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Sob o Luar

Pixabay (komahouse)
Lançar Tarot e trabalhar com o Tarot são coisas extremamente interessantes de fazer na prática mágica e até para quem nem pratica Bruxaria nem Paganismo. O Tarot, como vimos no artigo de História do Tarot, já existe à imensos séculos e existem mil e uma formas de trabalhar com ele desde caminhos individuais, caminhos associados a baralhos específicos como Thoth ou o Raider-Waite ou até o Caminho do Tarot. Neste artigo falo de algumas dicas que, pessoalmente, acho que auxiliam qualquer praticante que esteja a começar a trabalhar com o Tarot e até pode ser útil para quem já trabalha com esta arte à muito tempo!

Começando então pelas dicas que tenho para vocês:

  • Não devemos repetir perguntas
Esta é um dos principais conselhos que dou a nível de Tarot é não repetir perguntas. Não só é contra-produtivo pois já temos a resposta como também é desnecessário. Costumamos ter a tendência, após fazer uma leitura, em repetir a pergunta por vários motivos: ou para garantir que a resposta está certa, ou porque não compreendemos bem, ou apenas para reler novamente. Isto não é boa ideia. Apenas recomendo repetir perguntas muito pontualmente e de forma reformulada e somente em situações em que não tenha compreendido mesmo a resposta (preguiça de pensar no que significa não está incluído!) e, mesmo assim, se puder evitar ainda melhor. Algo que notei que acontece, e muita gente fala do mesmo, é que se forçarmos o Tarot a repetir as coisas muitas vezes ele começa a dar respostas incoerentes ou então sai uma resposta como se o próprio baralho estivesse a ralhar connosco! :)

  • O Tarot não é um método de prever o futuro
Este é algo que surge muitas vezes em conversas e ainda hoje expliquei a uns colegas. O Tarot não prevê o futuro. Aliás o futuro não pode ser previsto porque ele está em constante mudança. Como os nossos avós diziam "A única certeza na vida é a morte" isto porque nada é certo e tudo depende das acções e reacções que levam até determinado momento. O Tarot mostra-nos as variáveis. Ou seja estamos no ponto D e para lá chegar passamos pelo ponto A, B e C e fazemos um lançamento para saber o que esperar nos próximos três ou seis meses, por exemplo. O Tarot, claramente, vai indicar que no futuro temos o ponto E. Mas imaginemos que não queremos o E, que o E representa algo que não gostamos ou que estamos insatisfeitos com a nossa vida atualmente e preferíamos estar no ponto H. Cabe a nós próprios tomar as rédeas na nossa vida e mudar, agir, transformar. O que o Tarot diz não é regra, apenas é o mais provável. Tudo pode ser mudado, tudo se transforma. Por isso se o Tarot disser que vai ficar no emprego em que está durante mais dois anos mas você detestar esse emprego, procure outro e saia! Nada o impede excepto as circunstâncias à nossa volta e, acima de tudo, a nossa própria mente.

  • O ambiente e a preparação são chaves para o sucesso
Lançar cartas de tarot numa estação de metro movimentada, com imenso barulho à volta, fumos e cheiros que nos distraem não é apropriado. É necessário e aconselhável estabelecer uma rotina para lançar as cartas. Por exemplo eu, pessoalmente, tenho uma rotina para cada baralho. Com a versão de bolso faço de uma forma e com o meu baralho normal faço de outra. Como o de bolso é para viagens ou deslocações ou até momentos de emergência tento ser mais prática com esse e, com o baralho normal, tenho todo um procedimento com velas, incensos, toalha para lançar cartas, etc que faço. O ambiente e o estado de consciência são essenciais para assegurar bons resultados. Medite um pouco antes de lançar o baralho ou pelo menos centralize e foque-se no momento e no que está a fazer. Sinta as cartas e as suas energias nas suas mãos, foque-se. Desvie a mente da vida atarefada, da lista de compra ou da lista de tarefas. Foque-se na pergunta que está a fazer, acenda um incenso ou uma vela, estenda uma toalha. Se sentir necessidade tenha um cristal próprio consagrado para auxiliar no Tarot ou para manter as energias equilibradas no momento do lançamento. Mas garanta apenas que está no mindset necessário para a tarefa que está a desempenhar, não só por respeito a quem está a ser alvo de leitura mas também por respeito ao próprio baralho em si.

