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Sob o Luar

Unsplash (Element5 Digital)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Samhain! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Samhain
Datas: 31 de Outubro (HN) ou 1 de Maio (HS)

Samhain (pronuncia-se “sou-en”) é também denominado de Halloween, Hallowmas, Véspera de Todos os Sagrados, Véspera de Todos os Santos, Festival dos Mortos e Terceiro Festival da Colheita. Samhain é considerado um dos mais importantes festivais Wiccanos ao lado de Beltaine. Samhain realiza-se quando o Sol está a 15º de Escorpião (no Hemisfério Norte) e a 15º de Touro (no Hemisfério Sul). Pode também ser celebrado na data tradicional que é 1 de Maio (Hemisfério Sul) e 31 de Outubro (no Hemisfério Norte).

Este é um festival para honrar os nossos antepassados e Ancestrais. Podemos, e devemos, partilhar alimentos com os mesmos, convidá-los para as nossas mesas e honrar a sua importância na nossa vida, no nosso caminho e na nossa existência. Muitos Bruxos optam por deixar um lugar à mesa para os Ancestrais ou colocar comida no altar ou, em algumas práticas, deixar um prato com comida no alpendre ou no lado de fora de casa para alimentar os espíritos que vagueiam na noite das Almas. 

Um dos principais símbolos deste terceiro, e último, festival das Colheitas é a Abóbora. Todos conhecemos a associação da abóbora com o Halloween e ela não deixa de ter menos impacto no Samhain! A abóbora é um alimento rico nesta altura do ano e extremamente versátil. Desde sopas, tartes, bolos, biscoitos, lattes e até sementes de abobora assadas no forno existem mil e um pratos que podem ser feitos com aboboras. É caso para dizer que o céu é o limite da nossa imaginação. Sejam inventivos e podem utilizar este produto em qualquer prato sejam sobremesas ou entradas.  

Outro alimento que tem também um grande papel durante este festival de Samhain é a romã. A romã está associada a Samhain devido à sua ligação com o Mito de Persephone e a sua Descida ao Submundo, que é assinalada perto desta altura do ano. Também a romã pode ser usada de diversas formas: para fazer sumos, em saladas, em tartes e muitas outras variantes. Podem também ser colocadas em altares em honra à Deusa Persephone e celebrando a sua descida de volta ao Submundo. 

Para além das abóboras e romãs, também outros alimentos costumam estar presentes à mesa durante esta altura do ano como todo o tipo de frutos secos e cereais que podem ser utilizados para cozinhar diversos pratos (recordamos que Samhain é o Terceiro Festival das Colheitas, por isso, todos os alimentos consumidos nos outros dois festivais podem fazer parte da mesa nestas celebrações). Também o vinho quente com especiarias é excelente para esta altura do ano, tal como todo o tipo de vegetais de raízes como batatas, cenouras, nabos, beterrabas, etc. 

Samhain é uma altura para reunir a família, festejar o fim de um ciclo e celebrar aqueles que vieram antes de nós ou que já não estão connosco. Façamos banquetas e celebremos a vida, agora que o ano termina e o Sol se esconde! Que a alegria deste festival possa manter-se dentro de nós até o Sol nascer forte novamente. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Capas dos Livros
Título: Wicca for Beginners: Fundamentals of Philosophy & Practice
Autor(es): Thea Sabin
Pontuação: ★★★★
Descrição: O livro Wicca para iniciantes, da autora Thea Sabin, aborda aspectos básicos de mistérios e práticas da magia Wicca, em uma linguagem acessível aos não-iniciados, dando um panorama da "nova religião ancestral" que combina algumas tradições remanescentes da bruxaria com elementos modernos. Lançada no exterior com grande sucesso, esta obra chega ao Brasil para atender a ampla demanda de interessados no assunto, confirmada pelo número crescente de títulos sobre o tema.
Onde Comprar*: Wook
Análise: Quero começar esta análise literária partilhando uma citação do livro que me agradou imenso!

