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Sob o Luar

Unsplash (Raw Pixel)
O artigo de hoje é voltado para um tópico importante e será um assunto de conversa ao longo do mês de Novembro: Os Cuidados nas Comunidades Pagãs contra os Abusos. Infelizmente todas as comunidades, sejam do que for (jogos, livros, religião, estudo, etc) acabam por, a longo prazo, sofrer dificuldades e ter problemas. E as comunidades pagãs não são diferentes. Temos dramas, confusões, discussões, pessoas boas, pessoas más, tal como todas as outras comunidades. Não somos diferentes nem mais especiais que os outros e, como tal, estes são assuntos que se tornam parte do quotidiano nas comunidades. 

Quero falar-vos, principalmente para quem está a dar os primeiros passos nas comunidades, sobre os cuidados que devemos ter para evitar cair em situações indesejáveis. Este tópico é especialmente sensível para mim, dado que também já fui vítima de uma destas situações. Infelizmente ninguém está imune e pode acontecer a qualquer um. O primeiro passo é, tal como tanta outra coisa na vida, não pensar que "só acontece aos outros" e manter-nos alertas e atentos aos sinais "vermelhos" de perigo. Muitos dos conselhos que vos vou dar são conselhos que gostariam que me tivessem dado a mim e, acima de tudo, que eu os tivesse cumprido. 

E, a quem já passou por isto e, como eu, soltou-se e sobreviveu: Não pensem mal de vocês mesmos. Não se culpabilizem, não se condenem a vós mesmos. Todos somos humanos e todos cometemos erros. Temos que aprender com os erros, entender o que poderíamos ter feito melhor ou de alternativa, ajudar quem esteja numa situação parecida aquela em que estivemos e, acima de tudo, perdoar-nos a nós mesmos. 

A quem está a passar por isto: Não tenham medo de sair ou de parar o que estão a fazer. Independente do que vos digam, das ameaças, das tentativas de controlo e de todas as formas que podem tentar controlar-vos. Apesar de parecer muito mau neste momento e de parecer que não há saída nem vida sem esse aspecto negativo: É mentira. Há sim e é linda e fantástica e vale a pena. Não tenham medo de lutar pela liberdade das vossas vidas e de seguirem o que querem, independentemente da opinião ou tentativas negativas de outras pessoas. Peçam ajuda a amigos, familiares, etc. E tudo se resolverá! 

Se precisarem de alguém para falar, o ICT disponibiliza auxílio e conselhos (100% anónimos) para situações destas através do e-mail ict.caminhodaterra@gmail.com. Temos também o Ecos - Comunidade Pagã que conta com vários sacerdotes e devotos pagãos que estão ao dispor para ajudar e orientar quem precisa através do endereço de e-mail deles que é o  contactocomunidadepagaeda@gmail.com. Não tenham medo de contactar e de pedir ajuda. Estamos todos cá para isso!

Quanto aos conselhos que tenho a dar neste artigo:

  • Não tenham medo de dizer NÃO. 
O primeiro e, creio eu, mais importante conselho é: Não tenham medo de fazer perguntas, de se impor e, acima de tudo, de dizer "Não". O não, para mim, é das palavras mais importantes do vocabulário, principalmente quando lidamos com comunidades e com outras pessoas. Se o que vos é proposto (pertencer a um grupo de estudos, a um coven, realizar um ritual, etc) não vos satisfaz a 100% não participem. Se for 99% e aquele 1% estiver na dúvida, não façam. Se algo vos deixa desconfiado, se não gostam da energia da pessoa que está a propor, se não está dentro dos vossos objectivos, se não se sentem confortáveis, etc... Não participem. Não se convençam a vós próprios a participar só porque traz vantagens a longo prazo, só para dizer que já tiveram essa experiência, só para obter aquele pequeno conhecimento dali e seguir em frente. Nada disso vale tanto como o vosso conforto e a vossa integridade. Participar num ritual pode parecer a coisa mais simples e pequena do Mundo mas abre precedentes para muita coisa. Cenário que todos conhecemos: Convidam-nos para X, não queremos muito mas aceitamos. Da próxima vez convidam para Y. Dizemos que não mas somos confrontados com as questões "Mas da outra vez participaste, é a continuar do que fizemos antes, é tão simples como o anterior, etc" e acabamos por sofrer a pressão e usar os mesmos argumentos para nós mesmos da mesma vez. E o ciclo vicioso inicia-se e, quando damos por nós, já fizemos coisas que não queriam, já tomamos decisões que não estavam nos nossos planos e estamos demasiado envolvidos para sair sem problemas.  Participar num ritual implica, também, troca de energias. Num ritual existe um fluir energético de todos os participantes. Enquanto nos rituais públicos existe, por parte do organizador, uma forma de manter e harmonizar essa troca de energias, em rituais pequenos nem sempre há isso. Se não nos sentimos confortáveis com a energia do organizador ou a energia de alguns participantes para quê participar e trocar energias com essa pessoa? Não! Não tenham medo de dizer não e de se impôr. 