  • Manter registos
Principalmente para quem está a começar a estudar Tarot e a iniciar o trabalho com os baralhos eu acredito que manter um registo de todas as tiragens é essencial. Não só porque permite analisar o seu próprio desenvolvimento e o que tem vindo a melhorar mas também porque permite manter um registo prático para situações em que já não se recorda bem de qual foi a resposta de uma tiragem de à três meses atrás (e, também, é fascinante lançar as cartas para os próximos três meses, por exemplo, e após esse período voltar atrás e ler o que foi previsto e comparar com a realidade de como correu aqueles meses. Coincidiu? O que mudou? O que se esforçou para mudar?). Isto é também prático para lançamentos de cartas para outras pessoas que possam vir questionar sobre tiragens que você tenha feito para elas e as mesmas não se recordem. Outro motivo porque é essencial apontar as respostas do Tarot é porque o Tarot pode falar de forma meio encriptada e, no momento, não compreendermos a resposta (tal como indicado em cima, se possível, evitar lançar novamente sobre a mesma pergunta) então apontemos qual foi a resposta, mesmo que não a compreendamos. Isso fará com que no futuro as restantes peças do puzzle surjam e, eventualmente, a resposta que o Tarot deu vai acabar por fazer todo o sentido! Por isso aconselho a ter um pequeno caderno dedicado às tiragens de Tarot, coloque a data e hora em que foi feita a tiragem, qual a pergunta e qual a resposta. Se quiser até pode depois fazer jogadas com as tiradas e as horas astrológicas mas isso é algo mais complexo e fica ao critério do próprio praticante.

  • Ligação com o Baralho
Algo que já falei em artigos anteriores e que reforço neste é que é essencial estabelecer uma ligação com o nosso próprio baralho. Isto pode ser feito através de meditação, através da Jornada do Louco (mais informações no Fórum da TCS) ou até apenas pelo uso regular do próprio baralho. Eu vejo meus baralhos como meus conselheiros, quase como se fossem entidades próprias a quem recorre a solicitar orientação e conselhos. Não estou a dizer que toda a gente deve encarar esta prática dessa forma, longe disso! Apenas que uma conexão com o seu baralho, como ele funciona, como as cartas são, o que representam, quais as simbologias, desenhos e pequenos detalhes essenciais à leitura é que existem. O tentar largar o livrinho de auxílio e intuitivamente saber o que cada carta representa e como o seu significado é alterado ao estar junto a outra carta. Como as combinações de cartas divergem do significado individual de cada carta. Como cada carta é constituída. E todos os outros cenários essenciais à compreensão do baralho. Isto é importante no trabalho com as cartas.


Outras coisas que pode fazer para ajudar no lançamento do Tarot (principalmente em análise de situações complicadas ou externas e que envolvem maior concentração) é banhos de limpeza e de energização, contacto com divindades associadas a métodos divinatórios (Hekate, Hermes, etc.) para facilitar a tiragem, queimar incenso ou óleos aromáticos para ajudar a entrar no mindset necessário, etc. Existem imensos truques pessoais que vai acabar por adquirir ao longo da sua prática e que irão facilitar todo o trabalho com o Tarot que desenvolve.

E, como se costumava dizer antigamente, a prática leva à perfeição por isso vamos começar a conectar com o nosso baralho (se ainda não sabe como escolher um baralho, leia o nosso artigo "O Tarot: Como Escolher um Baralho") e começar este caminho fascinante que é o mundo do Tarot.


"Em uma área encravada na zona rural do município de José de Freitas, interior do estado do Piauí, no nordeste brasileiro, a Vila Pagã é uma comunidade formada por colonos pagãos, reunidos em prol do desenvolvimento social e econômico da região, com o objetivo de preservar as tradições pagãs na atualidade."