"But remember, reading is not enough. Wicca is not a “religion of the book.” It is about engaging with life, and it requires active participation and practice over time. So do the exercises in this and other basic Wicca books. Begin assembling your own Wiccan practice. Explore the Wiccan ideas that sing to you, and create some rituals for yourself. Build an altar. Talk to the gods. Start a book of shadows. Most of all, open yourself up to the transformation and self-discovery that walking the Wiccan path can inspire."

Este livro surpreendeu-me pela positiva, não estava à espera que fosse um livro tão bom, para ser honesta. Este é um fantástico livro para iniciantes ou interessados na Wicca Moderna e irei sem dúvida começar a recomendá-lo vivamente. Está na altura de começarmos a recomendar mais livros actuais e começar a largar a nostalgia dos clássicos da Wicca e do Paganismo, porque os mesmos estão cada vez mais desactualizados para os nossos tempos. Este livro, pelo contrário, achei-o fantástico para as nossas comunidades actuais. 

A autora explora bastante os pontos importantes da Wicca, citando grandes autores como Joseph Campbell e outros, mostrando os pontos de vista éticos, religiosos e as bases necessárias para um bom culto religioso (que é isso que a Wicca é, uma religião). Após explicados estes pontos principais, a Thea Sabin avança então para a parte prática falando dos instrumentos, dando um foque fantástico na meditação, no grounding, pathworking, warding e todos os básicos energéticos que são essenciais para uma prática mágica e wiccana. Honestamente, nunca um livro de iniciantes abordar tão bem e de forma tão clara estes temas! 

De seguida, a autora começa então a abordar as informações típícas da Wicca como os Deuses, o Círculo, as Ferramentas, o Altar, etc. No fim, temos um excelente capítulo que nos ajuda a por em prática tudo o que aprendemos ao longo do livro e como continuar a partir dali. A autora fornece também imensos recursos e recomendações de outros títulos de livros e recursos para ler e explorar a prática. 

O livro está também recheado de exercícios que podem (e devem!) ser realizados para ajudar a começar e melhorar a prática de cada um. 

Sinceramente achei este livro muito bom e irei começar a recomendá-lo frequentemente!

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 
XVIII - A Lua

Nome do Arcano: A Lua
Número: XVIII
Descrição: No baralho de Rider-Waite a carta da Lua é representada por uma grande Lua Cheia no céu nocturno posicionada entre duas torres e com um caminho por baixo. Na frente temos um pequeno lago com um lagostim a sair da água e, perto do lago, a relva temos um cão e um lobo a uivarem à Lua.  *
Símbologia: No Arcano da Lua temos uma Lua Cheia no céu nocturno que representa a intuição, os sonhos e o subsconsciente. A sua luz é mais ténue comparada com o Sol, mas a Lua traz-nos a luz sobre os mistérios da noite e da mente e sobre o caminho da nossa espiritualidade, representada pelo caminho no meio das torres. O pequeno lago representa a mente consciente, de onde sai o lagostim, que vem aqui representar o início da criação e o começo do nosso desenvolvimento consciente. O cão e o lobo, uivando à Lua, simbolizam os lados selvagens e domesticados da nossa mente, perante as energias lunares. 

Significado:
  • Posição Normal
Na sua posição original a carta da Lua representa os nossos medos e inseguranças. Estamos a ser influenciados por traumas ou emoções do nosso passado que estão a influenciar as nossas acções do presente. Estamos a deixar que o nosso passado interfira com as nossas acções actuais e temos e agir contra isso. Este é um momento de incerteza no qual temos de nos voltar para dentro e ouvir a nossa intuição. Temos de consegui lidar com estes medos e ansiedades, seja através de terapias ou curas naturais, mas é preciso agir e não deixar que esses aspectos mais escuros dominem a nossa vida. A Lua indica também a necessidade de ouvir a nossa intuição e de nos sintonizarmos com a verdadeira Lua no céu e que nos focarmos nos seus ritmos. Ver em que fase da Lua estamos, o que ela significa, meditar com ela, etc. Fazer trabalho lunar é aconselhado na presença desta carta. 

