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Sob o Luar

Capa do Livro
Título: Traditional Wicca: A Seeker's Guide
Autor(es): Thorn Mooney
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Embora existam muitas variações poderosas da bruxaria contemporânea, a Wicca tradicional oferece experiências únicas para aqueles que a procuram. Este livro explora estilos de Wicca estruturados e baseados em trabalho em coven, nos quais os praticantes costumam traçar linhagens iniciatórias até os primeiros fundadores da Wicca. Discutindo covens, iniciações, linhagens, práticas, ética e muito mais, este livro compartilha dicas e ideias sobre como obter o máximo desta abordagem da Bruxaria. Descubra como reconhecer covens saudáveis e de boa reputação. Aprenda a navegar no processo de pedir treinamento e obter sucesso em um círculo externo. Explore a força espiritual das linhagens, hierarquias e iniciação. Este livro também inclui contribuições de vários iniciados, fornecendo perspectivas valiosas em primeira pessoa sobre como é estar no caminho tradicional da Wicca.
Onde Comprar*: Wook
Análise: Gostaria de começar esta análise com uma citação do livro (em inglês) sobre a Wicca, do ponto de vista tradicional:

““Orthopraxy” derives from Greek and means “right practice.” In usage, it stands in contrast to “orthodoxy,” which means “right belief.” Traditional Wicca tends toward orthopraxy. Belief is not enough. You cannot simply think or feel a certain way. It’s not a matter of reading about certain ideas and holding them to be true in your heart. An orthopraxic perspective demands that adherents take action. For traditional Wicca, that means performing the rites of the tradition. (...) There’s something about the Mysteries that transcends language, or so practitioners often insist. In short, traditional Wicca isn’t something you can simply read about. It’s not just something you believe in. It’s something that you do”

Este é um livro fantástico. Eu já conheço o trabalho da Thorn à bastante tempo e, inclusive, sou membro do Patreon dela. Acompanho o seu trabalho nas comunidades através do seu canal de Youtube à alguns anos e acompanho o seu trabalho através do que ela posta no patreon, pelo que assim que pude agarrar este livro e lê-lo, tive de o fazer. Gostaria antes de mais de deixar claro que eu não sou Wiccana nem me identifico com a fé e práticas da Wicca, seja ela Moderna ou Tradicional. Contudo tenho um carinho especial pela Wicca porque foi onde comecei e o que me introduziu ao Paganismo. A história da Wicca sempre me fascinou e é dos tópicos que mais gosto de ler sobre, pelo que não pude deixar a oportunidade de ler um livro sobre Wicca Tradicional. 

Ao contrário do que possam pensar este não é um livro sobre aprender ou conhecer a Wicca como os restantes. Não vão encontrar um Wicca 101 dentro do Traditional Wicca. Este livro é um livro que ajuda e orienta praticantes e interessados em covens de Wicca Tradicional na sua busca pelos mesmos. A autora apresenta o que é a Wicca Tradicional e no que a mesma consiste e explica um pouco como funcionam as linhagens e como funciona a estrutura de um coven de Wicca Tradicional. Fala-nos também do processo iniciático dentro da Wicca e de como funciona todo o processo de Hierarquia e de Linhagem dentro destas tradições. Eu adoro principalmente a forma como a autora aborda o conceito de Hierarquia: Existe muito a ideia de que dentro de covens tradicionais as coisas funcionam de forma autoritária e de subjugação entre os Altos Sacerdotes e os iniciantes e Thorn mostra-nos que isso não podia estar mais longe da verdade. A autora explica-nos e alerta-nos para todas as "bandeiras vermelhas" que podem ser encontradas no processo de busca por um coven Wiccano tradicional e como evitá-las. 

