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Sob o Luar

No artigo de hoje vamos falar de um tema que considero ser sempre importante, principalmente para quem está a começar. Já falamos disto de certa forma anteriormente nos textos de "Auto-Proclamados Mestres" no Paganismo e Bruxaria ou Os Cuidados nas Comunidades Pagãs contudo não posso deixar de sentir que é essencial falarmos destes temas, principalmente enquanto estas situações acontecerem nas nossas comunidades e à nossa volta. Não podemos enfiar a cabeça na areia e fingir que dentro do Paganismo e da Bruxaria toda a gente é "do bem" e que não há riscos porque, como em tudo na vida, há sempre riscos. E acho que é importante darmos espaço para estes tópicos serem falados e conhecidos, pois só assim poderemos prevenir que estas situações ocorram. 

É normal quando começamos a trilhar o caminho no Paganismo ou na Bruxaria de sentirmos a necessidade de nos encaixar num grupo que nos compreenda, com o qual possamos aprender e ser ensinados, possamos celebrar festivais, fazer rituais e feitiços e desenvolver a nossa prática. O ser humano é um ser dado á socialização e, como tal, é 100% normal querer estar em grupos dentro das nossas práticas religiosas. Contudo encontrar o grupo certo pode ser uma tarefa complicada, principalmente em comunidades como as do Paganismo em Portugal, em que temos de saber onde procurar. 

Por isso quis fazer este artigo onde vamos falar de alguns sinais que vos DEVEM deixar desconfiados quando estão a conhecer novos grupos: 

  • Oferecem automaticamente iniciação: A realidade é que a maioria dos grupos dentro do Paganismo e da Bruxaria não estão ativamente a procurar expansão dos seus membros. Não somos proselitista nem queremos andar a converter pessoas, como tal, raramente os grupos estarão ativamente a procurar novas pessoas e, muito menos, a oferecer iniciação assim que conhecem alguém! A maioria dos grupos, seja dentro de práticas modernas ou tradicionais, poderá ter círculos externos ou eventos para conhecer novas pessoas mas nunca andará a tentar recrutar nem oferecer imediatamente iniciações e promessas.

  • Dizem que somos "especiais" ou que temos "poderes únicos": Este pode ser um dos argumentos, juntamente com o ponto acima da iniciação, para tentar convencer alguém a entrar para um grupo. Repito: Nenhum grupo de respeito tentará convencer pessoas a juntar-se a eles! E isto aplica-se também a fazer elogios deste género.  Apelar às nossas sensibilidades ou receios, através de nos elogiar ou fazer sentir especial, acaba por nos fazer baixar a guarda e querer confiar naquela pessoa, quando ela não tem intenções positivas. 

  • Recusam conhecer-se em locais abertos: Recusam encontrar-se pessoalmente em locais públicos como cafés, esplanadas, jardins, etc. Fazem questão de se encontrar em locais pouco movimentados ou até convidar as pessoas para ir diretamente a casa deles ou a um local que lhes pertença. Isto pode parecer uma informação muito óbvia para quem está habituado a estar na internet mas, infelizmente, ainda acontece nas nossas comunidades. Não se encontrem com pessoas que não conhecem pessoalmente, pela primeira vez, em locais privados. Façam-no sempre em locais públicos, com pessoas em vosso redor, informem os vossos amigos ou familiares onde vão estar e, se possível, vão acompanhados! Se a pessoa não aceitar bem… É um sinal que esse não é o sítio para vocês. 

  • Falam muito mal de outras comunidades ou dizem ter "inimigos": Todos sabemos que nem toda a gente se dá bem uns com os outros e é normal haver desentendimentos dentro de comunidades ou grupos que gostamos mais do que de outros. Contudo é um sinal de alerta de as pessoas que estamos a conhecer passam mais tempo a criticar o trabalho dos outros ou a falar mal de alguém do que a focar-se no seu próprio caminho. É ainda mais grave se insistem em "ter inimigos" e que é preciso esforços ativos para se protegerem deles. Isto é meio caminho andado para começarem a fazer pedidos estranhos (dinheiro, favores, etc) sobre o pretexto de se precisarem de "proteger" deste inimigos. É também uma forma de tentar afastar as pessoas da comunidade e, como tal, de isolá-las. 

