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Sob o Luar


Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 


***

Nome: Selene (Σεληνη)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Selene é uma Deusa Titã, sendo considerada a personificação da Lua (basicamente, Selene é a própria Lua). A mesma era representada como uma mulher a conduzir um carro de cavalos pelo céu nocturno, tendo na sua cabeça uma coroa em formato de crescente ou esfera lunar e um manto brilhante. É filha de Hyperion e Theia e irmã de Eos e de Helios, o seu irmão Sol que conduz o carro solar durante o dia. Para além dos filhos abaixo que lhe são atribuídos, Selene está também associada como sendo a criadora ou a mãe do Leão da Nemeia, que vem a ter um papel importante nos mitos de Hércules. Um dos seus mais famosos mitos é o mito que a une ao seu grande amor, o Rei/Pastor (depende das versões) Endymion, pelo qual Selene se apaixona profundamente. Numa das versões mais famosas deste mito (a de Pseudo-Apollodorus), o Rei Zeus dá ao pastor Endymion a chance de escolher tornar-se imortal e viver num sono profundo numa caverna, podendo ser visitado todas as noites pela Titã Selene, o qual o mesmo aceitou, dizendo-se que dorme eternamente numa caverna na base do Monte Latmos.  

Celebrações: A nível do culto de Selene temos alguns registos como a sua presença numa cidade na Paconia (perto de Esparta) onde encontramos inscrições de culto à mesma. Também em Argolis temos um altar dedicado a Selene e, sabemos através de registos, que a mesma estava bastante associada a um culto específico para acompanhamento às mulheres grávidas e no processo do parto (daí o seu epíteto de Ilithyia), pelo que é expectável que houvesse um pequeno culto por parte de mulheres grávidas. 

Geneologia: Filha dos Titãs Hyperion e Theia e irmã de Helios (Sol) e Eos (Nascer do Sol). É mãe das deusas Pandia, Era, Menai (Meses) e, há quem a considere como mãe das Horai (Horas). A nível de mortais, é apenas mãe do poeta Mousaios (Musaeus). 

Epítetos: Aegle ("Radiante"), Pasiphae ("Toda Brilhante"), Ilithyia ("Apoiante/Ajuda - no parto"). 

Símbolos: Um disco lunar ou um crescente lunar, os cornos de um boi, um manto estrelado. 

Leitura Recomendada: 
  • Theoi - Selene
  • Hino Homérico a Selene

A grande maioria de nós, principalmente se crescemos com famílias em zonas mais rurais, já conhece e sabe bem o que é o mau-olhado (algumas zonas de Portugal também lhe chamam "quebranto", vai depender, porque "quebranto" também pode significar outra coisa, por isso, aqui vamos usar o termo do Mau Olhado). É algo que faz parte do folclore português (e, aliás, de quase todo o mediterrâneo!) e que as nossas avós e avôs não só falavam sobre como sabiam várias formas para tirar o mau olhado e nos limpar dessa energia. Mas o que é ao certo o mau olhado? 

A definição de mau olhado vai variar de zona para zona e de pessoa para pessoa. Honestamente, se tiverem essa possibilidade junto de familiares ou conhecidos da zona onde vivem, recomendo falarem com eles para aprenderem a definição (e as técnicas de limpeza!) mais próximas da vossa origem e da vossa história familiar. Mas, na ausência disso, estou cá para vos ajudar. 

O Mau Olhado é, de forma simplificada, a inveja ou más intenções que alguém nos envia. Este enviar do mau olhado pode ser propositado ou acidental (nem sempre é preciso intenção para enviar mau olhado) e nem sempre é enviado "pelo olhar". Ou seja, não é preciso alguém estar perto de nós, a olhar para nós, para nos enviar mau olhado, o próprio pensamento em si já basta. 

Mas agora vocês pensam, se pode ser acidental, isso significa que eu posso enviar mau olhado para alguém sem querer? Resumidamente, sim. É possível. Quando vemos alguém que ganhou algo bom mas que nós achamos que a pessoa não merece porque fez x e y (ou até porque apenas não gostamos da pessoa) e ficamos a remoer nessa sensação, poderemos estar a enviar mau olhado para a pessoa. Infelizmente, é algo que pode acontecer, e cabe-nos a nós ter atenção às nossas palavras e ações, caso seja algo que não queiramos que aconteça. 