  • Não aceitem iniciações com as quais não se identifiquem
Outro problema que também, infelizmente, é comum nas nossas comunidades é o tema da iniciação. Ser convidados para ser iniciados em grupos e covens e tradições com as quais podemos até nem ter interesse total mas gostaríamos de ter a experiência, de aproveitar o conhecimento, de obter o "título" e qualquer outro motivo que possamos achar que temos, para além do "esta tradição ou caminho é aquilo com que me identifico e o qual quero seguir". Se o motivo para serem iniciados não for o que mencionei anteriormente e não tiverem conhecimento total do que está a acontecer e Perfeita Confiança em quem está a iniciar-vos... Não o façam. Sei que o termo "Perfeito Amor e Perfeita Confiança" pode parecer demasiado "fofinho" e apenas associado à Wicca mas, na realidade, é um conceito importante principalmente a parte da Confiança. O nosso iniciador ou iniciadora são pessoas que ficarão ligados a nós para a vida inteira, serão como mães e pais para nós. Vão dar parte do seu "DNA Mágico" para nós, ligando-nos eternamente a eles. Porque motivo vamos deixar alguém que não confiamos iniciar-nos? Não é correcto nem faz sentido e só nos prejudica a nós mesmos, seja em que tradição for. Se têm interesse ou receberam convites para serem iniciados façam o seguinte: Investiguem a tradição ou o caminho em causa, saibam o máximo que conseguirem (externamente) sobre a tradição, vejam se é algo que vibra convosco, conheçam as pessoas da Tradição e os Iniciadores, peçam para assistir (não necessariamente participar!) a rituais públicos que hajam, etc. Tentem conhecer e ver o método de funcionamento da Tradição e analisem se é aquilo que querem e à aquilo que querem ser associados. Deixem passar um longo período de tempo: seis meses, um ano, etc. E revejam se ainda é aquilo. Se for: força. Se não for: Ainda bem que esperaram. Uma coisa com que todos estamos familiarizados é a "honeymoon phase" das relações amorosas: Aqueles primeiros meses em que tudo parece perfeito e maravilhoso e vai correr super bem e nada nos vai derrotar. Isto também acontece quando conhecemos grupos e tradições. De forma a tomar a decisão consciente do que queremos devemos deixar passar esta fase, sem fazer qualquer tipo de compromisso, e só depois tomar a decisão de forma a não nos deixarmos influenciar pela idealização inicial. 


