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Sob o Luar


Olá! 👋🏻

Quero começar por agradecer a paciência de quem esperou pelo meu regresso e pelas mensagens de apoio que recebi nas redes sociais! Esta pausa não só foi bem merecida como bem necessária. O regresso vem com algumas reflexões e algumas mudanças. Os membros do Patreon já sabem, dado que publico tudo lá com antecedência e os mantive a par ao longo destas férias, e agora partilho convosco também.

Contudo, antes de explicar o que vai mudar e apresentar este novo capítulo do Sob o Luar, quero contar-vos como cheguei a este momento. 

Eu comecei a estudar Paganismo e Bruxaria em meados de 2006 e, passado uns tempos, em 2008 criei um blogue chamado "Caminho Mágico" (que já não existe, em nenhum formato). Este blog esteve em funcionamento até inícios de 2014, quando fui obrigada a encerrá-lo por infelizes motivos. Mais tarde, , no início de 2016, ultrapassada a situação em que me encontrava, criei o Sob o Luar com um propósito semelhante: ajudar, guiar, orientar, tanto no Paganismo como na Bruxaria. A partir de 2016, com o meu regresso às comunidades pagãs e, pode dizer-se, à minha independência, várias coisas aconteceram: juntei-me a grupos e comunidades online que tive o prazer de moderar, tornei-me Sacerdotisa de Hekate e Persephone pela Fellowship of Isis, fundei o Iseum do Caminho da Terra, participei em livros, em seminários, em conferências e... descobri caminhos novos. Descobri chamamentos novos. Enquanto descobri estes novos caminhos, senti também uma desconexão com trilhos em que me encontrava antes. 

Em 2020, com o início da pandemia, comecei a explorar formas diferentes de encarar o Divino, comecei a investigar outros caminhos pagãos e comecei a encontrar um novo rumo: o Paganismo Helénico. E, ao mesmo passo, fui-me desligando da Bruxaria cada vez mais. Em 2021 deixei de me identificar como Bruxa mas continuei sempre a produzir conteúdos, contudo... Desde finais de 2022 que perdi a vontade de produzir conteúdos de Bruxaria. Tenho-me forçado, por vários motivos que impus a mim mesma, mas, com estas férias, cheguei finalmente à conclusão de que está na altura que aceitar a realidade de há muito tempo: A Bruxaria já não me chama e, como tal, não tenho que produzir conteúdos sobre a mesma e posso dedicar a minha energia e tempo a produzir conteúdos e a ajudar pessoas que estejam interessadas naquilo que me chama: o Paganismo e a Religiosidade Pagã.

É desta transformação que as mudanças do Sob o Luar nascem. Mas perguntam vocês, e o que vai mudar? Pois bem, vamos por pontos:
  • A temática do Sob o Luar vai focar-se, exclusivamente, em Paganismo e Religiosidade Pagã. Claro que há temáticas que se intersectam (rituais, métodos divinatórios, cristais, etc.) mas o foco vai manter-se na parte pagã e não na parte bruxa.
  • Isto leva a que vários artigos tenham sido removidos do Sob o Luar. No total, foram removidos cerca de 46 artigos. Alguns destes vão ser rescritos e publicados nos próximos meses. Se houver algum artigo que vocês tenham guardado e gostariam de ter uma cópia, para uso pessoal, enviem e-mail para o contacto do blogue. 
  • O Curso de Magia Quotidiana foi descontinuado (maioritariamente por falta de tempo da minha parte), contudo, estou a planear, a médio/longo prazo, lançar cursos diferentes. A página de Serviços foi apagada.
  • O Portal de Iniciantes e os Recursos foram unidos numa só página, de forma a ser um hub central de informações úteis. Os tópicos e recursos relacionados com Bruxaria foram removidos. 
De resto, o Sob o Luar vai manter-se com duas postagens por mês e vou diminuir apenas as postagens nas redes sociais, para diminuir a minha carga de trabalho, devido à universidade. O Patreon continua ativo e com newsletter semanal (mais vídeos para o Tier Sóis!) para quem quiser apoiar e saber um pouco mais dos bastidores do blogue. 

