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Sob o Luar


Nome do Festival: Litha (pronuncia-se “litá”) ou Solstício de Verão
Data Tradicional: 21/22/23 de Junho (No Hemisfério Norte) ou 21/22/23 de Dezembro (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 0º de Cancer (HN) ou Sol a 0º de Capricórnio (HS) 
Etimologia: O nome “Litha” remonta a uma antiga palavra anglo-saxônica para o mês de Junho e passou a ser usado como um nome wiccan para este festival na segunda metade do século XX.
Correspondências de Cores: Amarelo, laranja, dourado, verde e cores associadas ao Verão. 

Litha ou Solstício de Verão é um dos festivais da Roda do Ano Wiccana e ocorre quando o sol atinge o seu pico mais alto no céu e é o dia mais longo do ano e a noite mais curta. A partir desta data a duração dos dias começa a diminuir. As noites são curtas e tradicionalmente cheias de luzes: as estrelas brilhantes do céu noturno, os pirilampos, as fogueiras e decorações que caracterizam as ruas. Na Roda do Ano Wiccana este festival assinala o ponto mais alto do Deus e a partir do qual o Deus começa a enfraquecer até à sua morte. O fogo é divinizado e tal aspeto notasse nas fogueiras que se acendiam antigamente pelas ruas e à porta das casas como também pelas iluminações que enfeitam as cidades. É uma forma de simbolizar a força do Sol que, apesar de começar a declinar, continua nos próximos meses a iluminar o céu e a aquecer a terra.

Um elemento típico do Paganismo moderno nesta celebração é a celebração da transferência de Poder do Sol do Rei Carvalho para o Rei Deus Azevinho, num modelo que o casal Farrar tornou famoso. Esta celebração é vivida por uma luta entre os dois princípios do Sol: O Princípio de Vida (Rei Carvalho) - o Sol esta no seu auge e brilha no céu proporcionando dias mais longos - que tem a duração de 6 meses – de Yule a Litha – e o Princípio da Consciência (Rei Azevinho) - em que os dias começam a diminuir e a sombra instala-se - que vai de Litha até Yule.

Uma das celebrações típicas deste festival é a criação de fogueiras e de danças em torno das fogueiras. Esta é uma excelente atividade, principalmente para quem festeja em família ou em pequenos grupos. Pode ser feita uma fogueira grande à volta da qual se pode dançar, partilhar histórias, cantar, partilhar comida e mais tipos de convivência entre praticantes. Dado esta ser a noite mais pequena do ano, é comum ficar a noite toda acordado a celebrar este festival e, no dia a seguir, ver o Sol nascer e sentir a energia solar que começará a diminuir a partir deste dia. É também um bom festival para começar trabalhos para largar coisas que já não nos servem, culminando, posteriormente, no Samhain onde é o momento ideal para estes trabalhos. Podem, nesta altura, começar a serem feitas as bases para concluir em Samhain. Esta é uma celebração também muito associada aos Povos das Fadas e a Elementares, como tal, podem ser também realizados trabalhos de contacto com os mesmos, sempre com os devidos cuidados. 

Quanto ao altar, este deve ser decorado com cores da época (amarelos, vermelhos, brancos, etc.) e também, se o praticante assim preferir, com flores e símbolos do Festival (Roda com fitas coloridas amarradas, símbolos de aves ou de animais com chifres e talismãs relativos ao Sol). 

A nível de alimentação e correspondências alimentares, não vou desenvolver muito dado que temos todo um artigo dedicado a esta temática no Bruxaria de Cozinha e Litha que aconselho vivamente a lerem e tirarem algumas ideias para as vossas celebrações! 

E vocês? Como celebram este Solstício? 

Nota: Existe um grande debate nas comunidades pagãs por detrás do uso das palavras Mabon/Ostara/Litha. Para fácil acesso por iniciantes optámos por manter a denominação neste artigo, contudo, aconselhamos a leitura deste texto e deste texto para esclarecimentos adicionais. 

Crédito de Imagem: Unsplash (Tobias Tullius) 

Hoje voltamos a falar do Pêndulo e vamos falar sobre como escolher e consagrar um pêndulo, para iniciarmos a nossa jornada de trabalho pendular. 

