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Sob o Luar

Capa do Livro
Título: A Place at the Table: The human legacy of Alexander Sanders continues 
Autor(es): Jimahl diFiosa
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Nesta muito aguardada sequela de "All the King's Children - the Human Legacy of Alex Sanders", Jimahl diFiosa reúne 16 novos iniciados alexandrinos de todo o mundo que partilham as suas histórias de vida com franqueza, sem esconder nada.
Onde Comprar: RedFaun Press
Análise: Este é o 2º livro que eu tive o prazer de obter junto do autor durante um evento em 2023 e tal como adorei o primeiro, este não se ficou atrás! 
 
Considerei este livro bastante inspirador: é uma compilação de relatos e contribuições por parte de vários iniciados Alexandrinos que nos contam a sua chegada à tradição Alexandrina, a sua experiência e a forma como esta tradição impactou as suas vidas e partilham com o leitor as suas experiências. Contém relatos de situações lindíssimas, que me comoveram e, ao mesmo tempo, também situações assustadoras, algumas com as quais eu me empatizei, devido ao meu passado, e outras que nem consigo imaginar e que o meu coração aperta por aqueles iniciados. 
 
Algo que eu gostei bastante foi a diversidade dos iniciados escolhidos, não só a nível geográfico, que contém relatos de pessoas espalhadas pelo Mundo inteiro (inclusive iniciados portugueses, que eu adorei, porque é tão raro ver testemunhos de pessoas de Portugal!) mas, também, de pessoas variadas no que diz respeito à acessibilidade, ao estilo de vida e ao contexto em que vivem. Uma prova, sem dúvida, de que o caminho Alexandrino está aberto a todos aqueles que sentem o chamado, independentemente das suas circunstâncias de vida. Profundamente inspirador! 
 
Acho, na minha opinião genuína, que este livro deveria ser de leitura "obrigatória" para todos os interessades na Tradição Alexandrina e na Wicca. Não só porque defendo ativamente que a melhor forma de conhecer uma tradição é falando com os seus praticantes e os seus representantes, mas, também, porque estes iniciados conseguem partilhar acerca do seu caminho, da sua experiência e até dar dicas e conselhos a futuros iniciados sem nunca falar da tradição em si. Isto é não só um excelente exemplo para futuros iniciados, mas, também, bastante inspirador. Todos sabemos que a Tradição Alexandrina é uma tradição secreta, que trabalha internamente e cujos rituais e práticas não são partilhadas com o exterior, contudo, este livro dá-nos uma visão extremamente importante acerca desta tradição que é o impacto que estas práticas têm nos seus iniciados e que significa ser um iniciado de Alex Sanders. 
 
Se tivesse de reduzir este livro a uma só palavra era, sem dúvida, inspirador. Adorei ler estes testemunhos e é um livro que vou, garantidamente, recomendar no futuro! 

E vocês? Já leram? O que acharam?

Se este artigo vos parece familiar é porque é, trata-se de uma nova versão de um artigo existente de 2023 que achei que estava na altura de dar uma nova vida, com novos pontos de vista. 

Ao longo do nosso caminho dentro do Paganismo e Bruxaria é inevitável que tenhamos a sensação de estar presos num patamar que não nos satisfaz. Em que sentimos que algo não está certo, apesar de estarmos a fazer a mesma coisa que temos vindo a fazer nos últimos tempos (às vezes até anos!), mas que não sabemos como mudar ou o que fazer para solucionar esta situação. Apesar da consistência e da rotina serem essenciais para o nosso dia-a-dia e constituírem as bases fortes da nossa prática, corremos sempre o risco de nos tornarmos estagnantes e atingir um ponto em que fazemos as coisas não porque as mesmas fazem sentido ou têm propósito, mas porque uma versão nossa anterior disse que tínhamos de fazer. E, tanto na Magia como no Paganismo, o propósito e a intenção são os pilares que nos orientam e definem a nossa prática. As nossas ações, sejam devocionais ou mágicas, precisam de intenção e a rotina, por vezes, pode retirar essa intenção e tornar as nossas ações como repetições mecânicas, despedidas de propósito. 

Antes de mais gostaria de recomendar a leitura do livro "The Witch's Path" da Thorn Mooney. Já falei muito dele daqui na análise literária e considero ser um livro excelente tanto para iniciantes como praticantes de longa data e que contém vários exercícios adaptáveis a todos os graus de dificuldade e situações possíveis, que nos ajudam a evoluir no nosso caminho, a quebrar rotinas tóxicas e a ser a nossa melhor versão de nós próprios enquanto Bruxes e, até, Pagãos. Um livro por ser relacionado com Bruxaria não quer dizer que não seja útil para aqueles que se identificam apenas como Pagãos. 

De seguida é preciso entender a origem desta estagnação e isso começa por uma reflexão interior. Esse é o momento de honestidade pessoal, em que temos de refletir e ser genuinamente honestos connosco próprios.  Temos de nos perguntar: o que é que não nos satisfaz? É preciso sentar, analisar as nossas rotinas, as nossas ações e entender onde está aquilo que já não faz sentido. Será a forma como falamos com as nossas divindades? Será o aspeto do nosso altar? Será a nomenclatura que usamos para nós próprios? Ou talvez seja o método divinatório que usamos diariamente que já não nos inspira para trabalharmos com? Algo estará a ser a causa da nossa estagnação e precisamos de refletir, genuinamente e sinceramente, e identificar o que é, para que o possamos mudar e curar. 

Um pouco importante, que sinto que afeta muita gente, é a ideia de que não podemos mudar e temos de nos manter fiéis aquilo que "dizemos ser". Isto é principalmente verdade na era das redes sociais. Definimos a nossa personalidade, os nossos gostos e os nossos caminhos com diversas "labels" e "etiquetas" que atribuímos a nós próprios. Tudo isto é válido e faz sentido, contudo, temos de garantir que isto nos serve realmente como uma ferramenta de auto-conhecimento e auto-trabalho e não como um factor limitador. Para isso, temos de aceitar que a mudança faz parte da vida e da nossa existência. Tal como a Natureza muda, da Primavera até ao Inverno, também o nosso caminho, seja pessoal ou espiritual, pode mudar ao longo da vida. 

Encontrando aquilo que não funciona no nosso quotidiano e que nos deixa insatisfeitos, está na altura de aplicar mudanças. Pode ser algo simples como passar a ter orações à noite ao invés de durante o dia, pode ser mudar a forma como celebramos os festivais, experimentar mais festivais ou menos festivais, conectar com uma divindade, desconectar com outra divindade, etc. A resposta é algo pessoal e a forma como ela vai ser aplicada vai ser pessoal também. Não há um manual ou um guia 101 de como construir a nossa prática ou como reconstruir a nossa prática, pelo que confiem na vossa intuição. Recordem-se: A vossa prática, espiritual ou mágica, tem de servir para vocês. Só vocês, não para algoritmos, para seguidores ou para outros (a menos que estejam dentro de grupos ou covens, aí esta dinâmica poderá ser diferente), mas principalmente para vocês.

Porém há alturas que nem assim conseguimos entender ao certo o que está errado. Por mais que pensemos ou meditamos simplesmente não conseguimos entender. Algo não está certo, mas o que será? Nestes casos, eu recomendo, tal como a Thorn recomenda no seu livro, que façamos uma lista de coisas gostamos e experimentemos um pouco. Não há regras que nos impeçam de mudar ou adaptar a nossa prática durante uns tempos. Nada diz que não podem experimentar outros caminhos. Por isso outra solução é ver o que é que nós gostamos de estudar e ler sobre: Será que gostamos de ler sobre Deuses Egípcios? Ou sobre Druidismo? Ou sobre práticas de bruxaria marinha? Escrever quais são os nossos interesses e por que motivo gostamos deles. E depois… experimentar! Fazer práticas de bruxaria marinha durante um mês e ver o que gostamos de fazer e o que não gostamos. Aplicar algumas práticas de Druidismo no nosso dia-a-dia. Ler sobre Divindades Egípcias e até investigar práticas keméticas e ver algo nos agrada. E experimentar, aplicar nas nossas rotinas e na nossa vida e ver se gostamos das mudanças ou não. E se não gostarmos, mudamos para outra coisa até encontrar o que sentimos que faz sentido.