Mas e agora, a grande questão, como nos protegemos do mau olhado? 

Há várias formas de nos proteger do mau olhado, seja a nível da nossa proteção em casa ou a nível da nossa proteção pessoal no dia-a-dia. Para a casa, o que recomendo é sempre uma boa limpeza (temos um artigo sobre Limpeza de Espaços que recomendo muito)! e colocar amuletos ao longo da casa. 

Alguns amuletos típicos são: 

  • Olho Turco/Nazar/Mati na entrada da casa; 
  • Sal nos cantos da casa;
  • Copos de sal nas divisões da casa; 
  • Dente de alho atrás da porta; 
  • Ferradura antiga na parte de trás da porta, virada para cima; 
  • Entre outros métodos. 
Existem imensas técnicas, inclusive algumas típicas aqui de Portugal, que podem ser utilizadas e quase todos os livros de Bruxaria e Paganismo falam sobre técnicas de proteção e amuletos contra energias negativas, que também são válidas contra o mau olhado. 

Agora questionam: Mas e se, mesmo assim, apanhar mau olhado? Como sei que tenho? Como me livro dele? 

O mau olhado pode, ou não, ter sintomas físicos no corpo. Vai depender da quantidade de olhado que temos em cima de nós mas, na maioria dos casos, ele atinge-nos como uma dor de cabeça ou mau estar no corpo inteiro, podendo inclusive levar a vómitos e outros sintomas físicos. Contudo, como eu digo várias vezes aqui no blogue, a primeira solução e reacção deve ser ver os sintomas como consequência de algo físico (gripe, doença, algo que comemos, desidratação, etc). Nem tudo é mágico e nem tudo o que nos faz sentir mal é mau olhado, às vezes é apenas o jantar que caiu mal. 

Acima de tudo, não caiam na conversa de charlatões que vos prometem "limpar de todo o mau olhado e invejas" e outras coisas! É das coisas mais comuns no nosso país, infelizmente, mas há formas de sermos nós própries a tirar o mau olhado, sem ter de pagar centenas de euros a um desconhecide! 

Para saber se temos mau olhado e para nos livrar dele, existem duas técnicas comuns: A técnica do azeite e da água e a técnica do ovo. 

Tirar o Mau Olhado com Azeite e Água 

Esta é das técnicas mais famosas em Portugal para tirar o mau olhado e existem imensas variações da mesma, principalmente a nível das rezas. Como esta técnica é maioritamente católica, eu vou colocá-la aqui com a reza original, contudo, a mesma pode (e deve!) ser alterada ao vosso gosto, principalmente se não forem católicos.

Vão precisar de um prato fundo (ex: de sopa) com água e um pouco de azeite numa taça. Por cima do prato, fazendo o símbolo da cruz com a mão (ou podem incluir um terço ou amuleto), vão dizer:

Deus te viu, Deus te criou
Deus te livre de quem para ti
com mal olhou.
Em nome do pai, do Filho
e do Espírito santo
Virgem do pranto,
quebrai este quebranto.

De seguida, molham o dedo no azeite e deixam cair três gotas no prato. Se as gotas abrirem, é porque existe mau olhado. É preciso deitar fora a água e voltar a repetir. Este processo deve ser repetido até a altura em que as gotas caem e ficam inteiras na água, sem se misturarem. 

Tirar o Mau Olhado com um Ovo

Existem vários métodos de tirar o mau olhado com um ovo, este é apenas um exemplo. Podem encontrar mais procurando online, caso não gostem deste método. 

Vão precisar de um ovo fresco (que não esteja estragado) e um copo com água até meio. 

Vão pegar no ovo e passar com o ovo pelo corpo todo, da cabeça para os pés, visualizando a energia negativa a passar para o ovo. Ao longo deste processo, podem ir dizendo alguma pequena oração ou algo como "Que este ovo capture todas as energias negativas", enquanto se vão concentrando no que estão a fazer. No fim, é preciso partir o ovo para dentro do copo e esperar uns 2-3 minutos. 

