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Sob o Luar


Pixabay (Witchgarden)
O Paganismo tem como ritos as Celebrações Sazonais. Estas mudam de aspecto, de nome e de costumes conforme as tradições pagãs a que nos referimos mas o objectivo é o mesmo: Ligar-nos e festejar os ciclos e mudanças da Natureza.

E é disso que vou falar e neste artigo específico irei restringir-me à Roda do Ano Wiccana, com as suas 8 Celebrações.

A Roda do Ano é algo essencial e bastante presente na vida de um Wiccano. Festejamos os seus rituais e as suas mudanças, dançamos, rimos, acendemos fogueiras e fazemos bonecas de milho. Oito vezes por ano reunimo-nos com os nossos amigos e companheiros ou então sozinhos na presença dos Deuses e realizamos mais um rito em honra de um festival sazonal.

 Mas quantos de nós já pararam para pensar a importância e a influência que esses ritos têm nas nossas vidas? A Roda do Ano não é somente oito vezes por Ano, mas sim a todo o instante. Sentimos as mudanças em nós mesmos, sem precisar de olhar para o calendário. Em nosso redor vemos a Natureza mudar e tomar outras formas. Vemos as flores florescerem e crescerem, os pássaros a chilrear, o tempo a aquecer e o Sol a erguer-se mais alto no Céu… E depois, vemos as árvores a deixarem cair as suas folhas, o o chão coloridos de folhas de todas as cores outonais, o vento a soprar mais forte e a chuva a cair fortemente nos vidros das janelas enquanto nós estamos enrolados nos lençóis com uma boa caneca de chocolate quente.

 A Roda do Ano faz parte do nosso quotidiano e não somente de oito ocasiões. É assim que nos ligamos à Natureza, vendo as suas mudanças na nossa vida.

O Homem moderno acostumou-se à rotina. Acorda, toma banho, toma café da manhã, sai de casa, mete-se no carro, vai trabalhar, sai do trabalho, mete-se no carro, vai para casa, senta-se no sofá a ver TV e depois vai dormir. Todos os dias repete o processo. E para ele todos os dias são iguais, todos os dias são a mesma coisa.

Não devemos ser assim. Devemos ver como os dias são diferentes e sente essas mudanças. Quando saímos de casa olha para o céu e vê a Lua a esconder-se e o Sol a nascer. Vemos os pássaros nas árvores e reparamos nos seus ramos nus ou nas suas folhas verdes. Quando vamos no carro, não focar apenas somente no rádio ou no carro da frente e tenta ver ao mesmo as paisagens e tudo o que encontra pelo caminho até ao trabalho. E mesmo quando estamos a trabalhar, repara em pormenores que lhe mostram como a Natureza está a mudar, como o facto do colega de trabalho ter deixado as luvas em casa porque já não está frio ou a companheira de carteira ter trazido gorro porque o frio começou a apertar.

São pequenas coisas como estas, que no nosso dia-a-dia podem ser consideradas tão insignificantes mas que na verdade importam. Mostram como a Natureza tem influência em nós e permite-nos ver o quanto a nossa vida muda conforme Ela muda.

Portanto, veja. Olhe em seu redor, pense fora da caixa e da sua rotina e veja os pequenos detalhes da sua vida. Tire uma tarde e dê um passeio pela cidade ou pelo campo, se tiver perto de casa. E veja as mudanças. Repare nos animais. Nos passarinhos e nos animais selvagens. Que fazem eles? Estão a sair agora das suas tocas em busca de alimento e socializando com outros? Ou estão a recolher mantimentos para o Inverno rigoroso e a emigrar para locais mais quentes? E as árvores? Estão nuas e com os seus ramos expostos ao vento e frio ou estão abundantes em folhas verdes e saudáveis e cheias de vivacidade?

Sinta o calor do Sol. O calor dos seus raios a bater na sua pele. Como é o calor? Rápido a chegar e aquece bastante ou pequenino e que ainda tem dificuldade em se fazer notar? Olhe para as pessoas. Veja os seus comportamentos e como elas reagem aos ciclos naturais. As pessoas da sua cidade estão caminhando com roupas quentes e agasalhos? Equipados de luvas, gorros e várias camadas de roupa? Ou estão com roupas finas e prontas para ir dar um mergulho na praia ou na piscina?