Á semelhança do Tarot e do que falamos no artigo sobre Como Escolher um Baralho, sou da opinião que a intuição é das melhores ferramentas que podemos usar para nos ajudar a fazer esta escolha. Existem milhares e milhares de pêndulos de vários formatos, materiais, fontes, etc. A escolha é imensa e isso pode dificultar o nosso processo, levando-nos a pensar coisas como "estarei a escolher o correto?", "e se o outro fosse melhor?", entre outras questões. 

Primeiro gostava de esclarecer a ideia de que apenas podem ter um pêndulo. NÃO é verdade! Podem ter vários pêndulos, cada um com o seu propósito. Por exemplo podem ter um pêndulo para falar com divindades, um pêndulo para trabalho oracular, outro pêndulo para trabalho divinatório, um pêndulo para trabalhos de cura, etc. Não se sintam limitados e obrigados a escolher apenas UM pêndulo para usar para tudo. Não tem problema em haver vários. 

Assim sendo, e agora que já temos este ponto estabelecido, vamos falar sobre como escolher os pêndulos. O primeiro passo é definir qual o uso que o pêndulo vai ter. Isto permite-nos escolher o tipo de material que queremos que o pêndulo tenha. Por exemplo, se for um pêndulo para trabalhos devocional, é uma boa ideia termos um pêndulo feito de um material que tenha ligação às divindades com as quais vamos trabalhar com aquele pêndulo. Desta forma estamos a honrar as divindades e, ao mesmo tempo, a utilizar o nosso conhecimento das suas correspondências para o trabalho devocional. 

De seguida, temos de ter em conta o custo/materiais. Como falamos anteriormente os pêndulos podem ser várias coisas, por isso, não se sintam limitados a gastar imenso dinheiro em pêndulos de cristais raros ou coisas do género, porque não é de todo necessário! Aliás, se virem que preferem pêndulos de madeira, até podem ser vocês próprios a criar o vosso pêndulo, arranjando um pedaço de madeira e moldando o mesmo para o formato de um pêndulo. A mesma coisa com pêndulos feitos de cerâmica ou outros materiais moldáveis. 

Após escolhermos e termos obtido o nosso pêndulo temos de garantir que o limpamos e consagramos. Se, por ventura, o pêndulo tiver sido feito por nós, este passo pode ser saltado se tivermos incluído a consagração ou infusão de energias no processo de criação. Fica ao critério de cada praticante, como é óbvio. Supondo que o pêndulo foi comprado numa loja ou a terceiros, aí, necessitamos de garantir a limpeza do mesmo. Esta limpeza pode ser feita com água e sal, incensos, defumação de velas, entre outros métodos de limpeza. Já falamos anteriormente aqui no blogue sobre Métodos de Limpeza, seja para cristais ou métodos gerais, pelo que recomendo darem uma leitura nesses conteúdos.

Por fim, no que diz respeito a consagrar ou programar nosso pêndulo existem várias técnicas. Pessoalmente, independentemente do material de que é feito eu gosto de usar a mesma técnica que uso para programar Cristais e que já falei anteriormente nesta postagem. Por isso, recomendo dar uma leitura à mesma. Se quiserem, podem também consagrar utilizando um método genérico de Consagração de Instrumentos, o qual também temos disponíveis. Esta consagração/programação vai depender muito do uso que pretendemos dar a esta ferramenta e está muito dependente da prática de cada um. Sintam-se à vontade para improvisar conforme a vossa intuição vos disser. 

E vocês? Qual o vosso pêndulo favorito? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Ralph (Ravi) Kayden)

Este ano o Hekate Symposium aconteceu na sua primeira edição 100% online nos dias 22 e 23 de Maio! Eu (Alexia) tive o prazer de estar presente como voluntária e a assistir às palestras e cerimónias que ocorreram ao longo destes dias, com eventos extras nos dias 20 e 21 (quinta e sexta). Assim sendo gostaria de fazer a cobertura deste evento e agradeço imenso à Sorita d'Este pela oportunidade não só de participar como voluntária mas também por me deixar cobrir o evento. 