  • A conversa rapidamente desvia para questões de dinheiro: A questão de dinheiro é uma questão sensível de se abordar dentro dos grupos porque há grupos que realmente cobram pelos ensinamentos ou pelos materiais e isso é válido. Contudo há que saber onde está a linha entre pagamentos válidos e pagamentos indevidos: Uma coisa é contribuir para comprar livros ou alugar um espaço para fazer rituais ou comprar materiais para fazer o ritual ou comida para partilhar. Outra coisa é encher os bolsos dos lideres para que possam comprar um carro novo ou uma casa nova, sem qualquer tipo de justificação ou uso público do dinheiro. Se as pessoas que estamos a começar a conhecer estiverem sempre a falar de falta de dinheiro ou problemas de dinheiro e constantemente a focar nesse aspecto, este é um sinal de alerta. E o mesmos se aplica se for o oposto: Se a pessoa estiver sempre a tentar mostrar o quanto dinheiro tem e como tem mais coisas ou mais posses ou mais instrumentos/baralhos/etc do que os outros. 

Infelizmente estes são pontos aos quais devemos prestar atenção na nossa busca por um grupo ou um coven ao qual pertencer e são sinais de alerta que nos podem ajudar a distinguir o que será uma experiência mais valiosa e o que poderá acabar por vir a ser um desastre. Como alguém que já teve de passar por um desastre desses, gosto de falar abertamente deste assunto e puder ajudar os nossos leitores a evitar estas situações e a dar-vos as ferramentas necessárias para que possam encontrar (ou até criar!) o vosso grupo ideal de forma segura e fácil! 

E vocês? Algumas dicas para os nossos leitores? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Levi Guzman)


O tema de hoje é um assunto sobre o qual recebo muitas perguntas e contactos por parte dos nossos leitores e de pessoas da comunidade do Paganismo ou Bruxaria em geral. O trabalho ou a devoção às Divindades é algo que muita gente tem receio de começar ou, então, não sabe ao certo quais os primeiros passos a dar. E é exactamente isso que pretendo abordar no artigo de hoje. 

Começar a trabalhar ou a prestar culto devocional a uma divindade pode ser um pouco assustador para quem está a começar a praticar Bruxaria ou Paganismo, dado que passa a incluir na prática diária uma presença externa sobre a qual não temos controlo e com a qual estamos a começar a estabelecer uma relação. Por norma, não costumo recomendar que iniciantes saltem de imediato para trabalho com Divindades, não só porque este trabalho acaba por acarretar mais responsabilidades mas também porque pode ser complicado no início saber por onde começar e como começar. Incluir uma divindade na nossa prática, principalmente do ponto de vista políteista, implica todo o novo tipo de esforço e estudo acerca da divindade, da sua mitologia, da sua história, da cultura de onde é originária, das correspondências, das práticas, dos epítetos, entre outros pontos que são chave para uma prática estável e equilibrada com esta Divindade. Daí, pessoalmente, não recomendar que "mergulhem de cabeça" logo neste tipo de caminhos mas começar por adquirir algumas bases como saber o que é o Paganismo e distinguir Conceitos, ler alguns livros sobre Paganismo e Bruxaria e obter bases sobre as quais começar a desenvolver esta prática devocional. 

Contudo, para quem sente que já está no momento em que se sente pronto para iniciar esta nova jornada na sua prática individual, aqui estão algumas dicas sobre como começar o trabalho com Divindades: 
  • O primeiro passo para um trabalho devocional é... ler! Ler sobre a Divindade: os seus mitos, correspondências, ler sobre a cultura de onde essa divindade veio, ler as práticas e as formas devocionais que eram feitas em honra da divindade na Antiguidade, etc. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o estarmos a dedicar o nosso tempo aquela divindade, através de leituras e investigações, já é um acto devocional porque estamos a dar àquela divindade parte do nosso tempo e não há nada mais precioso do que o nosso tempo! 