Localização: Munícipio José de Freitas, Piauí, Brasil
Coordenadas: 4°52'57.5"S 42°41'27.7"W
Contacto: rafaellugh@gmail.com Rafael Nolêto (Coord. Vila Pagã/ Administrador Geral VP)
Site Oficial: http://vilapaga.blogspot.pt/
Página de Facebook: https://www.facebook.com/pg/VilaPaga/

A Vila Pagã é um local de destaque no Paganismo brasileiro e creio que merece lugar aqui no nosso blog! Fundada e criada por Rafael Nolêto (fundador do antigo Jornal "O Bruxo" que muitos conheceram) a Vila encontra-se no nordeste brasileiro, no estado do Piauí numa zona rural do município José de Freitas e é constituída por sete hectares. O acesso ao local é bastante fácil e conta com visitantes tanto brasileiros como internacionais. Apesar de partes da Vila ainda se encontrarem em construção a mesma já está aberta ao público para visitar e é local de organização de vários eventos, incluindo alguns abertos ao público em geral! Na página de Facebook, inclusive, temos a listagem de algumas celebrações como as recentes Celebração da Festa das Almas 2016 e a Celebração da Festa da Carnaúba 2016, entre muitas outras organizadas no passado desde 2014!

Esta colónia tem várias missões sendo que as principais são a integração dos pagãos e a preservação cultural da tradição pagã local, denominado Paganismo Piaga. O culto a divindades deste ramo do Paganismo, celebrações do mesmo e costumes estão muito presentes em toda a Vila, tanto a nível decorativo e estético como também a nível dos eventos e celebrações realizadas no local. Este detalhe, o foco no culto das tradições locais, é de louvar pois não só permite a difusão de conhecimento sobre tradições e culturas já quase esquecidas mas também reaviva a chama de culto a Divindades e o estudo e paixão pela área onde se vive e de onde são as raízes de cada um.

O fundador, coordenadores e o conselho de secretários da Vila definiram como bases do projecto da Vila Pagã os seguintes pontos importantes: 
  • A valorização do culto Piaga;
  • O respeito ao meio ambiente;
  • O incentivo ao empreendedorismo, como factores fundamentais para a consolidação da economia, sustentabilidade e organização ideológica da comunidade.
A Vila é um espaço que tem como pilares o desenvolvimento da espiritualidade, da ecologia e da integração social. Este é um espaço simplesmente fantástico e recomendo a leitura atenta do site oficial e, em destaque, a página de Princípios onde podem verificar todos os princípios que regem o funcionamento desta comunidade pioneira no Paganismo Brasileiro que luta por uma comunidade pagã inclusiva, sem dependências, harmoniosa e onde o culto aos Deuses e o trilho pagão sejam caminhos a seguir para o desenvolvimento pessoal e a felicidade de cada um.

Por fim, a bandeira da Vila Pagã, conforme mostra na imagem abaixo, tem o seu próprio simbolismo e, como indica no site oficial (pois quem melhor do que quem criou a explicar?):


"As folhas representam as vertentes pagãs, que apesar das diferenças, são unidas por um mesmo galho (ou seja, as características básicas do paganismo), disposto como uma coroa de louros, simbolo da vitória e da cultura clássica pagã. O pentagrama aqui simboliza o próprio homem, com o pensamento conectado ao poder divino, com os braços abertos para abraçar o conhecimento, e com os pés firmados no chão, ou seja, consciente de seu papel na Terra, como um instrumento divino. Além disso, também representa a magia da natureza e dos quatro elementos básicos, em equilíbrio com o espírito."

Por isso já sabem: Se estiverem de visita pelo Brasil ou pelo estado de Piauí contactem a Administração da Vila Pagã e façam uma visita a este espaço fantástico, único no Brasil e raríssimo de encontrar no mundo de hoje. Dedique algum do seu tempo a explorar novos caminhos do Paganismo e novos locais, conhecer novas culturas e novos espaços. Visite a Vila Pagã e conheça um local inesquecível. 
Pixabay (art-of-joan)
Uma das principais questões para quem está a começar a trabalhar com o Tarot é qual o baralho escolher e como escolher um baralho. Este artigo tem como objectivo responder a estas questões e ajudar quem está à procura de um baralho, seja ele o primeiro ou apenas mais um para a colecção!
Existem vários pontos a ter em conta quando adquirirmos um baralho para trabalhar com ele, que são:

  • Siga a Intuição
  • Tradicional ou Moderno?
  • Veja a Arte dos Baralhos
  • Tamanhos
  • Iniciante ou Experiente?
  • Qual o uso para o Tarot?
  • Qualidade e Preço
Vamos analisá-los um a um.