  • Não aceitem fazer aquilo com que não concordam. 
Este é outro ponto importante a abordar porque por vezes gostamos de uma tradição ou de um grupo, ou inclusive o grupo é constituído por amigos nossos e queremos mesmo participar mas... Pedem-nos algo que não queremos fazer. Prestar culto a uma divindade específica, deixar de falar com uma específica comunidade pagã ou com pessoas de certas tradições, fazer os rituais skyclad/nús, participar em rituais com os quais não concordamos (ex: rituais sexuais), etc. Mas nós gostamos mesmo da tradição ou das pessoas e não queremos desiludir essas pessoas. Às vezes até são essas pessoas que nos dizem coisas como "Não vais parar agora, certo?", "Oh não é nada de especial, é só esta vez", "Afinal a tua dedicação ao nosso grupo não é assim tão grande" e outras formas de convencer-nos a fazer algo que não queremos. Novamente, reforço que o "Não" é a palavra mais importante e poderosa do nosso vocabulário. É a palavra que nos dá a liberdade de escolher e de escolher não fazer algo, não participar em algo. Não se sintam obrigados, não pensem "Se não participar neste grupo nunca irei encontrar outro", "Se não aceito com estas pessoas, nunca vou aceitar e nunca vou conseguir praticar", etc. Não pensem desta forma. Se é algo que não querem ou não se sentem confortáveis não façam, independentemente dos motivos. Haverão outras oportunidades, haverá mais chances e chances e oportunidades que vibram connosco e com o que concordamos e acreditamos. Posso dizer-vos que, no meu caso, pensei que seria a melhor forma para obter conhecimento de forma estável e que não iria ter outra forma, por isso, mais valia arriscar. E, assim que saí da situação em que estava, imensas portas abriram-se para mim com uma enorme abundância de métodos de aprendizagem que vibraram com o que eu queria! Na altura bastaria eu ter tido paciência. Por isso: Tenham paciência, mais oportunidades virão e oportunidades essas que não vão obrigar-vos a fazer algo ou assumir algo que não querem. Se não vibram com aquela energia ou com aquela ideia: Digam "Não". Independentemente de serem amigos, familiares, colegas,  etc. Se são realmente pessoas que vocês confiam e que são vossas amigas então nunca vos iriam coagir/obrigar a fazer algo que não queiram. Considerem isto também um sinal para rever essas relações. 


  • Não acreditem cegamente nas pessoas
Todos somos seres humanos, sem excepção. Todos nós cometemos erros. Seja eu, sejam os meus amigos, sejam líderes de covens, Altos Sacerdotes e Altas Sacerdotisas, etc. Seja quem for será humano e, como tal, comete erros, pode estar enganado, etc. Ninguém sabe tudo e ninguém é perfeito, por isso, não acreditem cegamente nas palavras das pessoas, sejam quem for. Seja o que vêem escrito neste blogue, noutro blogue, que vos dizem dentro do círculo, que vos dizem em leituras de Tarot, em rituais, etc. Sei que pode parecer algo extremista mas não é. Não vos estou a dizer para considerarem toda a gente automaticamente errada ou mentirosa, nada disso! Apenas para não acreditarem nas coisas como sendo "a única verdade" porque não há "únicas verdades". Não há "O caminho certo" por default, há vários caminhos certos, um para cada pessoa que o trilha. E o vosso caminho será diferente do caminho das outras pessoas e isso é bom, é excelente. Se conhecerem alguém que vos diga "na realidade as energias funcionam *desta* forma" ou "os rituais devem ser sempre celebrado *assim*" e insista que aquela é a única e exclusiva maneira de fazer as coisas... Fujam. Isto é meio caminho andado para dar problemas, porque primeiro começa com a forma como os rituais são feitos e, quando damos por nós, a pessoa já opina sobre tudo na nossa vida e deixámo-nos levar. Tenham mente crítica e não aceitem cegamente a informação que vos é dada, pensem, investiguem, leiam, etc. Ninguém, independentemente das credenciais que possa ter, vai ser conhecedor total de tudo. Não só porque há demasiado conhecimento no Mundo para alguém saber absolutamente tudo de tudo mas também porque cada um pratica as coisas à sua maneira. A vossa forma de se conectar com Hekate poderá ser diferente da minha forma de me conectar com Hekate. Isso não invalida a minha forma nem invalida a vossa forma. São formas diferentes. Não confiem cegamente nas pessoas, não façam o que elas querem ou dizem para fazer apenas porque acham que elas sabem mais do que os outros, etc. Façam porque que querem, acreditem que sentem que é suposto acreditar. 