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta da Lua mostra-nos que estamos a conseguir lidar com as nossas ansiedades e medos de forma correcta e que estas energias negativas que nos rodeavam estão a começar a desaparecer. Contudo, a carta alerta-nos para termos noção que temos de trabalhar e manter o nosso trabalho quanto a estas emoções e não podemos apenas querer escondê-las pois tal como a Lua vai de Nova a Cheia, também as nossas emoções não ficam escondidas para sempre. É preciso enfrentá-las e saber lidar com as mesmas. Esta carta, nesta posição, pode também representar que existem mensagens que estão a ser recebidas mas não corretamente interpretadas. É preciso ouvir os Guias e meditar sobre o assunto ou até consultar métodos divinatórios alternativos. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
Unsplash (Joanna Kosinska)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Mabon ou Equinócio de Outono! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Equinócio de Outono ou Mabon
Datas: 20/21/22/23 de Setembro (HN) ou 20/21/22/23 de Março (HS)

Mabon (pronuncia-se “mêibon”), também denominado de Sabbat de Outono ou Equinócio de Outono é o Segundo Festival das Colheitas. Tem lugar quando o Sol está a 0º de Libra (no Hemisfério Norte) e 0º de Áries (no Hemisfério Sul), ou seja, ocorre por volta de 21/22/23 de Setembro (no HN) e Março (HS). Os Equinócios são pontos de equilíbrio, onde a Luz e a Escuridão estão iguais. A partir desta data, o período escuro do ano começa e a escuridão vence uma vez mais. Relembro que escuridão não significa algo mau, é somente uma referência à falta da intensidade do Sol e o começo e vitória do Inverno. As noites tornar-se-ão mais longas e os dias mais curtos até chegar o Inverno.

Um dos principais símbolos deste segundo festival das Colheitas é o Milho. Esta é a altura da colheita do milho e em Portugal temos uma grande cultura, que já se está a perder, à volta do milho e da desfolhada do milho. Este é um momento ideal para procurar mais sobre estas tradições e como as mesmas podem ser aplicadas à nossa actualidade pagã. O milho pode ser utilizado em diversos pratos como maçaroca assada, milho com arroz, salada de milho, milho no forno, etc. Existem mil e uma formas de utilizar o milho na cozinha e de lhe dar um lugar de destaque à mesa. 

Outro alimento que tem também um grande papel durante o Equinócio de Outono são as maçãs! Com o mês de Setembro vem o período da apanha da maçã e podemos utilizar esta fruta nos nossos pratos e cozinhados, seja no forno, cozinhada, assada, em tartes, em compotas e doces, etc. Em termos mágicos a maçã tem uma grande simbologia, não só pela associação cristã do "fruto proibido do Jardim do Éden" mas também pelo facto que se cortarmos uma maçã ao meio, as suas sementes irão formar um pentagrama. É um dos frutos associados à Bruxaria e, como tal, esta é a época perfeita para lhe dar um lugar privilegiado à mesa. No caso de ter um jardim ou quinta onde tenha uma macieira pode aproveitar para apanhar as maçãs e conservar as mesmas através de doces e compotas que podem ser usadas ao longo do Inverno que virá. 

Para além do milho e das maçãs, também outros alimentos costumam estar presentes à mesa durante esta altura do ano como as castanhas, as abobóras (que terão um papel de destaque ainda maior em Samhain!), feijões, nozes e o pão, que continua a ter o seu lugar à mesma após Lughnassadh. Aliás, se quiserem juntar o pão e o milho podem fazer pão de milho ou broa de milho que são pães bastante tipicos em Portugal. 