Outra alternativa é voltar às origens. A maioria de nós começa o seu caminho no Paganismo ou na Bruxaria de forma bastante entusiasmada e temos tendências a olhar para essa altura como sendo uma altura bastante feliz e rica. Como tal, uma reflexão para essa altura para entender o que funcionava e o que não funcionava, voltar a aplicar algumas dessas rotinas no nosso dia-a-dia e tentar entender se esse retorno às origens poderá ajudar a revigorar o nosso quotidiano atual.  

Dentro da Bruxaria e do Paganismo temos milhares de tradições e caminhos, cada uma com as suas práticas e as suas técnicas de trabalho. Não há um caminho certo, como tal, podem e devem explorar os vossos caminhos da forma que sentem ser mais confortável e mais certa para vocês. Sem medos e sem receios, apenas partindo à aventura. E é exatamente isso que eu recomendo para quem está num momento de estagnação: Aceitar a mudar ao invés de tentar forçar o que não funciona e ir em busca daquilo que faz o nosso coração vibrar em alegria.

E vocês? Como gostam de fazer para sair de momentos de estagnação na vossa prática?

Olá a todes!

Gostava de partilhar que vou estar presente num evento em Março, chamado "Feira do Ocultismo e Esoterismo". Vou ter o prazer de dar uma palestra entitulada "Desmistificar a Senhora das Encruzilhadas: Quem é Hekate?" onde planeio falar acerca da Senhora Hekate, os seus mitos e desmistificar algumas ideias erradas a seu respeito, principalmente relacionada com a ideia de Hekate como Deusa Anciã, Hekate como Deusa Triplice (Donzela/Mãe/Anciã) e outras questões que surgem frequentemente nas redes sociais. 

Vou ter também a honra de estar acompanhada de várias pessoas fantásticas, cujo trabalho recomendo imenso como a Mora Sininho Rosa, a Joana Martins, a Mariana Vital, o Karagan Griffith, a Amala Oliveira, entre outros. 

O evento vai contar também com uma feira e vários workshops ao longo dos dois dias. Os workshops e as palestras requerem inscrição e pagamento, e podem inscrever-se através deste link.

Espero ter a oportunidade de vos ver por lá! 💖

Bênçãos Plenas,
Alexia Moon 

Capa do Livro
Título: A Coin for the Ferryman: The Death and Life of Alex Sanders 
Autor(es): Jimahl diFiosa
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Pela primeira vez em mais de 20 anos, chega a biografia definitiva do bruxo mais famoso do mundo: Alex Sanders. Pela primeira vez, Jimahl diFiosa conta a verdadeira história do "Rei das Bruxas" - nem demónio, nem santo -, mas algo entre os dois.
Onde Comprar: RedFaun Press
Análise: Eu tive o prazer de conhecer o autor e o seu esposo num evento em 2023, que foi quando obtive este livro (e outros) para ler. Entretanto, veio o burn-out e o hiatus e acabei por não chegar a publicar esta review, mas, como diz o ditado, mais vale tarde que nunca!

Primeiro que tudo, quero referir que, apesar de não ser Wiccana, eu tenho um carinho muito especial pela Wicca, porque foi o meu ponto de entrada no estudo do Paganismo e Bruxaria, principalmente através do Scott Cunningham e da Doreen Valiente. Então nunca recuso ler mais sobre o assunto, principalmente biografias, que é algo que eu adoro. 
 
E este livro foi, numa só palavra, fantástico. Eu li-o em dois dias e foi-me dificil pousar e parar a leitura, porque a forma como este livro está escrito é simplesmente deliciosa e prende-nos às páginas. A melhor descrição que posso dar, e que já dei a várias pessoas, é que ler este livro é uma sensação parecida a estar numa sala, com todas as pessoas que contribuíram com as suas memória para este livro, a ouvi-las falar acerca do Alex Sanders. 
 
Outro ponto interessante, que acho importante referir, é que este livro dá-nos uma percepção completamente diferente do Alex Sanders que normalmente se vê. E acho que isto é fortemente influenciado pelo facto de que a maioria das informações e relatos presentes neste livro vem de pessoas que realmente o conheceram, que viveram com ele, conviveram, realizaram rituais e assistiram à sua vida e ao seu trabalho no dia-a-dia. Eu sinto que, pessoalmente, grande parte do que sabia da vida do Alex Sanders vinha de fontes que, em muitos casos, estavam apenas a falar daquilo que tinham ouvido, que achavam ou que leram, contrariamente ao que este livro faz, que é transportar-nos, através das memórias das pessoas que com ele viveram, para os momentos-chaves da sua vida. Este livro mostra-nos um Alex que não é um ser perfeito, Rei das Bruxas, mas também não é um charlatão que desrespeita a mulher, nem as outras mil e uma coisas que ouvimos pela internet fora. Ele é apenas Alex Sanders, um homem complexo, com virtudes e com defeitos, com ações boas e ações más, cujo legado marcou profundamente uma tradição enorme que até hoje prospera e cresce com milhares de praticantes espalhados pelo Mundo fora. 
 
O autor, e as pessoas entrevistadas ao longo do livro, reforçam frequentemente esse ponto, e eu sinto a necessidade de o fazer também, que não podemos cair na falácia de considerar o Alex Sanders nenhum dos dois polos: Nem um santo, nem um diabo. Sanders foi um homem normal, como qualquer outro homem, que se distingue pelo seu trabalho, pelo seu legado e pelo seu serviço à Deusa e à sua tradição, mas que não deixa de ser um homem, sujeito às leis da natureza e sujeito a falhar, como todos falhamos. Creio que isto pode ser aplicado não só ao Alex Sanders, mas a todas a figuras do Paganismo e da Bruxaria que já faleceram e que temos a tendência de colocar em pedestais. É importante lembrar que devemos honrar e celebrar os seus legados, mas manter sempre presentes que, no final do dia, estas figuras eram tão humanas como nós. 

No fim, acho que este é um excelente livro e só posso recomendá-lo a toda a gente que tenha interesse na Wicca Alexandrina e na figura do Alex Sanders, porque este é, sem dúvida, um livro de referência que deve estar nas estantes de qualquer pessoa com interesse por esta temática!
 
E vocês? Já leram? O que acharam?

Olá a todes! ✨

Em 2024 quando anunciei o hiatus do Sob o Luar, reconheço que o anúncio pode ter surgido "do nada", contudo, aqueles me são próximos sabem que era uma necessidade já se vinha a arrastar e que atrasei o máximo possível. Para quem não sabe, o Sob o Luar é um projecto de uma só pessoa: Eu, Alexia Moon. E, em 2024, encontrava-me a tentar gerir um trabalho a tempo inteiro, a frequência na licenciatura (também a tempo inteiro) e variados projectos que me levaram à exaustão, até ao ponto em que tive de me afastar. Parar o blogue foi um momento agridoce: Por um lado, remover toda a pressão que o Sob o Luar me trazia naquela altura foi surreal mas necessário e gratificante; por outro lado, a sensação de estar a desiludir as comunidades pagãs, as pessoas com as quais me tinha comprometido a criar conteúdos e as pessoas que esperavam atentamente pelos conteúdos que eu criava, trouxe-me desilusão pessoal também.

Contudo, quase dois anos mais tarde, reconheço o quão importante foi essa decisão e quanto a minha percepção do meu trabalho sacerdotal e comunitário mudou. E assim, retorno ao Sob o Luar com um novo olhar, um novo propósito e mais descansada. Acho particularmente especial o facto de que este regresso acontece em 2026, quando o blogue fará dez anos de aniversário. Como tal, aproveito para agradecer a todos os que aguardaram o meu regresso e, àqueles que não voltarão, agradeço pela presença e pelas leituras e tempo que me dispensaram ao longo destes anos, por mais pequena que tenha sido a vossa visita.

Este retorno, porém, não vem sem mudanças:

Primeiramente, o Sob o Luar volta sem presença nas redes sociais. Nem Instagram, nem Facebook, nem Twitter (ou X)... A única rede social que, para já, planeio ter é o Bluesky, onde não existem algoritmos e necessidade de alimentar máquinas capitalistas de consumismo. Não quero satisfazer tendências mas antes criar conteúdo útil para as comunidades pagãs, e se tal era possível em 2006, sem redes sociais, também hoje o é, sem necessidade das mesmas. 