Agradeço, novamente, todo o apoio e carinho que me tem sido dado e continua a ser dado pelos leitores e apoiantes do blogue e espero continuar a ver-vos por cá! Se não, Feliz Encontro e Feliz Partida! ✨

Bênçãos,
Alexia Moon

Olá! 🥰
Hoje trago-vos um aviso e um post especial. Os membros do Patreon já sabem desta notícia desde o dia 23-03 mas optei por esperar pelo início de Abril para anunciar publicamente. O que se passa, como eu já tinha dado a entender no início de Março, eu sinto-me sem grande inspiração e sem motivação para o Sob o Luar. E isso é algo que me custa, porque o Sob o Luar é muito especial para mim. 
Tirei este mês para refletir e algo a que cheguei a conclusão é que sempre que tiro um mês de "férias" acabo por não descansar porque estou constantemente a pensar no que tenho de lançar quando "vier de férias" e acabo por passar o mês a preparar conteúdos futuros ao invés de, bem, descansar... E isso não é produtivo. 

Então decidi que estaria na altura para, pela primeira em quase 7 anos, tirar umas férias/fazer um hiatus indeterminado. Idealmente planeio ficar de férias até ao Verão mas, se necessário, poderei esticar mais um pouco, dependendo de como correm as coisas! 💛

Contudo, há algumas nuances nestas férias, nomeadamente:

  • O Patreon mantém-se a funcionar normalmente, com postagens semanais para todos os membros e dois vídeos por mês para o Tier de Sóis. 
  • O curso de Magia Quotidiana vai continuar a funcionar normalmente e aceitar novos estudantes. 
  • O aconselhamento do ICT, que está listado na página de Serviços, vai manter-se aberto.
  • Poderei, ou não, às vezes aparecer no Instagram do Sob o Luar para responder a comentários, mensagens privadas ou postar projectos e coisas interessantes nas stories (mas não haverá conteúdo no feed). 
De resto, vou de férias e planeio voltar no Verão ou, em último dos cenários, no Outono! 🙏🏻🥰

Obrigada a todo o apoio que dão ao projeto e sintam-se à vontade para se juntar ao Patreon (por 1€/mês!) para irem recebendo novidades e lendo sobre como vão as coisas!

Bênçãos Plenas,
Alexia Moon


Uma das coisas que parece bastante complicada quando estamos a começar no caminho do Paganismo ou da Bruxaria é o de criar a nossa própria prática e como dar os primeiros passos para estruturar o nosso caminho. Este artigo tem como objetivo reunir algumas dicas para ajudar neste processo! 

Para começar é preciso recordar que tudo deve ser feito ao nosso próprio ritmo. No final de contas, seja o nosso caminho mágico ou nosso caminho espiritual, ambos são caminhos individuais e para nosso próprio crescimento, satisfação e felicidade. Não estamos a competir com ninguém nem existe nenhuma corrida, pelo que devemos ir ao nosso ritmo pessoal e conforme aquilo que estamos a sentir que é o certo. 

A melhor forma de construir a nossa prática pessoal é ir aos poucos, conforme vamos aprendendo e experimentando. Não nos podemos esquecer que, como tudo na vida, a nossa prática vai ser fluída e vai mudar com a passagem do tempo, por isso, um dos principais conselhos é estar aberto à mudança e à fluidez das nossas práticas. 

Para além desta fluidez temos também de nos recordar de não querer ser perfeites logo ao começo e que falhar ou experimentar coisas só pela vontade de experimentar é normal e até aconselhável, por isso, devemos sempre lembrar-nos que a primeira estrutura ou rotina que criamos não vai ser a que vai ficar para sempre ou a "definitiva". Temos a liberdade para explorar os nossos caminhos da forma que achamos melhor e que nos identificamos mais. 

