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Sob o Luar

XVII - A Estrela

Nome do Arcano: A Estrela
Número: XVII
Descrição: No baralho de Rider-Waite a carta da Estrela é representada por uma mulher nua de joelhos perto de um pequeno lago/poça. Ela tem na mão dois recipientes, um de onde coloca água no pequeno poço e outro onde coloca para a terra, divindindo em em três pequenos rios. Ela tem um pé no chão e um pé na água e está nua. Atrás dela, brilha uma estrela grande em tons amarelos e sete estrelas pequenas brancas. *
Símbologia: No Arcano da Estrela temos uma mulher nua ajoelhada junto a um pequeno lago. A sua nudez representa a sua vulnerabilidade e a sua pureza debaixo do céu estrelado. Um dos seus pés está na terra, mostrando-nos o seu equílibrio interior e ligação à terra enquanto o pé na água representa a intuição e a voz interior, e a sua capacidade de estar ligada ao que o seu interior diz e orienta. Os dois recipientes na sua mão representam o consciente (o da mão direita) e o subsconsciente (o da mão esquerda) sendo que o que está a ser deitado para o lago representa a nutrição da terra e a continuidade do círculo da fertlidade (vista nos campos verdes em redor do pequeno lago) e o que está a ser deitado para a terra, e dividido em cinco rios, representa os cincos sentidos que são alimentados por esta acção. 

Significado:
  • Posição Normal
Na sua posição original a carta da Estrela vem representar a tranquilidade e as melhorias após um momento díficil (na ordem dos Arcanos, vem logo a seguir à Torre). Esta carta vem representar uma sensação de esperança e fé renovada, nomeadamente uma maior ligação ao Divino e ao Espiritual, quer dentro de nós quer em nosso redor. É um momento de maior equílibrio interior, de maior satisfação e conhecimento pessoal e espiritual e de estabilidade a nível emocional e psicológico. É uma carta de recuperação e de redescoberta pessoal, seja a nível das nossas sensações internas, pensamentos, crenças e pontos de vista mas também da vida em nosso redor. Podem estar a ser feitas mudanças importantes na nossa vida e estamos cheios de esperança e optimismo para estas mudanças e a Estrela vem fomentar esse optimismo. Este arcano é uma excelente representação do ditado "ano novo, vida nova", ou seja, que devemos apostar nas mudanças positivas que queremos implementar na nossa vida para estar em maior equílibrio connosco mesmos. 

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta da Estrela significa exactamente o oposto da sua posição normal. Nesta posição, ao invés do encontrar de um equílibrio e de uma melhoria interior, falamos da perda de esperança e de conexão com o Universo e com o Divino. Sentimo-nos perdidos e sem saber para onde nos virar e para onde recorrer. Estamos desligados da nossa vida, da nossa rotina e daquilo que nos é importante e que nos faz bem. Esta carta, nesta posição, urge-nos a parar, focar em nós mesmos e tratar de nós ("self-care") para que possamos voltar a encontrar o ponto de equílibrio necessário para seguir em frente na nossa jornada da vida. É necessário parar, recalibrar e conseguir chamar para nós os pontos positivos da carta da Estrela. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
Unsplash (Heather Mckean)

O tópico de hoje é inspirado num vídeo da TCS sobre "Deuses de Prateleira", um tema que adquiri após ouvir eles falar e ver o vídeo deles em 2015 e que tem vindo a fazer parte do meu vocabulário e que acho importante refrescar a memória sobre ele. Aconselho também a verem o vídeo deles e os restantes vídeos que fazem parte do canal, porque são excelentes recursos. 

O que são, então, Deuses de Prateleira? O nome de Deuses de Prateleira vem do facto de que muitos praticantes, principalmente quem está a começar no caminho, tem tendência a ver os Deuses como ferramentas para determinados objetivos e a colocar os mesmos dentro de caixinhas como "Deusa do Amor", Deus da Guerra", Deusa do Casamento", "Deusa da Vida Selvagem", etc. Esta simplificação das divindades leva a que os mesmos sejam vistos apenas como meras ferramentas e não como divindades inteiras com mitos, características, personalidades, etc. 