Aqui é a parte mais complicada, que é analisar o ovo. Existem listas imensas online do que cada coisa pode significar, mas, resumidamente:

    • Se a gema do ovo for ao fundo e a clara estiver limpa é porque não havia qualquer mau olhado e está tudo OK. 
    • Se houver bolhas na água, na zona da clara, é porque há mau olhado e ele foi removido com o ovo. 
    • Se o ovo estiver com um aspecto estranho ou com manchas de sangue ou até com um ar um pouco turvo, poderá ser algo mais complexo. Aqui, recomendo uma nova limpeza com um ovo novo, para ver se limpou realmente e, caso não tenha ficado limpo, recorrer a um método divinatório para ver como proceder. 
E com isto, estão prontos para se protegerem do olhado e já sabem um pouco mais acerca de um dos grandes aspectos das práticas folclores portuguesas!  

Já conheciam estas técnicas? 

Os chakras são dos tópicos mais famosos do Hinduísmo que foram adoptadas para o pensamento esotérico ocidental, tendo passado por várias adaptações e, no ponto de vista de muitos praticantes, criações de novos sistemas associados aos Chakras. Originalmente, os chakras (da palavra sânscrita चक्र (que significa “roda”) são um variado número de pontos ao longo do nosso corpo, utilizados em vários métodos de meditações e outras práticas antigas, originárias de tradições dentro do Hinduísmo. 

Neste artigo vou apenas focar-me no Sistema de Chakras Ocidental, nomeadamente, o sistema que conhecemos hoje em dia que é constituído por sete chakras espalhados pelo corpo, criando uma linha ao longo da nossa espinha, conectando-nos ao céu (através do chakra da coroa) e à terra (através do chakra da raíz). Este sistema ocidental surgiu no início do século XX com autores como Sir Woodroffe e Charles Leadbeater. 

Os sete chakras são: 

Chakra da Raiz
Nome: Muladhara 
Localização: Base da coluna/região do períneo.
Descrição: Este chakra está ligado à Terra e à nossa ligação ao mundano e terreno, oposto ao chakra da coroa. 


Chakra Sexual
Nome: Swadhistana 
Localização: Região do baço.
Descrição: Este chakra está associado ao movimento e ao fluxo. Pode também ter ligação aos órgãos sexuais, dada a sua proximidade. 


Chakra do Plexo Solar
Nome: Manipura 
Localização: Aproximadamente dois dedos acima do umbigo.
Descrição: Este chakra está ligado ao processo digestivo e à nossa autodescoberta, sendo associado à força e à determinação. 


Chakra Cardíaco
Nome: Anahata
Localização: Região do coração.
Descrição: Este chakra é o ponto de encontro das energias do nosso corpo, estando ligado ao equilíbrio do corpo e do espírito. 


Chakra Laríngeo
Nome: Visuddha
Localização: Região da laringe.
Descrição: Este chakra está associado à comunicação, devido à sua proximidade com as nossas cordas vocais. 


Chakra Frontal 
Nome: Ajna or Agya
Localização: Região inferior da testa, um pouco acima do espaço entre as sobrancelhas.
Descrição: Este é o chakra associado ao famoso “terceiro olho” e está ligado à clarividência e à Visão.


Chakra Coronário
Nome: Sahasrara
Localização: A coroa, topo da cabeça. 
Descrição: Este é o chakra que nos conecta ao céu/ao espiritual/ao nosso Eu superior. 


Por norma, os chakras são utilizados como auxiliares em técnicas de meditação, começando no chakra mais baixo (o da raiz) até ao mais alto, com estados meditativos e até cânticos ou mantras para cada um destes chakras. Estes pontos são também trabalhos em várias terapias como o reiki, yoga, cristaloterapia, terapias com música, etc. Para quem deseja começar a trabalhar com estes pontos energéticos, a melhor forma será através de meditação, sendo que podem encontrar online (no Youtube e até no Spotify) várias jornadas meditativas que ajudam a trabalhar com os chakras, a alinhar os mesmos, a abri-los e muito mais.

Se gostavas de saber um pouco mais sobre Chakras, eu fiz um texto exclusivo para o Baú dos Mistérios de Hécate e está disponível para compra lá na loja! 

E vocês, costumam trabalhar com chakras? 