 Repare no Mundo em seu redor. Repare como a Mãe Natureza influencia tudo e tudo é influenciado por Ela. Não precisa de decorar todas as datas bonitinhas e saber aquilo tudo de cor, fazer todos os rituais certinhos com os melhores instrumentos e melhores orações, se não vive os ciclos da Natureza na sua vida diária.

 O Paganismo, seja que vertente for, requer ser não só um caminho religioso mas também uma filosofia de vida. O ser pagão irá influenciar não só a sua vida religiosa como toda a sua vida. Irá ver o Mundo e sentir o Mundo de forma diferente e irá lidar com ele de outra forma também.

 Portanto meu único conselho é: Esteja atento. Olhe para lá do óbvio e veja a Natureza como ela é. Algo belo e em constante mudança, num ciclo sem fim. Veja esse ciclo. Viva com ele. Cresça com ele. Sinta-o na sua vida, na vida dos que o rodeiam e em tudo. Seja participante do Mundo e não um mero observador.
Os símbolos são sinais que as culturas adotam para diversas representações, entre elas várias crenças religiosas bastante abordadas entre os neopagãos, como também entre vários cristãos. Fazem parte de tudo que é representativo e abordado religiosamente. Ao longo da matéria, haverá a explicação de signos e costumes usados e praticados por vários povos dentre várias culturas. Neste artigo, falarei sobre o Pentagrama e suas várias representações conforme o tempo, as circunstâncias e as crenças. Você vai ver as evoluções que o pentagrama começou a tomar, passando de um símbolo cristão de máxima veneração para a atual representação cristã demonizadora e neopagã de equilíbrio.

Pentagrama – Representações culturais


Não se sabe a origem do pentagrama, mas pode-se conhecer uma de suas mais antigas representações.

Os hebreus consideravam o pentagrama como o símbolo da Verdade, representando o Pentateuco (os cinco livros atribuídos a Moisés no Antigo Testamento). Na Grécia Antiga, tal símbolo ganhou o nome de Pentalpha, tendo como vista cinco letras A entrelaçadas.

O pentagrama também aparece na cultura chinesa, em que os cinco elementos (fogo, terra, metal, água e madeira) se envolvem em um sistema de criação e inibição entre si, formando um circulo e uma estrela em sua sistematização.

Pitágoras acabou por explorar o pentagrama em seus cálculos, levando-o como símbolo de perfeição matemática. Sua escola tinha tal símbolo e seus seguidores o usavam para se identificarem.

Os primeiros cristãos usavam o pentagrama como representação das cinco chagas de Cristo (mãos e pés encravados e a coroa de espinhos), e nos tempos medievais ainda era usado como amuleto contra os demônios.

Os próprios Templários, vistos como monges da Igreja, utilizavam  o Pentagrama em muitos vitrais de seus templos. Mas conforme foram ganhando dinheiro, prestígio e solidariedade com seus irmãos de Ordem, a Igreja começava a se voltar contra seus próprios servidores. Houve então a Inquisição, junto à Era das Trevas, quando a Igreja mergulhou em seu próprio diabolismo. Os Templários foram torturados e mortos, e o pentagrama agora foi distorcido e transformado em símbolo de perversão e maldade pela Igreja, simbolizando a cabeça de um bode, ou diabo, a mesma do Baphomet, pelo qual a Igreja havia acusado a Ordem dos Cavaleiros Templários de adorar. Assim, o pentagrama se transformou em símbolo representativo do mal, e a perseguição da Igreja às antigas religiões acabou forçando-as a se esconderem nas sombras, na clandestinidade.

Já no final da Era das Trevas, a paz estava renascendo. As sociedades já secretas agora saem das sombras, retomando seus estudos sem medo da pressão adquirida da Igreja. Numa era de desenvolvimento, em que surgem o hermetismo, e a ciência que mistura misticismo, o Pentagrama agora gera uma nova representação: O Microcosmo. O símbolo do homem em um círculo, com braços e pernas abertos, representando O Homem individual.

Há também a representação do Macrocosmo, em que se ganha a mesma figura, porém há os cinco planetas, um em cada membro, e a Lua em sua genitália. Após isso, o pentagrama ganha um novo conceito: Os cinco elementos. Agora ele também representa Água, Fogo, Terra, Ar e Espírito (Espírito como a quinta essência, implantada pelos alquimistas e gnósticos).