Isto faz com que, muitos praticantes, quando estão a iniciar as suas práticas acabam por utilizar diversos Deuses para certos rituais e feitiços. Ou seja acabam por usar os Deuses como se eles fossem frascos numa prateleira. Para feitiços de amor chamam Afrodite, para feitiços de sabedoria chamam Atena e por aí fora, dependendo da sua necessidade, chamando pela divindade única e exclusivamente para aquele trabalho, descartando todas as outras suas características e até o respeito pela própria divindade em si. 

Ao trabalharmos com uma divindade a longo prazo, seja a nível de um Sacerdócio ou até a nível meramente devocional, estamos a estabelecer uma relação com aquela divindade e essa relação vai além das suas características. Ou seja, Hekate pode ser uma Deusa ligada à Magia, aos Caminhos, às Encruzilhadas e aos Portões (entre outros) e não ter qualquer relação com o campo amoroso ou com o campo das relações amorosas. Contudo, como devota de Hekate, nada me impede de recorrer à divindade com a qual tenho uma melhor e maior ligação para pedir auxílio no campo amoroso. Os Deuses não podem ser limitados pelas suas características nem devem ser vistos como apenas ferramentas para um determinado propósito. Não só estabelece uma péssima relação com as divindades mas também uma falta de respeito para com os mesmos. 

Vejamos neste prisma: Temos um amigo que é informático. Mas ele é nosso amigo, certo? Não recorremos a ele apenas para questões de informática. Não colocamos os nossos amigos ou familiares em caixas dependendo das suas habilidades ou profissões de forma a que possamos recorrer aos mesmos dependendo do que necessitamos. Claro que podemos pedir ajuda aos mesmos, mas não vamos apenas chegar ao pé deles, sem estabelecer qualquer tipo de relação ou amizade, e pedir coisas pois não? Se temos um primo que é médico mas com quem não falamos à anos (ou até, com quem nunca falámos) não vamos correr ter com esse primo à mínima dor no joelho pedir ajuda e depois desaparecer sem voltar a referir palavra, certo? O mesmo ocorre com os Deuses. 

Não podemos correr as divindades como se fossem Deuses de Prateleira, apenas recursos a ser utilizados e descartados quando já não há necessidade dos mesmos. Devemos vê-los como entidades e divindades inteiras, com as suas características, personalidades, correspondências, mitos e história e respeitá-los. honrá-los e trabalhar ou dedicar àqueles com os quais nos sentimos mais ligados e realizar trabalho com essas divindades. Não significa, é claro, que para coisas específicas não possamos pedir ajuda a divindades com as quais não temos uma relação tão frequente. Nada disso! É claro que podemos alargar os nossos horizontes para outras divindades fora do nosso círculo pessoal, contudo, devemos fazê-lo com respeito e conhecimento e não apenas como quem vai buscar as especiarias ao armário e volta a colocar no sítio, esquecendo-se que elas existem. 

E vocês? Qual a vossa opinião? 
Capas dos Livros
Título: Llewellyn's Witches' Companion
Autor(es): Vários, editado por Llewellyn
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Um guia indispensável que é lançado todos os anos com textos de autores proeminentes nas comunidades do Paganismo e da Bruxaria, com temas que estão no centro das nossas comunidades em cada ano. Desde textos sobre práticas mágicas, dicas para o quotidiano, questões sociais e políticas, questões pessoais, inspirações, receitas e muito mais, estes são livros para nos acompanhar ao longo do ano e permitir uma visão do ano dentro das comunidades pagãs. 
Onde Comprar*: Wook
Análise: À vários anos que sou grande fã destes Companions e reparei recentemente que nunca falei deles aqui no blogue e bem, não pode ser! 