  • Siga a Intuição
Esta é a forma mais certa de ter um baralho com o qual se goste de trabalhar. Por exemplo, no meu caso, é raríssimo arranjar um baralho com o qual eu consiga trabalhar porque não me identifico com as cartas e detesto ter de andar a ler o "livrinho" cada vez que faço uma tiragem até porque acabo por ter dificuldade em decorar os significados. Mas há um baralho que, para mim, é instantâneo que é o Pagan Tarot. Eu lanço e sei logo, só de olhar, ler exactamente o que está lá. Tive uma conexão imediata com este baralho e consigo trabalhar rapidamente e eficazmente com ele. Mas, por exemplo, se tiver de usar um Baralho de Marselha não consigo, simplesmente não dá.

A ligação com o nosso baralho é essencial pois permite-nos um trabalho mais fluído e mais ligado ao próprio Tarot. Ao invés de se tornar um lançamento torna-se uma conversa entre nós e o baralho, como se ele tivesse vida própria, personalidade própria e nos aconselha-se. Eu considero o meu Tarot um "amigo conselheiro" pois estabeleci um fantástica ligação com ele, dada a conexão que tenho o baralho.

Veja vários baralhos (existem sites como Aecletic Tarot que permitem investigar os baralhos existentes e até ter uma pré-visualização das cartas que fazem parte do mesmo) e veja qual lhe atrai mais, qual chama mais a atenção. Depois investigue sobre esse baralho e se realmente sente a ligação com ele. Caso sinta, força nisso então!

  • Tradicional ou Moderno
 Outro passo importante é entender que tipo de baralho quer. Algo mais tradicional como o Rider Waite ou o Tarot de Thoth? Ou talvez até o Tarot de Marselha? Ou será que prefere algo mais moderno como o Tarot das Fadas ou o Tarot Pagão? Existem imensos decks hoje em dia no mercado, alguns mais tradicionais com imagens clássicas (cavaleiros, símbolos medievais e antigos, etc.) e imagens mais modernas (carros, computadores, etc.). Um dos pontos principais é também estabelecer com o que se sente mais confortável: moderno ou tradicional? Investigue os tarots e as suas imagens para entender qual a sua preferência.

  • Veja a Arte dos Baralhos
No seguimento do ponto anterior é importante também gostarmos da arte dos nossos baralhos. Há quem tenha, por exemplo, vários baralhos com diferentes usos para cada um deles. O de Thoth para auto-conhecimento por exemplo. O de Marselha para adivinhação. O das Fadas para ligação com o povo das Fadas. É importante gostar da arte do nosso baralho, dos desenhos e do trabalho do artista que dedicou tempo a personalizar e criar aquelas imagens.

  • Tamanhos
Sei que este ponto pode parecer estranho para alguns mas existem vários tamanhos de baralhos. Por exemplo, no meu caso, tenho o Pagan Tarot em duas versões: uma versão pequena (versão de bolso) para quando vou viajar ou para algum sítio que queira levar o baralho de forma discreta e tenho a versão em tamanho grande, normal, para estar no meu altar e para trabalhos mais complexos ou sessões mais aprofundadas e localizadas. Existem diversos tamanhos de baralhos e até da espessura do material de que é feito as cartas. É importante garantir que o tamanho do baralho é um tamanho ao qual nos adaptamos pois é fulcral que consigamos baralhar as cartas sem que elas saltem ou caiam (no meu caso demorei imenso tempo a habituar-me à versão grande do meu baralho pois já estava tão acostumada ao versão de bolso).

  • Iniciante ou Experiente?
Para quem está a começar é importante ter em conta o tipo de baralho que está a escolher. Como falado no Thoth vs Waite o baralho de Thoth, por exemplo, é um baralho bastante complexo para quem está a começar. Por vezes é preferível escolher um baralho mais simples ou até que venha com um bom livro a acompanhar de forma a se iniciar no trabalho com o Tarot. O começo da aprendizagem do Tarot com um baralho mais complexo pode levar a uma frustração e eventualmente a desistir do trabalho com a arte do Tarot ou até a nunca mais decidir pegar no baralho devido à primeira má impressão. Tenha sempre em conta a complexidade do baralho, é preferível começar com um simples e mais tarde avançar para algo mais avançado, se assim desejar.

