• Home
  • Sobre
  • Diretório Pagão
    • O que é?
    • Portugal
    • Brasil
  • Recursos

Sob o Luar


Hoje vamos falar de um tópico que é sempre famoso nas nossas comunidades: As Iniciações (e, por sua vez, Sacerdócios). Eu costumo dizer que a conversa das iniciações é como as ondas, vai e volta, porque há sempre alturas em que está em destaque dentro das nossas comunidades. Antes de começar a falar desta temática, quero deixar claro que não sou contra iniciações (pelo contrário, eu própria fui ordenada e iniciada como Sacerdotisa dentro da Fellowship of Isis). O propósito deste texto não é tirar valor às iniciações, mas sim dar a entender uma perspectiva diferente, principalmente quando falamos das nossas comunidades de Paganismo a uma escala mundial. 

Existem vários tipos de iniciação: 
  • Iniciações dentro de covens, 
  • Iniciações em associações secretas
  • Iniciações em organizações mundiais
  • Iniciações dentro de Tradições específicas
  • E outras.
E todas as iniciações têm um propósito: Um iniciado na Tradição da Wicca tem um determinado papel e hierarquia dentro do seu coven e da sua tradição. Um iniciado dentro da Fellowship of Isis tem ao seu dispor vários tipos de recursos ou de outros níveis de iniciação aos quais queira se dedicar. Uma pessoa auto-iniciada tem o conforto de se auto-denominar como algo. Todas as iniciações têm um propósito, contudo, há que entender os seus contextos. E acho que o melhor, para explicar isto, será um exemplo prático:

Eu fui ordenada Sacerdotisa no ano de 2018 dentro da Fellowship of Isis. A partir dessa data, tornei-me Sacerdotisa de Hekate e Persephone e tenho autoridade para iniciar outros Sacerdotes/isas dentro da FOI e tenho autorização para fundar um Iseum (podem visitar a página do meu Iseum aqui). Fantástico, não é? Contudo, também tenho a noção, de que o facto de eu ser iniciada dentro da Fellowship of Isis não significa que, se me juntar a um coven Wiccano, tenha direito automático à iniciação deles. Ou que até tenha "equivalências" a Graus Wiccanos. São iniciações diferentes e para propósitos diferentes. Tal como, no meu caso, me juntei a comunidades de Paganismo Helénico e tenho a total noção de que ninguém me vai reconhecer como Sacerdotisa. Podem reconhecer que tenho a minha ordenação de Sacerdotisa dentro da Fellowship of Isis mas, para um Pagão Helénico, isso não significa nada porque o conceito de Sacerdócio no Helenismo é completamente diferente do conceito de Sacerdócio dentro da Fellowship of Isis. 

E o mesmo acontece em cenários opostos: Só porque alguém é um Sacerdote Wiccano não quer dizer que tenha direito automático a ser um Sacerdote dentro da Fellowship of Isis ou que seja reconhecido como um Sacerdócio por Pagãos Helénicos. E o mesmo acontece com outras religiosidades. Um exemplo ainda mais claro é os Sacerdotes Pagãos e os Sacerdotes Cristãos: Um sacerdote pagão reconhece que o sacerdote católico tem a sua formação e a sua validez dentro da Igreja Católica contudo, para o pagão, isso não tem qualquer impacto ou reconhecimento na sua prática individual. E vice-versa. Ou seja as iniciações são, acima de tudo, para os próprios iniciades e para a própria Tradição ou Grupo ou Organização em que as pessoas estão inseridas e não necessariamente para a comunidade externa (a menos que haja algum tipo de serviço a ser prestado à comunidade externa, contudo, isso não implica que as pessoas sejam obrigadas a reconhecer cargos de poder com os quais não se sentem confortáveis). 