Na terceira parte do livro a autora apresenta vários conselhos e reflexões importantes a serem tomadas no processo de busca de covens de Wicca Tradicional e ajuda o leitor a refletir se realmente aquele será o percurso pretendido ou não. Esta parte é rica em variados tipos de conselhos e de técnicas para entender como navegar o processo de candidatura nos círculos externos dos covens tradicionais e algumas dicas de como lidar com a rejeição e com as perguntas e tarefas que poderão ser pedidas ou exigidas aos interessados. 

Ao longo do livro temos também várias citações de variados praticantes de covens tradicionais dentro da Wicca sobre a sua prática, o seu processo de procura por um coven e a sua opinião pessoal sobre vários tópicos. Este é um livro pioneiro sobre a Wicca Tradicional e, na minha opinião, extremamente necessário nas nossas comunidades não só para desmitificar um pouco como funciona o processo de organização da Wicca mas também para ajudar interessados a percorrer os processos de candidatura e evitar grupos e covens que possam ser indesejáveis. 

Este livro é actualmente uma das minhas primeiras recomendações para interessados em Wicca Tradicional e espero que venha a ser traduzido para Português, porque creio que tem muito a acrescentar nas nossas comunidades também!

E vocês? Já leram? Que acharam? 

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 
XXI - O Mundo

Nome do Arcano: O Mundo
Número: XXI
Descrição: No baralho de Rider-Waite a carta do Mundo é presentada por uma mulher nua com um tecido roxo em seu redor, dançando dentro de grinalda. A mulher está olhar para trás enquanto o seu corpo está virado para a frente. Na sua mão estão dois bastões ou varinhas. Á volta da grinalda estão quatro figuras (um leão, um touro, um querubim e uma águia). *
Símbologia: No Arcano do Mundo a mulher nua está a olhar para trás, para o seu passado, enquanto o seu corpo está voltado para a frente, pronto a enfrentar o futuro que virá. Na sua mão tem, à Semelhança do Mago, dois bastões, simbolizando que aquilo que o Mago manifestou se tornou realidade e está nas mãos desta mulher. A grinalda redonda alerta-nos para o ciclo contínuo completado e o próximo que começará, pois tudo na vida são ciclos que começam e terminam. As figuras em torno da grinalda representam os quatro signos fixos do zodíaco (Leão, Touro, Aquário e Escorpião) e, à semelhança da sua presença na Roda da Fortuna, representam os quatro elementos, os quatros naipes do Tarot, os quatro pontos do compasso e as quatro estações. Estão aqui para nos guiar de uma fase para a outra do nosso ciclo constante. 

Significado:
  • Posição Normal
Na sua posição original a carta do Mundo é uma carta extremamente positiva. Representa o fim de um ciclo com sucesso e a vitória alcançada. Traz consigo uma sensação de conquista dos nossos objetivos. Seja um projecto a longo prazo, um desafio, uma fase na nossa vida ou apenas um pedaço do nosso caminho, esta carta mostra-nos que atingimos os nososs objetivos e chegamos ao fim deste pedaço da jornada com sucesso. Convida-nos a reflectir sobre o nosso passado e o que nos trouxe até este momento, a entender o que foi bom, o que foi mau, o que poderia ter sido melhorar e ajuda-nos a preparar para o novo ciclo que se inicia. Esta carta não é um fim mas sim uma celebração da conclusão de um ciclo e inicio de uma nova. 

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta do Mundo alerta para a necessidade de obter fecho numa situação em particular. É necessário fechar as pontas soltas e terminar um ciclo da nossa vida ou um projecto que esteja a decorrer. Este fecho pode estar pendente pela nossa impossibilidade de agir, por medo, por estarmos demasiado agarrados a algo. Este Arcano alerta-nos que temos de analisar a situação e conseguir libertar essas amarras, permitindo o fecho de um ciclo para começar um novo. Pode também alertar para o facto que não estão a ser tomadas todas as medidas ou passos que deveriam para atingir um determinado objetivo. É preciso reflexão interior para ver o que está em falta e conseguimos tomar os passos necessários para atingir o nosso objectivo. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
Unsplash (Ava Sol)
Este artigo é uma nova versão de um artigo nosso postado em 2017 sobre as Tendas Vermelhas. Achei que estava na altura de darmos uma actualização a esse artigo e cá estamos nós. Hoje vamos falar sobre as Tendas Vermelhas, Círculos de Mulheres e o Sagrado Feminino. 