Na Maçonaria, o pentagrama era visto como o Laço Infinito (por ser traçado com uma mesma linha), representando a virtude e o dever, e era endereçado ao trono do Mestre da Loja, já que também tinha a ligação ao homem macrocósmico.

Eliphas Levi usou o Pentagrama para fazer uma ilustração do Bem e do Mal, colocando o Pentagrama Macrocósmico ao lado do Pentagrama Invertido.

Em 1940, Gerard Gardner implantou o Pentagrama na religião Wicca, colocando-o para representar os três aspectos da Deusa (Lua, Mãe e Tripla ou Donzela, Mãe e Anciã) e os dois aspectos do Deus (O Cornífero e o Da Colheita, ou Rei do Carvalho e do Azevinho), devolvendo ao símbolo a força como talismã. Tal adoção do símbolo gerou uma reação à Igreja que chegou ao auge quando Anton LaVey adota o Pentagrama Invertido para representar sua Igreja de Satanás. A Igreja Católica, então, começa a considerar o Pentagrama (invertido ou não) como símbolo do diabo. Assim, os wiccanos, para se protegerem dos extremistas religiosos, se opuseram ao uso do pentagrama.

Hoje sabemos muitas representações que o Pentagrama pode ter, e também sabemos que ele é adorado por muitos, utilizado por muitos, e sagrado para muitos. Sua simbologia pode ir muito além.

Sabemos hoje que ele retoma sua simbologia de proteção e equilíbrio para muitos, e para outros ele ressurge como microcosmo e macrocosmo. Independente de suas representações, o Pentagrama adquiriu muitas, pode ser usado em várias simbologias, e isso é um fato.

Artigo escrito por Felipe Ferreira

Pixabay (komahouse)
Lançar Tarot e trabalhar com o Tarot são coisas extremamente interessantes de fazer na prática mágica e até para quem nem pratica Bruxaria nem Paganismo. O Tarot, como vimos no artigo de História do Tarot, já existe à imensos séculos e existem mil e uma formas de trabalhar com ele desde caminhos individuais, caminhos associados a baralhos específicos como Thoth ou o Raider-Waite ou até o Caminho do Tarot. Neste artigo falo de algumas dicas que, pessoalmente, acho que auxiliam qualquer praticante que esteja a começar a trabalhar com o Tarot e até pode ser útil para quem já trabalha com esta arte à muito tempo!

Começando então pelas dicas que tenho para vocês:

  • Não devemos repetir perguntas
Esta é um dos principais conselhos que dou a nível de Tarot é não repetir perguntas. Não só é contra-produtivo pois já temos a resposta como também é desnecessário. Costumamos ter a tendência, após fazer uma leitura, em repetir a pergunta por vários motivos: ou para garantir que a resposta está certa, ou porque não compreendemos bem, ou apenas para reler novamente. Isto não é boa ideia. Apenas recomendo repetir perguntas muito pontualmente e de forma reformulada e somente em situações em que não tenha compreendido mesmo a resposta (preguiça de pensar no que significa não está incluído!) e, mesmo assim, se puder evitar ainda melhor. Algo que notei que acontece, e muita gente fala do mesmo, é que se forçarmos o Tarot a repetir as coisas muitas vezes ele começa a dar respostas incoerentes ou então sai uma resposta como se o próprio baralho estivesse a ralhar connosco! :)

  • O Tarot não é um método de prever o futuro
Este é algo que surge muitas vezes em conversas e ainda hoje expliquei a uns colegas. O Tarot não prevê o futuro. Aliás o futuro não pode ser previsto porque ele está em constante mudança. Como os nossos avós diziam "A única certeza na vida é a morte" isto porque nada é certo e tudo depende das acções e reacções que levam até determinado momento. O Tarot mostra-nos as variáveis. Ou seja estamos no ponto D e para lá chegar passamos pelo ponto A, B e C e fazemos um lançamento para saber o que esperar nos próximos três ou seis meses, por exemplo. O Tarot, claramente, vai indicar que no futuro temos o ponto E. Mas imaginemos que não queremos o E, que o E representa algo que não gostamos ou que estamos insatisfeitos com a nossa vida atualmente e preferíamos estar no ponto H. Cabe a nós próprios tomar as rédeas na nossa vida e mudar, agir, transformar. O que o Tarot diz não é regra, apenas é o mais provável. Tudo pode ser mudado, tudo se transforma. Por isso se o Tarot disser que vai ficar no emprego em que está durante mais dois anos mas você detestar esse emprego, procure outro e saia! Nada o impede excepto as circunstâncias à nossa volta e, acima de tudo, a nossa própria mente.