Com isto quero concluir que as iniciações SÃO válidas. E são parte fulcral de vários caminhos dentro do Paganismo e da Bruxaria e são momentos lindíssimos de transformação e de evolução no caminho pessoal de cada um. Contudo... não são obrigatórias para toda a gente. Nem são certas para toda a gente. Uma iniciação vai sempre trazer responsabilidades com isso, seja a nível do Sacerdócio (que foi aqui falado acima de tudo, dado que a grande maioria das iniciações acaba por acarretar um Sacerdócio com ela) ou a nível de responsabilidades acrescidas que ficam atribuídas ao iniciado. Não há problema em não querer ser iniciado e isso não faz a prática de alguém menos válida do que a prática de alguém que é iniciado. E alguém iniciado não quer dizer que seja mais do que outros não iniciados, principalmente pessoas fora da sua Tradição/Organização. E acho que é isto que não é falado vezes suficientes nas nossas comunidades, acabando por ser perpetuado um discurso de "superioridade" por parte de quem tem mais iniciações o que, na minha honesta opinião, é um comportamento desnecessário e que faz mais mal do que bem. 

E vocês, o que acham? 


Nome do Festival: Equinócio da Primavera ou Ostara (pronuncia-se "oh-stá-ra")
Data Tradicional: 21/22/23 de Junho (No Hemisfério Norte) e 21/22/23 de Dezembro (No Hemisfério Sul)
Data Astrológica: Sol a 0º de Cancer/Caranguejo (HN) e Sol a 0º de Capricórnio (HS)
Etimologia: Ostara, etimologicamente, terá origem no nome de uma antiga Deusa Celta chamada "Eostre" referida nos textos "De Temporum Ratione" escrito por um monge chamado Bede no ano de 723. Contudo é uma terminologia recente e não é antiga e recomendo a leitura deste e deste artigo na temática.
Correspondências de Cores: Tons pastéis, cor-de-rosa, verde, amarelo, branco e cores primaveris. 

O equinócio da Primavera assinala o momento em que a noite e o dia têm a mesma duração e, a partir deste momento, os dias serão mais longos e as noites mais curtas. Assinala o início da Primavera e o fim do Inverno. As flores começam a florir, o verde surge nos campos, as folhas voltam às árvores e até os animais sentem esta mudança ao nosso redor. Nós próprios, inconscientemente, sentimos as alterações dos ciclos da Terra. Começamos a sentir-nos mais dinâmicos e com mais força de vontade, devido à maior exposição ao Sol e a toda a energia de "renascimento" que se sente no ar. Como celebração de fertilidade e do início da Primavera, grande parte das práticas associadas a este festival estão ligadas a ritos de fertilidade como os ovos de Ostara, os coelhos, as flores, entre outros símbolos. É uma altura para festejar a Primavera e tudo o que esta estação traz consigo. É um momento em que podemos celebrar o Sol e a sua vitória sobre o Inverno e sobre a Escuridão, dando as boas-vindas à claridade e ao calor que se aproximam.

Ostara é a polaridade do festival de Equinócio do Outono. Isto significa que enquanto neste momento do ano entramos na Primavera e iniciamos a jornada para a parte mais solarenga do ano, no polo oposto, temos o começo do Outono e a entrada no caminho para a parte mais escura do ano. Existem algumas relações entre a celebração e correspondências do Equinócio da Primavera e da Páscoa Cristã, dado que houve uma adaptação de algumas práticas no processo de estabelecimento do cristianismo em território Europeu e algumas práticas folk da época foram adaptadas pelo movimento cristão, como é o caso dos ovos da Páscoa ou do "Coelho da Páscoa". 

No mito da Roda do Ano Wiccana é neste festival que o Deus mostra que está a começar a crescer e a Deusa assume o seu papel de Donzela, ajudando o Deus no seu crescimento. O Sol passará, a partir desta data, a ocupar um lugar mais alto no céu e os dias serão mais longos, como tal, o Deus estará mais forte e mais poderoso, caminhando para o seu auge em Beltane e no Solstício de Verão que se aproxima. 

Algumas das tradições e práticas comuns para muitos praticantes deste festival é pintar os ovos com cores variadas e realizar jogos, principalmente para os mais novos. Também contar mitos associados a esta altura do ano é uma fantástica forma de celebrar (por exemplo o Mito da Subida de Perséfone do Submundo, da mitologia grega, em que Perséfone volta para a superfície e as flores voltam a florescer). Outra prática fantástica para simbolizar esta celebração e que contribui muito para o bem-estar da Terra é semear plantas e árvores, aproveitando as energias da Primavera e dos novos começos para iniciar as novas vidas das nossas plantas. Aliás muitas plantas têm como época de plantio o começo da Primavera.