Tivemos vários eventos ao longo dos quatro dias que constituíram o Hekate Symposium: Dois dias extras (quinta e sexta) com conteúdos variados e apresentação de filmes e vídeos feitos por devotos e, claro, os dois principais dias do Symposium com várias palestras e conteúdos extras como conversas sobre Devoção entre vários devotos de Hekate e outros.

O programa do Hekate Symposium 2021 foi:

Quinta-feira

Abertura e boas-vindas por Sorita d'Este. Inclui uma introdução à Deusa Hekate com imagens de diferentes lugares e épocas de sua longa história.

Hino Homérico a Deméter, recitado por Emily Carding

Filme: "Hekate Rising" de Carrie Kirkpatrick

Orpheus in Tartarus by Orryelle Defenestrate-Bascule

Skin Surface Substance by Orryelle Defenestrate-Bascule

Magical Gems and Jewellery by Dr Caroline Tully

Opinião: Quinta-feira foi um fantástico primeiro dia deste evento. O Hino Homérico a Deméter foi, sem dúvida, dos pontos altos deste Symposium e Emily Carding é simplesmente divinal e fantasticx! Os filmes transmitidos (tanto de Carrie Kirkpatrick como de Orryelle) foram belíssimos, tendo sido transmitidos também na sexta a seguir dado terem sido muito solicitados pelos participantes. Por fim, tivemos uma fantástica palestra com Dr Caroline Tully sobre gemas e cristais mágicos e a sua ligação com divindades e com Hekate, muitas aprendizagens! 

Sexta-feira

Meditação de Abertura com Magin Rose

How to speak the language of the Gods by Dr Sasha Chaitow

Hekate’s Auguries with Arabela Jade & Drayk Benfield

A dialogue with Jeff Cullen

Orpheus in Tartarus by Orryelle Defenestrate-Bascule

Skin Surface Substance by Orryelle Defenestrate-Bascule

Como foi o dia?: À semelhança de quinta-feira, neste dia tivemos também várias transmissões de filmes e conteúdos. Houve também uma palestra com Dr Sasha Chaitow que foi fascinante sobre a linguagem dos Deuses e, acima de tudo, do grego antigo e línguas semelhantes. Outro dos pontos altos do Symposium ocorreu nesta sexta-feira quando a Sorita d'Este teve a oportunidade de estar a falar com Jeff Cullen, um fantástico artista e ocultista dedicado a Hekate que recentemente lançou o livro Liber Khtonia, que esgotou rapidamente em capa dura e está quase a esgotar de capa mole! 

Sábado

Introdução e Orientação

Bênçãos do Início do Symposium por Magin Rose 

A Place of Worship by Georgi Mishev PhD

Many Named Mother of the Gods by Sorita d’Este

Making Revelation and Research Rhyme by Jason Miller

Navigating the Pandemic Year by Caroline Wise & Carrie Kirkpatrick

Following Her Torches by Christina Moraiti

The Balkan Mysteries of Hekate by Georgi Mishev PhD

Como foi o dia?: Este foi o "primeiro dia oficial" do Symposium e foi um dia genial! Recheado de palestras e recursos fascinantes, começamos com uma pequena cerimónia conduzida por Magin Rose que foi lindíssima e seguimos para a primeira palestra, cortesia de Georgi Mishev que nos apresentou um templo aos Deuses Antigos, principalmente Hekate e Dyonysos, na Búlgaria. Um espaço lindíssimo para todos os praticantes da zona. De seguida, tivemos uma pequena conversa com Sorita d'Este sobre o papel de Hekate como a "Deusa dos Vários Nomes". Logo a seguir tivemos uma palestra fascinante dada por Jason Miller, um dos grandes membros e professor de vários cursos inclusive ligados a Hekate, sobre Revelações Pessoais e sobre técnicas de pesquisa para ajudar no nosso caminho. Após Miller, tivemos Caroline Wise e Carrie Kirkpatrick que nos trouxeram uma pequena palestra sobre navegar a pandemia enquanto bruxos e pagãos e um pequeno ritual, de oferendas a Hekate. Em penúltimo lugar, neste dia cheio de recursos, veio a palestra de Christina Moraiti que eu, pessoalmente, adorei. Estou familiarizada com o trabalho da Christina e fico muito contente por ter oportunidade de partilhar com outras pessoas o trabalho que está a desenvolver, em que está a reunir todos os museus, sites arqueólogicos e lugares onde haja representações de Hekate, pelo mundo fora, e condensar toda essa informação num Google Maps. Para terminar o dia, voltamos a Georgi Mishev que nos fala da ligação de Hekate com a Penísula Balcã e as suas tradições e histórias. Como podem ver, foi um dia muito recheado e cheio de informações! 