Os caminhos pagãos são caminhos extremamente pessoais e não devem ser ditados por outros. Infelizmente, porém, o que não falta por aí é pessoas dispostas a ditar os caminhos dos outros e, pior, tentar influênciá-los e usá-los para o seu próprio bem. Este artigo é escrito com o intuito de ajudar quem está a começar a evitar alguns dos principais perigos que podem encontrar dentro das comunidades e ajudar também quem possa estar em situações destas a identificar as mesmas e a conseguir escapar delas. 


A vida pagã é repleta de diversidade de práticas e caminhos, de variedade de métodos de trabalho e formas de ver o Mundo e a Arte. Não tenham medo de dizer que não a certos caminhos porque não vibra com o vosso, não tenham receio de dizer que não querem afiliar-se com determinada pessoa porque não gostam da forma como a mesma actua, não sintam medo de recusar rituais ou iniciações. Não pensem que estão a "escapar a oportunidades" ou a perder chances. Estão apenas a seguir o vosso caminho, a vossa intuição, a vossa vontade. E essa é soberana na vossa vida. 


Unsplash (Marcelo Matarazzo)
Hoje quero partilhar convosco sobre o que é um Sacerdócio aos Deuses. Existem vários tipos de Sacerdócios e dentro de várias tradições e cada um deles tem a sua especificidade. Existe Sacerdócio dentro da Wicca Tradicional onde cada praticante é iniciado e torna-se Sacerdote ou Sacerdotisa dos Deuses, podendo depois passar por vários graus para aumentar e aprimorar o seu conhecimento e o seu caminho. Existe Sacerdócio no Culto à Deusa e em várias tradições associada ao Culto da Deusa e, inclusive, em diversas organizações mundiais como a Fellowship of Isis ou o Glastonbury Goddess Temple. Existe Sacerdócios dentro de Tradições privadas ou dentro de organizações e caminhos específicos dentro do Paganismo em geral. Cada um destes Sacerdócios é diferente do outro porque cada um exige do iniciado um grau de dificuldade ou um conjunto de características e obrigações diferentes. Porém nenhum deles é menos válido do que o outro. Todos os Sacerdócios são válidos. Este é um dos pontos que quero começar por frisar. Um Sacerdote Wiccano não é menos ou mais do que um Sacerdote pela Fellowship of Isis. Apenas são Sacerdotes diferentes e com metodologias de trabalho e focos de trabalho diferentes. 

Neste caso eu posso apenas falar no meu Sacerdócio. Recentemente fui consagrada como Sacerdotisa de Hekate e Persephone pela Fellowship of Isis e iniciei o meu trabalho de Sacerdotisa com o meu Iseum (ICT - Iseum do Caminho da Terra). E irei partilhar convosco o que é, para mim, um Sacerdócio aos Deuses. 

Na minha opinião e experiência, um Sacerdócio aos Deuses é, acima de tudo, um Serviço. Colocamo-nos ao Serviço dos Deuses e como seus "representantes" no caminho. As nossas acções e os nossos métodos de trabalho irão reflectir aquelas Divindades. Recordam-se quando, em tempos antigos, existiam os Templos dedicados às Divindades onde várias mulheres e homens dedicavam o seu dia-a-dia ao trabalho do templo, à manutenção do templo, à ajuda de quem precisasse, aos rituais diários, etc? Essa é, para mim, a imagem de um Sacerdócio. A devoção da vida e do serviço aos Deuses. O meu trabalho, enquanto Sacerdotisa, é o de manter as chamas dos altares das Deusas acesas e garantir que Elas nunca são esquecidas enquanto os meus pés estiverem sobre a Terra. É garantir que lhes presto Culto e Serviço e que dedico o meu trabalho e o meu esforço a Elas. Este trabalho e serviço pode ser feito de diversas formas, dependendo da divindade à qual juramos Sacerdócio. 