No seu altar pode colocar várias flores de muitas cores, ovos coloridos e velas coloridas também. As melhores flores associadas a este festival são, por exemplo, o cravo vermelho, a rosa, o trevo e outras flores que recordem a Primavera. A nível da alimentação, seja para celebrações em grupo ou individual, recordamos que temos o texto sobre Bruxaria de Cozinha e Ostara com várias dicas e informações úteis!

Outra dica para esta altura do ano é aproveitar para realizar trabalhos mágicos (feitiços, encantamentos, sigilos, etc.) relacionados com novos crescimentos ou empreendimentos, cura, limpezas e começos de novos caminhos. Se está à espera para iniciar um novo projeto, aproveite a Primavera e as suas energias, sem dúvida terá sucesso!

E vocês? Como costumam celebrar esta festividade? 

Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

***

Nome: Hades ou Haides (Ἁιδης)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Hades é o quarto filho de Kronos e Rhea e, à semelhança dos seus irmãos, foi engolido pelo seu pai até ser libertado pelo seu irmão Zeus. Após a Titanomaquia, Hades juntamente com os seus irmãos Poseídon e Zeus, dividiram à sorte o céu, o mar e o submundo entre si. Poseídon ficou com como Rei dos Mares, Zeus como Rei dos Céus e Hades ficou como Rei do Submundo. Um dos principais mitos associados a Hades é o mito do Rapto de Persephone: Com a ajuda do seu irmão Zeus (pai de Persephone), Hades raptou a donzela e levou-a consigo para o Submundo sem o conhecimento da sua mãe, onde a manteve até que Deméter obrigou Zeus a devolver-lhe a filha. Contudo, a esta altura, Persephone já tinha comido sementes de romã no Submundo e estava eternamente ligada a este reino, obrigando-a a passar uma parte do tempo com a sua mãe à superfície e o resto do tempo com o seu esposo Hades no Submundo, tornando-se Rainha do Submundo. 

Celebrações: O culto de Hades era bastante escasso dado que a maioria dos gregos tinha receio sequer de pronunciar o seu nome, com medo que isso atraísse a morte para os seus lares. Haviam poucos santuários dedicados a Hades no Mundo Grego, contudo, ele era homenageado durante as cerimónias fúnebres ou em ritos necromânticos (comunhão mística/religiosa/mágica com os mortos) e desempenhava um papel nos cultos dos Mistérios. O único centro de culto significativo na Grécia dedicado a Hades era o Oráculo dos Mortos em Thesprotia. 

Geneologia: Filho de Kronos e Rhea, irmão de Zeus, Poseídon, Hestia, Demeter e Hera. Costuma ser-lhe atribuída a paternidade das Erinyes, Zagreus e Melinoe, contudo, é também aceite que Hades é um Deus infértil, dado que que o Deus dos Mortos não poderá ter filhos. 

Epítetos: Ploutôn ("da riqueza"), Theôn Khthonios ("Deus do Submundo"), Polysêmantôr ("Rei de muitos"), Nekrôn Sôtêr ("Salvador dos Mortos"), Nekrodegmôn ("O receptor dos Mortos"), entre outros. 

Símbolos: Os principais símbolos são o ceptro real (com ponta de pássaro), a cornucópia, o elmo de Hades (que lhe dava invisibilidade),o cipreste, a menta e Cerberus, o cão do submundo de três cabeças. 

Leitura Recomendada: 
  • Theoi - Hades
  • Helenos BR
  • Hino Homérico a Deméter (para o mito de Persephone)
  • Teogonia (para o mito do seu nascimento)

Ao longo do nosso caminho dentro do Paganismo é expectável que acabemos por ouvir falar dos "Mistérios", de forma vaga e como se toda a gente soubesse o que eles são. Quase como se fosse um dado adquirido semelhante ao céu ser azul ou a água molhar. Contudo, a realidade, é que muita gente não sabe o que são os Mistérios nem entende ao certo o que é o conceito de mistérios e porque razão este conceito é importante. E é disso que vamos falar hoje, do que são os mistérios, o porquê do nome, a forma como os mesmos acabam por ser utilizados como justificação para atos errados e mais. 