Domingo

 Neste dia estava planeado a celebração do Rito dos Fogos Sagrados para os participantes do Symposium, contudo, devido a dificuldades no agendamento dos participantes esta celebração foi reagendada para o dia 26 de Maio (quarta-feira a seguir) e neste dia acabamos por ter uma conversa sobre Devoção e o que significa a Devoção para vários participantes do Symposium, voluntários e membros do Covenant of Hekate. 

Opening Ceremony – Gio Diaz

African Hekate by Jack Grayle & Dearthrice DeWitt

The Orphic Melinoe by Karin Rainbird

A Guide to Grimoiring by Jake Stratton Kent

Hekate Ophioplokamos, Gorgo & Medusa by Mat Auryn

Hekate & Shakespeare’s Magic by Emily Carding

E, por fim, terminamos com um belíssimo ritual organizado pelo Sanctuary of Hekate Soteira em que foram feitas oferendas e agradecimentos à Senhora Hekate e, ao mesmo tempo, apresentada a nova estátua do Santuário. Foi um ritual belíssimo e muito emotivo, sem dúvida! 

Como foi o dia?: Domingo foi o último dia desta aventura e, apesar de termos tido algumas dificuldades técnicas ao longo do dia, não deixou de estar cheio de informações fantásticas e palestras fascinantes. Começamos, perto da hora de almoço em Portugal, com uma pequena conversa (na qual tive o prazer de participar!) sobre o que significa devoção e como é que manifestamos a nossa devoção a Hékate no nosso dia a dia e no nosso trabalho para as comunidades. Foi muito interessante ver a opinião e a forma como vários praticantes expressam o seu amor e dedicação à Senhora nos seus caminhos. Umas horas depois, após o almoço, começamos com uma cerimónia de abertura por Gio Diaz que foi belíssima e muito poderosa, a melhor forma de começar este domingo! A primeira palestra do dia foi de Jack Grayle e Dearthrice DeWitte sobre a presença de Hekate na África e na época do Egipto Romano, na antiguidade tardia, e acerca das suas tradições e práticas locais, foi fascinante ouvir esta palestra e, acima de tudo, as recitações de textos por parte de Dearthrice DeWitte! Logo de seguida passamos para Karin Rainbird que nos veio falar de sobre Orfismo e Melinoe, o que poderá ter sido um nome para Hekate dentro do Orfismo! Foi uma excelente palestra, recheada de conhecimento novo. A terceira palestra do dia foi da autoria de Jake Stratton Kent em que se falou sobre Grimoires e Hekate e a forma como pode ser desenvolvido o trabalho com Hekate e o trabalho de criação de Grimoires e outros instrumentos semelhantes. Após uma pequena pausa para refeição, voltamos com uma das palestras altas do Symposium da autoria de Mat Auryn onde aprendemos sobre a ligação entre Hekate e as Gorgons e a Medusa, os seus mitos e pontos onde se conectam e ficamos a saber um pouco mais sobre a forma como estas entidades podem ser exploradas em conjunto. E, para terminar em grande, tivemos Emily Carding que nos falou da presença de Hekate nos textos de Shakespeare e, devo dizer, foi um espanto descobrir todas estas conexões e presença de Hekate em vários textos do autor e nas suas histórias. Foi um verdadeiro abre olhos! Por fim, terminamos com o ritual organizado pelo Sanctuary of Hekate Soteira, que falei em cima. 