A Llewellyn é uma editora bastante conhecida a nível do Paganismo e Bruxaria, tendo já lançado diversos autores e livros relacionados com as nossas comunidades. E, à mais de dez anos, que publicam anualmente diversos livros para as comunidades como os Almanaques, Moon Signs, Sun Signs, Spell-a-Day, Calendários, entre muitos outros recursos. Um dos recursos que mais gosto destas publicações anuais é o Witches' Companion. 

O Witches Companion é um livro lançado todos os anos e que conta com um enorme leque de artigos por membros das nossas comunidades tais como Storm Faerywolf, Thorn Mooney, Deborah Lipp, Jason Mankey, Tess Whitehurst, Raven Digitalis, entre outros. Desde tópicos relacionados com o estado da nossa sociedade e das nossas comunidades, relacionados com prática de certos tipos de Bruxaria ou de certas práticas, dicas para culinária e práticas mágicas e até informações e textos sobre espiritualidade. São variados os tipos de conteúdos que conseguimos ter acesso neste livro que vende a um preço extremamente acessível em plataformas como o BookDepository e Amazon. 

Para além destes textos fantásticos, o livro conta também com um calendário e recursos para a prática pagã. Na minha opinião, este livro complementado com o Magical Almanac (também da Llewellyn e que espero abordar no blogue brevemente) são dois livros essenciais para o correr do ano, principalmente para quem gosta de se manter ligado às comunidades e às temáticas que vão sendo abordadas. 

Este é, para mim, um excelente recurso para todos os Bruxos e Pagãos que gostam de se manter informados e reflectir sobre assuntos importantes para as nossas práticas. O de 2021 já se encontra disponível para comprar no Book Depository e na Amazon, tal como os outros outros Almanaques para trás. Que me dizem? Vão experimentar? 

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 

Unsplash (Nayanika Mukherjee)

Hoje trago um tópico que sinto que deve ser abordado e que é um tema importante de falar abertamente nas nossas comunidades pagãs.  Vamos então começar a falar deste tema díficil, que já foi abordado parcialmente no artigo dos Os Cuidados nas Comunidades Pagãs.

É expectável que todos os praticantes, mais cedo ou mais tarde, se deparem com (pseudo e auto-proclamados) "Mestres" que prometem resolver todos os nossos problemas, ensinar-nos tudo o que sabem e elevar-nos a grandes alturas de conhecimento e domínio de nós próprios (e até de outros!). Através de falas mansas, um discurso carismático e promessas vazias, estas pessoas são excelentes a manipular outros e a convencer quem quiserem de que não só têm uma enorme fonte de poder (muitas vezes, argumentada como sendo hereditária de uma tradição familiar que, coincidentemente, não tem como ser comprovada dado que o familiar já morreu) e que estão dispostos a ensinar-nos este conhecimento secreto. Muitas vezes, em troca de algo. Seja favores monetários, sexuais ou até de trabalhos a serem realizados, estes predadores aproveitam-se daqueles que querem obter conhecimento para manipular e abusar das pessoas. 

Promessas como conhecimentos secretos, participação em tradições hereditárias antigas (muito embelezadas com histórias de práticas dos seus avós e bisávos em rituais pagãos orgiásticos em pequenas aldeias), utilização de informação obtida online, utilização de termos complicados que, para iniciantes, podem parecer legítimos (como misturas de informações relacionadas com Alta Magia ou Magia Cerimonial), entre muitas outras tácticas são formas como estes pessoas fazem-se parecer conhecedoras da Arte e de confiança. Muitas vezes, estas pessoas trabalham em grupos, recrutando pessoas e convencendo essas mesmas pessoas a recrutar outras. Afinal, quantos Mestres destes é que não se encontram rodeados por um aparente grupo de devotos que os seguem de forma cega e inquestionável? Homens que se dizem Sacerdotes e Anciões  que insistem em iniciar jovens mais novas e inexperientes (senão completamente desconhecedoras de outra prática mágica que não a do "Mestre")? Ou até o oposto, mulheres que se auto-entitulam Altas-Sacerdotisas que estão rodeadas de jovens inexperientes e impressionáveis que não questionam nem a sua autoridade nem os seu comportamento. Aliás, a maioria destas pessoas não estão inseridas nas comunidades pagãs. Este é um dos primeiros sinais. 