Em segundo lugar, e porque considero este um tópico de extrema importância, o blogue retorna com o aviso explícito de que a sua autora se opõe veemente a qualquer tipo de Inteligência Artificial Generativa (e AI em geral). Nenhuma imagem ou texto presente neste blogue tem, ou alguma vez terá, origem em AI. Não só por questões ambientais mas, também, por questões éticas. A minha ética pessoal e os meus príncipios rejeitam totalmente a AI.

Em terceiro lugar, apesar de estar a voltar ao blogue, não planeio voltar com a mesma intensidade a nível de conteúdos. Por mais que custe, o ritmo de produção deve acompanhar a poesibilidade, pelo que o meu retorno será mais fluído e mais calmo. Idealmente, planeio manter uma postagem por mês, ou até mais. Vai depender da musa, da inspiração e das spoons disponíveis.

Adicionalmente ao longo dos próximos meses pretendo também re-escrever alguns dos artigos já publicados. Comecei este blog em 2016 e em 10 anos há muita coisa que já mudou e tenho formas diferente de ver as coisas, por isso, vou aproveitar para dar uma nova vida a textos antigos.  

Como nota final, e tão importante nos tempos que correm, reitero que a autora deste blogue é uma mulher feminista bisexual e queer e que este espaço será sempre seguro para pessoas queer, trans e de qualquer identidade LGBTQIA+. Os comentários sempre foram, e continuarão a ser, moderados e qualquer tipo de discurso de ódio será efectivamente apagado. 

Dito isto,  espero continuar a produzir conteúdos que sejam úteis às comunidades Pagãs portuguesas, e que acompanhem o Sob o Luar nesta nova fase!

Vemo-nos no próximo post,

Bênçãos Plenas,
Alexia Moon 

Olá a todes!

Este post não é um retorno (mas está para breve!), mas gostava de deixar aqui partilhado que vou participar num evento agora no final de Agosto entitulado Mistérios do Círculo: Ciclo de Conversas de Paganismo e Bruxaria, sob o tema "Portais e Inicios".  

Este evento vai decorrer no servidor "Círculo dos Cogumelos" no Discord, organizado pela Mora Sininho Rosa. Podem obter mais informações aqui (instagram). Os bilhetes podem ser comprado no Ko-Fi aqui ou obtendo acesso à secção de Cogumelos com uma doação no Ko-Fi da Rosa.

Este evento vai dividir-se em duas partes: na parte da manhã, será aberto um espaço de convívio, para todos falarem do seu caminho e fazerem amizades pagãs, com algumas atividades interativas. Na parte da tarde, irão ocorrer palestras acercas de variados temas. O tema deste ano é "Portais e Inícios", por isso vamos tirar este tempo para refletir sobre como começamos e como chegámos ao nosso caminho atual.

Horário das Palestras no dia 31 de Agosto (domingo):

15h 🌑 "Bruxaria Tradicional Europeia" por Yiara (@/greenishiara no Twitter e Bluesky)

16h 🍃 "Entre a Terra e o Céu: Fundamentos do Paganismo Irlandês" por Bran Bradain (bosquedocorvo.com e @branbradain )

17h 🧚‍♀️ "Fadas, Portais e o Começo de uma Jornada" por Mora Sininho Rosa (foradestemundo.com)

18h 🧿 "Renascer no Ofício: O Sacerdócio Pagão como um Novo Começo" por Alexia Moon (sob-luar.blogspot.com)

 Espero ver-vos por lá. 💖

Quanto ao meu retorno para o Sob o Luar, posso confirmar que está para perto, diria mais umas semanas, e virá com bastantes mudanças (todas elas positivas!). 

Bênçãos Plenas,

Alexia Moon 

Olá!

Tornou-se complicado, e diria até impossível, conciliar todos os aspetos atuais da minha vida sem ter de parar algo. Como tal, optei por pausar, indefinitivamente, o Sob o Luar. 

Vai ficar tudo como está, o blogue não vai a lado nenhum, nem os seus recursos. O Diretório Pagão continua online, mas sem novas inscrições. Quem está inscrito e quer sair ou alterar dados, poderá enviar e-mail. O Patreon já foi informado e será encerrado ao longo deste mês. As redes sociais (Facebook e IG) ficaram sem actualizações e as consultas às DMs serão esporádicas, sendo o melhor método para falar comigo via e-mail!

Espero conseguir voltar no futuro próximo. Obrigada a todos pelo apoio que me deram sempre e um até já! 

Bênçãos Plenas,
Alexia Moon


Hoje vamos continuar com a nossa série de artigos onde abordamos as divindades. Vamos falar sobre os seus mitos, as suas associações e um pouco da sua história. Estes artigos não têm como objectivo substituir a investigação sobre as divindades mas sim despoletar interesse e, também, fornecer alguns pontos de partida para iniciar contacto com as Deusas e Deuses de que falaremos. 

As informações contidas nestes artigos não são suficientes para sustentar uma prática de culto a uma divindade e investigação adicional é sempre necessária. No fundo de cada artigo deixamos uma lista de sites e livros recomendados sobre cada divindade, de forma a que possam explorar mais sobre cada Deusa e Deus que falamos aqui. Ao longo do artigo vamos deixando também links para informações adicionais e explorações aprofundadas de certos tópicos. 

***

Nome: Hera (Ἡρη)

Panteão: Grego

História e Mitologia: Hera é a mais velha das filhas de Kronos e Rhea e, à semelhança dos seus irmãos, foi engolida pelo pai até ser libertada pelo seu irmão Zeus. São várias as zonas da Grécia que dizem ser o berço de Hera, entre elas Argos e Samos. Sabe-se pouco da sua infância até ao casamento, contudo, a história da corte de Zeus a Hera é famosa, sendo que autores romanos atribuíam o símbolo do cuco à deusa, pois Zeus ter-se-ia tornado num cuco para a conquistar. O seu casamento com Zeus é um dos poucos casamentos oficiais na mitologia Grega e, por isso, Hera é a Deusa dos Casamentos e das Uniões. Em Homero, Hera é caracterizada como sendo ciumenta e obstinada, fazendo até Zeus tremer. Na Guerra de Troia, a mesma opõe-se aos troianos e apoia os gregos, e está presente em vários mitos e nas histórias de vários heróis como o Julgamento de Paris, a Viagem de Jasão, etc. É frequentemente representada como uma mulher madura, em posição de poder, com uma expressão que comanda a  reverência. Na sua cabeça costuma ter uma coroa, representando o seu estatuto como Rainha dos Deuses. 

Celebrações: A nível do culto de Hera temos vários registos do seu culto, do qual destacamos os Jogos de Heraea, celebrados a cada cinco anos em Olimpia, em honra à Deusa Hera. Adicionalmente, a Deusa era cultuada em várias cidades espalhadas pelo território grego, com destaque para Argos, a cidade de Hera.  

Geneologia: Filha de Kronos e Rhea e mãe de Ares, Hebe, Eileithyia, Hefesto e as Charites (Graças). 

Epítetos: Agreie ("de Argos"), Gamelia ("a do Casamento"), Zugia ("A que Une"), entre outros.

Símbolos: O cuco, a vaca, o cetro real, a coroa, leões, entre outros. 

Leitura Recomendada: 
  • Theoi - Hera
  • Helenos.br - Hera
  • Helenos.br - Hinos a Hera
  • Vídeo "In Defense of Hera" de Fel the Blithe
Capa do Livro
Título: The Soul’s Inner Statues
Autor(es): Kaye Boesme
Pontuação: ★★★★★
Descrição: O livro "The Soul's Inner Statues" é um guia prático para qualquer pessoa que deseje desenvolver uma prática espiritual sólida e honrar os Deuses. Este livro leva-o numa jornada pelos fundamentos da oração diária, oferecendo orientações sobre como encontrar e honrar os Deuses que ressoam consigo. Explora práticas contemplativas, os elementos essenciais para criar rituais significativos, a importância da purificação e o papel do lar e da casa na sua prática espiritual. Também fala da importância da mentalidade, do pensamento crítico e da aprendizagem ao longo da vida. 
Onde Comprar: Github (disponível grátis)
Análise: Hoje venho falar-vos do livro "The Soul's Inner Statues" que li durante a pausa do Sob o Luar. Este livro, disponível gratuitamente online (link acima), é um pequeno guia para quem pretende começar um caminho politeísta. O livro é bastante influenciado pela tradição platonista (de Platão, o filósofo grego), que é a tradição a que a autora se identifica e segue. Isto faz com que o livro seja bastante abrangente e facilmente adaptável a qualquer tipo de tradição ou caminho específico que o leitor siga. 