Esta é uma celebração rica em diversas actividades e a segunda de três celebrações relacionadas com as Colheitas, por isso, não tenham medo de inovar e experimentar coisas novas. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Nota: Existe um grande debate nas comunidades pagãs por detrás do uso das palavras Mabon/Ostara/Litha. Para fácil acesso por iniciantes optámos por manter a denominação neste artigo, contudo, aconselhamos a leitura deste texto e deste texto para esclarecimentos adicionais. 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
Capas dos Livros
Título: Wicca: A Modern Guide to Witchcraft & Magick
Autor(es): Harmony Nice
Pontuação: ☆☆☆☆☆
Descrição: Harmony Nice, uma estrela do YouTube e do Instagram, está no centro de uma comunidade cada vez maior de jovens wiccanos que praticam a magia para enriquecer as suas vidas e o mundo à sua volta. Uma magia que nada tem a ver com maldições assustadoras ou adorações maléficas, mas que é uma ferramenta para superar obstáculos e encontrar a felicidade. Neste livro, Harmony encoraja-nos a explorar o impacto positivo que o ritual, a meditação e o abraçar da natureza podem ter sobre a nossa criatividade, confiança, resiliência e sentido de autovalorização.
Aprenda a lançar feitiços, a usar o poder dos cristais, das runas, a fazer altares em casa e a utilizar utensílios mágicos. Descubra ainda o poder das cores e das plantas. Comece o seu Livro das Sombras para documentar tudo o que aprender e descobrir ao longo da sua jornada. Sozinha ou numa assembleia sinta-se confiante para seguir um caminho que seja confortável e verdadeiro para si. 
Onde Comprar*: N/A
Análise: Bem... nem sei por onde começar. Tenho a dizer que este foi o pior livro que li nos últimos anos, relacionado com Paganismo e Bruxaria. Sim, leram bem: O pior. Por algum motivo lhe dei zero estrelas. 

Vamos analisar o que me faz achar que este livro é o pior? Vamos lá, por prós e contras:

Prós:
  • A capa é bonita.
  • Tem alguns pontos sobre magia urbana e magia discreta para adolescentes que são interessantes, contudo, isto são conteúdos que rapidamente são encontrados online (até no Sob o Luar temos artigos sobre o assunto) e em vários outros livros. 
Contras:
  • A autora apresenta a Wicca, neste livro, como se fosse um produto de wellness a vender. Está constantemente a falar dos "benefícios" da Wicca e tem inclusive um capítulo inteiro dedicado a "Porque Explorar a Wicca" onde se foca em pontos como meditação é boa para a saúde, a Wicca permite ter actos de self-care e muitas outras razões que em nada estão relacionadas com a Wicca ou com a Bruxaria. 
  • A organização dos capítulos está terrível. A autora começa por dar uma introdução de Bruxaria, Wicca e Paganismo (sendo que é uma introdução extremamente pequena e sem grande conteúdo por onde se pegue) e salta automaticamente para Divinação e "Natureza". A Divinação nem está relacionada com a Wicca diretamente, é apenas uma prática que os praticantes podem fazer se assim desejarem. Só após falar destes tópicos é que começa por abordar a Ética na Wicca (falando da Lei Tríplice e da Rede Wiccana), o que vamos abordar já de seguida. 
  • No capítulo em que a autora fala sobre a Lei Tríplice e a Rede Wiccana a mesma comete imensas falácias! É dos piores capítulos do livro. A autora começa por dizer que a "Wicca é uma religião super-livre" e que apenas quem quer segue a Rede Wiccana e a Lei Tríplice! Isto é terrível. A Rede Wiccana e a Lei Tríplice são bases da Wicca Moderna e transcendentes a quase todos os caminhos da Wicca. A forma como a autora apresenta a religião é como se fosse um puzzle em que se pode pegar em várias peças e montar como for a nossa vontade, sem qualquer respeito pela estrutura e práticas típicas da Wicca. Adicionalmente a autora fala que "ninguém sabe" quem escreveu a Rede Wiccana. Isto é, novamente, uma falácia. Basta uma rápida pesquisa online para entender mais sobre a Rede Wiccana e as origens da Wicca e dos seus textos sagrados. Temos vários livros focados na História da Wicca e dos principais responsáveis pelo seu surgimento (inclusive auto-biografias) que nos ajudam a entender a História desta religião. Não são propriamente segredos mas requerem estudo e leitura de conteúdos fora das redes sociais que creio ser uma das dificuldades da autora. 
  • No capítulo em que a autora explica os vários caminhos dentro da Wicca, para além de fazer uma grande mistura nos vários caminhos e incluir algumas práticas fechadas como cultos africanos como tradições Wiccanas, ainda refere que "ninguém sabe muito sobre a Wicca Gardneriana" quando, novamente, uma breve pesquisa no Google lhe iria mostrar vários autores e membros de covens Gardnerianos que falam abertamente sobre a Tradição (obviamente, não divulgando os mistérios e segredos inerentes à mesma). Inclusive, planeio brevemente analisar o livro da Thorn Mooney sobre Wicca Tradicional, uma autora que recomendo imenso. 
  • No capítulo da "Magia" a autora refere sobre "Regras da Magia" mas em nenhum momento apresenta fonte para as mesmas. Aliás, ao longo de todo o livro, nunca são apresentadas fontes, recursos, autores, etc. E isto nota-se acima de tudo na secção de "Recursos" onde a autora refere apenas DOIS autores (Skye Alexander e Scott Cunningham). A mesma consegue referir mais Youtubers e Instagrammers do que autores e membros das comunidades pagãs! Não quero, de todo, desmorecer o trabalho dos pagãos que passam o conhecimento através de métodos online, afinal de contas, eu sou uma delas! Mas sou a primeira a dizer que os conteúdos online não são suficientes. O meu blogue não é suficiente, um instagram não é suficiente, um tumblr não é suficiente. Há que entender estas questões e saber fornecer bons recursos (por falar isso, recordamos que temos uma secção de Recursos!)
  • Por fim, a autora até apresenta algumas informações correctas na parte prática como as correspondências, cuidados com cristais, etc. Mas isto são informações que são facilmente obtidas em autores de confiança e em livros dedicados ao assunto, como tal, não devem ser enaltecidos num livro cujo enfoque seria a Wicca. 
Na minha opinião, a autora vende este livro e a Wicca como se fossem estéticas de Instagram e terapias de Self-Care e Self-Help, sem qualquer noção pela religião e espiritualidade. Inclusive, tirei o tempo de ir ver um ou dois vídeos dela no Youtube a mesma refere que criou toda uma estética em volta da sua pessoa, dando ainda mais razão a este argumento. 