  • Qual o uso para o Tarot?
Como falei à pouco há quem tenha vários baralhos para diversos usos e há quem use apenas um baralho para várias coisas. É importante, ao escolher o baralho, saber qual o uso que vamos dar e adaptar o baralho ao respectivo uso. É um baralho para melhorar a ligação com um Elemental específico, para comunicação com esse elemental? Então talvez seja preferível escolher um baralho cujas imagens e Arte esteja, de alguma forma, relacionada com este uso. O uso será mais dedicado ao auto-conhecimento e desenvolvimento próprio? Algo mais semelhante ao Tarot de Thoth ou um baralho mais abstrato poderá ser o ideal. E se for para previsões e consultas? Algo mais claro e com o qual consigamos ler claramente as suas mensagens. Adapte sempre o tipo de Tarot ao uso que lhe está a dar ou, se preferir, escolha um baralho que lhe chame mais a atenção e com o qual mantenha uma ligação mais profunda e adapte a sua prática a ele, no que precisar de o usar claro.

  • Qualidade e Preço
Por fim, a qualidade é essencial num baralho, principalmente se queremos que ele seja utilizado durante bastantes anos. Mais vale pagar um pouco mais e ter um baralho de boa qualidade e que dure longos anos do que pagar pouco por um baralho cuja qualidade faça com que se deteriore em poucos anos ou até meses! Investir num bom baralho é sempre algo ideal, ainda mais no começo. Confirme bem onde faz a compra e que o vendedor é de confiança, leia críticas e avaliações ao produto antes de comprar caso seja online ou, se for numa loja física, toque nas cartas e veja a espessura da página, a qualidade do material, etc. Garanta que é uma compra que valha a pena. Após adquirir o Baralho confirme que o guarda num local seguro e sem humidade. Se possível arranja até uma bolsa ou uma caixa para o guardar, a manutenção é a chave para um baralho duradouro.

No fim a escolha é sempre sua. Escolha de forma informada e decidida e, acima de tudo, escolha o que for melhor para si, aquele que sentir ligação e sentir que é o ideal para o uso destinado. Há imensos baralhos à venda é uma questão de começar e escolher o baralho (ou baralhos...) certo para si! :)
Pixabay (_Alicja_)
A história do Tarot é complexa e confusa sendo que as suas origens são meio complicadas de traçar. Hoje vamos falar um pouco sobre a História do Tarot para que tenhamos uma ideia de onde vem esta prática. Não é obrigatório o praticante saber exactamente a história do Tarot mas... saber não ocupa lugar, pois não? :)

As cartas de jogar surgiram pela primeira vez no século XIV na Europa com os naipes Paus, Ouros, Espadas e Copas que ainda hoje são usados como naipes nas cartas de jogos em Portugal, Itália e Espanha e são muito semelhantes aos naipes dos baralhos de tarot. O primeiro baralho registado remonta ao período entre 1430 e 1450 em Milão, Ferrara e Bolonha quando cartas com desenhos foram adicionadas aos baralhos tradicionais. Estes novos baralhos eram chamados de "Carte da Trionfi" ou seja Cartas do Triunfo e encontram-se registadas em documentos de tribunais datados de 1440. Os baralhos mais antigos encontrados são de uma família chamada Visconti-Sforza e são considerados os antepassados dos actuais baralhos de Tarot. Acredita-se que estes baralhos foram originalmente criados apenas como método de diversão para a nobreza italiana e não como método divinatório, sendo que inclusive eram retiradas cartas dos baralho (como a Morte, o Diabo e a Torre) que eram consideradas ofensivas e quase fizeram com que os baralhos fossem banidos pela Igreja!

Os primeiros tarot eram feitos à mão e, como tal, eram em números muito reduzidos sendo que o baralho mais famoso que sobreviveu desta época foi o Tarot de Marselha que ainda hoje é utilizado por praticantes. Também o baralho associado à familia Visconti-Sforza sobreviveu até aos dias de hoje estando guardado num museu. A primeira menção de cartas pintadas com desenhos é entre 1418 e 1425 em que é descrito, por Martiano da Tortona, um baralho com 16 cartas com Deuses Gregos e a naipes a representar quatro tipos de pássaros. Mais tarde foram adicionados motivos às cartas relacionados com filosofia, sociedade, política e astronomia.