O livro está dividido em várias partes: 
  1. Fundações
  2. Deuses
  3. Purificação
  4. As Mecânicas do Ritual
  5. Aprendizagem ao Longo da Vida
  6. Virtudes
  7. Navegar Grupos

Em cada uma das partes, existem subtópicos onde a autora desenvolve acerca de cada um e fornece exercícios, reflexões, meditações, rituais e outras dicas úteis. É um livro bastante abrangente e facilmente adaptável, ao contrário de outros livros que acabam por ter uma visão mais voltada para a Wicca. 

Algo que eu gostei bastante neste livro, foi a forma como a autora nos faz pensar na filosofia e na importância que uma filosofia de vida tem, e orientar-nos pelos nossos próprios critérios. Adicionalmente, a secção acerca de Grupos está muito boa e com informação muito essencial, principalmente referente aos riscos de lidar com certos grupos e ter atenção ao comportamento das pessoas. 

Outro aspecto positivo do livro é que, como devem ter reparado, o mesmo está disponível gratuitamente online no GitHub e, inclusive, pode ser feito download de uma versão ePub ou PDF, para ser lido em e-readers. Isto torna a acessibilidade ao documento muito mais fácil e, por isso, é dos primeiros livros que tenho recomendado (a quem lê inglês, claro) para quem está interessade em começar a prestar culto e honras aos Deuses. 

E vocês? Já leram? O que acharam? 

Tal como em todos os aspectos da nossa vida, a nossa jornada espiritual ou religiosa ou até mágica, nunca será linear. O nosso caminho não é um trilho de A a B mas sim de A a Z com paragem em quase todas as letras do alfabeto e, às vezes, até letras que não existem (ou até voltarmos atrás ao início do alfabeto e começarmos tudo de novo!). Isto faz com que, a certas alturas, haja momentos de dúvidas. Podem ser dúvidas como "Será que quero celebrar este festival?" ou dúvidas como "Será que acredito mesmo nisto?". E, tal como é normal ter dúvidas, é normal sentir culpa de ter dúvidas, contudo, esta culpa é desnecessária e temos de a ultrapassar, para que possamos enfrentar as nossas dúvidas e sair do "buraco" para onde tropeçamos. 

Ao longo de todo o meu caminho já passei por vários momentos de dúvidas e hoje venho trazer-vos alguns conselhos de como eu consegui ultrapassar alguns destes momentos, na esperança de vos ajudar a ultrapassar os vossos. Claro que nem todos os momentos de dúvida são iguais e o que serviu para mim, pode não servir para vocês (até pode nem servir para mim no futuro!) mas quantas mais possibilidades e reflexões fizermos, mais fácil é enfrentar o elefante na sala, por isso, vamos lá?

Para mim, o primeiro passo é entender qual é a dúvida ou qual o problema que estou a enfrentar no momento. Apesar de fácil, este pode ser dos passos mais complicados pois requer que sejamos sinceros connosco próprios e aceitemos que algo está errado ou que algo não está a funcionar bem. E, para quem está no mesmo caminho há muito tempo, pode ser complicado aceitar que algo já não funciona ou que deixou de fazer sentido. A mudança é assustadora, principalmente quando é algo que nos é tão pessoal como a espiritualidade/religiosidade. Contudo, não podemos enfrentar a tempestade sem saber como ela se chama e de que é feita, por isso, recomendo escolher um momento tranquilo, sentar e refletir sobre qual é o obstáculo. Aconselharia até a escrever num caderno ou numa folha, pois a realidade de olhar para algo escrito, preto no branco, torna tudo muito mais real e menos assustador. 

Depois de sabermos com o que estamos a lidar, temos de começar a lidar com o assunto. Para facilitar o artigo, vamos escolher um dilema e desenvolver como o mesmo pode ser ultrapassado. Imaginemos que o nosso dilema é "Sinto que a Wicca já não é o caminho para mim, e que não me sinto feliz". Como é que podemos começar a resolver esta situação? Para começar, eu diria para escreverem, por baixo desta frase, o que sentem que já não funciona. Será os festivais? É o facto de ser um caminho mais duoteísta (Deus e Deusa)? É o próprio nome em si? Ás vezes achamos que o caminho todo já não nos serve e, afinal de contas, era só um pequeno aspecto como "sinto que não consigo celebrar todos os Sabbats e sinto-me insatisfeite" ou "sinto que sou mais politeísta e menos duoteísta". Ao encontrarmos os pontos que nos deixam desconfortáveis, encontramos a forma de os desconstruir e arranjar uma solução. 

Assim que sabemos exatamente o que nos incomoda, é a altura de descobrir como lidar com isso. Aqui, é complicado sugerir soluções, porque vai depender não só de qual o problema em específico mas, também, daquilo que queremos fazer. No caso acima, a pessoa pode não querer deixar a Wicca mas apenas alterar coisas na sua prática pessoal. E, algo que sinto que devo insistir, isso é perfeitamente normal e dois Wiccanos não são iguais e podem, perfeitamente, adaptar a sua prática para encaixar no que sentem que é certo. Recomendo, contudo, se fazem parte de um coven organizado, que falem com os Altos Sacerdotes/isas e vejam alternativas, de forma a não se afastarem das práticas do coven, mas, se forem solitários, o céu é o limite e podem adaptar a vossa prática para se encaixar mais dentro da vossa vontade. Ao mesmo tempo, podem sentir que querem seguir um caminho diferente, e mudar para, por exemplo, "Pagão Eclético" e adaptar a vossa prática, mudando algumas celebrações ou coisas que fazem. Essa mudança é válida! 

Somos todos humanos e, por consequência, estamos todos sujeitos a mudanças e alterações na nossa vida. Ninguém fica a mesma pessoa da adolescência até à velhice, por isso, não sintam medo em mudar as vossas nomenclaturas ou os vossos caminhos, se sentirem que é o passo na direção certas. No final de contas, a espiritualidade e a religiosidade são coisas para ser vividas e experienciadas por nós, fazem parte da nossa vida pessoal, e não devemos satisfações a ninguém. Devemos fazer aquilo que sentimos que é certo e que é o apropriado para a nossa realização pessoal. Não tenham medo de mudar, o que importa, é que estejam felizes e se sintam ligados à vossa espiritualidade, seja ela qual for. 

E vocês? Já passaram por momentos destes? Quais as vossas dicas para quem está a passar por um momento destes?
Capa do Livro
Título: O Círculo Interior: Um discurso sobre a Tradição Alexandrina da Witchcraft
Autor(es): Karagan Griffith
Pontuação: ★★★★★
Descrição: Um olhar intenso sobre a história da tradição mas também ensinamentos para clarificar alguns elementos que são sobejamente mal entendidos. Baseado na experiência do autor na tradição, este livro ilustra os fundamentos da tradição e noções interessantes do ponto de vista de um iniciado. Contém também alguns exercícios para que, quem lê, possa também avançar um pouco na prática que poderá levar, quem sabe, um dia a uma iniciação.
Onde Comprar*: Lulu
Análise: Hoje trago-vos um livro que considero, na minha opinião, uma peça extremamente necessária às comunidades pagãs portuguesas: um livro acerca da Wicca Alexandrina, escrito por um sacerdote de um coven da Tradição Alexandrina (Coven de Tomar). 
Já tinha ouvido falar do Coven de Tomar e do autor há algum tempo, mas tive o prazer de falar tanto com ele como alguns membros do Coven e, inclusive, participar numa mesa redonda com o Karagan no 1º Encontro Ancestral (cuja cobertura podem ver aqui) e fiquei logo fã de todo o trabalho dele. E, como tal, não passei a oportunidade de adquirir o livro no evento. 
Este é um livro que é bastante completo na informação que transmite. É muito acessível e com linguagem de fácil compreensão e recheado de informações úteis como as origens da Wicca Tradicional e da tradição Alexandrina, incluindo informação sobre as linhagens e sobre várias pessoas cujo trabalho foi impactante para o surgimento da Tradição Alexandrina; desenvolve acerca dos princípios da Tradição, tocando em vários pontos importantes, inclusive tem um capítulo dedicado ao conceito da Iniciação (que é tão debatido nas comunidades!) onde o autor nos explica acerca de como o processo funciona dentro da Tradição, acerca do "Vouch" (algo que, na minha opinião, é excelente numa Tradição e que eu gosto muito na Wicca)! Tem também todo um capítulo acerca dos Covens, com muita informação para quem está interessade em juntar-se a um coven ou a entender como os mesmos funcionam. 
Algo que eu quero destacar neste livro, e que faz com que eu goste tanto dele, é a transparência do autor. Sem divulgar nenhum aspecto secreto da Tradição (que os há, como todas as Tradições da Wicca Tradicional), ele consegue falar abertamente de todos os tópicos, inclusive os mais difíceis como abusos sexuais e predadores nas comunidades, as questões da identidade de género e até acerca da sexualidade ritual e da nudez ritualística. Achei muito refrescante ler um livro que é tão sincero e genuíno. 
No final do livro, o autor tem uma seção com perguntas e respostas que, suponho, são questões que são frequentemente colocadas ao coven e a ele próprio e disponibiliza ainda uma pequena lista de recursos e recomendações literárias, inclusive espalhadas ao longo do livro. 
Achei genuinamente que o "O Círculo Interior" é um livro que fazia falta nas nossas comunidades. Temos muitos livros de Wicca mas poucos livros de Wicca Tradicional, principalmente de Tradição Alexandrina e principalmente que tenham sido escritos atualmente, e não há 50 anos atrás (que, pessoalmente, acho importante pois vivemos em contextos diferentes daqueles que os fundadores viviam). É um livro que fazia falta às nossas comunidades e que recomendo vivamente a todos os interessades na temática da Tradição Alexandrina! 