  • Para além de ler bastante e investigar mais sobre a divindade (ou divindades) com as quais pretendem começar o trabalho devocional, podem também começar a estabelecer contacto aos poucos através de meditações, oferendas simples (velas, água ou liquidos, incenso, etc). Não estranhem se ao início não sentirem nada ou estiverem confusos, pode demorar. 

  • Não tentem apressar! Vejam uma relação com uma Divindade tal como vêem relações com pessoas no vosso dia-a-dia. Não chegam ao pé de um estranho, oferecem uma prenda uma vez e esperam que ele seja o vosso melhor amigo, pois não? Com as Divindades é igual. As relações demoram tempo e trabalho a serem desenvolvidas, é preciso trabalho constante, devoção e dedicação para que esta relação possa florescer e tornar-se numa relação estável e duradoura. 

  • Não assumam que tudo é sinais. É normal no início da nossa prática devocional achar que tudo o que vemos é um sinal da divindade que estamos a tentar contactar. Contudo, nem tudo é sinais. Aliás o mais provável é não ser. Se receberem algo que achem que pode ser um sinal sigam primeiro o caminho da lógica: Existe algum motivo lógico/físico para isto ter acontecido? Sigam esses passos primeiros. Se necessário consultem um método divinatório (pêndulo, tarot, runas, etc.) para saber se realmente terá sido um sinal ou não. Peçam mais sinais. Não tenham medo de comunicar com a divindade mas também não achem que tudo é um sinal. Recomendo o vídeo da TCS para ajudar a reconhecer sinais das Divindades.

  • Não façam promessas que não conseguem cumprir! É muito normal ouvirmos falar de votos a Divindades, promessas, juras, comprometimentos, etc. Contudo este tipo de práticas não deve ser feito de ânimo leve! Dedicar a nossa vida a uma divindade ou fazer uma promessa a uma divindade é algo sério e não devemos fazê-lo sem ter 100% certeza que conseguimos cumprir. Isto é especialmente importante para quem está a começar. É normal que quando estamos a começar tenhamos todo o entusiasmo e ânimo de achar que "esta é a divindade com a qual quero trabalhar para o resto da minha vida inteira". E até pode ser. Mas também pode não ser... Não devemos comprometer-nos a algo que não sabemos se conseguimos cumprir daqui a 5, 10 ou 15 anos. Por isso, não façam promessas que não conseguem cumprir e cuidado sempre com aquilo a que se comprometem, porque o que dizem aos Deuses é para cumprir! 

  • Já falei disto anteriormente, em Deuses de Prateleira, mas acho que é importante voltar a realçar aqui: Não usem os Deuses como bonecos de prateleira. Os Deuses não são frascos de especiarias no armário para tirar e usar conforme precisamos. Se eu sou devota da Deusa Hékate e preciso de ajuda em termos de amor, eu não preciso de ir ter com Afrodite com a qual nunca estabeleci uma relação. Posso fazer esse trabalho de amor com Hekate porque essa é a Divindade com a qual trabalho diariamente. Não utilizem os Deuses na vossa prática e pensem nos mesmos tal como o faria com pessoas normais na vossa vida. Chegariam ao pé de alguém para pedir um favor e nunca mais voltar a falar para eles? Não? Então não o façam também com as vossas Divindades. 
Estas são algumas dicas para quem quer começar a jornada do trabalho devocional com Divindades, sintam-se à vontade para colocar dúvidas, questões ou até mais dicas nos comentários para os nossos leitores se quiserem! Espero que esta jornada vos leve a sítios magníficos e a ter experiências que mudem a vossa vida para melhor e que possam encontrar as Divindades certas para o vosso caminho. 

E vocês? Como começaram esta aventura? 