Uma Sacerdotisa de Athena, por exemplo, poderá querer ser professora ou mentora e ajudar na Educação do seu país e comunidade. Um Sacerdote de Poseídon poderá dedicar-se à Conservação dos Mares e Oceanos com trabalho de voluntariado ou académicos. Uma Sacerdotisa de Hekate poderá dedicar-se à Psicologia e auxiliar pessoas no processo de cura pela morte de familiares ou conhecidos. Existem diversas formas de exercer este tipo de Serviço aos Deuses e, a forma como o fazemos, deve ser estabelecida por nós e pela Divindade. Apesar do Sacerdócio ser, por norma, transmitido por outra pessoa já consagrada e já em Sacerdócio, a relação com as Divindades é um dos pontos fulcrais. Não podemos ser Sacerdotisas e Sacerdotes sem que seja estabelecida uma ligação directa com a Divindade e, dessa forma, obtermos a informação a partir dos mesmos (através dos meios que acharmos melhor e mais adequados). E, é aí, que devemos decidir qual será o método do nosso Serviço. 

Para mim o Sacerdócio aos Deuses é algo para a vida. Não é uma decisão a ser tomada de forma leviana. Já ouvi compararem um Sacerdócio a uma tatuagem, que é permanente porém acho que seja ainda mais permanente do que isso! Uma tatuagem, hoje em dia, é possível de ser removida. E, para mim, um Sacerdócio não é algo que se remova ou que se decida parar. Para mim, na minha experiência e opinião, um Sacerdócio é algo que nos acompanha para sempre, nesta vida e nas próximas. É uma marca na alma, eterna e permanente. 

O meu maior conselho a quem quer seguir um Sacerdócio aos Deuses é paciência. Se o que querem é um Sacerdócio, algo para a vida, esperar não pode ser problema. Paciência e esperar, estudar, treinar, decidir, pensar, meditar. Uma decisão destas não deve nem pode ser tomada de ânimo leve. No meu caso, apesar de ser um sonho desde os meus 12 anos (altura em que conheci pela "primeira vez" o Paganismo) demorei cerca de 13 anos a tomar a dar o passo e a iniciar o meu treinamento. Não tenham medo de esperar nem queiram apressar pois os votos são eternos e a eternidade é um período muito longo, o que não falta é tempo!

 A todos os que querem trilhar o caminho para o Sacerdócio, deixo a mensagem: O trilho não será fácil. Será como entrar descalços numa floresta ao anoitecer sem lanterna e sem defesas e navegar a mesma até ao outro lado, até ao nascer do céu. Vai doer, vai ser lindo, vão chorar, vão rir, vão mudar, vão rever memórias cruéis e memórias felizes, vão abrir feridas que nunca sararam e vão curar-se. Será uma experiência inesquecível, dolorosa e transformadora. Vão sair da floresta como pessoas novas, como sobreviventes, como Sacerdotes e Sacerdotisas. Não é um trilho para todos, tal como nem todos temos vocação para padres católicos ou rabinos judeus. Mas para quem sente o Chamado e sente a vontade de Serviço e de Devoção aos Deuses Antigos, será a viagem de uma vida e uma transformação que nem a de uma borboleta. 

A todos os meus irmãos e irmãs Sacerdotes e Sacerdotisas: Saúdo-vos! Agradeço e Honro o vosso Trabalho e Devoção e que possamos sempre Servir os Deuses Antigos nesta e nas próximas vidas! 