Conclusão: Sem me deixar influenciar pelo facto de ter tido a oportunidade de participar como voluntária neste evento, este evento foi simplesmente divinal. Foi um Symposium recheado de palestras, de informação, vários recursos disponibilizados no grupo de Facebook exclusivo para participantes onde houve possibilidade de interagir com os palestrantes e artistas que tiveram presentes e, claro, os vídeos e recursos ficam disponíveis para consulta após o evento para quem quiser rever. Foi, sem dúvida, uma experiência fantástica e mal posso esperar pelo próximo! 

E vocês? Foram? O que acharam? 


Hoje vamos começar uma nova série de Métodos Divinatórios e vamos falar sobre o pêndulo. O pêndulo é um tipo de método divinatório ou oracular bastante usado, até antigamente pelos nossos antepassados recentes, e é utilizado para diversos tipos de questões ou trabalhos. Um exemplo que os nossos antepassados, e ainda nos dias de hoje, utilizavam uma ferramenta como pêndulo era quando se fazia a "previsão dos filhos" com uma agulha pendurada num fio. Esta prática é comum em Portugal, principalmente entre os jovens que aprendem com as suas mães ou avós, e é, na prática, a utilização de um pêndulo.

Um pêndulo pode ter variados formas e formatos e ser constituído de diversos tipos de materiais. O tipo de pêndulo mais comum que vemos nas redes sociais e nas comunidades de Bruxaria e Paganismo são pêndulos de cristais, como a imagem deste artigo mostra. Estes podem ser de cristais específicos para determinados propósitos (ex: ametista para trabalhos de intuição) ou podem ser apenas feitos de vidro ou cristal transparente, para serem facilmente programáveis. 

Os pêndulos podem também ser feitos de madeira, rocha, agulhas, cerâmica, sementes grandes, metal e diversos outros tipos de materiais que podem ser condutores de energias. Muitos praticam preferem recomendar pêndulos feitos de materiais como madeira ou agulhas dado que os cristais, tendo energias próprias e características de correspondências mágicas associadas, podem alterar o tipo de resposta ou o tipo de leitura que é dado. Claro que isto vai depender da prática de cada praticante e do tipo de material com que cada um se sente à vontade. 

Os pêndulos são utilizados em diversos tipos de trabalhos, não só como divinatórios, mas também em processos de cura (como em cristaloterapia, caso os pêndulos sejam feitos de cristais), em processos de procura de objetos (o pêndulo pode ser utilizado para ajudar a encontrar coisas, seja a indicar qual o caminho ou direção seguir ou a responder a dúvidas sobre onde poderá estar esse objeto), em processos de contacto com divindades ou entidades (o pêndulo pode ser como veículo para obter respostas a perguntas colocadas), como amuletos (podem ser usados meramente como colares ou amuletos e, em casos de urgência, utilizados para outras das funções dadas), entre muitos outros usos que podem ser aplicados a esta ferramenta. 

Noutros artigos iremos falar sobre como escolher o próprio pêndulo e iniciar um método de trabalho com o mesmo e como efetuar consultas com o pêndulo, principalmente para questões dentro dos métodos divinatórios.

E vocês? Qual o vosso tipo de pêndulo favorito? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Haley Owens)

Hoje vamos falar de uma temática que se tornou viral em tempos recentes em diversas plataformas tal como no "Witchtok", no Instagram e no Youtube: Vamos falar de Shadow Work ou, em português, do Trabalho com a Sombra. Primeiramente temos de entender o que é a Sombra. 

O conceito de "Sombra" surgiu ligada à psicologia analítica de Carl Jung, um psiquiatra suíço. Segundo Jung, a "Sombra" é um aspecto incosciente da personalidade que o ego não identifica em si mesmo, ou seja, o lado desconhecido. Contrariamente ao defendido por Freud, a Sombra de Jung pode conter tanto características positivas como negativas porém, como o ser humano tende a ignorar os traços em si mesmo que não gosta, esta acaba por ser constituída acima de tudo por características consideradas negativas. Para Jung, a Sombra corresponde ao lado desconhecido e negro da personalidade, ou seja, tudo aquilo que o ser humano recusa ou ignora existir em si. Na psicologia análitica a necessidade de conhecer, lidar e até unificar-nos com a nossa Sombra faz parte do processo de individuação, ou seja, faz parte de um processo psiquico durante o qual todos os aspectos da nossa personalidade e do nosso eu se integram para criar um todo único e estável. 