E vocês? Já leram este livro? Que acharam? 

* Os links fornecidos podem pertencer a 'Affiliate Programs' e geram uma taxa de lucro ao Sob o Luar. Não existe qualquer despesa adicional para o comprador.

Qualquer pessoa que investigue sobre Politeísmo Helénico ou que comece a pesquisar sobre Divindades Gregas, acaba por encontrar referências aos Hinos Homéricos. Contudo, nem todos sabem o que são os Hinos Homéricos e é sobre eles que hoje vamos falar.

Os Hinos Homéricos são um conjunto de trinta e três (33) poemas ou hinos a celebrar várias divindades. Os mesmos são considerados "homéricos" pois possuem uma estrutura semelhante aos épicos Homéricos da "Odisseia" e da "Ilíada", não significando, necessariamente, que tenham sido escritos todos pela mesma pessoa (a identidade do autor "Homero" é um assunto de debate entre os classicistas e historiadores, que não planeio abordar neste artigo). Os Hinos Homéricos são tentativamente datados do século 7 AEC (antes da era comum), contudo há alguns poemas que podem ter sido escritos mais tardiamente, como é o caso do "Hino a Ares", que alguns académicos consideram ser de um período mais tardio. 

Estes Hinos seriam originalmente recitados, na Grécia Antiga, em eventos ou rituais religiosos e descrevem os feitos dos vários Deuses, enaltecendo a sua história, a sua importância e o seu papel. Um dos Hinos mais famosos é o "Hino Homérico a Demeter" que nos conta a história da Descida/Rapto de Persephone, e, por consequência, o surgimento das estações do ano. Também o Hino a Hermes é bastante conhecido, pois retrata o nascimento do Deus Hermes e as suas peripécias enquanto bebé. 

Os Hinos Homéricos são importantes não só a nível religioso, pois permitem-nos uma visão dos mitos dos Deuses e, ao mesmo tempo, fornecem-nos hinos que podemos cantar ou recitar aos Deuses, tal como os gregos antes de nós o faziam, como também a nível literário, pois são uma das peças literárias mais antigas da Literatura Grega, e de uma importância enorme para os Estudos Clássicos. 

Existem várias formas de organizar os Hinos, pelo que podem encontrar várias ordens em que os mesmos se encontram listados, dependendo do tradutor ou do autor da edição. A ordem abaixo, que vos apresento, é com base no livro "The Homeric Hymns - A new translation by Michael Crudden" da Oxford World Classics, que é a edição que eu pessoalmente tenho em casa (e recomendo bastante, pois não só tem uma excelente introdução, como também possui notas que explicam os vários pontos de cada hino). Infelizmente não conheço nenhuma versão em português que possa recomendar. 

  1. Hino a Dionísio
  2. Hino a Deméter
  3. Hino a Apolo
  4. Hino a Hermes
  5. Hino a Afrodite
  6. Hino a Afrodite
  7. Hino a Dionísio 
  8. Hino a Ares
  9. Hino a Ártemis
  10. Hino a Afrodite
  11. Hino a Atena
  12. Hino a Hera
  13. Hino a Demeter
  14. Hino à Mãe dos Deuses (Rhea/Cibele)
  15. Hino a Heracles, com o coração de Leão
  16. Hino a Asclépios
  17. Hino aos Filhos de Zeus
  18. Hino a Hermes
  19. Hino a Pã
  20. Hino a Hefesto
  21. Hino a Apolo
  22. Hino a Poseidon
  23. Hino a Zeus
  24. Hino a Héstia
  25. Hino às Musas, Apolo e Zeus 
  26. Hino a Dionísio
  27. Hino a Artémis
  28. Hino a Atena
  29. Hino a Hestia
  30. Hino à Terra/Gaia
  31. Hino a Helios
  32. Hino a Selene
  33. Hino aos Filhos de Zeus

E vocês, já conheciam os Hinos Homéricos? Qual o vosso favorito?


No passado dia 4 e 5 de Novembro de 2023 realizou-se em Reguengos de Monsaraz, no Centro Druídico da Lvsitânea, o 1º Encontro Ancestral: Jornadas de Paganismo em Portugal. Este encontro foi organizado pelo Templo de Inanna e Astarté e pela Assembleia da Tradição Druídica Lusitana e com a Coordenação de COARCI - Conselho de Antigas Religiões e Cultos da Ibéria. 

O Sob o Luar teve o prazer de participar a convite do Templo de Inanna e Astarté e fez parte da Mesa Redonda - Impacto do Paganismo e das Comunidades Pagãs em Portugal e, juntamente com a Comunidade Paganices, teve a oportunidade de apresentar uma nova edição dos Seminários de Bruxaria Contemporânea, desta vez focando-nos na Feitiçaria e Bruxaria em Portugal! 

Primeiro Dia - 04 de Novembro de 2023


O dia começou cedo pelas 08:30h da manhã com uma receção e pequeno-almoço preparado pelos membros da ATDL e foi seguido pela Abertura oficial do 1º Encontro Ancestral, que contou com palavras do Arqui-Druida Adgnatios Kuridai da ATDL e da Mariana Vital, Sacerdotisa do Templo de Inanna e Astarté que nos deram as boas-vindas e apresentaram o programa para o evento. 

O restante da manhã foi espaço para o Ciclo de Palestras COARCI: Paganismo em Portugal, onde tivemos a oportunidade de ouvir quatro apresentações: 

  1. As transmutações da Roda do Ano Céltica Lusitana por Arqui-Druida Adgnatios Kuridai
  2. Xamanismo Ibérico por Carla Mourão
  3. Assembleia da Tradição Druidica Lusitana por Adgatia Vatos 
  4. Cultos Fenícios e Ibéricos em Portugal por Mariana Vital
Após um delicioso almoço, cortesia da ATDL, passamos para a parte da tarde que, apesar da chuva que se fez sentir, foi recheada de de atividades! Começamos pela segunda edição dos Seminários de Bruxaria Contemporânea onde tivemos a oportunidade de participar num ritual criado por Amala Oliveira da CASA Sagrar e onde a mesma nos falou acerca das "Memórias da Antiga Tradição preservadas no quotidiano das avós". Logo de seguida, e ainda dentro dos Seminários da Bruxaria Contemporânea, foi a apresentação de Karagan Griffith, Alto-Sacerdote da Wicca Alexandrina do Coven de Tomar - Linha de Queensberry, acerca do "Movimento Alexandrino no Mundo e Portugal" onde nos apresentou esta Tradição da Wicca, a sua história e partilhou connosco alguns vídeos.