  • O ambiente e a preparação são chaves para o sucesso
Lançar cartas de tarot numa estação de metro movimentada, com imenso barulho à volta, fumos e cheiros que nos distraem não é apropriado. É necessário e aconselhável estabelecer uma rotina para lançar as cartas. Por exemplo eu, pessoalmente, tenho uma rotina para cada baralho. Com a versão de bolso faço de uma forma e com o meu baralho normal faço de outra. Como o de bolso é para viagens ou deslocações ou até momentos de emergência tento ser mais prática com esse e, com o baralho normal, tenho todo um procedimento com velas, incensos, toalha para lançar cartas, etc que faço. O ambiente e o estado de consciência são essenciais para assegurar bons resultados. Medite um pouco antes de lançar o baralho ou pelo menos centralize e foque-se no momento e no que está a fazer. Sinta as cartas e as suas energias nas suas mãos, foque-se. Desvie a mente da vida atarefada, da lista de compra ou da lista de tarefas. Foque-se na pergunta que está a fazer, acenda um incenso ou uma vela, estenda uma toalha. Se sentir necessidade tenha um cristal próprio consagrado para auxiliar no Tarot ou para manter as energias equilibradas no momento do lançamento. Mas garanta apenas que está no mindset necessário para a tarefa que está a desempenhar, não só por respeito a quem está a ser alvo de leitura mas também por respeito ao próprio baralho em si.

  • Manter registos
Principalmente para quem está a começar a estudar Tarot e a iniciar o trabalho com os baralhos eu acredito que manter um registo de todas as tiragens é essencial. Não só porque permite analisar o seu próprio desenvolvimento e o que tem vindo a melhorar mas também porque permite manter um registo prático para situações em que já não se recorda bem de qual foi a resposta de uma tiragem de à três meses atrás (e, também, é fascinante lançar as cartas para os próximos três meses, por exemplo, e após esse período voltar atrás e ler o que foi previsto e comparar com a realidade de como correu aqueles meses. Coincidiu? O que mudou? O que se esforçou para mudar?). Isto é também prático para lançamentos de cartas para outras pessoas que possam vir questionar sobre tiragens que você tenha feito para elas e as mesmas não se recordem. Outro motivo porque é essencial apontar as respostas do Tarot é porque o Tarot pode falar de forma meio encriptada e, no momento, não compreendermos a resposta (tal como indicado em cima, se possível, evitar lançar novamente sobre a mesma pergunta) então apontemos qual foi a resposta, mesmo que não a compreendamos. Isso fará com que no futuro as restantes peças do puzzle surjam e, eventualmente, a resposta que o Tarot deu vai acabar por fazer todo o sentido! Por isso aconselho a ter um pequeno caderno dedicado às tiragens de Tarot, coloque a data e hora em que foi feita a tiragem, qual a pergunta e qual a resposta. Se quiser até pode depois fazer jogadas com as tiradas e as horas astrológicas mas isso é algo mais complexo e fica ao critério do próprio praticante.

  • Ligação com o Baralho
Algo que já falei em artigos anteriores e que reforço neste é que é essencial estabelecer uma ligação com o nosso próprio baralho. Isto pode ser feito através de meditação, através da Jornada do Louco (mais informações no Fórum da TCS) ou até apenas pelo uso regular do próprio baralho. Eu vejo meus baralhos como meus conselheiros, quase como se fossem entidades próprias a quem recorre a solicitar orientação e conselhos. Não estou a dizer que toda a gente deve encarar esta prática dessa forma, longe disso! Apenas que uma conexão com o seu baralho, como ele funciona, como as cartas são, o que representam, quais as simbologias, desenhos e pequenos detalhes essenciais à leitura é que existem. O tentar largar o livrinho de auxílio e intuitivamente saber o que cada carta representa e como o seu significado é alterado ao estar junto a outra carta. Como as combinações de cartas divergem do significado individual de cada carta. Como cada carta é constituída. E todos os outros cenários essenciais à compreensão do baralho. Isto é importante no trabalho com as cartas.