Um dos principais pontos importantes em entender quando estamos a escolher ou encontrar um grupo para nos inserirmos em termos de trabalhos mágicos é entender qual a relação deste com o exterior e as comunidades em redor. Mesmo em Portugal, em que as comunidades pagãs são escassas e distantes umas das outras, há sempre alguma ligação e todos conhecemos ou ouvimos falar uns dos outros. Por isso, é sempre importante falar com pessoas de fora e entender: Há alguma suspeita das actividades desta pessoa? A sua linhagem é confirmada ou é apenas indicada pelo próprio? As suas práticas são éticas? Nós enquanto comunidades temos o dever de nos proteger mutuamente e falar mais alto dos que os abusos. Numa época em que o #MeToo reina no Mundo também nós, nas comunidades pagãs, temos de falar bem alto e proteger os nossos membros destes predadores. 

Outro dos principais pontos e argumentos utilizados por estes elementos é o "secretismo". Ou seja, a tradição de que veêm é uma tradição secreta (muitas vezes hereditária) e não deve ser contado a ninguém! Nem a própria presença no grupo pode ser contada por causas dos "riscos para o grupo". A questão importante aqui é... Estamos em 2020. Não estamos em 1540 ou 1780 ou qualquer ano durante a Inquisição. Estamos em pleno século XXI e, honestamente, ninguém quer saber da religião de outras pessoas ou que as mesmas fazem na sua vida privada. Se o secretismo é importante em algumas tradições pagãs, devido aos seus mistérios? È. Se o mesmo deve ser utilizado como ferramenta de manter as pessoas isoladas das comunidades em seu redor e dos seus sistemas de apoio? NÃO! Eu irei abordar, num artigo futuro, a importância e o papel do secretismo nas comunidades pagãs e posterimente irei linkar o mesmo neste post, contudo, é preciso referir que o secretismo necessários nos caminhos pagãos não é o mesmo de à 400 anos atrás. Este secretismo deve ser o secretismo das práticas, ou seja, de quais os métodos de trabalho utilizados e quais os conhecimentos obtidos. Não o facto de alguém participar ou não de um grupo. Não podemos deixar que as vítimas de abuso sejam silenciadas com o argumento do "secretismo" dentro do Paganismo ou da Bruxaria. 

Outro indicador deste perfil predatório é a conspiração do mundo e de outros grupos ou pessoas que os perseguem e que lhes querem fazer mal, muitas vezes uma perseguição mágica que só eles sentem e que usam como motivo para proteger os devotos e o secretismo dos seus caminhos místicos. Usar um poder externo como ameaça constante ao grupo para manter o grupo controlado e para justificar o secretismo e os rituais de "protecção" ou "vingança" que precisam ser feitos (muitas vezes com diversos sacríficios por parte dos praticantes envolvidos). É a famosa táctica do "nós contra eles", utilizada dentro de um grupo pagão com o objectivo de manter o controlo dos envolvidos. Este discurso é também aproveitado para criar a sensação de "família" e fazer com que o "Mestre" tenha controlo e presença em todos os pontos da vida do praticante, inclusive as coisas fora do prisma religioso e mágico, ajudando a isolar ou impedir a ligação com as pessoas da vida do praticante que estão fora da comunidade (família, amigos, etc.). 