E para vocês? O que é um Sacerdócio aos Deuses? 
VI - Os Enamorados

Nome do Arcano: Os Enamorados
Número: VI
Descrição: No baralho de Rider-Waite os Enamorados são representados por um homem e uma mulher nus debaixo do Arcanjo (Rafael). Ambos estão num jardim florido e, atrás da mulher, está uma macieira com uma cobra. Atrás do homem está uma árvore de chamas (com doze chamas). A mulher está a olhar para o anjo enquanto o homem está a olhar para ela. No fundo encontra-se uma montanha vulcânica. *
Símbologia: O Arcanjo Rafael, no topo da carta, representa a cura emocional e física e abençoa o homem e a mulher, recordando-os da sua conexão e união com o Divino. O jardim fértil onde se encontram é semelhante ao Jardim do Éden, recordando-nos o mito de Adão e Eva. Por detrás da mulher, na macieira, encontra-se uma cobra e estes dois símbolos representam a tentação dos prazeres sexuais que podem distrair alguém do divino. A árvore de chamas, atrás do homem, representa paixão (a principal preocupação do homem) e, as dozes chamas, representam os signos do zodíaco e a eternidade. Também a forma como cada um está a olhar para o outro tem significado: O homem para a mulher e a mulher para o anjo representam o caminho do consciente para o inconsciente e para o superconsciente, ou seja, do físico para o emocional e para o espiritual. Por fim, a montanha no fundo representa a explosão de desejo que acontece quando os dois se encontram.

Significado:

  • Posição Normal
Primordialmente a carta dos Enamorados representa relações e ligações sinceras e honestas. A aparência da carta mostra que é uma relação sincera e de confiança, representada na nudez das personagens, onde existe abertura para diálogo e vulnerabilidade. Por norma esta carta representa relações amorosas, porém, poderá também ser símbolo de uma relação de amizade ou de família, o foco da carta, é o fluir de amor e confiança. A nível individual esta carta simboliza o estabelecimento de uma crença e orientação pessoal. É altura de escolher caminhos e decidir qual a filosofia de vida a seguir. Aliás os Enamorados ensinam-nos a tomar as decisões e as nossas escolhas com base no amor (amor próprio, amor familiar, amor ao próximo, etc.). Basear as escolhas no amor traz para a vida harmonia e equilíbrio. 
  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta dos Enamorados representa a falta de harmonia com o que está em nosso redor, principalmente com as pessoas que nos são próximas. As relações amorosas ou familiares podem estar a passar por um mau pedaço e a falta de comunicação é um dos principais factores. Este é um momento de escolhas, e este Arcano simboliza exactamente isso. É necessário reavaliar as relações e entender o que nos motiva a estabelecer as mesmas e se vale a pena ou não, se a vibração existe ou não. E, no caso de não existir, é necessário de deixar ir, pelo bem de todos e por respeito a nós próprios. Esta carta pode representar também falta de amor e respeito próprio e levar-nos a meditar sobre o assunto: Até que ponto é que nos respeitamos a nós mesmos? Também conflitos interiores podem ser simbolizados por esta carta, sendo que ela apela a uma necessidade de focar e estruturar os nossos pensamentos e valores pessoais. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
Unsplash (Marek Szturc)
Hoje vamos falar dos Elementais do elemento Fogo, as Salamandras. Tal como falámos anteriormente cada um dos elementos tem espíritos elementais associados sendo que, no caso do elemento Fogo, os espíritos elementais são as Salamandras.

Estes são dos elementais mais complicados de estabelecer a ligação e cujo contacto deve ser mais cuidado. Tal como o fogo são elementais imprevisíveis e bastante intensos, sendo que há que ter uma forma diferente de lidar com os mesmos. Chatear ou ofender uma Salamandra pode ter resultados catastróficos, dependendo da gravidade do que foi feito. Por norma este é dos elementais com que se aconselha ser dos últimos a estabelecer contacto (supondo que o objectivo é estabelecer com todos) dado que requer algum domínio próprio e paciência.

O contacto com as Salamandras, para além dos motivos indicados acima, é também complicado dado que, como elementais do Fogo, tudo aquilo de que se aproximam é reduzido a cinzas e queimado. Assim sendo o seu contacto tem de ser feito de forma cuidada, dado que as Salamandras são a própria alma da chama e o que causa o arder, o crepitar e o consumir do fogo.

À semelhança dos restantes elementais, as Salamandras possuem características típicas ao seu elemento. São representados como estando presente em todas as chamas e, muitas vezes, são vísiveis nas chamas dos incêndios ou das lareiras. Aliás há imensas imagens na Internet de "figuras" em chamas de velas, incêndios, lareiras e outros em que estamos a olhar, em alguns casos, para representações dos elementais.