No fim dos Seminários, tivemos uma atividade de Oficina de Barro guiada por Medeia, onde os participantes tiveram oportunidade de criar o seu Totem Ancestral. Após um pequeno lanche, celebrou-se o Rito Ancestral de Samónios no espaço sagrado da ATDL, cujas fotos podem verificar na página oficial da ATDL. 


Para terminar o primeiro dia deste evento, tivemos um Concerto Bárdico pelos bardos da ATDL e um Espetáculo de Fogo deslumbrante cortesia da Rita Duarte e do Luís Barbas. Ao longo do dia, tivemos disponível uma Mostra de Artesanato de vários artistas pagãos portugueses como Under the Moon Strings, Portal de Hécate, Fora Deste Mundo, Medeia, Retorno da Deusa, Bosque de Drusuna e o hidromel e livros da própria ATDL. 

Segundo Dia - 05 de Novembro de 2023

O segundo dia deste evento iniciou-se pelas 09h da manhã com um pequeno almoço, cortesia dos elementos da Assembleia da Tradição Druídica Lusitana, seguindo-se o Lançamento da Revista da Tradição Lvsitana Centro de Estudos Druídicos. Ao longo do dia estava também disponível uma Mostra Literária que contava com a presença do Centro de Estudos Druídicos, Morgana da Lusitânia, Karagan Griffith, Jimahl Di Fiosa, Amala Oliveira e Mora Sininho Rosa. 


Durante a manhã tivemos a primeira Mesa Redonda do dia com a temática "Movimentos Emergentes no Paganismo em Portugal" que contou com a participação de Mora Sininho Rosa, Joana Martins e Natasha Mirra, com moderação de Mariana Vital. Nesta mesa falou-se da forma como o Paganismo é visto e reconhecido pelas novas gerações, da importância das redes sociais e do seu impacto no movimento pagão, das questões socioambientais que atravessamos de momento e da definição de Paganismo no espaço e tempo atual. 


Após a Mesa Redonda seguiu-se o almoço, onde os participantes tiveram a oportunidade de conviver e trocar opiniões acerca dos debates que ocuparam a manhã e se prepararem para a segunda Mesa Redonda, que se iniciou no período da tarde. A segunda Mesa Redonda contou com a participação de Adaltena (ATDL), Mariana Vital (Templo de Inanna e Astarté), Carla Mourão (Retorno da Deusa), Alexia Moon (Sob o Luar) e Karagan Griffith (Coven de Tomar), com moderação de Natasha Mirra. Nesta mesa abordou-se a temática "Impacto do Paganismo e das Comunidades Pagãs em Portugal" e debateu-se a evolução das comunidades pagãs no nosso país nos últimos anos, as reflexões das mudanças e desafios que cada um dos participantes enfrentou e enfrenta no seu trabalho com a comunidade pagã e várias reflexões acerca do que é a comunidade e como a comunidade deve ser trabalhada e coexistir entre si. 

No final da última Mesa Redonda, procedeu-se à entrega dos prémios do 1º Concurso de Poesia Pagã, cujos resultados podem ser verificados na página oficial da Assembleia da Tradição Druídica Lusitana! Parabéns a todes vencedores!

No final, após umas palavras de fecho da organização, partilhou-se de um hidromel e deu-se por encerrada a primeira edição do Encontro Ancestral! Esperamos que haja oportunidade de serem feitos mais eventos similares em Portugal e estamos à espera da próxima edição!

E vocês, foram? O que acharam?

Um sentimento que é comum tanto a pagãos como a praticantes de ramos de bruxaria, é a a vontade de adaptar os caminhos pessoais aos locais onde vivemos, seja a nível de festivais, tradições, práticas tradicionais, etc. É uma vontade comum e, na minha opinião, essencial para aqueles que pretendem melhorar os seus laços com a sua terra ou o local onde vivem. 

Como já referi várias vezes aqui no blogue, na minha opinião, ser Pagão também implica uma conexão com o Mundo em que vivemos, especificamente com o mundo ativo onde estamos, ou seja, as nossas cidades, aldeias, vilas, países, zonas do mundo, quintais, etc. Muitos pagãos concordam que um dos pilares da definição do Paganismo, é a conexão com a Natureza e a ligação com o mundo natural. E, sejamos honestes, qual a melhor forma de estabelecer esta conexão e de sentir estas ligações do que com aquilo que está ao nosso redor? O que é mais fácil, para um pagão da América do Norte, conectar-se com as árvores do seu quintal ou da sua rua ou conectar-se com o conceito de uma árvore que só existe na Inglaterra ou na Irlanda? Será, obviamente, mais fácil conectar-se com a sua própria flora local. A ligação com a Natureza local, não só é uma mais-valia do ponto de vista ecológico (como eu já mencionei no artigo sobre a Ética dos Cristais e Plantas, acerca da utilização de ervas e plantas que existam perto de nós, fomentando o comércio local, aprendendo a cultivar e cuidar de plantas e estabelecendo aliados em plantas nativas da nossa zona) como também é uma mais-valia do nosso próprio bem-estar espiritual, pois estes aliados de que falamos, encontram-se perto de nós e ajudam-nos no nosso caminho. Um exemplo prático deste cenário, e um pouco relacionado com o meu caminho pessoal, é o culto das Ninfas na Antiguidade Clássica. Era comum haver ninfeus, pequenos locais de culto às ninfas locais, fossem de fontes, lagos, rios, etc. A água era preciosa e era essencial garantir uma ligação estreita com os seres espirituais destas fontes de água e, como tal, havia o culto das Ninfas que ainda hoje em dia podemos aplicar na nossa prática. 

Para além destes aspetos, podemos também referir que a adaptação das práticas locais, como festivais ou tradições, pode ser benéfico para quem tem interesse em aprofundar ligações com as tradições folclóricas do local onde nasceu ou vive. Por exemplo, um praticante de Trás-os-Montes poderá querer incluir no seu caminho características ou práticas típicas transmontanas. Apesar de muitas destas práticas terem influências católicas e cristãs, a origem-base das mesmas é o Paganismo e, como tal, podem facilmente ser readaptadas de volta a caminhos pagãos. Para aqueles que sentem uma ligação próxima com o local onde vivem ou nascem, com o seu país ou com a sua zona do país, esta pode ser uma forma de coexistir os dois mundos. Isto também se refere a práticas ou costumes familiares, passados de geração em geração e adaptados ao caminho pagão de cada um. 

Não há um conjunto de instruções de passo-a-passo de como fazer isto. É algo que vai depender de cada um de nós, de cada uma das práticas que pretendemos incluir ou adaptar e da forma como o queremos fazer. O que recomendo, para quem quer começar a explorar estas hipóteses, é investigar e estudar sobre as práticas locais onde zona que tem interesse, escrever tudo num documento ou numa folha e tentar estabelecer um plano de como incluir as mesmas na sua prática pessoal. Recordo que não existem regras fixas neste processo, e que podemos (e devemos) adaptar as coisas como sentirmos que faz mais sentido. E, claro, a qualquer momento do nosso caminho, podemos voltar atrás e mudar algo ou trocar algo, se acharmos que já não faz sentido estar como está. 

E vocês, há alguma prática local que tenham adaptado ao vosso caminho? 

O culto aos Ancestrais é uma prática predominante em várias tradições dentro do Paganismo, como é o caso do Helenismo ou de Heathenry e, também, em práticas mais tradicionais ou folclóricas. Este tipo de culto é um culto diferente do culto de Divindades (como já vimos anteriormente no artigo Diferença de Cultos: Deuses, Ancestrais e Outros), pois não é baseado no honrar uma divindade/ser superior, mas sim no honrar e respeitar aqueles que vieram antes de nós. Inclusive, muitos praticantes preferem chamar-lhe "Honras" aos Ancestrais, ao invés de Culto. Tal como quase tudo dentro do Paganismo, vai depender do praticante e da tradição, pelo que não se sintam limitades.