Isto vê-se também nas ameaças feitas se tentarem sair. Ao tentar abandonar estas pessoas há o confronto de que os praticantes estão a abandonar o Mestre ou Sacerdote e que há consequências. É muitas vezes utilizado o argumento de que o compromisso feito (através dos rituais de iniciaçãomuitas vezes apressados na entrada do grupo ou na relação com o Mestre) foi feito para a vida e é inquebrável, sendo que se for feita alguma tentativa de quebrar o mesmo, as consequências caem sobre o praticante com ameaças sobre as famílias e aquilo que os praticantes têm como de mais importante na sua vida. Este controlo e constante método de castigos e ameaças é uma das principais formas de manter o praticante dentro este círculo fechado. 

Os principais alvos destas pessoas são os iniciantes no Paganismo, dado que os mesmos têm poucos conhecimentos, a maioria tem poucos recursos (ou não sabe como utilizar os recursos que tem) e poucos contactos dentro das comunidades aos quais possam perguntar se o que está a acontecer é certo ou não. Moldar o pensamento de um iniciante é extremamente fácil, tal como levá-lo a acreditar que X e Y são as "verdadeiras" formas de praticar. Como falei no artigo de Prática Solitária e Prática em Grupo não há forma certa de praticar Paganismo e Bruxaria. Todas as formas de prática são válidas à sua maneira. 

Contudo, até os praticantes já com algumas experiência podem estar sujeitos a cair nestes cenários, daí eu querer falar abertamente sobre este tema. Precisamos de abertura nas nossas comunidades para evitar que estes comportamentos e estes predadores possam estar a magoar as pessoas que chegam ou estão no Paganismo e na Bruxaria. 

Pode parecer um comportamento muito parecido aos famosos "cultos" que ouvimos nos filmes e nos media mas é real e acontece mesmo debaixo do nosso nariz, sem sequer repararmos. E temos de chamar as coisas pelos nomes. Estas pessoas não são praticantes de Bruxaria e Paganismo. Não são caminhos dentro do Paganismo ou caminhos dentro da Bruxaria. São cultos abusivos e manipuladores e estas pessoas são predadores! E não podemos permitir a sua presença e os seus abusos nas nossas comunidades.  

A todos os iniciantes ou praticantes que possam estar nestas situações ou a entrar nas mesmas, as minhas palavras de apoio e conselho são as seguintes: 
  • Questionem tudo. Não tenham medo de fazer perguntas idiotas (aliás, se alguém vos fizer sentir mal por alguma pergunta que façam, é um sinal de que essa pessoa não é a certa para vos ajudar). Perguntem, questionem, duvidem, verifiquem online ou com outras pessoas, etc. Não tenham medo de verificar os conhecimentos e as informações que vos dão. Seja um autor famoso ou o vosso vizinho do lado, confirmem as informações que vos são dadas. Temos a internet ao nosso dispor e um enorme leque de recursos que nos podem ajudar. Adicionalmente lembrem-se que não existem verdades absolutas. 
  • Se não se sentirem confortáveis com algo não o façam. Conheceram alguém que vos diz que pode ensinar sobre Paganismo mas que vocês têm de ser iniciados sem roupas, mas vocês não se sentem confortáveis? Não o façam. Ninguém mas NINGUÉM vos pode obrigar a fazer algo que não querem, seja beber vinho, rituais em nú ou fazer uma dança. Seja o que for, se não se sentem confortáveis, não o façam. E se as pessoas disserem que, sendo assim, não podem fazer parte daquela tradição, óptimo. Vão se embora porque de certeza que aquele seria apenas o primeiro de muitos sacríficios que seriam obrigados a fazer. Há imensas tradições, caminhos e pessoas por esse mundo fora. Não tenham pressa para encontrar o sítio certo.
  • Se tiverem medo ou dúvidas, recorram a ajuda. Enviem e-mail para alguém que vocês conhecem ou até que seguem online. A maioria dos sites e organizações como a PF, FOI, etc disponibilizam contactos para ajudar e orientar quem precisa. No meu caso, disponibilizo o e-mail do ICT para ajuda e orientação e esclarecimentos de dúvidas (100% confidenciais). Posso também recomendar a Sacerdotisa do Templo Sumério de Inanna E-An.Ki que gere o Ecos - Comunidade Pagã e que pode ser contactada por e-mail (100% confidencial). Não tenham medo de questionar e perguntar se algo é normal. Mesmos que vos digam "isto não pode ser contado fora daqui", se sentirem medo ou dúvida, perguntem. Estamos aqui para ajudar, nunca para julgar. 
Este é um tema que é muito sensível para mim e planeio abordá-lo mais vezes. É preciso termos abertura e falarmos destas coisas nas comunidades, pois apenas expondo estas pessoas e as suas técnicas predadoras, podemos manter as nossas comunidades seguras. 