Começando pelas Tendas Vermelhas, este é um conceito antigo, apesar de nem sempre ter tido este nome, em que as mulheres das tribos se reuniam durante a sua menstruação e se recolhiam em si mesmas, partilhando conhecimentos, experiências e ensinamentos. Hoje em dia a tradição de dedicar atenção e cuidado à nossa menstruação é algo do passado. As vidas atarefadas da cidade, os empregos, as tarefas e até as redes sociais e a necessidade de estar sempre contactável e em movimento afastam-nos dos momentos intímos e reclusão interior. Existem várias mulheres, em todo o Mundo, a impulsionar este movimento tal como DeAnna L’am e ALisa Starkweather. Estas Tendas Vermelhas são encontros entre mulheres com o objectivo de ajudar a estabelecer uma comunidade de mulheres, como irmãs, e também com o objectivo de ajudar cada mulher, individualmente, a desenvolver-se a si mesma, a aprender sobre os seus ciclos e aprender a conviver com eles. O que acontece em cada reunião da Tenda Vermelha depende não só da organização mas também dos membros, do momento em que é realizada, do local onde é realizada e de imensos factores. Nenhuma reunião é igual a outra e são todas únicas. xistem Tendas Vermelhas em todo o mundo, aliás, a DeAnna L'am tem o projecto "Uma Tenda Vermelha em Cada Bairro" com o objectivo de que as Tendas Vermelhas cheguem a todos os bairros e todas mulheres do Mundo. No site indicado podem consultar quais as Tendas que existem perto de onde moram e como funcionam.

Para além das Tendas Vermelhas temos também os Círculos de Mulheres. Estes círculos são mais livres na sua organização mas são semelhantes ao conceito da Tenda Vermelha em que o objetivo é a união e reunião de um grupo de mulheres com o objetivo de trabalharem nelas próprias e na irmandade que é ali estabelecida. Contudo, os Círculos de Mulheres acabam por existir mais dentro de comunidades pagãs ou de bruxaria, no sentido em que são grupos de mulheres que se reunem para trabalhar a sua espiritualidade, trabalhar o Sagrado Feminino e trabalhar com o seu "eu interior", numa irmandade onde até podem ser realizados trabalhos mágicos, trabalhos oraculares ou, em certos casos, até trabalhos com divindades. Acaba por ter um espaço mais amplo de trabalho. Os Círculos de Mulheres acabam também por ser mais livres e não estão limitados pela formação dada nos conceitos das Tendas Vermelhas (onde há o ensinamento e a obtenção de um Grau para puder iniciar uma Tenda Vermelha). Existe uma maior liberdade na prática e na reunião das mulheres neste tipo de eventos. 

Tanto as Tendas Vermelhas como os Círculos de Mulheres acabam por se focar no trabalho com o Sagrado Feminino, ou seja, o lado feminino do Sagrado. Com isto não quer dizer necessariamente o trabalho com Divindades femininas mas com o conceito do Feminino como um todo. O Sagrado Feminino inclui o trabalho com o feminino interior, com o curar as feridas de séculos de opressão ao sexo feminino, curar as feridas de traumas*, desmistificar mitos relacionados com a sexualidade feminina, trabalhar com Divindades femininas, trabalhar com o nosso lado feminino da nossa polaridade (tanto homens como mulheres e não-binários, o Sagrado Feminino está aberto a toda a gente). Nem todos os grupos vão abordar todas estas temáticas e nem todos vão abordá-las da mesma forma. Há várias formas de fazer este trabalho e cabe a nós, praticantes, ver quais as que nos identificamos e com as quais (e de que forma) pretendemos trabalhá-las. As Tendas Vermelhas e os Círculos de Mulheres são apenas duas de muitas formas de realizar este tipo de trabalho interior. 