Apesar de, por norma, este culto ser prestado culto aos nossos familiares diretos, que já não se encontram entre nós, como é o caso de avós, bisavós, tios, pais, etc. é também comum haver honras a outros tipos de Ancestrais. Há quem goste de dividir o conceito de Ancestrais, reconhecendo vários tipos de ancestrais como:
  • Ancestrais de Sangue: Aqueles que fazem parte da nossa família e da nossa árvore genealógica, que partilham a nossa linhagem. 
  • Ancestrais da Arte: Aqueles que fazem parte do nosso caminho religioso/espiritual/mágico, mesmo que não os conheçamos. Podem ser autores famosos que nos inspiraram e já morreram, podem ser ancestrais de uma forma mais genérica como "todas as sacerdotisas antes de mim", etc. 
  • Ancestrais de Honra: Aqueles que, pelas suas ações ou pela sua vida, queremos honrar. Aqui pode haver uma mistura com o conceito de Honra de Heróis, dado que as pessoas podem ser encaixadas em ambas as categorias. Podem ser atores, figuras políticas, figuras históricas, etc. 
  • Entre outros. 
Estas categorias podem ter vários nomes, e até serem subdivididas, dependendo das tradições. Mas, essencialmente, representam o mesmo. É um conjunto de pessoas, que conhecemos ou não, que já não se encontram no plano físico e às quais queremos honrar. Há quem decida incluir, nos seus altares de ancestrais, também animais de estimação, ficando ao critério de cada um. 

Agora, a questão que se coloca, como se começa um culto ou honras aos Ancestrais? E como se faz? 

Da mesma forma que cria qualquer outro tipo de culto ou honras: Devemos criar um espaço para um pequeno altar ou local onde possamos honrar estas pessoas, com base na nossa prática pessoal (por exemplo, no meu caso, o meu altar de Ancestrais está abaixo de todos os outros altares, para estar mais perto da Terra e do mundo ctónico). Podemos decorar o mesmo como preferirmos, sendo que recomendo sempre uma toalha e velas. E, claro, devemos colocar fotos ou representações de quem queremos honrar. Podem ser fotos das pessoas, objetos que a pessoa nos tenha dado e nos lembra dela, cartas ou outros bens que nos fazem pensar na pessoa. 

Estamos, essencialmente, a criar um pequeno espaço onde podemos ir e recordar aquelas pessoas, pensar nelas, no impacto que tiveram na nossa vida e recordá-las. Como se costuma dizer na Bruxaria "Aquilo que é recordado, vive" e é esse o objetivo da honra dos Ancestrais: recordá-los e manter a sua memória e legado vivos. 

Depois do espaço criado, a forma como as honras são feitas vai depender de cada tradição e caminho (recomendo este artigo que compila algumas formas de culto de Ancestrais). Algumas recomendações que posso dar são:
  • Manter o espaço limpo e estabelecer um ritmo para fazer oferendas (podem ser velas, incensos, libações, etc.); 
  • Determinar uma altura do ano (para quem segue a Roda do Ano, poderá ser Samhain) onde dedicamos mais tempo e uma celebração mais complexa aos Ancestrais; 
  • Ir renovando as fotos ou adicionando novas pessoas, conforme necessário. 
O culto dos Ancestrais, ainda mais do que o culto das Divindades, é um culto extremamente pessoal, pois as pessoas que estamos a honrar são pessoas que tiveram um impacto direto em nós, na nossa vida e no nosso caminho e, como tal, não há certos nem errados. Poderá haver orientações, dependendo da tradição de cada um, mas, no final de contas, este espaço que criamos serve para nos conectar com quem já não está entre nós e só nós podemos decidir o que é certo ou errado, por isso, não se sintam limitades por nada que leiam e, lembrem-se, "Aquilo que é recordado, vive". 

Hoje falaremos de uma das principais conceções erradas no que diz respeito à Deusa Hekate: a sua consideração como uma Deusa Tripla, no sentido de "Donzela/Mãe/Anciã", o chamado "MMC (Maiden, Mother, Crone"). É este conceito que pretendo desconstruir com este artigo.

Contrariamente à ideia popular, Hekate é uma Deusa tradicionalmente representada como sendo Deusa Virgem (à semelhança de Artemis). Vemos essa representação, por exemplo, na citação dos Oráculos Caldeus (para mais informação sobre Hekate nos Oráculos Caldeus, recomendo este episódio do Podcast da Caverna de Hekate):

“I come, a virgin of varied forms, wandering through the heavens, bull-faced, three-headed, ruthless, with golden arrows; chaste Phoebe bringing light to mortals, Eileithyia; bearing the three synthemata (sacred signs) of a triple nature. In the Aether I appear in fiery forms and in the air I sit in a silver chariot.” - Oráculos Caldeus

Também todas as representações que temos de Hekate, em estátuas ou pinturas, representam-na como uma jovem rapariga ou, quando com cabeça de animais, com o corpo de uma jovem rapariga. Em nenhum momento a Deusa Hekate é caracterizada como sendo uma "velha anciã".

A ideia de Hécate enquanto uma figura Anciã surge, curiosamente, pela mão de Aleister Crowley, já no início do séc. XX em vários dos seus livros e documentos. Como a Sorita d'Este cita no seu artigo Hekate's Profanation (que eu recomendo vivamente e considero leitura obrigatória para qualquer interessado na Deusa Hekate):

"Hekate is the crone, the woman past all hope of motherhood, her soul black with envy and hatred of happier mortals." - Aleister Crowley, no seu livro "Moonchild".

Esta representação de Hekate enquanto uma velha anciã, aliada ao conceito cada vez mais crescente, à época, de uma Deusa de três Fases (Donzela, Mãe e Anciã - para mais informação sobre o conceito de MMC, recomendo o meu artigo "A História da Deusa Tríplice"), levou a que Hekate ficasse, incorretamente, atribuída ao conceito de Anciã. Hekate, historicamente e mitologicamente, nunca foi uma Anciã, mas sim uma jovem rapariga (ou, se preferirem, uma "Donzela"). Contudo, o papel de Hekate como Donzela não é enquanto a Donzela famosa das tradições Wiccanas, mas apenas uma representação do facto de a Deusa ser representada como uma jovem menina ou mulher nas suas representações clássicas, à semelhança de outras divindades como Artemis ou Héstia. 

Apesar disto, Hekate é uma Deusa Tripla, ou seja, é representada como tendo três corpos/cabeças. Esta representação pode ocorrer como sendo três corpos humanos, como um corpo com três cabeças humanas ou como um corpo com três cabeças de animais (normalmente bois, cães, cobras, cavalos, etc.). Hekate não representa três Deusas diferentes ou três aspectos diferentes, como a Deusa Tríplice Wiccana, mas sim apenas a sua divindade, que é representada num corpo triplo. 

Para mais informações acerca da Deusa Hekate recomendo o meu artigo "Deusas e Deuses: Hekate" e também a visitarem o Covenant of Hekate. 

Olá! 👋🏻

Quero começar por agradecer a paciência de quem esperou pelo meu regresso e pelas mensagens de apoio que recebi nas redes sociais! Esta pausa não só foi bem merecida como bem necessária. O regresso vem com algumas reflexões e algumas mudanças. Os membros do Patreon já sabem, dado que publico tudo lá com antecedência e os mantive a par ao longo destas férias, e agora partilho convosco também.

Contudo, antes de explicar o que vai mudar e apresentar este novo capítulo do Sob o Luar, quero contar-vos como cheguei a este momento. 

Eu comecei a estudar Paganismo e Bruxaria em meados de 2006 e, passado uns tempos, em 2008 criei um blogue chamado "Caminho Mágico" (que já não existe, em nenhum formato). Este blog esteve em funcionamento até inícios de 2014, quando fui obrigada a encerrá-lo por infelizes motivos. Mais tarde, , no início de 2016, ultrapassada a situação em que me encontrava, criei o Sob o Luar com um propósito semelhante: ajudar, guiar, orientar, tanto no Paganismo como na Bruxaria. A partir de 2016, com o meu regresso às comunidades pagãs e, pode dizer-se, à minha independência, várias coisas aconteceram: juntei-me a grupos e comunidades online que tive o prazer de moderar, tornei-me Sacerdotisa de Hekate e Persephone pela Fellowship of Isis, fundei o Iseum do Caminho da Terra, participei em livros, em seminários, em conferências e... descobri caminhos novos. Descobri chamamentos novos. Enquanto descobri estes novos caminhos, senti também uma desconexão com trilhos em que me encontrava antes. 