O nascimento do Tarot como método divinatório é associado a Antoine Court de Gélebin em 1781 em que o mesmo defendia que a origem dos tarot era egipícia e que as representações nos Triunfos eram referentes ao conhecimento perdido do Deus Egípcio Thoth. Foi a partir deste momento que as pinturas e desenhos das cartas foram evoluindo e novos símbolos adicionais às mesmas. Acredita-se que muitas das mudanças nas cartas foram feitas pelas sociedades secretas que produziam os baralhos. Porém o primeiro uso das cartas como método divinatório ficou também associado a Jean-Baptiste Alliette, mais conhecido como Etteilla em 1770. Foi o primeiro a publicar o significado divinatório das cartas (e apenas trinta duas cartas com mais uma à parte) foram incluídas na edição. Mais tarde foram introduzidas mais cartas que dariam origem aos baralhos de Tarot actuais.

A ideia de que a origem do Tarot seria egípcia manteve-se e foi desenvolvida ao longo dos tempos e nem a descoberta da Pedra de Roseta impediu esta teoria que veio ainda ser mais alimentada com a ideia de que o povo Romani ("ciganos") seriam originários do Egípto e tinham trazido o Tarot com eles para a Europa. Só mais tarde, já no século XIX, com Eliphas Lévi é que foi estabelecida a ligação entre o Tarot e a Kabbalah: O sistema Hebreu de Misticismo. Isto originou uma nova crença que a origem do Tarot estaria em Israel e que continha a informação da Árvore da Vida e que cada carta seria uma chave de acesso ao conhecimento. A posição do Tarot ao longo do século XIX e XX foi assegurada por várias ordens como a Theosopical Society, a Hermetic Order of the Golden Dawn, a Rosa Cruz, a Church of Light e Builders of the Adytum. Com o começo da exploração da Espiritualidade em 1960 o lugar do Tarot ficou garantidamente assegurado nos Estados Unidos da América e tornou-se famoso como é hoje!

É de recordar que hoje em dia o formato de tarot mais conhecido é o Rider Waite (conforme falado no nosso artigo "O Tarot: Thoth vs Waite") que veio marcar o Tarot, tornando-se o formato mais conhecido e usado do século sendo rico em simbolismo e fácil de compreensão dada a natureza da sua arte e símbolos.

Assim sendo vemos que as origens do Tarot são complicadas e confusas e muitas teorias existem sobre a sua origem e ensinamentos mas, o que interessa acima de tudo, é o que nós próprios aprendemos com as cartas pois o Tarot não serve só como método divinatório mas também como método de auto-conhecimento e de aprendizagem. O que será que o Tarot tem para nos ensinar, ao longo do nosso caminho? 
Pixabay (AlbanyColley)
Hoje vamos falar de dois dos principais baralhos utilizados no Mundo do Tarot: O Baralho de Thoth e o Baralho de Rider-Waite. Ambos são parecidos e são parte do Tarot mas, ao mesmo tempo, têm as suas diferenças e influenciam a forma como outros baralhos são criados. Os nomes das cartas neste artigo são referidas em inglês dado esta ser a língua de origem de ambos os baralhos.

Comecemos por falar do Baralho de Rider-Waite, por ser o mais antigo:

Este baralho foi publicado pela primeira vez em 1910 e é um dos baralhos mais conhecidos sendo que o seu formato e sistema são utilizados para a criação de muitos outros baralhos como o Pagan Tarot, Universal Tarot, Vikings Tarot, etc. Este baralho também é conhecido como Rider-Waite-Smith (às vezes é utilizado o diminuitivo RWS), Waite-Smith ou apenas baralho Rider. As cartas foram desenhadas pela ilustradora Pamela Colman Smith a partir das instruções do místico A. E. Waite (membro da Golden Dawn). Juntamente com o baralho, Waite também criou o livro "Pictorial Key to the Tarot" um livro-guia para este baralho e utilizado como orientação por muitos praticantes. Segundo se diz a inspiração para este baralho veio, em parte, do Sola-Busca Tarot (Norte de Itália em 1491), o único baralho conhecido até à data.

As cartas do Rider Waite, apesar de simples, estão carregadas com simbolismo em pequenos detalhes e, principalmente, no fundo da imagem. Alguns nomes das cartas foram mudados do que era utilizado até então ("Pope" passou a "Hierophant" e "Papess" mudou para "High Priestess") sendo essa uma característica deste baralho. A sua arte e simbolos foram inspirados principalmente pelo trabalho de de Eliphas Levi, um ocultista famoso por pelo seu trabalho com a magia cerimonial e autor de livros como "Dogma e Ritual de Alta Magia".