E vocês? O que acham deste tipo de trabalho? Conhecem? Participam?

* No caso de traumas derivados de situações traumáticas ou violentas, aconselhamos sempre o acompanhamento médico por parte de um psiquiatra ou psicológo de forma a lidar com estes traumas da forma mais adequada possível!


XX - O Julgamento

Nome do Arcano: O Julgamento
Número: XX
Descrição: No baralho de Rider-Waite a carta do Julgamento apresenta-nos homens, mulheres e crianças nús nas suas campas com os braços alçados para o céu. Acima o Arcanjo Gabriel, messangeiro do Deus monoteísta, toca o seu trompete. No fundo está um conjunto de montanhas que se extende no horizonte. *
Símbologia: No Arcano do Julgamento vemos a humanidade nua e nas suas campas perante ao Arcanjo, aguardando a sua chamada aos céus para serem julgados e saberem que vão ser aceites no Paraíso ou não. As montanhas no fundo da carta representam os obstáculos que a humanidade enfrenta na sua vida e o quanto inevitável é o julgamento das nossas acções. 

Significado:
  • Posição Normal
Na sua posição original a carta do Julgamento está a alertar-nos para a necessidade de tomar uma decisão que irá alterar o rumo da nossa vida e pede para que usemos a nossa intuição no processo da tomada de decisão, através da análise de decisões passadas e daquilo que já vivemos e do que a nossa intuição nos ensina e aprendeu ao longo do nosso trajecto. Este Arcano chama-nos a ouvir o nosso Eu interior e trabalharmos para atingir o nosso estado mais elevado e mais único. Este é um momento de limpeza das nossas feridas mais profundas, libertação da culpa e do sentimento de arrependimento interno. É o momento para nos limparmos desta carga negativa que trazemos às costas e nos elevarmos, tomando a decisão para atingir uma nova plataforma no nosso crescimento pessoal. 

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta do Julgamento pede por um período de reflexão e de mergulho interior. É necessário tirar tempo do nosso dia para meditarmos connosco próprios e fazermos trabalho interior com a nossa intuição e com o nosso Eu interior. Há imensas coisa que temos vindo a evitar na vida e temos de as enfrentar de cabeça erguida e entender como as mesmas nos afectam e o impacto que elas têm. Temos de trabalhar estas memórias e entender como as mesmas servem de lições na vida. Este Arcano invertido traz-nos a mensagem que o Universo quer que nos foquemos em algo maior, em algo interior, mas que nós não estamos dispostos a isso (ou por medo ou por distração). É necessário focar, libertar dos medos e aceitar o desafio que o Universo nos dá. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 

Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

Hoje vamos falar de mais uma Deusa do panteão grego, a Deusa Héstia. 

***

Nome: Héstia (Ἑστιη)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Héstia foi a primeira filha a nascer entre o titã Cronos e a titã Rhea. Cronos foi avisado por Gaia e Uranos que o seu domínio do mundo iria terminar à mão de um dos seus filhos e, como tal, a cada filho que nasceu Cronos engoliu os mesmos imediatamente após o seu nascimento, começando por Héstia. Quando Zeus, o último dos filhos de Cronos e Rhea nasceu e foi levado para um esconderijo, voltando quase adulto para matar então o seu pai e libertar os seus irmãos, Héstia foi a última a ser regurgitada. Como tal é considerada tanto a mais velha como a mais nova dos seis irmãos. Já durante o domínio de Zeus e do domínio olimpiano, Héstia manteve-se virgem, inclusive perante os pedidos da sua mão em casamento por Apollo e Poseidon. A Deusa pediu a Zeus que permitisse que a mesma olhasse pelo Fogo Sagrado do Olimpo e, assim, mantendo-se Virgem eternamente. Ao que Zeus aceitou, transformando Héstia numa das primeiras Deusas virginais e a responsável pelo cuidado do Fogo Sagrado. Foi deste Fogo de Héstia que Prometeu roubou a centelha de fogo que deu à Humanidade para nos presentear com o elemento do Fogo. 