Após já termos algumas bases nos assuntos é quando começamos a querer estruturar algo conciso e dar-lhe um nome. Começar a identificar-nos com um caminho específico e estruturar como a nossa prática é definida. Algumas dicas para quando iniciamos este processo:
  • Fazer uma pequena lista dos nossos interesses dentro do Paganismo e da Bruxaria, para entendermos onde está o nosso "nicho" e o nosso foco. É okay se a lista for diversificada, mas termos esta estrutura escrita ajuda-nos a guiar-nos e a saber por onde trilhar. 
  • Fazer uma lista de palavras que achamos que definem o nosso caminho. Podem ser palavras aleatórias como "Verde", "Fadas", "Grécia", etc. Algo que nos ajude a classificar as coisas que associamos com o nosso caminho. 
  • Se não quisermos dar já um nome ao nosso caminho, não há problema! Podemos apenas identificar-nos com termos vagos como "Bruxe" ou "Pagão" e ficar por aí. Esses termos são válidos. Até "Curiose" é um termo válido. 
  • Se houver afinidade por algum tipo de divindade ou algum panteão, podemos começar a explorar mais esse campo para ajudar na nossa prática, dado que muita coisa pode ser construída em torno do culto devocional a Divindades. A mesma coisa se aplica a Seres Mágicos ou Entidades! 
  • Depois de termos criado a nossa lista de interesses e a lista de palavras chaves, podemos começar a procurar conteúdos (tanto online como em livros) relacionados com essas temáticas. Ver o conteúdo de outros praticantes vai ajudar-nos a tirar ideias de coisas a aplicar na nossa prática. 
  • Se houver, recomendo também juntar a comunidades relacionadas com os nossos interesses como Grupos do WhatsApp ou de Facebook onde se possa trocar opiniões e ideias com outros praticantes. 
No final das contas o que não pode ficar esquecido é que o caminho a trilhar é, e sempre será, nosso e somos nós que o definimos e o vivemos, pelo que devemos sempre trabalhar para sermos felizes no nosso caminho e não necessariamente agradar outras pessoas ou cumprir "aesthetics" (que é um dos principais problemas das redes sociais hoje em dia). 

E vocês, que conselhos dão nestas situações?  
Capa do Livro
Título: Dedicant, Devotee, Priest: A Pagan Guide to Divine Relationships
Autor(es): Stephanie Woodfield 
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Construa um relacionamento com os deuses em todos os níveis de devoção. Em qualquer caminho espiritual, buscamos uma forte conexão com os deuses. Mas sabe como desenvolver verdadeiramente um relacionamento com eles? Este livro orienta a servir o divino em três níveis significativos que vão além de apenas pedir aos deuses apoio mágico ou pessoal. Dedicant, Devotee, Priest fornece explicações práticas sobre o que significa venerar uma divindade, como saber quando alguém está tentando chamar sua atenção e muito mais. 
Onde Comprar*: Wook 
Análise: Hoje trago uma análise de um livro que li recentemente, que é o "Dedicant, Devotee, Priest"! Já andava desejosa de ler este livro há bastante tempo e finalmente tive a hipótese de o começar a ler e, tenho a dizer, que não só o amei completamente como vou passar a recomendá-lo a todes interessades em iniciar algum tipo de relação devocional com uma Divindade, seja de que panteão for.  

A autora do livro inspira-se na sua prática pessoal, que é bastante influenciada por práticas celtas e nórdicas, contudo, o livro pode ser utilizado por pessoas de todos os caminhos (eu sou Pagã Helénica e sinto que beneficiei muito do livro)! O livro é bastante diverso e fala de vários tipos de relacionamentos com divindades, focando-se principalmente nos três mencionados no título: Dedicado, Devoto e Sacerdote. Cada um destes tem o seu respetivo capítulo, recheado de informações e exercícios, principalmente de reflexão mas também alguns de rituais. Estes exercícios são, a meu ver, a cereja no topo do bolo porque permite ao leitor levar o conteúdo do livro da parte teórica para o campo prático do seu caminho e são uma mais valia. 

