 1 de Fevereiro (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 15º de Leão (HN) ou Sol a 15º de Aquário (HS)
Etimologia: O nome “Lughnasadh" vem do nome do Deus Lugh e significa "celebração a Lugh". (Etimologia)
Correspondências de Cores: Laranjas, Amarelos, Castanhos Claros, Amarelos Torrados, Dourado e Verdes. 

Lughnasadh ou Lammas também denominado de Véspera de Agosto ou Primeiro Festival da Colheita é um dos Sabbats Maiores e é realizado tradicional no 1 de Agosto (HN) e 1 de Fevereiro (HS). Astrologicamente ocorre quando o Sol está a 15º de Leão no Hemisfério Norte e a 15º de Aquário no Hemisfério Sul. Este festival é a polaridade de Imbolc pois enquanto em Imbolc lança-se as sementes, em Lughnassadh colhe-se os frutos. Notasse também esta polaridade no facto de nesta altura o Hemisfério contrário celebrar esse festival.

Lughnassadh é um festival de origem celta, em honra do Deus Solar Lugh. A Terra encontra-se rica e abundante e os homens colhem dela o que plantaram, em preparação para os tempos frios e rigorosos do Inverno que se aproxima a passos largos. Na Roda do Ano Wiccana, é neste dia que o Deus Sol se transforma no Deus das Sombras e se sacrifica pela Terra. A Deusa possui o papel de Mãe mas prepara-se brevemente para o seu cargo como Anciã.

Esta época do ano é bastante marcada pela presença do pão. O pão pode ser algo que representa todos os elementos, pois todos são necessários para a sua criação. Portanto, uma ideia para Lughnassadh será fazer pão caseiro (pode fazer pão de milho ou pão de trigo, por exemplo) e utilizar no seu ritual, partilhar com a sua família ou oferecer à Natureza ou aos Deuses. Também o trigo tem um papel importante neste Sabbat, sendo um dos produtos colhidos e um dos pontos fulcrais na criação do pão.

Falando de oferendas, um dos costumes europeus, para agradecer à Deusa a abundância desse ano, era sacrificar (através de uma fogueira) partes das melhores colheitas, como forma de garantir que nas colheitas seguintes a abundância fosse igual ou maior. Ainda hoje essa prática é comum, através da queima de pedidos ou até mesmo de oferendas. As oferendas nunca devem ser produtos obtidos de um animal, mas sempre da Terra. A criação de bonecas de milho é outro dos costumes de Lughnassadh. São criadas bonecas de milho e colocadas no altar para simbolizar a Deusa e, durante o ritual, são queimadas as do ano anterior, como forma de atrair sorte para a vida do praticante.

Lughnasadh é um festival de Colheitas, o primeiro do três festivais da Colheita da Roda do Ano Wiccana, contudo, no Mundo Contemporâneo não temos mais as colheitas típicas de antigamente, em que o Homem plantava a terra e colhia de lá o seu sustento. Ou melhor, temos colheitas apenas não temos uma participação activa nas mesmas, dando que obtemos os nossos produtos dos supermercados. Porém, ainda hoje plantamos sementes e colhemos os seus frutos. Plantamos esperanças e desejos e colhemos os seus resultados. Aproveite este tempo da Roda para agradecer à Deusa por tudo o que tem e tudo o que recebeu. Caso possua jardim, colha as suas ervas e frutos. Lembre-se sempre de deixar uma oferenda para a Natureza como forma de agradecimento pelo sacrifício que a planta faz ao dar parte de si para nosso benefício.

Quanto ao altar durante o festival de Lammas, este pode ser adornado com cores da época, aquelas que são observadas na Natureza (vermelhos, amarelos, verdes…), com espigas de milho ou grãos colhidos durante a estação. Também as bonecas de milho, acima referidas, são presenças típicas nos altares pagãos.

A nível de alimentação e correspondências alimentares, não vou desenvolver muito dado que temos todo um artigo dedicado a esta temática no Bruxaria de Cozinha e Lughnasadh que aconselho vivamente a lerem e tirarem algumas ideias para as vossas celebrações! 

E vocês leitores? Como celebram esta festividade? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Melissa Askew)
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