Hoje vamos falar de um tópico que é sensível mas importante de ser referido nas nossas comunidades: A ética por detrás dos cristais e de (algumas) plantas. 

Muitos de nós quando começamos a praticar Bruxaria (ou Paganismo) sentimo-nos rapidamente atraídos pela quantidade enorme de cristais bonitos e muitas cores que vemos nas lojas esotéricas e nos feeds das redes sociais de outros praticantes. E, é normal, que acabemos por começar a comprar os nossos próprios cristais, começar a nossa própria coleção e começar a trabalhar com eles. Mesma coisa com as plantas, vemos alguém a queimar sálvia ou palo santo e achamos que temos de ter aquilo ou a nossa prática "não é tão boa" ou "não é completa". E como estamos no início, nem nos lembramos de investigar mais sobre estas coisas e se realmente as devemos fazer. E é disso que venho falar hoje. 

Começando pelos cristais, porque razão é que devemos ter atenção à forma como compramos e adquirimos cristais? A maioria dos cristais são minados em minas espalhadas pelo mundo inteiro, com principal foco em países da América do Sul, Ásia ou África. É comum que muitas destas minas alberguem trabalhadores em condições de pobreza extrema (ou até de exploração/escravatura/trabalho forçado) ou, em muitos casos, trabalhos infantis. Em 2019 o jornal o Guardian reportou que cerca de 85 mil crianças estavam a trabalhar em minas de exploração de cristais (como turmalina ou cornalina) em Madásgascar. E são esses cristais que depois são vendidos para países ocidentais com o objetivo de serem vendidos a preços exurbitantes e como "ferramentas de cura", enquanto as pessoas que estiveram nas minas vivem em pobreza e exploração. Para além destes dois factores, também a saúde das pessoas que trabalham nestas minas estão gravemente comprometida dado que o trabalho de polir cristais liberta vários tóxicos prejudiciais à saúde e principalmente aos sistemas respiratórios. E, infelizmente, grande parte destas minas não disponibiliza aos seus trabalhadores material apropriado para a sua própria proteção.

Para além do impacto nas pessoas que estão envolvidas diretamente no processo de extração dos minerais/cristais, também a própria natureza é afectada por esta atividade que tem tendência a criar contaminação de água potável e de vias aquáticas em redor das minas ou, até, destruindo habitats e cortando florestas para aceder a zonas passíveis de serem minadas. 

Fez-te impressão ler isto? Acredito que sim mas, infelizmente, é a realidade associada ao comércio e à obtenção de cristais e pedras preciosas e para o qual estamos diretamente a contribuir quando não temos cuidado na obtenção dos nossos cristais. Sim, porque há formas de evitar isto! Como evitar? Bem...
  • Tenta comprar sempre cristais em segunda mão, através de lojas de velharias, OLXs, Vinted, Facebook Marketplace, etc. 
  • Caso não consigas comprar em segunda mão, investiga bem as lojas a partir das quais estás a comprar os teus cristais e garante que a mesma consegue garantir (ou melhor ainda, tem política pública sobre o assunto) que os cristais são fornecidos de forma ética. Há vários fornecedores hoje em dia que garantem que a exploração dos cristais é feita de forma ética e cuidada através de um controlo apertado das condições e políticas em vigor em cada uma das minas. 
  • Utiliza cristais que encontres perto de ti! Procura na tua zona, principalmente perto de rios ou montanhas, e de certeza que encontrarás vários cristais, principalmente da família de quartzos que podem ser utilizados na tua prática. Não precisas de ter a malachite topo de gama para um feitiço funcionar, um quartzo encontrado no teu quintal é um excelente aliado (e que te pode ajudar a conectar melhor com a tua terra e local onde vives). 
E a nível das ervas? Este é outro ponto importante nas nossas comunidades, contudo, vou apenas falar de duas plantas específicas que se tornaram virais e muito famosas nas redes sociais devido ao seu uso abusivo por parte de praticantes de new-age americanos que é a "Sálvia Branca" e o "Palo Santo". Estes dois tipos de planta são nativos das Américas e não existem (de forma natural/nativa) em territórios europeus. São plantas habitualmente utilizadas por povos indígenas em cerimónias religiosas e nos seus cultos pessoais contudo, ao longo dos últimos anos, vieram a ser apropriadas por praticantes de tradições new-age que acabaram por fomentar uma exploração de forma abusiva destas plantas que não só tem um impacto forte no ambiente (a sobre-exploração de uma planta acaba por criar complicações no solo e nos locais onde a mesma está a ser constante explorada) e, também, de um impacto forte a nível social, em que estas ervas são apropriadas aos povos indígenas (mais infos aqui). E, hoje em dia, é comum ver estas plantas à venda em imensas lojas esotéricas espalhadas por Portugal, inclusive a preços exorbitantes. 