Para começar, o que são os Mistérios? Os Mistérios é o nome que é dado basicamente à informação ou conhecimento que é adquirido através da prática de certas tradições ou práticas e que é, por norma, entregue diretamente por Divindades ou por representantes Delas, mediante as práticas feitas. Um exemplo comum dos Mistérios é, por exemplo, os Mistérios de Eleusis na Grécia Antiga em que era realizado anualmente um grande ritual, de vários dias, onde no final através da ajuda dos Sacerdotes e Sacerdotisas, os participantes eram iniciados nos "Mistérios" que lhes trazia um determinado número de benefícios a nível espiritual e religioso (principalmente, suspeita-se, no pós-vida). Até hoje ninguém sabe o que era feito nesses rituais, pois os mesmos eram, como o nome indica, um mistério, só conhecido aos que realizavam esses rituais. Hoje em dia, no Paganismo Moderno, também temos tradições que possuem Mistérios, como é o caso da Wicca. A iniciação dentro da Wicca Tradicional, e a passagem pelos seus Graus, implica a aprendizagem de Mistérios próprios à Religião e que são comuns a todos os praticantes dentro daquela tradição em específico. 

Mas, já sei a pergunta, porque motivo este conhecimento não pode apenas vir nos livros? Porque não é um conhecimento que seja aprendido em livros. Durante a minha ordenação enquanto Sacerdotisa na Fellowship of Isis também estive em contacto com Mistérios e reconheço que não os teria conseguido aprender apenas lendo em livros, porque os Mistérios são uma vivência. São algo que é necessário ser sentido na pele e na nossa alma, é algo que nos transforma de dentro para fora e é algo único mas comum a todos os que passaram por aquele processo. E, na maioria dos casos, acaba por estar dentro de caminhos que requerem uma iniciação ou até um voto de secretismo (tal como acontecia na Antiguidade, no caso dos Mistérios de Eleusis ou os Mistérios Dionisíacos), de forma a garantir que não existe uma banalização deste tipo de experiências religiosas. 

Porém, e infelizmente, isto também faz com que o termo de Mistérios seja utilizado, indevidamente, como justificação para ações condenáveis dentro das nossas comunidades como grooming, abusos, manipulação, controlos e outros casos ainda piores. Enquanto comunidade não estamos isentos de pessoas com más intenções e que se aproveitam das nossas coisas para distorcê-las e utilizá-las como armas para objetivos nefastos. Como tal, isto implica que tenhamos de ter cuidados redobrados e implica também que os nossos Sacerdotes e Sacerdotisas tenham de se adaptar a esta realidade quando em diálogo com interessades em iniciar-se em tradições de Mistérios.

O que quero dizer com isto? Basicamente é necessário haver frontalidade e honestidade. Os Mistérios são, em grande maioria, iniciáticos e secretos mas isso não implica que não sejam divulgadas informações fulcrais e que poderão ser cruciais para a tomada de decisão dos que estarão a ser iniciados nos mesmos. Um Mistério não deixa de ser menos mistério se informarmos o praticante de que a nudez é obrigatória. Ou que é um ritual onde poderá assistir a um ato sexual. Ou que é um ritual que vai implicar ter de comer carne. Estas coisas podem (e muitas vezes são) deal-breakers para os envolvidos e pode ser a diferença entre aceitarem e não aceitarem. E isso é OK! É melhor a pessoa saber (e nós, enquanto Sacerdotes/isas sabermos) com antecedência e dizer que não do que ser sujeitada a algo que não quer e já ser tarde demais para dizer que não ou sentir-se pressionada a dizer que sim. Ninguém deve se sujeitar a algo que não quer só porque sim. Se uma tradição requer algo que não gostamos (ex: nudez ritual) é porque não é uma tradição para nós e está na altura de procurar outra. E, enquanto Sacerdotes/isas, sabemos que aquela pessoa não era a indicada para o caminho que ensinamos e deixamos ir, com a consciência tranquila que fomos frontais e honestes no que diz respeito ao que praticamos. 