Outras coisas que pode fazer para ajudar no lançamento do Tarot (principalmente em análise de situações complicadas ou externas e que envolvem maior concentração) é banhos de limpeza e de energização, contacto com divindades associadas a métodos divinatórios (Hekate, Hermes, etc.) para facilitar a tiragem, queimar incenso ou óleos aromáticos para ajudar a entrar no mindset necessário, etc. Existem imensos truques pessoais que vai acabar por adquirir ao longo da sua prática e que irão facilitar todo o trabalho com o Tarot que desenvolve.

E, como se costumava dizer antigamente, a prática leva à perfeição por isso vamos começar a conectar com o nosso baralho (se ainda não sabe como escolher um baralho, leia o nosso artigo "O Tarot: Como Escolher um Baralho") e começar este caminho fascinante que é o mundo do Tarot.


"Em uma área encravada na zona rural do município de José de Freitas, interior do estado do Piauí, no nordeste brasileiro, a Vila Pagã é uma comunidade formada por colonos pagãos, reunidos em prol do desenvolvimento social e econômico da região, com o objetivo de preservar as tradições pagãs na atualidade."

Localização: Munícipio José de Freitas, Piauí, Brasil
Coordenadas: 4°52'57.5"S 42°41'27.7"W
Contacto: rafaellugh@gmail.com Rafael Nolêto (Coord. Vila Pagã/ Administrador Geral VP)
Site Oficial: http://vilapaga.blogspot.pt/
Página de Facebook: https://www.facebook.com/pg/VilaPaga/

A Vila Pagã é um local de destaque no Paganismo brasileiro e creio que merece lugar aqui no nosso blog! Fundada e criada por Rafael Nolêto (fundador do antigo Jornal "O Bruxo" que muitos conheceram) a Vila encontra-se no nordeste brasileiro, no estado do Piauí numa zona rural do município José de Freitas e é constituída por sete hectares. O acesso ao local é bastante fácil e conta com visitantes tanto brasileiros como internacionais. Apesar de partes da Vila ainda se encontrarem em construção a mesma já está aberta ao público para visitar e é local de organização de vários eventos, incluindo alguns abertos ao público em geral! Na página de Facebook, inclusive, temos a listagem de algumas celebrações como as recentes Celebração da Festa das Almas 2016 e a Celebração da Festa da Carnaúba 2016, entre muitas outras organizadas no passado desde 2014!

Esta colónia tem várias missões sendo que as principais são a integração dos pagãos e a preservação cultural da tradição pagã local, denominado Paganismo Piaga. O culto a divindades deste ramo do Paganismo, celebrações do mesmo e costumes estão muito presentes em toda a Vila, tanto a nível decorativo e estético como também a nível dos eventos e celebrações realizadas no local. Este detalhe, o foco no culto das tradições locais, é de louvar pois não só permite a difusão de conhecimento sobre tradições e culturas já quase esquecidas mas também reaviva a chama de culto a Divindades e o estudo e paixão pela área onde se vive e de onde são as raízes de cada um.

O fundador, coordenadores e o conselho de secretários da Vila definiram como bases do projecto da Vila Pagã os seguintes pontos importantes: 
  • A valorização do culto Piaga;
  • O respeito ao meio ambiente;
  • O incentivo ao empreendedorismo, como factores fundamentais para a consolidação da economia, sustentabilidade e organização ideológica da comunidade.
A Vila é um espaço que tem como pilares o desenvolvimento da espiritualidade, da ecologia e da integração social. Este é um espaço simplesmente fantástico e recomendo a leitura atenta do site oficial e, em destaque, a página de Princípios onde podem verificar todos os princípios que regem o funcionamento desta comunidade pioneira no Paganismo Brasileiro que luta por uma comunidade pagã inclusiva, sem dependências, harmoniosa e onde o culto aos Deuses e o trilho pagão sejam caminhos a seguir para o desenvolvimento pessoal e a felicidade de cada um.