Em 2020, com o início da pandemia, comecei a explorar formas diferentes de encarar o Divino, comecei a investigar outros caminhos pagãos e comecei a encontrar um novo rumo: o Paganismo Helénico. E, ao mesmo passo, fui-me desligando da Bruxaria cada vez mais. Em 2021 deixei de me identificar como Bruxa mas continuei sempre a produzir conteúdos, contudo... Desde finais de 2022 que perdi a vontade de produzir conteúdos de Bruxaria. Tenho-me forçado, por vários motivos que impus a mim mesma, mas, com estas férias, cheguei finalmente à conclusão de que está na altura que aceitar a realidade de há muito tempo: A Bruxaria já não me chama e, como tal, não tenho que produzir conteúdos sobre a mesma e posso dedicar a minha energia e tempo a produzir conteúdos e a ajudar pessoas que estejam interessadas naquilo que me chama: o Paganismo e a Religiosidade Pagã.

É desta transformação que as mudanças do Sob o Luar nascem. Mas perguntam vocês, e o que vai mudar? Pois bem, vamos por pontos:
  • A temática do Sob o Luar vai focar-se, exclusivamente, em Paganismo e Religiosidade Pagã. Claro que há temáticas que se intersectam (rituais, métodos divinatórios, cristais, etc.) mas o foco vai manter-se na parte pagã e não na parte bruxa.
  • Isto leva a que vários artigos tenham sido removidos do Sob o Luar. No total, foram removidos cerca de 46 artigos. Alguns destes vão ser rescritos e publicados nos próximos meses. Se houver algum artigo que vocês tenham guardado e gostariam de ter uma cópia, para uso pessoal, enviem e-mail para o contacto do blogue. 
  • O Curso de Magia Quotidiana foi descontinuado (maioritariamente por falta de tempo da minha parte), contudo, estou a planear, a médio/longo prazo, lançar cursos diferentes. A página de Serviços foi apagada.
  • O Portal de Iniciantes e os Recursos foram unidos numa só página, de forma a ser um hub central de informações úteis. Os tópicos e recursos relacionados com Bruxaria foram removidos. 
De resto, o Sob o Luar vai manter-se com duas postagens por mês e vou diminuir apenas as postagens nas redes sociais, para diminuir a minha carga de trabalho, devido à universidade. O Patreon continua ativo e com newsletter semanal (mais vídeos para o Tier Sóis!) para quem quiser apoiar e saber um pouco mais dos bastidores do blogue. 

Agradeço, novamente, todo o apoio e carinho que me tem sido dado e continua a ser dado pelos leitores e apoiantes do blogue e espero continuar a ver-vos por cá! Se não, Feliz Encontro e Feliz Partida! ✨

Bênçãos,
Alexia Moon

Olá! 🥰
Hoje trago-vos um aviso e um post especial. Os membros do Patreon já sabem desta notícia desde o dia 23-03 mas optei por esperar pelo início de Abril para anunciar publicamente. O que se passa, como eu já tinha dado a entender no início de Março, eu sinto-me sem grande inspiração e sem motivação para o Sob o Luar. E isso é algo que me custa, porque o Sob o Luar é muito especial para mim. 
Tirei este mês para refletir e algo a que cheguei a conclusão é que sempre que tiro um mês de "férias" acabo por não descansar porque estou constantemente a pensar no que tenho de lançar quando "vier de férias" e acabo por passar o mês a preparar conteúdos futuros ao invés de, bem, descansar... E isso não é produtivo. 

Então decidi que estaria na altura para, pela primeira em quase 7 anos, tirar umas férias/fazer um hiatus indeterminado. Idealmente planeio ficar de férias até ao Verão mas, se necessário, poderei esticar mais um pouco, dependendo de como correm as coisas! 💛

Contudo, há algumas nuances nestas férias, nomeadamente:

  • O Patreon mantém-se a funcionar normalmente, com postagens semanais para todos os membros e dois vídeos por mês para o Tier de Sóis. 
  • O curso de Magia Quotidiana vai continuar a funcionar normalmente e aceitar novos estudantes. 
  • O aconselhamento do ICT, que está listado na página de Serviços, vai manter-se aberto.
  • Poderei, ou não, às vezes aparecer no Instagram do Sob o Luar para responder a comentários, mensagens privadas ou postar projectos e coisas interessantes nas stories (mas não haverá conteúdo no feed). 
De resto, vou de férias e planeio voltar no Verão ou, em último dos cenários, no Outono! 🙏🏻🥰

Obrigada a todo o apoio que dão ao projeto e sintam-se à vontade para se juntar ao Patreon (por 1€/mês!) para irem recebendo novidades e lendo sobre como vão as coisas!

Bênçãos Plenas,
Alexia Moon


Uma das coisas que parece bastante complicada quando estamos a começar no caminho do Paganismo ou da Bruxaria é o de criar a nossa própria prática e como dar os primeiros passos para estruturar o nosso caminho. Este artigo tem como objetivo reunir algumas dicas para ajudar neste processo! 

Para começar é preciso recordar que tudo deve ser feito ao nosso próprio ritmo. No final de contas, seja o nosso caminho mágico ou nosso caminho espiritual, ambos são caminhos individuais e para nosso próprio crescimento, satisfação e felicidade. Não estamos a competir com ninguém nem existe nenhuma corrida, pelo que devemos ir ao nosso ritmo pessoal e conforme aquilo que estamos a sentir que é o certo. 

A melhor forma de construir a nossa prática pessoal é ir aos poucos, conforme vamos aprendendo e experimentando. Não nos podemos esquecer que, como tudo na vida, a nossa prática vai ser fluída e vai mudar com a passagem do tempo, por isso, um dos principais conselhos é estar aberto à mudança e à fluidez das nossas práticas. 

Para além desta fluidez temos também de nos recordar de não querer ser perfeites logo ao começo e que falhar ou experimentar coisas só pela vontade de experimentar é normal e até aconselhável, por isso, devemos sempre lembrar-nos que a primeira estrutura ou rotina que criamos não vai ser a que vai ficar para sempre ou a "definitiva". Temos a liberdade para explorar os nossos caminhos da forma que achamos melhor e que nos identificamos mais. 

Após já termos algumas bases nos assuntos é quando começamos a querer estruturar algo conciso e dar-lhe um nome. Começar a identificar-nos com um caminho específico e estruturar como a nossa prática é definida. Algumas dicas para quando iniciamos este processo:
  • Fazer uma pequena lista dos nossos interesses dentro do Paganismo e da Bruxaria, para entendermos onde está o nosso "nicho" e o nosso foco. É okay se a lista for diversificada, mas termos esta estrutura escrita ajuda-nos a guiar-nos e a saber por onde trilhar. 
  • Fazer uma lista de palavras que achamos que definem o nosso caminho. Podem ser palavras aleatórias como "Verde", "Fadas", "Grécia", etc. Algo que nos ajude a classificar as coisas que associamos com o nosso caminho. 
  • Se não quisermos dar já um nome ao nosso caminho, não há problema! Podemos apenas identificar-nos com termos vagos como "Bruxe" ou "Pagão" e ficar por aí. Esses termos são válidos. Até "Curiose" é um termo válido. 
  • Se houver afinidade por algum tipo de divindade ou algum panteão, podemos começar a explorar mais esse campo para ajudar na nossa prática, dado que muita coisa pode ser construída em torno do culto devocional a Divindades. A mesma coisa se aplica a Seres Mágicos ou Entidades! 
  • Depois de termos criado a nossa lista de interesses e a lista de palavras chaves, podemos começar a procurar conteúdos (tanto online como em livros) relacionados com essas temáticas. Ver o conteúdo de outros praticantes vai ajudar-nos a tirar ideias de coisas a aplicar na nossa prática. 
  • Se houver, recomendo também juntar a comunidades relacionadas com os nossos interesses como Grupos do WhatsApp ou de Facebook onde se possa trocar opiniões e ideias com outros praticantes. 
No final das contas o que não pode ficar esquecido é que o caminho a trilhar é, e sempre será, nosso e somos nós que o definimos e o vivemos, pelo que devemos sempre trabalhar para sermos felizes no nosso caminho e não necessariamente agradar outras pessoas ou cumprir "aesthetics" (que é um dos principais problemas das redes sociais hoje em dia). 

E vocês, que conselhos dão nestas situações?  
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Este trabalho é dedicado às Senhoras Ἑκάτη (Hekate) e Περσεφόνη (Persephone)

Sob o Luar by Alexia Moon/Mónica Ferreira is licensed under CC BY-NC-ND 4.0