Este trabalho com a Sombra foi recentemente adoptado por várias comunidades new age e comunidades dentro da Bruxaria, tendo o seu boom recente feito com que este conceito de Sombra e este trabalho com a Sombra tenha ficado em destaque, contudo, nem sempre da melhor forma. 

O trabalho com a Sombra é uma das partes do processo de individuação da psicologia jungiana e, como tal, é sempre preferível que seja acompanhado por um profissional de saúde formado ou com conhecimento dentro desta vertente da Psicologia. As informações disponíveis online, principalmente em vídeos do "Witchtok" não são, nem de longe, suficientes para que este trabalho interno seja feito da melhor forma e com os melhores resultados. Isto é principalmente notável em pessoas que tenham sofrido traumas na infância ou ao longo da sua vida, que tenham tido dificuldades ou problemas como ansiedade, depressão e outras questões do foro psicológico dado que estar a lidar com estas memórias, traumas e triggers de forma sozinha e sem acompanhamento profissional faz mais mal do que faz bem. 

Nós alertamos frequentemente para o facto de que a melhor forma de trabalhar com a nossa Sombra e fazer Shadow Work é simplesmente ir ao terapeuta ou a um psicólogo. Não há vergonha nenhuma em fazer terapia e, para este propósito, é mais do que indicado dado que o próprio conceito de Sombra pertence à psicologia. Logo, quem melhor do que profissionais da área de onde este conceito surgiu para nos ajudar a trabalhar com ele e desenvolver o mesmo na nossa prática. 

O trabalho com a Sombra sem as devidas preparações e o devido acompanhamento pode trazer bastantes danos a médio e longo prazo. O facto de estarmos constantemente a forçar-nos a reviver traumas, reviver más memórias ou maus momentos com o intuito de "enfrentar a nossa sombra" vai acabar por causar danos na nossa psique porque estamos constantemente a reviver os nossos traumas ao invés de estarmos a lidar com eles. É nisto que um profissional de saúde poderá ajudar-nos da melhor forma, sabendo como lidar e como processar estas informações de forma a que as mesmas possam ser assimiladas, ao invés de piorarem o nosso estado mental e a nossa psique. 

A Bruxaria e o Paganismo não só podem como devem andar de mãos dadas com a ciência. Se partirmos um braço, vamos ao médico certo? Aqui é exactamente o mesmo processo, simplesmente para a nossa mente. Existem vários profissionais de saude na área da Psicologia que são formados em psicologia análitica/jungiana e que estão mais do que dispostos em auxiliar-vos neste processo. 

Adicionalmente, contrariamente ao que é divulgado nas redes sociais, principalmente no TikTok e no Instagram, o "Shadow Work" não é obrigatório na Bruxaria ou no Paganismo, não é uma parte essencial da vossa prática e a vossa prática não é menos válida por não fazerem "Shadow Work". Este conceito e esta prática, dentro das comunidades pagãs, é extremamente recente e só saltou para o destaque das comunidades em geral devido à propagação de vídeos dentro das plataformas sociais. Podem fazer processos de introspeção e meditação, tal como vários praticantes fazem, sem necessariamente precisarem de fazer Shadow Work ou trabalharem com os vossos traumas ou problemas ativamente na vossa prática, principalmente se não se sentirem confortáveis em fazer esse tipo de práticas. 

Não deixem que o vosso caminho seja julgado ou "mandado" por outras pessoas. Ao final do dia, o vosso caminho é isso mesmo: o VOSSO caminho. E se realmente têm interesse em fazer trabalho com a vossa Sombra, procurem um profissional de saúde com capacidade para trabalhar dentro da psicologia jungiana e façam uma marcação para iniciar este processo.

Crédito de Imagem: Unsplash (Stefano Pollio)

Hoje vamos retornar à nossa série sobre Runas e vamos falar de tipos de lançamentos de runas para propósitos divinatórios. Vou abordar alguns tipos de lançamentos que podem ser utilizados e pode procurar online por mais ou até criar o seu próprio tipo de lanaçamento adaptado á sua prática individual ou ás divindades com as quais trabalha, se quiser que as mesmas estejam relacionadas com este método. 