Por fim, a bandeira da Vila Pagã, conforme mostra na imagem abaixo, tem o seu próprio simbolismo e, como indica no site oficial (pois quem melhor do que quem criou a explicar?):


"As folhas representam as vertentes pagãs, que apesar das diferenças, são unidas por um mesmo galho (ou seja, as características básicas do paganismo), disposto como uma coroa de louros, simbolo da vitória e da cultura clássica pagã. O pentagrama aqui simboliza o próprio homem, com o pensamento conectado ao poder divino, com os braços abertos para abraçar o conhecimento, e com os pés firmados no chão, ou seja, consciente de seu papel na Terra, como um instrumento divino. Além disso, também representa a magia da natureza e dos quatro elementos básicos, em equilíbrio com o espírito."

Por isso já sabem: Se estiverem de visita pelo Brasil ou pelo estado de Piauí contactem a Administração da Vila Pagã e façam uma visita a este espaço fantástico, único no Brasil e raríssimo de encontrar no mundo de hoje. Dedique algum do seu tempo a explorar novos caminhos do Paganismo e novos locais, conhecer novas culturas e novos espaços. Visite a Vila Pagã e conheça um local inesquecível. 
Pixabay (art-of-joan)
Uma das principais questões para quem está a começar a trabalhar com o Tarot é qual o baralho escolher e como escolher um baralho. Este artigo tem como objectivo responder a estas questões e ajudar quem está à procura de um baralho, seja ele o primeiro ou apenas mais um para a colecção!
Existem vários pontos a ter em conta quando adquirirmos um baralho para trabalhar com ele, que são:

  • Siga a Intuição
  • Tradicional ou Moderno?
  • Veja a Arte dos Baralhos
  • Tamanhos
  • Iniciante ou Experiente?
  • Qual o uso para o Tarot?
  • Qualidade e Preço
Vamos analisá-los um a um.

  • Siga a Intuição
Esta é a forma mais certa de ter um baralho com o qual se goste de trabalhar. Por exemplo, no meu caso, é raríssimo arranjar um baralho com o qual eu consiga trabalhar porque não me identifico com as cartas e detesto ter de andar a ler o "livrinho" cada vez que faço uma tiragem até porque acabo por ter dificuldade em decorar os significados. Mas há um baralho que, para mim, é instantâneo que é o Pagan Tarot. Eu lanço e sei logo, só de olhar, ler exactamente o que está lá. Tive uma conexão imediata com este baralho e consigo trabalhar rapidamente e eficazmente com ele. Mas, por exemplo, se tiver de usar um Baralho de Marselha não consigo, simplesmente não dá.

A ligação com o nosso baralho é essencial pois permite-nos um trabalho mais fluído e mais ligado ao próprio Tarot. Ao invés de se tornar um lançamento torna-se uma conversa entre nós e o baralho, como se ele tivesse vida própria, personalidade própria e nos aconselha-se. Eu considero o meu Tarot um "amigo conselheiro" pois estabeleci um fantástica ligação com ele, dada a conexão que tenho o baralho.

Veja vários baralhos (existem sites como Aecletic Tarot que permitem investigar os baralhos existentes e até ter uma pré-visualização das cartas que fazem parte do mesmo) e veja qual lhe atrai mais, qual chama mais a atenção. Depois investigue sobre esse baralho e se realmente sente a ligação com ele. Caso sinta, força nisso então!

  • Tradicional ou Moderno
 Outro passo importante é entender que tipo de baralho quer. Algo mais tradicional como o Rider Waite ou o Tarot de Thoth? Ou talvez até o Tarot de Marselha? Ou será que prefere algo mais moderno como o Tarot das Fadas ou o Tarot Pagão? Existem imensos decks hoje em dia no mercado, alguns mais tradicionais com imagens clássicas (cavaleiros, símbolos medievais e antigos, etc.) e imagens mais modernas (carros, computadores, etc.). Um dos pontos principais é também estabelecer com o que se sente mais confortável: moderno ou tradicional? Investigue os tarots e as suas imagens para entender qual a sua preferência.

  • Veja a Arte dos Baralhos
No seguimento do ponto anterior é importante também gostarmos da arte dos nossos baralhos. Há quem tenha, por exemplo, vários baralhos com diferentes usos para cada um deles. O de Thoth para auto-conhecimento por exemplo. O de Marselha para adivinhação. O das Fadas para ligação com o povo das Fadas. É importante gostar da arte do nosso baralho, dos desenhos e do trabalho do artista que dedicou tempo a personalizar e criar aquelas imagens.