Apesar da semelhança do nome Salamandras a um animal que existe na Natureza não deveremos confudir os dois. As salamandras enquanto elementais são assim chamadas pela sua associação aos movimentos serpentinos das chamas que ficaram associado aos ânfibios e ao mexer das suas caudas.

Tal como os restantes grupos de elementais, as Salamandras encontram o seu Rei na entidade de Djinn, um espírito do fogo intenso e severo. Este é considerado um dos Reis Elementais mais respeitado e severo e não deverá, nunca, ser chamado em vão.

As suas funções estão intimamente ligadas ao subsolo e à ligação do fogo dentro do Planeta Terra: a lava, os vulcões, o calor do interior da Terra, etc. Estão ligadas à manutenção do equílibrio dos Vulcões e, quando na necessidade, de causar as suas erupções. Estão também presentes em todas as chamas e locais de calor. O trabalho com os elementais do Fogo, tal como o trabalho com o próprio elemento, é desenvolvido acima de tudo no interior e na mente, através do trabalho com a força de vontade, disciplina e impulso da vida.

Já estabeleceram contacto com as Salamandras? Já conheciam? Como foram as vossas experiências? 


V - O Hierofante

Nome do Arcano: O Hierofante (ou o Papa)
Número: V
Descrição: No baralho de Rider-Waite o Hierofante é representado por uma figura religiosa sentada dentro de um ambiente de igreja. Está vestido com roupas formais e com uma coroa de três níveis. A sua mão direita está levanta e o seu ceptro, na outra mão, tem uma cruz com três traços. Á sua frente dois iniciados estão ajoelhados, sendo que aos seus pés estão duas chaves cruzadas. *
Símbologia: O Hierofante representa uma figura religiosa, um Sacerdote que se baseia na tradição e religião. A sua coroa e o seu ceptro, caracterizadas por terem três níveis/traços, representam o poder deste Arcano pelo três mundos (Céu, Terra e Submundo) sendo que a sua mão direita, elevada em gesto de bênçãos, representa o poder do mesmo pela sociedade (como as religiões organizadas do Mundo). Neste aspecto estabelecemos aqui um paralelo com o Mago que tira poder do Universo para que se materilize no nosso plano, constratando com o Hierofante que demonstra o poder sobre a sociedade. As chaves, aos pés do sacerdote, representam o equilíbrio entre as mentes (consciente e subsconciente) e o conseguir abrir os mistérios com as chaves. Os iniciantes, ajoelhados a seus pés, representam a entrada e iniciação em instituições onde existem uma identidade de grupo definida (igrejas, clubes, equipas, sociedades, etc).

Significado:

  • Posição Normal
O Hierofante representa a convencionalidade, a tradição, os costumes. A carta sugere a necessidade de adaptar à estrutura social e tradições já estabelecidas e de não ir contra "a maré", contra o status quo. Será necessaria uma adaptação ao já existente e, talvez, até o envolvimento em rituais ou cerimónias (religiosas ou não, poderá estar ligado a escolas, clubes, etc.). Esta carta representa as instituições e as suas regras e valores, representando a necessidade de aderir às mesmas. Simboliza também a educação e a busca pelo conhecimento, indicando um período de aprendizagem, focando que as mesmas acontecerão através de um método formal de aprendizagem (escolas, cursos, etc.). O Hierofante realça a necessidade de dar valor à tradição e à honra na vida pessoal, sugerindo um tempo para dedicar às tradições familiares e herança familiar, e, talvez, inclusive um tempo dedicado à religião e à herança religiosa associadda ao nosso caminho. Nesta carta está presente tudo o que for sagrado e justo (casamentos, alianças, serviço, etc.).