Vamos trabalhar para um Paganismo mais seguro! 

Notas: Obrigada às minhas irmãs da Arte a Alva Möre e à Joana Martins pela revisão e ajuda neste artigo que me é tão sensível. 
Unsplash (Wesual Click)

Hoje voltamos a falar sobre a Bruxaria de Cozinha e os Sabbats e vamos falar de Lughnasadh! 

Se quiserem saber mais sobre este festival temos um artigo aqui no nosso site sobre o mesmo!

Festival: Lughnasadh
Datas: 1 de Agosto (HN) ou 1 de Fevereiro (HS)

Lughnasadh é a polaridade de Imbolc pois enquanto em Imbolc lança-se as sementes, em Lughnasadh colhe-se os frutos. É um dos primeiros festivais das Colheitas e marca o fim do Verão e a chegada iminente do Outono. É um período marcado por altas temperaturas e o começo das colheitas nas quintas e plantações. Na Wicca é neste dia que o Deus Sol se transforma no Deus das Sombras e se sacrifica pela Terra. A Deusa possui o papel de Mãe mas prepara-se brevemente para o seu cargo como Anciã. Lughnasadh é um festival de origem celta, em honra do Deus Solar Lugh. Daí vem o seu nome “Lughnassadh” que é traduzido para “celebração a Lugh”.

Um dos principais símbolos deste primeiro festival das Colheitas é o pão. Com o início da colheitas dos cereais (trigo, milho, aveia, etc) nesta altura do ano, o fabrico do pão e do trabalho com estes cereais toma um lugar de destaque. Como tal, fazer o seu próprio pão e partilhar o mesmo com a família ou o seu grupo é uma excelente actividade para este festival. Não só é uma actividade relaxante e divertida de fazer em família (até com os pequenos!) mas também uma fantástica oportunidade de conexão com uma prática ancestral: a de fazer o pão, de fazer o nosso alimento. O pão é um dos marcos à mesa de várias civilizações e gerações. O fabrico do pão é uma arte ancestral que pode, e deve, ser honrada neste festival.

Pode aproveitar e usar este festival como uma forma de conhecer melhor o pão. Experimente fazer vários tipos de pão (pão de milho, pão de centeio, pão de mistura, etc) e ver quais as diferenças entre cada pão, como os mesmos são preparados, quais as energias com que pode trabalhar, etc. Adicionalmente, se quiser fazer um esforço adicional, pode investigar de onde vem o pão que compra no dia-a-dia e quais os seus ingredientes e tomar decisões conscientes para apoiar pequenos negócios e fabricantes e comprar pão que seja saudável e bom para o seu corpo e saúde. 

É também durante esta altura que pode, caso tenha jardim ou plantas em casa, começar a colher algumas ervas que utiliza na cozinha e começar a secá-las para usá-las em pratos e refeições durante o Outono e Inverno. Muitas plantas murcham durante o Inverno o que não nos permite utilizar as mesmas frescas nas nossas refeições (a menos que recorramos a plantas de interior ou de estufas). Como tal, esta é uma excelente altura para começar e colher e secar as plantas para usar nos nossos pratos culinários durante as estações que estão para vir. 