Os Arcanos Maiores seguem os nomes tipicamente conhecidos como:


E os Arcanos Menores encontram-se divididos em quatro Naipes: Wands, Pentacles, Cups e Swords sendo que as suas respetivas cartas têm os nomes associados ao naipe a que pertencem como "Three of Wands", "Page of Pentacles", "Queen of Cups" e "Six of Swords".

Seguem algumas imagens do baralho de Rider Waite:


Falemos agora do Baralho de Thoth:

Este baralho foi criado entre o período de 1938 e 1943 por Aleister Crowley (um ocultista inglês famoso por ter sido o autor de livros como "The Book of Law" e ter sido o fundador da Thelema e, à semelhança de A. E. Waite também membro da Golden Dawn). Este baralho foi pintado por Lady Frieda Harris, a pedido de Crowley, e o próprio ocultista referia-se a ele como "O Livro de Thoth" tendo até escrito um livro com esse título com o propósito de ser usado juntamente com o baralho.

Uma das principais diferenças entre o Baralho de Rider Waite e o Baralho de Thoth é que no Baralho de Thoth a Justiça é a carta número 8 e a Força é a número 11 enquanto no Rider-Waite estas posições são invertidas. Esta é umas das características que influencia a forma como o tarot é lançado (dado que a carta que vem a seguir à Roda representa a forma como o Karma é visto e isto varia dependendo da carta que vem a seguir) e também porque é uma diferença visual bastante grande e que tem impacto na forma como o praticante lida com o baralho. Falemos de outras diferenças entre os dois baralhos, como por exemplo, o nome de algumas cartas:


Também a nível do título dos naipes existem algumas diferenças entre os dois tipos de baralhos:


A nível dos Arcanos Menores existem diferenças principalmente na forma como os mesmos são nomeados. Enquanto nos baralhos que sigam as estrutura de Rider-Waite e no próprio Rider Waite os Arcanos menores são sempre nomeados face ao Naipe a que pertencem (como referido em cima) no baralho de Thoth o mesmo não acontecem. Como podem verificar na tabela em baixo existem diferenças entre as formas de nomear os arcanos menores e até no nome dos próprios naipes:

  • Wands

  • Cups

  • Swords

  • Disks (o equivalente a Pentacles)

Seguem algumas imagens de cartas do Baralho de Thoth:



Qual Escolher?
Bem, para começar, nem é obrigatório escolher! Qualquer praticante pode ter mais do que um baralho e usá-los para cada uso que pretender. Porém quando estamos a começar eu creio que o mais fácil a ser utilizado será o de Rider-Waite pois é mais claro e mais prático. As coisas estão definidas, o livro que o acompanha é simples e claro e cada carta tem a sua correspondência prática sendo que o próprio livro pode ser usando durante as consultas até se adaptar. Ao invés de que o Tarot de Thoth será mais adequado a um praticante mais avançado pois implica um conhecimento mais profundo e mais intuitivo.

Claro que há muito mais a dizer sobre cada Baralho, ambos são complexos e detalhados. Cada carta tem o seu significado e esse significado varia de baralho para baralho, até em baralhos que sejam baseados no Rider Waite ou no Thoth. Aconselho sempre a lerem bastantes livros sobre os Baralhos principalmente se o Baralho que usam tem um livro associado (como é o caso de ambos estes baralhos). Ler e praticar, criar ligação com o baralho através de meditações e de muito uso é o melhor a fazer para garantir que a técnica é bem desenvolvida e que aprendemos e estabelecemos ligação com o nosso baralho pessoal. Afinal de contas é essa ligação que será a chave para o que o Tarot nos tem para ensinar.
Pixabay (MiraCosic)

O tarot é um conjunto de 78 cartas, constituídas por 22 arcanos maiores e 56 arcanos menores. Existem diversos baralhos com diferentes designs e estilos, existem os tradicionais, modernos, etc. A escolha do baralho depende do praticante. Se seguir alguma corrente especifica de Tarot ou de trabalho Mágico poderá ter de utilizar um baralho específico para o seu trabalho mas, enquanto solitário, poderá utilizar qualquer baralho. Aconselho sempre a que seja escolhido o baralho com o qual tem mais ligação, que mais atraí. Não escolha apenas porque é bonito ou barato ou caro, escolha algo que fale consigo, que estabeleça uma ligação. Esse será o melhor baralho para trabalhar.