Por fim, nem todos os caminhos têm ou usam o conceito de Mistérios. Nem todos os caminhos precisam de usar o conceito dos Mistérios. É algo que alguns caminhos têm e outros não e depende de cada praticante saber e entender se é algo com o qual se sente confortável ou não. Contudo, depende dos Sacerdotes/isas das nossas comunidades serem honestos e transparentes e os nossos praticantes/iniciantes serem cuidadosos nas suas buscas. Juntos conseguimos melhorar as nossas comunidades, mantendo as nossas tradições e práticas, e criando espaços mais seguros para todes! 

Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

Nota Importante: Dionysos é uma divindade bastante complexa porque não só está presente no culto tradicional helénico como também tem um papel de destaque na Tradição Órfica, então existem imensos mitos e histórias acerca desta divindade. Iremos focar-nos nos mitos e informações tradicionais de Dionysos e, para informações acerca da tradição Órfica, recomendo a leitura dos Hinos Órficos e o site HellenicGods.org.  

***

Nome: Dionysos (Διονυσος) (Dionysus ou Dionísio) 

Panteão: Grego

História e Mitologia: Dionysos é filho de Zeus e da princesa Semele de Tebas. Durante a gravidez e enraivecida pelas traições de Zeus, a Deusa Hera convenceu Semele a pedir a Zeus para apresentar-se perante ela em toda a sua glória divina, sabendo que isto a mataria. Zeus, preso por juramento, obedeceu e Semele foi consumida pela luz dos seus relâmpagos. Zeus resgatou o corpo de Dionysos e costurou-o dentro da sua própria coxa, carregando-o até ao fim da gravidez e trazendo-a à vida. Após o seu nascimento, Dionysos foi entregue aos cuidados de Seilenos e das ninfas do Monte Nisa. Mais tarde, foi entregue ao cuidado da sua tia e tio (irmã de Semele), enraivecendo Hera que levou o casal à loucura. Já crescido, Dionysos viajou para o Submundo para resgatar a sua mãe, trazendo-a para o Olimpo onde Zeus a transformou na Deusa Thyone. Relacionado com um dos mitos mais famosos da Antiguidade, Dionysos casou-se com Ariadne de Creta após esta ter sido abandonada por Theseus na praia da ilha de Naxos. 

Celebrações: O culto de Dionysos estava espalhado por toda a Grécia, contudo, os seus principais pontos de culto eram na ilha de Naxos e no Monte Kithairon (Cithaeron) em Boiotia. Existiam várias celebrações locais a Dionysos e o mesmo acabava por surgir em outras festividades não exclusivas a si, contudo, as principais de realçar são a DIONYSIA em Atenas (o segundo maior festival após a  Panathenaia), a ANTHESTERIA (um festival do vinho dedicado a Dionysos) e a LÉNAIA (um festival dedicado a Dionysos enquanto Deus do Vinho e da Fertilidade). 

Geneologia: Filho de Zeus e Semele. É pai de diversos seres imortais e mortais, destacando Priapus (Deus de Fertilidade) e as Kharites (As Graças). Para a geneologia inteira de Dionysos recomendo a página do Theoi.  

Epítetos: Chrysokomes (o de cabelos louros), Vákkheios/Baccheos (O de Bachus), Votryókozmos (recheado de Uvas), Mystes (dos Mistérios), Theoinos (Deus do Vinho). Dyonysos tem imensos epítetos pelo que recomendo esta e a esta página sobre os epítetos de Dyonisos. 

Símbolos: Os principais símbolos são os cachos de uvas, um copo (kantharos) tradicionalmente utilizado para beber, uma coroa de folhas de hera e um tirso (um bastão envolto em hera e ramos de videira e encimado por uma pinha). Em termos de animais os mais associados a esta Divindade são a pantera/leopardo, tigre, touro e a serpente. 