Crédito de Imagem: Unsplash (Cristina Gottardi)
Capa do Livro
Título: The Path of Paganism
Autor(es): John Beckett
Pontuação: ★★★★★
Descrição: O paganismo é uma forma de ver o mundo e seu lugar nele. Significa desafiar os pressupostos da sociedade dominante e fortalecer seus relacionamentos com os deuses, o universo, sua comunidade e você mesmo. The Path of Paganism fornece conselhos práticos e apoio para honrar seus valores e viver uma vida pagã autêntica na cultura ocidental dominante. Descubra dicas para estabelecer ou aprofundar uma prática regular. Explore como sua espiritualidade pode ajudá-lo a lidar com as dificuldades inevitáveis da vida. Aprenda os fundamentos das funções de liderança e outras etapas à medida que você ganha experiência e passa para práticas mais avançadas. Com perguntas para contemplação, bem como rituais para ajudá-lo a integrar novos conceitos, este livro o orienta por um modo de vida profundamente significativo.
Onde Comprar*: Wook
Análise: Devo dizer que fiquei muito contente por conseguir ler este livro porque adoro o trabalho do John Beckett. Sigo atentamente o seu blog no Patheos e sempre quis ter a oportunidade de ler um dos seus trabalhos em formato de livro e, como esperava, não desaponta! 

Este livro é, na minha opinião, um livro essencial para qualquer pagão. Eu adoro o conceito do John Beckett de ver o Paganismo como uma Grande Tenda, com espaço para todos nós, e este livro desenvolve mais esse conceito e faz-nos reflectir sobre diversos pontos importantes dentro do Paganismo e dentro das nossas comunidades. 

Não só tem imensos pontos interessantes que é abordado como dá boas bases para iniciantes que estejam interessados em aprender mais sobre Paganismo em específico como também, em cada capítulo, dá-nos questões sobre as quais reflectir e meditar, estimulando o nosso pensamento crítico e a nossa presença nas comunidades. Beckett recorda-nos que “Much of the “advanced” religious practice (in any tradition) isn’t all that advanced. It’s simply the basics, done over and over so many times it becomes intuitive. It’s not glamorous and it’s not exciting. It just works.” e traz uma lufada de ar fresco nos trabalhos sobre Paganismo. Temos muitos livros sobre Wicca, Reconstrucionismo, Druidismo, entre outros mas, infelizmente, especificamente sobre Paganismo de um ponto vista em geral, não temos muito. E é essa falha que este livro vem preencher!

Este livro é apropriado para qualquer pessoa dentro do Paganismo seja Xamã, Wiccan, Druida, Politeísta Helénico, Politeísta Celta, Asatru, etc. É um livro que representa a Grande Tenda do Paganismo de uma forma abrangente e dá espaço e assuntos para contemplação para todos os interessados neste fantástico movimento. 

Acho genuinamente que este livro é uma mais valia no caminho de todos os Pagãos, ou interessados em Paganismo, e que é sem dúvida um dos melhores livros sobre o tema publicado nos últimos anos. Não posso deixar de o recomendar! 

E vocês? Já leram? Que acharam? 

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 

Hoje vamos falar de uma técnica que está a ganhar bastante fama e popularidade nos dias de hoje: Grounding, também conhecido como "Earthing". 

Está é uma prática simples que consiste em conectar o nosso corpo com a Terra diretamente. Isto pode ser feito através de andarmos descalços pela terra, areia, rios, etc. Ao fazermos isto estamos a conectar os nossos pés (que são uma parte do nosso corpo extremamente sensíveis e que absorvem tudo o que lhe colocamos de forma bastante rápida, dado a sua pele fina) com a Terra e com as suas energias. Estamos a colocar-nos em ligação direta com a energia terrestre, com o planeta e com tudo o que nos rodeia. Esta é uma prática bastante antiga e que está presente em muitos caminhos espirituais e praticas em todo o Mundo, sendo que até a própria ciência já reconhece os seus benefícios na saúde mental, emocional e até física das pessoas que realizam estas técnicas. 

Grounding é uma técnica fastástica para começar a trabalhar com energias do elemento Terra (Ou até do elemento Água!) ou até a estabelecer contacto com a Natureza do local onde vivemos, dado que estamos a conectar com as energias daquele local específico e, ao mesmo tempo, com a terra em geral. É também muito saudável porque tem vários benefícios para a nossa saúde principalmente a nível da nossa circulação, melhoria de humor, redução de dores, alívio de fadiga crónica, etc. 