E a realidade é que nós não precisamos destas ervas. Sim, leram bem, não precisamos destas ervas. Portugal tem imensas plantas que lhe são nativas e que possuem exatamente os mesmos propósitos que a sálvia branca e o palo santos fazem, como o alecrim, a arruda, a sálvia normal, etc. São plantas que são nativas do nosso território, que são fáceis de plantar e de cuidar (inclusive em vasos) e que podem ser utilizadas para todas as coisas nas quais utilizariam as outras duas plantas. E com ainda mais vantagens! Principalmente as de que não estamos a importar plantas que precisam de vir do outro lado do mundo (e, por consequência, trazem consigo uma pegada ecológica muito má) e também porque ao estarmos a trabalhar com plantas que são nativas do local onde vivemos, acabamos por criar uma ligação ainda mais estreita com a flora e a natureza do local onde vivemos. As plantas são nossos aliados na nossa prática e nada melhor do que nos conectar com elas no seu local natural, ao invés de estarmos a mandar vir plantas de outro lado do mundo. 
 
E vocês? Já sabiam disto? 

Hoje vamos falar de alguns tipos de cultos diferentes e explicar as suas diferenças. Por norma, quando chegamos ao Paganismo, ouvimos falar sobre o Culto aos Deuses mas só passado algum tempo é que descobrimos que existem outros tipos de cultos (inclusive, existem cultos para além dos que vou falar hoje!) e outras formas de praticar a religiosidade dentro de caminhos pagãos. 

Alguns dos cultos mais famosos quando começamos a aprender sobre Paganismo são: 
  • Deuses
  • Ancestrais
  • Heróis
  • Elementais
Contudo, existem muitos mais, dependendo das tradições e das visões religiosas de cada praticante. Hoje vamos falar um pouco de alguns cultos mais famosos. 

  • Culto aos Deuses 
Este é o tipo de culto mais famoso e é, como o nome indica, o culto a divindades. Seja apenas a uma divindade, a um casal divino ou a um conjunto/panteão de divindades, este culto é literalmente apenas adorar, respeitar e honrar Divindades. Nós falamos um pouco mais sobre como começar este tipo de devoção neste artigo. 

  • Culto aos Ancestrais
Este tipo de culto é comum em tradições mais voltadas para práticas tradicionais (como Bruxaria Tradicional/Folk) ou para práticas reconstrucionistas onde haja um caractér de respeito a Ancestrais (como é o caso do Helenismo). Este tipo de culto é um culto diferente do culto de Divindades, por não é baseado no honrar uma divindade/ser superior mas sim no honrar e respeitar aqueles que vieram antes de nós, muitas vezes membros das nossas famílias. Há quem, inclusive, não goste de lhe chamar "culto" e chamar apenas como honra aos ancestrais. Neste tipo de prática é comum ser criado um altar com fotos das pessoas ou animais que estamos a honrar como avós e bisavós que já faleceram e colocar oferendas e queimar velas em honra das pessoas que já partiram. O propósito deste culto não é tanto o de receber algo em troca mas sim em conectar com o nosso passado, com os nossos ancestrais e ter a sua orientação e ajuda ao longo do nosso caminho presente. 

  • Culto aos Heróis
Este é outro tipo de culto que é raro de se encontrar, sendo mais comum em práticas reconstrucionistas como é o caso do Helenismo. Neste tipo de culto, que é semelhante ao culto dos Ancestrais, honram-se os heróis. Podem ser heróis mitológicos (Aquiles, Odysseus, Theseus, etc) ou heróis contemporâneos que ficam ao critério do praticante. Qualquer tipo de figura que o praticante considere como sendo um herói (activista, guerreiro, escritor, etc.) pode ser encaixado no culto aos Heróis. Funciona de forma semelhante aos ancestrais, com um pequeno altar com fotos ou representações e oferendas frequentes com pedidos de inspiração ou de orientação para os nossos caminhos pessoais. 