A meu ver, há muitos fantásticos recursos em livros que podem ser úteis para iniciantes mas este não é um deles. 

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 
XVII - A Estrela

Nome do Arcano: A Estrela
Número: XVII
Descrição: No baralho de Rider-Waite a carta da Estrela é representada por uma mulher nua de joelhos perto de um pequeno lago/poça. Ela tem na mão dois recipientes, um de onde coloca água no pequeno poço e outro onde coloca para a terra, divindindo em em três pequenos rios. Ela tem um pé no chão e um pé na água e está nua. Atrás dela, brilha uma estrela grande em tons amarelos e sete estrelas pequenas brancas. *
Símbologia: No Arcano da Estrela temos uma mulher nua ajoelhada junto a um pequeno lago. A sua nudez representa a sua vulnerabilidade e a sua pureza debaixo do céu estrelado. Um dos seus pés está na terra, mostrando-nos o seu equílibrio interior e ligação à terra enquanto o pé na água representa a intuição e a voz interior, e a sua capacidade de estar ligada ao que o seu interior diz e orienta. Os dois recipientes na sua mão representam o consciente (o da mão direita) e o subsconsciente (o da mão esquerda) sendo que o que está a ser deitado para o lago representa a nutrição da terra e a continuidade do círculo da fertlidade (vista nos campos verdes em redor do pequeno lago) e o que está a ser deitado para a terra, e dividido em cinco rios, representa os cincos sentidos que são alimentados por esta acção. 