Existem várias formas de fazer Grounding: 
  •  Andar descalços pela terra, seja na relva, terra, lama, areia, etc. Neste tipo de grounding é preciso ter cuidado e garantir que não há objetos no chão que possam danificar os nossos pés ou magoarmo-nos como pedras afiadas, conchas partidas, pregos, lixo, ervas venenosas, etc. 
  • Deitar no chão, seja num jardim ou numa praia. Ao estarmos a deitar-nos no chão acabamos por aumentar ainda mais a quantidade do nosso corpo que está em conexão com a terra. Isto pode ser principalmente útil para quem está a começar e sente dificuldade em sentir as energias através da sola dos pés. 
  • Andar descalços num rio ou no mar. À semelhança da primeira opção, também o grounding pode ser feito em ligação com a água e a terra. Ao estarmos a fazer grounding num corpo de água, seja um rio, lago ou mar, estamos a estabelecer contacto com dois elementos ao mesmo tempo: com a Terra debaixo dos nossos pés e com a Água em nosso redor. Isto também se aplica para nos submergir debaixo de água, mas aí, acaba por haver mais só o contacto com a água e não tanto com a Terra. 
Como podem ver esta é uma técnica muito fácil para ajudar a estabelecer o contacto com o Elemento Terra e com o que nos rodeia. É uma excelente prática para iniciantes na Bruxaria (ou até pessoas que nem têm interesse mas querem usufruir dos benefícios que esta prática traz) e uma das formas mais fáceis para começar a meditar e a realizar trabalho energético e de ligação com a natureza em nosso redor. 

E vocês, já experimentaram? Gostaram? Digam nos comentários! 

Crédito de Imagem: Unsplash (Johnny McClung)
Capa do Livro
Título: Traditional Wicca: A Seeker's Guide
Autor(es): Thorn Mooney
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Embora existam muitas variações poderosas da bruxaria contemporânea, a Wicca tradicional oferece experiências únicas para aqueles que a procuram. Este livro explora estilos de Wicca estruturados e baseados em trabalho em coven, nos quais os praticantes costumam traçar linhagens iniciatórias até os primeiros fundadores da Wicca. Discutindo covens, iniciações, linhagens, práticas, ética e muito mais, este livro compartilha dicas e ideias sobre como obter o máximo desta abordagem da Bruxaria. Descubra como reconhecer covens saudáveis e de boa reputação. Aprenda a navegar no processo de pedir treinamento e obter sucesso em um círculo externo. Explore a força espiritual das linhagens, hierarquias e iniciação. Este livro também inclui contribuições de vários iniciados, fornecendo perspectivas valiosas em primeira pessoa sobre como é estar no caminho tradicional da Wicca.
Onde Comprar*: Wook
Análise: Gostaria de começar esta análise com uma citação do livro (em inglês) sobre a Wicca, do ponto de vista tradicional:

““Orthopraxy” derives from Greek and means “right practice.” In usage, it stands in contrast to “orthodoxy,” which means “right belief.” Traditional Wicca tends toward orthopraxy. Belief is not enough. You cannot simply think or feel a certain way. It’s not a matter of reading about certain ideas and holding them to be true in your heart. An orthopraxic perspective demands that adherents take action. For traditional Wicca, that means performing the rites of the tradition. (...) There’s something about the Mysteries that transcends language, or so practitioners often insist. In short, traditional Wicca isn’t something you can simply read about. It’s not just something you believe in. It’s something that you do”

Este é um livro fantástico. Eu já conheço o trabalho da Thorn à bastante tempo e, inclusive, sou membro do Patreon dela. Acompanho o seu trabalho nas comunidades através do seu canal de Youtube à alguns anos e acompanho o seu trabalho através do que ela posta no patreon, pelo que assim que pude agarrar este livro e lê-lo, tive de o fazer. Gostaria antes de mais de deixar claro que eu não sou Wiccana nem me identifico com a fé e práticas da Wicca, seja ela Moderna ou Tradicional. Contudo tenho um carinho especial pela Wicca porque foi onde comecei e o que me introduziu ao Paganismo. A história da Wicca sempre me fascinou e é dos tópicos que mais gosto de ler sobre, pelo que não pude deixar a oportunidade de ler um livro sobre Wicca Tradicional. 