Um dos pontos que me pediram, no Refúgio, para desenvolver sobre era qual a minha opinião sobre a parte 3 do livro, em que é falado do Sacerdócio Pagão. Pessoalmente foi uma parte do livro que gostei muito! Temos poucos livros que falem abertamente do conceito de Sacerdócio Pagão e de como este se pode apresentar nas nossas comunidades e achei fantástico a autora não só referir como dar exemplos da forma como um Sacerdócio pode ser vivenciado. 

Todo o livro está recheado de citações fantásticas e que nos fazem refletir acerca da nossa relação com os Deuses e da forma como os mesmos estão presentes no nosso dia-a-dia, contudo, houve uma frase muito especial que eu adorei e que sinto que é obrigatório mencionar nesta review:

"Fully conceptualizing the scope of the gods is like trying to hold the ocean in a teacup. The ocean remains vast, but our conscious understanding of it may only be the waters we catch in our teacup. Some of us may scoop up different-tasting waters in our cups. So perhaps it is no wonder that there are many different models for devotional relationships. Some are permanent, some are not."

Tradução (por mim): "Tentar conceptualizar a total presença dos deuses é como tentar segurar o oceano em uma chavena de chá. O oceano continua vasto, mas nossa compreensão consciente dele acaba por ser apenas as águas que colhemos na nossa chávena. Alguns de nós podem apanhar água de sabores diferentes nas nossas chávenas. Portanto, talvez não seja de admirar que existam muitos modelos diferentes para relacionamentos devocionais. Alguns são permanentes, outros não."

No final de contas, e como este livro bem menciona, a nossa relação com os Deuses é mesmo isso: Nossa. E nós é que a vivenciamos e experienciamos e, tal como os relacionamentos com as pessoas em nosso redor, todas elas são relações únicas e especiais. 

E vocês? Já leram este livro? Que acharam? 

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 

Hoje vamos voltar a falar sobre Divindades e, mais especificamente, como começar a trabalhar com elas. Sim, já temos um artigo parecido aqui no blogue, intitulado "Como começar devoção aos Deuses?" mas, como podem ver, eu escolhi terminologias diferentes: Trabalho vs Devoção. 

Enquanto a devoção, que foi falado no meu artigo antigo, tem um carácter mais religioso e espiritual, o trabalho é algo mais prático e mais comum dentro da Bruxaria, onde é estabelecida uma relação de trabalho com uma divindade. Ou seja, a divindade e o praticante estão numa espécie de negócio, em que há uma troca de algo a ocorrer, por norma, oferendas em troca de algo para o praticante. Este tipo de trabalho é algo mais informal e, em alguns casos, sem qualquer tipo de intimidade por parte do praticante (algo que na devoção acaba sempre por acontecer). 

O trabalho com as Divindades pode ser feito pelos mais diversos propósitos mas, por norma, é no seguimento de trabalhos mágicos no qual o praticante queira solicitar a ajuda de Deuses. Este trabalho mágico com as divindades não requer compromissos, tirando aqueles estabelecidos durante a troca ou acordo com as divindades, mas requer trabalho por parte do praticante, principalmente em garantir que aquilo que prometeu aos Deuses lhes é entregue. Um exemplo prático é um praticante que prometa a Hermes que lhe fará oferendas semanais durante um período de um ano em troca de ajuda num processo de candidatura de emprego. O praticante terá de garantir que, durante aquele ano, fará as oferendas prometidas. 

Mas, como começar este tipo de prática? Este tipo de prática não é para toda a gente, até porque, como já falamos, a Bruxaria pode ser praticada sem a presença de Deuses. Não é uma prática obrigatória e só deve ser feita por aqueles que se sentem confortáveis com isso. Por norma, neste tipo de prática, não há qualquer chamamento por parte de Divindades, porque o principal interesse nesta troca é do praticante. 