Celebrações: O culto a Hestia não era muito predominante na Antiguidade Clássica como as outras divindades. Hestia era honrada nos lares e em locais com lareiras. Era a Deusa da Chama Sagrada e Sacrificial e, como tal, em todas as oferendas queimadas em honra dos Deuses a primeira parte da oferenda era sempre dada a Héstia. A cozinha da carne sacrificada era parte do domínio de Héstia. O fogo acendido em honra a Héstia em templos ou locais de culto não poderia ser apagado e, caso fosse, não poderia ser acendido com fogo normal e teria um processo próprio para voltar a acender a chama destes altares. 

Geneologia: Filha de Cronos e de Rhea, é uma das primeiras Deusas Olímpicas e a primeira filha a nascer dos dois titãs contudo, sendo a primeira a nascer é também a última a ser regurgitada como tal é conhecida como sendo a irmã mais velha e, ao mesmo tempo, a irmã mais nova. 

Epítetos: Äídios ("Eterna"), Vasíleia ("Rainha"), Khlöómorphos ("Verdante"), Polýmorphos ("Multi-formada"), Potheinotáti ("Amada"), Prytaneia ("da Πρυτάνεις"). 

Símbolos: Fogo Sagrado, "The Hearth", Lareiras. Existe também alguns registos de lhe serem associados porcos e vacas. 

Leitura Recomendada: 

Theoi - Hestia
Hellenic Gods - Hestia
Hino Homérico 24
Hino Homérico 29
Hino Órfico 84

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliates Programs' e geram uma pequena taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador.
Unsplash (Halanna Halila)

Uma das principais dificuldades de quem está a começar a estudar Paganismo e Bruxaria é a clarificação dos conceitos, dado que estes são muito confundidos na maioria dos sites e livros. Este artigo pretende esclarecer alguns conceitos principais do começo do seu estudo. Claro que, como creio ser óbvio, estas definições não são as "certas" nem as "erradas". São uma das várias definições que podem ser dadas e o seu objectivo é ajudar a clarificar quem está a começar a estudar.

Os três conceitos que vamos abordar este artigo são: Paganismo, Bruxaria e Wicca. Este artigo é uma nova actualização a um artigo antigo que tinhamos que já falava destes três pontos mas aqui serão abordados de forma mais desenvolvida e mais clara! 

  • Wicca
A Wicca é uma religião ou caminho espiritual que surgiu por volta da década de 1950 na Inglaterra, pelas mãos de Gerald Gardner. Se a mesma foi criada ou trazida a público pelo Gardner é uma questão que ainda é debatida nas comunidades pagãs, pelo que não iremos pronunciar-nos sobre isso.

A Wicca é um culto duoteísta que se concentra em duas divindades: A Deusa e o Deus. Estas duas divindades possuem diversas faces, podendo ser encaradas como Deusa e Deus ou como um outro Casal Sagrado, presente numa mitologia à escolha do praticante. Na Wicca são celebrados os 8 festivais da Roda do Ano (Samhain, Yule, Imbolc, Ostara, Beltane, Litha, Lughnassadh e Mabon) que são as celebrações da Natureza e a passagem das estações, associadas ao Mito da Roda do Ano, que poderá ser visto na secção das Celebrações. Para além destas festividades, na Wicca ainda se celebra os Esbats que são celebrações de Lua, sendo que são realizados rituais ou celebrações relacionados com cada fase da Lua em questão.