Ao contrário do que possam pensar este não é um livro sobre aprender ou conhecer a Wicca como os restantes. Não vão encontrar um Wicca 101 dentro do Traditional Wicca. Este livro é um livro que ajuda e orienta praticantes e interessados em covens de Wicca Tradicional na sua busca pelos mesmos. A autora apresenta o que é a Wicca Tradicional e no que a mesma consiste e explica um pouco como funcionam as linhagens e como funciona a estrutura de um coven de Wicca Tradicional. Fala-nos também do processo iniciático dentro da Wicca e de como funciona todo o processo de Hierarquia e de Linhagem dentro destas tradições. Eu adoro principalmente a forma como a autora aborda o conceito de Hierarquia: Existe muito a ideia de que dentro de covens tradicionais as coisas funcionam de forma autoritária e de subjugação entre os Altos Sacerdotes e os iniciantes e Thorn mostra-nos que isso não podia estar mais longe da verdade. A autora explica-nos e alerta-nos para todas as "bandeiras vermelhas" que podem ser encontradas no processo de busca por um coven Wiccano tradicional e como evitá-las. 

Na terceira parte do livro a autora apresenta vários conselhos e reflexões importantes a serem tomadas no processo de busca de covens de Wicca Tradicional e ajuda o leitor a refletir se realmente aquele será o percurso pretendido ou não. Esta parte é rica em variados tipos de conselhos e de técnicas para entender como navegar o processo de candidatura nos círculos externos dos covens tradicionais e algumas dicas de como lidar com a rejeição e com as perguntas e tarefas que poderão ser pedidas ou exigidas aos interessados. 

Ao longo do livro temos também várias citações de variados praticantes de covens tradicionais dentro da Wicca sobre a sua prática, o seu processo de procura por um coven e a sua opinião pessoal sobre vários tópicos. Este é um livro pioneiro sobre a Wicca Tradicional e, na minha opinião, extremamente necessário nas nossas comunidades não só para desmitificar um pouco como funciona o processo de organização da Wicca mas também para ajudar interessados a percorrer os processos de candidatura e evitar grupos e covens que possam ser indesejáveis. 

Este livro é actualmente uma das minhas primeiras recomendações para interessados em Wicca Tradicional e espero que venha a ser traduzido para Português, porque creio que tem muito a acrescentar nas nossas comunidades também!

E vocês? Já leram? Que acharam? 

* Os links fornecidos pertencem a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador. 
XXI - O Mundo

Nome do Arcano: O Mundo
Número: XXI
Descrição: No baralho de Rider-Waite a carta do Mundo é presentada por uma mulher nua com um tecido roxo em seu redor, dançando dentro de grinalda. A mulher está olhar para trás enquanto o seu corpo está virado para a frente. Na sua mão estão dois bastões ou varinhas. Á volta da grinalda estão quatro figuras (um leão, um touro, um querubim e uma águia). *
Símbologia: No Arcano do Mundo a mulher nua está a olhar para trás, para o seu passado, enquanto o seu corpo está voltado para a frente, pronto a enfrentar o futuro que virá. Na sua mão tem, à Semelhança do Mago, dois bastões, simbolizando que aquilo que o Mago manifestou se tornou realidade e está nas mãos desta mulher. A grinalda redonda alerta-nos para o ciclo contínuo completado e o próximo que começará, pois tudo na vida são ciclos que começam e terminam. As figuras em torno da grinalda representam os quatro signos fixos do zodíaco (Leão, Touro, Aquário e Escorpião) e, à semelhança da sua presença na Roda da Fortuna, representam os quatro elementos, os quatros naipes do Tarot, os quatro pontos do compasso e as quatro estações. Estão aqui para nos guiar de uma fase para a outra do nosso ciclo constante. 

Significado:
  • Posição Normal
Na sua posição original a carta do Mundo é uma carta extremamente positiva. Representa o fim de um ciclo com sucesso e a vitória alcançada. Traz consigo uma sensação de conquista dos nossos objetivos. Seja um projecto a longo prazo, um desafio, uma fase na nossa vida ou apenas um pedaço do nosso caminho, esta carta mostra-nos que atingimos os nososs objetivos e chegamos ao fim deste pedaço da jornada com sucesso. Convida-nos a reflectir sobre o nosso passado e o que nos trouxe até este momento, a entender o que foi bom, o que foi mau, o que poderia ter sido melhorar e ajuda-nos a preparar para o novo ciclo que se inicia. Esta carta não é um fim mas sim uma celebração da conclusão de um ciclo e inicio de uma nova. 