Significado:
  • Posição Normal
Na sua posição original a carta da Estrela vem representar a tranquilidade e as melhorias após um momento díficil (na ordem dos Arcanos, vem logo a seguir à Torre). Esta carta vem representar uma sensação de esperança e fé renovada, nomeadamente uma maior ligação ao Divino e ao Espiritual, quer dentro de nós quer em nosso redor. É um momento de maior equílibrio interior, de maior satisfação e conhecimento pessoal e espiritual e de estabilidade a nível emocional e psicológico. É uma carta de recuperação e de redescoberta pessoal, seja a nível das nossas sensações internas, pensamentos, crenças e pontos de vista mas também da vida em nosso redor. Podem estar a ser feitas mudanças importantes na nossa vida e estamos cheios de esperança e optimismo para estas mudanças e a Estrela vem fomentar esse optimismo. Este arcano é uma excelente representação do ditado "ano novo, vida nova", ou seja, que devemos apostar nas mudanças positivas que queremos implementar na nossa vida para estar em maior equílibrio connosco mesmos. 

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta da Estrela significa exactamente o oposto da sua posição normal. Nesta posição, ao invés do encontrar de um equílibrio e de uma melhoria interior, falamos da perda de esperança e de conexão com o Universo e com o Divino. Sentimo-nos perdidos e sem saber para onde nos virar e para onde recorrer. Estamos desligados da nossa vida, da nossa rotina e daquilo que nos é importante e que nos faz bem. Esta carta, nesta posição, urge-nos a parar, focar em nós mesmos e tratar de nós ("self-care") para que possamos voltar a encontrar o ponto de equílibrio necessário para seguir em frente na nossa jornada da vida. É necessário parar, recalibrar e conseguir chamar para nós os pontos positivos da carta da Estrela. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
Unsplash (Heather Mckean)

O tópico de hoje é inspirado num vídeo da TCS sobre "Deuses de Prateleira", um tema que adquiri após ouvir eles falar e ver o vídeo deles em 2015 e que tem vindo a fazer parte do meu vocabulário e que acho importante refrescar a memória sobre ele. Aconselho também a verem o vídeo deles e os restantes vídeos que fazem parte do canal, porque são excelentes recursos. 

O que são, então, Deuses de Prateleira? O nome de Deuses de Prateleira vem do facto de que muitos praticantes, principalmente quem está a começar no caminho, tem tendência a ver os Deuses como ferramentas para determinados objetivos e a colocar os mesmos dentro de caixinhas como "Deusa do Amor", Deus da Guerra", Deusa do Casamento", "Deusa da Vida Selvagem", etc. Esta simplificação das divindades leva a que os mesmos sejam vistos apenas como meras ferramentas e não como divindades inteiras com mitos, características, personalidades, etc. 

Isto faz com que, muitos praticantes, quando estão a iniciar as suas práticas acabam por utilizar diversos Deuses para certos rituais e feitiços. Ou seja acabam por usar os Deuses como se eles fossem frascos numa prateleira. Para feitiços de amor chamam Afrodite, para feitiços de sabedoria chamam Atena e por aí fora, dependendo da sua necessidade, chamando pela divindade única e exclusivamente para aquele trabalho, descartando todas as outras suas características e até o respeito pela própria divindade em si. 

Ao trabalharmos com uma divindade a longo prazo, seja a nível de um Sacerdócio ou até a nível meramente devocional, estamos a estabelecer uma relação com aquela divindade e essa relação vai além das suas características. Ou seja, Hekate pode ser uma Deusa ligada à Magia, aos Caminhos, às Encruzilhadas e aos Portões (entre outros) e não ter qualquer relação com o campo amoroso ou com o campo das relações amorosas. Contudo, como devota de Hekate, nada me impede de recorrer à divindade com a qual tenho uma melhor e maior ligação para pedir auxílio no campo amoroso. Os Deuses não podem ser limitados pelas suas características nem devem ser vistos como apenas ferramentas para um determinado propósito. Não só estabelece uma péssima relação com as divindades mas também uma falta de respeito para com os mesmos. 