  • Tamanhos
Sei que este ponto pode parecer estranho para alguns mas existem vários tamanhos de baralhos. Por exemplo, no meu caso, tenho o Pagan Tarot em duas versões: uma versão pequena (versão de bolso) para quando vou viajar ou para algum sítio que queira levar o baralho de forma discreta e tenho a versão em tamanho grande, normal, para estar no meu altar e para trabalhos mais complexos ou sessões mais aprofundadas e localizadas. Existem diversos tamanhos de baralhos e até da espessura do material de que é feito as cartas. É importante garantir que o tamanho do baralho é um tamanho ao qual nos adaptamos pois é fulcral que consigamos baralhar as cartas sem que elas saltem ou caiam (no meu caso demorei imenso tempo a habituar-me à versão grande do meu baralho pois já estava tão acostumada ao versão de bolso).

  • Iniciante ou Experiente?
Para quem está a começar é importante ter em conta o tipo de baralho que está a escolher. Como falado no Thoth vs Waite o baralho de Thoth, por exemplo, é um baralho bastante complexo para quem está a começar. Por vezes é preferível escolher um baralho mais simples ou até que venha com um bom livro a acompanhar de forma a se iniciar no trabalho com o Tarot. O começo da aprendizagem do Tarot com um baralho mais complexo pode levar a uma frustração e eventualmente a desistir do trabalho com a arte do Tarot ou até a nunca mais decidir pegar no baralho devido à primeira má impressão. Tenha sempre em conta a complexidade do baralho, é preferível começar com um simples e mais tarde avançar para algo mais avançado, se assim desejar.

  • Qual o uso para o Tarot?
Como falei à pouco há quem tenha vários baralhos para diversos usos e há quem use apenas um baralho para várias coisas. É importante, ao escolher o baralho, saber qual o uso que vamos dar e adaptar o baralho ao respectivo uso. É um baralho para melhorar a ligação com um Elemental específico, para comunicação com esse elemental? Então talvez seja preferível escolher um baralho cujas imagens e Arte esteja, de alguma forma, relacionada com este uso. O uso será mais dedicado ao auto-conhecimento e desenvolvimento próprio? Algo mais semelhante ao Tarot de Thoth ou um baralho mais abstrato poderá ser o ideal. E se for para previsões e consultas? Algo mais claro e com o qual consigamos ler claramente as suas mensagens. Adapte sempre o tipo de Tarot ao uso que lhe está a dar ou, se preferir, escolha um baralho que lhe chame mais a atenção e com o qual mantenha uma ligação mais profunda e adapte a sua prática a ele, no que precisar de o usar claro.

  • Qualidade e Preço
Por fim, a qualidade é essencial num baralho, principalmente se queremos que ele seja utilizado durante bastantes anos. Mais vale pagar um pouco mais e ter um baralho de boa qualidade e que dure longos anos do que pagar pouco por um baralho cuja qualidade faça com que se deteriore em poucos anos ou até meses! Investir num bom baralho é sempre algo ideal, ainda mais no começo. Confirme bem onde faz a compra e que o vendedor é de confiança, leia críticas e avaliações ao produto antes de comprar caso seja online ou, se for numa loja física, toque nas cartas e veja a espessura da página, a qualidade do material, etc. Garanta que é uma compra que valha a pena. Após adquirir o Baralho confirme que o guarda num local seguro e sem humidade. Se possível arranja até uma bolsa ou uma caixa para o guardar, a manutenção é a chave para um baralho duradouro.

No fim a escolha é sempre sua. Escolha de forma informada e decidida e, acima de tudo, escolha o que for melhor para si, aquele que sentir ligação e sentir que é o ideal para o uso destinado. Há imensos baralhos à venda é uma questão de começar e escolher o baralho (ou baralhos...) certo para si! :)
Pixabay (_Alicja_)
A história do Tarot é complexa e confusa sendo que as suas origens são meio complicadas de traçar. Hoje vamos falar um pouco sobre a História do Tarot para que tenhamos uma ideia de onde vem esta prática. Não é obrigatório o praticante saber exactamente a história do Tarot mas... saber não ocupa lugar, pois não? :)