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta do Mundo alerta para a necessidade de obter fecho numa situação em particular. É necessário fechar as pontas soltas e terminar um ciclo da nossa vida ou um projecto que esteja a decorrer. Este fecho pode estar pendente pela nossa impossibilidade de agir, por medo, por estarmos demasiado agarrados a algo. Este Arcano alerta-nos que temos de analisar a situação e conseguir libertar essas amarras, permitindo o fecho de um ciclo para começar um novo. Pode também alertar para o facto que não estão a ser tomadas todas as medidas ou passos que deveriam para atingir um determinado objetivo. É preciso reflexão interior para ver o que está em falta e conseguimos tomar os passos necessários para atingir o nosso objectivo. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
Unsplash (Ava Sol)
Este artigo é uma nova versão de um artigo nosso postado em 2017 sobre as Tendas Vermelhas. Achei que estava na altura de darmos uma actualização a esse artigo e cá estamos nós. Hoje vamos falar sobre as Tendas Vermelhas, Círculos de Mulheres e o Sagrado Feminino. 

Começando pelas Tendas Vermelhas, este é um conceito antigo, apesar de nem sempre ter tido este nome, em que as mulheres das tribos se reuniam durante a sua menstruação e se recolhiam em si mesmas, partilhando conhecimentos, experiências e ensinamentos. Hoje em dia a tradição de dedicar atenção e cuidado à nossa menstruação é algo do passado. As vidas atarefadas da cidade, os empregos, as tarefas e até as redes sociais e a necessidade de estar sempre contactável e em movimento afastam-nos dos momentos intímos e reclusão interior. Existem várias mulheres, em todo o Mundo, a impulsionar este movimento tal como DeAnna L’am e ALisa Starkweather. Estas Tendas Vermelhas são encontros entre mulheres com o objectivo de ajudar a estabelecer uma comunidade de mulheres, como irmãs, e também com o objectivo de ajudar cada mulher, individualmente, a desenvolver-se a si mesma, a aprender sobre os seus ciclos e aprender a conviver com eles. O que acontece em cada reunião da Tenda Vermelha depende não só da organização mas também dos membros, do momento em que é realizada, do local onde é realizada e de imensos factores. Nenhuma reunião é igual a outra e são todas únicas. xistem Tendas Vermelhas em todo o mundo, aliás, a DeAnna L'am tem o projecto "Uma Tenda Vermelha em Cada Bairro" com o objectivo de que as Tendas Vermelhas cheguem a todos os bairros e todas mulheres do Mundo. No site indicado podem consultar quais as Tendas que existem perto de onde moram e como funcionam.

Para além das Tendas Vermelhas temos também os Círculos de Mulheres. Estes círculos são mais livres na sua organização mas são semelhantes ao conceito da Tenda Vermelha em que o objetivo é a união e reunião de um grupo de mulheres com o objetivo de trabalharem nelas próprias e na irmandade que é ali estabelecida. Contudo, os Círculos de Mulheres acabam por existir mais dentro de comunidades pagãs ou de bruxaria, no sentido em que são grupos de mulheres que se reunem para trabalhar a sua espiritualidade, trabalhar o Sagrado Feminino e trabalhar com o seu "eu interior", numa irmandade onde até podem ser realizados trabalhos mágicos, trabalhos oraculares ou, em certos casos, até trabalhos com divindades. Acaba por ter um espaço mais amplo de trabalho. Os Círculos de Mulheres acabam também por ser mais livres e não estão limitados pela formação dada nos conceitos das Tendas Vermelhas (onde há o ensinamento e a obtenção de um Grau para puder iniciar uma Tenda Vermelha). Existe uma maior liberdade na prática e na reunião das mulheres neste tipo de eventos. 