A Wicca é dividida em duas principais ramificações: Wicca Tradicional e Wicca Moderna. A Wicca Tradicional é a vertente mais antiga, baseada nos trabalhos de Gerald Gardner e de Alex Sanders sendo que é bastante rígida e conta com a presença das Leis Wiccans, obrigatoriedade de ritos 'skyclad', entre outros aspectos. A Wicca Moderna, como o próprio nome indica já conta com um método mais aberto, dado que é a junção de todos os novos caminhos que surgiram e ainda surgem dentro da Wicca e que contam com uma maior liberdade de trabalho e com a presença, em vários casos, da "auto-iniciação", conceito introduzido por Raymond Buckland. Na Wicca existe, como em todos os lados, diversas controvérsias. A principal é relacionada com a Iniciação. A Wicca é, tradicionalmente, um caminho iniciático e sacerdotal (isto significa que é um caminho no qual a Iniciação é obrigatória e todo o iniciado é Sacerdote). A controvérsia em torno deste assunto trata-se que a vertente tradicionalista acredita e defende que a Iniciação deverá ser feito dentro de um coven estabelecido e com todas as regras que isso incluí, enquanto grande parte da vertente Moderna defende o conceito de "auto-iniciação". 

Por fim é importante realçar a forte ligação existente na Wicca pelo culto à Natureza e pela fertilidade, algo que está sempre presente na prática Wiccana tal como, é necessário, realçar a utilização da Magia e da Bruxaria enquanto ofício, por parte de grande parte dos Wiccans.

  • Bruxaria
"A Bruxaria é um ofício que utiliza a magia para obter fins específicos" - Esta é uma adaptação da frase que estava no site Bruxaria.net (um dos primeiros sites voltados para a Bruxaria e Paganismo em Português!) que acho que resume de forma sucinta o que é a Bruxaria. A Bruxaria é uma forma de trabalhar com a magia. A Bruxaria não é uma religião e pode ser praticada por pessoas de qualquer caminho espiritual/religioso ou, até, de quem não segue nenhuma religião ou espiritualidade em específico. Existem imensas formas de praticar Bruxaria tal como Bruxaria de Cozinha, Bruxaria Natural, Bruxaria Tradicional, entre outras. É um grande espectro de práticas que podem ser adaptadas e praticadas por quem pretender. Não existem regras nem leis gerais associadas à Bruxaria sendo que não há uma unificação deste ofício. O mesmo é praticado por pessoas de todos os caminhos, idades, géneros, etnias, etc. 

  • Paganismo
O Paganismo é um termo umbrella que engloba diversos caminhos espirituais/religiosos que têm entre si algumas parencenças: Imaginem ma árvore bem grande e forte, com um tronco bastante largo. Esse tronco largo, é o Paganismo. O Paganismo é o tronco de uma árvore e os caminhos dentro do Paganismo são os ramos. São vários os caminhos que se podem incluir dentro do Paganismo tal como a Wicca, Neo-Druidismo, Neo-Xamanismo, Reconstrucionismo Celta, Reconstrucionismo Egípcio, Recontrucionismo Romano, Recontrucionismo Helénico, Reconstrucionismo Nórdico (Asatru, Odinismo, etc.) e muitos outros caminhos diferentes. Todos estes caminhos partilham alguns pontos-chave em comum tal como a ligação e o respeito pela Terra e a Natureza e a tentativa de reconstrução ou adaptação de práticas pagãs pré-cristãs. O Paganismo é um termo bastante díficil de definir porque há várias formas de o definir. Recomendo a leitura do texto "The Big Tent of Paganism" do John Beckett que faz uma reflexão muito interessante sobre a definição e sobre o que é o Paganismo. 


***

Estas são apenas definições simplificadas acerca destes caminhos: Não servem como informação completa para iniciar uma prática. Recomendamos a leitura de mais artigos relacionados com o tema (temos uma secção para Iniciantes aqui no site) e uma vista de olhos pela nossa secção de Recursos que conta com imensas recomendações de livros, websites, canais de Youtube, entre outros. 

E vocês? Praticam algum destes caminhos?

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