Leitura Recomendada: 
  • Theoi - Dionysus
  • Helenos BR
  • Dionysos (Tradição Órfica)
  • Para Dionysos (Hellenion)
  • Hino Homérico a Dionysos
  • "As Bacantes" de Eurípedes
Capa do Livro
Título: Spells for Change: A Guide for Modern Witches
Autor(es): Frankie Castanea (ChaoticWitchAunt)
Pontuação: ★★★★★
Descrição: As bruxas modernas são uma mistura do antigo e do novo. Elas vão ao supermercado, trabalham das nove às cinco e ensinam nas nossas salas de aula. Elas também carregam turmalina negra e quartzo, e acenam pacotes de louro e alecrim sobre as suas portas. Dentro de uma prática antiga e sagrada, um novo tipo de Ofício se estabeleceu: aquele que combina o poder da ação com energia e intenção, prioriza a auto-realização e combina o seu ativismo com manifestação. Com capítulos sobre meditação, aterramento, limpeza, banimento, ligação e muito mais, Spells for Change ajudará a bruxa moderna a criar mudanças no lar, no coração e no mundo - um feitiço de cada vez.
Onde Comprar*: Wook
Análise: Hoje trago uma análise de um livro que está em destaque nas nossas comunidades de momento e é o livro du ChaoticWitchAunt. Foi graças a sugestão da nossa editora, a Eva Tavares, que decidi adquirir o livro e honestamente, foi a minha melhor decisão!

Vou ser totalmente sincera: Este é dos melhores livros para iniciantes que já li nos últimos tempos e vai ser dos primeiros que recomendarei a partir de agora. Sem exageros. 

Inicialmente estava com bastante receio. A última vez que comprei um livro de uma pessoa influencer das nossas comunidades foi o Wicca da Harmony Nice e todos sabemos qual foi a minha opinião sobre o mesmo. O livro du Frankie foi também publicado pela mesma editora (Orion Publishing) o que me deixou também desconfiada. Mas, felizmente, fui surpreendida pela positiva! 

Este livro, ao contrário da maioria dos livros que vemos atualmente voltados para iniciantes (como o  Modern Guide to Witchcraft da Skye Alexander ou o Wicca da Harmony Nice), não está recheados das informações do costume como os Sabbats, Conceitos, Adivinhação, Ferramentas e pouco mais. Pelo contrário, este livro oferece algumas dessas coisas e oferece mais. U Frankie começa por falar dos básicos da Bruxaria (sem influências da Wicca, que é uma lufada de ar fresco!), sobre meditação, grounding, manipulação de energias e todos os básicos necessários para um começo responsável. 

E, depois, começa a desenvolver outros pontos que não só são importantes e uma presença nas redes sociais (como o shadow work do qual também já falei aqui no blog) mas também fala sobre limpeza e proteção de espaços, amor próprio e os cuidados que devemos ter connosco próprios ao longo do nosso caminho e até aborda a temática dos "banishings e bindings", algo que acaba por vir sempre à superfície ao longo dos tempos nas redes sociais. Algo que u Frankie faz e que gostei e achei que é bastante diferente do que costumamos ver na maioria dos livros é que não impõe ao leitor as suas éticas e valores pessoais. Não temos tentativa de convencer o leitor a seguir a "Lei Tríplice" nem outros tipos de conceitos. As coisas são apresentadas como são e quais as consequências e fica na decisão do praticante como deseja moldar e agir na sua prática e no meu trilho pessoal. Isto, para mim, é fantástico. 

Na última parte do livro acho que u Frankie aborda mais um conjunto de temas bastante importantes na nossa atualidade e que é raríssimo ver em livros, principalmente livros cujo público-alvo são iniciantes: A Bruxaria em Comunidade, a Bruxaria e a Religião, Bruxaria e Ativismo, Bruxaria e Ambiente e, por fim, a Descolonização da Bruxaria. Todos estes são tópicos extremamente importantes nas nossas comunidades, principalmente na América (de onde Frankie é) em que a temática da descolonização da Bruxaria tem uma tremenda importância atualmente (a nós, na Europa, acaba por não nos afetar tanto dado que a maioria das nossas práticas acabam por ser fortemente influenciadas por práticas e costumes europeus, mas é sempre bom aprender e ver as perspetivas des Bruxes do outro lado do oceano e refletir sobre as mesmas). 

Outra coisa que se vê ao longo de todo o livro e que eu simplesmente amei foi tão simples como... Referências! É tão satisfatório ver alguém utilizar referências e citações ao longo de um livro e não parecer que está a tirar as informações do ar. É tão bom e fiquei tão satisfeita. Para não falar que a bibliografia do livro está fantástica e com vários recursos para onde orientar os leitores. 