Antes de fazer um lançamento de runas, como em todos os métodos divinatórios, encontre um local tranquilo onde possa se concentrar e focar no que está a fazer. Coloque um pano da cor desejada (branco ou roxo são cores ideais) e acenda uma vela ou incenso se preferir. Tenha as runas num saco ou num sitio de onde as possas tirar para as tiragens sem saber quais está a tirar (tal como faria com o Tarot ao embaralhar as cartas, por exemplo).

Tirada de uma Runa
Esta é a tiragem mais simples e pode ser utilizada para lançamentos diários, por exemplo, todas as manhãs ou noites para pedir um conselho. Tirar só uma runa e analisar o seu significado e as suas palavras chaves.


Tirada de Três Runas (Passado, Presente, Futuro)
Esta tiragem é uma tiragem apropriada para análise de situações. Vários praticantes acreditam que esta tiragem pode também estar ligada às Norms (as Deusas Nórdicas do Destino) dado que cada uma simbolizaria uma passagem do tempo (passado/presente/futuro). Para este lançamento basta retirar três runas e colocá-las, lado a lado e analisá-las com base nos seus significados e as suas posições no lançamento. 


Tirada em Cruz
Esta tiragem, como o nome indicada, é realizada em cruz. É apropriada para para ajudar no processo de tomadas de decisões ou de análises de situações que estejam a decorrer e para as quais necessitemos de conselhos. Tal como nos outros lançamentos, retiramos as runas e colocamo-las nas devidas posições, efetuando a análise conforme o seu significado vs a sua posição na leitura. 


1 - Influência do passado.
2 - Os desafios que virão.
3 - O suporte que existe.
4 - O resultado a curto prazo.
5 - O resultado final e qual a lição aprendida.

Tirada dos 9 Reinos
Esta leitura é efetuada com base nos 9 reinos ou mundos nórdicos da árvore Yggdrasil e cada um deles tem um significado/correspondência para resposta às nossas perguntas. Este tipo de leitura é principalmente útil em situações de meditações ou de análises pessoais ou anuais Tal como nos outros lançamentos, retiramos as runas e colocamo-las nas devidas posições, efetuando a análise conforme o seu significado vs a sua posição na leitura. 


1 - Asgard: Representa o "Eu", inspiração e honra.
2 - Vanaheim: Representa a fertilidade, paz, relacionamentos. 
3 - Light Alfheim: Representa a criatividade, artes e atividades mentais.
4 - Muspelheim: Representa a intuição, o fogo interior.
5 - Nifelheim: Representa a "Sombra" e as coisas escondidas. 
6 - Midgard: Representa o Ego, o mundano e as coisas do dia a dia. 
7 - Swartalfheim: Representa o trabalho e a transformação interior. 
8 -  Jotunheim: Representa o Animus, o conceito masculino e os mistérios e as coisas que não são o que parecem.
9 - Hel: Representa a Anima, o conceito feminino e o submundo, a morte e os renascimentos. 

Tirada Astrológica
Como o nome indica, esta tiragem está ligada à Astrologia e é simples de se efetuar. Cada casa astrológica tem a sua correspondência quanto ao campo ou área da nossa vida e faremos a análise com base na rua que calha em cada uma das casas e o que isso significa para nós. Este tipo de leitura é ideal para início do ano ou para previsões de determinados períodos de tempo. Tal como nos outros lançamentos, retiramos as runas e colocamo-las nas devidas posições, efetuando a análise conforme o seu significado vs a sua posição na leitura. 



Estas são apenas algumas das tiragens possíveis de efetuar com runas. Tal como os restantes métodos divinatórios, não tenham medo de usar a vossa intuição para inventar ou criar novos lançamentos ou para alterar certos significados. O trabalho com métodos divinatórios está muito assente no nosso trabalho com os utensílios, com a nossa intuição e forma de analisar e, cima de tudo, com a nossa relação com o tipo de método. 

Quais os vossos métodos favoritos? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Ksenia Yakovlela)
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Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0