A forma de lançamento também poderá variar dependendo dos métodos utilizados (há quem utilize as cartas invertidas, quem use apenas os arcanos maiores, quem use só os arcanos menores, etc). O método e a forma a usar será uma questão de tentativa e erro até encontrar aquilo com o qual se identifica e que faz sentido para si.
Comecemos pelas cartas. Um baralho de Tarot costuma ter 78 cartas (22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores). Os Arcanos Maiores são:

0 - O Louco
1 - O Mago
2 - A Sacerdotisa
3 - A Imperatriz
4 - O Imperador
5 - O Hierofante
6 - Os Enamorados
7 - O Carro
8 - A Força
9 - O Eremita
10 - A Roda da Fortuna
11 - A Justiça
12 - O Enforcado
13 - A Morte
14 - A Temperança
15 - O Diabo
16 - A Torre
17 - A Estrela
18 - A Lua
19 - O Sol
20 - O Julgamento
21 - O Mundo

Nota: Nos baralhos baseados no Baralho de Tarot Waite a Justiça e a Força são invertidas sendo que nos métodos mais antigos (associados à tradição de Thoth) a Justiça ocupa o lugar número 8 e a Força ocupa o lugar número 11. A diferença reside nas duas escolas de Tarot baseada no Baralho de Thoth e a baseada no Baralho de Waite.

Os Arcanos menores são constituídos por 56 cartas divididas entre quatro naipes: Paus/Bastões, Espadas, Copas/Cálices e Ouros/Pentáculos, conforme mostra o quadro abaixo:


O nome de algumas cartas dos arcanos menores, tal como o nome dos naipes, poderá ser adaptado de baralho para baralho. Alguns baralhos utilizam nomes mais pagãos como Elders e Iniciates para algumas das cartas.
Um ponto importante a ter em consideração durante o estudo do Tarot é a diferença entre várias artes semelhantes ao Tarot mas que não são Tarot tal como os Oráculos, Baralhos dos Anjos e Lenormand. Abaixo uma breve definição de cada um destes métodos que, posteriormente, terá direito a um artigo próprio no nosso site:

  • Tarot: Um tarot tem a estrutura específica de 72 duas cartas divididas entre Arcanos Maiores e Arcanos Menores. É possível os nomes das cartas dos Arcanos Menores (e até maiores) serem mudados ao gosto do artista porém a estrutura mantém-se a mesma tal como os significados e mensagens.
  • Oráculos: Um baralho de oráculo é algo muito mais fluído e que pode depender do próprio artista. Existem baralhos de oráculos com 52 cartas, com 68 cartas, etc. Por norma os mesmos vêem acompanhados de livros e manuais que auxiliam o praticante a entender o significado de cada carta.
  • Baralhos de Anjos: Tal como os oráculos, os Baralhos de Anjos dependem do próprio criador (sendo que os mais famosos são os da Doreen Virtue) e o seu significado irá depender também do próprio artista, costumando vir acompanhados de um pequeno livro de instruções. É um método mais voltado para mensagens de apoio e de orientação e não tanto voltado para a vertente divinatória.
  • Lenormand: Este é um método em que os baralhos são constituídos por 36 cartas com imagens simples e com significados muito específicos (o oposto do Tarot, cujas cartas deixam um pouco à corrente de quem está a ler e são adaptáveis a cada situação). É um método específico e com aprendizagem diferente do Tarot normal.
Ao longo das próximas semanas iremos disponibilizar artigos referentes aos seguintes temas:

  • O Baralho de Thoth vs O Baralho de Rider-Waite
  • A História do Tarot
  • Como Escolher um Baralho
  • Métodos de Lançamento de Tarot
  • Os Arcanos Maiores (incluindo um artigo para cada arcano maior)
  • Os Arcanos Menores (incluido um artigo para cada naipe de arcano menor)

Estejam atentos e não percam esta série de artigos fascinantes!
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🌞 O Sol 🌞

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Este trabalho é dedicado às Senhoras Ἑκάτη (Hekate) e Περσεφόνη (Persephone)

Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0