Este livro é, sem dúvida, dos meus favoritos de 2022 (e sim, ainda vamos em Fevereiro e já tenho a certeza disto) mas também um dos livros favoritos para iniciantes e que vou passar a recomendar vivamente! 

E vocês? Já leram? Que acharam? 

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 
Mais Recentes
Mais Antigos

Apoia o Sob o Luar!

Apoia-nos no Ko-fi! ☕

Segue no BlueSky! 🦋

A não esquecer

Newsletter

Infos Mensais 2026 🇵🇹

🌙 A Lua 🌙

Quarto Minguante: 06 Agosto
Lua Nova: 12 Agosto
Quarto Crescente: 20 Agosto

Lua Cheia: 28 Agosto

 

🌞 O Sol 🌞

Alvorada: 06:37h (01-Ago) | 07:04h (31-Ago)
Anoitecer: 20:47h (01-Ago) | 20:08h (31-Ago)

Temas

  • Análises Literárias (26)
  • Autores Convidados (2)
  • Bruxaria (37)
  • Celebrações (22)
  • Comunicados (4)
  • Comunidades (17)
  • Conceitos (30)
  • Cristais (5)
  • Divindades (17)
  • Druidismo (1)
  • Entrevistas (1)
  • Eventos (4)
  • Helenismo (13)
  • Iniciantes (33)
  • Instrumentos (1)
  • Kemetismo (1)
  • Locais (1)
  • Magia (20)
  • Métodos Divinatórios (41)
  • Organizações (5)
  • Paganismo (72)
  • Quotidiano (12)
  • Reconstrucionismo (2)
  • Rituais (3)
  • Textos Mágicos (3)
  • Wicca (28)

Histórico

  • ▼ 2026 (5)
    • março (1)
    • fevereiro (3)
    • janeiro (1)
  • ► 2025 (1)
    • agosto (1)
  • ► 2024 (3)
    • março (1)
    • janeiro (2)
  • ► 2023 (11)
    • dezembro (2)
    • novembro (3)
    • outubro (2)
    • setembro (1)
    • abril (1)
    • janeiro (2)
  • ► 2022 (26)
    • dezembro (2)
    • novembro (2)
    • outubro (2)
    • setembro (2)
    • agosto (2)
    • julho (2)
    • maio (2)
    • abril (3)
    • março (3)
    • fevereiro (2)
    • janeiro (4)
  • ► 2021 (39)
    • dezembro (3)
    • novembro (4)
    • outubro (4)
    • setembro (5)
    • agosto (2)
    • julho (4)
    • junho (4)
    • maio (3)
    • abril (5)
    • março (4)
    • janeiro (1)
  • ► 2020 (25)
    • dezembro (3)
    • novembro (2)
    • outubro (3)
    • setembro (3)
    • agosto (3)
    • julho (4)
    • abril (2)
    • março (3)
    • fevereiro (1)
    • janeiro (1)
  • ► 2019 (22)
    • dezembro (2)
    • novembro (3)
    • outubro (1)
    • agosto (2)
    • julho (1)
    • junho (3)
    • maio (4)
    • abril (2)
    • março (2)
    • fevereiro (1)
    • janeiro (1)
  • ► 2018 (14)
    • novembro (2)
    • outubro (1)
    • setembro (1)
    • agosto (1)
    • julho (2)
    • maio (2)
    • abril (3)
    • março (1)
    • janeiro (1)
  • ► 2017 (26)
    • dezembro (1)
    • novembro (3)
    • setembro (3)
    • junho (1)
    • maio (6)
    • abril (3)
    • março (4)
    • fevereiro (3)
    • janeiro (2)
  • ► 2016 (16)
    • dezembro (3)
    • novembro (2)
    • outubro (1)
    • setembro (2)
    • agosto (2)
    • julho (1)
    • junho (4)
    • maio (1)

Template por BeautyTemplates | Política de Privacidade

Este trabalho é dedicado às Senhoras Ἑκάτη (Hekate) e Περσεφόνη (Persephone)

Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0