Outro dos alimentos que marca bastante este festival são as bagas como as amoras, framboesas e mirtilos. Pode aproveitar para comer as mesmas frescas ou fazer compotas e doces que vão durar as próximas estações para ter em casa ou, até, fazer compotas energizadas com amor e harmonia para ajudar em feitiços futuros ou a manter a tranquilidade no lar nos próximos meses. Não há nada melhor para acompanhar uma boa fatia de pão caseiro do que doce acabado de fazer das nossas bagas! E é também uma excelente actividade para fazer com crianças! 

Esta é uma celebração rica em diversas actividades e a primeira de três celebrações relacionadas com as Colheitas, por isso, não tenha medo de inovar e experimentar coisas novas. 

E vocês? Que tipo de alimentos gostam de cozinhar nesta altura do ano? 

Referências: 
"Wicca in the Kitchen" de Scott Cunningham 
"Kitchen Witchcraft (Pagan Portals)" de Rachel Patterson
XVI - A Torre

Nome do Arcano: A Torre
Número: XVI
Descrição: No baralho de Rider-Waite a carta da Torre é caracterizada por uma torre alta no topo de uma montanha rochosa. No topo da torre, atinge-lhe um raio que incendia o edíficio e faz duas pessoas saltarem dda torre com os braços esticados. Em volta da torre existem 22 chamas, representando os doze signos do zodíaco e os dez pontos da árvore da vida. *
Símbologia: No Arcano da Torre temos uma torre alta no topo de uma montanha rochosa. A torre aqui representa uma estrutura sólida que, infelizmente, foi construída num terreno instável e, como tal, apenas um raio faz a torre cair. Este raio representa uma energia súbita de revelação e que cria uma mudança drástica, aqui representada pela torre que cai. Esta é uma cena de caos, com as pessoas a saltarem da torre sem saberem o que as espera. Em redor existem 22 chamas, representando os doze signos do zodíaco e os dez pontos da árvore da vida, mostrando que até nos desastes da vida, as divindades estão perto de nós. 

Significado:
  • Posição Normal
Na sua posição original a carta da Torre representa uma mudança drástica e inesperada. Pode ser um divórcio, morte de alguém próximos, problemas de saúde, problemas financeiros ou qualquer outro evento que vá abanar a nossa vida e estado actual. É um evento de grande impacto que vai gerar uma onda de mudanças na nossa vida. Não há forma de escapar a esta mudança, é preciso aceitar a mesma e aprender a lidar com ela, de forma a que mesma possa gerar resultados positivos, a longo prazo. Também a nível das nossas crenças e opiniões podem sofrer um abanão com esta carta, que nos irá tirar do sítio e obrigar a construir de novo uma nova estrutura. A Torre não está apenas relacionada com eventos no plano físico mas também no nosso plano interno e espiritual, podendo representar uma nova revelação ou conhecimentos que nos obrigarão a rever a nossa forma de ser e enfrentar o mundo. No momento pode parecer uma tragédia, contudo, a longo prazo, iremos ver os impactos que este evento realmente teve na nossa vida. Após a Torre haverá crescimento mais forte, mais determinado e mais sábio, com as aprendizagens desta carta na nossa vida.

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta da Torre traz consigo também mudanças drásticas contudo, enquanto na sua posição normal estas mudanças surgem por influências externas, na posição invertida as mesmas surgem por circunstâncias internas, ou seja, causadas por nós. Podemos estar numa fase de descobrimento interno que nos está a levar a uma reconstrução da nossa vida e da forma de enfrentar as coisas. Estamos a ver que os modelos antigos pelos quais guiávamos o nosso caminho já não nos servem e é preciso refazer os nossos métodos para crescer. Esta mudança poderá ser díficil, contudo, é impossível evitá-la. A destruição que a carta da Torre traz é, quase sempre, inevitável. É preciso abraçar a mudança e entender como a mesma tem impacto na nossa vida e aprender e crescer com este impacto. Não podemos resistir à Torre, mas sim aprender com ela. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
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