Inicialmente, é preciso garantir que não vemos os Deuses como "Deuses de Prateleira" (podem ler mais sobre o assunto, no artigo do link) e que os vemos como entidades individuais (no caso do politeísmo, mas também aplicável ao caso da Deusa/Deus da vertente duoteísta). Ou seja, não devemos começar a ir sempre a Afrodite porque queremos amor ou Hermes porque queremos ajuda com dinheiro ou Atena porque queremos ajuda com os estudos. Apesar de ser um processo de trabalho, e não de devoção, não significa que os Deuses sejam bonecos para serem explorados ou utilizados. Vejam os Deuses, neste cenário, com amigos que vocês conhecem. Vocês se tiverem um amigo que tenha dinheiro, não vão estar sempre a ir a esse amigo pedir dinheiro, não é? Porque ele vai acabar por se cansar de vocês e deixar de responder às mensagens. E os Deuses, passa-se a mesma coisa, vai acabar por haver divindades com as quais vão trabalhar mais vezes e às quais podem recorrer para pedir ajuda, mesmo que não seja totalmente do foro delas. E não há problema nisso. 

Outro passo essencial, semelhante ao que acontece no processo devocional, é a necessidade de explorar e aprender sobre a Divindade. Não podemos apenas fazer um ritual, chamar Zeus e dizer "Olá Zeus, quero isto". É óbvio, não é? Isto é a mesma coisa que ir na rua, parar um estranho e pedir 20€. Ninguém faz isso. É preciso entender a divindade, entender os seus mitos e ter alguma noção sobre quem estamos a chamar e se é a pessoa certa para o que precisamos (tal como faríamos se fossemos contratar um carpinteiro para arranjar em casa, não iríamos ao primeiro que aparece na pesquisa, mas iriamos ver qual o melhor para o que queremos). Cabe ao praticante fazer o esforço de aprender sobre a Divindade e tomar a iniciativa. 

Aqui é a parte onde difere do aspeto devocional: Enquanto no devocional iniciaríamos o processo de aproximação da divindade, oferendas e meditações, criar altares e por aí fora, no campo do trabalho mágico esse aspeto acaba por não acontecer (pode acontecer, mas não é uma necessidade). Aqui inicia-se o trabalho mágico em si, seja ele qual for. E é feito o acordo e a troca com a Divindade (seja ela qual for, também). E depois, é da parte do praticante garantir que cumpre a sua parte, mantendo o respeito pela Divindade e pelo trabalho que está a fazer. No fim, poderá despedir-se da Divindade de vez ou continuar a trabalhar com ela durante mais algum tempo. 

Espero ter ajudado a distinguir o conceito de devoção e de trabalho e conseguido orientar no processo de aprender sobre como começar a trabalhar com Divindades. O resto é tentativa e erro da parte do praticante! 

Se quiserem deixar dicas (ou questões) nos comentários, sintam-se à vontade! 

Um dos temas que me foi pedido no Instagram do Sob o Luar foi para falar sobre a apropriação cultural e como evitar a mesma na nossa prática. Antes de começar, vamos definir o que é apropriação cultural: 

Segundo Arnd Schneider (2003) a apropriação cultural é a adoção inadequada ou não reconhecida de um elemento ou elementos de uma cultura ou identidade por membros de outra cultura ou identidade. Isso pode ser controverso quando membros de uma cultura dominante se apropriam de culturas minoritárias.

Alguns exemplos de apropriação cultural são, por exemplo, os disfarces de "índios" que se vêm durante o Carnaval ou Halloween que são uma clara ofensa aos povos nativos-americanos. Ou a utilização do termo "smudging" para significar limpeza de um local, sendo que esse termo é exclusivo de tribos índígenas onde smudging não é apenas queimar ervas para limpar uma casa, mas todo um ritual específico dentro desta cultura. Existem diversos exemplos de apropriação cultural, de diversas culturas, que acabam por estar presente, infelizmente, em nosso redor. Contudo está no nosso poder (e dever!) garantir que não as propagamos e, aliás, que educamos as pessoas à nossa volta para não compactuar nestes comportamentos. 