  • Culto aos Elementais 
O culto aos elementais já é um culto mais frequente nas comunidades de Paganismo em geral, principalmente entre praticantes de Paganismo Eclético. Este tipo de culto é mais semelhante aos cultos dos Deuses, com a diferença que ao invés de serem cultadas Divindades são cultuados Elementais como Fadas, Gnomos, Salamandras, Sereias, Ondinas, Ninfas, etc. A nível de forma de trabalho religioso a prática é, na maioria dos casos, semelhante à dos Deuses com oferendas e altares construídos e práticas regulares de adoração aos elementais em causa. 


Para além destes cultos existem muitos outros, dentro e fora do Paganismo e da Bruxaria, como anjos, demónios, santos, espíritos locais, etc. A religiosidade é um campo muito vasto e complexo, com diversas opções por onde escolher e seguir, inclusive misturas de mais do que um. Não se sintam limitados a prestar culto apenas a um destes tipos de cultos, podem conjungá-los, misturá-los e práticá-los de formas diferentes e adaptadas aos vossos caminhos pessoais. Estes são apenas alguns exemplos!

E vocês? Já conheciam estes cultos? 

Títulos dos Livros: 
  • "The Complete Book of Incense, Oils and Brews" / "Livro Completo de Óleos, Incensos e Infusões"
  • "Cunningham's Encyclopedia of Wicca in the Kitchen" / "Enciclopédia de Wicca na Cozinha"
  • "Cunningham's Encyclopedia of Magical Herbs" / "Enciclopédia das Ervas Magicas do Cunningham"
  • "Cunningham's Encyclopedia of Crystal, Gem & Metal Magic" / "Enciclopédia Cunningham de Magia com Cristais, Gemas e Metais"
Autor(es): Scott Cunningham
Pontuação: ★★★★★
Onde Comprar*: Em inglês podem ser adquiridos na Blackwells e em Português podem ser adquiridos na Livraria Senda ou na Wook. 

Análise: Hoje venho falar de 4 livros ao mesmo tempo! Porquê? Porque sinto que estes livros funcionam na perfeição em conjunto e considero-os como sendo dos mais essenciais da minha estante e da minha prática. Durante muitos anos andei a tentar arranjar uma forma de ter todas as correspondências, de todas as coisas, nos meus livros das sombras. Mas rapidamente cheguei à conclusão que era quase impossível. As listas de ervas são enormes, cristais a mesma coisa e nem vamos falar quando colocamos alimentos à mistura! Quer em formato digital ou em formato papel, era sempre algo complicado de fazer e nunca ficava satisfeita. 

Foi nessa altura que acabei por encontrar estes livros e chegar à conclusão que não preciso de ter tudo nos meus livros das sombras ou cadernos. E que posso ter apenas livros aos quais recorro com essa informação. E, para mim, estes quatro livros são essencialmente isso: São excelentes livros de referência, com imensos recursos e listagens de ingredientes e as suas propriedades. Cada livro aborda a sua específica temática (cristais e metais, incensos e óleos, alimentos, ervas, etc.) e está cheio de recursos relacionados com a mesma. Não se trata apenas de livros de referências mas também de aprendizagem, que inclusive inclui receitas, dicas, avisos e imensa informação útil acerca de cada temática. E, felizmente, a grande maioria já foi traduzida para português, estando mais acessível a pessoas que não conseguem ler ou não se sentem confortáveis a ler em inglês. 

Pessoalmente, na minha prática individual, estes livros sempre foram extremamente úteis e continuam a ser. Estão cheios de apontamentos, rascunhos, post-its, etc. Claro que alguns livros, principalmente o de Ervas e Plantas, acaba por não ter ervas que sejam nativas de Portugal (e que não estejam nos EUA, país de origem do autor) mas facilmente resolvo isso adicionando páginas com um clipe ou adicionando informação a post-its no interior do livro. Para mim, estes livros são essenciais!

E vocês? Já leram? Que acharam? 

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