As cartas de jogar surgiram pela primeira vez no século XIV na Europa com os naipes Paus, Ouros, Espadas e Copas que ainda hoje são usados como naipes nas cartas de jogos em Portugal, Itália e Espanha e são muito semelhantes aos naipes dos baralhos de tarot. O primeiro baralho registado remonta ao período entre 1430 e 1450 em Milão, Ferrara e Bolonha quando cartas com desenhos foram adicionadas aos baralhos tradicionais. Estes novos baralhos eram chamados de "Carte da Trionfi" ou seja Cartas do Triunfo e encontram-se registadas em documentos de tribunais datados de 1440. Os baralhos mais antigos encontrados são de uma família chamada Visconti-Sforza e são considerados os antepassados dos actuais baralhos de Tarot. Acredita-se que estes baralhos foram originalmente criados apenas como método de diversão para a nobreza italiana e não como método divinatório, sendo que inclusive eram retiradas cartas dos baralho (como a Morte, o Diabo e a Torre) que eram consideradas ofensivas e quase fizeram com que os baralhos fossem banidos pela Igreja!

Os primeiros tarot eram feitos à mão e, como tal, eram em números muito reduzidos sendo que o baralho mais famoso que sobreviveu desta época foi o Tarot de Marselha que ainda hoje é utilizado por praticantes. Também o baralho associado à familia Visconti-Sforza sobreviveu até aos dias de hoje estando guardado num museu. A primeira menção de cartas pintadas com desenhos é entre 1418 e 1425 em que é descrito, por Martiano da Tortona, um baralho com 16 cartas com Deuses Gregos e a naipes a representar quatro tipos de pássaros. Mais tarde foram adicionados motivos às cartas relacionados com filosofia, sociedade, política e astronomia.

O nascimento do Tarot como método divinatório é associado a Antoine Court de Gélebin em 1781 em que o mesmo defendia que a origem dos tarot era egipícia e que as representações nos Triunfos eram referentes ao conhecimento perdido do Deus Egípcio Thoth. Foi a partir deste momento que as pinturas e desenhos das cartas foram evoluindo e novos símbolos adicionais às mesmas. Acredita-se que muitas das mudanças nas cartas foram feitas pelas sociedades secretas que produziam os baralhos. Porém o primeiro uso das cartas como método divinatório ficou também associado a Jean-Baptiste Alliette, mais conhecido como Etteilla em 1770. Foi o primeiro a publicar o significado divinatório das cartas (e apenas trinta duas cartas com mais uma à parte) foram incluídas na edição. Mais tarde foram introduzidas mais cartas que dariam origem aos baralhos de Tarot actuais.

A ideia de que a origem do Tarot seria egípcia manteve-se e foi desenvolvida ao longo dos tempos e nem a descoberta da Pedra de Roseta impediu esta teoria que veio ainda ser mais alimentada com a ideia de que o povo Romani ("ciganos") seriam originários do Egípto e tinham trazido o Tarot com eles para a Europa. Só mais tarde, já no século XIX, com Eliphas Lévi é que foi estabelecida a ligação entre o Tarot e a Kabbalah: O sistema Hebreu de Misticismo. Isto originou uma nova crença que a origem do Tarot estaria em Israel e que continha a informação da Árvore da Vida e que cada carta seria uma chave de acesso ao conhecimento. A posição do Tarot ao longo do século XIX e XX foi assegurada por várias ordens como a Theosopical Society, a Hermetic Order of the Golden Dawn, a Rosa Cruz, a Church of Light e Builders of the Adytum. Com o começo da exploração da Espiritualidade em 1960 o lugar do Tarot ficou garantidamente assegurado nos Estados Unidos da América e tornou-se famoso como é hoje!

É de recordar que hoje em dia o formato de tarot mais conhecido é o Rider Waite (conforme falado no nosso artigo "O Tarot: Thoth vs Waite") que veio marcar o Tarot, tornando-se o formato mais conhecido e usado do século sendo rico em simbolismo e fácil de compreensão dada a natureza da sua arte e símbolos.

Assim sendo vemos que as origens do Tarot são complicadas e confusas e muitas teorias existem sobre a sua origem e ensinamentos mas, o que interessa acima de tudo, é o que nós próprios aprendemos com as cartas pois o Tarot não serve só como método divinatório mas também como método de auto-conhecimento e de aprendizagem. O que será que o Tarot tem para nos ensinar, ao longo do nosso caminho? 
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Este trabalho é dedicado às Senhoras Ἑκάτη (Hekate) e Περσεφόνη (Persephone)

Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0