É também importante distinguir que existem diferenças entre o termo de "apropriação cultural" e o termo "prática fechada". Uma prática fechada é, por norma, uma prática que requer iniciação dentro da mesma e que não pode ser praticada fora desses grupos ou tradições. Não quer dizer que a pessoa X ou Y não a possa praticar mas, para o fazer, terá de ir ter com esses grupos, introduzir-se nas suas culturas, socializar, conhecer as pessoas e, se o grupo em causar a aceitar, então aí tratar desse processo. 

Agora, a grande questão: Como evitar praticar apropriação cultural? 

Acima de tudo entendendo de onde vêm as coisas que estamos a praticar. Quando estamos a aprender sobre Bruxaria e Paganismo e vemos algo que gostaríamos de incorporar na nossa prática é essencial investigar sobre esse assunto e, acima de tudo, entender as suas origens (e, dessa forma, acabamos por entender também o seu funcionamento). Obviamente que uma prática que seja comum em todo o espaço europeu não vai ser um caso que possa ser apropriado culturalmente porque faz parte da cultura de todo um continente que possui um papel dominante na sociedade ocidental. Ou uma prática que seja de uma cultura morta (como Antigo Egipto ou Roma Antiga), porque não há uma cultura minoritária a ser afetada, porque a mesma já não existe há milhares de anos (ao contrário do que muitos grupos nacionalistas dentro das comunidades possam tentar alegar). Mas se calhar, se for uma prática de uma tribo indígena sul-americana já se trata de uma apropriação cultural, principalmente se essa cultura for abertamente contra essa prática (que é o caso de algumas práticas africanas ou de tribos indígenas brasileiras que se vêm apropriadas). 

Esta é, sem dúvida, uma área na qual é preciso trabalho ativo. Não há forma de ter uma lista com todas as coisas que não podem ser apropriadas culturalmente porque isso seria impossível. É preciso ler e investigar o assunto (O google é uma excelente ferramenta o TikTok/Tumblr nem por isso) e ver, acima de tudo, testemunhos de pessoas que fazem parte das culturas afetadas para entender o feedback delas. Em caso de dúvida, podemos sempre participar em comunidades online e questionar os outros para tentar aprender (principalmente questionar pessoas dessas culturas porque não é alguém como eu - branca e europeia - que vos vai conseguir falar em nome de uma cultura à qual eu não pertenço). E em caso da dúvida se manter, podemos sempre abster-nos de certas práticas ou, melhor ainda, substitui-las por coisas mais perto de casa! Por exemplo, voltando ao caso do smudging: Ao invés de querermos queimar sálvia branca ou palo santo (que são duas plantas que estão a ser exploradas em excesso ao ponto de estarem em risco e, também, utilizadas originalmente por povos nativo-americanos) para limpar a casa porque não usarmos plantas locais de Portugal? Temos o alecrim, a arruda e a sálvia comum que fazem exatamente o mesmo papel e são plantas presentes no nosso ecossistema local. Não só estamos a evitar sobre-exploração de uma planta, evitar apropriação cultural como ainda estamos a conectar-nos com a nossa flora local, utilizando plantas nativas da zona onde vivemos. 

Por fim, gostava de recomendar um artigo (em inglês) que li sobre a temática: "Cancelled for Renovations: More Thoughts on Closed Practices". Espero ter ajudado a esclarecer um pouco mais este tópico e sintam-se à vontade para dar as vossas opiniões (respeitosas, porque qualquer comentário extremista nem será aceite) nos comentários! 

Nota: Um agradecimento especial à Sininho que me ajudou a rever este texto! :) 
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