Vejamos neste prisma: Temos um amigo que é informático. Mas ele é nosso amigo, certo? Não recorremos a ele apenas para questões de informática. Não colocamos os nossos amigos ou familiares em caixas dependendo das suas habilidades ou profissões de forma a que possamos recorrer aos mesmos dependendo do que necessitamos. Claro que podemos pedir ajuda aos mesmos, mas não vamos apenas chegar ao pé deles, sem estabelecer qualquer tipo de relação ou amizade, e pedir coisas pois não? Se temos um primo que é médico mas com quem não falamos à anos (ou até, com quem nunca falámos) não vamos correr ter com esse primo à mínima dor no joelho pedir ajuda e depois desaparecer sem voltar a referir palavra, certo? O mesmo ocorre com os Deuses. 

Não podemos correr as divindades como se fossem Deuses de Prateleira, apenas recursos a ser utilizados e descartados quando já não há necessidade dos mesmos. Devemos vê-los como entidades e divindades inteiras, com as suas características, personalidades, correspondências, mitos e história e respeitá-los. honrá-los e trabalhar ou dedicar àqueles com os quais nos sentimos mais ligados e realizar trabalho com essas divindades. Não significa, é claro, que para coisas específicas não possamos pedir ajuda a divindades com as quais não temos uma relação tão frequente. Nada disso! É claro que podemos alargar os nossos horizontes para outras divindades fora do nosso círculo pessoal, contudo, devemos fazê-lo com respeito e conhecimento e não apenas como quem vai buscar as especiarias ao armário e volta a colocar no sítio, esquecendo-se que elas existem. 

E vocês? Qual a vossa opinião? 
Capas dos Livros
Título: Llewellyn's Witches' Companion
Autor(es): Vários, editado por Llewellyn
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Um guia indispensável que é lançado todos os anos com textos de autores proeminentes nas comunidades do Paganismo e da Bruxaria, com temas que estão no centro das nossas comunidades em cada ano. Desde textos sobre práticas mágicas, dicas para o quotidiano, questões sociais e políticas, questões pessoais, inspirações, receitas e muito mais, estes são livros para nos acompanhar ao longo do ano e permitir uma visão do ano dentro das comunidades pagãs. 
Onde Comprar*: Wook
Análise: À vários anos que sou grande fã destes Companions e reparei recentemente que nunca falei deles aqui no blogue e bem, não pode ser! 

A Llewellyn é uma editora bastante conhecida a nível do Paganismo e Bruxaria, tendo já lançado diversos autores e livros relacionados com as nossas comunidades. E, à mais de dez anos, que publicam anualmente diversos livros para as comunidades como os Almanaques, Moon Signs, Sun Signs, Spell-a-Day, Calendários, entre muitos outros recursos. Um dos recursos que mais gosto destas publicações anuais é o Witches' Companion. 

O Witches Companion é um livro lançado todos os anos e que conta com um enorme leque de artigos por membros das nossas comunidades tais como Storm Faerywolf, Thorn Mooney, Deborah Lipp, Jason Mankey, Tess Whitehurst, Raven Digitalis, entre outros. Desde tópicos relacionados com o estado da nossa sociedade e das nossas comunidades, relacionados com prática de certos tipos de Bruxaria ou de certas práticas, dicas para culinária e práticas mágicas e até informações e textos sobre espiritualidade. São variados os tipos de conteúdos que conseguimos ter acesso neste livro que vende a um preço extremamente acessível em plataformas como o BookDepository e Amazon. 

Para além destes textos fantásticos, o livro conta também com um calendário e recursos para a prática pagã. Na minha opinião, este livro complementado com o Magical Almanac (também da Llewellyn e que espero abordar no blogue brevemente) são dois livros essenciais para o correr do ano, principalmente para quem gosta de se manter ligado às comunidades e às temáticas que vão sendo abordadas. 

Este é, para mim, um excelente recurso para todos os Bruxos e Pagãos que gostam de se manter informados e reflectir sobre assuntos importantes para as nossas práticas. O de 2021 já se encontra disponível para comprar no Book Depository e na Amazon, tal como os outros outros Almanaques para trás. Que me dizem? Vão experimentar? 

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 
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Este trabalho é dedicado às Senhoras Ἑκάτη (Hekate) e Περσεφόνη (Persephone)

Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0