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida o Hierofante representa a necessidade de ir contra a tradição e contra a maré. A necessidade de revoltar contra o status quo e contra as tradições e regras implementadas pela sociedade e/ou grupos aos quais pertencem. Pode também representar alguém numa posição de poder, como líder religioso, figura paternal ou um patrão, contra o qual queremos ir contra e não concordamos com o seu método de trabalho. O Hierofante invertido é sobre o questionar da tradição e questionar a nós mesmos se estamos a tomar a decisão certa. Pode também representar pressão social ou de grupo, que estamos a sofrer no momento. A nível individual esta carta representa a necessidade de ir contra o que está estabelecido, de ser rebelde e desafiar as ideias estabelecidas e conceitos que anteriormente pensavámos estarem escritos na pedra. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
Unsplash (Aaron Burden)
Hoje falaremos dos elementais associados ao Elemento Ar. Tal como falámos anteriormente cada um dos elementos tem espíritos elementais associados sendo que, no caso do elemento Ar, os espíritos elementais são os Silfos (muitos associam também as Fadas ao elemento Ar, porém, focaremos o nosso artigo nos Silfos). 

Os Silfos correspondem à força criadora do Ar e são constituidos acima de tudo por Ar e Luz, sendo que são seres que se movimentam livremente dentro do seu elemento porém, à semelhança dos restantes elementais, não se sentem adequados em outros elementos sendo que preferem manter-se no ar e dentro do seu próprio território. 

São elementais mais complicados de estabelecer contacto do que os Gnomos pois são mais dispersos e focam a sua energia em coisas diferentes, como a arte, os sonhos, a poesia, etc. São também os elementais que se encontram numa vibração mais elevada e, como tal, de mais díficil alcance por parte da nossa mente. São também, à semelhança dos Gnomos, elementais que vivem muitos anos. 

O Ar é o elemento da inspiração e do pensamento e, como tal, os seus elementais possuem muitas desssas características e focam o seu trabalho em torno das mesmas. 


Apesar de os Silfos não se reproduzirem, existem tanto Silfos do sexo masculino (Wallotes) como do sexo feminino (Arienes). A sua principal função, enquanto elementais do Ar, é a manutenção do ar da atmosfera, pressão atmosférica e, também, a purificação do ar que respiramos. Trabalham em conjunto com os elementais da Terra de forma a garantir o correcto funcionamento do ar e do oxigénio para conseguir garantir a vida da Terra. 


Tal como todos os outros elementais os Silfos possuem também um Rei chamado Paralda que se diz viver na montanha mais alta do Mundo. É visto como uma fina e ténua névoa azul e todos os problemas que hajam associados aos Elementais do Ar são tratados por ele. Tal como o Rei Ghob, que vimos anteriormente, não deverá ser chamado em vão pois os Reis elementais são severos e não aceitam ser chamados por situações leves e sem sentido. 


O trabalho com os Silfos é um trabalho acima de tudo mental e de conexão astral dado esse ser o plano em que os mesmos se manifestam. É um trabalho demorado e que requer esforço e prática, dado que, como falamos, os Silfos são os elementais em vibração mais elevada e cuja conexão se torna mais díficil. É necessária paciência, persistência e determinação. Uma boa forma de contactar com estes elementais é através das acções associadas ao seu elemento tal como a poesia, a pintura, o pensamento, a filosofia, viagens e busca da sabedoria. Muitos são os poetas e filósofos gregos, como Sócrates, que se referiram aos Silfos pela sua grandeza de ser e a sua forma de ser. 

Outra das formas de contactar estes elementais é no seu próprio elemento indo a locais onde haja bastante vento (porém que sejam seguros!) como topos de montanhas e colinas, praias onde haja bastante vento, torres altas, etc. Também em locais associados às características do elemento (como escolas e bibliotecas ou até a viajar) são sítios em que é possível estabelecer uma ligação com os Silfos, os elementais do Ar.

E vocês, nossos leitores? Como são as vossas experiências com estes seres? 
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Este trabalho é dedicado às Senhoras Ἑκάτη (Hekate) e Περσεφόνη (Persephone)

Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0