Tanto as Tendas Vermelhas como os Círculos de Mulheres acabam por se focar no trabalho com o Sagrado Feminino, ou seja, o lado feminino do Sagrado. Com isto não quer dizer necessariamente o trabalho com Divindades femininas mas com o conceito do Feminino como um todo. O Sagrado Feminino inclui o trabalho com o feminino interior, com o curar as feridas de séculos de opressão ao sexo feminino, curar as feridas de traumas*, desmistificar mitos relacionados com a sexualidade feminina, trabalhar com Divindades femininas, trabalhar com o nosso lado feminino da nossa polaridade (tanto homens como mulheres e não-binários, o Sagrado Feminino está aberto a toda a gente). Nem todos os grupos vão abordar todas estas temáticas e nem todos vão abordá-las da mesma forma. Há várias formas de fazer este trabalho e cabe a nós, praticantes, ver quais as que nos identificamos e com as quais (e de que forma) pretendemos trabalhá-las. As Tendas Vermelhas e os Círculos de Mulheres são apenas duas de muitas formas de realizar este tipo de trabalho interior. 

E vocês? O que acham deste tipo de trabalho? Conhecem? Participam?

* No caso de traumas derivados de situações traumáticas ou violentas, aconselhamos sempre o acompanhamento médico por parte de um psiquiatra ou psicológo de forma a lidar com estes traumas da forma mais adequada possível!


XX - O Julgamento

Nome do Arcano: O Julgamento
Número: XX
Descrição: No baralho de Rider-Waite a carta do Julgamento apresenta-nos homens, mulheres e crianças nús nas suas campas com os braços alçados para o céu. Acima o Arcanjo Gabriel, messangeiro do Deus monoteísta, toca o seu trompete. No fundo está um conjunto de montanhas que se extende no horizonte. *
Símbologia: No Arcano do Julgamento vemos a humanidade nua e nas suas campas perante ao Arcanjo, aguardando a sua chamada aos céus para serem julgados e saberem que vão ser aceites no Paraíso ou não. As montanhas no fundo da carta representam os obstáculos que a humanidade enfrenta na sua vida e o quanto inevitável é o julgamento das nossas acções. 

Significado:
  • Posição Normal
Na sua posição original a carta do Julgamento está a alertar-nos para a necessidade de tomar uma decisão que irá alterar o rumo da nossa vida e pede para que usemos a nossa intuição no processo da tomada de decisão, através da análise de decisões passadas e daquilo que já vivemos e do que a nossa intuição nos ensina e aprendeu ao longo do nosso trajecto. Este Arcano chama-nos a ouvir o nosso Eu interior e trabalharmos para atingir o nosso estado mais elevado e mais único. Este é um momento de limpeza das nossas feridas mais profundas, libertação da culpa e do sentimento de arrependimento interno. É o momento para nos limparmos desta carga negativa que trazemos às costas e nos elevarmos, tomando a decisão para atingir uma nova plataforma no nosso crescimento pessoal. 

  • Posição Invertida (esta posição é opcional)
Na sua posição invertida a carta do Julgamento pede por um período de reflexão e de mergulho interior. É necessário tirar tempo do nosso dia para meditarmos connosco próprios e fazermos trabalho interior com a nossa intuição e com o nosso Eu interior. Há imensas coisa que temos vindo a evitar na vida e temos de as enfrentar de cabeça erguida e entender como as mesmas nos afectam e o impacto que elas têm. Temos de trabalhar estas memórias e entender como as mesmas servem de lições na vida. Este Arcano invertido traz-nos a mensagem que o Universo quer que nos foquemos em algo maior, em algo interior, mas que nós não estamos dispostos a isso (ou por medo ou por distração). É necessário focar, libertar dos medos e aceitar o desafio que o Universo nos dá. 

* A representação dos Arcanos varia de Baralho para Baralho, a descrição apresentada é com base no Baralho Rider Waite. 
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O blogue está abandonado? Não vejo posts novos!
Nope! 😅 Mas a Alexia tem uma vida bastante ocupada, principalmente agora com o Mestrado e nem sempre consegue manter o blogue atualizado. Quando ela tiver tempo, ela escreve algo mas entretanto, têm imensos recursos (+10 anos!) para ler. As informações mensais são atualizadas todos os meses. 💖

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Este trabalho é dedicado às Senhoras Ἑκάτη (Hekate) e Περσεφόνη (Persephone)

Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0